Sábado, 8 de Janeiro de 2011

O Atentado de Alexandria, a Igreja Católica e uma virgem num bordel – por Carlos Loures

 

 

Em Roma, Bento XVI, após ter enviado os seus votos de um bom ano às igrejas orientais, apelou a que a bondade de Deus, visível em Jesus Cristo, «reforce em todos a fé a esperança e a caridade e dê consolo às comunidades que tão duramente foram postas à prova». Referia-se à comunidade copta do Egipto. Como se sabe, na passagem do ano um ataque terrorista vitimou 23 pessoas entre os cristãos que oravam numa igreja copta em Alexandria.

Todos aqueles que defendem a liberdade, nela incluem a plena liberdade de  culto. Mesmo quem apoia, no plano político, a causa islâmica não pode aprovar ataques terroristas como o de Alexandria. O integrismo, a ideia de que quem não pensa como nós está errado e merece morrer pelo seu erro, constitui uma negação da inteligência. Quem defende a sua fé desta maneira é um criminoso – a crença não pode servir de atenuante a quem nega aos outros o direito de crerem de maneira diferente. Julgo que no mundo islâmico há, a par com esta gente imbecilizada pelo fanatismo, pessoas, seres humanos, dignos dessa classificação. E tanto assim é que líderes islâmicos moderados estão a ultimar uma fatwa condenatória dos ataques contra os cristãos.

Mas não deixa de ser curioso que uma Igreja que, como a católica, sempre foi intolerante, apele tão veementemente à tolerância, à paz e ao respeito mútuo. Sabemos que é lógico que assim seja e que faz todo o sentido este apelo a que o cardeal Angelo Bagnasco, presidente da Conferência Episcopal Italiana, deu voz, falando em nome do papa. Mas também se sabe que a hierarquia superior da Igreja Católica (e estou a falar das últimas décadas e não da Inquisição ou das Cruzadas…) sempre foi intolerante enquanto pôde, aliando-se a poderes desumanos – ao fascismo, ao nazismo, ao falangismo, ao salazarismo… abençoando genocídios, holocaustos, perseguições por delito de opinião – desde que a sua liberdade de movimentos fosse preservada ou privilegiada. A dignidade do ser humano, a liberdade de culto e de opinião, nunca a preocuparam nesses momentos da história recente.

O cardeal Bagnasco pede a intervenção da União Europeia em particular e da comunidade internacional em geral, no sentido de o direito à liberdade religiosa ser respeitado em todo o mundo  e diz que a Conferência Episcopal e o papa  "estão atónitos ante tanta intolerância religiosa e tanta violência".  E acrescentou "Interrogamo-nos, doloridos, porquê. Por que se derrama tanto sangue em tantos lugares da Terra". A pergunta faz todo o sentido. A resposta pode encontrá-la sua eminência lendo, estudando a história da sua igreja que só já não é intolerante como foi durante grande parte do século XX, porque faz parte integrante de um modelo de sociedade em que todas as liberdades são toleradas e inclusive os crimes de pedofilia praticados por sacerdotes católicos são vistos com alguma da tal tolerância.

Nada do que digo deve ser interpretado como apoio ao terrorismo ou desculpa sequer desses energúmenos fanatizados por clérigos obscurantistas que os convencem de que matar infiéis é uma forma de ganhar o Paraíso. Exactamente o que a igreja Católica defendeu durante séculos. Por isso, soa falso este apelo à tolerância. Onde quero chegar, perguntarão – pois se condeno o terrorismo, por que não pode o Vaticano fazê-lo também? Porque uma coisa é condenar o terrorismo, outra coisa é virem organizações que sempre o praticaram (sob outra designação, claro) protestar contra o terrorismo dos outros. Todos têm o direito de condenar o terrorismo e a intolerância, menos quem, desde há séculos, pratica estes crimes.

A metáfora da virgem no bordel faz aqui todo o sentido.

publicado por Carlos Loures às 12:00

editado por Luis Moreira às 01:46
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Quinta-feira, 23 de Setembro de 2010

Lavagem com água benta...

- por JOANA EMÍDIO MARQUES

Obra de jornalista italiano revela os esquemas corruptos que se escondem sob a gestão financeira da Santa Sé .Num cruzamento, perto de uma auto-estrada, do cantão suíço de Ticino, uma camponesa idosa guardava na sua cave duas malas Samsonite cheias de papéis arrumados em pastas de cartolina amarela. Durante quase trinta anos, recebeu aquelas pastas, sem nunca saber que, o que guardava, eram documentos que abriam a porta para um dos segredos mais bem guardados do mundo: as finanças do Vaticano.
No Verão de 2008, coube a um jornalista italiano da revista Panorama, Gianluigi Nuzzi, ir buscar estas malas que continham o arquivo secreto de monsenhor Renato Dardozzi, que, entre 1974 e o final da década de 90, foi uma das figuras mais importantes do Instituto das Obras Religiosas (IOR), o Banco do Vaticano. Dardozzi, falecido em 2003, manifestou, no seu testamento, a vontade de tornar públicos estes documentos.
Foi a partir deles que o jornalista escreveu o livro Vaticano S. A., que veio agora apresentar a Portugal.


Esta obra - frisa Gianluigi Nuzzi - "não é mais um livro de teorias da conspiração, mas o resultado de uma investigação de dois anos, em que todos
têm nomes e tudo o que é dito é baseado em provas e não em fantasias".
Na sala de um hotel de Lisboa, o jornalista lembra os meses passados numa sala "pequena, abafada, sem ar condicionado nem casa de banho", a percorrer
"um labirinto de cerca de cinco mil documentos que reconstroem, a partir do interior do Vaticano, acontecimentos financeiros duvidosos, ligações inquietantes à Mafia, a Giulio Andreotti (dirigente da Democracia Cristã italiana) ou ao sindicato polaco Solidariedade.
Monsenhor Renato Dardozzi tinha acesso aos círculos mais restritos e fechados da Santa Sé, às saletas de "portas duplas, onde se edificavam operações financeiras arrojadas, onde se abafavam escândalos, ou se afastavam pessoas", explica Nuzzi.
Os documentos que Dardozzi guardou provam que "o Vaticano funciona como uma offshore".
Para lá da Colunata de São Pedro e sob a capa de obras de bem, cometem-se crimes financeiros e não só".
Este livro dá conta dos acontecimentos que se seguiram aos escândalos do Banco Ambrosiano e da Banca Privata Italiana, bem como às mortes misteriosas das figuras de proa dessas instituições Michele Sindona e Roberto Calvi, ou ainda a de Albino Luciani (Papa por 33 dias). Pois, como explica Nuzzi,estes escândalos não impediram que o Vaticano prosseguisse com "manipulações políticas, subornos, pagamentos a políticos corruptos e elementos da Mafia, burlas e até mesmo um elaborado sistema de lavagem de dinheiros, só possível..., porque o Vaticano é um Estado com leis e um estatuto próprios.
É um mundo inexpugnável em pleno coração da Europa".
Em Vaticano S. A., pessoas, instituições de caridade, fundações (como a Fundação Spellman, que faz a gestão dos dinheiros de Andreotti) vão entrando e saindo de cena como se de um palco de teatro se tratasse. Cruzam-se relações de poder de indivíduos e grupos interiores e exteriores à Santa Sé.
Há, porém, um que sem aparecer está omnipresente em toda a narração: Karol Wojtyla, o Papa João Paulo II.
O jornalista reconhece que " Wojtyla era apenas a cúpula de uma gigantesca engrenagem que ele não controlava.
Até porque, no Vaticano, "a verdade nunca é só uma" - afirma Gianluigi Nuzzi.


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publicado por Luis Moreira às 02:00
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Segunda-feira, 21 de Junho de 2010

Saramago à procura de Deus?



Luis Moreira


A obra de Saramago é uma procura incessante do transcendental ? Quando Saramago confronta Deus com a imperfeição do Homem, ou O acusa da Bíblia ser "um conjunto violências" estamos perante uma revolta por não encontrar Deus na Humanidade?

Se nas obras em que essa confrontação é evidente, como acusando Deus e os Evangelhos de serem profundamente imperfeitos vindos de alguem que se apresenta como perfeito e está em todo o lado, no "Ensaio sobre a Cegueira" que foi o livro que lhe deu o empurrão final para o Nobel, essa leitura pode e deve ser feita.De que se trata?

De toda uma população que cega, com a excepção de uma mulher, "SER" excepcional que vê pelos outros, que se "dá" aos outros, que "guia" entre a miséria e o sofrimento.Porquê alguem que vê quando os outros não conseguem? Porquê uma mulher? Ser que dá a vida não deixando de ser uma mulher?

Esta procura incessante presente na obra de Saramago, vai ao arrepio do homem ateu, ou faz parte das interrogações do homem empenhado no curso da humanidade?

A nota do Vaticano sobre a morte de Saramago é amarga e pouco bondosa, não "recebe o filho desavindo no seu seio" carimba-o de marxista- lelinista e vê na sua obra um confronto gratuíto com a Igreja.Nada de mais errado! Saramago à sua maneira é um escritor profundamente revoltado com a falta de Deus no quotidiano medíocre e sem grandeza do Homem.Chamemos-lhe o que quisermos, Deus, transcendente, mas o objectivo de tirar a Humanidade da escravidão do "TER" e chamá-lo ao "SER" parece-me ser um linha orientadora da sua obra, reconhecidamente Universal!
publicado por Luis Moreira às 16:30
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