Terça-feira, 28 de Junho de 2011

O ESCRIBA ABOMINÁVEL - A Corte na Aldeia - por Vasco de Castro

 

 

 

 

 

 

Este último “dez de Junho”, em patriótica celebração da corte cavaquista, ofereceu-nos ainda, em cristianíssimo Gólgota, o espalhar das cinzas socráticas que restavam, melancolicamente. Espectáculo sorumbático, bem pífio, sem panache. Já ninguém acredita no destino, senão em salvar a pele

 

 

Está à vista que este cavaquismo tão funcionário após a fase fugaz, desastrada do enriquecimento fácil, nunca primou pela imaginação e sempre se conformou na sua condição genética, de pequenos burgueses tementes, mas ávidos. Agora, entaramelados com o purgatório de Loureiros e Rendeiros, para memória mais prudente.

 

O novo “príncipe” Coelho, e o seu mentor Correia (curiosamente ausente na farsa beirã) já o terão percebido. Vão procurar amansar a fera, esforçar-se em domesticar a tão imunda e imprevisível plebe, que lhe dá nas ganas, por vezes, de arreganhar a dentuça e até morder.  Todos os cuidados serão poucos.

 

Enfim, a corte exibiu-se com os esperados penduricalhos ao peito, distribuídos em contida soberba, a fingir-se elite em manga de alpaca, cinicamente pacificante, a decantada “pose de Estado”!Resolvido o trauma infeliz
de Saramago com a reforma para a viúva, muito agradecida e já arredada, os escritores, artistas e cientistas de mérito, os que haverá, não se enxergaram na farsa serrana. Ou já terão os seus penduricalhos e prebendas, ou são cavaquistas de menor confiança, ou.. simplesmente… foram esquecidos, não constam da agenda.

 

Desfilaram fardas, com pompa, em ginasticados manequins circenses, inocentes criancinhas balbuciaram o caduco hino anti-braganças e o povoléu, aparvalhado, aplaudiu. E sucederam-se depois as habituais lérias.

 

Lérias ressonadas e já tão debitadas nos palcos das têvês, que é um fastio vão… Que a economia prima, pior, que a agiotagem no poder, aqui e além decidem, que vamos pagar mais,retórica tosca e redonda, foi assim, será?...

 

Seja, vamos pagar mais, uns mais do que outros, haja Deus!, a famigerada troika ameaça e não perdoa, negócios são negócios!

 

O universitário António Barreto, sociólogo patentado, de longo passado como «velho do Restelo», mostrou-se, Marchou, sapiente, por sobre as águas lôbregas. Espera obviamente suceder em Belém, a um Cavaco envelhecido e atarantado. Que o milagre da multiplicação dos pães que anunciava… já foi, sequer os seus acólitos acreditam. A Barreto resta esperar a hora das súplicas sebásticas, por sobre as ruínas da Babilónia que nem chegou a  acontecer.

 

Estranha anedota a ausência do habitual cardeal romano. Que se passa?! Neste último fôlego cavaquista, haverá caso de conspirações na sombra, entre lobos e lóbis a abocanhar os restos?!...O altar já não conta?!...nesta permanente guerra civil de séculos, ora quente, ora morna, da barões engalfinhados a abocanhar a carne, como foi a história pátria de séculos?!...

 

Será esta a última novidade, já sem delírios de 5º Império, nem destinos por mares, Índias e Brasis. Tão-só, finalmente, o pomar lusitano, o regresso à Europa de origem, sofridos, em tempestades de sangue, os tempos passados e apodrecidos. Releia-se Antero e Oliveira Martins.

 

O fontismo, versão betão, gaguejou ainda nesta farsa cavaquista como nevoeiro deu, obscura ameaça… porra!... merecemos melhor. Basta!

 

publicado por Carlos Loures às 15:00

editado por João Machado em 27/06/2011 às 22:39
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Sexta-feira, 24 de Junho de 2011

Maio de 68 criou o "primeiro território português livre e socialista" - Trabalhadores e estudantes portugueses uniram-se emcomité e ocuparam a Casa de Portugal. Movimento académico nunca quis ser um partido

 

 

 

 

 


Com a devida vénia, transcrevemos do JPN – Jornalismo Porto Net – Jornal Digital da Licenciatura em Ciências da Comunicação: Jornalismo, Assessoria, Multimédia da Universidade do Porto -  esta entrevista com os «nossos» Vasco de Castro,  e Fernando Pereira Marques. A entrevista foi conduzida por Amanda Ribeiro.


 A sensibilização do operariado para os ideais do movimento estudantil foi uma das faces do Maio de 68.

Esse processo teve particular importância no

seio dos emigrantes, que tinham medo de sofrer represálias por aderir à greve. Para isso, começaram-se a organizar grupos de ligação entre os estudantes e os operários. 

 

 

O cartoonista Vasco de Castro, em Paris desde 1961, foi o principal dinamizador do Comité de

Ligação Trabalhadores-Estudantes português, nicialmente com sede na própria Sorbonne. "O

meu envolvimento foi total. Constituíamos uma espécie de 'tropas organizadas'", descreve o artista plástico.

 

Também Fernando Pereira Marques, então com 20 anos, participou activamente no comité. "Tínhamos

como objectivo sensibilizar os emigrantes portugueses, que estavam assustadíssimos", clarifica o

sociólogo. Na sequência das actividades do grupo e seguindo os exemplos da Grécia e Espanha, o comité procedeu

à ocupação da Casa de Portugal na Cité Internationale Universitaire de Paris. "O primeiro

território português livre e socialista. Era o que dizíamos. Foi a acção mais espectacular. Ocupámos a

casa até ao fim do movimento, a 17 de Junho", recorda Fernando Pereira Marques.

 

 

 

"Eu era o burocrata de serviço", brinca Vasco de Castro ao descrever as suas funções no grupo. Foi durante a ocupação da Casa de Portugal que o líder do comité viveu um dos momentos que mais gosta de recordar. "Nesse período um dos residentes era o padre Felicidade Alves, que tinha tido problemas com o cardeal Cerejeira. Mas eu sempre que via um padre pressuponha que era um apoiante do regime. Até que, um dia, ele vem ao meu gabinete com um embrulho e diz-me: 'Amanhã vou para Lisboa e vou tomar uma posição muito firme em relação ao regime. Tenho aqui uma prenda para si e para os seus camaradas'. Era uma garrafa de Vinho do Porto. Pensei logo, 'Olha, este padre é dos bons!’".

 

Vasco de Castro considera que o comité foi "muito importante para despertar novas energias na esquerda política em Portugal", graças ao "ataque aos aparelhos de poder pelos académicos" que inspirou o movimento estudantil português.

 

 

"Paris demonstrou que as pessoas podiam fazer alterações profundas em termos políticos", o que, na opinião do artista plástico, garantiu "novas ideias e comportamentos" às gerações de hoje.

 

Movimento recusou institucionalização

 

Apesar da criação de Comités de ligação entre trabalhadores e estudantes, Vasco de Castro acredita que nunca houve a intenção de tomar o poder ou formalizar o movimento estudantil. "A dada altura surgiu o grito 'Vamos ocupar o Eliseu!' e foi recusado de forma quase unânime. O problema não era esse. Combatia-se por ideias de mudança", ressalva o então líder do comité português.

 

Também a escritora Teresa Rita Lopes, então exilada, defende esta ideia. "Na Sorbonne, vi o grupo do Daniel Cohn-Bendit entrar para uma conferência.

 

 E perguntaram-lhe se o movimento não se deveria tornar num partido. Ele negou porque acreditava que se houvesse institucionalização, o movimento

tomaria outra posição e rumo".

 

Para a antiga estudante da Sorbonne frases como "É proibido proibir" demonstram que o movimento era "contra as instituições" e, por isso, "contra os partidos".

 

 

 

publicado por Carlos Loures às 15:00

editado por João Machado em 23/06/2011 às 13:00
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