Quarta-feira, 4 de Agosto de 2010

Memorial do Paraíso, de Sílvio Castro - 4




Senhor,

essas que choram mudas e tristemente são as vozes dos marinheiros depois da busca inútil. Na impenetrável calma do dia a navegação recomeça e as velas retomam o ocidente como uma grande procissão de fantasmas abismados.

Senhor,

onde estão minhas palavras aladas que tanto desejavam alegrar os Vossos ouvidos? Pra onde foram, para que perdidos lugares? Quem sabe, agora certamente caminham no fundo dos mares acompanhando as nossas desgraçadas caravelas que não cessam de percorrer todos os abismos abissais. São as naves de tantos heróis portugueses. Adiante delas vai a nau do infeliz capitão Vasco de Ataíde. Que não verá o que nós veremos.

23 de março, segunda-feira

Ah! que tragica e triste segunda-feira, minha querida Maria.

Depois que deixamos São Nicolau, a noite foi calma. Tudo corria bem depois daquele dia de decisões, as naves caminhavam seguras no mar calmo em busca de novos caminhos. No silêncio da noite, duas ou três vezes acordei-me sem motivo verdadeiro, pois não de insônia sofria, e retomava a consciência de encontrar-me naquela nau e naquele mar após os pequenos espaços de sonhos que me conduziam para terras firmes e conhecidas. Recuperando a minha realidade, podia escutar os muitos silêncios que aquela noite encobria. Adormeci-me definitivamente.


A manhã era plena de sol luz e calor. O mar cintilava na quase bonança e os movimentos tardos, praticamente imóveis, das velas davam um ar de fantástico à manhã ensolarada. De repente ressoou o sinal de nau dispersa. Desaparecera a vela de Vasco de Ataíde.

Todas as naves se movimentaram ansiosas na extensão inimaginável das águas na procura da caravela perdida. De cá e de lá se perlustrava. Mais se alargava o espaço da procura, mais se perdia a esperança de encontrar o barco do infeliz capitão. Horas e horas se passaram na busca angustiosa. E o mar era sempre calmo, de uma serenidade que enchia de pânico os nossos corações.

Nada, nada se encontrou. Somente calma. Calma. Silêncio. Silêncio. Luz. Calma.

As naves retomaram lentamente o caminho do ocidente. Em cada um de nós, Maria, parecia que pairava um mistério maior do que a nossa capacidade de sofrer. Um mistério que, ao mesmo tempo, nos aterrorizava e nos encantava, acompanhando-nos naquele caminhar que recomeçava.

Ah! minha doce Maria, que tristeza no coração neste momento em que não sabes se tudo ainda é vida ou se nada mais é poss¡vel. Em cada um de nós estava o mistério daquele desaparecimento. Cada um de nós naufragava naquele naufrágio absurdo, pois que não sabíamos em que realidade, em que fé apoiar-nos diante de tal desgraça. Sempre aquele mar terrivelmente doce a nos guiar na desesperada incredulidade por tudo quanto sentíamos. Esta calma, esta absurda calma, e esta desesperante aventura.

24 de março

Tu não podes saber, amada filha, qual sensação fica dentro de nós depois de uma experiência como a de ontem.

Recomecei, recomeçamos a viver a repetição de todos os dias já hoje, porém eu não posso mais ser o mesmo homem depois do que me aconteceu. O desaparecimento impossível do barco de Vasco de Ataíde alterou os nossos sentimentos. Eu caminho neste navegar tranqüilo mas não sei mais o que é a antiga serenidade. Tudo me parece tão absurdo, aquela gente nossa - a mesma que ainda dois dias antes víamos festiva e buliçosa em São Nicolau - agora tragada pelo nada, perdida diante dos nossos olhos atentos nesta luz que nos permite tudo ver, ah! minha Maria, tudo isso me deixa sem rumos.

Que destino trágico, este de tanta gente portuguesa! Muitos são os nossos irmãos que já perderam a vida nestes mares sem fim. O mar é doce e companheiro, mas esconde o fascínio de mistérios que podemos intuir, mas que jamais podemos controlar. Quantos lenhos nossos desapareceram tragados pelos temporais furiosos e pelas tormentas mais atrozes? Vejo-os a todos neste momento na desesperação por sobreviver contra a fúria incontida das ondas. Diante de meus olhos o mar é tão sereno e calmo que se pode ver a festa dos peixes que nos seguem na esteira dos barcos. Os delfins, de quando em quando, saltam das águas num ritmo alegre. Mas os meus olhos vêem os mortos que não repousam jamais, tragados por essas ondas. Vejo-os abandonados ao vazio da vida perdida nesses embates sem glórias. São multidões esses mortos e em redor deles reina o grande silêncio. Vejo também, minha querida filha, além dos fantasmas dessa última noite, aqueles outros nossos náufragos que, depois de lutas e aflições contra as fúrias da natureza, conseguiram tocar terra. Seus corpos extenuados mas vibrantes de felicidade pela vida conservada, eu os vejo debruçados sobre tantas praias deste mundo. Depois, os pobres desgraçados, os vejo nas mãos dos inimigos infiéis, atormentados pelo cativeiro, definitivamente perdidos para a vida. Esses são os mortos que se salvaram nas praias desertas e que desapareceram em meio às maiores dores da liberdade perdida. Eles se unem aos fantasmas que caminham nas águas deste mar e, juntos, fazem o longo cortejo que enche meus olhos de angústia.

25 de março

Nas naves os marinheiros comentam o desaparecimento do barco de Vasco de Ataíde. Tudo aconteceu por desgraça, porque o infeliz capitão - conduzido pela sua danada tendência à solidão - isolou-se da armada e, sozinho, encontrou-se naquele ponto onde repousa o monstro das dez imensas cabeças e mil tentáculos. É um monstro verde, antigo, que sempre repousa no fundo dos abismos. Quanto acorda se enfurece e a serenidade das águas desaparece em vórtices medonhos. Os desgraçados marinheiros de Vasco de Ataíde se encontraram com o despertar fatídico do monstro verde.

26 de março

Para outros marinheiros, veteranos de tantas navegações e de tantas desgraças nesses mares, a vela de Vasco de Ataíde teve a infelicidade de encontrar-se com o canto encantador da mais bela das sereias que vivem nestes mares. É um ser belíssimo, dizem aqueles que a viram um dia e tiveram a felicidade de não contemplá-la longamente, um ser belíssimo, com semblantes de mulher, loura, que caminha pelas ondas, nua, e canta com uma voz muito doce. Impossível é não seguir essa voz. Que se distancia sempre, sempre e mais, mas não perdendo-se jamais dos olhos que a fitam. Vasco de Ataíde a encontrou e a está seguindo indormido para sempre.

27 de março

Me parece, minha querida filha, depois de tantos e tristes eventos, que esta navegação prossegue como num profundo sono. Tudo parece que dorme, as naves, as vozes dos marinheiros, até mesmo o brilho constante das estrelas. Pero Escolar conserva como sempre atentamente o timão nas mãos fortes e tranqüilas. Porém, os seus olhos fixam a distância e se perdem. Acompanho o olhar de Pero Escolar e, ao longe, adiante das doze naves que caminham, parece que vejo uma vela indistinta, porém nossa.

28 de março

Pero Escolar me diz que agora a navegação lhe corre mais segura pois que, desde a noite passada, seguindo as estrelas e as correntes, a sua guia se orienta também pela passagem de uma nossa antiga nave por essas mesmas trilhas que ele julgava desconhecidas. Mas, como o sabes, dessa nave? Eu não sei, me responde.

29 de março

O baloiçar de minha nau-capitânea me acalenta e eu sonho, sonho de olhos abertos ao ritmo da cançâo sem música que é este embalo dulcíssimo. Estou firme e caminho sempre. Mais caminho, mais encontro esta visão serena de um mundo infinito e inatingível.

30 de março

Minha querida Maria, os episódios desses últimos dias me abalaram muitíssimo, já bem o sabes. Porém, agora, sinto uma espécie de grande tranqüilidade. Não, não‚ uma sensação de cansaço. É alguma coisa que se parece com o sono, mas que não o é. Me sinto extasiado, mas sem comoções; suspenso no ar, mas sempre consciente de tudo. Tudo me parece tranqüilo, não somente esta serenidade infinita do mar que singramos noite e dia, noite e dia. Tranqüilo é o tempo, o vento que sopra de bombordo. Mas igualmente tranqüilo era aquele de ontem que nos seguia a cisbordo. Ah! os ventos... mais que vento esta é uma brisa sutil que se encadeia com o meu sono constante desses dias.

31 de março

Alisado, alísio, aliseu. Alisado è este mar e este meu olhar quase sempre parado que o contempla sem cansaços, mas sem nenhuma curiosidade. Alisado, mais que alísio. Mais que aliseu. Alisado, regular, sem rugas, estas águas. Mais que aliseu, mais que alisio. Aliseu, alísio, ou eu que não sei mais ver e distinguir os ventos, diante deste mar liso, sem rugas, regular. Os ventos partiram certamente para muito longe. Nós estamos sempre neste mar liso, amaciado pela brisa, alisado, mais que alísio. Para onde foram os ventos? Para que congresso distante se apartaram?

1º de abril

Vamos brincar de novo, minha querida Maria? Vamos recordar quando inventávamos nesse dia brincadeiras na nossa casa: eras uma menina triste, mas então te alegravas e sorrias comigo. Preparávamos tudo às escondidas, já cedo; sempre queríamos surpreender a tua mãe. Então chegávamos com o pacote com a surpresa, diante dela. "É para mim?" "Claro, é pra ti. Abra." E depois ríamos, ríamos muito todos os três – não, Maria? - com a surpresa de tua mãe. Ela fingia todos os anos de não recordar-se das armadilhas já passadas. E tu rias; felizes éramos todos os três. Tua mãe gostava muito das nossas brincadeiras, não é verdade, minha querida?

2 de abril

Me parece, minha querida Maria, que tudo nessa navegação recomeça para mim. Até ontem o meu espírito estava turbado como um mar encapelado. Já hoje começo a sentir-me outro. Sou como este outro mar, aqui e ali movimentado por certas ondas e movido mais fortemente por alguma corrente veloz; porém me sinto como na bonança depois do temporal. É uma quietude, um longo silêncio interior, ainda que pleno de ressonâncias. Essas são as vagas noturnas que nos falam dentro da penumbra. Mas, querida filha, estou bem, muito bem. Como um supérstite que finalmente pisa a terra firme.

3 de abril

Recordando tudo quanto se passou comigo nos últimos dias, querida Maria, me sinto culpado de haver esquecido a misericórdia divina. Levado pela angústia de minhas experiências, esquecido de tudo que não fosse o meu desassossego, a minha soberba quis conviver somente com a dor. Perdi por isso a esperança. Mas a Graça de Deus é infinita. Sem merecê-la, eis que me encontro de novo sereno pelo seu reencontro. Deus Nosso Senhor não prestou atenção ao meu espírito soberbo e reentrou em mim. Minha querida filha, hoje me sinto em paz novamente. A bondade infinita de Nosso Senhor reconforta-me. De novo sei onde me encontro e o meu desassossego se diluiu com as sombras.

4 de abril

Agora o meu grande gosto é tomar o posto mais recôndito da nau-capitânea, diante do oratório de pendurar que ali se encontra, para muito pensar com a ajuda do Nosso Senhor. Quero integrar-me o mais fundamente que me for possível na nossa missão. Estamos navegando em direção de novos mundos e gentes. O meu coração freme ao pensamento de uma tal missão. O nosso Rei e Senhor, minha querida filha, quer que a nossa Santa Fé seja levada a tantas gentes, nos espaços mais distantes. Nós somos os instrumentos dessa missão, e eu a quero realizar integrado profundamente na vontade do nosso Soberano. Estou diante desse oratório e oro. Desejo saber como comportar-me diante de toda essa imensidão que nos aguarda. Somente dentro de mim posso ler as coisas e os comportamentos que devo conhecer e exprimir. Somente dentro de mim posso saber, com a ajuda de Deus.

5 de abril

Maria querida, estou isolado diante do oratório suspenso que vaga docemente com o caminhar da nave. O meu espírito repousa e a minha alma conhece a serenidade. Maria, quero dizer-te que já agora muito espero dessa viagem. Estou pronto para as descobertas.

6 de abril

Sabes, Maria, este é um oratório muito belo. Tão belo como se fosse sozinho toda uma capelinha. Pendurado, deixa-se contemplar pelos meus olhos alevantados. É de madeira lacada de ouro e cores, com aplicações de madrepérolas. A laca é negra, dourada e colorida. Neste fundo de laca as incrustações de madrepérolas provocam uma luminosidade que deixa transparecer plena a decoração de folhagens, flores, frutos e aves. Bela, muito bela porém é a pintura sobre cobre, com a Sagrada Fam¡lia e São João Batista. Dulcíssima é a Virgem Mãe que traz no regaço o Menino Jesus. Às costas da Virgem está um profundo panorama com casas campos colinas, adentrado nas cores luminosas. Meu esp¡rito repousa suavemente diante de tanta beleza e paz.
publicado por Carlos Loures às 16:30
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Terça-feira, 3 de Agosto de 2010

Memorial do Paraíso, de Sílvio Castro - 3

FESTA PARA O PRÍNCIPE VENTUROSO.


Ato 2º

(A cena é a céu-aberto. No grande convés da nau-capitânea, num ângulo onde chegam as sombras dos grandes mastros e velas, está uma grande mesa retangular. Na cabeceira, em direção da popa, a cadeira de braços, ricamente trabalhada, do Comandante. Nos dois lados da mesa, seis de cada lado, as cadeiras para os capitães. Sobre a mesa, dispostos para os hóspedes, canecas com tampa, pratos covos e jarros gomil. Distante, num ângulo semi-iluminado, um tamborete baixo, onde se senta o Mensageiro.)

Senhor,

agora vereis uma cena de harmonia. Nela Vossa Alteza poderá mais uma vez verificar o gênio que guia os Vossos homens nos caminhos do desconhecido.

Era cedo quando aqui chegamos, nessas Vossas ilhas do Cabo Verde. São Nicolau nos está diante e assim todas aquelas outras do grupo a ocidente de Barlavento. Elas se desperdem pontilhando as águas desse mar, fronteando o Cabo. As outras, a oriente e de Sotavento recamam as águas.

Ali está a mesa onde daqui a pouco se sentarão com o Capitão-mor os doze outros capitães dessa Vossa armada. Aquela é a bela cadeira de braços, a predileta de Álvares Cabral. Naquelas canecas e naqueles pratos os bravos restaurarão as forças que o mar teima em minar. Daqueles belos jarros gomil, vindos de longe, de Vossos domínios da China, será servido o bom vinho que dará alegria e conforto àqueles que se preparam para o encontro infinito.

Escutai,

já as outras naves se aproximam da nau-capitânea. São os capitães que chegam e se acingem a subir a bordo. Eis o primeiro, o muito nobre Sancho de Tovar, ricamente coberto com a sua capa escarlate. Gonçalo Coelho segue-o logo depois na fidalguia constante de seus movimentos. Agora chega Bartolomeu Dias, a cabeça resoluta sempre descoberta, o vestuário despretensioso e o fazer lhano de quem pode a cada momento reencontrar o Tormentoso. O rico Aires Gomes sobe a bordo sem abandonar os adornos típicos de seu poder e bom-gosto: inseparável a pedra bazar que lhe está atacada ao peito para defendê-lo de todos os venenos e de todos os malefícios. Em seguida chegam Simão Miranda e Aires Correa, e o jovem Diogo Dias, e Gaspar de Lemos, e Pero de Ataíde, e Luís Pires, Simão de Pina e o sempre austero Nuno Leitão da Cunha. Chega Vasco de Ataíde, o último a subir a bordo. Parece que vem de longe e seus olhos miram distante. O infeliz capitão está presente e ausente, ao mesmo tempo, naquele olhar que não sabe liberar-se do ondejar intermitente das águas.

A mesa está pronta. O Comandante se dirige aos seus capitães e lhes fala longamente. Coisas do alto interesse do Reino se tratam neste momento. Os capitães escutam e aprovam as palavras do Comandante. O rosto de Álvares Cabral é aquele sempre nobre gesto do homem em paz consigo mesmo e com o mundo. Depois de longa exposição, escuta os seus companheiros. O primeiro a falar é Bartolomeu Dias. Nota-se pelo movimento fogoso de suas mãos e braços que ele anseia pela missão projetada nas palavras do Comandante. Gonçalo Coelho acompanha Bartolomeu Dias em seu entusiasmo. Os outros concordam, depois de prolongadas trocas de opiniões. Os capitães se levantam da mesa e seguem o Comandante em direção da proa. De lá todos eles olham o grande mar como numa procura de caminhos e confirmações. Longamente ali ficam, os treze heróis. As estrelas iluminam a nave e aquelas figuras eretas são treze estátuas móveis prontas para a grande caminhada.

Ao longe ouve-se o assobio prolongado dos marujos indormidos nas gáveas, nave por nave.

FESTA PARA O PRÍNCIPE VENTUROSO.

Ato 3º

(A cena é um vazio abstrato, onde mar luz e espaço infinito se confundem com o silêncio. A luz se acentua e o silêncio. De uma zona de sombra, aparece o Mensageiro.)


Senhor,

tristes notícias Vos trago.

Como pode um mensageiro do Príncipe trazer not¡cias que não sejam de exaltação do Soberano? Pode alguma força desconhecida ousar contra a Perfeição? Que força é esta que modifica a voz do mensageiro, transtorna a beleza de suas palavras portadoras de glórias, faz mais pesada a longa caminhada desde o centro dos eventos até este palco da Magnífica Alteza?

Senhor,

tristes notícias Vos trago, mas a minha voz se nega de narrar a cruel realidade. O mensageiro sonha sempre de dar asas às suas palavras. Sonha que elas possam voar como os pássaros e chegar velozmente aos ouvidos do Príncipe, enlevá-Lo ao conhecimento das doces e felizes novidades, entreabrir-Lhe os olhos às maravilhas do desconhecido conquistado. Sonha que as palavras aladas encham de música todo o espaço real e revelem até mesmo a concretização dos sonhos.

Por que, por que esta força desconhecida cortou as asas de minhas palavras e secou-me a garganta?


Senhor,

havíamos superado o Cabo Verde e a doce São Nicolau que nos hospedara por momentos já se escondia nas brumas do mar. A noite caíra. No mar quase bonançoso, as nossas velas caminhavam tranqüilas. A noite dirigia os pilotos indormidos na direção da rota nova. Pero Escolar, na guia da nau-capitânea, perscrutava as estrelas e os insólitos movimentos das correntes. Tudo era silêncio naquele mar de calma. Somente se sentia o romper das proas e o alternado aviso dos marinheiros atentos no alto das gáveas.

Mas que noite é esta que na calma perfeita das coisas preanuncia tantas desgraças? Os homens não sabem, mas dentro desta noite corre o hálito miserável da desfortuna.

Amanhece o dia numa plenitude de luz e sossego. O bulício da gente nas naves ecoa nas águas. De repente, o aviso de nau dispersa. Falta Vasco de Ataíde. As velas se movimentam intranqüilas na busca. Os espaços se dilatam na calmaria. As naves correm lá e cá na busca incessante. Os gritos dos marinheiros se entrecruzam e as vozes se misturam com a calma das ondas e com a luz infinita feita de azul verde amarelo vermelho verde amarelo azul e branco. Muito branco. Branco.

Nada, nada foi possível. Vasco de Ataíde e os seus marinheiros desapareceram naquele branco infinitamente calmo.
publicado por Carlos Loures às 17:30
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