Segunda-feira, 4 de Julho de 2011

My home sweet home - por Carlos Loures

 

Passam hoje 235 anos sobre  a publicação da Declaração da Independência dos Estados Unidos da América.  Em 4 de Julho de 1776 foi publicada o texto da Declaração, ao que se sabe da autoria de  Thomas Jefferson, e a nova nação foi, naquele último quarto  do século das luzes, um farol de liberdade e de esperança para os povos oprimidos, ofuscando as candeiazinhas do pensamento iluminista. Diz a Declaração em certo passo - «a prudência recomenda que não se mudem os governos instituídos há muito tempo por motivos leves e passageiros.» (…) «Mas quando uma longa série de abusos e usurpações, perseguindo invariavelmente o mesmo objecto, indica o desígnio de reduzi-los ao despotismo absoluto, assiste-lhes o direito, bem como o dever, de abolir tais governos e instituir novos Guardiães para sua futura segurança».  O que ainda hoje é pertinente.

 


 

Porém, em pouco mais de dois séculos, esse capital de esperança foi dissipado, a luz radiosa do american dream transformou-se no american nightmare, no buraco negro onde a liberdade e a democracia se precipitam e desaparecem, sorvidas para uma realidade paralela – «a realidade americana». É assim desde a Segunda Guerra
Mundial, quando após a grande depressão de 1929 e que se prolongou pelos anos 30, os Estados Unidos emergiram como grande potência. O colapso da União Soviética com a qual os americanos dividiam a tarefa de gerir o pesadelo, dirigindo e policiando o planeta, deixou-os sozinhos e entregues ao seu grande poder . Os parceiros europeus são meros mandatários de Washington. As esperanças que tivemos em que um Barak Obama inteligente procedesse de forma diferente de um George W, Bush imbecil, esfumaram-se É a nave que conduz o timoneiro.

 

O realizador cinematográfico francês Alain Resnais, o director de Nuit et Brouillard (1955), de Hiroshima, mon amour (1959), e de Mon oncle d’Amérique (1980), disse numa entrevista que era doloroso «viver na era americana e não ser americano». Isto foi dito há quarenta anos, talvez, quando ainda nós, europeus, não nos tínhamos apercebido totalmente da carga de perversa prepotência existente na democracia americana, embora tivéssemos já elementos históricos para tal (o lançamento de duas bombas nucleares sobre o Japão, por exemplo). Hoje em dia, o inglês impôs-se como língua franca e não foi por mérito ou pressão da Grã-Bretanha que isso aconteceu, pois enquanto a Grã-Bretanha, no século XIX, foi a principal potência mundial, o francês era a língua internacional por excelência.

 

A american way of life constitui um modelo implantado à escala global, desde os cereais do pequeno-almoço até às séries televisivas e aos programas com que preenchemos os serões. Sentimo-nos como se deviam sentir os nossos ancestrais depois da ocupação romana da Península - obrigados a arranhar o latim e a adoptar hábitos e leis impostos desde Roma. Viviam na era romana e não eram romanos – dissolveram-se no decurso do processo de romanização.

 

God Bless America , é uma canção com música e letra do compositor Irving Berlin, em 1938., quando do outro lado do Atlântico a guerra em Espanha servia de banco de ensaio para uma tragédia de proporções ainda mais vastas. A melodia do judeu - russo é bonitinha, a letra é uma chachada mas faz vir as lágrimas aos olhos dos americanos. Talvez lhes evoque aquela América que um dia Thomas Jefferson e os seus companheiros de sedição sonharam. Que seria a de Walt Whitman, mas não é de certeza a dos seres abjectos que dirigem os Estados Unidos e os arredores – o Mundo.

 

Deus abençoe a América. Mas, só um Deus alienígena pode cometer tal disparate.

 

 

 

 

While the storm clouds gather far across the sea,\Let us swear allegiance to a land that's free, \Let us all be grateful for a land so fair, \As we raise our voices in a solemn prayer. " \God Bless America, Land that I love. \Stand beside her, and guide her \Thru the night with a light from above. \From the mountains, to the prairies, \To the oceans, white with foam \God bless America, My home sweet home. “

 

publicado por Carlos Loures às 12:00
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