Quinta-feira, 21 de Abril de 2011

O Grande Mistério do TGV por Francisco Gouveia

 

 O GRANDE MISTÉRIO DO TGV

Porque será que Sócrates mantém esta insistência obsessiva no TGV?

 

Quando quase toda a gente, desde o analfabeto ao catedrático, reconhece a impossibilidade financeira de o construir, e depois de se provar tecnicamente que será uma rede deficitária, porque continua Sócrates a insistir?

 

Será que Sócrates é um visionário, e todos nós uns pobres ignorantes?

 

Ou será que há outras razões, talvez impositivas e condicionadoras, que só Sócrates sabe, e que não pode confessar a ninguém?)

 

A megalomania das grandes obras tem sido uma obsessão quase permanente de quem passa pelo Poder. É assim desde a Antiguidade, e é gene que ainda empesta o cromossoma do político actual. A vontade deixar para a posteridade, algo de perene que perpetue o seu construtor, é uma vaidade com que os poderosos sempre tentaram iludir a morte – a inevitabilidade terrível do desaparecimento.

 

Como os seus antecessores, é por isso natural que Sócrates quisesse deixar obra visível que o recordasse.

 

Daí não me espantar que tenha avançado, de uma assentada, com um conjunto de grandes investimentos, como o TGV, a 3ª travessia do Tejo e um Aeroporto construído em terrenos de M. Jamais.

 

Mas desde os dias fulgurantes do estado de graça de Sócrates, até aos dias pedintes de hoje, vai muito tempo, e muita coisa aconteceu desde então.

 

Vamos aos factos.

 

Em Março de 2005, Sócrates é empossado pela primeira vez como Primeiro-Ministro, gozando de uma maioria absoluta na Assembleia.

 

O TGV já então fazia parte do programa de Governo, que previa o seu início nessa legislatura, se bem que entre Porto e Lisboa, ligação que muito mais tarde foi alterada para Poceirão / Caia.

 

Esta obra era há muito uma bandeira de Sócrates, de tal modo que dela fez propaganda anos antes, levando-a depois até ao referido programa de Governo.

 

Sobre a matéria, vejamos o que dizia então o Presidente da Multinacional Alemã Siemens, Sr. Heinrich von Pierer. Considerava o TGV em Portugal como um “projecto fantástico”, afirmando “querer ser nosso parceiro nesse projecto”. Estas declarações foram produzidas em Munique, para um grupo de jornalistas portugueses (Novembro de 2003).

 

Entretanto, a coisa ficou por ali.

 

Contudo, iam-se agravando as condições económicas do país. Só crates não consegue reduzir uma grama na adiposidade do Estado, e vê as despesas aumentarem. As suas deslocações, juntamente com Teixeira dos Santos, a Bruxelas, são quase semanais. O facto é que, segundo ele, traz sempre boas notícias e, permanentemente interrogado sobre o TGV, mantém-se irredutível: é para ir para a frente.

 

Lembro que, estranhamente, e por motivos ainda muito mal explicados, o Dr. Campos e Cunha (primeiro ministro das Finanças a ser escolhido por Sócrates), afasta-se logo após ter proferido declarações onde reconhecia a indisponibilidade financeira da execução de uma obra como o TGV e o Aeroporto.

 

Contudo, a velha história das garantias de que grande parte do financiamento vinha da UE, mantiveram Sócrates com argumentos para prosseguir. Campos e Cunha é que não ficou mais. Ele sabia porquê.

 

Entretanto, e contra tudo e contra todos, a construção do TGV é adjudicado em Dezembro de 2009, ao consórcio Elos (que engloba a Brisa, Soares das Costa, ACS espanhola, Grupo Lena, Bento Pedroso, Edifer, Zagrope, Babock e Brow Lda, BCP e CGD).

 

Com as condições de agravamento da nossa economia, e com os sucessivos falhanços na baixa do défice, em 2010 a UE começa a mostrar-nos sérios “cartões amarelos” e, preocupada com o destino que as coisas levam, e, de certo modo, traumatizada com os casos de Irlanda e da Grécia, e com o “espantalho” de que os problemas se alastrem a Espanha e a Itália (onde a dívida pública já tinha ultrapassado em muito os 100% do PIB - actualmente está nos 120%), obriga Portugal a tomar sérias medidas, que haviam de se traduzir no PEC1.

 

Este PEC1 data de Março de 2010.

 

Demonstrada a insuficiência dele, em Maio do mesmo ano avança-se com o PEC2, e quatro meses mais tarde, com o PEC3.

 

Sócrates continua a deslocar-se a Bruxelas assiduamente. As visitas e reuniões da praxe, mas as reuniões com Ângela Merkle são obrigatórias.

 

Estranha-se que entre ambos exista como que uma cumplicidade, ou algo que leva o nosso Primeiro-ministro a conversar, preferencialmente, com ela.

 

E há algo que continua um mistério: apesar das sérias restrições que os PECs impõem, dos aumentos de impostos, da redução dos benefícios sociais, do aumento do IVA,
IRS, e até da suspensão da 3ª travessia do Tejo e do Aeroporto de Lisboa, o TGV continua intocável!

 

É que, mesmo adjudicado, a obra poderia ser suspensa (como foi a 3ª travessia do Tejo depois de ser adjudicada). Mas não! Mantinha-se o TGV.

 

Assim, o PEC1 tem o aval da UE, 2 meses depois de adjudicarmos o TGV, e os dois PECs seguintes, também obtêm a aprovação europeia.

 

A seguir à aprovação do PEC3 (Setembro de 2010), logo em Novembro do mesmo ano, a Multinacional Siemens volta à carga.

 

A Multinacional afirma que possui 10 mil milhões de Euros para financiamento de TGVs, através da sua Siemens Project Adventures (que por sua vez está ligada à Siemens Financy Services), e que iria propor ao governo português um esquema de financiamento do
TGV.

 

Duas perguntas: que relação existe entre a data de adjudicação do TGV (Dezembro de 2009), e a apresentação dos PECs1, 2 e 3 (Março, Maio e Setembro de 1010)? Será que a adjudicação terá servido de garantia para que a Srª Merkle desse o seu aval a esses PECs?

 

Porque uma coisa é certa: quem manda na UE é Ângela Merkle.

 

Ela é que manda no dinheiro, ela é a “chanceler do Euro”. Durão Barroso, para todos os efeitos, é uma figura ornamental, quando muito um Chefe de Secretaria da UE, que, como todos os outros, tem que render vénias à poderosa Srª Merkle.

 

E outra pergunta: qual a razão porque a Siemens veio, de seguida (Novembro de 2010) anunciar a intenção de financiar a obra?

 

Entretanto, como sabemos, e com o PEC4 já avalizado por Merkle, o Governo cai. Mas o TGV não cai, e Sócrates, antes de cair, ainda insiste. E tem razão, porque os 80 mil milhões INTERCALARES, existiram mesmo!

 

Seria o dinheiro para “aguentar” Sócrates até que as primeiras tranches do PEC4 chegassem.

 

Durão Barroso, numa resposta fugidia, disse que desconhecia essa quantia intercalar, e que tal modalidade não estava prevista nos regulamentos da UE.

 

Mas o facto é que Sócrates trouxe de lá a promessa dessa garantia!

 

Disse-o a todos os portugueses! E disse-o porque Merkle lho havia prometido. A não ser assim,

 

Sócrates mentiu! Mas Sócrates não mentiu. Porque Merkle arranjaria o dinheiro.

 

Mas a história não se fica por aqui.

 

O TGV implica a compra de material, muito material, entre os quais os comboios (locomotivas e carruagens), nada menos de 22, numa primeira fase. Mas também a manutenção, a assistência, todo o complicadíssimo sistema hard e softwere indispensável para o controle da rede, o aluguer de material complementar, etc., etc., etc. Um nunca mais acabar de encargos eternos.

 

Para fornecimento do material, dispõem-se, à partida, três empresas capazes de cumprir com o programa de concurso: Alstom (francesa), a Bombardier (Canadiana) e a Siemens (Alemã).

 

A quem adjudicar?

 

A Alstom francesa está metida em sérios problemas judiciais na Suiça, França e Brasil, sob a acusação de ter subornado políticos para que lhe adjudicassem material.

 

A canadiana Bombardier, se bem se lembram os portugueses, fechou as fábricas na Amadora em 2004, deixando centenas de trabalhadores no desemprego.

 

A Siemens alemã, tem a vantagem de possuir as máquinas mais competitivas do mercado, assentes na plataforma Velaro, que podem atingir os 350 Km/hora, sendo o comboio mais rápido do mundo.

 

Esta escolha da empresa fornecedora (como o contrato de financiamento) estava nas mãos de
Sócrates. Perante este cenário, a quem acham que se deveria fazer a adjudicação?

 

A uma empresa com problemas judiciais, a outra que saiu de Portugal com tão triste fama, ou à alemã Siemens, que possui uma boa máquina ferroviária e que faz parte da mesma empresa que negociaria um financiamento com o Governo português para a execução do TGV?

 

Era evidente a quem adjudicar. E Sócrates tinha o poder para o fazer.

 

Será que o TGV era a garantia dada por Sócrates à Srª Merkle?

 

Para que esta avalizasse os empréstimos resultantes de sucessivos PECs, sem que Sócrates sofresse a humilhação interna de ter que pedir a intervenção do FMI (com que prometera a pés juntos, nunca governar? E com isso hipotecar em definitivo a sua carreira política?)

 

São as dúvidas que ficam, mas que um dia serão esclarecidas.

 

Apenas narrei factos, evidências, estabeleci uma cronologia, e tentei desvendar o complicado algoritmo da relação entre a política e os interesses financeiros. E depois, sobre eles, como cidadão que se preza de avisado e que não perdeu a qualidade de inferir, coloquei as minhas dúvidas.
Se isto for verdade, Sócrates seria o elo mais fraco deste acordo que lhe garantia os dinheiros com que suportava um Estado devorador e excessivo que foi incapaz de meter na linha. Merkle, o elo mais forte e representante da poderosíssima industria alemã.

 

Se calhar, Sócrates já há muito que desejaria ver-se livre do “empecilho” do TGV.

 

Mas será que podia?

 

Neste mundo, não há almoços grátis.

 ler e divulgar:
http://www.dodouro.pt/noticia.asp?idEdicao=353&id=23934&idSeccao=4021&Action=noticia
Obrigado
Francisco Gouveia


 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 
 
 
 
 
 
 
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publicado por Luis Moreira às 23:00
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Quinta-feira, 17 de Março de 2011

Indemnizações aos milhões - percebem ou é preciso explicar? - por Luis Moreira

 

 

 

 

 

O concurso da Ponte , dita terceira , sobre o Tejo foi lançado contra todas as vozes avisadas que diziam que não havia dinheiro, não havia passageiros suficientes para tornar o projecto viável economicamente, que vinha aí uma crise profunda, que estavamos de tanga...

 

Qual quê, isto sem muitos milhões a rodar não dá gozo nenhum e vai de avançar que o dinheiro há-de aparecer e, além disso é bonito, inaugurações, gente da europa embasbacada com as nossas obras e os feitos assinalados.

 

Ganhou uma empresa espanhol, a FCC, uma porra, não era bem essa, mas não há problema nenhum, é que pelos vistos não há mesmo dinheiro nenhum, vai de anular o concurso, enquanto o de Caia - Poceirão continua não se sabe bem como e como será pago mas, enfim, é mais uma forma de pressionar, mais tarde os passageiros não vão ficar no Poceirão a 350 Kms/hora e, depois, virem para Lisboa a 30 kms/hora, logo se vê.

 

Acontece que amanhã acabam os seis meses , prazo em que teria de ser lançado novo concurso. O estado vai começar a pagar as indemnizações habituais. Dez milhões de euros só pelos custos directos para quem gastou dinheiro a fazer projectos de engenharia, arquitectura, financeiros...

 

Mas o estado vai pagar mais, muito mais, valores que vão ser decididos em tribunal e que balançam entre os 70 e os 140 milhões de euros, nada de importante, isto é lá coisa que preocupe os estadistas, os mesmos que congelam pensões aos desgraçados que recebem 200 euros/mês.

 

Percebe-se melhor a pressa em lançar os concursos sem ter dinheiro para os pagar?

publicado por Luis Moreira às 13:00
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Terça-feira, 30 de Novembro de 2010

Semana da Economia - A terceira Ponte é demasiado cara.

Luis Moreira

Um engenheiro que percebi ser quadro da Brisa, veio à TVI explicar que a Terceira Ponte sobre o Tejo para servir o TGV é demasiado comprida e cara, pelo que a solução é a Ponte 25 de Abril, onde já lá temos comboios a 60 Kms/hora.Mas vamos à matéria:

De alguém que me mandou este texto, onde se colocam interrogações apropriadas.Poderá ser conhecido por alguns dos leitores mas, sendo simples e comparando com países que todos conhecemos, ajuda a compreender as dúvidas acerca da rentabilidade dos investimentos públicos.

· Estádios de futebol, hoje às moscas,
· TGV,
· novo aeroporto,
· nova ponte,
· auto-estradas onde bastavam estradas com bom piso,
· etc. etc.

A quem na verdade serve tudo isto? A quem vai servir o TGV?

1. aos fabricantes de material ferroviário que já não existem em Portugal, por isso há que os comprar lá fora.
2. às construtoras de obras públicas (sempre elas...)
3. e, claro, aos bancos que as financiam

Ao contrário os portugueses ficarão mais endividados!

Experimente ir de Copenhaga a Estocolmo de comboio.Comprado o bilhete, dá consigo num comboio que só se diferencia dos nossos 'Alfa' por não ser tão luxuoso e ter menos serviços de apoio aos passageiros.(é verdade, eu próprio já fiz esta viagem)

A viagem, através de florestas geladas e planícies brancas a perder de vista, demorou cerca de cinco horas. Não fora conhecer a realidade económica e social desses países,daria comigo a pensar que os nórdicos, emblemáticos pelos superavites orçamentais, seriam mesmo uns tontos.

Se não os conhecesse bem perguntaria onde gastam eles os abundantes recursos resultantes da substantiva criação de riqueza. A resposta está: . na excelência das suas escolas,
· na qualidade do seu Ensino Superior,
· nos seus museus e escolas de arte,
· nas creches e jardins-de-infância em cada esquina,
· nas políticas pró-activas de apoio à terceira idade.

Percebe-se bem porque não construíram :
· estádios de futebol desnecessários,
· nem optam por ter comboios supersónicos que só agradam a meia dúzia de multinacionais.

O TGV é um transporte adequado a países de dimensão continental, extensos,
onde o comboio rápido é, numa perspectiva de tempo de viagem/custo por passageiro,
competitivo com o transporte aéreo.

É por isso que, para além da já referida pressão de certos grupos que
fornecem essas tecnologias, só existe TGV em França ou Espanha
(com pequenas extensões a países vizinhos).

É por razões de sensatez que não o encontramos
· na Noruega,
· na Suécia,
· na Holanda
· e em muitos outros países ricos.

Tirar 20 ou 30 minutos ao 'Alfa' Lisboa-Porto à custa de um investimento de cerca de 7,5 mil milhões de euros não trará qualquer benefício à economia do País. E quem tem pressa em chegar a Madrid viaja num dos muitos aviões que a todas as horas partem de Lisboa, do Porto ou de Faro.

Para além de que, dado ser um projecto praticamente não financiado pela União Europeia, ser um presente envenenado para várias gerações de portugueses que,
com mais ou menos engenharia financeira, o vão ter de pagar.

Com 7,5 mil milhões de euros podem construir-se:

- 1000 (mil) Escolas Básicas e Secundárias de primeiríssimo mundo
que substituam as mais de cinco mil obsoletas e subdimensionadas existentes ,(a 2,5 milhões de euros cada uma);

- mais 1.000 (mil) creches (a 1 milhão de euros cada uma);

- mais 1.000 (mil) centros de dia para os nossos idosos (a 1milhão de euros cada um).

E ainda sobrariam cerca de 3,5 mil milhões de euros para aplicar em muitas outras carências,como, por exemplo,na urgente reabilitação de toda a degradada rede viária secundária e, também na reabilitação dos centros urbanos.

Cabe ao povo ver que tudo isto é um negocio entre partes, que ninguem sabe quais, tendo a certeza que essas mesmas partes irão tirar os dividentos de tal negócio megalómano endividando as proximas três ou quatro geraçoes deste país. Qualquer pessoa minimamente inteligente e sem interesses directos no negócio vê que Portugal nao necessita de um tgv para nada!!

PS: Soube-se por estes dias que a Terceira Ponte sobre o Tejo é da tal maneira comprida e cara que está fora de questão construí-la, pelo que se procuram alternativas. A mais provável é a Ponte 25 de Abril, a tal que já lá tem os comboios sub-urbanos a andar a 100 Kms/hora.A bitola das linhas é diferente pelo que o comboio ao entrar na linha já existente e que serve a Ponte muda automaticamente de bitola,tudo a 300/hora. Imaginação é o que há mais só é pena andarem-nos a vender a ideia que estava tudo estudado e afinal descobriram agora estes pormenorzitos, sem importância nenhuma.

Estou em crer que sempre se consegue meter 3/4 comboios/dia a 300/hora entre os "pastelões" que em cima da ponte andam a 60Kms/hora. Como se vê está tudo estudado, os concursos seguem o seu caminho, dinheiro não há, ponte também não, alguma coisa se há-de arranjar.

Entretanto, o parque escolar tem já centenas de escolas a serem recuperadas, criando emprego e puxando pelas construtoras e por todas as empresas subempreiteiras, em plena crise que é quando o investimento é necessário.

É esta a diferença entre os investimentos públicos de proximidade e os mega-investimentos que só dão resultados (se derem) daqui a 4/5 anos.
publicado por Luis Moreira às 13:00
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Sábado, 2 de Outubro de 2010

O Orçamento é uma espécie de confessionário.

Luis Moreira

O Orçamento tem como parceiro natural o PSD diz o PS sem se rir, da mesma forma que os parceiros naturais do PS nas eleições são o BE e o PCP .O PS precisa de um parceiro para, naturalmente, arcar com as medidas neoliberais e anti-populares que aí vêm e quem melhor do que quem lhe pode tirar o poder?

O relatório da OCDE não é bem o que por aí anda nos jornais e na boca dos PS, é bem pior, como a despesa é muito inflexível, vai-se pela receita, mais impostos, o que vai arrefecer a economia ainda mais, quando a economia da Alemanha cavalga a 4% nós nem aos 1% chegamos. Se tivéssemos o trabalho de casa feito, podíamos agora beneficiar com as exportações para a Alemanha, mas como não fizemos, andamos a sonhar com o TGV e o aeroporto, outros beneficiarão.

O trabalho de casa era ter dado prioridade às PMEs, como toda a gente aconselhou o governo, que são quem exporta, quem cria postos de trabalho e as que mais rapidamente se acomodam às novas condições. Infelizmente, as políticas económicas foram dirigidas para os bancos, para as empresas publicas e para os megainvestimentos, deixando para segundas núpcias os investimentos de proximidade.

O Orçamento é a confissão dos pecadores, já não podem esconder mais os pecados capitais, trava-se o TGV, o aeroporto, os contentores de Alcântara pagam milionárias indemnizações , as locomotivas já não vêm, e os submarinos andam debaixo de água a ver se a gente se esquece das comissões...

Por mim,para além das avés marias da praxe, levavam com o FMI...

PS: já depois do texto escrito o governo anunciou as medidas que jurava que nunca faria. Não há almoços grátis!
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publicado por Luis Moreira às 13:30
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Domingo, 26 de Setembro de 2010

Boaventura de Sousa Santos no Estrolabio - O Fim do Pensamento Único



No momento em que escrevo, os portugueses dispõem de duas visões muito diferentes sobre como sair da crise em que nos encontramos. De um lado, o “manifesto dos 28” e, do outro, o “manifesto dos 52”. Para o primeiro, a solução é limitar o endividamento, o que implica uma drástica redução do investimento público, fonte de muitos males, sendo os maiores o TGV, o novo aeroporto e as auto-estradas. Para o segundo, a prioridade é a promoção do emprego e a capacitação económica, o que implica um forte investimento público (não necessariamente nos projectos referidos) pois só o Estado dispõe de instrumentos para desencadear medidas que minimizem os riscos sociais e políticos da crise e preparem o país para a pós-crise.

As diferenças entre os dois documentos são, antes de tudo, “genealógicas”. O primeiro é subscrito por economistas, a grande maioria dos quais ocupou cargos políticos nos últimos quinze anos, e colaborou na promoção da ortodoxia neoliberal que nos conduziu à crise. O segundo é subscrito por economistas e cientistas sociais que, ao longo dos últimos quinze anos, tomaram posições públicas contra a política económica dominante e advertiram contra os riscos que decorreriam dela. À partida há, pois, uma questão de credibilidade: como podem os primeiros estar tão seguros do seu saber técnico se as receitas que propõem, descontada a cosmética, são as mesmas que nos conduziram ao buraco em que nos encontramos e em cuja aplicação participaram com tanto desvelo político?



Mas as diferenças entre os dois documentos são mais profundas que a descrição acima sugere. Separa-os concepções distintas da economia, da sociedade e da política. Para o manifesto dos 28, a ciência económica não é uma ciência social; é um conjunto de teorias e técnicas neutras a que os cidadãos devem obediência. Pode impor-lhes sacrifícios dolorosos — perda de emprego ou da casa, queda abrupta na pobreza, trabalho sem direitos, insegurança quanto ao futuro das pensões construídas com o seu próprio dinheiro — desde que isso contribua para garantir o bom funcionamento da economia entendida como a expansão dos mercados e a lucratividade das empresas. O Estado deve limitar-se a garantir que assim aconteça, não transformando o bem-estar social em objectivo seu (excepto em situações extremas), pois mesmo que o quisesse falharia, dada a sua inerente ineficiência.



Pelo contrário, para o manifesto dos 52, a economia está ao serviço dos cidadãos e não estes ao serviço dela. Os mercados devem ser regulados para que a criação de riqueza social se não transforme em motor de injustiça social. Enquanto o bilionário Américo Amorim não terá de cortar nas despesas do supermercado apesar de ter perdido montantes astronómicos da sua imensa riqueza, já o mesmo não sucederá com o trabalhador a quem o desemprego privou de umas magras centenas de euros. Cabe ao Estado garantir a coesão social, accionando mecanismos de regulação e de investimento para que a competitividade económica cresça com a protecção social. Para isso, o Estado tem de ser mais democrático e a justiça mais eficaz na luta contra a corrupção.



É de saudar que haja opções e que os portugueses disponham de conhecimento para avaliar as consequências de cada uma delas. Em tempos eleitorais é importante que saibam que não há “uma única solução possível para sair da crise”. Há várias e estas, sem deixarem de ser económicas, são sobretudo sociais e políticas. Contudo, o pluralismo, para ser eficaz, tem de ser equilibrado em sua publicidade. Anoto, sem surpresa, que apesar de vários jornais de referência terem dado voz equilibrada aos dois manifestos, o mesmo não sucedeu com o Público, cujo director nos brindou com um comentário ideológico e auto-desqualificante contra o manifesto dos 52. Este proselitismo conservador tem muitos antecedentes — quem não se lembra da grosseira apologia da invasão do Iraque e da demonização de todos os que se lhe opunham? — e talvez por isso este jornal tenha os dias contados enquanto jornal de referência.



02-07-2009 Visão voltar
publicado por Carlos Loures às 21:00
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Quarta-feira, 22 de Setembro de 2010

Concurso anulado - indemnização milionária paga!

Luis Moreira

Contra tudo e contra todos, lançaram um concurso para o TGV, sabendo à partida que não tinham condições para cumprirem com o vencedor do concurso. O Poceirão, fica longe de Lisboa e longe de Badajoz, alguem percebia para que interessava aquele troço de TGV sem ínicio e sem fim?

Sofregamente, lançaram o concurso da terceira Ponte sobre o Tejo, contra tudo e contra todos, não há dinheiro, nem os privados têm dinheiro, agora nem os bancos, a dívida cresce assustadoramente, os juros já na altura, trepavam e hoje estão a roçar a impossibilidade de serem pagos, o serviço da dívida é incomportável, uma herança maldita que vamos deixar às próximas gerações.

Felizmente que quem empresta o dinheiro não está para palhaçadas, a Alemanha obriga o governo a mostrar o Orçamento antes de ser aprovado, o que provoca um sem fim de protestos. a nossa soberania, está em perigo, mas a humilhação não, quando andamos de mão estendida.

Antes destas desgraças, não se conseguiu evitar a tempo outra, mil milhões para uma outra autoestrada algures ali pelo centro, à Motta-Engil, a tal que viu a PJ entrar-lhe mais uma vez pelas portas dentro por causa do contrato dos contentores de Alcântara, tambem anulado, mais uns milhões de indemnização.

Quem aprova estas decisões contra tudo e contra todos, sabendo à partida que vai falhar, que não pode cumprir e que isso obriga o Estado a pagar milhões de indemnização, não devia ser chamado à Justiça? Claro que daqui a uns anos tudo não passa de mais uma campanha negra, não houve má-fé, tudo legal, feito nos conformes e dentro da lei. Os actuais governantes, tal como tantos outros, no passado, ocupam grandes cargos nessas mesmas empresas a quem deram de mão beijada milhões? Nada de importante, já passaram os três anos da praxe.

Alguem acredita que estes processos não têm em vista favorecer as empresas do regime? Alguem acredita que não é trafulhice da pior, quando sabendo todos que não é possível e mesmo assim adjudicam-se as obras, acabando tudo em milionárias indemnizações?

O aeroporto, que já andava aí impante em modelos 3D para português ver, não é para agora, as razões são as mesmas, o transporte aéreo do próximo futuro é de tal forma nebuloso que ninguem se arrisca a navegar em céus tão enevoados, o HUB já foi e Alcochete tem que esperar, o Presidente da TAP puxa pela privatização, o governo nuns dias sim, noutros não, como convém a quem vê as grandes empresas do sector a "casarem-se" e a feiínha a ficar para tia.

Ora, quando cada um de nós paga 2,3 euros /mês o que corresponde a 30 euros /ano/contribuinte e que isso tudo somado dá 2,5 milhões /hora de juros e que esse dinheiro é retirado às famílias e à economia e vai direitinho lá para fora (só para pagar juros que a dívida alguem a vai pagar...) não está na hora de nos indignarmos? Como é que se põe o país a convergir com os outros países da Europa com uma dívida destas que não cessa de crescer?

Mas as obrinhas públicas são uma tentação...
publicado por Luis Moreira às 13:30
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Terça-feira, 7 de Setembro de 2010

A FIFA enxovalha Portugal e Espanha!

Luís Moreira

A FIFA é uma das mais poderosas companhias internacionais do planeta, com um poder exclusivo sobre o Futebol mundial e os respectivos campeonatos do mundo. Milhoẽs, muitos milhões que escapam ao controlo das autoridades não estivesse, a boa da FIFA ,sediada muito propositadamente, na Suiça.

Poia a FIFA anda por aí atarefada a ver as condições que Portugal e Espanha reunem para se poderem candidatar ao Mundial de 2018 ou ao de 2022. Ver estádios, lotações, condições de acessibilidades ,capacidade de alojamento e tudo o mais que a poderosa FIFA vem cá ver.

O chefe da comitiva lá deu a sua comunicação pública para "basbaque" ver, como se os nossos estádios não tivessem sido construídos há 6 anos e como se a Espanha não tivesse já sido sede de um Mundial. Mas esta gentinha não dá ponto sem nó, o que o senhor queria dizer é que se a Espanha e Portugal construíssem o TGV então é que era, "trigo limpo" dificilmente nos escaparia o Mundial.

Aí está a justificação, esta sim, a mais forte de todas, depois de os espanhóis se terem negado a viajar para a Caparica para tomar banho e os estudos revelarem que Portugal não tem "massa crítica" populacional para tornar viável o TGV, então as claques das equipas, viajando à velocidade de 300 Kms/hora, para não perderem nenhum jogo ( uns jogos são em Espanha outros cá) são mais que suficientes para pagar o monstruoso investimento, para o qual não há dinheiro, mas isso não interessa nada, bem vistas as coisas, tornar Madrid o centro da Ibéria vale bem um mês de TGV (um mês é o tempo que dura o campeonato...)

Um tipo vem a Portugal e dá opinião sobre um assunto que lhe foi encomendado, assunto que nada tem a ver com a FIFA nem com o Mundial, que é um assunto interno de um país soberano, a contas com imensos problemas ...

Mas que fazemos nós, pobres Tugas, amochamos, o senhor da FIFA vem salvar "este imenso Portugal..."
publicado por Luis Moreira às 13:30
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Sexta-feira, 28 de Maio de 2010

10 minutos de viagem, 60 minutos de atraso...



Luís Moreira

Somos um país moderno, pensamos em grande, grandes autoestradas, as pontes maiores da Europa, o TGV, o aeroporto “HUB” à volta do qual vão cirandar os aviões de todas as companhias…

Eu, no sábado, comprei um bilhete no Pendular para ir ao Porto, paguei o que me pediram, aliás não há concorrência, se quiseres escolhe, podes ir de carro ou de avião, mas de comboio é mesmo aquele, aí vou eu todo contente, adoro andar de comboio, já dei uma volta à Europa de comboio, e nos países escandinavos acordei no mar alto dentro de um comboio que por sua vez estava dentro de um barco, e o horário é cumprido ao minuto.

Pois, no sábado, ao fim de 10 minutos de viagem o comboio parou, trabalhos na linha, quando me venderam o bilhete (trata-se, para todos os efeitos, de um contrato) já sabiam que não podiam cumprir a parte deles que era colocarem-me em Campanhã em 2 horas e 45 minutos depois. Estivemos parados 60 minutos ou perto disso, cheguei ao destino com duas horas de atraso, diz-me o revisor do comboio que apanhei de ligação para Pinhão, não é este o comboio era o anterior, pois era, digo eu…
publicado por Luis Moreira às 18:00
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