Terça-feira, 15 de Fevereiro de 2011

Neoliberalismo ou Democracia: O Debate Está Aberto – Júlio Marques Mota - 8

(Continuação)

  1. 1. Os CDS, os Hedge funds e a autonomia das políticas nacionais: a democracia em perigo

The Ever Increasing Parallels Between AIG And Greece... And The CDS Puppetmaster Behind It All

Tyler Durden

A) Estranho paralelo

David Fiderer na peça que se segue, publicada originalmente no site Huffington, continua a questionar a relação entre Goldman Sachs e AIG. Para todos os efeitos, o debate foi elegantemente considerado encerrado e se estivéssemos num sistema legal a funcionar como devia a Goldman Sachs seria forçado desde há muito tempo a devolver o dinheiro que recebeu e a desfazer a operação; e agora com a AIG solvente devido ao apoio prestado pelo Estado, as suas contrapartidas podiam continuar a sentir algum risco, embora marginal, em vez de estarem simplesmente a usufruirem somente a posse do dinheiro. E, oh! Tim Geithner teria que enfrentar acusações na base dos códigos civil e penal,

Actualmente, enquanto olhamos para a situação que se está a passar, gostaríamos de saber quem é que determina agora o preço dos CDS sobre títulos da dívida pública da Grécia (bem como de Portugal, do Dubai,da Espanha, do Japão e dos Estados Unidos) qual a taxa de recuperação considerada para a determinação desse preço e do valor do colateral exigido pelos pelos vendedores de CDS sobre os títulos da dívida grega? Se são os bancos gregos, como os boatos parecem indicar, estes vendem a protecção sobre a dívida grega, os CDS, e na mesma linha de rumores também, será Goldman Sachs o seu maior comprador, quer em termos de valores globais quer em termos de capacidade de fluxos e, neste caso, será precisamente Goldman, da mesma maneira como no exemplo de AIG, que pode agora ditar o valor do colateral dos CDS sobre a dívida s grega, Digamos, se Goldman pensa que a taxa de recuperação da dívida grega é de 75 centavos e que os CDS se devem negociar a 700 pontos de base, em vez do consenso “prevalecente” de uma recuperação a 90 cêntimos e de 450 pontos de base, então é muito provável que venha a ser assim, quando se quiser capital adicional para cobrir eventuais necessidades, uma vez que o próprio Goldman Sachs tem sido o meio ou instrumento fundamental para encobrir a situação financeira catastrófica da Grécia e continua a ser um factor crítico nos esforços para os futuros refinanciamentos deste mesmo país. Obviamente estas variações adicionais, que será somente Goldman sempre a ver, mesmo se os CDS forem comprados numa base dos seus fluxos, nunca serão reduzidas para os seus clientes e, em vez disso, serão usadas preferivelmente para preparar os bónus de 2011.

Em suma, dada a situação de conflito de interesses, de sua posição negocial dominante e da sua facilidade em determinar o valor dos colaterais exigidos na venda dos CDS, Goldman Sachs pode expandir a sua posição de força acabada de expor e pura e simplesmente impor a decisão tomada pelo Federal Reserve sobre a AIG a quem tem a obrigação de estabelecer a política nacional! Isto é, uma loucura absoluta e uma base para o colapso financeiro ao nível global.

Há aqui ainda uma outra AIG na fornalha, com Goldman desta vez provavelmente a ameaçar acelerar o colapso não somente do sistema financeiro dos Estados Unidos mas também do sistema financeiro global, a tentar conseguir alcançar uma posição negocial de força virtualmente infinita. Naturalmente, o mundo não permitirá que se desencadeie e uma situação de dominó a partir da Grécia, permitindo que Goldman os engane a todos uma vez mais.

Como a quantidade de CDS em termos de valores absolutos e em termos líquidos está constantemente a aumentar com mais e mais hedge funds a juntarem-se ao Goldman Sachs como o intermediário nesta batalha (exactamente como com a AIG), cabe a todas as entidades reguladoras e para toda e qualquer sensibilidade no Federal Reserve supervisionarem precisamente o que são para o Goldman Sachs as margens de garantia e quais são os diversos vendedores das coberturas sobre a dívida soberana especialmente quando se referem a CDS em dificuldades crescentes, quando há dificuldades de liquidez e que, mais uma vez como aconteceu com a AIG, teria consequências adversas tremendas sobre a actividade económica. Se as contrapartidas de Goldman forem os bancos dos países respectivos, é então certo que o paralelo com AIG está praticamente completo. E nós todos sabemos o que aconteceu então.

Além disso, estamos agora convencidos que Goldman Sachs apoiará o Governo em dinamizar um mercado profundamente doente mas com uma outra finalidade: enquanto o Tesouro obterá vantagems na venda de títulos do Tesouro tanto quanto puder como uma questão de segurança Goldman Sachs procurará vender a sua carteira de títulos a fim de sozinho dominar face a um mundo crescentemente hostil.

(Continua)

publicado por Carlos Loures às 21:00

editado por Luis Moreira em 14/02/2011 às 01:39
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