Sábado, 2 de Julho de 2011

"AS ´PEÚGAS DE EINSTEIN" EM ÚLTIMAS EXIBIÇÕES

 

 

 

ULTIMOS ESPECTÁCULOS de " AS peugas de Einstein" . 1,2,3 e 7,8 e 9 de JULHO. 5ª a Sabado 21, 30 , Domingo 16 horas. Não percam e avisem os amigos

 

“As Peúgas de Einstein”,  de Helder Costa expõe as teorias científicas do grande génio da Física de uma forma lúdica e acessível, ao mesmo tempo que traça um quadro de todo o século XX através da sua biografia social e humana. É fascinante o rol de algumas personalidades públicas que privaram com Einstein e que são personagens da peça: Lenine, com quem privou enquanto estudante em Zurique, os professores de Berlim Lenard e Max Planck, seguidores de Hitler, Roosevelt presidente dos USA, Marilyn Monroe e Arthur Miller, Paulette Godard e o seu grande amigo e companheiro de lutas contra o McCarthismo, Charlie Chaplin.

 

No vídeo, podemos ver um momento do espectáculo interpretado por uma companhia brasileira - no dia 07/11/09 no Teatro São João em Sobral-CE-Brasil, na estreia internacional.

 

publicado por Carlos Loures às 15:00

editado por João Machado às 11:50
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Quinta-feira, 9 de Junho de 2011

As Peúgas de Einstein - na Barraca . entra em 3º mês de exibição

 

 

 

 

Novo aviso : a peça entrou no 3º mês de exibição e simultâneamente começou em digressões.

 

O horário continua a ser : 5ª a Sábado 21, 30 e Domingo 16 horas.

 

O público continua a felicitar-nos pelo espectáculo dada a aliança conseguida entre o divertimento e a "lição pedagogica" da Ciencia de Einstein.

 

NB - o espectáculo de 5ª feira tem preço único de 5€.
RESERVAS : 213965360 ou 968792495

 

publicado por Carlos Loures às 11:00

editado por Luis Moreira às 00:37
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Quarta-feira, 18 de Maio de 2011

TEATRO ESTÚDIO FONTENOVA - “SILÊNCIOS RASGADOS”

 

       

 

 


 

Em cena até 05 de Junho (de quinta a sábado) às 22h, domingos às 17h)

 

Numa moradia desabitada (de finais do século XIX) Rua Garcia Perez Nº 36

| Bairro Salgado | Setúbal

 

 

 

Elas são três. “Eles” são muitos mais. Abrem-se, finalmente, portas às

 

“quatro paredes” da sociedade e a confissão acontece. Desvenda-se

algo atroz: A violência doméstica.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Este espectáculo é dedicado a todas estas mulheres e todas as vítimas de

violência doméstica.

 

FICHA ARTÍSTICA E TÉCNICA:

Texto: José Lobo | Encenação, Concepção do Espaço Cénico e Desenho de Luz:

José Maria Dias | Assistência à Encenação: José Lobo | Interpretação: Sara Costa,

Graziela Dias, Joana Barradas | Dramaturgia: José Lobo e José Maria Dias

| Banda Sonora Original: Bruno Moraes | Vídeo e Captação de imagem e Direcção

Técnica: Hugo Moreira | Design Gráfico: Mónica Santos | Assistência ao

Guarda-roupa: Gertrudes Félix | Assistência Técnica: Júlio Mendão |

Divulgação e Direcção de Produção: Graziela Dias | Frente casa:

Mónica Santos e Eduardo Dias

 

63ª Produção Teatro Estúdio Fontenova

 

Companhia Subsidiada: Câmara Municipal de Setúbal

 

Agradecimentos: Jaime Pinho; José Manuel Palma; Gonçalo Balhau;

Café Snack-bar – O Pitágoras; IPSS – O Sonho; Manuela Pinto;

Eduardo Paulino e Brissos Lino.

 

 Digressões confirmadas: Museu Nacional do Traje, em Lisboa.

Museu do Douro, na Régua.

 

 

 

 

 

Teatro Estúdio Fontenova

Rua Doutor Sousa Gomes, 11 2900-188 SETÚBAL

tel/fax 265 233 299

tlm 96 733 01 88 / 96 686 14 76

mail tef@sapo.pt

Mais Informações : Blog www.teatrofontenova.blogspot.com

http://www.facebook.com/pages/Teatro-Estudio-Fontenova/239554322677

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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publicado por João Machado às 09:00
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Terça-feira, 19 de Abril de 2011

Sempre Galiza! – Os velhos não devem enamorar-se e Lela, de Daniel Castelão

publica-se às 3ªs e 6ªs

coordenação Pedro Godinho


 

Daniel Castelão foi o nome escolhido para o 2º Dia das Letras Galegas (1964).

 

Artista, escritor e político é considerado um dos fundadores do nacionalismo galego.

 

Da produção de Daniel Castelão faz parte a peça de teatro ”Os velhos não devem enamorar-se”, para a qual, além do texto, Castelão cuidou também do lado visual tendo-se encarregado do desenho dos cenários, figurinos e máscaras.

 

 

Escrita na década dos anos trinta foi estreada no exílio, em 1941, em Buenos Aires, com a participação do actor galego Fernando Iglesias (“Tacholas”). Desde então é representada por muitos grupos de teatro galegos.

 

 

 

 

Da peça “Os velhos não devem enamorar-se” - ironia sobre o passar do tempo e o amor dos velhos pelas jovens -, faz parte a canção “Lela”, pensada como uma serenata estudantil à moda de Compostela na qual podemos encontrar semelhanças com os fados e baladas de Coimbra.

 

Lela

   

Están as nubes chorando

Por un amor que morreu

Están as ruas molladas

De tanto como chovéu

 

Lela, Lela

Lelina por quen eu morro

Quero mirarme

Nas meninas dos teus ollos

 

Non me deixes

E ten compasión de min

Sen ti non podo

Sen ti non podo vivir

 

Dame alento das tuas palabras

Dame celme do teu corazón

Dame lume das tuas miradas

Dame vida co teu dulce amor

 

 

Ouçamos Lela na adaptação do galego Carlos Núñez e voz da portuguesa Dulce Pontes.

 

 

publicado por Pedro Godinho às 11:00
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Domingo, 27 de Março de 2011

Mensagem da SPA do Dia Mundial do Teatro, 27 de Março de 2011, de Margarida Fonseca Santos

 

_________________________________________

APE
www.apescritores.pt | info@apescritores.pt
Rua de S. Domingos à Lapa, 17
1200-832 Lisboa
Tel.  21 397 18 99
Fax. 21 397 23 41

 

 

DIVULGAÇÃO

CULTURAL

______________________________________________ 

 

 

Exmos. Senhores,

 

Junto enviamos a mensagem da SPA do Dia Mundial do Teatro, este ano da autoria da escritora Margarida Fonseca Santos. 


  

            Dizer onde começa e acaba o fascínio do teatro é, para mim, dizer onde começa e acaba o fascínio pela vida, pela interacção entre pessoas, culturas, hábitos adquiridos ou impostos, liberdades conquistadas ou suprimidas. Dizer qual é o papel do teatro nos dias de hoje, como sempre, é realçar o papel de tornar visível o que a mente pode não conseguir ou não se atrever a ver, trazer à emoção os sorrisos adivinhados e sentidos, trazer à luz da sociedade as dores infligidas e sofridas, mesmo até as que são aceites e as que não nos atrevemos a rejeitar. O teatro é, e sempre será, o palco onde a vida se pode mostrar e onde se constrói vida para além da que vivemos, levando-nos a sonhar, equacionar e arriscar. Para mim, é isto o teatro.

 

            Quis o meu percurso pela dramaturgia que me cruzasse com assuntos ligados ao conhecimento e também à memória do nosso país. Aceitei o desafio de trazer para o palco datas e personalidades deste lugar a que chamo o meu país. Assim, cruzei-me com Pedro Álvares Cabral e Pêro Vaz de Caminha, com os destemidos aviadores, Gago Coutinho e Sacadura Cabral, escrevi sobre a vida deste povo que se espalhou pelo mundo para que não seja esquecida. Mas também me cruzei com a história mais recente, escrevendo sobre a crise académica de 1962, sobre D. António Ferreira Gomes, Bispo do Porto, e sobre a filha do último Director da PIDE, Annie Silva Pais. Nestas três últimas peças, um denominador comum, que o 25 de Abril veio derrubar – a ditadura que reinou em Portugal.

 

            A Revolução dos Cravos apanhou-me no liceu, mas já antes me vira confrontada com familiares perseguidos e presos, aprendendo como a tortura e a asfixia do pensamento imperaram durante quarenta e oito longos anos. Foi uma revolução branda, embora incontornável, impondo a liberdade através de caminhos que nunca antes havíamos experimentado. Para trás ficaram anos onde a brandura não teve lugar na forma como se trataram os opositores ao regime.

 

  Abracei estes desafios porque acredito que o teatro tem a função de relembrar o que aconteceu, para que o adormecimento das recordações não ganhe espaço no nosso viver. Servi-me da ficção para contar as verdades, servi-me da verdade para ficcionar as históriasem palco. Construíestes textos para que as gerações mais novas não esqueçam o papel da liberdade na vida que levam, mas sobretudo para homenagear todos aqueles que, levantando-se contra a ditadura, perderam a sua liberdade, a sua pátria e até a sua vida.

 

    Acredito que, hoje e sempre, o papel do teatro é manter viva a memória do que fomos e somos, do que sofremos e ganhámos, do que podemos sonhar e construir porque houve quem lutasse por nós, anos a fio, porque conquistámos a liberdade de falar e crescer. No momento em que, como dramaturga, me vejo a caminho do banco dos réus por ter levado à cena o tema da opressão fascista, recuso-me a aceitar que alguma vez tenha de calar esta obrigação cívica. Continuarei, sempre, a trazer para o palco a coragem daqueles que lutaram pela nossa liberdade.

 

Margarida Fonseca Santos

 

 

 

publicado por João Machado às 09:00
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Domingo, 13 de Fevereiro de 2011

Agenda Cultural 14 a 20/2/2011 - Rui de Oliveira

coordenação de Augusta Clara de Matos

 

Rui de Oliveira  Agenda Cultural 14 a 20/2/2011

 

Na Segunda 14/2 -  Continua o ciclo "Jacques Démy" no Institut Franco-Portugais, às 19h, com a exibição de "La Baie des Anges" (1963), comédia dramática de Jacques Démy com música de Michel Legrand,  onde intervêm Jeanne Moreau, Claude Mann e Henri Nassiet (entrada livre).

Para aqueles que às míticas Segundas-feiras procuram as últimas estreias, propomos do realizador japonês de 75 anos Koji Wakamatsu a sessão dupla Exército Vermelho Unido (United Red Army) e O Bom Soldado (Kyatapiru), uma "análise cruel da mentalidade revolucionária e do "heroísmo" de guerra", com boa cotação crítica.

Na Reitoria da Universidade de Lisboa (UL), as conferências comemorativas do I Centenário serão de José Esperança Pina ("Anatomia Artística da Pintura de Miguel Ângelo na Capela Sistina") e Manuel Costa Cabral ("Saídas Profissionais") na Sala de Conferências das 18 às 20h (entrada livre). Ainda na Reitoria pode visitar-se (até 27 de Fevereiro) a mostra de arte "espaço_arte@ulis2011", constituída por obras de 55 artistas desde Alberto Faria a Xana (alfabeticamente).

Na Terça 15/2 - Às 19h, o pianista russo Boris Berezovsky regressa a uma das suas obras favoritas (os estudos de Chopin, na leitura de Godowsky) tocando Scherzo,op.39,Polaca-Fantasia,op.61 e Improviso,op.51 de Fryderyck Chopin e ainda Doze Estudos de execução transcendente de Franz Liszt. O concerto ocorre no Grande Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian (FCG).

A 2ª conferência do ciclo "O Fascínio da Economia" por João Ferreira do Amaral decorre no Pequeno Auditório da Culturgest sobre o tema "A Economia Positiva: Microeconomia e Macroeconomia", às 18h 30m.

Neste dia as conferências comemorativas do I Centenário da UL serão de Fernando Rosas ("Hegemonia e Memória. Uma luta dos dias de hoje") e Francisco Bethencourt ("Portugal na História do Mundo"), às 18h (S.de Conferências da Reitoria).

Na Quarta 16/2 - Na Sala Garrett do Teatro Nacional D. Maria II estreia, às 21h 30m, a peça de Arthur Schnitzler A Cacatua Verde, em tradução de Frederico Lourenço e encenação de Luis Miguel Cintra. A acção desta ironia histórica decorre em 1789 em plena Revolução Francesa e tem como actores o próprio L.M.Cintra, além de Rita Blanco, João Grosso, Luis Lima Barreto, entre outros. Prolongar-se-á de Quarta a Domingo até 27/3.

Na Casa Fernando Pessoa, às 18h 30m, o encontro "Poetas do Mediterrâneo", motivado pelo lançamento pela editora Gallimard (em colaboração com os vários Institutos de línguas latinas) dum livro com este nome, porá à conversa, perante público, os poetas Nuno Júdice, Ana Marques Gastão, Jaime Siles, Valerio Magrelli, Jean-Pierre Siméon, Casimirio de Brito, Gastão Cruz e Vasco Graça Moura. Encontros semelhantes com alguns destes participantes ocorrem nesta semana no Instituto Cervantes (15/2), na FNAC Chiado (17/2) e no Institut Franco-Portugais (18/2).

Miguel Galvão Teles ("O caso de Timor Leste - Portugal c.Austrália - no Tribunal Internacional de Justiça") e Martim de Albuquerque ("Considerações à volta da Soberania") serão os conferencistas no centenário da UL, às 18h na Sala de Conferências da Reitoria.

Na Quinta 17/2 - No Grande Auditório da Fundação Gulbenkian, às 21h, a Orquestra Gulbenkian, dirigida pelo maestro Christian Zacharias (que também actuará ao piano), interpreta o Concerto para Piano nº27 de Wolfgang Amadeus Mozart e a Sinfonia nº3 de Anton Bruckner. Repete na Sexta 18, às 19h.

O pianista Artur Pizzarro efectua, no Pequeno Auditório do CCB às 21h, o seu sexto concerto do projecto de interpretação da obra integral de Fr. Chopin para piano. Abrangerá o período de 1836 a 39, constando do programa Duas Polonaises, Quatro Mazurcas (op.30 e 33),um Nocturno, uma Valsa, um Scherzo, a Variação nº6 e 24 Prelúdios.

No mesmo CCB, às 22h na recepção do Centro de Reuniões, Paulo Barros (piano) e Adriana Mink (voz brasileira) actuarão juntos noutro concerto de jazz "Dose Dupla" (entrada livre).

Na Câmara Municipal de Lisboa (sala do Arquivo) às 18h o Duo de Harpa e Percussão da Orquestra Metropolitana Stéphanie Manzo (harpa)/ Fernando Llopis (percussão) tocará Claude Debussy Prelúdios (1.º livro), César Franck Prelúdio coral e variações, Eric Satie Gymnopédies e Claude Debussy Quatro epígrafes antigas.

Na sede da Orquestra Metropolitana, às 18h, Liviu Scripcaru (violino) executará peças contemporâneas de César Viana (Batuk em estreia absoluta), João Pedro Oliveira (Integrais I), Ian Mikirtoumov (Lágrimas -Slyezi em estreia absoluta), Christopher Bochmann (Essay IIIPartita n.º 2 em estreia nacional).

Às 18h 30m, na Sociedade Portuguesa de Autores, solistas da Metropolitana (Carlos Damas violino, José Teixeira violino, Valentin Petrov viola, Jian Hong violoncelo e Anna Tomasik piano) interpretarão a História do Tango de Astor Piazzolla e Quinteto com Piano em Mi bemol maior de Robert Schumann.

Abre na Fundação Gulbenkian (Aud.2) (e encerra a 19/2) o colóquio internacional "Image in Science and Art" que visa reflectir sobre se "...depois da voz e da escrita, é a imagem que adquire uma inaudita relevância. Ela determina a nossa vida de forma cada vez mais decisiva, tanto a nossa maneira de ver o mundo como a forma de nele inscrevermos a nossa existência individual e colectiva" (entrada livre).

Em ligação com este evento e recém-inaugurada no Pavilhão do Conhecimento-Ciência Viva, a exposição CorpoIMAGEM (representações do corpo na ciência e na arte) resulta duma colaboração com o Centro da Filosofia das Ciências da Universidade de Lisboa e merece uma visita (até fim de Março 2011).

Nela podem ver-se representações científicas e artísticas do corpo desde o século XIX até à actualidade (quer corpos nus desenhados na simplicidade e naturalidade da sua superfície por Columbano ou Soares dos Reis, corpos complexos e fragmentados de Amadeo de Souza-Cardoso a Sérgio Pombo e Helena Almeida, ou do lado da ciência, esqueletos do homem e da mulher tal como eram representados nos tratados anatómicos do século XIX, ou proteínas que hoje a ciência assegura constituírem esse outro “esqueleto” das células humanas).

No Grande Auditório da Culturgest, às 21h 30m, o conjunto Pop Dell'Arte (onde se mantem o vocalista João Peste e o guitarrista Zé Pedro Moura) festeja 26 anos de carreira à volta do seu último CD Contra Mundum (2010).

No OndaJazz, às 22h 30m, Bárbara Lagido passeará a voz pelo universo de Tom Waits, acompanhada por Alexandre Diniz (piano e acordeão), António Pinto (guitarra) e Yuri Daniel (contrabaixo).

Neste dia as conferências comemorativas do I Centenário da UL serão de António Marques ("A Reflexão Filosófica: Limites e Dinâmica") e Luciano Pinto Ravara ("O valor do conhecimento"), às 18h (S.de Conferências da Reitoria).

Na Universidade Católica (às 18h na sala 511), promovida pelo seu Instituto de Estudos Políticos, pronuncia a palestra "The Neo-liberal State and the Rule of Law" o Lord Plant of Highfield, no âmbito das palestras anuais Alexis de Tocqueville 2010/2011 (entrada livre).

Os nostálgicos dos Velvet Underground não devem perder em Coimbra, no Teatro Académico de Gil Vicente às 21h 30m (o site refere 20h), John Cale & Band, que visitará também Leiria (24), Torres Vedras (25) e Torres Novas (26), além de cidades nortenhas.

Na Sexta 18/2 - No Grande Auditório do CCB, às 21h, os encenadores Alain Platel e Frank van Laecke criam, com a actriz Vanessa van Durme e os Ballets C de la B, "uma performance teatral sobre a esperança e as ilusões acarinhadas ou perdidas" que denominaram Gardenia. Repete no Sábado 19.

No São Luiz Teatro Municipal inicia-se o "Ciclo de Teatro do Porto ? De António Pedro à Fábrica da Rua da Alegria", comissariado por João Pedro Vaz, com Era Preciso Fazer as Coisas, filme de Margarida Cardoso sobre a encenação por Nuno Carinhas do Tio Vânia de Tchekov. Será feita a evocação de Isabel Alves Costa, intérprete dessa peça.

No Palácio da Independência, às 18h30m, o Quarteto com Fagote da Metropolitana (Franz Dörsam fagote, Adrian Florescu violino, Elena Komissarova violino, Gerardo Gramajo viola e Ana Cláudia Serrão violoncelo) tocarão Antonín Reicha  Quinteto em Si bemol maior e duas peças de Johann Evangelist Brandl Quinteto em Si bemol maior, Op. 52/1 e Quinteto em Fá maior, Op. 52/2. O Concerto, comentado por Rui Campos Leitão, é repetido no Sábado, 19 de Fevereiro, às 17h00 no Museu do Oriente.

Na Casa Fernando Pessoa, às 18h 30m, haverá um recital por solistas da Orquestra Metropolitana de Lisboa onde Ercole de Conca, em contrabaixo, e Alexandra Simpson, ao piano, interpretam  a Sonata Arpeggione em Lá menor, D. 821 de Franz Schubert e a Sonata n.º 2 em Sol menor, Op. 5 de Ludwig van Beethoven.

Na Casa Museu Dr. Anastácio Gonçalves, às 19h, o Duo de Violinos da Metropolitana (Eldar Nagiev e Anzhela Akopyan) tocará Georg Philipp Telemann Sonata n.º 4 em Mi menor, Béla Bartók Cadernos 3 e 4 (dos 44 Duos para Violinos) e Henryk Wieniawski Quatro estudos e Caprichos, Op. 18.

Ainda às 19h, nos Armazens El Corte Inglés, em concerto comentado por Alexandre Delgado, o Duo de Flauta e Cravo da Metropolitana (Nuno Inácio, flauta e Marcos Magalhães, cravo) executará G.P. Telemann Sonata para Flauta e Continuo em Mi menor, J.F. Kleinknecht Sonata de Câmara em Si menor, Carl Philipp Emanuel Bach Sonata para Flauta em Sol maior e J.G. Müthel Sonata para Flauta em Ré maior.

Também às 19h, no Liceu de Camões, o Trio Russo da Metropolitana (Alexêi Tolpygo violino, Peter Flanagan violoncelo e Savka Konjikusic piano) tocará Chostakovich Trio com Piano n.º 1 em Dó menor e Rachmaninov Trio elegíaco em Ré menor. O concerto é repetido no Sábado, 19 de Fevereiro, às 21h30, no Cinema-Teatro Joaquim d'Almeida do Montijo.

O novo disco do Júlio Resende Trio You taste like a Song será apresentado num concerto com o mesmo nome no Grande Auditório do CCB (21h 30m), onde os intérpretes serão Júlio Resende ao piano, Matt Penman no contrabaixo e Joel Silva na bateria.

No OndaJazz, a premiada harpista brasileira Cristina Braga toca e canta às 22h 30m desde bossa nova a temas clássicos, acompanhada por Ricardo Medeiros (baixo e contrabaixo) e Sílvio Franco (bateria). Esta intérprete repete o show "Feito um Peixe" nas FNAC do Chiado (às 18h) e do Colombo (às 21h 30m) (entrada livre).

No ciclo de palestras "Ciência em Português" da Universidade de Lisboa, o tema "Quantos anéis de ouro são produzidos numa Supernova?" terá como orador Daniel Galaviz Redondo do Centro de Física Nuclear da FCUL, apresentado pelo astrónomo Rui Agostinho. Esta conferência sobre "aquelas estrelas...grandes fábricas de elementos do nosso Universo" ocorre na Sala de Conferências da Reitoria, às 18h (entrada livre).

No Sábado 19/2 - Às 18h, ao Grande Auditório da FCG regressam as transmissões da Metropolitan Opera, esta em diferido. Será vista e ouvida a ópera Nixon in China de John Adams, dirigida pelo próprio J.Adams e produzida por Peter Sellars, tendo como intérpretes as sopranos Kathleen Kim e Janis Kelly e o tenor Robert Brubaker, entre outros.

No Grande Auditório da Culturgest, às 18h, far-se-á ouvir o Duo de Pianos de Luísa Tender e Jill Lawson que interpretará O Quebra Nozes de Tchaikovsky, La Valse de Ravel, Quadros de Agosto de Fernando Lapa e a Suite nº2 de Rachmaninov.

No São Luiz TM, às 21h, Gonçalo Amorim reencena A Morte de um Caixeiro Viajante de Arthur Miller que António Pedro havia encenado com o Teatro Experimental do Porto em 1954 e 58. Repete no Domingo 20/2.

Às 16h00, no Museu da Música, o Quinteto de Sopros da Metropolitana (Janete Santos flauta, Bryony Middleton oboé, Jorge Camacho clarinete, Catherine Stockwell fagote e Jérôme Arnouf trompa) interpretará Três Peças Breves para Quinteto de Sopros de Jacques Ibert, Seis Bagatelas de György Ligeti, Summer Music, Op. 31 de Samuel Barber e Quinteto de Sopros, Op. 43 de Carl August Nielsen.

O concerto de estreia da Big Band Junior, a orquestra-escola de jazz fruto da parceria CCB/Hot Clube de Portugal, tem lugar às 21h no Pequeno Auditório do CCB. Com direcção musical de Claus Nymark e artística de Alexandra Ávila e João Godinho, estes jóvens músicos tocarão Duke Ellington, Count Basie e outros arranjos mais modernos para big band.

No OndaJazz, às 22h 30m, o saxofonista Cesar Cardoso apresenta com quatro outros músicos o seu disco Half Step (2010).

No Domingo 20/2 - No Salão Nobre do Teatro Nacional de São Carlos prosseguirá (às 18h) a série "Do Barroco ao Clássico" com a 2ª sessão onde a Orquestra Sinfónica Portuguesa (com direcção musical de Julia Jones) tocará de George Frideric Haendel Música Aquática, Suite nº2, em Ré Maior, de Bela Bartok  Divertimento para cordas, Sz.113 e de  Wolfgang A. Mozart  Sinfonia nº35, em Ré Maior, K.385, Haffner.

Para os apreciadores de outras artes, aconselharíamos o encerrar da semana com a visita (já muito referida no blogue) à magnífica exposição "PRIMITIVOS PORTUGUESES 1450-1550 O Século de Nuno Gonçalves" (e de preferência em visita guiada), patente no Museu Nacional de Arte Antiga e que encerra brevemente a 27 de Fevereiro.

NOTA: Chama-se a atenção para quem for na véspera, Sábado às 18h, haverá o atractivo suplementar da exibição, seguida de mesa redonda com a presença do realizador, do filme Painéis de São Vicente de Fora, Visão Poética de Manoel de Oliveira.

Então, como é usual, boas escolhas, caros leitores !

publicado por Augusta Clara às 14:00

editado por Luis Moreira às 13:27
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Quarta-feira, 9 de Fevereiro de 2011

Anton Tchekhov nos 151 anos do seu nascimento - por António Gomes Marques

Decorreu em 8 de Fevereiro, na Biblioteca Municipal Fernando Piteira Santos, na Amadora, um debate sobre «Anton Tchekhov – nos 151 anos do seu nascimento», iniciativa enquadrada na animação pretendida pelo Vereador da Cultura da Autarquia para aquele espaço, no qual de pode visitar uma pequena exposição alusiva ao autor russo.

 

Convidados pelo José Peixoto, Director do «Teatro dos Aloés», a tecer algumas palavras sobre o dramaturgo foram o Rui Mendes, o Mário Jacques, o Rui Pina Coelho e eu próprio.

Eis o texto da minha comunicação:

O José Peixoto pediu-me para ocupar o vosso tempo por 10 minutos, aceitando eu falar na minha condição de amador de teatro, que espero contribua para o que considero mais importante nestes debates: o diálogo com todos os presentes.

Começo por dizer o que, na opinião de alguns de vós, não passa de uma barbaridade: quando se fala do maior autor de teatro é costume dizer-se que é William Shakespeare, mas eu logo digo que, para mim, é Anton Tchekhov.

Claro que aceitar que há um autor que é o maior, já é controverso, dizer o que eu digo sê-lo-á ainda mais para muitos de vós.

Não nego que a forma como Shakespeare trata as paixões humanas não seja genial, mas eu sinto Tchekhov muito mais próximo de mim e, por isso, digo o que digo.

Lembro o primeiro contacto que com a sua obra tive, graças à publicação no Porto de «6 Peças em 1 Acto» e depois de «2 Peças em 1 Acto», publicação essa que o Mário Jacques também terá acompanhado; lembro a solução que esta publicação trouxe aos grupos de teatro de amadores, de cujas representações, muitas delas más, se salvavam as palavras do nosso autor e que, por isso, nunca foi tempo perdido o que gastei a assistir a muitas delas. Havia a ideia falsa de que era fácil representar qualquer destas curtas peças, mas sobre o quão difícil é interpretar qualquer das personagens destes textos que fale outro companheiro desta mesa, o Rui Mendes, de que recordo a sua interpretação de «Os Malefícios do Tabaco», com a qualidade a que sempre nos habituou.

Lembro também os grandes textos, tendo-me apaixonado pelo primeiro que li, «A Gaivota», em que aqueles amores desencontrados –A apaixonado por B, B apaixonada por C, e assim acontecendo o mesmo com outras das personagens, é de uma genialidade que nunca encontrei noutros autores. Sente-se a vida palpitar. Foi, lembremos, no ensaio desta peça, levada à cena pelo Teatro de Arte de Moscovo, que o nosso autor viria a conhecer a sua futura mulher, Olga Leonardovna Knipper, que desempenhava o papel de Arkadina. Anton Tchekhov tinha-a visto representar a czarina Irina, personagem da peça de Tolstoi, «O Czar Fedor Joanovitch», tendo-a considerado espantosa.

Depois de ver Olga Knipper no papel de Irina, escreveu numa sua carta a Suvorine: «Achei essa Irina esplêndida, uma voz, uma nobreza, uma sensibilidade – tudo tão admirável que produz como que um prurido no fundo da garganta… Ela está acima de todas as outras. Se continuasse em Moscovo, ter-me-ia apaixonado por essa Irina…», o que acabou por acontecer, a paixão nasceu nos dois e acabaram casados.

No teatro de Tchekhov não há heróis, o que muito contribuiu para a minha paixão pelo seu teatro e pelos seus contos, não menos geniais. Para além daquela ausência de heróis, o diálogo interior das suas personagens, diálogo esse que nos é dado por palavras que apenas são importantes não para a arte cénica mas para nos mostrar esse diálogo interior, onde também o silêncio que se segue às palavras, são parte fundamental deste teatro. Só este silêncio nos diz mais do que muitas palavras que outros autores escrevem. Caracterizo também este teatro pela sua aparente ausência de acção.

Por tudo isto, considero que a sua representação constitui um grande desafio para qualquer actor ou actriz, sem esquecer que todas as personagens são fundamentais, como fundamental é, no «Cerejal», a fala final do velho criado de 87 anos, Firs, quando verifica que já todos partiram e o deixaram fechado dentro de casa. Representar bem aquele silêncio que o teatro de Tchekhov exige é um desafio dos mais exigentes e, se conseguida essa representação, podemos dizer que estamos perante um grande actor ou actriz.

Escreveu Elsa Triolet, em «A Vida de Anton Tchekhov»: «As grandes peças de Tchekhov foram para o teatro russo um acontecimento tão considerável, que requerem um estudo especial. Elas transgrediam todas as regras da dramaturgia do seu tempo; introduziam na cena a vida quotidiana, as pessoas simples, a linguagem de todos os dias; obrigavam o encenador e os intérpretes a abandonar o que o teatro tinha de teatral, as suas convenções habituais… O diálogo de Tchekhov possui uma particularidade a que é uso chamar-se o seu “antetexto”, espécie de corrente submarina que passa, silenciosa, por detrás das palavras pronunciadas em voz alta. Esse antetexto, exprimindo os sentimentos e pensamentos e outras vezes simplesmente inábeis e arbitrárias, palavras como nos surgem na vida – esse antetexto dá às peças de Tchekhov a sua profundidade, uma terceira dimensão. Com a ajuda do actor, Tchekhov fá-lo entender ao público e é o antetexto que mantém os espectadores em suspenso, não obstante a ausência de «intriga», de acção. Teatro de atmosfera, se se quiser, teatro do inefável, o qual não é todavia um fim em si: Tchekhov mostra-nos os motivos dessa inefabilidade russa do fim dos anos 90. Nessa época, em que já qualquer coisa começava a «troar», Tchekhov apurava o ouvido, principiava a crer, a esperar e a manifestar nas suas peças a sua crença e a sua esperança.»

Nas personagens de Tchekhov, digo agora eu, encontro também o que ele viu na representação de Olga Knipper a que atrás me refiro: nobreza e sensibilidade, quer falemos dessa peça genial que é «Tio Vânia», esse drama da vida que continuava a passar, vida que tem forçosamente de continuar, como claramente demonstra a última cena com tio e sobrinha, ou de «A Gaivota», ou de «As Três Irmãs», ou de qualquer outro dos seus textos, incluindo as suas peças em um acto.

Um outro objectivo de Tchekhov foi bem conseguido: com o seu teatro e com os seus contos, somos convidados a olhar para bem dentro de nós e, ao fazê-lo, podemos verificar como vivemos mal, o que nos deve conduzir a construir uma outra vida que seja melhor.

Permitam-me um conselho que a idade já me consente: leiam e vejam o teatro de Tchekhov, leiam os seus contos, olhem para dentro de vós e sejam felizes!

publicado por Carlos Loures às 20:00

editado por Luis Moreira às 19:00
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Sábado, 8 de Janeiro de 2011

Karl Valentin e Ionesco - Dois nomes da História do Teatro

 

 

António Gomes Marques

Há cerca de três anos, o Armando Caldas convidou-me a assistir a mais um espectáculo, por si dirigido, do «Intervalo – Grupo de Teatro», a que chamou «Uma Noite de Cabaret», a partir de textos de Ionesco e de Karl Valentin. Foi uma reconstituição de um espectáculo de «cabaret», também chamado de café-concerto ou café-teatro, espectáculo este que nos motiva a falarmos destes autores, enquadrando-os na História do Teatro, da qual, inquestionavelmente, fazem parte.

Por volta de 1900, Romain Rolland iniciou uma série de artigos na «Revue d’Art Dramatique», artigos que o autor viria a reunir em volume em 1903, a que deu o título de «Le Théâtre du peuple», livro esse que o autor definiu como «um documento histórico que reflecte as ideias artísticas e as esperanças de uma geração» e nos quais procurou «… destacar dois factos: - Em primeiro lugar, a súbita importância que o povo tomou na arte (ou melhor, a importância dada ao povo; porque o povo, como de costume, não fala e todos falam por ele). – Em segundo lugar, a extraordinária diversidade de opiniões que se abrigam sob a designação geral de arte popular.» R. Rolland conta ainda, na Introdução àquele livro: «Graças ao (…) inteligente promotor, Adrien Bernheim, realizaram-se, nos bairros populares de Paris, representações clássicas pelos actores dos grandes teatros subvencionados. Acto contínuo, Bernheim e os seus amigos exclamaram: “O teatro do Povo está fundado!” - Eis uma bela invenção! Baptiza-se o teatro burguês de teatro popular, e é quanto basta! Desta sorte, nada mudará, e numa sociedade que eternamente se transforma, apenas a arte permanecerá imóvel, condenada eternamente a um ideal caduco, a um teatro cujo pensamento, estilo e desempenho já nada têm de vivo!» (V. Luís Francisco Rebello: Teatro Moderno – caminhos e figuras, 2.ª edição, 1964).

 

A denúncia de R. Rolland não levou à existência de um teatro para o povo, apesar do seu empenho. Ora, nessa época, havia os cabarets ou café-concertos e outros lugares como tabernas, cervejarias e botequins, em que o essencial dos seus programas começou por ser constituído por canções, onde alguns actores de variedades passaram a ir também cantar ou representar pequenos textos de comédia e alguns mágicos a apresentar também os seus números, lugares estes que se tornam muito populares e, naturalmente, locais de frequência para as classes mais desfavorecidas, transformando-se numa moda e, consequentemente, começam muitos destes locais a atrair a burguesia e os homens de negócios, expulsando, naturalmente, os mais humildes. Os que resistem tornam-se, pelo contrário, locais de resistência, mesmo na Alemanha nazi, onde acabam por se distinguir Karl Valentin e Marlene Dietrich, entre outros, e onde o Cabaret berlinense se tinha transformado num fenómeno artístico, social e político.

Karl Valentin, nome artístico de Valentin Ludwig Fey, nasceu em 4 de Junho de 1882 nos subúrbios de Munique. Iniciou-se no mundo do trabalho como marceneiro. Cerca de três anos após a morte do pai, vendeu em 1906 a carpintaria que havia herdado e organizou uma digressão, com o pseudónimo de Charles Fey, com uma orquestra de vinte instrumentos, a que chama «orquestra viva», accionados unicamente por ele graças a um mecanismo que inventou, mas sem qualquer sucesso. Começa por se tornar conhecido como cantor popular nas cervejarias de Munique, instaladas em caves. Insiste em números cómicos, acabando por encontrar um público e o sucesso com o seu primeiro monólogo, O Aquário, em 1907.


publicado por João Machado às 16:00

editado por Luis Moreira às 14:50
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Sexta-feira, 10 de Dezembro de 2010

A "CRISE" DO TEATRO














Hélder Costa

Na muito desde sempre falada “crise” do Teatro, esquece-se frequentemente que a CRISE, qualquer crise, é sempre um ponto de ruptura de uma falsa estabilidade.


Crise pressupõe que se vai operar qualquer modificação no status quo.

Crise é, portanto, fonte de movimento e nunca de estagnação.

Claro que nestas coisas do Teatro como em qualquer situação da vida, há a posição passiva e a activa; ou seja, há os que reagem e ensaiam soluções, e há os que aceitam porque “afinal, a coisa não está tão mal”, “enquanto o pau vai e vem, folgam as costas”, e outras frases chamadas de prudência e bom senso que nos têm conduzido a muitos becos sem saída.

O que se passou com o Teatro? Baixou o público? Sim, é verdade. E baixou em relação a todas as formas de espectáculo, excepto concertos de rock e outras manifestações colectivas que sublimam pela massificação a necessidade social de encontrar e fazer ou refazer grupos.

E o público também baixou por razões de ordem económica e porque prefere – precisamente porque a crise é mais geral, de valores, conceitos, de segurança, até de programação televisiva - , consumir tempo e dinheiro em restaurantes modestos ou de luxo, falando pela noite fora, rindo, divertindo- se e, evidentemente, discutindo a Crise.

Outro contributo muito importante para a Crise é a política oficial de Cultura (pelo menos, na Europa).

O teatro foi ficando asséptico, sem alma e sem cor, nos Teatros Nacionais e em algumas companhias transformadas em “templos” de produções caríssimas. O que implica, pelos temas e pelos preços, a exclusão de amplas camadas da população mais carenciada.

Diz–se que é para prestigiar o teatro. Claro que é falso. Do que se trata é de transformá–lo num arremedo premonitório da decadência da ópera. Que também foi afastada da sua inicial vocação de espectáculo popular, convém não esquecer.

E agora vem o problema mais grave. É que os criadores teatrais também contribuíram para o afastamento do público. Porque acreditaram nessa promoção do teatro para “elevados espíritos”, ou porque recearam a campanha ideológica que combate as linhas do teatro popular em nome do “anti-maniqueísmo”. Que é , evidentemente, outra mistificação, porque não há nada mais maniqueísta do que o teatro do bom – senso e o habitual formalismo repetitivo e gratuito não tem a menor poética nem encanto estético.

E muitos não perceberam que o teatro popular é precisamente o oposto do populismo rasca tão adorado – dir-se-ia paradoxalmente - , por essa gente de “alto nível”.

E então, o que aconteceu ?

Em nome de experimentalismos e de pós – modernismos brotam falsos vanguardismos. Substituem-se histórias por textos díspares e inconsequentes, surgiu o culto sórdido da incomunicabilidade em vez da relação afectiva com o espectador, ressurgiram o vedetismo caduco e o artista da torre de marfim.

E como o público não tem nada a ver com isso, pratica a deserção das salas.

Claro que perante este panorama apetece perguntar:

Quem tem medo do teatro ?

Que pergunta ridícula, não é ? Ter medo do teatro, de uma peça, de uns actores que nos preenchem momentos de ócio?! Que absurdo!...

Mas...será que aqueles que têm medo de se verem retratados na praça pública gostam de teatro?

E os que pensam que o teatro só serve para fazer agitação política?

E os outros que lutam para que o teatro não tenha nada a ver com política? Como se isso fosse possível !!!

E os que têm horror ao humor e ao cómico que é impiedoso a descarnar situações, personagens e comportamentos ?

E os que fogem da emoção e das lágrimas ?

E os que se recusam a pensar e a olhar para o seu mundo ?

E os que não se querem ver nas más companhias dos artistas ?

E os que julgam que os artistas não passam de marginais e falhados sociais?

Gente infeliz, com certeza. Muita gente infeliz.

Tudo isto, e se calhar falta alguma coisa, são factores de crise. Mas o pessimismo é o sentimento mais reaccionário do mundo e eu continuo a acreditar no valor transformador das crises.

Porque o teatro é uma corrente de felicidade e de afectividade contra o egoísmo e o medo.

Luta por participar, comunicar, e por se entender entre si e os outros.

Sabe que pode desbloquear insegurança, que consegue abrir sentimentos e que transforma o acto poético em acto de vida.

Contra isso esbarram e são derrotados mil conceitos reaccionários: intrigas, invejas, discriminações sociais e económicas ( sim, estou a pensar nos subsídios do Estado), a cobardia dos lacaios de “quem está a mandar”, e a parolice dos admiradores incultos de vários modismos ( estéticos, éticos, políticos).

Quem não tem medo do teatro é quem ama a vida, quem aceita as suas contradições, e quem sabe que o mundo está em eterna transformação.

Pessoalmente, continuo a ter um gosto e convicções profundas em relação aos méritos do humor, do riso e do absurdo por vezes violento e pouco cómico, na exposição e desmontagem dos mecanismos que nos cercam nesta, parece que dolce vita, que nos dizem que temos.

É evidente que a minha experiência de contactos com vários níveis de classes sociais me ensinou que a minha função seria útil e bastante agradável, se conseguisse assumir-me como um “elo de comunicação” e não como o Mestre senhorial e intocável.

Porque fazia a troca de experiências, absorvia o saber do

“ Outro”, descobria contradições, fazia a síntese com os meus conhecimentos e algo de novo e melhor surgia; e , curiosamente, também da parte do “ Outro”( por vezes menos preparado intelectualmente), se operava esse esforço de encontro, de contradição e síntese.

Ou seja, este método ajudava a desenvolver o acto de cidadania liberto de individualismo e projecto unipessoal, transformando – se num exercício colectivo, aberto, e por isso mesmo, fonte de novas acções de cidadania.

Para terminar, sugiro um debate sobre uma questão bem actual : toda a vida lutámos contra a Censura do Salazar, e o que é curioso, é que se ela voltasse, podia autorizar cerca de 80% dos espectáculos que estão em cena!

Não será isso o verdadeiro factor de crise?

Se nos jornais da TV só vemos terror e pânico, com as guerras imperialistas e regionais, com as falências das prestigiadas multi-nacionais, com a instabilidade ambiental, com a corrupção Universal, com o renascimento do nazismo, é natural e lógico ir ao teatro para adormecer e não sentir nenhum sobressalto de inteligência?
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publicado por João Machado às 16:00
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Quinta-feira, 7 de Outubro de 2010

O Mistério da camioneta fantasma, de Hélder Costa -19

(Continua)Cena 19

A impunidade

(Gastão Melo Matos com Barbosa Viana)


BV – Senhor Gastão Melo Matos , como sabe foi referenciado como implicado no 19 de Outubro...

GMM – Sim, Sr. agente Belém. Fui referenciado nesse caso e com muito prazer.

BV – Sr. Gastão, não me parece que o caso seja para dar muito prazer. Foram crimes horríveis que se praticaram e a partir das confissões do Dente de Ouro, a acusação dirige-se ao vosso campo, o monárquico.

GMM – Houve um julgamento, criminosos foram condenados, e se há denúncias contra outros, prendam-nos. Não percebo o que é que o Sr. agente pretende investigar...

BV – Eu quero investigar os motivos desses crimes, quem foram os instigadores... é a opinião pública que exige ser esclarecida.

GMM – Mas se é só isso, eu informo-o. É evidente que a nossa táctica consistia em empalmar o movimento revolucionário republicano. Nem podíamos fazer outra coisa, depois das nossas invasões monárquicas de 1911 e 1919 terem falhado, da morte do Sidónio, da derrota em Monsanto (ri) ... era o único caminho que nos restava, e como vocês passavam a vida a dar-nos oportunidades sempre com golpes uns contra os outros... (ri) ... acabou por ser fácil.

BV – Mas para isso, é preciso dinheiro...

GMM – Oh, senhor agente, dinheiro é coisa que não nos falta, graças a Deus. Para esses marujos foram 100 contos dados pelo conde de Tarouca e pelo Carlos Pereira da Companhia das Águas, o palerma do tenente Mergulhão deu a camioneta a troco de trezentos mil réis e houve mais dinheiro que funcionou para outra gente... e quando for preciso mais, arranja-se...

BV – O Sr. Gastão sabe que as suas declarações são graves...

GMM – O que é grave é se o Sr. as quiser utilizar. Não percebeu que o país mudou? Não percebeu que o 28 de Maio foi feito para pôr ordem – de uma vez por todas – neste desgraçado país? O 19 de Outubro foi feito, foi bem executado, foi julgado, o caso está arquivado e acabou. Nunca mais se falará nisso. Daqui por cem anos ainda hão de dizer que foram os Republicanos que fizeram estes crimes. (Riso cínico) A você e aos seus correligionários só resta deixar esses mortos em paz e sossego, e acautelar as vossas vidas.

Porte-se bem, que não lhe acontece nada. Se alguma vez tiver um problema, diga-me. Passe muito bem.

Barbosa Viana - (Sai) Sacana!

(Continua)
publicado por Carlos Loures às 22:30
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Quarta-feira, 22 de Setembro de 2010

Norberto Ávila - Algum Teatro


António Gomes Marques

Recentemente, recebi um «e-mail» do meu amigo Norberto Ávila, que conheci na Divisão de Teatro da Secretaria de Estado da Cultura há cerca de 33/34 anos, sendo eu então Presidente da Direcção da APTA - Associação Portuguesa do Teatro de Amadores, ao qual respondi, pela mesma via, com um comentário. Eis o conteúdo de um e outro:

---------- Mensagem encaminhada ----------

De: Norberto Ávila @gmail.com>
Data: 8 de maio de 2010 17:08
Assunto: Norberto Ávila / ALGUM TEATRO
Para: agomesmarques@gmail.com

– Se lhe parece que os teatros deste País (Nacionais, Municipais, Independentes ou Amadores que sejam) deveriam, mais frequentemente, incluir nos seus repertórios obras de autores portugueses,
– se reconhece que, em tempos difíceis, é menos recomendável o recurso a direitos de autor estrangeiros,
– se considera que Norberto Ávila é um dos autores teatrais que merecem ser mais representados em Portugal (depois de 50 anos de trabalho dramatúrgico e uma ampla carreira internacional),
– se concorda que a ficção teatral poderá ser de tão agradável leitura quanto a ficção narrativa,
– participe na divulgação da seguinte notícia:


De: António Gomes Marques [mailto:agomesmarques@gmail.com]
Enviada: domingo, 9 de Maio de 2010 22:22
Para: oficinadescrita@gmail.com
Assunto: Norberto Ávila / ALGUM TEATRO

Meu Caro Norberto

Vi com muita alegria a publicação da tua obra teatral pela Imprensa Nacional; infelizmente, a editora, pelo preço que fixa, não parece muito interessada na venda dos mesmos. Eu próprio, que não posso dizer que vivo mal, tive de esperar pela Feira do Livro para adquirir um ou dois volumes (na próxima semana) da tua obra teatral, embora já tenha alguns dos livros que foste publicando, como sabes, podendo mesmo dizer que, enquanto Presidente da Direcção da Associação Portuguesa do Teatro de Amadores promovi a publicação da tua obra mais representada em Portugal e no Estrangeiro, As Histórias de Hakim, em Fevereiro de 1978, quando as editoras não se mostravam dispostas a publicar teatro, como hoje também não se mostram. É o país que temos e tu conhece-lo bem.

Este «e-mail» vai para uma quantidade enorme de amigos, lembrando-lhes que há um Teatro Português. Quanto às Companhias de Teatro, o problema é outro, ou melhor, os problemas são muitos. Quando a regras de atribuição de subsídios às Companhias se altera de modo a servir uma determinada pessoa, quando há um «lobby» que todos nós, os que ao teatro estão atentos, conhecemos, a esperança de ver mais teatro português vai desaparecendo. Por outro lado, é muito mais fácil ir ver algumas peças ao estrangeiro e depois encená-las em Portugal do que pegar numa peça que ainda ninguém encenou e apresentá-la ao público.

Não vou escrever mais, conheces-me e podes contar comigo para sessões de divulgação dos livros agora publicados, há associações abertas a esta colaboração.

Recebe o abraço amigo do

Gomes Marques
PS - Em Dezembro passado, estive de novo na tua Angra do Heroísmo e gostei muito de voltar, depois de cerca de 15 anos ou mais.

Mas quem é este autor?

NORBERTO ÁVILA nasceu numa das mais lindas cidades de Portugal, Angra do Heroísmo, Ilha Terceira - Açores, a 9 de Setembro de 1936. A sua paixão pelo teatro levou -o a frequentar, de 1963 a 1965, a Universidade do Teatro das Nações, em Paris. Criou e dirigiu a revista Teatro em Movimento (Lisboa, 1973-75). Chefiou a Divisão de Teatro da Secretaria de Estado da Cultura por um período de 4 anos, cargo que abandonou em 1978, trocando uma vida estável, com ordenado garantido pela aventura da escrita, a que, a partir de então, se tem dedicado com verdadeira paixão e grande qualidade, escrita essa mais dedicada ao teatro do que à prosa e à poesia.

A sua produção é notável, com cerca de 30 peças de teatro, a parte mais significativa da sua obra, 3 romances e um livro de poesia.
Traduziu obras de Jan Kott ( o polémico Shakespeare, nosso contemporâneo, uma edição da velha Portugália Editora, em 1968), Shakespeare, Tennessee Williams, Arthur Miller, Audiberti, Husson, Schiller, Kinoshita, Valle-Inclán, Fassbinder, Blanco-Amor, Zorrilla e L. Wouters.
Estendeu também a sua actividade à Televisão (Canal 1 da RTP), dirigindo uma série de programas quinzenais - Fila 1 - retratando a actividade tetaral em Portugal, na década de 80 do século passado.

Curiosamente, lembrando o velho ditado «santos da casa não fazem milagres», a obra teatral de Norberto Ávila é mais representada no estrangeiro, em países como Alemanha, Áustria, Bélgica, Coreia do Sul, Croácia, Eslovénia, Espanha, França, Holanda, Itália, República Checa, Roménia, Sérvia e Suíça., do que em Portugal. «As Histórias de Hakim», peça infantil editada pela APTA em 1978, é talvez ainda a peça de Norberto Ávila mais representada nos 4 cantos do Mundo, com traduções em alemão, francês e espanhol, e que, curiosamente, teve a sua primeira representação no velho Teatro Monumental (já desaparecido), na temporada de 1969-1970,.
Parece-nos oportuna esta edição da Imprensa Nacional - Casa da Moeda, desejando nós que agora, já que não temos companhias de teatro e encenadores com coragem, os leitores se debrucem sobre este excelente autor, merecedor do reconhecimento dos portugueses.

António Gomes Marques
@gmail.com>
publicado por Carlos Loures às 02:30
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Domingo, 19 de Setembro de 2010

A Camioneta Fantasma e o seu mistério chegam já depois de amanhã

«19 de Outubro de 1921 não seria mais do que um dia com alguma história para contar se não viesse a noite que ficara para sempre a arrepiar quem dela se recorda.» (...) «Terá sido provavelmente a ocorrência subversiva verificada em Portugal que maior repulsa encontrou». Com estas palavras se inicia o texto com que o historiador José Brandão nos introduz no contexto social e político em que se desenrolou o drama. Na terça-feira, dia 21 de Setembro às 22:30, no palco do Estrolabio poderá começar a assistir à peça de Hélder Costa - O Mistério da Camioneta Fantasma".

Amanhã, temos mais notícias para lhe dar.

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publicado por Carlos Loures às 23:58
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Sábado, 12 de Junho de 2010

A propósito de O Osso de Mafoma, de António Macedo (Ou do Cristianismo e do Islamismo)

António Gomes Marques

I - Época histórica

"A acção desta peça decorre durante o primeiro quartel do século X, ..." , assim inicia António Macedo O Osso de Mafoma, representada na Malaposta em Outubro de 1990.

Aceitando a tradicional divisão da História por épocas, concluímos que é na Época Medieval que decorre a acção da peça. Ora, hoje ainda, há quem considere a palavra medieval como sinónimo de algo contrário ao progresso, apesar dos muitos estudos sobre tal época, já traduzidos para português e em Portugal publicados, nos demonstrarem o quão errónea é tal opinião. Se lermos, por exemplo, um texto de autor anónimo, Jeu d'Adam, representado numa igreja na segunda metade do século XII e que nos fala do feminismo, do antifeminismo, do casamento e da sexualidade, e, se desconhecermos o facto de se tratar de um texto de tal época, julgaremos, facilmente, estar perante uma obra nossa contemporânea. É apenas um exemplo já que, em História, não se tiram conclusões com base num só texto.

O período que vai dos começos da Idade Média, coincidente com a queda de Roma em 395, ou seja, data da divisão do Império Romano em Império Romano do Ocidente e Império Romano do Oriente, até 476, data esta que marca o fim do Império Romano do Ocidente e se prolonga até 800, é caracterizado por um certo obscurantismo e mesmo por um regresso ao barbarismo. É o primeiro período da Idade Média, que termina com o chamado Renascimento Carolíngio no fim do século VIII, princípio do século IX, o qual dará origem a novo período de grandes desenvolvimentos, não só na literatura, mas também nas artes e na filosofia, que vai durar até ao fim do século XIII, passando pelo Renascimento do século XII, bem caracterizado por Jacques Le Goff no seu livro Os Intelectuais na Idade Média, que constitui, portanto, o segundo período da Época Medieval, a qual só terminará com a queda do Império Romano do Oriente em 1453 e com o despertar económico que faz adivinhar os tempos modernos e os descobrimentos, sob o grande impulso dos portugueses e também dos espanhóis.

II - Cristianismo

Se aquele primeiro período da Época Medieval deve algo aos gregos e romanos e também aos germânicos, influências que não devem ser esquecidas, é bom reter que o cristianismo constitui base bem mais importante em tal civilização.

Os historiadores do cristianismo consideram, no seu desenvolvimento histórico, três períodos: antiguidade (séculos I a V), vivendo nas estruturas do Império Romano; medieval (séculos V a XV) em íntimo convívio com as novas estruturas europeias, para as quais deu notável contributo e, por fim, séculos XVI a XX; período da sua expansão, quantas vezes violenta, e da sua universalização.

Do seu fundador, Jesus da Nazaré, pouco se sabe para além de ter nascido na Judeia, mais ou menos no início da nossa era (ou da era cristã), tendo sido crucificado cerca de trinta e três anos depois, no reinado de Tibério.

Terão sido as influências recebidas dos profetas hebreus e das doutrinas dos essénios ("espécie de ordem monástica com tendências ascéticas") que o levaram a pregar.

Jesus da Nazaré nada deixou escrito, nem tão pouco os seus discípulos anotaram fosse o que fosse das suas pregações. O mesmo não sucederá com Maomé.

Nestas doutrinas encontrou Jesus a ideia do Messias salvador, não pela destruição dos que se lhe opunham, mas pela regeneração da vida espiritual e também dos homens.

Provas de que tivesse acreditado haver nascido de uma virgem não existem. Parece, isso sim, ter acreditado ser um Profeta a quem Deus incumbiu de regenerar os homens.

As fontes para conhecermos os ensinamentos de Jesus da Nazaré são os livros do Novo Testamento: as epístolas de S. Paulo e os quatro evangelhos, de S. Mateus, S. Marcos, S. Lucas e S. João, assim como os textos do Velho Testamento.

Quanto a S. Paulo, sabe-se que nunca viu o Pregador e, nos seus discursos, cerca de vinte anos depois da crucificação, nota-se a grande influência da filosofia grega, mas esta influência deve ser entendida mais como uma forma de S. Paulo se fazer entender pelos gregos, utilizando portanto os esquemas mentais a que os seus ouvintes estavam habituados. Repare-se neste extracto: "Atenienses, vejo como em tudo sois os homens mais religiosos. Ao visitar, de passagem, os vossos monumentos sagrados, até encontrei um altar com esta epígrafe: Ao Deus desconhecido. É precisamente aquele que vós honrais sem o conhecer que eu vos venho anunciar. O Deus que fez o mundo e tudo o que ele contém, sendo o Senhor do céu e da terra, não habita em templos feitos por mãos de homem. Também não é servido por mãos de homem, como se precisasse de alguma coisa, ele que dá a todos a vida, a respiração e tudo. Foi ele que, de um só homem, fez surgir o género humano e o espalhou por toda a face da terra, depois de determinar as épocas exactas e os limites do seu domínio; a fim de que os homens procurem a Deus, se é verdade que o procuram às apalpadelas e o encontram, tanto mais que não está longe de cada um de nós, porque é nele que vivemos, nos movemos e somos, como até alguns dos vossos poetas disseram: porque nós somos também da sua raça. Sendo, pois, da raça de Deus, não devemos pensar que a divindade seja semelhante ao ouro, à prata, à pedra, trabalhados pela arte e pelo génio do homem. Esquecendo os séculos de ignorância, Deus fez saber agora por toda a parte e a todos os homens que devem arrepender-se, porque ele fixou o dia em que há-de julgar o universo com toda a justiça pelo homem que designou para este fim, do qual nos deu a certeza universal ressuscitando-o dos mortos".

No que aos Evangelhos respeita, é comum na História terem-se como dignas de crédito as suas pormenorizadas informações. O mais antigo parece ser o Evangelho de S. Marcos, escrito por volta dos anos 60 da nossa era.

Algumas diferenças podem ser encontradas nos quatro Evangelhos. Por exemplo, S. Mateus e S. Lucas falam-nos do nascimento de Jesus Cristo sem pecado, enquanto S. Marcos nada diz a esse respeito e S. João apresenta-O como Deus em forma humana.

Outras contradições poderiam ser apontadas. Não tiram, no entanto, valor aos Evangelhos como a melhor fonte de informação sobre as pregações de Jesus.

O essencial dos seus ensinamentos pode resumir-se no seguinte, que transcrevemos de E. McNall Burns:

" 1) A essência de piedade e o amor a Deus e ao próximo: «Amarás ao Senhor teu-Deus de todo o coração. Amarás ao próximo como a ti mesmo. Não há mais alto mandamento que estes.»

2) O perdão, a cordura e o amor aos inimigos são virtudes cardiais: «Ama teus inimigos... faz o bem a quem te odeia»; «... a quem quer que bata em tua face direita, oferece também a outra».

3) O meio-termo como fundamento da moralidade: «Tudo o que desejais que os homens façam por vós, fazei assim também por eles...».

4) Oposição ao ritualismo como base da religião: «O sábado foi feito para o homem e não o homem para o sábado». (V. aqui a influência judaica – A. G. M.).

5) Condenação do egoísmo e de toda disputa sobre proveitos materiais: «Quem quiser salvar sua vida, perdê-la-á». «É mais fácil um camelo passar pelo buraco duma agulha, que um rico entrar no reino de Deus».

6) A fraternidade dos homens sob a benevolente paternidade de Deus: exemplificada na história do bom samaritano e em numerosas comparações da benevolência de Deus com a bondade de um pai extremoso"

Muitos dos seus seguidores não iriam aplicar à letra muitos dos seus ensinamentos e a principal causa do seu triunfo terá residido no facto de ter aproveitado ensinamentos de variadas religiões, em especial do judaísmo, do maniqueísmo e do zoroastrismo.

Disputas doutrinárias vão ser constantes e uma organização cristã vai nascendo. A influência dos místicos, no seguimento da vida apostólica, e da vida conventual são importantes, embora não tão fundamentais como a organização eclesiástica para a uniformidade do cristianismo.

III - Islamismo

"O termo islão significa «submissão a Deus» e como tal designa essencialmente uma religião, aquela que foi pregada por Muhammad (ou Maomé), no início do século VII da nossa era, na Arábia e que se espalhou, de seguida, nos numerosos países conquistados pelos Árabes muçulmanos no decurso dos séculos VII e VIII" .

Maomé, fundador da nova religião, nasceu em Meca em 570. Órfão muito novo, de pai e mãe, torna-se aos vinte e quatro anos empregado de uma viúva rica, com quem vem a contrair matrimónio, sendo este desafogo económico o que vai permitir-lhe dedicar-se à difusão da sua religião.

A origem de Meca como cidade sagrada perde-se no tempo. Era ali que se encontrava a pedra preta sagrada enviada pelo céu, contida no relicário, Caaba, guardado pela tribo dos Kuraish, uma espécie de aristocratas.

A necessidade de uma nova religião para unir os povos árabes, perdidos em conflitos fratricidas, terá sido compreendida por Maomé. Impressionado pelo cristianismo e pelo judaísmo, começou por pregar contra as perniciosas condições sociais e morais do seu povo, que, a continuarem sem reforma, o levariam à destruição.

Apresentou-se como enviado de Deus. Meca foi pouco receptiva à sua mensagem. Resolve, então, dirigir-se com os seus companheiros à cidade de Iatribe, aproveitando-se das lutas entre as várias facções ali existentes, vindo a impor-se aos seus adversários. A esta deslocação de Meca para Iatribe chamam os maometanos Hégira, que, em árabe, quer dizer fuga. Os maometanos consideram esta data como o início da sua era.

A vitória de Maomé vai permitir-lhe o regresso a Medina precisamente dois anos antes da sua morte, ocorrida em 632, ou seja, no 11.° ano da era muçulmana.

Após a sua vitória, em especial sobre os judeus, que só num ano perdem mais de 600, Maomé mudou o nome de Iatribe para Medina, a cidade do Profeta.

Em Meca, mata alguns dos seus adversários, destrói os seus ídolos mas preserva a Caaba. Meca é designada a cidade sagrada dos maometanos.

A vida religiosa dos seguidores de Maomé é ainda hoje baseada no Corão, livro sagrado, construído com base nas suas pregações e graças à memória dos seus discípulos. «Não há outro deus senão Alá e Maomé é o seu profeta», é uma profissão de fé do islamismo.

“Da sociedade islâmica dimanam regras religiosas, morais e jurídicas para serem cumpridas, em nome de Deus, o Clemente, o Misericordioso, o Soberano no Dia do Juízo Final, portanto o Temível, o que faz aplicar castigos terríveis e suplícios.

Quais as sanções específicas de ordem moral? Em primeiro lugar, o remorso, o arrependimento, o peso da consciência, ou melhor, o penoso exame de consciência. São estas as formas de garantia do cumprimento das regras, aliadas ao Juízo de Deus que tudo vê e que de tudo sabe.

As de ordem social são talvez bem mais amargas. Consoante o comportamento do Homem, haverá uma reacção por parte da Sociedade estabelecida. São a crítica e a condenação que o desrespeito à regra suscitou. É a opinião pública que se abre sobre a conduta a reprovar. São, enfim, muitas vezes, o banimento do Homem da Sociedade em que vivia, o seu exílio compulsivo, nunca esquecendo as contas que, de qualquer modo, ele terá de prestar, no fim, a Allâh.

Deparamos com sanções morais e jurídicas correspondendo às regras de natureza moral e jurídica e penas próprias de infracções a normas religiosas que dizem respeito à fé.

A ideia fundamental da religião a1corânica, neste caso, é a de que mais não vivemos do que uma mera vida transitória, passageira, mais ou menos longa, que não tem em si a extensão do seu valor. Só é medida, segundo valores eternos, à luz da ideia de uma vida extra terrena, em cujo limiar todos os homens serão julgados. Na base desse juízo, está o valor ético da própria existência do Homem; neste caso, a religião alcorânica é mais acessível à índole humana. Está mais de acordo com o comportamento dos homens do que a religião católica. Mas, em ambas, o remorso é, para o Crente, uma forma de sanção imediata e imperiosa. É o que se entende e se depreende de frases como esta: «A Vida Imediata é somente jogo e distracção. Se acreditarem e forem piedosos, Allâh dar-vos-á recompensas sem que vos retire os vossos bens.» (O Corão). Entendamos, pois, que tudo quanto nos foi dado é apenas uma provisão para a vida neste mundo, mas o que se acha junto de Deus é melhor e mais duradouro para os crentes, para os que se apoiam no seu Senhor - é o que depreendemos do «capítulo»: «Recompensa dos Crentes e dos Infiéis no Além». Mas como misericordioso que Deus se nos apresenta, com frequência, há também que contar com o perdão: aos crentes, fiéis e arrependidos a tempo e horas, o Senhor oferece compensações não só ultra terrenas mas também durante a vida. A sanção é, pois, uma forma de garantia daquilo que fica determinado numa regra" .

O Islamismo assume-se como um complexo político-religioso, afirmando que a vontade de Deus só se consolidará na Terra com o contributo do poder político: " Assistimos, então, aos juristas e teólogos muçulmanos elaborarem, baseados no fundamento da Revelação Divina, um direito completo, cheio de pormenores, o direito que assenta numa sociedade teocrática, na qual o Estado não tem valor a não ser como servidor da religião revelada. " . Não fez o cristianismo o mesmo? Hoje, o islamismo continua a afirmar o Estado como seu servidor, sendo nisso mais transparente do que o cristianismo.

Será esta uma questão polémica que não iremos tratar aqui.
publicado por Carlos Loures às 09:00
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