Domingo, 19 de Dezembro de 2010

Para Sempre, Tricinco ALLENDE E EU - autobiografia de Raúl Iturra - (28)

(Continuação)

A história do PS e de Mário Soares são de interesse para nós, pelo qual penso que é bom referir dentro do texto. De facto, o Partido Socialista, nasceu no Século XVIII, ao ser fundado movimento socialista, mas já denominado Partido Socialista Português (1875) O Partido Socialista foi fundado em 10 de Janeiro de 1875, na sequência do Congresso da Haia. Assumia-se, então, como marxista contra o bakuninismo. Da sua primeira comissão directiva fizeram parte José Fontana, Azedo Gneco, Nobre França e Tedeschi. Antero Quental, autor do folheto O que é a Internacional, de 1871, estava nos Açores desde 1873, por morte do pai. Teve como órgão O Protesto, em Lisboa, e o Operário, no Porto, até surgir a fusão em O Protesto Operário. O primeiro programa data de 1895 . Já em 1878, é criado o primeiro esboço do PS, referido assim: “quando se funde com a Associação dos Trabalhadores da Região Portuguesa, passando a designar-se Partido Operário Socialista Português, sob inspiração das teses guesdistas” . Há várias alianças e rescisões, o PS português está a retirar ideias das liberais da França, tal como foi feito no Chile, nartrado antes destas palavras. É em 1964, em Genebra, que Mário Soares, Manuel Tito de Morais e Francisco Ramos, criam a denominada Acção Socialista Portuguesa. Para o leitor esquecido, talvez era melhor reproduzir em texto o que acontecera em Genebra: A Acção Socialista Portuguesa foi fundada em Genebra por Mário Soares, Manuel Tito de Morais e Francisco Ramos da Costa, em Novembro de 1964. Representando um novo esforço de estruturação do movimento socialista, o certo é que não logrou estabelecer as bases de implantação a que aspirava, conciliando dificilmente os instrumentos de luta na clandestinidade com as poucas possibilidades de intervenção legal permitidas pelo regime salazarista.


A ASP iniciou a publicação do Portugal Socialista em Maio de 1967, estabelecendo também numerosos contactos com partidos e organizações internacionais, sendo formalmente admitida na Internacional Socialista em 1972. . Foi assim que, ainda no exílio, Soares e outros, criaram, finalmente, o denominado Partido Socialista de Portugal, em 19 de Abril de 1973, para ser ratificado como tal já no país, com programa e princípios .


Estes programa e princípios foram definidos num texto que, penso, deve ir no corpo deste texto, em síntese apenas, por estar doa o lançamento para todo o texto dentro da escrita de Programa e Princípios do PS, citado em nota de rodapé, mais em frente. Declaração de Princípios (Aprovados no VI Congresso Nacional, Lisboa 1986) Princípios fundamentais


1.1 — O PS é a organização política dos portugueses que procuram no socialismo democrático a solução dos problemas nacionais e a resposta as exigências sócio - políticas do nosso tempo.


O socialismo democrático é no plano moral a mais nobre causa política do nosso tempo

O leitor, se quiser saber mais, pode visitar não apenas o sítio referido ou baixar a informação, usada no texto citado antes e incorporado ao meu.


Narrada, de forma cuidadosa a História, ou parte dela, do Partido Socialista, é tempo de voltar ao ISCTE. Que tem a ver o ISCTE e o PS? O PS era o contexto ideológico-político no qual todo acontecia, o contexto da realidade da nossa vida académica. Porquê não coloco a questão também da História dos outros partidos? A resposta é simples: desde que o PS tem passado a ser uma força político ideológica importante no país, as ideias liberais dos membros do ISCTE, têm alastrado, infelizmente, dezenas de pessoas ao Governo ou a militância no PS, como é o caso do primeiro a se suspender do ISCTE, esse o meu colega e amigo, Eduardo Ferro Rodrigues , para presidir o PS. Colegas também em outras forças políticas, quer ao Centro, quer a Direita. Normalmente, o ISCTE tem sido denominado a Universidade Vermelha de Portugal. Ao comparar essa imagem com a do Chile de Allende, no meu ver, o nosso ISCTE, de vermelho pouco ou nada tem. O ISCTE tem, isso que também posso apreciar, um contexto histórico político semelhante as folhas dedicadas ao contexto das Universidades do Chile de Allende. Nada havia que não estiver politizado, ainda as aulas. No Chile de Allende, até as aulas tinham começado a ser aulas de teoria Marxista, dentro de um contexto Leninista. O ISCTE do Portugal ao qual eu aderi, tinha passado de uma Escola, como é denominado pela força do hábito desde o dia em que estava no sítio do Campo Grande, dentro da Cidade Universitária, ao pé da Biblioteca Nacional, a lindar com a Avenida da República, uma pequena casa que albergava o GIS ou Gabinete de Investigação Sociais (nome fictício para esconder da ditadura, o que era investigado pelos membros do GIS), o que, após do 25 de Abril de 1974, quando não havia nada para ocultar e a liberdade tinha aparecido finalmente, passou a ser, em 1986, o ICS, da Universidade Clássica de Lisboa, ou Instituto de Ciências Sociais . É deste Instituto, fundado por Adérito Sedas Nunes , que tinha a paixão da Sociologia, ainda nos tempos da ditadura salazarista, e na época do marcelismo, a única alternativa para ensinar os saberes proibidos em Portugal: era dito que investigar não era suficiente, pelo que o ISCTE começou a existir dentro dessa casa, com o curso de Sociologia, de Gestão e de Economia, em 1972. Na casa velha havia vários docentes que Sedas Nunes tinha arrecadado do Instituto Superior de Ciência Económica e Financeiras docentes para proferir aulas de sociologia, economia e gestão: João Ferreira de Almeida , docente no dito Instituto, José Manuel Rolo, Maria de Lurdes Lima dos Santos, entre outros. Da Faculdade de Letras, a minha antiga orientada de tese, em colaboração com Pierre Bourdieu, Maria Eduarda do Cruzeiro , casada com António Ferreira de Almeida, sem parentesco com João de Freitas Ferreira de Almeida, falecido muito prematuramente para a nossa tristeza e para essa eterna viuvez da minha discípula e amiga, hoje a dirigir o ICS. Mais uma vez, apenas exemplos dos arrecadados, para não ofender ninguém .É apenas no ano de 1974, que o antigo GIS, e o ISCTE, são transferidos para o prédio conhecido hoje como o Edifício Antigo. Adérito Sedas Nunes foi o Manuel Fraga Iribarne de Portugal, ministro da Educação do ditador da Espanha, Franco, que decretara que os livros de Sociologia, Política, História e outras Ciências Sociais, já não estavam proibidos. Sedas Nunes teve que lutar muito para ensinar Ciências Sociais em Portugal. Tinha uma boa equipa, composta pelo já referido meu amigo, João Ferreira de Almeida, licenciado em Direito pela Universidade Clássica de Lisboa, transformou-se em Sociólogo pelos os seus estudos na Faculdade de Ciências Políticas na Universidade de Paris, bem como na sua própria e autónoma aprendizagem dentro de Portugal. Era não apenas o assistente de Adérito Sedas Nunes, bem como o seu confidente especial, como observara ao reparar nas conversas que eles tinham especialmente no final dos seus dias, nos anos 80 do Século XX. Estavam também com ele o Licenciado em Economia José Fernando Madureira Pinto , a Licenciada em Letras Maria Eduarda do Cruzeiro, hoje Presidente do ICS, que tem edifício próprio por trás do ISCTE, Maria de Lurdes Lima dos Santos, José Manuel Rolo, Manuel Braga da Cruz e outros que, para não ofender ninguém, declaro ser esta uma lista de pessoas que tiveram a ver directamente comigo. Era suposto, ao se fechar o Instituto de Ciências da Gulbenkian, em Oeiras, passarmos todos para o ICS, o que não aconteceu. Adérito Sedas Nunes era muito especial e não gostava de negociações, apenas admitia pessoas da sua conveniência. Eu fui testado, ao ser convidado para proferir uma conferência sobre Antropologia no ICS, na qual, de forma pouco temida, falei do contributo de Marx e da Religião dentro do saber das Ciências Sociais. Temática que não foi do agrado de Adérito, e não fui convidado a pertencer ao ICS, ainda hoje, apesar de ter publicado na Reviste Análise Social, alguns textos e de orientar teses de Doutoramento a membros do ICS. O meu pior crime foi formar parte do júri de defessa da tese de doutorado, do hoje o meu amigo, José Fernando Madureira Pinto, que eu referi como uma tese muito bem escrita, com hipóteses retiradas da teoria e provadas em trabalho de campo, feito em conjunto com o amigo de José Fernando, o meu denominado “primo”, João Ferreira de Almeida. Nos anos 80, a avaliação da tese era após discussão entre os membros do júri a portas fechadas votação para aprovar ou reprovar a defessa da tese. Por assuntos que não me dizem respeito, a tese de Madureira Pinto foi aprovada, com apenas um abola preta dentro da urna de votações. Em vez de ser aprovada com distinção e louvor, foi aprovada, essa primeira tese do ISCTE, de um dos melhores Sociólogos de Portugal, com distinção. Eis a maneira que os católicos tratam aos que detestam. Era um católico que, eu vi, por a denominada bola preta na urna dos votos. Era como os De Ramón a tratar aos seus inquilinos do Chile...Devo confessar, mais uma vez, que guardei o segredo do júri, mas, anos volvidos e já morta a pessoa do voto preto, posso falar, o que também não interessa. O Professor Doutor Madureira Pinto tem mostrado o seu valor, não anda em aventuras, tem-se fechado, como eu tenho feito, na vida académica e da família. Bem haja, Zé Fernando!


Notas:
 
Retirado da página web: http://maltez.info/respublica/portugalpolitico/grupospoliticos/partido_socialista_1875.htm , referida caso o leitor querer saber mais.



Informado na Página Web: http://maltez.info/respublica/portugalpolitico/grupospoliticos/partido_socialista_1875.htm


retirado de: http://www.ps.pt/index.php?option=com_content&task=blogcategory&id=29&Itemid=38


Programas e princípios na página web: http://www.ps.pt/index.php?option=com_content&task=blogcategory&id=29&Itemid=38


Eduardo Ferro Rodrigues, o Fefe como os amigos o temos denominado, ensinava Sociologia do Trabalho no ISCTE. A sua carrera política é detalhada em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Eduardo_Ferro_Rodrigues


Referido a mim pela nossa memória viva da minha amiga telefonista, vizinha de Gabinete como tenho barrado,durante 15 anos, D. Crisalda Silva, quem acrescenta que tomou posse do seu cargo de telefonista do ICS, transformado, por causa do curso de Sociologia, no Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa, o hoje autónomo ISCTE, que, infelizmente, na maré viva das mudanças destes anos, vai passar a ser a Fundação ISCTE, com o apelido de Universidade Autónoma de Lisboa. Dona Crisalda Silva tem-me ajudado imenso a rememorar histórias do ISCTE, desconhecidas por mim e vários outros colegas. A ela devo grande parte de estas páginas, agradeço. Acrescenta a minha informante, essa a nossa memória viva e muito lembrada dos factos da nossa Instituição, que 25 de Abril de 1974, aconteceu ainda ao estar o ISCTE, na casa pequena do Campo Grande.


Adérito Sedas Nunes é referido na página web: http://www.netsaber.com.br/biografias/ver_biografia_c_791.html , do sítio net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Ad%C3%A9rito+Sedas+Nunes&meta= e diz: Licenciado em Economia e Finanças pelo ISCEF (1955), onde começou a carreira académica, passou, em 1973, para o ISCTE. Leccionou também na Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica e na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Fundou e dirigiu o Gabinete de Investigações Sociais da Universidade de Lisboa e a sua revista Análise Social. Fez parte da "ala liberal" na Câmara Corporativa (1969 l973), foi presidente da Junta Nacional de Investigação Científica e Tecnológica (1976-1977) e ministro da Cultura e Ciência e da Coordenação Cultural no V Governo Constitucional (1979-1980). Foi o grande renovador e impulsionador das modernas Ciências Sociais em Portugal, muito particularmente da Sociologia


O dito Instituto é referido assim: Aquando da sua integração em 1930 na Universidade Técnica de Lisboa, o Instituto Superior de Comércio passou a denominar-se Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras. Esta designação foi alterada em 1972 para Instituto Superior de Economia....A minha síntese. Para saber mais, visite a página web: http://pt.wikipedia.org/wiki/Instituto_Superior_de_Economia_e_Gest%C3%A3o#Instituto_Superior_de_Ci.C3.AAncias_Econ.C3.B3micas_e_Financeiras_.281930-1972.29 , do sítio net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&sa=X&oi=spell&resnum=0&ct=result&cd=1&q=Instituto+Superior+de+Ci%C3%AAncias+Econ%C3%B3micas+e+Financeiras+1970&spell=1


João de Freitas Ferreira de Almeida, esse o meu amigo que tive o prazer de arguir , em 1984, a sua tese de doutoramento, trabalhada em conjunto, as vezes, na sua casa de campo em Sta. Cruz da Trapa, onde a sua Senhora Mãe, a Dra. Dulce de Freitas de Ferreira de Almeida, me acolhera como um filho mais da casa. O hoje Professor Catedrático João Ferreira de Almeida, a quem eu denomino “primo” por causa de haver entre os meus ancestrais consanguíneos há um Hierónimo (hoje escrito com G: Gerónimo) de Freitas, e a sua mãe Dulce, a minha Titucha, solicitou-me um dia se podia-me acompanhar nas minhas viagens. Aliás, eu pedi a ele e a minha amiga da alma, Maria José Maranhão, docente de Geografia do ISCTE, para me acompanharem ao Seminário de Transição, que entre Maurice Godelier e eu dirigíamos desde Paris. Os membros do Seminário já referido e o texto escrito por todos nós, evidenciam a composição cosmopolita do Seminário: Dolors Comás d’Argemir, Juan José Pujadas Muños, de Tarragona, Olinda Celestino do Perú, Philippe d’Escola, actual Director do Collège de France, Marie-Élisabeth Handman do Collége de France,Louis Assier- Andrieu, Universidade de Lyon, Danièle Dehouve na Universidade Autónoma de Barcelona, entre outros. Éramos tantos! Godelier e eu tínhamos a paciência de gerir a academia. Maurice tinha Carisma, eu , paciência. O Seminário criado por mim em Lisboa, referenciado sem nomes no Capítulo 4 deste texto, estava integrado por João Ferreira de Almeida, Maria José Maranhão, o antigo Ministro de Agricultura do 2º Governo Constiucional de Portugal, Fernando Oliveira Baptista, Manuel Villaverde Cabral, o meu falecido orientando, Primeiro Presidente do renovado ISCTE de 1986, Afonso de Barros e Maria Eduarda do Cruzeiro, as vezes, Joaquim Pais de Brito, todos doutorados por mim ou a ou colaborar eu na redacção das suas teses ou em júris sem candidato à vista, para validar doutoramentos realizados fora de Portugal, por causa de exílio, como Manuel Villaverde Cabral, Míriam Halpern Pereira, Teresa Sousa Fernandes, também entre outros. No entanto, a minha intenção nesta nota, era referir ao meu amigo João, que, pela importância que reveste nas Ciências Sociais de Portugal, deveria aparecer ir dentro do texto. Mas como ele não ia gostar, é humilde por ser sabido demais. O seu CV está citado no Currículo DáGois, página web: http://www.degois.pt/visualizador/cv.jsp?key=0648349262871503 , como o de vários de nós. Prestou provas de Doutoramento em 1984, provas de Agregação em 1991, onde debati o programa de aulas em Sociologia das Organizações e Estrutura Social, fundador do projecto FCT Observa, primeiro Presidente do Departamento, ao ser criado em 1986, pós doutor em 2004 e 2º Presidente do ISCTE, durante 12 anos, eleito e reeleito sempre, até ser derrotado em 2005 pelo nosso actual Presidente, Luís Antero Reto. Se ele, no livro da sua tese denominou-me campeão da amizade, eu riposto com estas simples palavra em nota de rodapé. No entanto, devo referir, que o Prof. Ferreira de Almeida foi Presidente do Conselho Científico do ISCTE durante dois mandatos consecutivos, andamos a viajar juntos ao estrangeiro imensas vezes, todo começou em Pau, essa primeira vez. Eu parei de viajar, desde a morte da minha contra parte na França, Pierre Bourdieu, para escrever livros, e ele ainda não para, ensina e também escreve!. Sempre tenho dito com simpatia, andamos sempre pilhados, com seis meses de diferença: idade, sermos avôs, a passagem das nossa Senhoras Mães no mesmo ano, sempre seis meses eu vou primeiro, ele, a seguir...


Maria Eduarda do Cruzeiro, foi, para mim, a melhor amiga de sempre. Trabalhamos a sua tese durante vários anos, como já foi narrado. O que interessa neste minuto é saber como ela é referida para além das minhas recordações, que devem se basear em textos escritos ou trabalho de campo, para comprovar o que se diz. A Senhora Professora Maria Eduarda, está referida na net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Maria+Eduarda+do+Cruzeiro&btnG=Pesquisa+do+Google&meta= , especialmente nas páginas web: http://www.ics.ul.pt/ics/ que referem que o ICS, criado por Sedas Nunes, passou a ser O Instituto de Ciências Sociais, uma unidade orgânica da Universidade de Lisboa e promove um Programa de pós-graduação em Ciências Sociais (Mestrado/Doutoramento). Recentemente foi-lhe atribuído o estatuto de Laboratório Associado do Ministério da Ciência e Tecnologia.


O ojectivo científico do Instituto é definido como: o estudo da sociedade contemporânea, com particular ênfase sobre a realidade portuguesa, bem como as suas relações com a Europa e os territórios históricos da expansão portuguesa. Enquanto Laboratório Associado o Instituto desenvolve duas grandes linhas temáticas: “Cidadania: democracia e solidariedades” e “Desenvolvimento: sustentabilidade e transnacionalidades”. Esta dignidade do ICS, tem sido conquistada pela Professora Maria Eduarda do Cruzeiro, em colaboração com a excelente equipa que orienta. Sei dela, apesar de nunca mais a ter visto. É uma investigadora dedicada e gentil, muito senhora e muito sabia. Não tem perdido essa qualidade a pesar da sua permanente viuvez e dedica, como comentara comigo faz já dois anos, a sua vida ao trabalho, porque viver só, é uma carga muito pesada e triste. Entendo, também para mim!


:


José Fernando Madureira Pinto, como eu o denomino, foi o primeiro a ser examinado por mim, ao integrar o seu júri de tese à defender o seu doutoramento. O nosso JJ Laginha queria trazer a TV, porque a sua exaltação era imensa: era o primeiro júri de doutoramento do ISCTE. Felizmente para mim, por estar enervado, a TV não apareceu. Enervado não pelo candidato o a integração de um júri, era por causa de desconfiar que não ia ser capaz de arguir bem em português, essa nova língua para mim, pró Galiza até o fim! Com todo respeito, o Zé Fernando Madureira, pretendia que era mouco e, por gentileza para mim, colocou as suas mãos nos ouvidos para, dizia ele, ouvir melhor. Falara lentamente e pouco –tinha apenas 20 minutos para referir as minhas ideias. De certeza, ele não percebeu tudo, mas foi gentil. Agradeço. Soube responder e disse que ia considerar as minha ideias quando a tese for livro, o que, de facto fez. A minha arguição estava baseada nas suas ideias sobre a religião, retiradas dos ditos camponeses parciais de Fonte Arcada, mesmo sítio que observara com João Ferreira de Almeida, dados e interesses diferentes, textos diferentes também. Madureira Pinto foi examinado por nós em Julho de 1981, Ferreira de Almeida, em Julho de 1984. Compromissos diferentes e duplas pertenças, tinham separado em quase três anos a feitura da tese. Por ter sido uma novidade para o ISCTE a minha forma de arguição, ponderada, positiva, a indicar certas alternativas para poucas ideias, e por ser Doutor da Britânica Universidade de Cambridge, fui escolhido por uma imensidão de pessoas para ser orientador. Fiquei cheio de trabalho! Ajudava ao meu novo exílio, a depressão que ele causava em mim. Quanto ao candidato nesse dia, hoje catedrático, e está referido na página web: http://sigarra.up.pt/fep/FUNCIONARIOS_GERAL.formview?p_codigo=204295 , do sítio net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=+Faculdade++Economia+Universidade+Porto+Jos%C3%A9+Madureira+Pinto+&btnG=Pesquisar&meta= José Fernando era membro do antigo GIS, após ICS, mas a sua terra reclamava por ele. Formou-se em Economia na Universidade do Porto, foi convidado a trabalhar com Adérito Sedas Nunes ao GIS, enquanto estava a cumprir o Serviço Militar que, nos anos 70, era a guerra com África e, tal como João Ferreira de Almeida, não fugiu ao exílio: patriotas, os dois, ficaram em Portugal. O hoje Professor Catedrático da Faculdade de Economia do Porto, que chefia o grupo por ele formado ou de Ciências Sociais. Por causa de um infeliz acidente, teve que parar o seu trabalho no Exército, que não abandonou, mas acumulou com estudos no ISCEF, ou Instituto Superior de Ciência Económica e Financeiras, onde ensinava também Sedas Nunes. O seu Professor de Introdução ao Direito, era o meu inesquecível colega no ISCTE, Mário Pinto, que recomendou ao Zé Fernando ao saber que Sedas Nunes estava a formar um grupo no antigo GIS, hoje ICS. Madureira Pinto dava as aulas de Economia, mas o chamado da terra foi mais forte do que ficar no novo ISCTE e novo ICS e voltou ao Porto, onde se tinha formado em Economia, sem saber que, a seguir, ia ser Sociólogo, eu diria, um Sociólogo da Economia. A Revista por ele fundada: Sociologia, Problemas e Práticas, na qual eu participei apenas uma vez. A sua tese de doutoramento prova esse o seu anseio pela descoberta da Ciência Social: “Estruturas Sociais e Praticas Simbólico-Idelógicas nos campos. Elementos de teoria e pesquisa empírica”. Referido a mim ao telefone pelo próprio Zé Fernando, o que agradeço. Abandonou Lisboa e acabou a sua tese, tornou ao ISCTE para a defender e é assim que fica referido o Professor Doutor Madureira Pinto. Está referido em detalhe no sítio do motor de pesquisa Google: http://www.google.pt/search?hl=pt- ePT&q=+Faculdade++Economia+Universidade+Porto+Jos%C3%A9+Madureira+Pinto+&btnG=Pesquisar&meta= A Revista está referida em: http://www.scielo.oces.mctes.pt/scielo.php?pid=S0873-65292004000300002&script=sci_arttext O seu trabalho, em: http://www.rebides.oces.mctes.pt/Rebides02/rebid_m3.asp?CodD=15094&CodP=1104


(Continua)
publicado por Carlos Loures às 15:00
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Segunda-feira, 6 de Dezembro de 2010

Dicionário Bibliográfico das Origens do Pensamento Social em Portugal, por José Brandão, (52)

O Socialismo em Portugal 1850-1900


César Oliveira

Afrontamento, 1973

O volume, agora dado a lume é, essencialmente, a tese de licenciatura que o autor apresentou à Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Um trabalho com tal objectivo impôs, desde o seu começo. certos limites que determinariam alguns aspectos do trabalho e dos quais se tem clara consciência.
Para primeira tentativa de síntese do socialismo oitocentista português, este volume está longe de poder constituir obra exaustiva e definitiva. Como se explica com maior pormenor na introdução, este estudo aponta sobretudo para caminhos e pistas a explorar e hipóteses de trabalho a verificar. Por entendermos não haver ainda condições que permitam sínteses suficientemente fundamentadas, pensamos que fosse necessário um primeiro desbravar, do terreno da investigação; daí a abordagem do tema sofrer destes limites.
__________________


A Sociedade e a Economia Portuguesas nas Origens do Salazarismo


Fernando Medeiros

A Regra do Jogo, 1978

A ordem a que obedece a exposição não traduz convenientemente esse vai e vem constante, e difícil será fazê-lo num calão de historiadores sociólogos que não soube inspirar-se nas técnicas mais arejadas do romance. No entanto, o método a que obedeceu a investigação consistiu em procurar estabelecer as séries mais ou menos longas das repercussões em cadeia que cada acontecimento significativo provocava e, ao mesmo tempo que se evidenciavam esses encadeamentos, em isolar os seus efeitos em retrocesso nas diversas áreas do social.

É a análise estrutural que aparece no primeiro plano da primeira parte, o que não vai sem alguns riscos de fastídio para o leitor. Apesar disso a abertura sobre os dados da formação económica portuguesa, que se encontravam por sintetizar, constituía uma etapa indispensável para o entendimento dos capítulos seguintes…


__________________
publicado por Carlos Loures às 18:00
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