Sexta-feira, 21 de Janeiro de 2011

E prometeram-nos a modernização das leis do trabalho… por Júlio Marques Mota

 

Sob a direcção de Durão Barroso, assiste-se em Itália à tentativa de destruição de mais um pedaço do Modelo Social Europeu. A acompanhar no Estrolabio, até 28 de Janeiro.

 

  1. Em Itália, os novos acordos sociais assinados na Fiat preocupam o patronato
  2. 

Emma Marcegaglia, a presidente do Medef italiano, teme ver o seu principal membro contribuinte  sair da associação. Um ramo automóvel poderia ser criado especificamente para o construtor

 

O  Director Geral do grupo automóvel Fiat, Sergio Marchionne, reservou a sua primeira deslocação do ano 2011 à Piazza Affari, a Bolsa de Milão. Uma viagem excepcionalmente curta para um homem habituado a passar de Turim, sede  histórica da sociedade, para  Detroit (Michigan) onde a Fiat detém 20%  da Chrysler, mas é duplamente simbólica.

 

Porque Marchionne apenas  assistiu, na segunda-feira 3 de Janeiro, aos primeiros passos no mercado da sociedade da Fiat Industrial (camiões, veículos agrícolas, motores) nascida da cisão anunciada em Abril de 2010 do construtor em dois grupos distintos (a Fiat Industrial e a Fiat Auto), e dirigiu igualmente um sinal aos investidores quanto à  sua determinação de  prosseguir a transformação da empresa para  atingir no futuro uma produção de 6 milhões de veículos por ano.

 

Esta passa antes de mais nada por uma reactivação da produtividade dos sítios italianos do grupo, menos eficientes: quando um trabalhador transalpino produz 29,4 veículos por ano, o seu homólogo brasileiro monta 76, o Polaco, 100. A Fiat por conseguinte imaginou pois uma espécie de troca, o  toma lá dá cá,  draconiana.

 

A empresa compromete-se a manter o emprego investindo 20 mil milhões de euros durante cinco anos na Península, em troca de que os sindicatos são convidados a aprovar um novo contrato de trabalho: a caça ao absentismo, a redução das pausas no trabalho, o aumento das horas suplementares, a aberturas das fábricas ao sábado, o enquadramento  rigoroso do direito de greve…

Depois de  um primeiro acordo obtido em  Pomigliano d’Arco (Campania) onde, no mês de Junho, 63% dos as

salariados aprovaram por referendo a adopção destas novas regras, a Fiat acaba de obter  um novo sucesso no sítio  Mirafiori (Piemonte) onde os sindicatos rubricaram um acordo do mesmo tipo. Aqui também os assalariados foram chamados a pronunciarem-se por voto neste mês de Janeiro.

Só o FIOM ( a federação da metalurgia filiada na  Confederação Geral italiana do Trabalho, CGIL) o denuncia como  “uma chantagem” e interroga-se sobre o conteúdo do plano de reactivação  e não assinou este acordo.

 

Estas novas medidas revogam o direito nacional do trabalho em vigor na metalurgia assinado pela Confindustria, o patronato italiano, e as organizações sindicais. Para contornar esta dificuldade, a Fiat prevê criar novas sociedades sobre os sítios existentes. Tomarão o nome de Fabbrica Itália Pomigliano d’Arc Campanie ou Fabbrica Itália Mirafiori no Piemonte, uma maneira de manter a filiação com “a fábrica italiana de automóveis de Turim” de que  Fiat é o acrónimo.

 

Consequência: estes “newco” (o seu nome italiano) não podem, de facto, aderir à associação patronal. Um momento histórico decisivo tanto a empresa como  a instituição patronal têm estado ligadas. No passado Luca Cordero di Montezemolo, Director Geral da Fiat e actual presidente da Ferrari, foi o presidente do Confindustria. John Elkann, o chefe de fila de Agnelli, que controla 30% da Fiat está na direcção das  instâncias patronais enquanto que o número dois do patronato italiano , Alberto Bombassei, é administrador da Fiat Industrial.

 

Marchionne e Emma Marcegaglia, a presidente do Confindustria, encontraram-se  várias vezes durante este último mês de  Dezembro de 2010, nos Estados Unidos e na Itália, para negociar “a saída da Fiat”, principal contribuinte da associação. A proprietária dos proprietários teria preferido uma ofensiva conjunta  dos  patrões  contra o direito do trabalho e esta enerva-se com a situação de cavaleiro solitário de  Marchionne. Tanto   mais quanto a sua  estratégia, apoiada pelo governo de Silvio Berlusconi e aplaudida pelo centro esquerda, poderia fazer mancha de óleo. “Sair de Confindustria é uma possibilidade mas não uma probabilidade”, declarou segunda-feira  Marchionne de maneira sibilina.

 

Um acordo poderia ser encontrado em torno do conceito “de ruptura provisória” de um ou dois anos. O tempo para o construtor que continua a transformação da empresa sítio por sítio e para a Confindustria  criarem  um ramo automóvel de modo  a  validar os contratos específicos “made in  Fiat”. Depois do que, a empresa voltaria ao  regaço patronal ainda mais tranquilizada quanto ela deveria ser praticamente a única aderente deste novo ramo.

 

Seja como for, a presença de  Marchionne no edifício do Piazza Affari estrimulou as possibilidades de comercialização de Fiat Industrial. O título Fiat terminou a  9 euros enquanto que  Fiat Auto valia  7 euros no final do dia . Em conjunto, os dois valores estão em alta de cerca de  4 % relativamente à última cotação de fecho  de Fiat (15,43 euros).

 

Philippe Ridet,  En Italie, les nouveaux accords sociaux signés chez Fiat inquiètent le patronat, Le Monde, 5 Janeiro de 2011.

 

publicado por Carlos Loures às 20:00

editado por Luis Moreira em 20/01/2011 às 17:34
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Quinta-feira, 20 de Janeiro de 2011

Il manifesto anti-Marchionne/ Andrea Camilleri, Paolo Flores d’Arcais, Margherita Hack su MicroMega: "Come lo squadrismo fascista"

Apelo

 

Il diktat di Marchionne, che Cisl e Uil hanno firmato, contiene una clausola inaudita, che nemmeno negli anni dei reparti-confino di Valletta era stata mai immaginata: la cancellazione dei sindacati che non firmano l’accordo, l’impossibilità che abbiano una rappresentanza aziendale, la loro abrogazione di fatto. Questo incredibile annientamento di un diritto costituzionale inalienabile non sta provocando l’insurrezione morale che dovrebbe essere ovvia tra tutti i cittadini che si dicono democratici. Eppure si tratta dell’equivalente funzionale, seppure in forma post-moderna e soft (soft?), dello squadrismo contro le sedi sindacali, con cui il fascismo distrusse il diritto dei lavoratori a organizzarsi liberamente.

 

Per questo ci sembra che la richiesta di sciopero generale, avanzata dalla Fiom, sia sacrosanta e vada appoggiata in ogni modo. L’inaudito attacco della Fiat ai diritti dei lavoratori è un attacco ai diritti di tutti i cittadini, poiché mette a repentaglio il valore fondamentale delle libertà democratiche. Ecco perché riteniamo urgente che la società civile manifesti la sua più concreta e attiva solidarietà alla Fiom e ai lavoratori metalmeccanici: ne va delle libertà di tutti.

 

Andrea Camilleri, Paolo Flores d’Arcais, Margherita Hack

Primi firmatari: don Andrea Gallo, Antonio Tabucchi, Dario Fo, Gino Strada, Franca Rame, Luciano Gallino, Giorgio Parisi, Fiorella Mannoia, Ascanio Celestini, Moni Ovadia, Lorenza Carlassarre, Sergio Staino, Gianni Vattimo, Furio Colombo, Marco Revelli, Piergiorgio Odifreddi, Massimo Carlotto, Valerio Magrelli, Enzo Mazzi, Valeria Parrella, Sandrone Dazieri, Angelo d'Orsi, Lidia Ravera, Domenico Gallo, Marcello Cini, Alberto Asor Rosa, don Paolo Farinella.

____________

 

Manifesto de intelectuais italianos sobre a democracia, sobre as   liberdades

 

 

APELO

 

 

O manifesto anti-Marchionne / Andrea Camilleri, Paolo Flores d'Arcais, Margherita Hack na revista MicroMega sobre: "Como os esquadrões fascistas"

Andrea Camilleri, Paolo Flores d'Arcais, Margherita Hack assinam  o manifesto contra Marchionne, o director da Fiat, na revista MicroMega. O sítio da revista  abriga o manifesto cultural dos três intelectuais contra o que é chamado de "diktat" do director-geral da Fiat, a partir da sua sede, em Lingotto, com um convite aos leitores para assinar e difundir o apelo.


Apelo
O diktat de Marchionne que os sindicatos CISL e UIL subscreveram, contém uma cláusula inédita que  mesmo nos  anos dos pós guerra sob a orientação de governo de Valletta nunca seria possível imaginar : o afastamento de sindicatos  que não assinaram o acordo, a impossibilidade  destes poderem  representar os trabalhadores, a sua eliminação de facto. Este incrível e inaceitável aniquilamento  de um direito constitucional inalienável não está a provocar a insurreição moral que devia ser óbvia entre todos os cidadãos que se dizem democratas. No entanto, o que se está a passar é o equivalente funcional, numa forma pós-moderna e suave (soft?), da acção dos  esquadrões fascistas contra as sedes do sindicatos com que o fascismo destruiu  o direito dos trabalhadores se organizarem livremente.

 
Por esta razão, acreditamos que a proposta de uma greve geral, feita pelo FIOM, seja inatacável  e que deve ser apoiada de modo inequívoco  por toda a gente. O ataque sem precedentes feito contra os direitos dos trabalhadores da Fiat é um ataque aos direitos dos cidadãos, uma vez que se põe em causa o valor fundamental das liberdades democráticas. É por isso que consideramos e sentimos como  uma necessidade urgente que  a sociedade civil manifeste   a sua solidariedade mais concreta e activa para com os  trabalhadores metalúrgicos e para com  o FIOM: é a liberdade de todos que está em jogo.

 
Andrea Camilleri, Paolo Flores d'Arcais, Margherita Hack
Primeiros signatários: Don Andrea Gallo, Antonio Tabucchi, Dario Fo, Gino Strada, Franca Rame, Luciano Gallino, Giorgio Parisi, Fiorella Mannoia, Ascanio Celestini, Moni Ovadia, Lorenza Carlassarre, Sergio Staino, Gianni Vattimo, Furio Colombo, Marco Revelli, Piergiorgio Odifreddi, Massimo Carlotto, Magrelli Valerio, Mazzi Enzo, Valeria Parrella, Dazieri Sandrone, Angelo d'Orsi, Lidia Ravera, Domenico Gallo, Marcello Cini, Alberto Asor, Don Paolo Farinella.


 

publicado por Carlos Loures às 20:00
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Sexta-feira, 7 de Janeiro de 2011

Confuso ? Juízes em casa de juízes

Luis Moreira

 

Os juízes, ou melhor, o sindicato dos Juízes fez queixa do governo para os Tribunais, onde eles, Juízes, vão ajuizar! Confusos? Não estejam, pois não é verdade que as multas por ilegalidades feitas pelos políticos são pagas pelos partidos (isto é, com o nosso dinheiro) ?

 

A moda agora é esta. Queixa-te do teu vizinho ou do teu patrão a ti próprio. Não gostas que te cortem o vencimento? Fazes a queixa de manhã como Juiz e à tarde decides, como juiz, a tua própria queixa. Isto é ínfalivel, ganham todos, a acção corre os seus termos num fósforo, (deixam de haver processos em atrazo, pelo menos os dos juizes) ganham sempre, nem precisam de testemunhas, é um sossego, resolvem-se os problemas sem aquelas chinesices do contraditório com gajos independentes a armar que são cegos ( a Justiça é cega...)

 

Bem vistas as coisas isto é até muito justo e razoável, pois não é verdade que no Ministério da Educação só há professores? E no Ministério da Saúde não estão só  médicos e enfermeiros? Falam consigo próprios, sem intermediários, e a decisão está sempre à vista, clarinha, e depois sempre há os sindicatos  que ajudam à festa, é o mesmo que os santos com o senhor, sem perdas de tempo e sem discussões. Um Estado prisioneiro das corporações que co-governam o país sem qualquer visão do interesse geral.

 

E, na banca? Os supervisores transitam entre a banca privada e as instutições de supervisão, saem dos bancos para o governo( de preferência para a secretaria dos assuntos fiscais) para fazerem umas leis justas e à medida e a seguir voltam para os bancos, a administração da CGD ( ou grande parte dela) faz uns "biscates" nos bancos nacionalizados ninguém sabe porquê, isto é uma irmandade e tudo aponta que sejam já os resultados do SIMPLEX.

 

Também, ficamos a saber que a administração da GGD que está, febrilmente, a tirar o BPN do buraco está lá em part -time,( hoje, veio a notícia que de sete administradores estão quatro em permanência...) também não há nada que saber, de manhã vão ao "buraco" de tarde levam uma pazada de dinheiro para fechar o "buraco" tudo com a benção do ministro das finanças que prevê que daqui a três meses já  estaremos a pagar o BPN alegremente e sem dor...

publicado por Luis Moreira às 13:00
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Quinta-feira, 6 de Janeiro de 2011

Os Sindicatos e as providências cautelares

Luis Moreira

 

Parece que a razão principal para os sindicatos avançarem para os tribunais, é que o corte de salários não tem caracter provisório é para sempre e, esse pormenor, tornará  a Lei inconstitucional. Uns dizem que sim, outros dizem que não, conforme a entidade que encomendou os pareceres jurídicos. Sendo que , no caso de terem razão, os trabalhadores sempre poderão ver devolvido o dinheiro correspondente aos cortes, pelo que, dificilmente, os tribunais  darão razão aos sindicatos.

 

Para além destas questões jurídicas, sobra o factor de governação que se vê cada vez mais apertada com a judicialização da política. Os tribunais não são eleitos, não se percebe como poderão revogar  decisões governamentais, embora caiba sempre ao cidadão optar se sim ou não deve recorrer perante a prepotência de quem nos governa. Já tenho dúvidas que se possa dizer o mesmo de organizações que estão na disputa política. Para estas deveriam sobrar a Assembleia da República, o Presidente da República e o Tribunal Constitucional. Adiante, e vamos ao que aqui me trouxe.

 

Os sindicatos da função pública representam os trabalhadores que gozam de privilégios que a outra metade dos trabalhadores não tem. Desde logo nos vencimentos, carreiras, promoções, segurança no emprego, a que há a juntar esta capacidade de se fazerem representar por sindicatos poderosos, com acesso a apoio jurídico, acesso à comunicação social e a promoverem acções nos tribunais.

 

E , os outros, os que não têm emprego porque a fábrica fechou? E, os outros, que não arranjam emprego?

 

Se os trabalhadores da função pública se acham prejudicados por verem os seus vencimentos baixarem 5%, que dizer dos trabalhadores que, pelas mesmas razões ( a crise) vêm o seu posto de trabalho extinto e a sua remuneração baixar para o salário mínimo, ou mesmo para pensões de miséria ou para subsídios de desemprego muito abaixo dos seus habituais vencimentos?

 

Então quem vê o seu salário baixar em 5% ou 10%, mantendo o emprego, pode  recorrer para a justiça e quem vê o seu salário ser reduzido em 80%, ou mesmo desaparecer, não pode recorrer para os mesmos tribunais? Que país é este? Que lógica é esta?

 

Se os sindicatos defendem que é inconstitucional a redução dos salários mantendo o emprego, por maioria de razões quem fica desempregado tem o direito de exigir do estado um emprego ou um subsídio igual ao salário que auferia!

 

Seria justo mas não há capacidade financeira para manter uma situação em que os cidadãos seriam tratados por igual, dir-me-ão.

 

É por isso mesmo que os sindicatos não têm razão em recorrerem para os tribunais. Defender quem não tem emprego, quem vive na miséria, essa sim, é uma causa meritória.

publicado por Luis Moreira às 13:00
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Segunda-feira, 8 de Novembro de 2010

Capacidade reivindicativa.

Carlos Mesquita

Todos somos instados a pronunciar-nos sobre o apoio ou critica às manifestações, greves ou outras movimentações de carácter sindical.

Participando ou não, toda a sociedade tem opinião.

As movimentações sindicais não merecem apoio por qualquer princípio absoluto, depende das reivindicações, do conteúdo e momento político.

No início da minha vida sindical, pertencia ao Sindicato dos Técnicos de Desenho, um dos 24 Sindicatos Democráticos que estavam na altura na formação da Intersindical Nacional. As reivindicações eram pelas liberdades fundamentais que o regime não permitia, e contra a “carestia de vida”. Apesar das contrariedades impostas pela repressão, a vida sindical era mais clara.

Os sindicatos operários, dos serviços e das profissões tinham os mesmos objectivos, organizavam-se e lutavam em conjunto.

Agora é mais complicado, os sindicatos foram divididos por razões de politica partidária em duas centrais, e mais tarde em vários por actividade, fenómeno quase sempre promovido pelos partidos. Os sindicatos passaram a ser conhecidos por serem afectos a esta ou aquela organização partidária.

Os governos fomentaram alguns para conseguirem interlocutores mais fáceis, outros foram criados por subsectores das profissões, e outros por sindicalistas independentes para escaparem ao controle partidário nos sindicatos.

A alteração do aparelho produtivo, a precarização do emprego e as novas leis laborais contribuíram decisivamente para o enfraquecimento dos sindicatos.

Mas a principal razão para restarem com expressão e capacidade reivindicativa, quase só sindicatos da classe média com o Estado como patrão, deve-se à apropriação do movimento sindical pelos partidos; a classe média é determinante nos períodos eleitorais e quem movimenta a máquina do Estado, pode fazê-la parar.

Hoje já se fala em interesses corporativos, o que deveria ofender o sindicalismo democrático, fundado para dar expressão a quem não tinha representatividade. As reivindicações contra a “carestia de vida” que fazem todo o sentido para uma grande parte dos portugueses estão esquecidas. Não são os trabalhadores que passam maiores dificuldades que têm o apoio dos dirigentes sindicais, é a classe média, que mantém uma relação oportunista com o movimento sindical. Todos têm o direito de defender os seus interesses, mesmo os privilégios que conseguiram obter, mas numa situação de crise económica e financeira, em que todos reconhecem que a riqueza criada no país não chega para a despesa, o movimento sindical tem a obrigação de pugnar por uma mais equilibrada distribuição dessa riqueza.

Quando as centrais sindicais quiserem lutar pela justiça social, promoverão manifestações de desempregados, de trabalhadores precários e com baixos salários, é essa a função nobre da contestação sindical.
publicado por Carlos Loures às 11:00
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Sábado, 6 de Novembro de 2010

Boaventura de Sousa Santos no Estrolabio: Classe Média Radical

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Os portugueses estão certamente perplexos ante a onda de greves que se anuncia e a agitação social que a precede por parte de magistrados e funcionários, forças armadas e de segurança, médicos, etc. A perplexidade é dupla. Por um lado, a agitação social não está a ser criada por aqueles que estão a ser mais duramente atingidos pela crise económica, pelos trabalhadores da indústria com emprego cada vez mais precário, pelos desempregados, vítimas da deslocalização de empresas, pelos trabalhadores imigrantes clandestinos obrigados a aceitar um horário duplo de trabalho para ganhar o salário mínimo (e, às vezes, menos que isso), pelos idosos dependentes de um serviço nacional de saúde cada vez menos acessível. Pelo contrário, a agitação social está a ser criada por trabalhadores que compõem a classe média (por vezes, classe média alta), com segurança de emprego, detentora de direitos sociais que não estão ao alcance da grande maioria dos cidadãos e mesmo de privilégios chocantes à luz da situação que o país vive. Por outro lado, é grande a desproporção entre a agressividade da contestação e a relativa moderação das reformas propostas pelo governo, todas elas destinadas a parificar, gradual e selectivamente, os benefícios de alguns “corpos especiais” aos de um corpo social já de si beneficiado em relação aos restantes trabalhadores portugueses, os funcionários públicos.

A resolução deste puzzle é complexa e passa pelas seguintes ideias. Primeiro, a contestação social, sobretudo no campo do trabalho, depende hoje muito da segurança de emprego. Quanto mais precário é o emprego, menor é a capacidade para lutar contra a sua precarização. Segundo, o sindicalismo português está a abandonar a sua tradicional base operária. Esta, embora continue a alimentar a retórica dos dirigentes sindicais, é cada vez mais frágil e incapaz de sustentar acções de reivindicação concretas. Terceiro, a agitação social é protagonizada por uma pequena faixa da população activa, mas com grande poder social e a cumplicidade de uma comunicação social conservadora, interessada na desmoralização do Estado e incapaz de uma pedagogia activa sobre o que está verdadeiramente em causa. Quarto, a sociedade portuguesa é uma das mais injustas da Europa e a mobilidade social que se verificou entre nós nos últimos trinta anos está bloqueada. Ela assentou, por um lado, na escola e nas qualificações e, por outro lado, no Estado enquanto sector de referência, tanto a nível salarial como nas condições de emprego e é nestes domínios que os bloqueios são mais visíveis. Em 1999, a probabilidade de um filho de um operário aceder a uma profissão liberal era sete vezes menor que a de um filho de um profissional liberal. Estes bloqueios agravaram-se depois de 2000 com a crise financeira do Estado, a crise da economia e a desvalorização geral dos diplomas. Quinto, o Estado tem sido um agente “anómalo” de promoção social. Por um lado, devido ao contexto geral do recrutamento inicial, tem permitido a ascensão a cargos de chefia a pessoas com baixas qualificações. Por outro lado, os desequilíbrios na organização dos interesses tornaram possível que certos grupos, com maior poder negocial, obtivessem privilégios injustificados, porque não vinculados directamente à natureza das funções. Constituíram-se sectores e corpos especiais e a sua composição tem sido sempre problemática.

É importante que o governo seja firme nos princípios e flexível na sua aplicação e que os grevistas se centrem nas condições dignas para o exercício das suas importantes funções, de modo tal que a sua contestação não seja vista como uma luta pelos despojos de um Estado cada vez menos disponível para a maioria dos cidadãos.

(Publicado na revista "Visão" em 29 de Setembro de 2005)
publicado por Carlos Loures às 21:00
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Segunda-feira, 25 de Outubro de 2010

AutoEuropa - mérito, responsabilidade, negociação.

Luis Moreira


Num país a desabar, com toda a genta a perder poder de compra, a AutoEuropa e os seus trabalhadores dão uma lição de bom senso. Mais uma!

Os salários vão ser aumentados em 3.9%, acordo para este ano e para o próximo, numa manifestação de grande mérito e responsabilidade. É a mesma empresa onde os trabalhadores aceitam trabalhar quando há trabalho, vão de férias quando não há encomendas, cumprem objectivos negociados com a Administração, ganham segundo o que produzem.

O contrário dos nossos fogosos trabalhadores de emprego certo, carreira assegurada e progressão automática. E que não podem nem querem ser avaliados!

Sem mérito e sem produtividade o país é pasto da confrontação de grupos organizados que assaltam o Orçamento, que exigem tudo e mais alguma coisa, nunca saciados, braços armados de ideologias que perdem nas urnas eleitorais o que querem ganhar na arruaça da rua e da comunicação social.

Tem sido possível à Comissão de trabalhadores da empresa manter-se à margem dos interesses partidários dos sindicatos e, com mérito e grande capacidade de negociação, obter índices de produtividade que rivalizam com as suas congéneres internacionais, motivo de orgulho, num povo que tem como suprema ambição encontrar um emprego certo e um sindicato que os defenda.

Nem se dão conta que vão para o empobrecimento como os outros, jovens e com a vida pela frente, vivem uma vida medíocre, sem ambição e sem alegria e orgulho na profissão que escolheram.

A AutoEuropa mostra que é possível, que os nossos trabalhadores são gente capaz e responsável como, aliás, mostram por esse mundo fora.É preciso acabar com este Estado abocanhado por interesses corporativos, pasto da mediocridade e da irresponsabilidade e apostar nas empresas produtoras de bens e serviços transaccionáveis.

Se o Estado não atrapalhar já é uma grande ajuda...

publicado por Luis Moreira às 13:30
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Domingo, 19 de Setembro de 2010

Professores - o custo do centralismo.

Luis Moreira

Cada aluno custa ao estado português cinco mil euros no ensino básico e 5695 euros no secundário. (dados recentemente divulgados pela OCDE). O mesmo Estado apoia as famílias de baixos rendimentos, que tenham os filhos em colégios.Esta comparticipação é de 720 euros anuais para um aluno do ensino básico e de 505 euros para um aluno do ensino secundário.

Se o centralismo estatal não fosse cego, veria que mesmo que duplicasse os apoios aos alunos dos colégios, e dessa forma mantê-los onde estão, não os deixando transferir-se para o ensino estatal, pouparia milhões de euros. A essa poupança acrescentaria a cobrança de IRS e IRC.

Isto é, ( 5 000 E - 1 440E= 3 560E) seria a poupança num caso e (5695E - 1 010E= 4 685E) no outro, por aluno, veja-se a quanto este valor de poupança pode representar multiplicado por milhares de alunos em todo o país.

Só razões ideológicas mantêm este centralismo cego num ministério cheio de burocratas, com os piores resultados da UE, que há dezenas anos colocou no centro das suas preocupações o experimentalismo pedagógico, sem nunca darem um passo no sentido da escola autónoma ou no direito das pessoas escolherem o projecto de educação que querem para os seus filhos.

Como sempre tenho dito, os burocratas do ministério e dos sindicatos precisam deste centralismo para manterem o poder, as supostas zaragatas não passam de teatro, sem uns não existem os outros, nunca discutem a escola, nem o mérito, tudo se resume às carreiras e às progressões automáticas. E os professores, que pagam as quotas dos sindicatos, vão na cantiga, não se importam de serem joguetes nas mãos desta gente.( ver texto: professores: são joguetes nas mãos do ME).

Há cada vez mais professores que fazem ouvir a sua voz contra este estado de coisas, move-os a esperança de uma escola autónoma, livre dos "recados" dos burocratas, dos mil papéis para preencher e que não servem para nada, das reuniões sem fim.

PS: Com Rodrigo Queiroz e Melo - Director executivo da Associação de Estabelecimentos de Ensino Particular e Cooperativo

Ora, esta questão passa por um direito fundamental que é o direito de escolha, face aos maus resultados da escola pública, não se vê razões para se negar esse direito,podemos e devemos ter uma rede pública de escolas, umas estatais e outras privadas, competindo e complementando-se, melhorando umas e outras com o mérito e a experiência do dia a dia. O centralismo não consegue controlar todas e cada uma das escolas, todas diferentes, em ambientes diferentes, por isso abundam as circulares, os regulamentos, as fichas para preencher.

O ME e os sindicatos ficam a falar sozinhos,nada têm a ver com o que se passa dentro das escolas, ninguem melhor que os professores, os alunos, as instituições regionais e locais,conhecem a realidade em cada escola.

Este modelo está esgotado é preciso ter a coragem de mudar. Sem uma boa Educação o país não vai sair desta tristeza vil e envergonhada. Trinta e muitos anos é mais que suficiente para termos a certeza que a relação estável de proximidade entre professor e aluno é um factor determinante para obter bons resultados. Os factores que influem positivamente nos resultados não são preocupação nem são prioritários para sindicatos e Ministério, muda tudo em cada ano.

Só não mudam os maus resultados!
publicado por Luis Moreira às 13:30
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Sexta-feira, 17 de Setembro de 2010

Suícidios na France Telecom

Luis Moreira

Desde o início do ano, 23 colaboradores da France Télécom decidiram pôr fim à própria vida.As mortes ocorreram em diferentes regiões, entre trabalhadores com funções diferentes e sem que, aparentemente, tenham relação entre si.

Afectada por uma grande onda de suicídios, o que lhe valeu críticas até do governo francês, a France Télécom comprometeu-se a substituir a direcção geral.

A mudança resultou na chegada ao grupo de Stéphane Richard, que anunciou um plano para melhorar as condições laborais dos trabalhadores.

No entanto, os sindicatos entendem que as alterações realizadas pelo novo director não foram suficientes e denunciaram, em particular, que o anterior diretor, Didier Lombard, se mantém na presidência do grupo.

Os representantes dos trabalhadores consideraram que os suicídios estão ligados às condições laborais do grupo e sobretudo à obrigatoriedade de mudar de local de trabalho ou de região a que os trabalhadores estavam submetidos, no âmbito de uma reestruturação impulsionada por Lombard.

Eu creio que a mudança de local de trabalho possa ser uma chatice, ou até uma preocupação, ou mesmo um drama, mas não creio que seja um drama tão grande que a única saída seja o suicídio. Será para pessoas em crise existencial, conjugal, familiar ou padecendo de doenças que fragilizam a pessoa, mas não creio que uma pessoa normal, gostando do que faz e gostando da sua vida em pleno, reaja desta forma última, a uma simples mudança de local de trabalho.

A ser assim, normal, até onde irá um trabalhador que caia no desemprego? ou um desempregado de longa duração? e se lhe juntarmos o facto de ter pessoas a seu cargo? Há pessoas que acham normal aos trinta e tal anos terem um emprego para toda a vida, nunca mais sairem da sua terra natal, progredirem na carreira, uma vida sem sobressaltos e sem dúvidas. Temos que lhes dizer que não há, não é essa a vida que o futuro lhes reserva.

A dimensão de ambições pouco sensatas e não alcançadas são capazes de explicar melhor aqueles actos últimos. Na verdade, desde os objectivos cada vez mais ambiciosos das empresas,no que se refere à produtividade, aos objectivos e metas impostos aos trabalhadores, as remunerações cada vez maiores para o capital investido, o acenar com vencimentos elevados e mordomias, são uma máquina "trituradora" que afunda os mais fracos.

As árvores tambem crescem mas não chegam ao céu...

PS: a partir de uma notícia enviada pela Ethel.
publicado por Luis Moreira às 13:00
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Segunda-feira, 13 de Setembro de 2010

Professores - e se o Estado não tiver dinheiro para pagar salários?

Luis Moreira

Em tempos há muito idos, um colega meu no banco onde trabalhava, achava que não havia perigo nenhum para os bancários porque afinal, dizia ele :" estamos sentados no cofre forte".O medo impedia-o de ver que o dinheiro que estava no cofre não era do banco (isto se houvesse mesmo lá dinheiro...)

Hoje, no Expresso, alerta João Vieira Pereira :"Institutos públicos, empresas públicas e administração pública continuam a gastar e gastar sem o mínimo respeito pelo dinheiro dos contribuintes. A começar pelo governo que mal tomou posse comprou a paz com os professores. O custo foi de de cerca 225 milhões de euros, tanto quanto subiram as remunerações com o pessoal da educação entre Janeiro e Julho deste ano quando comparado com o mesmo período de 2009."

"E esta é a contribuição de pessoas como o líder sindical Mário Nogueira para o empobrecimento do país.Um crime bem mais grave do que muitos mediáticos mas que nunca serão julgados...(...) é o custo de ter uma classe política podre que se verga perante pessoas irresponsáveis, que, sem saber como detêm um poder com o qual não sabem, nem saberão lidar"
"O país inteiro só vai perceber que é preciso mudar quando chegar o dia em que o Estado não tenha dinheiro para pagar salários. E esse dia está muito mais perto do que parece."

Como sabem há muito que chamo a atenção para o comportamento de "Mário alucinado..."
publicado por Luis Moreira às 13:30
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Terça-feira, 31 de Agosto de 2010

Professores-Quem indemniza os não avaliados não colocados?

Luis Moreira

A colocação dos 18 000 professores contratados revela-nos que 10 000 já tinham sido colocados o ano passado e que 8 000 são colocados pela primeira vez. Ficam, ainda assim, 30 000 professores de fora de que os sindicatos aproveitam a desilusão para venderem mais uma demagogia. O quadro está subavaliado são precisos mais professores, de preferência a pagar quotas, digo eu.

Mas do que ninguem fala, é do prejuízo que os professores contratados não avaliados sofreram e que se vai repercutir em toda a sua vida. Foram na conversa da "sereia" dos sindicatos e dos colegas confortavelmente sentados no lugarzinho para toda a vida. Como qualquer pessoa de bom senso e saiba um mínimo dos principios que enformam um estado de Direito, quem cumpre uma directiva do Ministério e, com isso, se candidata às expectativas que o Ministério deu a quem cumprisse, não poderia nunca sair prejudicado.

Como se viu numa primeira faze com os tribunais e, agora, com os professores preteridos a queixarem-se que foram ulltrapassados em muitos lugares por colegas que entregaram a avaliação. Quem é que indemniza estes professores que, de boa fé, foram atrás da demagogia dos sindicatos e da ignorância ou má fé dos colegas instalados? Um dos estúpidos argumentos é que teriam "atraiçoado" os colegas que seguiram as instruções dos sindicatos. Atraiçoado?

Mas não estamos numa democracia onde as pessoas pensam pela sua própria cabeça e se responsabilizam pelas decisões que tomam?

Quem é agora tão lesto em dar opiniões que mais não são que bravatas irresponsáveis e se adianta para pagar as indemnizações devidas?

Se fosse comigo tinham um processo cível no tribunal mais pŕoximo da escola onde não param de lacrimejar a sua desdita de serem professores...
publicado por Luis Moreira às 19:30
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Segunda-feira, 30 de Agosto de 2010

Os professores são joguetes nas mãos do ME e dos Sindicatos...





Luis Moreira

Maria Nazaré Oliveira, Professora do Ensino Secundário, diz algumas evidências que muitos não querem ver a par de muitas ideias feitas que afloram sempre no discurso dos professores.

"Desde a anterior Ministra da Educação, apesar de compreender algumas das suas medidas, tudo acabou por ser imposto!Sem diálogo.Quer do ME quer dos sindicatos.Falou-se do que não se sabia ou do que se sabia pouco. Legislou-se despoticamente." Os Sindicatos não são poupados, como é óbvio.

Antes disto vem o habitual, onde há muito a ideia de que os professores são as vítimas do regime, muito cansados, estoirados, asfixiados, desanimados...mais ou menos o que me diz a minha mulher a dias e todos os que têm que trabalhar todos os dias. Cheios de trabalho e de papéis, que têm que ler, regulamentos a esmo, nunca se viu tanta reunião e tanta papelada, tantas directrizes do Ministério e tantas orientações institucionais.

Há uma resposta como há muito defendo e que muitos professores defendem: a autonomia da escola! Lutem por uma escola autónoma, retirem a escola das garras dos burocratas do Ministério e dos burocratas dos Sindicatos. Quer uns quer outros precisam, uns dos outros, e da escola para terem a importância que têm.

"O Ministério e os Sindicatos foram irredutíveis nas suas posições e os professores foram uns joguetes nas suas mãos. Concordo com uma avaliação mais rigorosa e há muito que a aguardava, mas o modelo foi o melhor?"

Há muito que defendo o que aqui está escrito, parece que no país há medo de falar na escola autónoma, mas ela fará o seu caminho, apesar dos que acham que é com a carreira, as progressões automáticas e chegarem todos ao topo, que ganham à credibilidade e o respeito do país.

Cada vez mais há professores a perceberem que não passam de joguetes nas mãos de burocratas, que os afastam da população, que lhes cravam nas costas o corporativismo dos mesmos de sempre, os que querem o igualitarismo, não querem ser avaliados, não querem ser pagos segundo o mérito.

Os melhores saem prejudicados , os que ficam sentados à espera da promoção são os que fazem o barulho, e os resultados são a miséria que são.
publicado por Luis Moreira às 13:30
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Sábado, 14 de Agosto de 2010

Autonomia para as escolas...


Luís Moreira


Vai fazendo o seu próprio caminho, a ideia da autonomia para a escola pública. Contra quase todos! Desde logo de quem não é necessário na escola mas vive dela. Os burocratas do Ministério da Educação e dos Sindicatos.Nunca ninguem os ouviu falar de autonomia, porque isso está contra o seu poder que usam e abusam. Mas há cada vez mais pessoas a lutar pela autonomia. Leiam esta carta de Rui Silvares que tudo indica ser um professor:

"....Talvez seja tempo de exigir que seja dada verdadeira e total autonomia às escolas portuguesas.O ministério deverá garantir o funcionamento do sistema, deixando para os conselhos de escola a responsabilidade de decidir sobre questões práticas em termos curriculares e de funcionamento das aulas.No final de cada ano lectivo e nos anos terminais dos ciclos de ensino básico e secundário, é desejável que o ministério organize e imponha exames nacionais com o objectivo de nivelar resultados.Nessas ocasiões, cada escola terá uma prova da qualidade do sistema que criou e será obrigada a assumir o sucesso ou insucesso do trabalho das suas estruturas particulares."

"...O Ministério da Educação e as suas tentaculares direcções regionais são absoletos, estão ultrapassados, não funcionam convenientemente e fazem mais mal que bem ao sistema do ensino português,"

O autor só se esqueceu dos sindicatos que têm co-governado a educação em Portugal e têm tanta culpa como o Ministério, sem um não vivem os outros e, é por isso, que nunca ninguem os ouviu falar em autonomia da escola.Mas o que tem que ser acaba por vingar, só é pena que pelo caminho fiquem os despojos da vaidade, da arrogância, da preguiça e da ignorância.

Há muitos anos que me bato pela autonomia das escolas, já aturei muito preguiçoso à espera que passem os anos para subir na carreira, muito ignorante que diz que não pode haver avaliação nas escolas e, também, gente bem intencionada que tem como horizonte de vida as quatro paredes de uma sala de aula.
publicado por Luis Moreira às 13:30
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Terça-feira, 3 de Agosto de 2010

A Ministra da Educação precisa de um estrolabio



Luís Moreira

Para calcular a altura das estrelas e assim conseguir encontrar o caminho, vamos oferecer-lhe um estrolabio, talvez passe a pensar antes de falar, é que assim ainda vai dar razão aos sindicatos. E se os sindicatos sem razão já fazem o barulho que fazem, vejam o que será com razão.

Então agora ninguem chumba? A tendência para neste país se nivelar tudo por baixo é uma tentação, chama-se "igualitarismo", passam todos,é uma espécie de vitória em vitória até ao desemprego final, ninguem quer os nossos alunos,não sabem ler e contar, quer dizer, já não sabem, agora vamos oficializar o assunto. Não conseguimos ter uma boa escola? Deixa de haver chumbos!

Assunto resolvido, melhora tudo de uma penada, estatísticas incluídas, essas chatas que nos mantêm no fundo da tabela, nós que somos tão bons, somos um ministério cheio de "sabichões", os professores são do melhor, os funcionários, as políticas, tudo é bom só os alunos, esses malandros, é que são maus. A culpa é dos pais, do ambiente, das instalações, do "fast food", tudo coisas que não podemos controlar.

Como não podemos exterminá-los e, como, ano após ano, não conseguimos melhorar o ensino, já tentamos tudo, até já andarmos em guerra com os sindicatos a fazer de conta que não há escolas nem alunos, só nos resta oficializar os chumbos!

E, mais, na próxima vamos fazer uma manifestação unitária!

PS: Calculo que a ideia possa ser haver aulas de apoio aos alunos com ritmos de aprendizagem diferente, mas anunciar que deixa de haver chumbos, é a melhor maneira de matar a ideia à nascença.
publicado por Luis Moreira às 11:00
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