Segunda-feira, 4 de Outubro de 2010

Dia Mundial do Animal - um coração para todos...

Luis Moreira ( um coração desenhado na perfeição)

Qualquer cão que me veja na rua, vem direitinho a mim, a rosnar, mesmo a ladrar, é certinho. Os donos dizem sempre que não percebem, pois o cão é meigo, não faz mal a ninguem. Mas eu sei porque é. Tenho um medo incrivel dos cães, ficou-me de quando andava nas quintas à fruta com a malta, e um dia andei quilómetros em cima de um muro com uns quantos cães a ladrarem-me às canelas. Então não é que os cães pressentem o meu medo?

Mas tive um cão (era de um amigo meu) um Labrador, que foi a excepção, o raio do cão que me via de 15 em 15 dias senão mais, logo que me via ia buscar uma pinha e atirava a pinha para os meus pés para eu brincar com ele. Atirava a pinha contra mim, levantava-se com a pinha na boca e mostrava-a e não me largava enquanto eu não brincasse com ele. Tive um desgosto quando morreu com uma daquelas doenças infecciosas que os atacam e que é fulminante.

Um dos cães que viviam com o Labrador era um Cão-de-Água algarvio, com os caracóis a cairem-lhe sobre os olhos, preto, que mal eu me atirava para a piscina ele já não me largava, bebi uns litros de água à conta do cão. Outro, tambem desse meu amigo, era um Serra da Estrela, taciturno, desaparecia por largos momentos e voltava de vez em quando para ver se estava tudo controlado para desaparecer a seguir.

Eram três animais completamente diferentes, não só no aspecto, mas muito principalmente no caracter, tive um enorme carinho por esses animais que gostavam de mim, não me ladravam e brincavam comigo. Eram animais com terreno para correr e brincar, assim gosto de ver e, palpita-me, que os cães que não gostam de mim é porque passam toda a vida dentro de um apartamento, são como eu, "cão de campo não gosta de capoeira".
publicado por Luis Moreira às 13:30
link | favorito
Segunda-feira, 24 de Maio de 2010

A linha divisória

António Sales


Deixei o carro no largo à entrada da vila, onde está o pelourinho e a capela do século XVI, fui subindo devagar, olhos repousados e coração livre, por entre a névoa fina que cobria de mistério ruas e casas.
Linhares da Beira tem a marca da sua identidade no castelo que se eleva no topo da urbe sobranceiro ao cabeço serrano. É uma terra medieval de pedras volumosas escorregando pelas encostas a formarem ruas ladeadas por casas baixas e graníticas.

Becos, arcos, palacetes, largos, construções primárias, alpendres a respirarem cor no cimo de escadarias em pedra, confundem-se no tempo da história mas também no na vida com a capacidade de a representar a nosso gosto.

Aqui, nesta minha hora solitária paira o silêncio húmido do nevoeiro. Pálido, esfuma o contorno de edifícios e pessoas tornando-as uma espécie de testemunhas mudas da existência. Tudo está suspenso da sua passagem acariciadora que me conduz para longínquas paragens onde sobrevive a consciência por sobre a força material dos sentidos.

Porque o silêncio que desfruto em Linhares da Beira paira acima do tempo cronológico. Vive para lá dele numa dimensão intemporal do pensamento onde o ciclo dos dias perdeu o desenho ancestral da matéria.

Sento-me numa pedra próximo da muralha do castelo olhando o horizonte e não o vendo porque são densas as neblinas geladas que me submergem. Transformam corpos físicos em fantasmas, que é a forma de não terem forma. assim como nós somos os crentes materiais da felicidade anunciada sem data no calendário da eternidade.

Neste recanto modesto e solitário onde as casas são cinzentas e escondem os segredos de geraçõess, o gado vai para o pasto quando o sol desenha os primeiros cânticos de luz nos contrafortes da Serra da Estrela, encontrei o meu anjo da guarda. Não tinha asas nem vestia de branco, nem trazia consigo sinais do paraíso. Chegou por detrás de mim, quedou-se algum tempo em silêncio antes de perguntar: Em que pensas? Nem sequer me voltei porque seria quebrar o encanto daquele instante em que a paz subitamente habitava em mim: O dia que nos trás a luz, a noite que no-la rouba. Vida e morte, respondeu, ambas são filhas da mesma raiz mas a travessia a cada um pertence.

E desapareceu no nevoeiro.
publicado por Carlos Loures às 10:00
link | favorito

.Páginas

Página inicial
Editorial

.Carta aberta de Júlio Marques Mota aos líderes parlamentares

Carta aberta

.Dia de Lisboa - 24 horas inteiramente dedicadas à cidade de Lisboa

Dia de Lisboa

.Contacte-nos

estrolabio(at)gmail.com

.últ. comentários

Transcrevi este artigo n'A Viagem dos Argonautas, ...
Sou natural duma aldeia muito perto de sta Maria d...
tudo treta...nem cristovao,nem europeu nenhum desc...
Boa tarde Marcos CruzQuantos números foram editado...
Conheci hackers profissionais além da imaginação h...
Conheci hackers profissionais além da imaginação h...
Esses grupos de CYBER GURUS ajudaram minha família...
Esses grupos de CYBER GURUS ajudaram minha família...
Eles são um conjunto sofisticado e irrestrito de h...
Esse grupo de gurus cibernéticos ajudou minha famí...

.Livros


sugestão: revista arqa #84/85

.arquivos

. Setembro 2011

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

.links