Sábado, 11 de Dezembro de 2010

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Adão Cruz

A Arte (3)  (Uma visão pessoal)

Assim sendo, e valendo-nos dos nossos conceitos mais simples, sem grandes filosofias, convido-vos a pensar que a Arte ou o sentimento artístico é, pelo menos parcialmente, a descoisificação das coisas. Um escultor, perante um bloco de pedra que é uma coisa, tenta trabalhar essa coisa de modo a que ela vá perdendo a sua natureza de coisa e vá ganhando progressivamente a natureza de ideia, ideia criadora de uma estrutura pertencente à área da mente. Acabada a escultura, a pedra deixa de existir, mantendo-se apenas como matriz anónima da ideia e do pensamento.

O mesmo se pode dizer da pintura. A tela, os pincéis, as tintas são coisas que vão perdendo a sua natureza de coisas, à medida que as coisas trabalhadas se vão transformando em imagens e em vivências, cada vez mais afastadas de apontamentos biográficos e registos, sempre no caminho de uma utopia de liberdade. A cor não deve ser vista como tinta relacionada com as coisas mas deve ser sentida como substância do espaço pictórico. O conceito de que a Arte é a contemplação das relações formais, há muito que perdeu o sentido. Talvez deva ser substituído pela ideia de que uma boa forma não se nota. Um bom perfume é sentido como parte da personalidade de uma mulher e não como um cheiro. A Arte de um decorador não está em chamar a atenção sobre si mesma, mas em dar ao espaço uma sensação de conforto e bem-estar. No entanto, a forma está lá, espontânea, pessoal, inseparável das emoções e dos sentimentos.

A Arte é um produto de ideias mas também um veículo de ideias. Quando deixa de ser transparente como veículo de ideias, quando não é mais do que configurações, cores e sons, transforma-se numa técnica de entretenimento superficial dos sentidos. Quando se diz apenas produto de ideias, menosprezando o poder de relação, confina-se ao processo neuronal que a gerou e que pode ser relativamente pobre. A Arte é aquilo que vive atrás da aparência das coisas. Para que a obra adquira grandeza, os processos formais devem ser ofuscados pelo seu próprio efeito. Só assim se compreende, dentro de um espírito artístico não radicalista, não equacionista, não academicista, que entendamos o Impressionismo, o Expressionismo, o Cubismo, o surrealismo, o Abstraccionismo e a Arte Contemporânea em todas as suas expressões e tendências actuais, como processos de ofuscação das formas pelo seu próprio efeito.

A Arte é sempre uma prática de meditação, uma tomada de consciência, a livre expansão de nós mesmos, inteligência viva, diálogo e libertação das forças vitais dentro de uma disciplina ética. Dito de outra maneira, a Arte é sempre impacto, desconcerto de espírito e agente de transcendência das formas físicas e de mudança das formas de ver e pensar.
publicado por Carlos Loures às 23:55
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Terça-feira, 7 de Dezembro de 2010

VerbArte - A Arte (1) - (Uma visão pessoal)





Adão Cruz

Ars, em latim, significa técnica ou habilidade, e seria o processo através do qual o conhecimento é usado para realizar determinadas habilidades. Mas esta definição, apesar de pretender ser abrangente, não satisfaz. Aliás, a Arte não tem definição que nos satisfaça. Por outro lado, tenho muito receio de que as definições nos imobilizem. Todos os que tentaram definir a Arte, através dos séculos, de forma mais superficial ou mais profunda, deixaram sempre, felizmente ou infelizmente, uma falha sináptica no padrão neural da nossa compreensão. O puzzle poderia ser aparentemente perfeito mas havia sempre umas peças estranhas que não encaixavam. Penso que nunca se saberá verdadeiramente o que é a Arte. Talvez a neurobiologia nos dê, mais tarde ou mais cedo, quando a biologia do espírito for uma ciência incontestada, uma aceitável definição, pelo menos de carácter neurofisiológico. Mas tudo isto não deve impedir-nos de pensar e de transmitir a nossa opinião sobre a natureza da Arte. Faço aqui um parêntesis para dizer que gostaria de usar em vez da palavra Arte, a designação de sentimento artístico. A palavra Arte é capaz de remeter para um certo elitismo, criando a ideia de que ela é propriedade do artista e de mais ninguém, enquanto a designação de sentimento artístico permite considerar que este mesmo sentimento existe no observador, e pode ser mais forte e profundo naquele que contempla do que naquele que produz. O sentimento artístico tem uma certa parecença com o místico. É um sentimento quase indefinível, é um estado de hipersensibilidade, um desejo de experimentar ser-se de outra maneira, uma necessidade de sair do não autêntico, um quase sentir a verdade total e o amor universal.
publicado por Carlos Loures às 23:55
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