Sexta-feira, 21 de Janeiro de 2011

Produzir e trabalhar melhor em democracia - por Júlio Marques Mota

Carta dos economistas sobre a Fiat

 

Os factos que estão por detrás do Acordo sobre a fábrica de Mirafiori, o redimensionamento  da escala de produção da Fiat na Itália e na orientação financeira crescente, as alternativas para a estratégia. Um manifesto  de economistas sobre o conflito Fiat-FIOM já assinado por 131 professores e investigadores.

O conflito Fiat-FIOM irrompeu em finais de 2010 na base do  projecto para a fábrica de Mirafiori, em Turim - que segue uma história semelhante à do sítio de Pomigliano d'Arco - é importante para o futuro económico e social do país. Os jornais e a televisão têm a versão da Fiat, apoiada pelo governo, através da qual se entende que com  o aumento da concorrência internacional no mercado de automóveis, os trabalhadores devem aceitar piores condições de trabalho, a perda de certos direitos, até à impossibilidade de elegerem de forma democrática os seus representantes sindicais.

Vejamos os factos. Em 2009, a Fiat produziu 650.000 automóveis em Itália, apenas um terço do que o obtido em 1990, enquanto que as quantidades produzidas na maioria dos países europeus cresceram ou mantiveram-se estáveis. Fiat gastou  em investimento produtivo e em  pesquisa e desenvolvimento parcelas das suas receitas  significativamente inferiores às  dos seus principais concorrentes europeus, e é muito pouco activa no desenvolvimento de novas fontes de propulsão com baixo impacto ambiental. Ao contrário do que aconteceu entre 2004 e 2008 - quando a empresa se recuperou de uma crise que parecia fatal - nos últimos anos, a Fiat não introduziu novos modelos. O resultado foi que a sua quota de mercado na Europa declinou para 6,7%, a maior queda registada no continente em 2010.



Ao mesmo tempo, porém, no terceiro trimestre de 2010, a Fiat lidera a escala da rentabilidade para os accionistas, com uma taxa de rentabilidade  sobre o seu capital  de 33%. A separação recente entre a Fiat Auto e a Fiat industrial assim como  o seu   interesse em adquirir uma participação maioritária na Chrysler assinalam  que as prioridades da Fiat estão cada vez mais orientadas para a dimensão financeira, a que poderia ser sacrificada a produção no futuro a produção de automóveis na  Itália e até mesmo a propriedade dos estabelecimentos.



Apesar da retórica da capacidade de "se manter  no mercado pelos seus próprios pés", deve ser lembrado que a Fiat tem procurado com  esta estratégia obter, por várias razões, incluindo o final dos anos oitenta e os primeiros anos desta década, subsídios do governo do governo italiano estimado em cerca  de 500 milhões de euros por ano.



 

publicado por Carlos Loures às 21:00

editado por Luis Moreira em 19/01/2011 às 19:05
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Terça-feira, 4 de Janeiro de 2011

Carta aberta a Durão Barroso - 2 - por Júlio Marques Mota

(Continuação)

 

O Tsunami silencioso

 

Senhor Presidente, percebida de vez a questão que não se trata de desconstruir a Europa, mas sim de a reconstruir, então isto reenvia-nos para algo que antecede a situação presente, reenvia-nos para o conjunto das políticas neoliberais que antecederam a crise e a criaram, o tsunami silencioso que lentamente invadiu as nossas instituições, minando-as, que desarticulou as nossas economias, globalizando-as selvaticamente, que invadiu as nossas mentalidades, roubando-nos a capacidade de criticar, que queimou a nossa capacidade de imaginar mundos melhores, tirando-lhes a visão de futuro, É sobre esse tsunami silencioso e sobre a responsabilidade da sua existência que falarei. Mas, uma coisa é certa, senhor Presidente, sabemo-lo com o general de Gaulle quando em Pnom Penh afirmava, e cito de memória, que a democracia para se afirmar verdadeiramente como tal tem que ser capaz de reconhecer os seus erros e crescer com esse reconhecimento. Bela lição que terá perto de meio século, bela lição que é agora tempo de retomarmos em mãos, é agora tempo de os nossos dirigentes nos mostrarem que assim é ou de lhes exigirmos que no-lo mostrem. Reconhecer os seus erros, foi disso que falava o general de Gaule, corrigi-los é agora o desejo que nos vai na alma, na alma de milhões de europeus também face à catástrofe que lhes estão a impor e que têm medo, medo, medo de uma catástrofe ainda maior. Não é querer muito, é apenas querer para a Europa a democracia real.

Numa nossa carta ao Presidente da República de Portugal escrevi:

 

 

 

publicado por Carlos Loures às 21:00

editado por Luis Moreira às 18:56
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Segunda-feira, 25 de Outubro de 2010

AutoEuropa - mérito, responsabilidade, negociação.

Luis Moreira


Num país a desabar, com toda a genta a perder poder de compra, a AutoEuropa e os seus trabalhadores dão uma lição de bom senso. Mais uma!

Os salários vão ser aumentados em 3.9%, acordo para este ano e para o próximo, numa manifestação de grande mérito e responsabilidade. É a mesma empresa onde os trabalhadores aceitam trabalhar quando há trabalho, vão de férias quando não há encomendas, cumprem objectivos negociados com a Administração, ganham segundo o que produzem.

O contrário dos nossos fogosos trabalhadores de emprego certo, carreira assegurada e progressão automática. E que não podem nem querem ser avaliados!

Sem mérito e sem produtividade o país é pasto da confrontação de grupos organizados que assaltam o Orçamento, que exigem tudo e mais alguma coisa, nunca saciados, braços armados de ideologias que perdem nas urnas eleitorais o que querem ganhar na arruaça da rua e da comunicação social.

Tem sido possível à Comissão de trabalhadores da empresa manter-se à margem dos interesses partidários dos sindicatos e, com mérito e grande capacidade de negociação, obter índices de produtividade que rivalizam com as suas congéneres internacionais, motivo de orgulho, num povo que tem como suprema ambição encontrar um emprego certo e um sindicato que os defenda.

Nem se dão conta que vão para o empobrecimento como os outros, jovens e com a vida pela frente, vivem uma vida medíocre, sem ambição e sem alegria e orgulho na profissão que escolheram.

A AutoEuropa mostra que é possível, que os nossos trabalhadores são gente capaz e responsável como, aliás, mostram por esse mundo fora.É preciso acabar com este Estado abocanhado por interesses corporativos, pasto da mediocridade e da irresponsabilidade e apostar nas empresas produtoras de bens e serviços transaccionáveis.

Se o Estado não atrapalhar já é uma grande ajuda...

publicado por Luis Moreira às 13:30
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Segunda-feira, 13 de Setembro de 2010

Professores - e se o Estado não tiver dinheiro para pagar salários?

Luis Moreira

Em tempos há muito idos, um colega meu no banco onde trabalhava, achava que não havia perigo nenhum para os bancários porque afinal, dizia ele :" estamos sentados no cofre forte".O medo impedia-o de ver que o dinheiro que estava no cofre não era do banco (isto se houvesse mesmo lá dinheiro...)

Hoje, no Expresso, alerta João Vieira Pereira :"Institutos públicos, empresas públicas e administração pública continuam a gastar e gastar sem o mínimo respeito pelo dinheiro dos contribuintes. A começar pelo governo que mal tomou posse comprou a paz com os professores. O custo foi de de cerca 225 milhões de euros, tanto quanto subiram as remunerações com o pessoal da educação entre Janeiro e Julho deste ano quando comparado com o mesmo período de 2009."

"E esta é a contribuição de pessoas como o líder sindical Mário Nogueira para o empobrecimento do país.Um crime bem mais grave do que muitos mediáticos mas que nunca serão julgados...(...) é o custo de ter uma classe política podre que se verga perante pessoas irresponsáveis, que, sem saber como detêm um poder com o qual não sabem, nem saberão lidar"
"O país inteiro só vai perceber que é preciso mudar quando chegar o dia em que o Estado não tenha dinheiro para pagar salários. E esse dia está muito mais perto do que parece."

Como sabem há muito que chamo a atenção para o comportamento de "Mário alucinado..."
publicado por Luis Moreira às 13:30
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