Sábado, 8 de Janeiro de 2011

EVENTO DA LITERATURA MOÇAMBICANA - por Manuel Simões

Com este texto de Manuel Simões, reabrimos este dossiê evento, uma iniciativa lançada por Sílvio Castro. De lembrar que a tréplica de Carlos Loures a Sílvio Castro sobre as origens da Literatura Brasileira será apresentada nesta segunda fase.

A literatura moçambicana é essencialmente um fenómeno do século XX, se considerarmos que a primeira manifestação colectiva de carácter literário partiu do núcleo cultural da então “Casa dos Estudantes do Império”, criada em Lisboa, com a publicação de uma antologia poética, “Poesia em Moçambique”, em 1951. Antes desta data houve evidentemente tentativas, ainda que tímidas, de dar expressão literária ao real moçambicano e, nessa perspectiva, pode aludir-se a Campos de Oliveira, poeta de origem e vivência moçambicana (nascido na ilha de Moçambique em 1847), o qual, pelo menos com o poema “O Pescador de Moçambique” insere um discurso de protesto no espaço colonial e cuja motivação anda à volta da diferença racial :” Eu nasci em Moçambique,/ de pais humildes provim,/ a cor negra que eles tinham/ é a cor que tenho em mim”.

Este problema volta a aparecer nos escritos de princípio do século XX, sendo um bom exemplo Rui de Noronha, que colabora já nos anos 30 no jornal “O Brado Africano”, de Lourenço Marques, com alguns textos onde emerge a “dor de ser preto” ligada ao “sentimento de africanidade”, um traço distintivo que começou a aparecer, com alguma insistência, na produção indígena até ao emergir de Noémia de Sousa que, no dizer de Manuel Ferreira, “ultrapassa de uma e por todas as vezes, o precursor Rui de Noronha. É dela o poema “Sangue negro”, modelo de muitos discursos posteriores, e não só em Moçambique: “Ó minha África misteriosa, natural/ minha virgem violentada!/ Minha Mãe!”.

Também a publicação “Itinerário” (1941-1955) deu voz ao tema do negro num contexto social em conflito, o que conflui na tomada de consciência do intelectual dividido pelo sangue, pela cultura (sem esquecer os fenómenos típicos de aculturação) e por uma geografia afectiva que acabariam por modelar a consciência nacional e a própria luta de libertação contra os espinhos pungentes representados pelos mecanismos da colonização.

publicado por Carlos Loures às 11:00

editado por Luis Moreira às 01:45
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Sexta-feira, 7 de Janeiro de 2011

Música romântica do Século XX - 48

Nesta série, cuja primeira parte terminaremos em breve, temos estado a abordar a música romântica da primeira metade do século XX. O termo «romãntico» nesta acepção popular, parece ser uma assimilação tardia do Romantismo. Na música popular, a opereta, ou seja o "musical" da época, surge como transposição da ópera para um plano menos erudito e para um público mais vasto - uma ponte entre a ópera e o teatro de variedades.

 

 Em 1907 uma opereta vienense foi estreada em Londres - A Viúva Alegre (Die Lustige Witwe). Pela mesma altura, Florenz Ziegfeld montou o primeiro dos seus espectáculos em nova Iorque - as Ziegfeld Follies. Também nos Estados Unidos, eclodia o ragtime - em 1911, Irving Berlin estreava com grande êxito Alexander's Ragtime Band. Os tempos mudavam, a música mudava e, nesta série, que temos estado a apresentar sem critério cronológico, pensamos ter proporcionado uma razoável amostragem dessa mudança que, repetimos, terá tido como ponto de partida as "românticas" operetas vienenses.

 

O tenor Josep Carreras e a soprano Maria Luigia Borsi, com o maestro David Gimenez dirigindo a The Shanghai Philharmonic Orchestra, vão interpretar Lippen Schweigen o famoso dueto da opereta  A Viúva Alegre, de Franz Lehar (1870-1948). A gravação foi feita durante um concerto em Xangai no ano de 2007:

 

 

 

publicado por Carlos Loures às 01:00
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