Quinta-feira, 21 de Abril de 2011

A ARQUITECTURA DRAMÁTICA DE RICHARD WAGNER, por José de Brito Guerreiro

 

Richard Wagner (1813 - 1883) 

 

 

 

 


 

 

 

 

O compositor, maestro, teórico musical e ensaísta alemão Richard Wagner (1813-1883), além de compor a música e escrever os libretos das suas óperas, preocupava-se também com outras artes: arquitectura, pintura, poesia, drama e dança eram fundamentais para o seu desígnio. Durante seis largos anos, a partir do seu exílio em Zurique em 1849, Wagner dedicou-se à escrita das suas ideias sobre ópera, bem como à redacção do libreto de uma vasta e ambiciosa saga baseada no Canto dos Nibelungos. Concluiu vários ensaios e opúsculos, entre os quais os textos fundamentais A Arte e a Revolução (1849), A Obra de Arte do Futuro (1849) e Ópera e Drama (1850-1851). Foi nesse período que chegou ao conceito de Gesamtkunstwerk ou ‘Obra de arte total’, propondo a harmonização e síntese das várias artes.

 

Ao longo de muitos anos, Richard Wagner alimentou a ideia de construir um teatro próprio onde a sua revolucionária tetralogia Der Ring des Nibelungen (O Anel do Nibelungo, 1848-1853 [libreto], 1853-1874 [música]) pudesse ser interpretada. Em 1851 Wagner disse ao compositor e virtuoso pianista húngaro Franz Liszt (1811-1886) que o seu Nibelungendramen devia ser interpretado num grande teatro, preparado expressamente para a execução da sobredita obra. Com intensa obstinação e determinação, Wagner atingiu o seu desiderato. Em 1872 iniciou-se a construção do teatro de ópera Bayreuther Festspielhaus, em Bayreuth, Baviera, que viria a ser inaugurado em 1876 com o ciclo monumental Der Ring des Nibelungen. O Festspielhaus (Teatro do Festival) foi projectado pelo arquitecto alemão Otto Brückwald (1841-1917) e pelo próprio Richard Wagner, contando com o apoio financeiro do rei Ludwig II da Baviera (1845-1886), um grande admirador do compositor. Foi construído exclusivamente para a exibição das obras wagnerianas, em particular a supramencionada tetralogia Der Ring des Nibelungen, composta por quatro óperas (ou ‘dramas musicais’, como o compositor preferia chamar) inter-relacionadas: Das Rheingold (O Ouro do Reno, 1853-1854), Die Walküre (A Valquíria, 1854-1856), Siegfried (1856-1871) e Götterdämmerung (O Crepúsculo dos Deuses, 1869-1874).

 

A arquitectura do teatro de Wagner é sóbria e austera. Num desenho de 1872, no qual se vêem grinaldas e outros elementos decorativos na fachada principal do edifício, lê-se escrito à mão por Wagner: «Die ornamente fort» (os ornamentos fora). Wagner concebeu várias inovações para o seu teatro: para acentuar a ilusão cénica, exigiu que a orquestra fosse situada debaixo do palco, criando assim o fosso de orquestra, tirando-a da vista do público, melhorando o seu som e tornando mais fácil  o trabalho de direcção devido aos cantores ficarem mais à vista; quebrou a estrutura semicircular altamente hierárquica dos teatros tradicionais para que a plateia, disposta num plano inclinado, seja inteiramente frontal e democrática, proporcionando a cada espectador a melhor visão e audição possíveis, independente da categoria do seu bilhete de entrada; desenvolveu um duplo proscénio que, em conjunto com o fosso de orquestra, gera um efeito que o próprio chamou de “abismo místico” entre o público e o palco; introduziu a prática de escurecer a plateia quando o pano de boca do palco sobe, para que o público não se distraia e o palco seja alvo de atenção total. Todas estas inovações contribuíam para a imersão completa do público no mundo imaginário do palco.

 

O teatro Bayreuther Festspielhaus, por ser o mais avançado do seu tempo (sem paralelo também durante várias décadas seguintes à sua construção), exerceu uma marcada influência no desenho dos teatros edificados posteriormente. Richard Wagner é assim, a partir do séc. XIX, uma figura central da arquitectura de teatros.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Otto Brückwald e Richard Wagner | Bayreuther Festspielhaus

Bayreuth – Baviera | 1872-1876

Vistas do teatro antes e depois de 1882:

Antes e depois da adição da entrada privada do rei (Königsbau) à fachada principal curva. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Otto Brückwald e Richard Wagner | Bayreuther Festspielhaus

Bayreuth – Baviera | 1872-1876

Plateia

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Otto Brückwald e Richard Wagner | Bayreuther Festspielhaus

Bayreuth – Baviera | 1872-1876

Duplo proscénio e palco

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

publicado por João Machado às 15:00
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Domingo, 13 de Fevereiro de 2011

Richard Wagner - (22/5/1813 – 13/02/1883)

 

Luís Rocha

 

Richard Wagner, foi compositor, poeta, dramaturgo e ensaísta. Inventor de um novo estilo de ópera, promoveu uma revolução musical, que influenciou músicos de todos os períodos.

Wagner nasceu em 1813 em Leipzig, no leste da Alemanha. Começou a estudar piano e contraponto aos 11 anos.

Estudou na Faculdade de Música de Leipzig, um dos principais centros musicais da época, não tendo terminado o curso. Foi nesta época que começou a compor as primeiras obras. Apreciava e lia as obras de Shakespeare. Sabia de cor as obras de Weber e Beethoven. A filosofia também esteve entre suas paixões.

Em 1848, iniciou o processo de composição do ciclo O anel dos nibelungos, obra com 18 horas de música e constituída por quatro óperas interligadas: O ouro do Reno, A valquíria, Siegfried e O crepúsculo dos deuses.

Richard Wagner viveu em Bayreuth de 1872 até à sua morte, em 1883. Na cidade encontra-se o Bayreuth Festspielhaus, uma casa de ópera especialmente construída para as óperas de Wagner. As últimas obras do compositor tiveram sua estréia neste lugar. Em todos os verões, desde 1876, é organizado o Festival de Bayreuth, conhecido a nível nacional e internacional. Pelo fato da procura por ingressos (aproximadamente 500.000 ao ano) ultrapassar a oferta, já que as 30 apresentações ao ano podem ser oferecidos a somente 58.000 pessoas ao total, há uma lista de espera por bilhetes de 8 a 10 anos.


Antisemita, em 1850, Wagner publicou O judaísmo na música, em que atacava fortemente a influência judia na cultura e na arte alemã. Na publicação, ele retrata os judeus como "ex-canibais, treinados para ser agentes de negócios da sociedade". O nazismo, que viria a dominar a Alemanha apenas no século 20, elegeu o compositor como um exemplo da superioridade da música e do intelecto alemão.

Até 1871, a Alemanha não existia como um Estado unificado. Mesmo que a música sempre houvesse exercido papel predominante na vida germânica, a ausência de uma capital centralizada não possibilitava a existência de uma cidade única, onde se concentrasse a produção artística da época. No século XIX, o sentimento nacionalista vai alimentar, em toda Europa, a busca de uma identidade própria, principalmente no campo da arte.

Foi justamente Richard Wagner, quem contribuiu para a criação de uma identidade nacional alemã. Nome de proa da corrente progressista do chamado "segundo Romantismo", poucos compositores exerceram um impacto tão profundo sobre a história da música.

A Wagner coube a missão de revolucionar a ópera do país e do mundo, tornando-a mais envolvente. A evolução veio não apenas em relação à independência dos modelos estrangeiros, mas também ao transformar a ópera de forma tão inovadora, que acabou por influenciar compositores de todas as épocas.

Wagner foi, desde sempre, um opositor da influência da ópera italiana tradicional. Na sua obra, deu maior destaque à orquestra, escreveu textos de extrema qualidade e introduziu o leitmotiv - pequeno tema que identifica musicalmente situações, personagens e sentimentos-, usado pela primeira vez na ópera Lohengrin (1848). Como temas, adoptou a mitologia germânica e escandinava.

Em relação à harmonia, o compositor também foi revolucionário. O cromatismo -modulação constante de um tom a outro- utilizado em obras no período da sua maturidade, tornou-se base das experiências de toda a música moderna. Não é por acaso que foi consagrado, como Franz Liszt, como um dos criadores da "música do futuro".

 

No auge da fama, Wagner morre devido a problemas no coração, em 13 de fevereiro de 1883. Foi enterrado na sua própria casa em Bayreuth.

 

Obras:
ÓPERAS E DRAMAS:
Die Feen (The Fairies) (1833-34);
Das Liebesverbot (Forbidden Love) (1835-36);
Rienzi (1838-40);
Der fliegende Holländer (The Flying Dutchman) (1840-41);
Tannhäuser (1843-45);
Lohengrin (1846-8);
Der Ring des Nibelungen (The Nibelung's Ring): Das Rheingold (The Rhine Gold) (1853-54), Die Walküre (The Valkyrie) (1854-56), Siegfried (1856-57 and 1864-71), Götterdämmerung (Twilight of the Gods) (1869-74);
Tristan und Isolde (1857-59);
Die Meistersinger von Nürnberg (The Mastersingers of Nuremberg) (1862-67);
Parsifal (1877-82).

ORQUESTRA:
Concert Overture. em D menor (1831),
Concert Overture. em C (1832);
Overture em E menor (1831-32);
Sinfonia em C (1832);
Christopher Columbus (1834-35);
Polonia (1836);
Rule, Britannia (1837);
Faust (1839-40);
Trauermusik (1844);
Träume (1857);
Huldigungsmarsch (1864);
Siegfried Idyll (1870);
Kaisermarsch (1871);
Centennial March (1876).

CORAL:
Weihegruss (1843);
Das Liebesmahl der Apostel (The Love Feast of the Apostles) (1843);
An Webers Grabe (1844);
Kinder-Katechismus (1873).

PIANO:
sonata em Bb (1831);
Lied ohne Worte (1840);
Album Sonata in Ab (1853);
Albumblätter em Ab e C (1861).

CANÇÕES:
Der Tannenbaum (1838);
Les deux grenadiers (1839-40);
Les adieux de Marie Stuart (1840);
5 Gedichte von Mathilde Wesendonck (5 Wesendonck Songs), (1857-58).

ESCRITAS:
My Life (1865-80);
German Opera (1851);
Art and Revolution (1849);
Judaism in Music (1850);
Opera and Drama (1850-1);
The Music of the Future (1860);
Religion and Art (1880);
On Conducting (1869).

publicado por siuljeronimo às 20:00

editado por Luis Moreira às 19:12
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Sexta-feira, 31 de Dezembro de 2010

Um salão na Internet




Um Salão na Internet


João Machado
Para todos um feliz Ano Novo
Venham muitas vezes ao Estrolabio
Passem palavra a todo o nosso povo
A ver se este mundo fica mais sábio
Ao nosso blogue vêm botar discurso
Muitos, de todas as cores e alturas
Trazem poemas, desenhos, pinturas
E entram, sem precisarem de concurso.
Permitam que vos apresente uns versos (bem melhores!) que Richard Wagner pôs Hans Sachs a cantar nos Mestres Cantores de Nuremberga, e Nietzsche cita na Origem da Tragédia:
Amigo, a verdadeira obra do poeta
É anotar e interpretar sonhos.
Acreditai que a ilusão mais certa
Vive no sonho dos humanos.
A arte de versejar e de poetar
É dizer a verdade do sonhar.

FELIZ ANO NOVO! DE TODA A EQUIPA DO ESTROLABIO

publicado por João Machado às 23:55
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