Terça-feira, 25 de Janeiro de 2011

Luta armada contra a ditadura (9) – por Carlos Loures

 

(Continuação)

As ruas e edifícios do centro do Porto ficaram consideravelmente danificados. Edifícios n Praça da Liberdade, os quartéis das três corporações de bombeiros, cafés na Praça da Batalha, onde o palacete dos Guedes onde estavam instalados os C.T.T., semi destruído pelo incêndio provocado por uma granada, um altar da igreja dos Congregados, a estação de S. Bento; o edifício do Governo Civil; o Hospital de Joaquim Urbano; e os hotéis Aliança, à entrada da Rua de Sampaio Bruno, Grande Hotel do Porto, onde uma granada atingiu o quarto do cônsul norte-americano, e o Sul-Americano, na Batalha, que ficou com a fachada crivada de projécteis. Sofreram também grandes danos o Quartel-General e o Regimento de Infantaria 18; o Salão Rivoli, antigo Teatro Nacional; e a Tabacaria Africana, situada ao cimo da Rua de 31 de Janeiro e que vemos na fotografia da «trincheira da morte». O saldo desta primeira grande tentativa de derrube da Ditadura Militar foi, pois, negativo. Iniciou um conjunto de movimentos insurreccionais que ficaram conhecidos pelo Reviralhismo.

Razões para a derrota? Descoordenação evidente entre os dois pólos revolucionários, hesitação e fraca adesão dos militares das unidades de Lisboa que ao atrasarem o desencadear da sedição na capital, permitiram ao Governo gerir os movimentos de tropas, acorrendo ao Norte primeiro e concentrar todas as forças no combate aos entrincheirados no Porto, atacando depois em Lisboa. Passados dias do esmagamento da rebelião nas duas principais cidades, rebentaria uma revolução grande em Lisboa.  Na tarde do dia 9, a posição dos revoltosos era crítica, com os governamentais dominando o Porto e vencendo em Lisboa. Terminada a contenda, os revoltosos derrotados fazem uma análise amarga aos acontecimentos, apontando como principal razão para o insucesso a falta de adesão em Lisboa. O general  Sousa Dias, atribuiu o insucesso «à falta de acção de elementos militares mais do que suficientes para garantir o seu êxito em todo o País, e que no momento necessário faltaram».

Ouçamos de novo palavras das «Memórias do Capitão». Diz Sarmento Pimentel: «Às 8 da noite, na posição de artilharia que estava além do Monte Pedral, despedimo-nos com lágrimas nos olhos e um abraço de fraterna camaradagem, eu, o major Faria Leal, o tenente Seca, o capitão Alcídio da Guarda Republicana, o tenente Mário de Almeida e mais dois outros oficiais cujos nomes esqueci. Combinámos que cada um se esconderia onde pudesse e iria depois, ou entregar-se ou emigrar.» (…) «E encontrei-me só na rua escura e deserta, voltada para os lados de Rio Tinto onde as luzes da povoação marcavam o caminho de Ermesinde e linha do Douro».

 

 

 

 

publicado por Carlos Loures às 12:00

editado por Luis Moreira às 02:53
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