Quarta-feira, 26 de Janeiro de 2011

Luta armada contra a ditadura (10) – por Carlos Loures

Logo no dia 16 de Fevereiro, Raul Proença e Jaime Cortesão, ligados à «Seara Nova» e à estrutura política e militar do movimento, foram demitidos, respectivamente, dos cargos de Director Geral e de Director dos Serviços Técnicos da Biblioteca Nacional. O mesmo aconteceu a muitos outros intelectuais. Em 26 de Março foi criado em Lisboa uma polícia política - a Polícia Especial de Informações, embrião da polícia política do Estado Novo sendo recrutados agentes da extinta Polícia a Preventiva de Segurança do Estado. Em 11 de Abril é criada uma Polícia Especial de Informações no Porto. Em 27 de Maio, o Governo  decretou a dissolução da Confederação Geral dos Trabalhadores. O órgão oficial da CGT, A Batalha, fora assaltado por manifestantes no dia 6 de Maio.

 

Em conclusão: a Revolução de Fevereiro de 1927 foi talvez de uma grande útiidade para o regime que, saído do golpe militar de 28 de Maio de 1926, se ia consolidando, pois lhe permitiu dar vários passos no sentido de instaurar um regime autoritário  que correspondia aos desejos de amplos sectores da sociedade, nomeadamente da Igreja Católica, e das classes possidentes, comerciantes e industriais. Havia também gente que, perfilhando o ideal republicano e democrático, entendia que era tempo de fazer uma pausa e arrumar a casa.

 

O movimento de Fevereiro de 1927 permitiu à Ditadura, como dizia, começar a criar um aparelho repressivo a todos os níveis, aparelho que iria constituir a pedra angular do Estado Novo. Considerando a Ditadura a única alternativa aos caos da Democracia, até alguns republicanos entenderam que este punho firme era a solução para os problemas nacionais. Os que apoiavam a Ditadura, a criação de um Estado autoritário e despótico, não perderam tempo - em a 9 de Fevereiro, ainda se trocava tiros em Lisboa, foi criada a Confederação Académica da União Nacional, o primeiro movimento civil de apoio à ditadura, criado por Vicente de Freitas. Embrião da União Nacional, o partido único que iria durar até 1969, quando Marcelo Caetano o crismou de Acção Nacional Popular, teve desde logo o apoio da imprensa de direita e, claro, da Igreja Católica.

 

No entanto, a Oposição teve também algumas vantagens. Em 12 de Março de 1927 foi criada em Paris a Liga de Defesa da República, integrando exilados políticos de diversas tendências – António Sérgio, Afonso Costa, Jaime Cortesão, entre muitos outros. Mas o chamado «Reviralhismo» não parou – logo em Junho de 1927, com o desacordo dos «liguistas», um grupo de oficiais exilados na Galiza, enviava clandestinamente a Portugal o capitão Jaime de Morais, para tentar chegar a um acordo com a União dos Oficiais Republicanos, dirigida pelo tenente-coronel Ribeiro de Carvalho e pelo comandante Cunha Aragão. Liderado pelo general Norton de Matos, foi criado um comité para uma novo movimento revolucionário.

 

E até à madrugada libertadora de 25 de Abril de 1974, nunca mais se deixou de conspirar e de tentar sacudir a opressão que se abateu sobre o País, suprimindo praticamente a República e instituindo um regime corporativista ao serviço das correntes políticas, sociais, económicas e religiosas mais reaccionárias.

Foi um árduo caminho por uma longa noite que terminou com a Revolução de Abril.

 

Terminou?

 

publicado por Carlos Loures às 12:00

editado por Luis Moreira às 01:46
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Sexta-feira, 28 de Maio de 2010

O golpe militar de 28 de Maio de 1926


Desfile de Gomes da Costa e suas tropas após a Revolução de 28 de Maio de 1926


Carlos Loures

Faz hoje 84 anos.

No dia 28 de Maio de 1926, a partir de Braga, desencadeava-se mais um movimento militar. «Mais um», talvez não seja uma definição correcta para o que aconteceu – este golpe não seria uma intentona vulgar como houvera dezenas desde 5 de Outubro de 1910. Este movimento, modificaria radicalmente o País e influenciaria o curso da sua história durante quase meio século.

A República agonizava, sufocava no vómito de mil e uma dissensões: greves, revoltas, assassínios como os da «Noite Sangrenta», múltiplas conspirações. Na Europa, Portugal era ironicamente designado como o «pequeno México». Até alguns republicanos convictos reconheciam a necessidade de pôr ordem no caos.

Presidia Bernardino Machado. De Braga, nessa madrugada saiu uma coluna militar comandada pelo general Gomes da Costa, herói das campanhas africanas e da I Guerra Mundial. As guarnições militares do Porto, de Coimbra, de Santarém, de Lisboa, de Évora, foram aderindo… Aquilo a que se chamaria a Revolução Nacional, triunfou sem quase um tiro ser disparado.

Dias depois, a 6 de Junho, Gomes da Costa desfilava triunfalmente em Lisboa, na Avenida da Liberdade à frente de quinze mil homens. O povo da capital, aplaudia-o freneticamente. A Revolução Nacional deu passagem à Ditadura Nacional. Os espíritos bem pensantes mantiveram a serenidade – tratava-se apenas de arrumar a casa. Mas depois, em 1933, a Ditadura Nacional, supostamente transitória, dava lugar ao Estado Novo referendado e aprovado pela maioria dos cidadãos eleitores.  Um Estado Novo, corporativista, anti-parlamentar, católico, com alguma inspiração vinda da Itália fascista, dominado por um ditador mesquinho e tacanho que redesenhou o País à imagem da sua aldeia.

Uma longa noite começou nessa madrugada de 28 de Maio de 1926.

Faz hoje 84 anos.

publicado por Carlos Loures às 12:00
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