Sexta-feira, 4 de Março de 2011

Harlan Coben - um Chandler do Século XXI? - por Carlos Loures

 

 

O escritor norte-americano, Harlan Coben (Newark, New Jersey, 1962) é o criador do detective Myron Bolitar – criatura que lhe proporcionou quase três milhões de dólares em royalties por cada livro, 47 milhões de cópias vendidas em 27 línguas… Falo nele, na sequência do que, há dias atrás, disse a propósito de Manuel Vázquez Montalbán e do chamado romance negro, tipo de construção ficcional em que o mistério, tão caro à maioria dos autores de livros policiais, não desempenha qualquer papel. Podemos logo na primeira página saber quem cometeu o crime sem que isso retire um mínimo de interesse à leitura. Harlan Coben é um discípulo aplicado, brilhante mesmo, de Raymond Chandler e de Dashiel Hammett… Parece-me cedo, no entanto, para o colocar na galeria ao lado dos mestres. Prurido que o marketing editorial não comunga.

 

O seu protagonista, Myron Bolitar, entra bem na genealogia que vem de Philip Marlowe e Sam Spade (e passa por Pepe Carvalho). Porém, ao contrário dos seus antecessores, Bolitar é um ex-tenista, movimenta-se em meios sociais diferentes - o mundo do desporto e nos universos paralelos do cinema e da música rock, por exemplo. Digamos que, exteriormente, não é o anti-herói típico, afogando angústias em uísque. A semelhança está na viagem paralela que acompanha a acção, descrevendo-a, mas valorizando mais o percurso interior em que se remoem traumas, fracassos e desilusões.

 

Coben diz que a luta entre a verdade e a mentira marca a maior parte dos seus livros e que lhe agrada essa zona cinzenta do comportamento humano, pois dá muita margem à construção da intriga. As personagens de Chandler são quase sempre heróis que vão sozinhos pela rua transportando um notável vazio interior e que ao tentar passar para o Século XXI esse modelo, lhe apareceu Bolitar, personagem muito menos cool e elegante do que pensara, rodeada de um reduzido, mas fiel grupo de amigos. Bolitar quer fazer bem as coisas, o que nem sempre consegue... Com a idade vai-se tornando mais inseguro perante a vida e que isso, a seu ver, o torna mais interessante como personagem. Um dado interessante na técnica de Coben é que o seu protagonista vai envelhecendo de romance para romance - preocupação que os autores do policial clássico não tiveram. Os seu heróis mantinham sempre a mesma idade.

 

A perturbação emocional das personagens provocada pelo que sucede à superfície, é o aspecto mais importante da obra de Coben. Embora as suas tramas sejam engenhosas e nos prendam até ao último parágraf, e sejam como labirintos em que nunca se sabe como vamos sair. Diz Coben que essa técnica a aprendeu quando, tinha 16 anos, ao ler Marathon man, de William Goldman. Nem apontando-lhe uma pistola o teriam obrigado a abandonar a leitura. Porém, mais do que a acção, interessam-lhe os sentimentos, o elemento humano. O mistério, o inesperado, tudo isso faz falta num romance negro. Mas sem sentimento, diz ele, seria como um carro sem gasolina – não vai a lado nenhum.

 

Tenho lido e apreciado os romances publicados. Em Portugal tem sido a Presença e o Círculo de Leitores a editar as obras de Coben. Não li todos, mas quase: A Última Vez que a Viram, Uma Vida em Jogo, Atirar a Matar, O Atleta Desaparecido, Um Passo em Falso, Não Contes a Ninguém,  A Verdade nos Olhos… Não vejo sinais do «lançamento mundial» do seu décimo livro, Live Wire, realizado ontem ter sido acompanhado em Portugal. Teremos, os que lemos Coben, de o comprar em inglês ou em castelhano (Alta tensión)?

publicado por Carlos Loures às 12:00
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