Segunda-feira, 21 de Fevereiro de 2011

Líbia, Bahrain, Yémen , Iran, Marrocos, Jordânia - AlJazeera em directo

O povo está na rua e a contestação cresce. Há mortos e feridos mas a revolução não pára. O Primeiro Ministro Britânico quer uma transição pacífica dos militares para um governo civil mas sem a participação dos Irmãos Muçulmanos.

 

No Bahrain, a corrida de Fórmula 1 foi cancelada devido aos protestos.

 

No Yemen, líderes religiosos apelam a um governo de salvação nacional.

 

No Irão, muitos dos revoltosos mantêm o silêncio para evitar dar pretextos aos militares de atirar a matar como já fizeram centenas de vezes.

 

No Egipto, há uma enorme confusão no Canal de Suez

 

Siga tudo na Aljazeera clicando nos links.

publicado por Luis Moreira às 18:00
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Terça-feira, 25 de Janeiro de 2011

O homem é de Boliqueime

Luis Moreira

 

É um pecado original, o homem nasceu no meio das hortas e no cheiro da gasolina. Ia todos os dias de comboio para a escola, passava o dia fora de casa, ao primeiro chumbo o pai meteu-lhe nas mãos uma enxada, passava as férias numa praia ali perto, diz um dos amigos que, com ele, partilhou as viagens de comboio.

 

Não teve amas, nem tios brasonados, nem tias professoras de liceu que lhe aguçassem o prazer da leitura, trabalhou que nem um danado para tirar médias muito altas no curso e no doutoramento em York ( cidade medieval linda e bem conservada), não teve tempo para ler Thomas Mann nem os Lusíadas, ou leu-os a correr porque tinha muitos livros técnicos  para ler e para escrever ( foi editado várias vezes em Inglaterra e nos US).

 

Isto, num país de "snobeira" é coisa que não se perdoa, pode lá ser, não é letrado, não lê os "grandes", fala mal, é tímido, tem dificuldade em se relacionar. Os "nossos" que frequentaram Paris, Argélia, com ancestrais ingleses, duques e marqueses, com biblioteca lá em casa que o avô lhes abriu de par em par, professores que alargaram horizontes, tios políticos da República, amas para levar o "menino" à escola, isso sim é que é gente preparada para ser Presidente da República.

 

Convencidos que é isto que faz da Presidência da República uma coisa sua, não estiveram com meias, o BPN, a "Coelheira", para mostrar que ele também é  suspeito, é  como os "nossos", não está acima da podridão , campanhas negras para todos é democrático.

 

E, como responde este povo que não sabe distinguir entre um "labrego de Boliqueime" e um gajo com pergaminhos, sangue azul?

 

Dá-lhe a maioria à primeira volta!

 

O inculto de Boliqueime tem as deficiências de quem teve que subir a vida a pulso? Tem os horizontes afunilados por uma matéria académica que estudou quase em exclusivo? E isso vê-se? Pois vê! Mas o que me afasta dele ( que me afastou) não foram as suas evidentes dificuldades de discurso e sua óbvia impreparação no mundo da cultura, das artes, da música, da história, da literatura. Foi o seu evidente caracter conservador . Não é capaz de tirar as ilações dos principios e práticas que nos levaram a esta crise, nem fará nada para mudar aquilo que está, obviamente, mal. Bem pior do que acreditar nos mercados, nos efeitos das dívidas, dos déficites e de tudo o que enforma a economia de mercado, Cavaco, acha que não há cenários alternativos, que tudo o que acontece é uma espécie de "mal divino" e que não vale a pena lutar contra isso, porque o que temos apesar das crises e dos pobres e desempregados, é o caminho certo .

 

Ora, isso não é verdade, nem a presente faze da evolução da humanidade é a última , bem pelo contrário, há muito caminho a percorrer, com fé e esperança. Cavaco Silva, acha que não, que vai ser assim para todo o sempre! É, essa, componente conservadora do seu caracter  que considero muito nefasta,mais do que ser ideologicamente de direita..

 

Há muita gente conservadora, considerando-se ideologicamente de esquerda. O melhor exemplo são os que perante o colapso dos estados literalmente de cócoras diante dos poderosos com dinheiro, continuam a tudo remeter para um estatismo serôdio que esmaga a sociedade civil.

 

publicado por Luis Moreira às 13:00
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Sexta-feira, 21 de Janeiro de 2011

ASSOCIAÇÃO 25 DE ABRIL - saudação ao povo da Tunísia

ASSOCIAÇÃO 25 DE ABRIL     

Pessoa colectiva de utilidade pública (Declaração n.º 104/2002, DR - II Série, n.º 91 de 18 de Abril) • Membro honorário da Ordem da Liberdade



Saudamos o povo Tunisino que acaba de tomar o futuro nas suas mãos derrubando o regime que há tanto tempo o oprimia.

 

Saudamos a coragem, a determinação e a solidariedade de todos, e em particular dos jovens, que não se deixaram intimidar nem pela repressão sanguinária que se abateu sobre manifestantes pacíficos e desarmados, nem pelos esbirros do antigo poder que tentaram semear o caos após a fuga do general Ben Ali.

 

Saudamos com respeito todas as vítimas dos últimos sobressaltos de um regime repudiado pela grande maioria dos Tunisinos.

 

Associamo-nos à alegria dos Tunisinos e desejamos que continuem a ter sucesso no desmantelamento do sistema policial corrupto e injusto e na edificação de um estado democrático, tolerante e aberto às reivindicações de liberdade e de justiça social que foram expressas com força e dignidade ao longo destas últimas semanas.

 

Agradecemos ao povo da Tunísia este elan de esperança, que já ultrapassou as fronteiras do vosso país, e que constitui um exemplo e um encorajamento para todos os que lutam por um mundo melhor, menos sujeito aos poderes do dinheiro e das armas.

 

A Associação 25 de Abril, que congrega a maioria esmagadora dos militares que em 25 de Abril de 1974 derrubaram a mais velha ditadura da Europa e permitiu a Portugal juntar-se ao concerto das democracias, dedicam um pensamento especial aos seus camaradas Tunisinos, que honraram as melhores tradições e valores militares recusando atirar sobre os seus concidadãos, desejando-lhes que consigam manter a via aberta para que a vontade popular possa exprimir-se e assim construir um regime político livre e justo.

 

Sabemos, por experiência própria, que os próximos tempos serão difíceis, que haverá dúvidas, armadilhas, talvez mesmo desilusões, mas a liberdade e a dignidade reencontradas iluminarão o vosso caminho.

 

Fazemos votos para que a Revolução do Jasmim tenha o sucesso da Revolução dos Cravos, dando origem a um estado democrático e de direito.

 

O Presidente da Direcção

 

 

Vasco Lourenço

publicado por Luis Moreira às 00:50
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Sexta-feira, 7 de Janeiro de 2011

Cidade Maravilhosa – 4– por Sílvio Castro

(Continuação)

A “Cidade Maravilhosa”, além do seu natural e quotidiano ritmo de vida expressiva, agora convive igualmente com esse acentuado clima de contestação política. A contestação é tão forte que então ninguém conseguia ver claramente o que poderia acontecer com a eleição presidencial de 1955.

Para mim, que devo iniciar minha carreira de ensino, o começo de 1955 se apresenta difícil; difícil encontrar um lugar amplo de trabalho; difícil estabelecer-me com alguma certeza em um determinado posto. Foi então que, de repente, surgiu o primeiro desses postos. Mas, para confirmar as muitas situações de excepção em que me encontrava no início de uma carreira ainda desconhecida, recebo o convite para ensinar Filosofia para as turmas de 2º. e 3º. Anos do 2º. Grau do Colégio Feminino La-Fayette.

publicado por Carlos Loures às 20:00

editado por Luis Moreira às 12:01
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Terça-feira, 23 de Novembro de 2010

Evento da Literatura Portuguesa - Guerra Junqueiro -


Luis Moreira

Não sei se é um evento ou se é conforme a ideia inicial, mas caramba, como posso eu fazer melhor? Não é um evento lembrar que esta choldra sempre foi assim? E que ao ler este texto de 1896, percebemos o que é cultura, o que é o génio, que é capaz de antecipar, retratar de uma forma perfeita as raízes de todo um povo, que conquistou o mundo novo e, ao mesmo tempo, deixar-se explorar sem dó nem piedade por meia dúzia de corporações, sempre as mesmas penduradas nas mordomias que só a miséria da maioria pode suportar?



"Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio,

fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora,

aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias,

sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice,

pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas;

um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai;

um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom,

e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que

um lampejo misterioso da alma nacional,

reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta.


Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula,

não descriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha,

sem carácter, havendo homens que, honrados na vida íntima,

descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas,

capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira à falsificação,

da violência ao roubo, donde provém que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral,

escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro.


Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo;

este criado de quarto do moderador; e este, finalmente,

tornado absoluto pela abdicação unânime do País.


A justiça ao arbítrio da Política,

torcendo-lhe a vara ao ponto de fazer dela saca-rolhas.


Dois partidos sem ideias, sem planos, sem convicções,

incapazes, vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos,

iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero,

e não se malgando e fundindo, apesar disso,

pela razão que alguém deu no parlamento,

de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar."


Guerra Junqueiro, 1896.
publicado por Luis Moreira às 22:30
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Sábado, 28 de Agosto de 2010

Povo, Povo - Exposição no Museu da Electricidade

António Sales

Na comemoração dos cem anos da implantação da República, está patente no Museu da Electricidade, em Belém, uma exposição cujo ponto de partida, como refere o catálogo, é responder “De que falamos quando falamos de Povo?”. A partir desta premissa temos a oportunidade de recordar e viver com esse Povo que, entre nós, ao longo do século XX, sofreu de múltiplas maneiras a sua condição de que hoje somos reflexo como POVO também.

Vale a pena ir lá ver e deambular por este conjunto diverso de peças onde encontramos trabalhos em fotografia, desenho, pintura, multimédia, documentos escritos de personalidades, obras de escritores retratando a história de uma nação, ou seja: «Esta gente cujo rosto / Às vezes luminoso / E outras vezes tosco / Ora me lembra escravos / Ora me lembra reis.» (Sophia de Mello Breyner Andresen , in “Geografia”, Lisboa: Edições Ática 1967).

O pessoal cá do Estrolabio não perderá o seu tempo em pôr-se ao caminho sem stress. Aqui encontramos o povo das ceifas, da pesca, do carvão; aquele que abria valas nas cidades a “pá e pica” ou batia a pedra da calçada portuguesa dos passeios com maços de cinco quilos (uma jornada a puxar pelo lombo e a ganhar uma miséria). Vemos os pobres que vivem pobres, comem como pobres e como pobres vestem, enfarruscados, boné na cabeça, garrafão de cinco litros de vinho, rostos duros e crianças a trabalhar, personagens da Londres de Charles Dickens e não desta terra ensolarada e vistosa que realizou em 1940 a Grande Exposição do Mundo Português. Mas também nos encontramos com os mais bem vestidos, com as classes que progrediram e não emigraram, os que vão ao banhos a Cascais e trabalham em escritórios na Baixa porque também eles Povo… um certo Povo. E os soldados que partiram para as colónias e lá combateram e morreram enquanto aqui se discursava pelo amor à Pátria. Havia a Mocidade Portuguesa, as madrinhas de guerra, as mensagens dos soldados para as famílias, a censura prévia e os cantores de intervenção. Tudo isto e muito mais sabemos que havia mas as mais novas gerações não sabem sem que disso tenham culpa porque qualquer pessoa com 30 anos ainda andava a passear noutra galáxia à espera da sua oportunidade para nascer.

As descobertas de um século que contribuiu para o progresso do POVO com a electridade, os electrodomésticos, a televisão, o telefone, a máquina de lavar roupa, o automóvel, a publicidade. A mudança social que a máquina de escrever provocou no segmento feminino. As lutas contra o regime de Salazar e o 25 de Abril com as transformações, convicções e erros que com essa data histórica se seguiram. Já não há vagonetas para encher de carvão e empurrar por mãos humanas, nem marçanos a trabalhar das 8 da manhã às 10 da noite, nem aquela fome miserável de 1920, nem guerra, nem analfabetos, nem os dolorosos rostos embrulhados em xailes negros e lenços pela cabeça com os olhos saindo das órbitas como se tivessem pavor de viver e as rugas vincando uma malha de sofrimento como se esse fosse um destino inalterável do nascimento à morte.

Quando cheguei ao fim desta exposição estava angustiado.

Não terá sido, provavelmente, esse o objectivo dos organizadores, mas tinha a sensação que, afinal, apesar do 25 de Abril os governantes de ontem e os de hoje, o POVO de ontem e o de hoje, ainda não conseguiram os primeiros fazer sair os segundos da merda onde sempre vivemos atolados.

Vale a pena lá ir. Já agora pode aproveitar para visitar o Museu da Electricidade e a exposição de dos presidentes das República. É tudo à Borla. Viva a República!



Informações:

Exposição POVO,POVO

Museu da Electricidade até 19 de Setembro

Av. Brasília, Central Tejo

Eléctrico 15 – Autocarros 28, 714, 727, 729, 751

Comboio: Cais do Sodré – Belém

Todos os dias 10 – 18 horas / Sábados 10 – 20 horas

Aconselho a comprar o catálogo da exposição: custo € 5,00

Entrada Livre

Tempo necessário: Povo + Automóveis + Museu = 2.1/2 – 3 hor
publicado por Carlos Loures às 19:30
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