Quarta-feira, 20 de Abril de 2011

Um soneto de Camões

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Um mover d'olhos, brando e piadoso,
sem ver de quê; um riso brando e honesto,
quase forçado; um doce e humilde gesto,
de qualquer alegria duvidoso;

um despejo quieto e vergonhoso;
um repouso gravíssimo e modesto;
ũa pura bondade, manifesto
indício da alma, limpo e gracioso;

um encolhido ousar; ũa brandura;
um medo sem ter culpa; um ar sereno;
um longo e obediente sofrimento;

esta foi a celeste fermosura
da minha Circe, e o mágico veneno
que pôde transformar meu pensamento.

 

 


Este soneto de Camões é um dos que melhor representa a poesia da medida nova, assim chamada por ser feita sob a influência renascentista, e em contraposição à poesia da medida velha, inspirada na canção popular tradicional. O soneto foi introduzido em Portugal por Francisco Sá de Miranda (c.1490 - c.1558), após a sua longa estadia em Itália. Camões foi um grande cultor desta forma, denotando a influência de Petrarca (1304-74), quando aborda os temas do amor e da mulher, desviando-se por vezes ao utilizar fórmulas mais terrenas, diferentemente do italiano. Recorde-se também Alma minha gentil, que te partiste, que terá sido feito em honra da recém-falecida Dinamene. Outro tema que inspirou Camoes foram as grandes mudanças e o desconcerto do mundo, que se sentiam na vida da época, sendo exemplo Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades.

publicado por João Machado às 10:00
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Segunda-feira, 7 de Março de 2011

De Camões i el seu temps. Poesia sense fronteres (per Josep Anton Vidal)

Aquest espai està dedicat a tots els amics d'Estrolabio i, de manera molt especial, als qui segueixen el nostre bloc des de les terres de parla catalana. Aquí parlarem de cultura lusòfona i de cultura catalana, i de les qüestions i els problemes que ens afecten als uns i els altres.

 

 

Tanto do meu estado me acho incerto

 Luis de Camões

 

Tanto de meu estado me acho incerto,
Que em vivo ardor tremendo estou de frio;
Sem causa, justamente choro e rio,
O mundo todo abarco e nada aperto. 1

É tudo quanto sinto, um desconcerto;
Da alma um fogo me sai, da vista um rio;
Agora espero, agora desconfio,
Agora desvario, agora acerto.

Estando em terra, chego ao Céu voando; 2
Numa hora acho mil anos, e é jeito
Que em mil anos não posso achar uma hora.

Se me pergunta alguém por que assim ando,
Respondo que não sei; porém suspeito
Que só porque vos vi, minha Senhora. 3

 

            

 

És tanta la incertesa en què ara em veig

 

És tanta la incertesa en què ara em veig,

que en viva ardor, gelat de fred, tremolo;

sense cap causa, alhora ric i ploro;

e tot lo món abraç e no estrenc res. 1

 

Tot el que sento és un desconcert;

de l'ànima em surt foc, un riu dels ulls;

ara cerco conhort, ara no en vull,

ara desvariejo, ara tinc seny.

 

Fermat en terra, pujo al cel volant; 2

una hora em són mil anys, i és de manera

que ni en mil anys una hora no m'és bona.

 

Si em demanen raó del meu estat,

responc que no ho sé pas; però he de creure

que és sols perquè us he vist, a Vós, Senyora. 3

 

            Luís de Camões

            Trad.: Josep A. Vidal

 

Si el lector ho vol, després de deixar-se seduir per la musicalitat, la sensualitat i la bellesa dels versos de Camões (1524-1580), pot parar esment a aquests versos (1, 2) i entretenir-se breument en alguna precisió erudita per, després, poder fer volar la imaginació i eixamplar la seva mirada cap a espais més oberts que els que es tanquen en l'estretor –física i mental– dels mapes polítics.

 

Coneixia Camões, quan va escriure aquests versos, la "Cançó d'opòsits" del poeta valencià Jordi de Sant Jordi?... Vegem-ne un fragment (http://www.rialc.unina.it/164.17.htm):

 

Tots jorns aprench e desaprench ensemps,
e visch e muyr, e fau d’enuig plaser,
axi mateix fau de l’avol bon temps,
e vey sens ulls e say menys de saber,
e no strench res e tot lo mon abras, 1
vol sobre·l cel e no·m movi de terra,
2
e ço que·m fuig incessantment acas

e·m fuig aço que·m segueix e m’afferra.


Jordi de Sant Jordi, nascut al País Valencià probablement el 1399 o el 1400,  fou cambrer reial en la cort d'Alfons el Magnànim. Fet presoner per les tropes de Francesco Sforza l'any 1423, va escriure el poema "Lo presoner" (que podem sentir cantat per Raimon en una versió de extraordinària musicalitat http://www.goear.com/listen/aae00b3/desert-damics-raimon-jordi-de-sant-jordi), un cant elegíac que constitueix la part més coneguda de la seva obra, en la qual destaca el poema "Estramps" (http://www.escriptors.cat/autors/jdsjordi/poemes.html). Va morir l'any 1424.

 

No hi ha probablement cap document que permeti acreditar que Camões hagués llegit Jordi de Sant Jordi. I naturalment tampoc no n'hi ha que permetin afirmar el contrari. Però, el més probable és que l'un i l'altre haguessin llegit Petrarca, i, pel que fa als versos que comentem del poeta portuguès i del poeta català, el sonet CXXXIV del "Canzoniere" (http://www.liberliber.it/biblioteca/p/petrarca/canzoniere/pdf/canzon_p.pdf):

 

Pace non trovo, et non ò da far guerra;

e temo, et spero; et ardo, et son un ghiaccio;

et volo sopra 'l cielo, et giaccio in terra; 2

et nulla stringo, et tutto 'l mondo abbraccio. 1

 

Tal m'à in pregion, che non m'apre né serra,

né per suo mi riten né scioglie il laccio;

et non m'ancide Amore, et non mi sferra,

né mi vuol vivo, né mi trae d'impaccio.

 

Veggio senza occhi, et non ò lingua et grido;

et bramo di perir, et cheggio aita;

et ò in odio me stesso, et amo altrui.

 

Pascomi di dolor, piangendo rido;

egualmente mi spiace morte et vita:

in questo stato son, donna, per voi. 3

 

                        Francesco Petrarca

 

 

 

publicado por Josep Anton Vidal às 11:00
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