Domingo, 13 de Março de 2011

O petróleo envenena a humanidade, por Jim Ash [*]

Reproduzimos este artigo devido à sua importância. Com a devida vénia a Jim Ash, ao Asia Times, à Margarida Ferreira e ao Resistir. Vamos procurar o livro do Peter Mass.

       

 

 

Uma coisa que se torna clara quando lemos o Crude World: The Violent Twilight of Oil é que o subtítulo é enganador. Um crepúsculo violento? O leitor pode julgar que vai ser levado ao terreno do escritor James Kunstler, que defende que a escassez global de petróleo, que se avizinha, vai virar do avesso as nossas vidas que assentam no petróleo, e fazer com que as famílias, desamparadas, fiquem dependentes das suas hortas para sobreviver. 


Mas, na verdade, em Crude World, o jornalista americano Peter Maass está a transmitir uma mensagem diferente. Tal como Kunstler, parece que Maass acredita na teoria do Pico do Petróleo, ou seja, acha que os dias de petróleo relativamente barato estão a chegar ao fim. Mas, em vez de considerar esse crepúsculo como um desastre, parece que Maass o considera uma bênção salvadora. Vai forçar-nos a acabar com a nossa dependência de uma substância que tem envenenado o nosso meio ambiente e a nossa política, e tornado a vida muito pior para milhões de pessoas.

Para Maass, o petróleo é uma maldição. Esta parece ser uma afirmação bastante justa, pelo menos sob certos aspectos. Pouca gente afirmará que o petróleo e os seus subprodutos não são destrutivos para o ambiente, por exemplo. Mas Maass vai mais longe, e segue em direcções inesperadas, para mostrar que – a partir do momento em que é extraído do solo, durante toda a cadeia até ao momento em que é despejado no enorme tanque de gasolina de um veículo utilitário – o petróleo é um autêntico veneno.

E faz isso guiando o leitor numa visita por todo o mundo que o petróleo criou – o nosso mundo. E certamente parece ser o homem certo para um guia de viagem bem informado. Correspondente da velha escola, Maass viajou aos lugares mais perigosos do mundo para revistas como a Atlantic Monthly e a Slate. Pelo caminho, fez uma cobertura completa da guerra na Bósnia e transmitiu a sua experiência num livro chamado Love Thy Neighbor: A Story of War.

O método que usou em Crude World é uma série de instantâneos de diversas partes do mundo, demonstrando os modos como o petróleo afectou esses lugares. Os títulos dos capítulos que Maass utiliza para esses instantâneos – tais como 'Pilhagem', 'Contaminação' e 'Miragem' – ilustram bem quais são as suas conclusões.

Um pouco de sabedoria convencional que rapidamente é eliminada é a noção de que o petróleo é uma bênção para os países que possuem grandes reservas. Maass defende de modo convincente que quase nunca isso é verdade. Observa a experiência de países pobres como a Guiné Equatorial e a Nigéria para demonstrar que – no fim de contas – estariam melhor se deixassem ficar o petróleo debaixo do chão. Os únicos verdadeiros beneficiários foram as grandes companhias petrolíferas que os invadiram para explorar as novas 'apostas', e os governos tortuosos desses países e os seus amigalhaços, que enriqueceram com a maior parte dos direitos.

Maass explica como a própria extracção cria poucos postos de trabalho para os nativos dos países pobres dada a natureza pouco vulgar da indústria do petróleo: não é trabalho intensivo e os trabalhadores que utiliza precisam de ter aptidões especializadas, coisa que as grandes empresas petrolíferas acham mais fácil conseguir através de apoios importados da Índia e das Filipinas. Os únicos nativos que habitualmente ali trabalham são as prostitutas que afluem às cidades criadas pelo processo de extracção.

Mas Maass não ergue o machado contra os habituais suspeitos na história do petróleo, as gigantescas petrolíferas ocidentais como a Shell, a BP e a Chevron. Claro que o comportamento delas é frequentemente repreensível, e Maass fornece pormenores em abundância nesta área. Mas elas apenas fazem o que se exige que as empresas façam legalmente – maximizar os seus lucros – nalgumas das regiões mais corruptas do mundo. E Maass argumenta que as companhias nacionalizadas que as estão a substituir enquanto principais produtores mundiais, as CNOOC's e as Gazprom's, são exactamente tão gananciosas, resistentes às regulamentações e predatórias para o ambiente.

A recusa desapaixonada de Maass em individualizar os vilões é uma das forças de Crude World. Para ele, o problema não é uma determinada empresa, um país ou uma pessoa. Na verdade, o autor sabe que as pessoas e as suas instituições são gananciosas e de vistas curtas. O problema é a própria substância pegajosa: o petróleo. Enquanto concentração de pura riqueza e poder, o petróleo é simplesmente demasiado perigoso de manipular, porque maximiza todas as nossas piores tendências. O petróleo é como o anel de Sauron na trilogia de Tolkien; até mesmo os que tentam usar o seu poder para o bem acabam por ser arrastados para o lado mau.

Outro dos pontos importantes do livro é a forma cortante como está escrito. Mesmo que não concordemos com Maass, sentimo-nos obrigados a acabar a visita apenas para ficar a saber mais sobre as suas observações cínicas e cortantes. A perícia do autor como estilista é realçada num capítulo chamado 'Desejo', sobre o sangrento empenhamento da América no Iraque nas últimas décadas. Em 37 páginas, é uma mini proeza que rebenta com outro mito tão acarinhado quanto à obsessão dos EUA em relação ao Iraque: que tudo gira à volta do petróleo.

Claro, escreve Maass, o petróleo foi obviamente um factor dos ataques americanos ao Iraque. Mas há alguma coisa que não tenha sido um factor? A sua análise do desastre da ocupação americana, em que a única refinaria de Bagdad não foi devidamente protegida e foi completamente vandalizada por assaltantes, sugere que talvez não tenha havido uma lógica perfeita por detrás da invasão do Iraque. Conforme Maass escreve notavelmente na conclusão desse capítulo:

 

Nem os motivos de Cheney [Dick, o antigo vice-presidente dos EUA] nem os motivos da administração em que prestava serviço, podem ser resumidos numa só palavra. WMD [armas de destruição maciça], democracia, religião, Édipo, petróleo – a América era como um embriagado a remexer num molho de chaves durante a noite. (pg. 161)

 

E quanto ao crepúsculo do petróleo? Conforme referido atrás, Maass subscreve a teoria do Pico do Petróleo. Defende que a produção global do petróleo já ultrapassou o pico porque o fruto pendente – o petróleo de alta qualidade nos campos de superfície facilmente acessíveis – já foi colhido. O que resta é mais difícil, mais perigoso e mais dispendioso de extrair.

Isto significa que, no futuro, acidentes como o de Deepwater Horizon – que vomitou quantidades assustadoras de petróleo no Golfo do México – passarão a ser mais vulgares à medida que as gigantescas petrolíferas explorarem fontes cada vez mais marginais na tentativa de manter o seu ritmo de produção. Mas até mesmo isso não será suficiente, porque o consumo global vai continuar a aumentar. O resultado será o aumento em espiral do preço do barril e o fim da era do petróleo barato.

Onde é que estes factos nos levam? Onde devíamos ter estado logo de início, segundo Maass: num "mundo em que a prioridade não seja obter petróleo mas passar sem o petróleo". Maass não é Kunstler: acha que o crepúsculo do petróleo vai demorar anos, o que significa que temos tempo para evitar as previsões mais apocalípticas de Kunstler. E Maass acredita que já temos toda a tecnologia necessária para começar a transição para um mundo pós-petróleo. O que tem faltado até aqui é a vontade. Felizmente, não vamos ter possibilidade de escolha durante muito mais tempo.

 

publicado por João Machado às 15:00

editado por Luis Moreira em 12/03/2011 às 23:50
link | favorito
Segunda-feira, 7 de Março de 2011

O petróleo envenena a humanidade

Enviado por Julio marques Mota
 
por Jim Ash [*]

Crude World: The Violent Twilight of Oil.

 

Uma coisa que se torna clara quando lemos o Crude World: The Violent Twilight of Oil é que o subtítulo é enganador. Um crepúsculo violento? O leitor pode julgar que vai ser levado ao terreno do escritor James Kunstler, que defende que a escassez global de petróleo, que se avizinha, vai virar do avesso as nossas vidas que assentam no petróleo, e fazer com que as famílias, desamparadas, fiquem dependentes das suas hortas para sobreviver.

Mas, na verdade, em Crude World, o jornalista americano Peter Maass está a transmitir uma mensagem diferente. Tal como Kunstler, parece que Maass acredita na teoria do Pico do Petróleo, ou seja, acha que os dias de petróleo relativamente barato estão a chegar ao fim. Mas, em vez de considerar esse crepúsculo como um desastre, parece que Maass o considera uma bênção salvadora. Vai forçar-nos a acabar com a nossa dependência de uma substância que tem envenenado o nosso meio ambiente e a nossa política, e tornado a vida muito pior para milhões de pessoas.

Para Maass, o petróleo é uma maldição. Esta parece ser uma afirmação bastante justa, pelo menos sob certos aspectos. Pouca gente afirmará que o petróleo e os seus subprodutos não são destrutivos para o ambiente, por exemplo. Mas Maass vai mais longe, e segue em direcções inesperadas, para mostrar que – a partir do momento em que é extraído do solo, durante toda a cadeia até ao momento em que é despejado no enorme tanque de gasolina de um veículo utilitário – o petróleo é um autêntico veneno.

E faz isso guiando o leitor numa visita por todo o mundo que o petróleo criou – o nosso mundo. E certamente parece ser o homem certo para um guia de viagem bem informado. Correspondente da velha escola, Maass viajou aos lugares mais perigosos do mundo para revistas como a Atlantic Monthly e a Slate. Pelo caminho, fez uma cobertura completa da guerra na Bósnia e transmitiu a sua experiência num livro chamado Love Thy Neighbor: A Story of War.

O método que usou em Crude World é uma série de instantâneos de diversas partes do mundo, demonstrando os modos como o petróleo afectou esses lugares. Os títulos dos capítulos que Maass utiliza para esses instantâneos – tais como 'Pilhagem', 'Contaminação' e 'Miragem' – ilustram bem quais são as suas conclusões.

Um pouco de sabedoria convencional que rapidamente é eliminada é a noção de que o petróleo é uma bênção para os países que possuem grandes reservas. Maass defende de modo convincente que quase nunca isso é verdade. Observa a experiência de países pobres como a Guiné Equatorial e a Nigéria para demonstrar que – no fim de contas – estariam melhor se deixassem ficar o petróleo debaixo do chão. Os únicos verdadeiros beneficiários foram as grandes companhias petrolíferas que os invadiram para explorar as novas 'apostas', e os governos tortuosos desses países e os seus amigalhaços, que enriqueceram com a maior parte dos direitos.

publicado por Luis Moreira às 20:00
link | favorito
Terça-feira, 11 de Maio de 2010

Manchas negras

Uma mancha negra vem-nos dos USA, pelo mar, do petróleo cada vez mais fundo e cada vez mais caro. E cada vez mais perigoso e mais dificil de tirar. E vem-nos do sul!

A outra mancha negra vem-nos do norte, pelo ar , mais mediática porque os seus efeitos são imediatos, para hoje, enquanto a mancha negra petrolífera vai estragar durante dezenas de anos, mas no futuro!

Tudo acontece neste planeta louco, sem sentido, com o homem a arrebentar com a sua própria casa, como se fosse preciso ajudar a natureza que tem e não prescinde das suas incontornáveis fantasias.

Nos dois últimos anos tivemos e continuamos a ter uma mancha negra que arrasou empresas, empregos e países. Ainda perdura, muitas malfeitorias continuam a acontecer por sua causa, mas há quem faça de conta que não existe e que nunca existiu. Logo que possível, os restos de petróleo são escondidos das vistas, mas lá no fundo, segue o seu caminho inexorável destruindo a vida.

A mancha negra da natureza só deixa alguns aviões no chão e algumas pessoas a gozar mais uns dias de férias, não prejudica a saúde, se não tivessemos pressa, a mancha negra da natureza nem seria um contratempo. É a natureza a relaxar, a renovar-se, a encontrar as condições para a vida, ao contrário da que vem do sul que destrói a vida.

Mas o homem não aprende, já há quem mergulhe nas manchas, amanhã já cá não estamos, há que ganhar dinheiro, muito dinheiro, tanto, que nem o conseguimos gastar, mas que importa, afinal, não sabemos fazer mais nada.
publicado por Luis Moreira às 14:00
link | favorito

.Páginas

Página inicial
Editorial

.Carta aberta de Júlio Marques Mota aos líderes parlamentares

Carta aberta

.Dia de Lisboa - 24 horas inteiramente dedicadas à cidade de Lisboa

Dia de Lisboa

.Contacte-nos

estrolabio(at)gmail.com

.últ. comentários

Transcrevi este artigo n'A Viagem dos Argonautas, ...
Sou natural duma aldeia muito perto de sta Maria d...
tudo treta...nem cristovao,nem europeu nenhum desc...
Boa tarde Marcos CruzQuantos números foram editado...
Conheci hackers profissionais além da imaginação h...
Conheci hackers profissionais além da imaginação h...
Esses grupos de CYBER GURUS ajudaram minha família...
Esses grupos de CYBER GURUS ajudaram minha família...
Eles são um conjunto sofisticado e irrestrito de h...
Esse grupo de gurus cibernéticos ajudou minha famí...

.Livros


sugestão: revista arqa #84/85

.arquivos

. Setembro 2011

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

.links