Os nossos "beligerantes" Adão e Carlos têm que ver este fime, tão simples, tão belo, com meia dúzia de personagens e um diálogo tão rico e imagens tão belas.
Vês este quadro, até há 50 anos atrás milhares de pessoas vieram vê-lo, uma obra prima que arrancava emoções profundas nos visitantes do museu. Agora descobriu-se que é uma cópia, ou melhor, descobriu-se o original,será que a cópia deixou de arrancar emoções aos visitantes? Qual é a obra de arte? É o que está ali no quadro ou o que cada um de nós vê nela? Vês aquela estátua ali defronte, um homem e uma mulher abraçados, ela com um sorriso de felicidade a inundar-lhe o rosto enquanto repousa a cabeça, docemente, no ombro do homem? Pergunta aqui a este casal que ainda agora tão bem descrevia a cena. Bem, não foi bem isso que disse, recorde, foi mesmo agora, o que vê na estátua? Pois, diz , a força convincente do homem que oferece abrigo....
É tudo tão simples e nós tornamos tudo tão complexo, uma criança diz "vamos todos morrer mais tarde ou mais cedo" e, todos nós, o mandamos calar, mas se for um filósofo a dizer a mesma frase, colocamos uma lápide no seu sepulcro. É tudo tão simples...
Foste tu que casaste comigo há quinze anos e foste embora, estás ausente das nossas vidas, ou és tu que sempre faltaste, que deverias ter sido o pai do meu filho? Só quero que me abraces, vais ver que tudo volta a ser simples, a vida é dos simples, de quem se contenta com tudo o que gosta e que luta para ter tudo o que gosta...sim, eu sei, tu só te queres a ti, o teu comboio parte às 9 horas...
E, eu, não seria tudo tão simples, se ao entardecer comprasse o bilhete, me emociona-se com um filme tão belo e não vie-se de lá com um aperto no coração por causa da Juliette Binoche?