Terça-feira, 14 de Dezembro de 2010

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A Arte (4)  (Uma visão pessoal)




Adão Cruz


Aqui chegados, embora por caminhos muito simplistas, não é difícil compreender que esta criação mental gerada a partir das coisas e da Natureza, transformadas pelo mundo interior do artista e plasticamente traduzidas em beleza por mãos ensinadas quer geneticamente quer de forma adquirida, só ganha vida se correr pelas suas veias o sangue da poesia. Por isso eu digo que a poesia é a alma de qualquer obra de Arte. A poesia percorre transversalmente qualquer forma de expressão artística, e seja qual for essa forma, plástica, literária ou musical, só é expressão artística se contiver dentro de si a essência poética, essa mágica, nobre e sublime forma de expressão da vida. Arte e beleza são uma espécie de irmãs gémeas.

A beleza pode considerar-se a corporização da Arte. A beleza reflectida à nossa volta não é mais do que a imagem do espelho que reflecte a Arte contida dentro de nós mesmos, como organização estética do nosso interior e da nossa vida. É ela que nos faz imaginar, pensar, sonhar e criar. A falta da apreensão da beleza e a ausência da reacção emotiva da sua percepção leva a que tudo à nossa volta seja inestético, desadequado e agressivo, daí decorrendo uma construção negativa do nosso mundo interior. A falta de apreensão ou a degradação do conceito de beleza implica uma igual degradação da forma de sentir e de existir, por perda do nosso interesse estético sobre o mundo e as coisas, e do mundo e das coisas sobre nós próprios. Sem este impacto estético não há forma simples e positiva de ver a vida e entender a Arte.

A obra de Arte, neste caso a pintura, assenta em três pilares fundamentais: a Natureza ou a sua imitação, o material da construção plástica e a expressão própria do autor, ou seja, a realidade, a beleza e a poesia. Conforme as aspirações de cada época, de cada grupo, ou de cada indivíduo, de acordo com a sua própria natureza, os seus propósitos, as suas tendências ou a sua inspiração, qualquer destes elementos pode ser preferido e elevado aos primeiros planos da realização, ou relegado para planos de menor ou ínfimo destaque. Apesar de haver, desde há muitos anos, uma tendência a menosprezar o Realismo e o Naturalismo, e a considerá-los não-Arte ou Arte menor, não parece possível, dentro da nossa realidade humana, e dentro da mínima exigência pictórica, prescindir de qualquer um destes pilares, por mais naturalista, abstracta ou conceptual que seja a obra. Cézanne dizia que na pintura existem duas coisas, olhos e cérebro. Entendia ele que uma inteligência artística que não seja acompanhada pelo estudo da Natureza é uma mera abstracção desprovida de valor, e dizia ainda que o conhecimento da realidade não é contemplativo mas nasce da vontade de apropriação. Vendo bem, não há um verdadeiro realista, a não ser que não conseguisse, minimamente, manifestar a sua própria existência, assim como não há um verdadeiro abstraccionista, capaz de unir o absurdo ao absoluto.
publicado por Carlos Loures às 23:55
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