Quinta-feira, 18 de Novembro de 2010

Lançamento do livro «Escolha da Escola - Descobertas e Conclusões». hoje às 18 horas

Como temos informado, realiza-se hoje, 18 de Novembro, pelas
18:00, na Escola Secundária Rainha D. Amélia, Rua Jau, 1349-002 Lisboa, o lançamento do livro Escolha da Escola - Descobertas e Conclusões, de Herbert J. Walberg. O autor estará presente. Todos os olaboradores e leitores do Estrolabio estão convidados.

O livro é editado pelo


FÓRUM PARA A LIBERDADE DE EDUCAÇÃO (FLE)


Rua Dr. José Joaquim d’Almeida, 819 2775-595 Carcavelos Portugal tm 91 706 69 78 e-mail secretariado@fle.pt http://www.fle.pt/




Ainda hoje, apresentaremos uma sinopse desta obra.
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publicado por Carlos Loures às 09:00
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Quinta-feira, 16 de Setembro de 2010

Testemunho

Eva Cruz


Leccionei 36 anos, aposentei-me há nove. Vivi intensamente todas as reformas, algumas revolucionárias, de todo este processo. Continuo a interessar-me por esta matéria, mas confesso, já não com o afinco e a devoção com que a acompanhei quando estava no activo.

Fui aluna no Velho Regime, passei pelos crivos apertados de um liceu Carolina Michaelis, de uma Universidade de Coimbra, formatei-me no Estágio Clássico, fiz Exame de Estado. Leccionei e tive cargos na organização direccional da Escola Velha, como a considero.

Apesar de reconhecer que foi essa Escola que me deu o saber, julgo que foi também ela que, com os seus defeitos, me abriu os olhos e a mente para desejar que nunca mais volte. Digo isto, porque a atoarda de que “noutros tempos sim”, de que “hoje não há respeito por nada, nem por ninguém”, traduz, em alguns casos, um saudosismo de uma Escola que já não serve. A Escola do Velho Regime tinha muitos defeitos. Potenciava e gerava desigualdades, desprotegia os mais fracos, calava as ideias e camuflava a verdade com a hipocrisia.

Surgiu a abençoada Revolução do 25 de Abril, que pôs fim a uma ditadura obsoleta e a uma guerra cruel que deixou marcas profundas na pele dos que com ela sofreram, que foi o meu caso. Brilhou então a luz, e o sol entrou na escola inóspita e bolorenta, transformando-a. A Escola Democrática foi assim sendo construída passo a passo por professores, sindicatos, ministérios, alunos e outros intervenientes no processo.

Surgiu a Lei de Bases do Sistema Educativo, conquistou-se o Estatuto da Carreira Docente, criaram-se órgãos pedagógicos importantes e a gestão Democrática da Escola. Foram 35 anos de lutas e conquistas de grandes pedagogos, grandes pensadores e corações generosos, rumando à construção de uma Escola Nova, a Escola do Saber Ser, assente em projectos de cidadania e felicidade humana.

Sabem hoje todos os professores e alunos que apontaram o barco nesse rumo, avaliar o que a Escola de hoje vai perdendo. Digo isto porque, apesar de um tanto alheada do Ensino, vejo tantos atropelos e vejo tanta conquista ir por água abaixo, sem saber a troco de quê. Só a título de exemplo, o que incomodava uma Gestão Democrática? Porquê o Director? Saudades do velho Reitor? O modelo da Gestão Democrática tinha algumas lacunas, mas este é pior porque concentra o poder numa só pessoa. Um órgão colegial serve melhor a democracia, distribuindo e equilibrando poderes. Fora os outros perigos que daí hão-de resultar. Ao que parece, nem benefícios económicos tal alteração trouxe para o país.

Há sem dúvida uma visão tecnocrática da Escola. Hierarquiza-se , burocratiza-se, rotula-se em rankings manipulando estatísticas, desenvolvendo competições com causas e consequências negativas para um Ensino sério. A Escola não é uma empresa. É uma organização com um estatuto muito próprio, onde os recursos materiais e humanos têm de ser orientados de forma singular no sentido de conseguir os seus nobres objectivos, formar pessoas, seres livres e pensantes.

Quanto à avaliação, para já é preciso saber distinguir entre avaliação e classificação. Sou pela primeira e contra a segunda. A avaliação teve sempre para mim uma carga valorativa e pedagógica em detrimento da carga punitiva. Avalie-se antes de mais o Sistema, incluindo os Ministérios e os Ministros da Educação. A arrogância não leva ao diálogo, nem ao esclarecimento. Ministros há que nem a sua própria língua usam com correcção. Erros de conjugação de verbos, de construção de frases não abonam muito em seu favor em campo nenhum e muito menos no da Educação. Avalie-se a Escola, avalie-se os professores e exija-se na sua formação, não só científica mas também humana.

Para além de saber a ciência que ensina, o professor tem de ser um bom pedagogo. Para além de outros atributos, o professor tem de saber exprimir-se bem por escrito e oralmente. O escrever e falar bem não deve ser apanágio só dos professores das Humanidades, mas de todos. Há profissionais tecnicamente competentes mas incapazes de passar o seu pensamento para um texto escrito ou discurso oral. Exprimir-se bem é pensar bem. Aí se revela o espírito de análise, de síntese, de concatenação de ideias, de lógica, de ordem. E é preciso criar nos alunos essas competências de escrever e falar bem.

Aposte-se no perfil do professor. Exija-se na sua formação inicial e contínua mas com seriedade. Valorize-se a profissão. Vale a pena o investimento. Melhorando a Educação, melhora a Saúde, a Justiça, melhora a Vida. É preciso dar à Escola capacidade para ver mais longe, com outra amplitude, a fim de que, analisando em profundidade e com verdade, aposte numa nova ética da Educação.
publicado por Carlos Loures às 16:30
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Sábado, 14 de Agosto de 2010

Autonomia para as escolas...


Luís Moreira


Vai fazendo o seu próprio caminho, a ideia da autonomia para a escola pública. Contra quase todos! Desde logo de quem não é necessário na escola mas vive dela. Os burocratas do Ministério da Educação e dos Sindicatos.Nunca ninguem os ouviu falar de autonomia, porque isso está contra o seu poder que usam e abusam. Mas há cada vez mais pessoas a lutar pela autonomia. Leiam esta carta de Rui Silvares que tudo indica ser um professor:

"....Talvez seja tempo de exigir que seja dada verdadeira e total autonomia às escolas portuguesas.O ministério deverá garantir o funcionamento do sistema, deixando para os conselhos de escola a responsabilidade de decidir sobre questões práticas em termos curriculares e de funcionamento das aulas.No final de cada ano lectivo e nos anos terminais dos ciclos de ensino básico e secundário, é desejável que o ministério organize e imponha exames nacionais com o objectivo de nivelar resultados.Nessas ocasiões, cada escola terá uma prova da qualidade do sistema que criou e será obrigada a assumir o sucesso ou insucesso do trabalho das suas estruturas particulares."

"...O Ministério da Educação e as suas tentaculares direcções regionais são absoletos, estão ultrapassados, não funcionam convenientemente e fazem mais mal que bem ao sistema do ensino português,"

O autor só se esqueceu dos sindicatos que têm co-governado a educação em Portugal e têm tanta culpa como o Ministério, sem um não vivem os outros e, é por isso, que nunca ninguem os ouviu falar em autonomia da escola.Mas o que tem que ser acaba por vingar, só é pena que pelo caminho fiquem os despojos da vaidade, da arrogância, da preguiça e da ignorância.

Há muitos anos que me bato pela autonomia das escolas, já aturei muito preguiçoso à espera que passem os anos para subir na carreira, muito ignorante que diz que não pode haver avaliação nas escolas e, também, gente bem intencionada que tem como horizonte de vida as quatro paredes de uma sala de aula.
publicado por Luis Moreira às 13:30
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Terça-feira, 3 de Agosto de 2010

A Ministra da Educação precisa de um estrolabio



Luís Moreira

Para calcular a altura das estrelas e assim conseguir encontrar o caminho, vamos oferecer-lhe um estrolabio, talvez passe a pensar antes de falar, é que assim ainda vai dar razão aos sindicatos. E se os sindicatos sem razão já fazem o barulho que fazem, vejam o que será com razão.

Então agora ninguem chumba? A tendência para neste país se nivelar tudo por baixo é uma tentação, chama-se "igualitarismo", passam todos,é uma espécie de vitória em vitória até ao desemprego final, ninguem quer os nossos alunos,não sabem ler e contar, quer dizer, já não sabem, agora vamos oficializar o assunto. Não conseguimos ter uma boa escola? Deixa de haver chumbos!

Assunto resolvido, melhora tudo de uma penada, estatísticas incluídas, essas chatas que nos mantêm no fundo da tabela, nós que somos tão bons, somos um ministério cheio de "sabichões", os professores são do melhor, os funcionários, as políticas, tudo é bom só os alunos, esses malandros, é que são maus. A culpa é dos pais, do ambiente, das instalações, do "fast food", tudo coisas que não podemos controlar.

Como não podemos exterminá-los e, como, ano após ano, não conseguimos melhorar o ensino, já tentamos tudo, até já andarmos em guerra com os sindicatos a fazer de conta que não há escolas nem alunos, só nos resta oficializar os chumbos!

E, mais, na próxima vamos fazer uma manifestação unitária!

PS: Calculo que a ideia possa ser haver aulas de apoio aos alunos com ritmos de aprendizagem diferente, mas anunciar que deixa de haver chumbos, é a melhor maneira de matar a ideia à nascença.
publicado por Luis Moreira às 11:00
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Quinta-feira, 22 de Julho de 2010

PSD - é bom poder optar...



 Luís Moreira


Há quem diga que o PSD apresenta estas propostas encostadas muito à direita, para ter margem de negociação. Na altura de negociar o Orçamento, vai às trocas com o PS, dá cá esta alteração na Constituição que eu dou-te folga no Orçamento. Pode ser, até pode ser que esteja a tirar força ao povo, porque agora quem quer mudar de governo tem que ir para eleições, e se for com o Presidente, a ter essa possibilidade,abre a porta aos arranjinhos de gabinete.

Mas no que diz respeito à Saúde, a coisa é mais séria,há muito quem não entenda que o que está em cima da mesa é a sustentabilidade do Serviço Nacional de saúde.E com um SNS a funcionar como até aqui, não tem futuro, há que salvá-lo. Como? Complementando-o com os privados. Dizem-me que isso seria aceitar uma saúde para os pobres e outra para os ricos. Já há! E sabem porquê? Porque o SNS não se aguenta sendo" universal e tendencialmente gratuíto".

O que está verdadeiramente em equação é haver uma boa saúde gratuíta para quem não pode pagar, essa é que é a questão! Os ricos terão sempre uma boa prestação de cuidados de saúde, se não for aqui no país, é num sítio qualquer, têm dinheiro, vão onde é preciso, o Estado tem é que assegurar que os pobres sejam beneficiados com a prestação de bons cuidados de saúde. E, isso, só é possível, se o Estado tiver meios de equipamento, instalações e humanos do melhor. Não os poderá ter se continuar a querer prestar todos os cuidados médicos a toda a população.

Quanto à Educação, as escolas privadas não deixam de crescer, resultado da inexorável degradação da escola pública, que é pasto de lutas corporativas, experiências pedagógicas votadas ao fracasso e ao arrepio dos verdadeiros interesses dos alunos.É, bem melhor,que o estado tome a iniciativa de promover uma concorrência transparente e deixar as famílias optar.

Defender a escola pública e o Serviço Nacional de Saúde , bem como o Estado Providência, não é querer que o estado preste serviços universais que são impossíveis de prestar com qualidade é, antes, promover as medidas necessárias para que o Estado assegure os direitos conquistados, mas sem precisar de os prestar na sua totalidade..
publicado por Luis Moreira às 13:30
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Sexta-feira, 2 de Julho de 2010

Maria de Lurdes Rodrigues em livro.




Luís Moreira
Quatro anos e sete meses, o mais extenso mandato nos últimos anos como ministra da Educação.Escolheu 24 medidas e o programa "Novas oportunidades" como as mais representativas. Destaca a introdução do Inglês no 1º ciclo; os cursos profissionais no ensino secundário para os alunos que abandonavam o ensino;e o programa "novas oportunidades" para os adultos com déficite de escolarização.

Reconhece que grande parte das medidas inovadoras foram lançadas na escola pública depois de terem sido implementadas na escola privada, como a escola a tempo inteiro no pré-escolar e no 1º ciclo e as aulas de substituição.

"A Escola Pública pode fazer a diferença " é um livro para o futuro, para mostrar que é possível fazer política obtendo resultados, não é um livro de memórias , mas de descrição de políticas".
publicado por Luis Moreira às 16:30
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Sábado, 26 de Junho de 2010

90% de chumbos na Ordem dos Advogados!



Luís Moreira

Para além do curso e do estágio, o licenciado em Direito, para ter acesso à profissão, tem que passar num exame promovido pela Ordem. Chumbaram 90% dos inscritos no acesso ao estágio!

A Ordem diz que este resultado não é mais que a falta de nível dos cursos administrados que lança no mercado de trabalho gente mal preparada. Os alunos dizem que isto é só uma forma de a Ordem filtrar e controlar o excesso de advogados a exercerem a profissão.

O que parece, é que o problema deve ser atacado ao nível das Universidades que facultam estes cursos, pois o que há a verificar é se quem lecciona e o que se lecciona é ou não credenciado. Cursos que são reconhecidos pela Ministério da Educação não são suficientemente credenciados para a Ordem?

Se o problema é o excesso de profissionais, aí temos um problema de mercado a que há que dar resposta, ou avisando os alunos para não procurarem aqueles cursos, ou alargando as profissões que exijam a licenciatura dando assim, maior saída aos jovens.

Se há cursos a mais ou vagas a mais então o Ministério da Educação tem que adequar a oferta com a procura e não deixar que milhares de jovens andem no engano a tirar um curso sem saídas profissionais.

90% de chumbos? Senhor Bastonário Marinho  Pinto eu não sou advogado, já perdi uma accção em tribunal por não ter dinheiro suficiente para contratar advogados capazes, por isso compreendo muito bem a sua preocupação, mas algo está errado nisto tudo! E não vá pelo caminho mais fácil, é por isso, por escolhermos o "facilitismo" que chegamos a este ponto tão baixo!
publicado por Luis Moreira às 11:00
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Terça-feira, 8 de Junho de 2010

Carta do Professor Raúl Iturra a José Sócrates

Senhor Primeiro-Ministro – com respeito, mas com firmeza:

A frase que intitula este texto acabou por ser famosa quando escrevi uma carta aberta à anterior Ministra da Educação. Era minha para ela. Mas, desta vez, a frase continua a ser minha para ser usada por si.

É sabido que governa em minoria e de todo não tem tido nenhuma ideia sábia na nomeação dos ministros do Ministério da Educação. O que aconteceu que a anterior ministra, já é parte da História, nem vale a pena lembrar mais, está em todos os blogues, sítios da Internet, da nossa curta cadeia de comunicação. Era mais fácil e rápido telefonar e dizer-lhe as minhas palavras. No entanto, a palavra escrita perdura, enquanto as faladas as leva o vento, ou são manipuladas ou esquecidas. O respeito e a firmeza não são palavras minhas para si. É uma frase para o Senhor Primeiro-Ministro nunca esquecer: respeito pelos seus eleitores e firmeza nas suas decisões.

Respeito pelos seus eleitores, parece-me que tem, apesar de muitos falarem mal de si, especialmente os seus colegas dos partidos da esquerda portuguesa, e ainda mais os seus rivais que lhe disputam o poder, do CDS-PP e do PSD. Dá-me a impressão que nenhum deles tem visto, nem está muito interessado, o que acontece na educação no nosso País. Bem sei, pelos meus antigos estudantes, hoje deputados da nossa Assembleia, que visitam os seu eleitores, sobretudo, em períodos pré eleitorais, mas sei também que os melhores informadores dos deputados são os jornais que lêem, os jornalistas que comentam e os noticiários da rádio e das televisões. Foi Mário Soares quem inaugurara o que passaram a ser as Presidências Abertas. Bem como Jorge Sampaio. Eram programadas, avisadas atempadamente, e eles ouviam e debatiam ao pé do rio, à sombra das árvores de um mato, e o Presidente enviava o que entendesse à Assembleia. Na maior parte dos casos, eram as problemáticas do povo que tinha depositado neles a sua Soberania, para a Assembleia legislar. Como também faz o Senhor PM.

Visita, ouve, está informado, como se fosse um Primeiro-ministro em trabalho de campo, como fazemos nós, os Antropólogos, especialmente os que dedicamos o nosso saber à Educação e à etnopsicologia da infância.
É assim que o PM, como tantos de nós, sabe que a população escolar tem a tendência para diminuir. Este País é cada vez mais de velhos e concentrado em centros urbanos que proporcionam trabalho, como, entre outros, Lisboa, Porto, Braga, Bragança.

A minha surpresa foi grande, como deve ter sido a sua, ao reparar que em sítios como Os Vales, em Alfândega da Fé, ou Cotas, Alijó, Vila Real, as escolas tinham um número mínimo de estudantes que até a professora se aborrecia. Sítios do Norte e do Sul do país, têm a tendência a diminuir a sua população escolar. A professora dos Vales tinha 8 estudantes, de diferentes graus de ensino básico e devia repartir-se entre os mais novos que não sabiam ler e escrever, e os mais crescidos, que precisavam da história, da matemática e da geografia. No sítio em que fiz e faço o meu trabalho de campo em Portugal, Vila Ruiva, Concelho de Nelas, nos anos 80 do Século passado, havia pelo menos quatro docentes para uma população escolar de mais de quarenta estudantes de diversos ciclos, enquanto na Vila de Senhorim, da mesma Freguesia, havia um infantário com oito pequenos e pequenas e uma escola com quatro estudantes. Vila Ruiva tem 12 aldeias e nem todas têm escola. Como, aliás, acontece em vários sítios do país. Facto que me faz lembrar o desenvolvimento da Espanha, nos anos 70, quando estudava as formas de pensamento das crianças das Paroquias galegas. O Ministro da Educação do Ditador, Fraga Iribarne, teve a sagacidade de concentrar em Agrupamentos Escolares as crianças de todas as pequenas aldeias na vizinhança de Vilatuxe, como em outras Paroquias.

Dividiu o país em Agrupamentos até cem estudantes que cursavam, desde o ensino básico até ao secundário, no mesmo local, vindos desde as suas distantes aldeias, para a mais central, a de Vilatuxe. Ou no Chile, onde, também, estudei crianças que frequentavam o ensino desde a primeira classe até finalizarem o Secundário. A regra nestes países, era calcular as distâncias, nem longe nem perto, dando origem à organização de um segundo mapa desses países: o mapa académico. Esta concentração escolar obrigou as autoridades a construírem vias de asfalto necessárias aos autocarros que transportavam os estudantes. A jornada de estudos começava às 8 da manhã e terminava às 15. Os que moravam mais distantes, podiam optar pelo regime de internato, os almoços eram da responsabilidade das escolas, um comer proporcionado pelo Estado, o que baixava os custos do lar destinados à educação.

É aí onde, Senhor Primeiro-ministro, deve ter firmeza. Em Portugal, nesta nova etapa, cada vila ou aldeia vai disputar a primazia para acolher o agrupamento escolar. Haverá as que, pouco preocupadas, sem sítios nem condições para dar as aulas o reivindicarão. O seu dever é dividir o mapa escolar do país conforme as distâncias e a população a servir.

Atenção Senhor PM: não se deixe amedrontar. O investimento não é em submarinos nem em TGVs: é para aumentar o saber das nossas crianças, o futuro da nossa nação, o investimento mais importante do Estado
Crianças que devem estudar para aprenderem e orientarem os destinos da nação e não serem apenas passadas de um para outro ano escolar, sem serem examinadas. A minha querida Ana Benavente, quando foi Secretária de Estado para o ensino básico, criou um sistema no qual todos passavam para o ano seguinte, com exames no fim desse ciclo. Grande fracasso: o que se sabia no último ano, era o que se lembrava. O resto, era História.

Deve ter respeito e firmeza no processo que eu denomino ensino - aprendizagem, com debate entre docentes e pais dos estudantes. A sua Ministra é uma excelente escritora, mas para a educação…!!!! Porquê sempre senhoras que de educação nada sabem e não planificadores, economistas, arquitectos, engenheiros, para construírem a base da nova forma de ensinar com entusiasmo e prática?

Não se amedronte, Senhor Primeiro-ministro: estude os exemplos fornecidos, nomeie uma comissão parlamentar de terreno, não de Assembleia, capaz de se deslocar aos sítios e responsável para delinear uma nova escolaridade, com docentes e cientistas da Educação a orientarem.

Esse é o seu dever. Se assim o não fizer, o seu governo vai cair e os seus rivais da direita, vão investir em prédios e pouco em profissionais. As universidades têm cursos de Antropologia e Sociologia da Educação: tome essa vantagem.

Boa sorte para si e tenha a força suficiente para consultar docentes e espertos em educação para um novo mapa do país: o da Educação.

O seu constituinte
Professor Doutor Raúl Iturra
Catedrático ISCTE-IUL
Entopsicólogo
Criador da Antropologia da Educação em Portugal
publicado por Carlos Loures às 15:00
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Segunda-feira, 7 de Junho de 2010

Encerrar escolas!



 Luís Moreira


A frase dá arrepios, num país onde a juventude está tão mal preparada e as regiões desertas. A desertificação irá acentuar-se, tudo porque é necessário poupar uns tostões,enquanto se esbanjam milhões em gabinetes com doze motoristas, assessores, consultores externos, frotas automóveis, megainvestimentos que ninguem sabe muito bem para que servem.

Dizem-nos que os resultados escolares são muito baixos nestas escolas quando comparados com escolas com mais de 20 alunos e com professores especialistas nas diversas matérias.Não sei se é assim, estamos mais que avisados que as razões, os estudos, os gráficos e os relatórios aparecem sempre a dizer o que quem paga quer que digam. Uma escola perto de casa, sem deslocações, num ambiente conhecido, com professores conhecidos das autarquias e das famílias parece ser o quadro ideal para que jovens de menos de 12 anos possam tirar o melhor aproveitamento.

A ministra, diz que cada caso é um caso, serão estudados um a um com as autarquias e os pais. As autarquias se não tiverem um olhar medíocre e vesgo sobre o assunto, podem ter uma palavra de grande valor , mas se a sua visão for a de poupar uns patacos, serão os alunos a sofrer com o encerramento das escolas.

É dificil perceber que nas autarquias, onde apareceram empresas como cogumelos a fazerem o que as Câmaras sempre fizeram,com administrações de boys e girls a ganharem balúrdios, não possam manter as suas escolas e os seus mais jovens filhos junto de si. A seguir aos filhos irão os pais logo que puderem, e os primos e as tias e os vizinhos...

O mesmo partido que enche a boca com a regionalização ( mas devagarinho...) é o mesmo que mais contribui para a desertificação do interior do país, fechando Centros de Saúde e escolas !
publicado por Luis Moreira às 13:30
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