Quarta-feira, 20 de Abril de 2011

A Ordem dos medicos contra a vinda de medicos estrageiros por Luis Moreira

Estamos a importar médicos de vários países, da América do Sul que falam espanhol e facilmente se adaptarão à nossa língua. Não há, pois, mal nenhum.

 

O mal é que foi a corporação de interesses dos médicos que impediu há 20 anos atrás que alunos extraordinários, com notas de 19 valores, entrassem nas faculdades de Medicina com a desculpa que havia médicos a mais.

 

Claro que isto permitiu que os barões da medicina, continuassem a ter vários empregos altamente remunerados!

 

Bastaria fazer algumas contas para se saber que a presente falta de medicas era inevitável, mas isso não interessou nem a médicos  nem a políticos, o interesse nacional perde sempre, quem manda são as corporações que vivem penduradas no estado.Agora a aflição leva a que se chamem médicos que já estão reformados, recebendo vencimento e pensão do mesmo patrão, o estado.

 

Outro tanto se diga que, no mesmo pacote de cegueira corporativa esteve a não autorização para a abertura de Faculdades de Medicina em Universidades Privadas e, mesmo a abertura das Faculdades de Medicina na Cova da Beira e em Braga, só foi conseguida quando o desastre estava mais que anunciado.

 

Os jovens portugueses para alcançar o sonho que lhes era negado por razões corporativas no seu próprio país tiveram que arribar a Espanha, Hungria e por outros países.

 

Aqui neste país ingovernável nem é preciso esperar muito tempo para se perceber porque foram tomadas determinadas decisões que tanto favoreceram uns tantos e tanto defraudaram a maioria, no caso, utentes e jovens.

 

Claro que a Ordem dos médicos e sindicatos dos médicos não se lembram de nada!

publicado por Luis Moreira às 16:00
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Quarta-feira, 30 de Março de 2011

Lançamento de "Nas Margens da Medicina"

 

 

 

 

 

 

 

publicado por João Machado às 10:30

editado por Carlos Loures às 14:06
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Quinta-feira, 13 de Janeiro de 2011

Cuba - investigação médica no topo mundial

Há poucos dias dei aqui conta do falhanço do sistema de produção do regime Cubano que vai despedir 1.300.000 pessoas que trabalhavam como funcionários públicos. Espera-se que estas pessoas possam criar o seu próprio emprego e aumentar a produção de produtos e bens essenciais, mormente na agricultura e pescas.

 

Ontem correu a notícia que a investigação médica Cubana, após porfiados esforços ao longo de quinze anos conseguiu obter uma vacina terapêutica do cancro do pulmão, um dos cancros mais letais e que mais tem aumentado nos últimos anos, especialmente entre as mulheres, resultado do seu apego ao tabaquinho.

 

Não se pode ler estas duas notícias sem um sentimento de espanto. No mesmo país, não se produzem batatas, agriões e tomates, não se pesca peixe suficiente, mas a sua medicina é do mais avançado a nível mundial. Aqui está uma lição que as experiências dos países comunistas nos deixaram. A iniciativa privada é essencial, não só porque não há Estado que tenha capacidade de ocorrer às inúmeras actividades que uma economia saudável comporta, mas também porque a liberdade de iniciativa é uma componente fundamental da liberdade da sociedade civil.

 

Da mesma forma, mas de sentido contrário, a crise que assola os mercados ocidentais, desfazendo economias e empregos aos milhões, mostra bem que não se pode esperar da iniciativa privada que se autodiscipline no sentido do interesse geral.É o lucro que faz mover as pessoas e não o interesse geral, pelo que os Estados não podem deixar nas mãos dos mercados e dos especuladores as actividades que, pelo seu perfil estratégico, possam influenciar a vida de milhões de seres humanos.

 

A crise em que estamos mergulhados é o resultado, não só da ganância das pessoas, mas também do falhanço dos estados que não regularam, não supervisionaram. Que o estado se dedique às actividades que só ele pode, com independência, executar!

publicado por Luis Moreira às 13:00
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Quarta-feira, 29 de Dezembro de 2010

A vida por um fio

Adão Cruz

                                       Opistótono,  (óleo sobre tela, de Charles Bell, 1809).

        
Eu acabara de comer a canja. Na minha juventude, os casamentos da minha aldeia tinham canja, frango estufado com ervilhas e vitela assada. Mas nem ao frango eu cheguei. Alguém me veio chamar para ir ver uma mulher que estava muito mal, lá para os confins da Serra da Gralheira.
Enfiei-me no meu velho Hillman Minx e fui até Junqueira, no alto da serra, onde um homem me esperava. Daí em diante o trajecto seria feito a pé por montes e vales. Quase uma hora depois chegámos a um casebre, em cima uma humilde habitação e em baixo o curral da vaca

.
Uma mulher ainda nova jazia numa enxerga, em posição de opistótono. Uma posição em que o corpo se encontra arqueado, em forma de gatilho de espingarda, apoiado apenas pela nuca e pelos calcanhares, em razão de uma forte contractura dos músculos da espinha. Logo deduzi tratar-se de uma meningite grave ou de um tétano em estado avançado. Após algumas perguntas a duas ou três pessoas que rodeavam a cama, cheguei á conclusão de que seria mesmo um tétano, cuja porta de entrada dos esporos e da toxina teria sido uma cova de um dente, escarafunchada com um pau do quinteiro da vaca.
Fiquei paralisado, e senti-me, eu próprio, por momentos, com todo o meu corpo em contractura. Outra coisa não era de esperar num jovem médico, receoso e perdido no fim do mundo, perante situação tão inesperada quanto complicada. Sentei-me num pequeno banco e pensei: se tentasse retirar dali a mulher, para onde a levaria? Os únicos hospitais que havia ficavam muito longe, em Águeda ou no Porto, o velho Santo António. A mulher teria de ser transportada em padiola até onde pudesse ser recolhida por uma ambulância, se existisse. Mas nestes estados, todos os movimentos e estímulos agressivos são perigosos. Aos trambolhões pelos caminhos da serra, seria profundamente penoso e poderiam facilmente ocorrer fracturas, nomeadamente da coluna. Além disso, como pressupunha que a doente, naquele estado, tinha lavrada a sua sentença de morte, achava tal decisão injusta, imprudente e mesmo atrevida para a época.
Decidi fazer ali mesmo tudo o que estivesse ao meu alcance. Felizmente, para sorte dela, os músculos respiratórios não tinham sido afectados, e, por outro lado, para minha sorte, havia entre as pessoas presentes, um rapaz que tinha sido enfermeiro na tropa.
Precisávamos de uma algália, de uma sonda nasogástrica para alimentar a doente, de soros, de antibióticos, de relaxantes musculares, de sedativos, de clisteres, de seringas e agulhas, de álcool e outros desinfectantes. Precisávamos, acima de tudo, de soro antitetânico, embora, numa fase tão avançada, a sua eficácia fosse mais do que duvidosa. E aqui é que residia o grande problema. Uma dose de 300.000 unidades não existia em lado nenhum. Só num hospital central. Nas farmácias das redondezas havia ampolas de 1500 unidades, utilizadas na profilaxia. Por mais ampolas que conseguíssemos, só por milagre juntaríamos tal dose.
Mãos à obra. O enfermeiro que tinha em Junqueira uma motorizada, correria todas as farmácias que houvesse no concelho de Arouca e Vale de Cambra. Pelo meu lado, iria a Sever do Vouga, S. João da Madeira e Oliveira de Azeméis.
Era já noite quando chegámos de novo à beira da doente. Trazíamos dois caixotes cheios, daqueles que, antigamente, constituíam as embalagens de sabão amarelo. Conseguimos tudo o que queríamos, menos a dose necessária de soro antitetânico que se ficou pela metade, não chegando a 100 ampolas.
Ao ver a doente algaliada, com a sonda nasogástrica no nariz, com uma garrafa de soro em cada braço, com tanta agulha espetada nas veias, nos músculos dos braços e na face lateral das coxas, um a encher seringas e outro a injectar, o enfermeiro, de olhos desmesuradamente abertos, disse-me ao ouvido: - Sr. Doutor, eu nunca vi fazer tal coisa - ! Ao que eu respondi: - Pois eu também nunca na vida fiz tal coisa -!
Lá para a meia-noite, com as mais pormenorizadas indicações e todas as recomendações possíveis ao valioso enfermeiro, caído do céu, abandonei o local, com todas as esperanças de rastos, mas com uma sensação de alívio que me havia de acompanhar durante muito tempo.
Um mês depois, a doente passou no meu consultório a caminho de Fátima, a pé, trazendo-me um queijo.
publicado por Carlos Loures às 22:00
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Segunda-feira, 6 de Dezembro de 2010

O Paquete (estória já antiga mas bem actual)

Adão Cruz

O Paquete entrou ontem no serviço de urgência, inchado como um tonel, tenso como um balão a que só falta o alfinete para estoirar. Fígado, pulmões, ventre de pandeiro, tudo está encharcado como uma esponja, por um coração entupido.

Sem ar, como se morresse afogado, ou, dentro da linguagem médica, como peixe fora de água. Insuficiência cardíaca grave, insuficiência cardíaca descompensada, anasarca, os vários termos para rotular o sofrimento atroz de um jovem sem culpa, igual a tantos outros que jogam ténis.

Socorrido na primeira fase de compensação, e um tanto aliviado, é internado para estudo. Hoje de manhã veio fazer um ecocardiograma.

O Paquete tem vinte e seis anos e uma cara aciganada, morena de si e roxa da cianose. Começou a trabalhar como moço de trolha aos treze anos, vergado ao peso da tábua e do balde. À força de cachaços lá se erguia quando aninhava com o abafa. Nunca alguém o levara ao médico.

Não tive coragem de colher a sua história antes desta idade, a história da sua infância. A meio do exame diz-me o Paquete, a medo e quase em segredo: sr. doutor estou à rasca para mijar. Deixe-me ir mijar, pelas almas.

No meio de tais máquinas, perante aquela gente de bata branca que ele nunca vira mais gorda, o sofrimento da sua vida levava-o a pensar que pedir para mijar era quase um crime.

O Paquete tem uma gravíssima estenose mitral, com severa insuficiência mitral e tricúspide, e um coração do tamanho de uma melancia. Está numa fase inoperável, a rebentar pelas costuras. Se operado fosse, tudo não passaria de remendo em calças a desfazer-se.

Sem a mínima ideia do que se passa, ele submete-se, humilde, desconfiado, medroso como sempre aconteceu em toda a sua vida. Tem medo que lhe ponham a tábua à cabeça ou o balde na mão. E com aquela falta de ar! Ele que sempre pediu para o deixarem respirar um pouco, antes do peso de outra tábua e de outro balde.

O Paquete nunca fora ao médico e nunca ninguém lhe dera a mão para se erguer. Todos lhe esfacelaram o coração e a vida até rebentar! Pobre Paquete! Pobre barco tão frágil!

Com as lágrimas nos olhos saí do hospital e escrevi esta história de hoje, de há séculos. Escrevo-a em especial para os meninos e jovens que brincam, que jogam, que sonham, e que vão ao médico.
publicado por Carlos Loures às 19:00
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Segunda-feira, 22 de Novembro de 2010

Abaixo de deus...acima de deus

Adão Cruz


Quando temos a sorte de fazer um diagnóstico correcto, sobretudo em situações graves, e conseguimos equacionar uma terapêutica adequada que resolva a situação, quase sempre o doente ou a doente diz: abaixo de deus foi o sr. dr. quem me salvou.

Não há muito tempo, uma doente minha e minha amiga, foi acometida de um síndrome coronário agudo grave, o que significa uma obstrução importante de uma artéria coronária, ou seja, uma situação de quase enfarte do miocárdio extenso. Teve a sorte da artéria recanalizar parcialmente, evitando, por assim dizer, o descalabro. No entanto, o perigo persistia, com a possibilidade de recidiva a cada momento. Isto é, a espada mantinha-se bem afiada por cima da cabeça. Por duas vezes recorreu ao hospital e por duas vezes recorreu ao médico assistente. Com toda a negligência e incompetência, quer num caso quer noutro, deram-lhe uma palmadinha nas costas e mandaram-na embora.

Resolveu vir ter comigo. Sem qualquer tipo de presunção, não foi difícil inteirar-me da gravidade do caso. Imediatamente foi realizado cateterismo cardíaco, com vista a angiografia coronária, tendo sido detectada uma lesão grave na principal artéria coronária. Foi feita uma angioplastia, isto é, uma desobstrução da artéria com implantação de um stent, um dispositivo metálico que impede a reestenose da artéria. Resumindo, foi afastado o perigo, e a morte, pelo menos por enquanto, meteu o rabo entre as pernas e foi-se embora.

A minha amiga virou-se para mim e segredou-me: é costume dizer-se, abaixo de deus foi o sr. dr. quem me salvou. Neste caso, acima de deus foste tu que me safaste. Se não fosses tu e as coisas fossem deixadas nas mãos de deus, bem lixada estava.

Eu respondi: olha minha menina, fico muito grato pelas tuas palavras e pelo teu reconhecimento. Apesar de nós médicos não andarmos em competição para ocupar o lugar de deus, a verdade é que é deprimente ficar sempre em segundo lugar, quando, se as coisas ficassem só nas mãos de deus, bem que os doentes iam pró galheiro.
publicado por Carlos Loures às 22:30
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Saúde - médicos a 100,00 Euros à hora...



Luis Moreira


Há 15 anos inventaram, a Ordem dos Médicos, as Faculdades de Medicina, o Ministério da Saúde e o Ministério da Educação que havia o perigo de os médicos ,por serem tantos, poderem cair no desemprego. Era, como se compreende, uma conta fácil de fazer, bastava ir aos ficheiros dos recursos humanos dos hospitais e ver quantos médicos é que dali a 15 anos iriam para a reforma.

E, como sempre, neste malfadado país, arrancou-se com uma política idiota, criminosa mesmo. Jovens brilhantes com médias superiores a 19 valores não entraram nas Faculdades de Medicina. Uma sobrinha minha teve de média 19,2 valores, eram precisos 19,7 valores. Perdeu-se uma grande médica temos uma farmacêutica atrás de um balcão.E a guerra que fizeram à abertura das duas novas faculdades na Covilhã e em Braga?

Hoje, vem no Público, que o Serviço Nacional de Saúde para ter médicos suficientes paga a 100,00 Euros à hora, "não temos alternativa" diz a ministra. E, há dias soubemos que convidou os médicos reformados a voltar ao serviço acumulando a reforma com o vencimento.Porquê? Porque não há médicos. O "numerus clausus" de há 15 anos para defender o múltiplo emprego dos médicos, nos hospitais e nos consultórios privados,está hoje a ser pago por todos nós.

Deita-se mão a empresas externas que "alugam" os médicos aos hospitais por estas remunerações milionárias, são medicos contratados à tarefa, diz o sindicato que há 15 anos não abriu o pio, até fica mais barato porque assim não tem que se pagar as horas extras.

Claro, que longe dos grandes centros ainda é pior não há médicos que queiram ir para a periferia, o que se passa realmente é que não há médicos suficientes para responder à procura.

Os nossos jovens lá foram estudar para Espanha, e para outros países europeus onde, os cidadãos, não são impedidos por razões corporativas de estudar os cursos que lhes interessam e que têm procura no mercado de trabalho.Aqui, podem estudar segundo as vagas nas Universidades e não segundo as necessidades do mercado.

O resultado é andarem por aí no desemprego ou fugirem para a estranja porque aqui quem manda são os que têm vencimento certo, progressão na carreira assegurada e emprego para toda a vida.
publicado por Luis Moreira às 13:30
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Sexta-feira, 22 de Outubro de 2010

Uma semana em Moncorvo /Outubro de 2010 - O que move o ser humano?


Luis Rocha

Torre de Moncorvo (muitas vezes chamada simplesmente Moncorvo) é uma vila no Distrito de Bragança, com cerca de 3 000 habitantes.

O seu ex-libris é sem dúvida a Igreja Matriz, cuja construção se iniciou na primeira metade do século XVI e terminou cerca de 100 anos depois.
É de salientar, na fachada o belo pórtico em estilo renascença. O interior ostenta um grandioso retábulo setecentista e uma das mais notáveis obras de arte – o tríptico de Sant'Ana, de origem flamenga. Está classificada como Monumento Nacional por Decreto n.º 16/6/1910.

Nesta vila viveu a minha irmã desde 1978, até falecer em Novembro de 2009.
Durante esta minha estadia não pude deixar de me questionar de novo, sobre os motivos que terão levado a minha irmã (que na altura já tinha um filho) a esta emigração que ainda hoje considero insólita.

Nasceu na cidade de Castelo Branco, fez o curso de medecina em Lisboa e depois não lhe faltaram oportunidades para se realizar e evoluir profissionalmente, no que era o seu sonho desde menina – o estudo e a prática da medicina de que tanto gostava.
Perguntei-lhe várias vezes mas nunca me deu uma resposta convincente. Respondia sempre da mesma maneira: estou bem onde estou.

Considero que terá pesado bastante a decisão do marido (advogado) querer exercer a sua actividade na terra onde nasceu.
Mas aquela resposta: “estou bem onde estou”, continuava para mim sem entendimento. Perguntava-me : Terá sido por submissão à decisão do marido? Terá sido o espírito de missão? Terá sido o destino!

O que move o ser humano?
A sua mentalidade? O interesse individual? As regras da sociedade?! A missão? A Submissão? O Destino!

A minha irmã para além do casamento natural que tinha com a prática da medicina, cantava fado, escreveu dois livros e pintava.

Num dos quartos da sua casa encontrei agora, entre várias das suas telas, um testemunho escrito (Momentografia) de alguém que esteve numa das suas exposições de pintura e que, pela observação das mesmas, escreveu o seguinte:

MOMENTOGRAFIA
Dedicado a Rocha Girão

Talvez hoje
os caminhos rudes
fiquem desbravados
pela foice suave de alguns
passos que chamam sentidos.

Talvez amanhã
não se vejam pegadas

Mas o caminho,
esse tomou
a força de um trajecto que se fez.

Talvez depois de amanhã
o caminho traga pendurado
destinos embrulhados em caixas de sorrisos.

É VIDA em Seiva que percorre a sua alma.
A vida que rompe sentidos.
Uma palavra aqui cria caminhos.
Mas só as telas indicam o verdadeiro Caminho.

Dos Caminhos que se cruzam
nasce este tempo sob a forma de pintura
que se cola aos seres
para poder ser-se em delicadeza.

Talvez depois do depois de amanhã
se reescreva no seu texto íntimo
o que sonhou em silêncio.

A vida quis ensiná-la
a ter cada vez mais e mais caminhos
a ter cada vez mais vozes
a ter cada vez mais palavras
e mais sinceridade

E mais
Intensidade no quadrante emotivo e estético.

Rocha Girão pinta saltando trampolins
temporais
Para além do futuro só o passado
Para além do passado
Só o presente

E depois?

O tempo escrito em esfinge
Em círculos mágicos
Onde deixa transparecer a mulher.

Com as suas nuances
Rocha Girão salta
cordas de palavras e espaços…
Seduz o tempo físico.
Não se apega a
modelos.
Afirma a sua melodia
numa orquestra
nas suas paisagens interiores.

Sem estar no tempo
Eleva Castelos de Cores
Alimenta outros olhares colocando o seu a nu.

Traz nos dedos a VULCÂNICA
Vontade de VIVER

M. Pais de Sousa

Como entendo agora a razão da sua emigração

publicado por siuljeronimo às 16:30
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Quarta-feira, 15 de Setembro de 2010

Salvé, Serviço Nacional de Saúde!

Luis Moreira

O maior e melhor serviço prestado ao povo português é o SNS! Faz hoje 31 anos!

Num país tão injusto, tão desigual, o SNS é um factor poderoso de nivelação, por cima, presta um serviço eficiente a toda a gente, rico ou pobre. Não tenho disso a mais pequena dúvida. Isso não quer dizer, no entanto, que não mereça melhorias a todos os níveis. Ao nível de gestão, de Recursos Humanos, de edificios e equipamentos e, muito principalmente, ao nível político.

Duas realidades como exemplo: O SMAS e o SMAS - quadros. O SMAS tem um hospital muito bom, dois centros de saúde, médicos, pessoal muito capaz, e equipamento. Eu sou um zeloso e habitual cliente, tenho um grande respeito pelo nível de cuidados a que sou sujeito. Sabemos, no entanto, que já houve uma Assembleia Geral para se tomar a decisão quanto a uma parceria com a HPP da CGD. Porquê? Porque as quotas dos sócios são praticamente absorvidas pelos salários do pessoal administrativo. O SMAS, pese o pesar, não tem viabilidade. O SMAS - quadros, tem lá umas quantas administrativas, faz uns acordos com os grupos que operam na saúde, paga umas receitas às farmácias e umas facturas aos hospitais e segue de vento em popa!

Isto quer dizer, que para um hospital se manter ao nível exigido, face à evolução da medicina, quanto a medicamentos, equipamentos e formação do pessoal, o investimento necessário é brutal! Ora o SNS é universal e gratuito, para lá correm todos os que padecem, mesmos os que gozam de apólices de seguros privados quando as coisas correm mal. O caminho só pode ser um se quisemos manter o lugar central e nuclear do SNS. Complementá-lo com os grupos privados. Ou então ter a exclusividade hospitalar, o que existe agora é que não é nada. Estão a prepara-nos para uma realidade que pode passar pelo desmontar do SNS!

Não tem nada de privatizar a saúde ou, muito menos, desmantelar o SNS, a razão é salvá-lo, por muito que custe a todos nós. Se não houver complementaridade, as actividades lucrativas vão ficar nos privados e as actividades com prejuízo vão sobrar para o SNS. Já aí temos as Parcerias Público/Privadas, são uma espécie de hospitais privados na rede de hospitais públicos,antes tivemos e temos a gestão privada de hospitais públicos, depois os hospitais EP, tudo mentiras que escondem uma decisão inevitável. O SNS deve reservar para si a parte central dos cuidados hospitalares e aceitar como parceiros de pleno direito os privados. Ou então o Estado reserve para si a actividade hospitalar, sem tibiezas e em exclusividade.

Atente-se nas doenças da velhice e oncológicas que exigem largas permanências nos hospitais; os casos em que o plafond do seguro terminou com a consequente passagem do doente para o hospital público; os problemas cada vez mais comuns resultantes de uma população cada vez mais envelhecida que recorre aos hospitais frequentemente, tudo isso é que irá destruir o SNS! E não percebo que a apólice de seguro seja accionada quando o titular entra num hospital privado e que o não seja num hospital publico.

Oxalá a ideologia não cegue quem está de boa fé!
publicado por Luis Moreira às 23:55
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