Quinta-feira, 9 de Junho de 2011

Coro dos Empregados da Câmara, de Manuel da Fonseca

 

 

É tão vazia a nossa vida,

é tão inútil a nossa vida

que a gente veste de escuro

como se andasse de luto.

Ao menos se alguém morresse

e esse alguém fosse um de nós

e esse um de nós fosse eu…

 

 

… O Sol andando lá fora,

fazendo lume nos vidros,

chegando carros ao largo

com gente que vem de fora

(quem será que vem de fora?)

e a gente pràqui fechados

na penumbra das paredes,

curvados pràs secretárias

fazendo letra bonita.

 

Fazendo letra bonita

e o vento andando lá fora,

rumorejando nas árvores,

levando nuvens pelo céu,

trazendo um grito da rua

(quem seria que gritou?)

e a gente pràqui fechados

na penumbra das paredes,

curvados pràs secretárias

fazendo letra bonita,

enchendo impressos, impressos,

livros, livros, folhas soltas,

carimbando, pondo selos,

bocejando, bocejando,

bocejando.

publicado por João Machado às 10:00
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Sexta-feira, 27 de Maio de 2011

Centenário de Manuel da Fonseca, por todas as estradas do mundo

  
 
  

 

No Centenário de Manuel da Fonseca, o Museu do Neo-Realismo apresenta:

 

“Manuel da Fonseca, por todas as estradas do mundo”

 

Manuel da Fonseca (1911, Santiago do Cacém – 1992, Lisboa), extraordinário contador de histórias, qualidade que melhor se expressou na escrita de

contos, romances e crónicas, consttui uma das figuras maiores da literatura portuguesa do século XX. Numa iniciativa conjunta da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, através do Museu do Neo-Realismo e do Município de Santiago do Cacém, no ano em que assinalam 100 anos sobre o nascimento do escritor, a Exposição “Manuel da Fonseca, por todas as estradas do mundo”, presta homenagem ao autor e  dá a conhecer ao público o seu percurso
biográfico e literário.

 

Manuel da Fonseca iniciou a sua vida literária no fim dos anos 30, com a publicação em diversos periódicos ligados à oposição ao Estado Novo. O seu primeiro livro, Rosa dos Ventos (1940), foi considerado pela crítica um exemplo de renovação poética no panorama das letras portuguesas. As bases realistas da sua obra estão, no entanto, bem vincadas, pelo seu olhar crítico e observador, nas histórias dos livros de contos Aldeia Nova e O Fogo e as Cinzas, como em Cerromaior e Seara de Vento – consideradas obras-primas do romance moderno.

 

A longa vida literária de Manuel da Fonseca espelhou o seu carácter e os valores de uma atitude participativa, inconformada e corajosa em termos cívicos e políticos.

 

Desde cedo estabeleceu uma relação de afecto com a ideia e a constituição do Museu do Neo-Realismo, tendo o sido primeiro a doar o seu espólio, em Novembro de 1991, revelando, assim, a sua determinação em ajudar um projecto que dava então os primeiros passos.

 

Manuel da Fonseca merece ser relembrado e, sobretudo, lido e apreciado por todas as gerações, como se em volta da mesa pudéssemos partilhar
ainda o encantamento de quem afirmava com um sorriso: “o convívio é das coisas mais belas da Humanidade”. Os seus livros são a prova evidente de que só as histórias bem contadas acabam por resistir à máquina do tempo. Manuel da Fonseca foi um autor exímio, cuja obra, constituída por um pequeno número de volumes, marcou todavia o nosso modo de entender e sentir algumas das características do povo português.

 

A inauguração desta Exposição tem lugar no próximo dia 28 de Maio, pelas 18h00. Será, para nós, um prazer contar com a vossa presença, agradecendo-vos desde já a melhor divulgação deste evento.

 

 

Museu do Neo-Realismo – 28 de Maio a 09 de Outubro de 2011

Museu Municipal de Santiago do Cacém – 15 de Outubro de2011 a 26 de Maio de 2012

Curadoria: David Santos e Luísa Duarte Santos

 

Outros eventos no MNR, integrados no Centenário de Manuel da Fonseca

 

Setembro

 

Dia 23, pelas 19h00 –

 

Dia 24, pelas 16h00 – Apresentação do livro de Manuel G. Simões sobre Manuel da Fonseca, edição Assírio & Alvim 

 

Dia 30, pelas 19h00
Exibição do filme “Cerromaior”, de
Luís Filipe Rocha, com a presença do realizador

 

Outubro

 

Dia 08 - Congresso Internacional "No Centenário do nascimento de Manuel da Fonseca", organização conjunta do Centro de Estudos Comparatistas da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, Museu do Neo-Realismo  e Associação Promotora do Museu do Neo-Realismo.

 

Nota: o Congresso tem lugar nos dias 7, 8 e 9 de Outubro,  decorrendo, no dia 7 na Faculdade de Letras e, no dia 9, em Santiago do Cacém.


Entre outros conferencistas, está prevista a presença de Eduardo Lourenço, Fernando Guimarães, Fernando J. B. Martinho, Luís Filipe Rocha. Manuel Gusmão, Manuel G. Simões, Rosa Maria Martelo e Vítor Viçoso.

 

 

 

publicado por Carlos Loures às 16:00
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Terça-feira, 10 de Maio de 2011

O Sol do Mendigo, por Manuel da Fonseca

 

 

 

 

 

 

 

 

Olhai o vagabundo que nada tem

e leva o sol na algibeira

 

Quando a noite vem

pendura o sol à beira de um valado

e dorme toda a noite à soalheira…

 

Pela manhã acorda tonto de luz.

Vai ao povoado

e grita:

- Quem me roubou o sol que vai tão alto?

E uns senhores muito sérios

rosnam:

- Que grande bebedeira!

 

E só à noite se cala o pobre,

Atira-se para o lado,

dorme, dorme…

 

E toda a noite o sol o cobre…

 

Este poema saiu no número 197 de O Diabo, em 3 de Julho de 1938. Assinale-se que nalgumas edições posteriores da poesia de Manuel da Fonseca aparece sem o último verso. 

publicado por João Machado às 10:00
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Segunda-feira, 18 de Abril de 2011

Manuel da Fonseca nas Vidas Lusófonas - por Luis Moreira

O nosso companheiro estrolábio João Machado é o autor do magnifico texto que " Vidas Lusófonas" publica.

 

O escritor

 

 

 

 

MANUEL DA FONSECA

http://www.vidaslusofonas.pt/manuelfonseca.htm

 

diz a JOÃO MACHADO:

 

 

 

- A vida é o mais imaginoso dos autores...

 

Depois instala-se em

 

  VIDAS LUSÓFONAS  

http://www.vidaslusofonas.pt

 

onde já moram 138.

 

Naquela casa

tudo está a acontecer,

cada vida / cada conto.

  Por isso já recebeu 

mais de 23,1 milhões de visitas.

       


 
"Este ano comemora-se o centenário do nascimento do meu saudoso amigo Manuel da Fonseca, o grande poeta e ficcionista da literatura do século XX.
O Fernando Correia da Silva, o autor de «Mata-Cães» (leiam, não vão arrepender-se!), vai mantendo online as «Vidas Lusófonas», que poderão visitar no endereço abaixo."( que passou acima) . António Gomes Marques
 
Gosto de ver os meus companheiros envolvidos em actividades culturais deste nível e é com grande prazer que partilho a informação com os nossos leitores.
 

 

publicado por Luis Moreira às 13:00
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Sexta-feira, 25 de Março de 2011

Os Olhos do Poeta, de Manuel da Fonseca

 

 

 

 

 

 

 

 

O poeta tem olhos de água para reflectirem todas as cores do mundo,
e as formas e as proporções exactas, mesmo das coisas que os sábios desconhecem.
Em seu olhar estão as distâncias sem mistério que há entre as estrelas,
e estão as estrelas luzindo na penumbra dos bairros da miséria,
com as silhuetas escuras dos meninos vadios esguedelhados ao vento.
Em seu olhar estão as neves eternas dos Himalaias vencidos
e as rugas maceradas das mães que perderam os filhos na luta entre as pátrias
e o movimento ululante das cidades marítimas onde se falam todas as línguas da terra
e o gesto desolado dos homens que voltam ao lar com as mãos vazias e calejadas
e a luz do deserto incandescente e trémula, e os gestos dos pólos, brancos, brancos,
e a sombra das pálpebras sobre o rosto das noivas que não noivaram
e os tesouros dos oceanos desvendados maravilhando com contos-de-fada à hora da infância
e os trapos negros das mulheres dos pescadores esvoaçando como bandeiras aflitas
e correndo pela costa de mãos jogadas pró mar amaldiçoando a tempestade:
- todas as cores, todas as formas do mundo se agitam e gritam nos olhos do poeta.
Do seu olhar, que é um farol erguido no alto de um promontório,
sai uma estrela voando nas trevas
tocando de esperança o coração dos homens de todas as latitudes.
E os dias claros, inundados de vida, perdem o brilho nos olhos do poeta
que escreve poemas de revolta com tinta de sol na noite de angústia que pesa no mundo.



publicado por João Machado às 10:00
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Terça-feira, 22 de Fevereiro de 2011

Manuel da Fonseca, um grande poeta português, no Terreiro da Lusofonia. O Adriano Correia de Oliveira também veio

 

 

 

 

 

 

 

Carlos Loures

 

 

 

 

Na voz de Adriano Correia de Oliveira, escutámos um poema de Manuel da Fonseca – «Tejo que levas as águas» («Poemas para Adriano». 1972), com música do próprio Adriano.

 


Manuel da Fonseca nasceu em Santiago do Cacém em 1911 e faleceu em Lisboa em 1993. Fez parte do grupo do «Novo Cancioneiro». Na sua valiosa obra destacam-se-se «Rosa dos Ventos», uma colectânea de poemas, (1940), o livro de contos «Aldeia Nova»(1942), «Fogo e as Cinzas» (1953) e os romances «Cerromaior», «Seara de Vento» (1958), «Poemas Dispersos» (1958). É considerado uma das figuras cimeiras do movimento neo-realista. No entanto, na sua escrita, particularmente na poesia, existem ressonâncias de um gongorismo que o aproxima de Federico García Lorca e mesmo dos poetas surrealistas.

Era presidente da Sociedade Portuguesa de Escritores quando esta instituição atribuiu o Grande Prémio da Novelística a Luandino Vieira pelo seu livro «Luuanda», facto que determinou o encerramento, por parte das forças policiais, da SPE (que viria depois a ser refundada sob a designação de Associação Portuguesa de Escritores).

Dos seus «Poemas Dispersos», escolhemos este:

Solidão

Que venham todos os pobres da Terra
os ofendidos e humilhados
os torturados
os loucos:
meu abraço é cada vez mais largo
envolve-os a todos!

Ó minha vontade, ó meu desejo
— os pobres e os humilhados
todos
se quedaram de espanto!…
(A luz do Sol beija e fecunda
mas os místicos andaram pelos séculos
construindo noites
geladas solidões.)

 


Este "post" foi elaborado pelo Carlos Loures, que o inseriu no Estrolábio em 10 de Julho de 2010. Reproduzimo-lo hoje, no âmbito das comemorações do centenário do nascimento do Manuel da Fonseca.

publicado por João Machado às 16:00
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Canção de Hans, o marinheiro, de Manuel da Fonseca

 

 

 

 

 

 

 

 

João Machado

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Este ano comemora-se o centenário do nascimento de Manuel da Fonseca, escritor multifacetado, vulto grande das nossas letras. Poeta, romancista, contista, autor de crónicas e ensaios, com incursões no teatro e no cinema, é obrigatória a sua recordação. O Estrolábio e, claro, o  não podem deixar de participar activamente nos trabalhos comemorativos. Embora o seu nascimento tenha ocorrido num dia 15 de Outubro, daqui a vários meses, vai sendo tempo de começar o trabalho. O tempo é pouco para relembrar a sua obra. Apresentamos a seguir um dos seus poemas, publicado em 1940, em Rosa dos Ventos. Notem o acentuado lirismo que o impregna, uma constante na obra poética de Manuel da Fonseca,  que haveria de o casar admiravelmente com elementos de participação social, conforme assinala Sílvio Castro, em Poesia do Socialismo Português.

 

 

Canção de Hans, o marinheiro

 

 

Se tu soubesses

que em todos os portos do mundo

há uma mão desconhecida

a acenar - adeus, adeus - quando se parte prò mar;

se tu soubesses

que o mar não tem fronteiras nem distâncias

é sempre o mar;

se tu soubesses

a noite nas águas

onde os barcos são berços

e os marinheiros meninos a sonhar;

se tu soubesses

o desamor à vida quando o vento grita temporais

e a morte vem abraçar os homens na espuma das vagas;

se tu soubesses

que em todos os portos do mundo

há um sorriso para quem chega chega do mar;

se tu soubesses vinhas comigo prò mar

embora as nuvens do céu

e os ventos que vêm do Este e do Oeste, do Sul e do Norte

digam ao mundo que vai haver o temporal maior que todos!

 

 

 

 

 

publicado por João Machado às 08:00
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Segunda-feira, 13 de Dezembro de 2010

VerbArte - O movimento neo-realista





O movimento neo-realista. Dois centenários a comemorar em 2011. Uma proposta.


João Machado


Nos anos trinta do século passado apareceu o movimento neo-realista, uma corrente artística que muitos associaram (talvez com diferentes fundamentos) à oposição ao regime ditatorial vigente. As precárias  condições de vida em que, na época, vivia grande parte da população portuguesa, a fortíssima injustiça que sobre esta recaía,  justificavam que os artistas e intelectuais não afectos ao regime sobre elas se debruçassem, e que sentissem o dever de as mostrar nas suas obras, de modo a fazer sentir a necessidade da sua urgente transformação. Daí a forte componente política do neo-realismo, expressão usada pela primeira vez em 1935 por Álvaro Salema, em artigo publicado no semanário Gládio.

O movimento neo-realista manifestou-se através de várias das artes maiores, como a pintura, nas obras de Júlio Pomar (1926 -), Lima de Freitas (1927-1998), Avelino Cunhal (1887-1966), e de outros. É também importante recordar a obra de Manuel Ribeiro de Pavia (1907 – 1957), Cipriano Dourado (1921-1981), e de outros artistas plásticos, que não se pode deixar cair no esquecimento.

Mas a maior visibilidade para o neo-realismo adveio sem dúvida da literatura, com um trio de gigantes a começar, Soeiro Pereira Gomes (1909-1949), Alves Redol (1911-1969) e Manuel da Fonseca (1911-1993). A literatura neo-realista incluiu muitos outros nomes, dos quais se devem destacar Fernando Namora, Mário Dionísio, Augusto Abelaira e sobretudo Carlos de Oliveira. Deixou para a posteridade um retrato vivo das condições em que viviam (melhor dito, sobreviviam) as classes mais desfavorecidas em Portugal, e dos mecanismos que condicionavam a vida dos que lhes pertenciam.



Tenho a convicção de que as preocupações do neo-realismo eram partilhadas por um grande número de autores que não se aproximaram claramente do movimento. Não é verdade que Aniki Bóbó, a primeira longa metragem de Manuel de Oliveira, estreada em 1942, o nosso centenário cineasta, tem afinidades com os  Esteiros (1941),  de Soeiro Pereira Gomes? O cineasta e o escritor tiveram, claro, experiências de vida e ideais diferentes. Mas a atenção de ambos foi atraída por situações parecidas, na Ribeira do Porto, e em Alhandra. E Volfrâmio (1944), de Aquilino Ribeiro, e a Lã e a Neve (1947), de Ferreira de Castro, não estão também próximos do neo-realismo? Porque não se consideram estes dois grandes escritores como integrando o movimento? Ao fim e ao cabo até lhe eram ideologicamente afins.




Em 1911 completar-se-ão cem anos sobre os nascimentos de Alves Redol e Manuel da Fonseca. As comemorações respectivas servirão com certeza para recordar e analisar as suas vidas e obras, mas poderão também  servir de ponto de partida para uma compreensão mais dilatada da génese do movimento neo-realista, da sua ligação à sociedade portuguesa da altura. E também para analisar as influências que sobre ele incidiram, e as que deixou para a posteridade.


Proponho que em 2011 o Estrolabio e o VerbArte incluam, com particular relevo, estes temas na sua agenda.
publicado por João Machado às 16:00
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Terça-feira, 28 de Setembro de 2010

Estes são alguns dos meus amigos- livros do século xx

Maria Monteiro


Seis Contistas Alentejanos
(Américo Paiva, Antunes da Silva,
Eduardo Teófilo,
Garibaldino de Andrade,
Manuel da Fonseca,
Urbano Tavares Rodrigues)

O manuscrito na Garrafa
 (Daniel Filipe)

Treblinka
(Jean-François Steiner)

A Guerra das Salamandras
 (Karel Capek)

A Insustentável Leveza do Ser
 (Milan Kundera)

A Casa dos Espíritos
 (Isabel Allende)

Como Ser Anjo
(Vassilis Vassilikos)

As Sandálias do Pescador
(Morris West)

Ensaio sobre a Cegueira
(José Saramago)

Moço, Bengala e Cão
 (Adolfo Simões Müller)

e... extra lista dois tesouros
La Madre de Corea e La Educación en la Revolución




_____________________________________________

 

publicado por Carlos Loures às 11:00

editado por Luis Moreira em 19/04/2011 às 18:22
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Sábado, 10 de Julho de 2010

Manuel da Fonseca, um grande poeta português, no Terreiro da Lusofonia. O Adriano Correia de Oliveira também veio



Na voz de Adriano Correia de Oliveira, escutámos um poema de Manuel da Fonseca – «Tejo que levas as águas» («Poemas para Adriano». 1972), com música do próprio Adriano.


Manuel da Fonseca nasceu em Santiago do Cacém em 1911 e faleceu em Lisboa em 1993. Fez parte do grupo do «Novo Cancioneiro». Na sua valiosa obra destacam-se-se «Rosa dos Ventos», uma colectânea de poemas, (1940), o livro de contos «Aldeia Nova»(1942), «Fogo e as Cinzas» (1953) e os romances «Cerromaior», «Seara de Vento» (1958), «Poemas Dispersos» (1958). É considerado uma das figuras cimeiras do movimento neo-realista. No entanto, na sua escrita, particularmente na poesia, existem ressonâncias de um gongorismo que o aproxima de Federico García Lorca e mesmo dos poetas surrealistas.

Era presidente da Sociedade Portuguesa de Escritores quando esta instituição atribuiu o Grande Prémio da Novelística a Luandino Vieira pelo seu livro «Luuanda», facto que determinou o encerramento, por parte das forças policiais, da SPE (que viria depois a ser refundada sob a designação de Associação Portuguesa de Escritores)
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Dos seus «Poemas Dispersos», escolhemos este:

Solidão

Que venham todos os pobres da Terra
os ofendidos e humilhados
os torturados
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meu abraço é cada vez mais largo
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Ó minha vontade, ó meu desejo
— os pobres e os humilhados
todos
se quedaram de espanto!…
(A luz do Sol beija e fecunda
mas os místicos andaram pelos séculos
construindo noites
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publicado por Carlos Loures às 08:00
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