Terça-feira, 29 de Março de 2011

Um breve regresso a Madrid, por João Machado

 

 

 

 

 

 

 

 

Chegámos ontem a Madrid, num voo da Easyjet. Pude mais uma vez constatar o que é estar numa cidade minimamente organizada. Saímos facilmente de Barajas, apanhámos um autocarro e, em pouco mais de meia hora, chegámos ao hotel, na Atocha.  Pagámos dois euros cada bilhete.

 

 A cidade pareceu-nos novamente magnífica. É verdade que estamos talvez na melhor parte, onde há museus, monumentos, jardins, muitos transportes. Voltei a ficar impressionado com a vastidão das praças e a largueza (prefiro a largura, termo muito geométrico) das avenidas. Mas ainda não vai ser desta vez que vou percorrer Madrid mais demoradamente, mas insisto: que diferença para as cidades portuguesas! Não é só uma questão de dimensão. O urbanismo é sem dúvida uma ciência, que recebe contributos de outras ciências e das mais variadas artes, e as suas técnicas hoje em dia são decisivas para se alcançar um nível de vida decente numa cidade. Estamos sem dúvida noutro país, embora mesmo ao lado.

 

A vida aqui sempre bastante animada. Vi um pouco de televisão, cujos programas não parecem, de uma maneira geral, muito melhores que os nossos. Também dizem que os nossos canais de televisão vêm buscar aqui muita inspiração. Nunca acompanhei o problema de perto, mas não me custa acreditar.

 

Há algumas notícias interessantes. Ontem, domingo, houve uma manifestação enorme contra a despenalização do aborto. Embora sabendo o peso que a Igreja Católica tem em Espanha, não consigo deixar de ficar espantado. Há que ver que aqui as pessoas aderem mais a causas, mesmo a causas como esta. Mas custa-me que tanta gente não aceite que as pessoas, nomeadamente as mulheres grávidas devem ter liberdade de decisão num problema tão marcante para a vida de cada um, e, mais importante ainda, que as vidas de todos estão profundamente limitadas, que é fácil cometer erros, e que todos merecemos oportunidades.

 

Aqui no hotel distribuem jornais. Consegui ficar com um exemplar de La Vanguardia de ontem, domingo. Muito interessante, como muita informação e artigos de fundo. É um jornal de Barcelona. Aqui em Espanha estão a preparar as eleições autárquicas e regionais (vão incluir as autonomias), que vão serem Maio. Parece que o PP queria  que fossem eleições gerais. Mas isso não acontecerá. O Zapatero reuniu-se com os grandes empresários, e estes acham que a legislatura é para ser levada até ao fim. Comentários para quê?

 

Mas o melhor do La Vanguardia de ontem, 27 de Março, é um artigo de opinião de Gabriel Magalhães, dedicado, imaginem, a Portugal. Intitula-se Radiactividad Moral. Comece assim: Em Portugal temos um problema muito sério: há no país demasiadas coisas que não verdade. Fala muito de José Sócrates e do PEC IV. Diz alto aquilo que todos nós sabemos, mas de que pouco falamos. Remata dizendo: O país vive naquele cepticismo infinitamente triste que surge nas sociedades quando se conformam com a falta de honradez.

 

Gabriel Magalhães é português. Se bem percebo, vive na Catalunha. A distância muitas vezes melhora a visão das coisas, e também solta a língua. Parece também não confiar muito na oposição portuguesa. Permitam-me aqui um desabafo: temos que arranjar maneira de confiar uns nos outros aqui em Portugal, ou então o melhor é fechar a porta. Vou levar o jornal comigo e traduzir o artigo para o Estrolabio.

 

publicado por Carlos Loures às 10:00

editado por Luis Moreira em 28/03/2011 às 10:29
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Segunda-feira, 16 de Agosto de 2010

Uma rápida incursão em Madrid

João Machado

Estivemos em Madrid há já umas semanas. Foi por pouco tempo, e, ainda por cima, tínhamos afazeres marcados, que nos ocuparam dia e meio, à Helena Maria e a mim. Já não ia a Madrid há cinquenta anos, imaginem.

Ficamos alojados num hotel situado no Paseo Reina Cristina, perto da estação da Atocha. É perto do triângulo cultural composto pelo El Prado, pelo Museu de Arte Thyssen-Bornemisza, e pelo Reina Sofia. Foi muito interessante percorrer o Paseo El Prado é uma avenida larga, com muitos edifícios públicos, alguns dos quais de aspecto notável. Ao fim da tarde do segundo dia da nossa permanência, conseguimos visitar o El Prado, que estava a oferecer entradas gratuitas para a parte da exposição permanente. A nossa visita durou apenas hora e meia, porque o encerramento é às 20 horas. Mas apesar disso, ficámos maravilhados. Vimos ao natural quadros de Bosch (os espanhóis chamam-lhe El Bosco), Ribera, Murillo, Goya, de vários flamengos, e outros, como A Rendição de Breda – As Lanças, de Velasquez. Não vimos muitos mais. Permitam-me que vos mostre apenas duas maravilhas: A Descida da Cruz, de Van der Weyden (c. 1400 – 1464), e O Escultor Cego, de Ribera (1591 - 1652). O primeiro é considerado uma obra-prima mundial, devido ao realismo impressionante das expressões e dos gestos dos personagens e à composição do quadro no seu conjunto. O segundo, expoente do Barroco espanhol, seguidor de Caravaggio, apresenta-nos neste quadro uma alegoria do tacto.

Na zona de Atocha fica também El Retiro, um parque enorme, uma zona verde muito bem tratada, com vários centros de interesse, incluindo várias esplanadas. Passámos ali uma manhã muito agradável, apesar do calor fortíssimo que estava. Observámos uma feira do livro, com obras de muito interesse, a preços elevados. Ainda por cima, tínhamos viajado de comboio. Perto fica também a Basílica de Atocha, que não conseguimos visitar. Mas lemos na parede exterior um escrito recordando Bartolomeu de Las Casas (1474-1566), o dominicano espanhol que denunciou o tratamento desumano dado aos indígenas americanos nas minas de ouro.

Li alguns jornais durante os quatro dias que estive em Madrid. Permito-me referir aqui algumas notícias, que destaco a seguir:

A venda da Vivo à Telefonica pela nossa (falemos assim para abreviar) PT. O El Mundo de 18Julho2010 traz um editorial inflamado, assim intitulado: Vivo: cuando la EU permite que se atropelle a Telefónica. E a pág. 32 vem toda ocupada com uma notícia sobre o assunto. César Alierta, presidente da Telefónica, tinha acabado de romper as negociações com a PT, logo após o nosso (?) governo ter usado a golden share. Enfim, hoje, quase um mês depois já se sabe o que aconteceu. Na véspera o El País informava que a PT pedia um alargamento do prazo para as negociações. Hoje já sabemos como a questão se resolveu (dando lugar a outras, claro).

La Vanguardia de segunda-feira, dia 19 de Julho, não faz qualquer menção à venda da Vivo. Na primeira página menciona o resultado de uma sondagem que diz que 83 % dos catalães são favoráveis à proibição da burka e do niqab nos edifícios públicos, e só um terço que a burka seja permitida na rua. Uma opinião pessoal: acho este assunto muito discutível, para além de que não achei clara a apresentação dos resultados.

O mesmo jornal refere o fracasso da União para o Mediterrâneo (UpM), organismo criado há dois anos, com sede em Barcelona, e que inclui 43 países (parece que Portugal não faz parte). O principal factor que bloqueia as negociações será o conflito israelo-palestiniano. Está prevista uma cimeira para o próximo mês de Novembro, que se teme que seja um fracasso. Este organismo é suposto ocupar-se de problemas importantíssimos, como o abastecimento de água em países como o Egipto, energia, transporte, a limpeza do Mediterrâneo e outros.

Para concluir, quer deixar-vos um resumo dos afazeres associativos que nos levaram a Madrid . Basicamente foi um, que nos ocupou dia e meio de reuniões. A Helena Maria (Helena Machado, Presidente da Direcção da APDPk – Associação Portuguesa de Doentes de Parkinson, que é uma associação nacional, com mais de 2000 associados) foi participar numa reunião do Projecto Eurostar, apoiado pela União Europeia, que inclui quatro entidades: duas empresas do campo da informática, a Árctica, empresa espanhola, e a Inovamais, empresa portuguesa de Matosinhos, mais duas instituições do campo da solidariedade social, a Associação de Doentes de Parkinson de Madrid (refira-se que em Espanha há mais de 50 associações de doentes de Parkinson (DP); só a de Madrid tem mais de 1500 associados) e a APDPk . O objectivo do projecto Eurostar é a produção e aplicação de software destinado a apoiar os DP, nos mais variados aspectos: acesso a tratamentos nas várias especialidades (fisioterapia, terapia da fala, psicologia), com interacção com os prestadores de cuidados, informação sobre a doença, acesso a serviços públicos, e outros. A Árctica é quem está a elaborar o software. A Inovamais vai testá-lo e adaptá-lo a Portugal. As associações, para além de um apoio na avaliação, contam pôr em prática o mais rapidamente que possível o resultado final.
publicado por Carlos Loures às 21:00
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