Sábado, 18 de Junho de 2011

Coreografia da água - por Luís Rocha

 

 

 

 

 

 

Estou sentado no banco de um jardim Municipal, que localmente se designa por “parque da cidade”. Ainda é cedo e poucas pessoas passeiam pelo jardim. Apenas se ouve o chilrear dos pássaros e sente-se o conforto do silêncio. Vejo o colorido das flores, as árvores e sinto o cheiro a fresco. O que atrai a minha atenção, até pela calma que transmite, são vários repuxos de água que no máximo do seu esplendor fazem um quadrado, com uma área quase idêntica à de um palco de teatro. Os repuxos sobem e descem numa coreografia perfeita, em forma alternada ou conjunta, com mais ou menos exuberância que se manifesta na altura que alcançam, numa dança de água desafiante e ao mesmo tempo calma. De vez em quando surge uma nuvem de água, como um fumo que envolve os bailarinos (repuxos) na fantasia da sua dança. O fumo vai desvanecendo lentamente, os bailarinos param por momentos e vão surgindo como estátuas vivas à medida que se levanta o nevoeiro.

 

De seguida e também lentamente os bailarinos retomam a sua dança à espera de nova nuvem envolvente que quase os esconde, como a querer sufocá-los. Por cima daquela névoa vão aparecendo um, dois e depois três repuxos, como que a gritar pela sua “liberdade”, ou será que os seus saltos mais altos, que vão contagiando os outros bailarinos, são o regozijo do aconchego e abraço daquela nuvem que vem e logo vai!
publicado por Carlos Loures às 21:00

editado por João Machado em 17/06/2011 às 23:33
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Sexta-feira, 29 de Abril de 2011

Festival dos Cravos de Abril - Programa Geral 25 a 30 de Abril

publicado por siuljeronimo às 23:50

editado por Luis Moreira às 03:40
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Festival dos Cravos de Abril - Dias 29 e 30 Arraial no Jardim S. Pedro de Alcântara

publicado por siuljeronimo às 10:30

editado por Luis Moreira às 02:08
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Festival dos Cravos de Abril - Dia 30

publicado por siuljeronimo às 00:47

editado por Luis Moreira às 00:47
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Quinta-feira, 28 de Abril de 2011

Festival dos Cravos de Abril - dias 29 e 30

publicado por siuljeronimo às 16:30

editado por Luis Moreira em 27/04/2011 às 22:57
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Festival dos Cravos de Abril - dias 27 e 28

publicado por siuljeronimo às 11:00

editado por Luis Moreira às 02:37
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Festival dos Cravos de Abril - Dia 28

publicado por siuljeronimo às 09:00

editado por Luis Moreira às 02:36
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Sexta-feira, 26 de Novembro de 2010

Dia do Porto: As Invasões Francesas

Luis Rocha

A segunda invasão Francesa veio pela Galiza. Entraram pela fronteira de Vérin-Chaves, tomaram a cidade Flaviense a 12 de Março, Braga a 20 e o Porto onde, na manhã do dia 29, ocorreu a cena trágica do Desastre da Ponte das barcas.

A ponte foi mandada construir em 1369 pelo rei D. Fernando, para que ele e as suas hostes pudessem passar rapidamente de uma margem para a outra.
A ponte das barcas era um projecto de engenharia de Carlos Amarante. Era constituída por vinte barcaças ligadas por cabos de aço.

Quando as tropas francesas do general Soult entraram na cidade, a população, em pânico, tentou a fuga para Gaia, mas a ponte não aguentou, provavelmente devido ao excesso de peso.

Naquele dia milhares de pessoas em fuga morreram no Rio Douro. Daquela tragédia ficaram marcas e memórias ainda vivas, como é o caso de um quadro de autor desconhecido feito por alguém que, enquanto a população aterrorizada fugia às baionetas e aos canhões franceses, se deixou ficar, não se sabe como ou porquê, e pintou o que então acontecia: as tropas napoleónicas que abriam fogo no cais da Ribeira; homens, mulheres e crianças em fuga; os corpos que caíam às aguas.



O quadro está na Capela das Taipas, na Cordoaria.



As forças do General Soult Estiveram no Porto de 29 de Março a 12 de Maio de 1809, data em que tropas Luso-Britânicas sob o comando do General Arthur Wellesley, do comandante-em-chefe o Marechal William Carr Beresford e do brigadeiro Francisco da Silveira atravessaram o Rio Douro e venceram a chamada batalha do Douro, reconquistando a cidade do Porto e expulsando o invasor, que se retirou para a Galiza.


Em memória dessa vitória foi edificado o Monumento aos Heróis da Guerra Peninsular, obra iniciada em 1909 com a participação do Arq. Marques da Silva e do escultor Alves de Sousa, tendo sido inaugurada em 1951.

Durante o longo período da construção colaboram nessa obra, os escultores Henrique Moreira e Sousa Caldas, na Rotunda da Boavista. O pedestal em pedra tem 45 metros de altura. No cimo da coluna estão o leão e a águia. O leão representa a vitória do patriotismo português sobre o Império Napoleónico, representado pela águia.
Da estatuária de bronze, evidencia-se o espírito de sacrifício dos portuenses, através das esculturas alusivas à tragédia da PONTE DAS BARCAS.
publicado por siuljeronimo às 12:00
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Domingo, 9 de Maio de 2010

A MÁQUINA FOTOGRÁFICA ROUBADA

A MÁQUINA FOTOGRÁFICA ROUBADA


(Terminada a leitura ouça o tema musical “canto della terra” e viverá as imagens que a minha mente registou)


No final de uma viagem que fiz (último dia) roubaram-me no Hotel a máquina fotográfica.
Como é normal apresentei queixa no Hotel e um seu representante acompanhou-me à polícia para fazer a respectiva participação.

Foi uma nova experiência. Estive numa delegacia da Polícia em Buenos Aires. O edifício tinha aspecto de ter sido um palácio ou convento. A entrada tinha uma grande escadaria e ao cimo uma porta enorme. Entrava-se num Grande Hall com um enorme candelabro no tecto. Em frente outra grande escadaria que conduzia ao piso superior.

Não subi a escadaria. As participações eram feitas numa sala do lado esquerdo do Hall. A sala tinha uma velha secretária de madeira, com uma cadeira, também de madeira onde estava o polícia que me atendeu. Em frente da secretária havia duas cadeiras de plástico onde me sentei eu e a minha mulher.

Por trás de nós, junto á parede, havia um banco corrido, onde se sentaram as pessoas que nos acompanharam à delegacia da polícia. O representante do Hotel e as guias turísticas que nos acompanhavam na viagem.

O polícia que tomou conta da ocorrência perguntou se precisava de intérprete. Eu disse que não. Então ele pediu para eu descrever o sucedido e começou a bater nas teclas de uma máquina de escrever (daquelas antigas que quando tocava a campainha era o sinal que tinha chegado ao fim da linha e tinha de puxar o carreto para trás que ao mesmo tempo rodava para a linha de baixo).

A sensação que tive era a dos filmes onde se via aquela cena de uma grande pobreza em que de um lado estava a “autoridade” a máquina de escrever e, do outro lado, os maltrapilhos a ser ouvidos.

Regressados ao Hotel (já depois da meia noite) o gerente entendeu compensar-nos, trocando o quarto que nos tinha sido atribuído por uma “SUITE”.

A minha mulher, para além de bastante abalada com o sucedido, estava exausta e foi-se deitar.

A “SUITE” tinha, para além do quarto de dormir, uma sala com uma enorme secretária, uma boa cadeira e um candeeiro de mesa. Como não tinha sono decidi apelar à memória e passar a escrito as imagens que tinha visto e fotografado.

As fotografias que a estavam na minha mente, eram muito mais ricas do que as registadas na máquina fotográfica roubada, pois reproduziam as imagens, como as tinha visto e sentido.

No contacto com a natureza virgem de um Continente que visitava pela primeira vez e tão distante da Europa, senti a riqueza que o homem está a destruir.
Senti-me pequeno (insignificante) perante uma visão tão grandiosa de uma mãe natureza que, aos poucos, se está despedindo do ser humano, reduzindo-o á sua expressão de parasita a quem ela tudo dá e que dela ele tudo tira. É uma reacção de “escorpião”. O ser humano mata a própria mãe.

Vi os glaciares “UPSALA”, “SPEGAZZINI”, “ONELLI” e “PERITO MORENO”.

De todos, o que mais me impressionou foi o “PERITO MORENO” o qual, pela sua magnitude e imponência, assume papel principal entre os 350 glaciares que compõem o parque natural dos glaciares, declarado Património Mundial da Humanidade pela UNESCO em 1981. A informação disponível dizia ter (em 2008) uma superfície de cerca de 210 Km2 com 6 km de largura, 35 km de extensão e uma altura média de 75 metros (é maior que a dimensão da cidade de Buenos Aires).

Para além da sua beleza a imagem que mais me marcou foi a de ver e ouvir, com uma frequência de mais ou menos de 2 em 2 minutos, um estrondo forte de toneladas de gelo a derreter-se e a cair na água, como se fosse uma lágrima da mãe natureza e por isso do tamanho proporcional à sua grandeza.

O azul dos glaciares batidos pelo sol tem o tom de cor que sempre me fascinou. Um azul permissivo que nos deixa ver através dele a profundidade da sua essência, da sua razão de ser.

Vi várias “lágrimas” caírem e, com cada uma, senti a dor daquela mãe natureza que se vai esvaindo. Senti a dor profunda de não poder confortar aquela mãe que tudo deu e dá de uma forma incondicional, como o fazem todas as mães do mundo que nos trazem á vida terrena.

Também senti a solidão da minha mente, confortada por aquela solidão da natureza que me rodeava.

No dia seguinte repetimos a visão do glaciar por outro lado. O Sol do dia anterior foi substituído por chuva intensa e, mesmo assim, mais uma vez dei comigo a admirar aquela natureza que me chamava, que me compreendia e com quem eu pude partilhar o que me ia na mente, ao ponto de não sentir a chuva que me molhava e estragava a máquina fotográfica que tinha pendurada ao pescoço.

Esqueci o tempo e os companheiros de viagem que me aguardavam no autocarro. Despertei quando alguém me veio chamar.

No outro dia nova etapa da viagem, até “Puerto Madryn” na “Península de Valdês” onde vi e senti a baleia de perto.
Uma nova sensação de carinho por um animal, como nunca tinha sentido antes por qualquer outro. A imagem das suas passagens, de lado, à frente e por baixo do barco, aparecendo depois mesmo junto de nós, como a querer beijar-nos provocou-me uma nova sensação de amor, por mais um irmão que vive e depende da nossa mãe comum “ A natureza”. Senti a sua solidão naquele mar imenso mas também o conforto do amor ao filhote que a acompanha e ao ser humano que a visita.

Vimos depois os “Elefantes marinhos” junto ao mar em estado de quase total hibernação. Grandes, pesados, mas com cara de bebé, olhando-nos com aparente curiosidade.

Depois a visita a “Punta Tombo” à colónia de pinguins de Magalhães “berçário” onde, naquela época (Outubro/Novembro), estão a chocar os ovos.
Parecem mesmo gente de “fraque” passeando num território que é seu, mas que já se habituaram a partilhar com os “mirones” carregados de máquinas de fotografar e filmar.

Cada um faz por si. E isto cada vez mais coloca o ser humano ao nível destes animais que, irracionais, terão eventualmente a vantagem de não sofrer os efeitos da solidão, da falta da partilha da forma de viver, do que vê, do que sente e como o sente.

Ao chegar ao Hotel em Buenos Aires, o destino ou quiçá a mãe natureza privou-me dos registos fotográficos que eu tinha captado, condenando-me ou privilegiando-me deixando que tudo ficasse registado apenas e só, na minha mente.


Roubaram-me a máquina fotográfica!
publicado por siuljeronimo às 15:58
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