Sábado, 12 de Março de 2011

Prosódia, por João Machado

 

 

 

 

 


 

 

Segundo o Dicionário da Academia o termo prosódia provem do latim prosódia ‘acento’< grego προσψδία ‘acento sobre as vogais. Refere-se à pronúncia das palavras, incluindo a variação de tom, entoação, débito, pausa, acento, ritmo, intensidade … Diz ainda o Dicionário da Academia que prosódia, na linguística, é a área da fonologia que estuda a pronúncia correcta das palavras.

 

Na verdade, não se trata de uma palavra de uso frequente. No Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa, José Pedro Machado informa que prosódia vem realmente do grego prosódia, “canto de acordo com; canto para acompanhar a lira; acento prosódico; acento tónico; tudo o que serve para acentuar em linguagem (aspiração, acento prosódico das sílabas, apóstrofo, etc.)”, pelo latim prosódia, “acento tónico, quantidade das sílabas”; por via culta. No Dicionário Morais aparece na segunda edição, de 1813. Para continuarmos com o José Pedro Machado, no seu Dicionário da Língua Portuguesa dá-nos mais significados, alguns aparentados com os que já referimos acima, tais como “canto com que se acompanha um instrumento”, “acentuação que se põe nas vogais”, “parte da fonologia que trata da pronúncia correcta dos fonemas combinados para a formação dos vocábulos”, “conjunto de regras sobre a quantidade das sílabas”, “parte da gramática que trata da pronúncia das palavras”, “conjunto de regras relativas à quantidade de vogais nos versos”, “boa ligação das palavras com os acentos melódicos, de forma a que as sílabas longas e breves mantenham a acentuação própria”. Refere ainda que, no campo da música, diz respeito ao “conjunto de regras que dizem respeito à acentuação, ao metro e ao ritmo das palavras destinadas a ser compostas em música e à concordância daquelas com a acentuação e o ritmo próprio da música”.

 

A Enciclopédia Collier’s dedica ao termo prosody um vasto artigo, da autoria de Paul F. Baum. Sobre este autor não possuo qualquer referência. Contudo, o artigo, bastante longo, trata muitos aspectos interessantes. Define prosody como a arte e a ciência, o estudo e a prática da versificação. Acrescenta que às vezes é olhada meramente como sinónimo da métrica ou das formas métricas usadas quando se escrevem versos. Mais adiante, depois de recordar que todo o discurso humano é uma série ou uma continuidade de sons e de silêncios, e que os sons têm as propriedades acústicas com intensidades ou força comparáveis entre si (acento, tom), durações comparáveis entre si (comprimento, quantidade), e também entoações comparáveis entre si, assinala que os sons são agrupados de modo a formar ritmos. E que isso sucede na prosa e no verso.

 

É claro que o ritmo na linguagem resulta da tendência do espírito para a ordem. A ordenação da linguagem facilita a comunicação. Daí que, por exemplo, o uso da métrica na poesia tenha como objectivo apoiar a comunicação de uma ideia, de uma mensagem, de um sentimento. Na prosa ou no verso, no estilo dos melhores autores encontram-se exemplos que demonstram a importância do problema. Seja permitido aqui referir outro exemplo, mas desta vez de uma reflexão da importância da matéria subjacente a este problema: o discurso de Almeida Garrett ao Conservatório Real, em 1843, sobre o Frei Luís de Sousa, em que descreve o seu percurso como autor desde a ideia inicial até à conclusão da peça. Nomeadamente quando opta por escolher a forma do drama em vez do verso para narrar aquela história tão trágica.

 

Voltar a abordar este assunto poderá contribuir para continuar no nosso blogue a discussão à volta da origem e da necessidade da arte. É claro que o termo prosódia, tão antigo, apareceu da discussão à volta destes temas. 

publicado por João Machado às 15:00
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