Terça-feira, 28 de Junho de 2011

Monumento a José Saramago em Itália

Com a devida vénia transcrevemos da edição on line do JORNAL DE ANGOLA, esta notícia emitida às 15:40 de ontem

 

 

 

 

 

A inauguração de um monumento em Pontedera, Itália, em homenagem ao escritor José Saramago, constitui um dos pontos altos do XIX Festival Sete Sóis Sete Luas, anunciou, ontem, em Lisboa, em conferência de imprensa, o seu director. Marco Abbondanza disse que a inauguração do monumento – “um símbolo iluminista, à semelhança de Saramago, que mostrou que podemos construir o nosso próprio destino” –, do escultor andaluz César Molina, é no dia 16 de Julho. “Ao longo dos mais de 20 anos de relacionamento que manteve connosco, José Saramago deu-nos uma lição de vida e foi a primeira pessoa a aderir a este festival, que pretende dar ênfase às manifestações artísticas e culturais mediterrânicas e dos países lusófonos”, frisou o responsável. O monumento fica no pátio do Centrum, numa praça que, em 2012, por ocasião da 20ª edição do festival, passa a chamar-se “Piazza José Saramago”, referiu. À inauguração do monumento sucede à estreia, em Itália, do documentário “José e Pilar”, da autoria do cineasta Miguel Gonçalves Mendes, que vai ser apresentado em todas as localidades italianas que aderiram à rede do festival Sete Sóis Sete Luas. A rede do festival é constituída por 25 cidades de dez países da bacia do Mediterrâneo e por Cabo Verde, Croácia, Espanha, França, Grécia, Israel, Itália, Marrocos, Portugal e Brasil. Capri, Itália, e Ceuta, Espanha, são duas das novas cidades que aderiram, este ano, ao festival Sete Sóis Sete Luas, enquanto Vila Real e Azinhaga do Ribatejo – terra natal de Saramago – não participam devido a cortes financeiros, disse Marco Abbondanza.

publicado por Carlos Loures às 09:30

editado por João Machado em 27/06/2011 às 22:32
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Quarta-feira, 23 de Março de 2011

Os 150 anos da unificação de itália - 2 - por Carlos Loures

 

Num artigo anterior, dava conta do incómodo que sinto pelo facto de o presidente da República ser Aníbal Cavaco Silva. Na minha opinião, não tem perfil para ocupar o cargo -  Inculto, prosaico, incolor e, ainda por cima, ultra-conservador– um desastre.  Nada tenho pessoalmente contra Cavaco Silva. Até me dizem que é boa pessoa. Pois será. E talvez seja até um bom professor. Pode ser que seja. Apenas sei que é um péssimo presidente. E depois olho para o Governo – para o primeiro ministro e outros elementos da equipa ministerial. A paisagem não melhora. E, quando me volto para as oposições, as últimas esperanças desvanecem-se… - a nossa classe política é bem descrita por Camões numa das últimas estâncias do Canto X do tal livro que o PR não leu:

 

No’ mais, Musa, no’mais, que a lira tenho

Destemperada e a voz enrouquecida,

E não do canto, mas de ver que venho

Cantar a gente surda e endurecida.

O favor com que mais se acende o engenho,

Não no dá a Pátria, não, que está metida

No gosto da cobiça e na rudeza

D˜ua austera, apagada e vil tristeza.

 

Gente surda e endurecida, apagada e vil tristeza é verdade. Austera, sobretudo para quem lhes paga a falta de austeridade nos seus gastos. Talvez o problema se situe no facto de, grosso modo, todos os nossos políticos, da direita à esquerda, terem uma matriz cultural semelhante, serem fruto, na sua esmagadora maioria, de uma Universidade elitista. Há estigmas dessa matriz na linguagem e no comportamento - é interessante ouvir gente de direita manipular conceitos socialistas e gente de esquerda adoptar comportamentos e tomar medidas de direita, Porque, do CDS ao Bloco de Esquerda, todos são muito parecidos, tendo assumido as opções políticas como quem escolhe um clube de futebol. Todos conhecemos famílias em que havia irmãos adeptos do regime salazarista e militantes de partidos na clandestinidade.  É, na realidade, desolador olhar desapaixonadamente a classe política portuguesa. Bem sei que isto não se passa só em Portugal.

 

Apenas me resta um truque para atenuar a mágoa – lembrar-me que em Itália há um presidente do Conselho de Ministros chamado Silvio Berlusconi.  

 

 Itália é um dos berços da nossa civilização e quase custa a crer que só há 150 anos se unificou e constituiu em Estado. Um Estado mais jovem do que as repúblicas do continente americano. Em todo o caso é uma democracia com mais três décadas do que a nossa e parece impossível como a maioria do eleitorado coloca na cadeira do poder um Berlusconi que, por razões diferentes das de Cavaco (opostas, por vezes) é também um presidente deplorável com broncas de toda a natureza - de corrupção, de ligações à Mafia e de sucessivos escândalos sexuais, como o recente envolvimento de Berlusconi com Ruby, uma prostituta marroquina de menor idade. Não esqueçamos também a série de fotos que o El País publicou há dois anos atrás. Num país menos complacente seria a inevitável queda do Governo.

 

Digamos que não sendo cinzento e bisonho como Cavaco – é talvez demasiado colorido, loquaz e escandaloso.  Pior seria quase impossível.

 

Porém, mais preocupante do que os escândalos  é  a promiscuidade entre política e negócios, com a corrupção a servir de ponte entre dois mundos que deviam estar separados – no Parlamento italiano as decisões políticas são muitas vezes claramente transaccionadas e há debates políticos ao nível dos piores reality shows televisivos.

 

Um estado de degradação a que, por enquanto, ainda não se chegou aqui. Naturalmente, as estruturas económicas são em Itália bastante mais robustas. A fragilidade da nossa economia, bem como a rigidez dos costumes,  não aguentariam  reportagens que mostrassem Sócrates nas situações complicadas em que Silvio aparece n as fotos do El País, nem sexo oral em São Bento, como aconteceu na Sala Oval com Clinton.

 

Mas é com estas reportagens como pano de fundo e com a Liga do Norte, pilar do governo de Berlusconi, e batendo a tecla das velhas acusações xenófobas contra o centralismo romano que a unificação de iTália é comemorada. Digamos que a Liga comemora a   unificação, propondo a separação. 

  

Hoje perdi o norte (tal como pode acontecer à República Italiana) e acabei por pouco falar sobre os 150 anos da unificação.

 

 Da próxima vez prometo não descarrilar.


Nota: Podia também lembrar-me que os cidadãos do estado espanhol têm uma ridícula monarquia, com um criado de Franco sentado no trono, que o orgulhoso Reino Unido teve há poucos anos um bordel a funcionar em Buckingham, que Sarkozy, com a sua Carla Bruni, é uma personagem de anedota...

 

Mas nada disto me compensa ou alivia. Com o mal dos outros, posso bem. Que mostruário de políticos nós temos - Cavaco Silva, Sócrates, Paulo Portas, Alberto João Jardim...

 

Não será antes um monstruário?

publicado por Carlos Loures às 12:00
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Terça-feira, 22 de Março de 2011

Os 150 anos da unificação de Itália - 1 - por Carlos Loures

 

 

Sobre a unificação de Itália, Tomasi di Lampedusa oferece-nos uma soberba explicação histórica e sociológica no seu romance Il gattopardo (que na edição portuguesa circulou sob o título errado de O Leopardo – erro deliberado, penso, pois o gato-pardo é o felídeo a que chamamos vulgarmente chita). Explicação sobre os mecanismos económicos, políticos e sociais que subjazem sob o tecido palpitante da unificação dos oito estados  italianos que se juntaram para formar a Itália em 16 de Março de 1861 – fez a semana passada 150 anos.

 

Palpitante, porque é quase sempre em tom poético, com ressonâncias a Petrarca, que os episódios da gesta irredentista de Garibaldi nos chegam, fazendo acudir à nossa imaginação o “Va pensièro”, o coro dos escravos da ópera Nabucco, de Giuseppe Verdi – que, aliás, esteve para ser escolhido como hino de Itália - Va', pensièro, sull'ali dorate/Va', ti posa sui clivi, sui coll,/ove olezzano tepide e molli/l'aure dolci del suolo natal!(...)./O mia Patria, sì bella e perduta!/O membranza sì cara e fatal!

 

Por debaixo deste manto diáfano de poética fantasia havia razões menos poéticas. Por aqueles anos da segunda metade do século XIX, a Península Itálica era atingida pelo tsunami do expansionismo capitalista que varria toda a Europa. Em 1814, o Congresso de Viena, que varria os estragos produzidos pelo vendaval napoleónico, dividira a Itália e oito estados – os reinos Sardo-Piemontês e Lombardo- Veneziano, os ducados de Parma, Modena e Toscana, os Estados Pontifícios e o Reino das Duas Sicílias, gerido pela Áustriaa, por França e pelo Papa.

 

A grande burguesia e o industrialismo rompante do Norte, recuperaram o ideal antigo de uma itália unificada. Um mercado amplo onde pudessem vender o que produziam sem as peias alfandegárias que os caducos estados absolutistas impunham como protecção aos seus anquilosados aparelhos produtivos. Os movimentos nacionalistas irrompem como cogumelos – burguesia e o incipiente proletariado e franjas do campesinato põem-se de acordo. A Carbonária de Filippo Buonarotti agita o Sul…. Surge um grande movimento nacional - Il Rissorgimento.

 

Homens como o príncipe de Salina, o protagonista do romance de Lampedusa, compreendem os mecanismos desta vaga de fundo, mas apenas podem passar um olhar melancólico sobre a desoladora paisagem que se adivinhava para lá das arrebatadas descrições que do avanço da ideia unificadora se fazia.

 

E a cavalgada romântica foi desencadeada por Giuseppe Mazzini, criando a Jovem Itália em 1831, Os austríacos dominaram este primeiro assomo de patriotismo italiano, mas os movimentos republicanos e italianistas, esmagados pela força, renasciam de Norte a Sul. Em 1859, a Áustria foi derrotada pelas forças lideradas por Cavour (chefe do governo de Vittorio Emanuele II, rei da Sardenha e do Piemonte), auxiliado pela França de Napoleão III. A Sul Garibaldi e os seus camisas vermelhas, produziam estragos.

 

A Áustria viu-se forçada a ceder ao Reino Sardo-Piemontês, Parma, Modena e Toscana, bem como a Lombardia. De notar que Cavour era monárquico e Garibaldi republicano. Em 1861 a unidade de Itália é proclamada. Faltava conquistar Veneza e Roma. Com a ajuda das forças prussianas, Veneza foi conquistada em 1866 e Roma em 1870, com o auxílio militar francês. Passou a ser a capital do novo estado italiano. O papa Pio IX não aceitou a anexação dos Estados Pontifícios e considerou-se prisioneiro no Vaticano.

 

 Porém, só em 1929, no pontificado de Pio XI, a unificação foi completada com a assinatura da Concordata de São João de Latrão. Benito Mussolini e o fascismo marcavam pontos ao arrumar a chamada «questão romana». Apenas faltava recuperar Trieste – o que só aconteceria em 1975, com o o Tratado de Osimo entre a Itália e a Jugoslávia.

 

É curioso que o mesmo tipo de forças que há 150 anos lutaram pela unificação de Itália, defendem agora a sua secessão. A Liga do Norte, usando argumentação xenófoba, acusa o centralismo romano de asfixiar o Norte, desenvolvido e rico, obrigando-o a pagar a factura de estar unido a um Sul preguiçoso e atrasado. A Liga do Norte é o pilar em que se apoia o Governo de “Il Cavaliere”, o bizarro Silvio Berlusconi. Estes argumentos são aduzidos mesmo durante as comemorações da unificação.

 

Comemorações discretas, aliás. Mas disso falaremos amanhã.

publicado por Carlos Loures às 12:00
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Quinta-feira, 17 de Março de 2011

1861-2011: 150° aniversário da unidade da Itália, por Sílvio Castro

 

 

 

                Nos dois dias, 17 de março de 1861 e 17 de março de 2011, podemos ver duas Itálias que se parecem como se confrontassem sempre diante de um espelho: quase de maneira unânime, naturalmente mais agora que no momento histórico da fundação, os italianos amam e afirmam o sentido da Itália unida, porém, então como agora, igualmente muitos não querem saber de festejar o 17 de março.

 

               Como quase tudo que se refira a expressão de opinião, a questão se repete hoje, assim como possivelmente continuará a repetir-se no futuro, mesmo quando chegar o bi-centenário de 2061.

 

                Depois de muitas discursões, o atual governo italiano decidiu finalmente que o 17 de março de 2011 é um dia feriado. Isso para que a gente possa comemorar dignamente o evento unitário. E por isso mesmo, as instituições oficiais deverão dar ênfase à Festa. Tudo certamente acontecerá desta maneira, ainda que os adepto do partido da “Lega Nord”, em particular aqueles da Lega da região do Vêneto, afirmam que será festa, mas sem festejamentos por parte dos líderes leguistas. Para eles, Garibaldi não deve ser recordado, porque não sabem ou já esqueceram que também Garibaldi era um federalista, ainda que de tipo de federalismo diverso daquele dos seguidores do movimento de direita guiado por Humberto Bossi, o sustentáculo sempre oscilante, mas indispensável, do governo Belusconi.

 

 

 

 

publicado por João Machado às 15:00
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Sexta-feira, 18 de Fevereiro de 2011

DE COMO “PORTUGUÊS” PASSOU A SER SINÓNIMO DE BORLISTA EM ITÁLIA - por Manuel Simões

Quem visita a Itália e apanha, por acaso, um transporte urbano em qualquer cidade,encontra, com frequência, no interior dos autocarros, um cartaz com a indicação de que os “portugueses” apanhados sem bilhete serão severamente multados. Para quem não conhece o uso linguístico do termo, pode parecer uma forma de racismo primário e foi assim que o cônsul de Portugal de Milão o entendeu, há já alguns anos, ao acusar o Município de Vicenza, que anunciava explicitamente nos autocarros ter declarado guerra aos “portugueses”. Ao nosso bem-intencionado cônsul valeu, então, um semáforo vermelho da conhecida revista “Espresso”, mimoseando ironicamente o cônsul por ter interpretado à letra o sentido figurado da uma fórmula consolidada e frequente na mitologia italiana.

 

Como já perceberam, “portugueses” tem em italiano o significado de borlistas, os que tentam não pagar bilhete, geralmente nos transportes, mas o termo já se estendeu a espectáculos e toda a espécie de manifestações onde se tenha que pagar o ingresso. Nos relatos de futebol através da rádio era frequente ouvir o cronista referir que estavam no estádio não sei quantos mil espectadores pagantes mais uns tantos “portugueses”, que, neste caso, eram os habituais convidados e não pagavam bilhete.

 

O meu primeiro contacto com a expressão utilizada neste sentido e que, nessa altura, escapava ao meu entendimento, já vem dos anos 70 quando, na cidade de Bari, li na primeira página de um jornal local que tinha sido preso um “português” por ter tentado saltar o muro duma esplanada de cinema. Não recordo se o termo estava transcrito entre aspas; sei que fiquei alarmado e dei comigo a cogitar se ali prendiam os portugueses por uma questão como esta e se a infracção era tão grave que merecia vir na primeira página, de forma tão sensacionalista. Bom, não era bem assim: o homem tentara não pagar bilhete, mas se não era português porque é que o consideravam como tal?

 

A história é antiga e a proveniência não é ainda segura. Deve ter começado em Roma mas alargou-se a todo o país. São várias as explicações mas, como veremos, não tem implicações racistas em relação aos cidadãos de Portugal. Os dicionários, em geral, aludem a um episódio que remonta ao tempo de D. João V (século XVIII): a embaixada de Portugal teria organizado um espectáculo no Teatro Argentina de Roma, ao qual podiam assistir sem convite só os portugueses. A voz mais corrente, porém, atribui a expressão a tempos mais remotos, justamente ao ano de 1514, quando D. Manuel mandou a famosa embaixada do elefante branco ao Papa Leão X, o qual, senhor do poder temporal em toda a cidade, teria decretado que os portugueses tinham entrada livre nos lugares (hospedarias, teatros, etc.) onde todos os outros só tinham acesso mediante pagamento. É claro que, tanto num caso como no outro, os borlistas eram os romanos que se faziam passar por portugueses e, portanto, só aos italianos cabe por inteiro aquele epíteto, agora eventualmente alargado, com o turismo de massa, a utentes de outras nacionalidades. Mas, como é evidente, a quase totalidade dos chamados “portugueses”, isto é, borlistas, são os italianos.

 

Ultimamente, segundo notícias recentes, este atributo passou a contemplar também outro povo e precisamente os espanhóis. Segundo li no “Corriere della Sera” há algumas semanas, e a notícia era apresentada de forma irónica mas enfática, os espanhóis começaram a aplicar um truque - tão difundido que mereceu as honras de notícia do “Corriere”- que tem a ver com a lei de proibição de fumar nos lugares públicos (cafés, restaurantes, etc.). A certa altura o cliente levanta-se da mesa, vem até à porta para fumar o seu cigarro e, com ar distraído, sai sem pagar a conta. Não conheço a realidade espanhola para avaliar se tal hábito é assim tão generalizado. Para o “Corriere” não havia dúvida, de tal modo que evidenciava a notícia com um título que confirma o uso arreigado da expressão “português”: “Mas afinal os espanhóis também são ‘portugueses’”.Não nos faltava mais nada…

publicado por Carlos Loures às 19:00

editado por Luis Moreira às 00:46
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Sexta-feira, 21 de Janeiro de 2011

E prometeram-nos a modernização das leis do trabalho… por Júlio Marques Mota

 

Sob a direcção de Durão Barroso, assiste-se em Itália à tentativa de destruição de mais um pedaço do Modelo Social Europeu. A acompanhar no Estrolabio, até 28 de Janeiro.

 

  1. Em Itália, os novos acordos sociais assinados na Fiat preocupam o patronato
  2. 

Emma Marcegaglia, a presidente do Medef italiano, teme ver o seu principal membro contribuinte  sair da associação. Um ramo automóvel poderia ser criado especificamente para o construtor

 

O  Director Geral do grupo automóvel Fiat, Sergio Marchionne, reservou a sua primeira deslocação do ano 2011 à Piazza Affari, a Bolsa de Milão. Uma viagem excepcionalmente curta para um homem habituado a passar de Turim, sede  histórica da sociedade, para  Detroit (Michigan) onde a Fiat detém 20%  da Chrysler, mas é duplamente simbólica.

 

Porque Marchionne apenas  assistiu, na segunda-feira 3 de Janeiro, aos primeiros passos no mercado da sociedade da Fiat Industrial (camiões, veículos agrícolas, motores) nascida da cisão anunciada em Abril de 2010 do construtor em dois grupos distintos (a Fiat Industrial e a Fiat Auto), e dirigiu igualmente um sinal aos investidores quanto à  sua determinação de  prosseguir a transformação da empresa para  atingir no futuro uma produção de 6 milhões de veículos por ano.

 

Esta passa antes de mais nada por uma reactivação da produtividade dos sítios italianos do grupo, menos eficientes: quando um trabalhador transalpino produz 29,4 veículos por ano, o seu homólogo brasileiro monta 76, o Polaco, 100. A Fiat por conseguinte imaginou pois uma espécie de troca, o  toma lá dá cá,  draconiana.

 

A empresa compromete-se a manter o emprego investindo 20 mil milhões de euros durante cinco anos na Península, em troca de que os sindicatos são convidados a aprovar um novo contrato de trabalho: a caça ao absentismo, a redução das pausas no trabalho, o aumento das horas suplementares, a aberturas das fábricas ao sábado, o enquadramento  rigoroso do direito de greve…

Depois de  um primeiro acordo obtido em  Pomigliano d’Arco (Campania) onde, no mês de Junho, 63% dos as

salariados aprovaram por referendo a adopção destas novas regras, a Fiat acaba de obter  um novo sucesso no sítio  Mirafiori (Piemonte) onde os sindicatos rubricaram um acordo do mesmo tipo. Aqui também os assalariados foram chamados a pronunciarem-se por voto neste mês de Janeiro.

Só o FIOM ( a federação da metalurgia filiada na  Confederação Geral italiana do Trabalho, CGIL) o denuncia como  “uma chantagem” e interroga-se sobre o conteúdo do plano de reactivação  e não assinou este acordo.

 

Estas novas medidas revogam o direito nacional do trabalho em vigor na metalurgia assinado pela Confindustria, o patronato italiano, e as organizações sindicais. Para contornar esta dificuldade, a Fiat prevê criar novas sociedades sobre os sítios existentes. Tomarão o nome de Fabbrica Itália Pomigliano d’Arc Campanie ou Fabbrica Itália Mirafiori no Piemonte, uma maneira de manter a filiação com “a fábrica italiana de automóveis de Turim” de que  Fiat é o acrónimo.

 

Consequência: estes “newco” (o seu nome italiano) não podem, de facto, aderir à associação patronal. Um momento histórico decisivo tanto a empresa como  a instituição patronal têm estado ligadas. No passado Luca Cordero di Montezemolo, Director Geral da Fiat e actual presidente da Ferrari, foi o presidente do Confindustria. John Elkann, o chefe de fila de Agnelli, que controla 30% da Fiat está na direcção das  instâncias patronais enquanto que o número dois do patronato italiano , Alberto Bombassei, é administrador da Fiat Industrial.

 

Marchionne e Emma Marcegaglia, a presidente do Confindustria, encontraram-se  várias vezes durante este último mês de  Dezembro de 2010, nos Estados Unidos e na Itália, para negociar “a saída da Fiat”, principal contribuinte da associação. A proprietária dos proprietários teria preferido uma ofensiva conjunta  dos  patrões  contra o direito do trabalho e esta enerva-se com a situação de cavaleiro solitário de  Marchionne. Tanto   mais quanto a sua  estratégia, apoiada pelo governo de Silvio Berlusconi e aplaudida pelo centro esquerda, poderia fazer mancha de óleo. “Sair de Confindustria é uma possibilidade mas não uma probabilidade”, declarou segunda-feira  Marchionne de maneira sibilina.

 

Um acordo poderia ser encontrado em torno do conceito “de ruptura provisória” de um ou dois anos. O tempo para o construtor que continua a transformação da empresa sítio por sítio e para a Confindustria  criarem  um ramo automóvel de modo  a  validar os contratos específicos “made in  Fiat”. Depois do que, a empresa voltaria ao  regaço patronal ainda mais tranquilizada quanto ela deveria ser praticamente a única aderente deste novo ramo.

 

Seja como for, a presença de  Marchionne no edifício do Piazza Affari estrimulou as possibilidades de comercialização de Fiat Industrial. O título Fiat terminou a  9 euros enquanto que  Fiat Auto valia  7 euros no final do dia . Em conjunto, os dois valores estão em alta de cerca de  4 % relativamente à última cotação de fecho  de Fiat (15,43 euros).

 

Philippe Ridet,  En Italie, les nouveaux accords sociaux signés chez Fiat inquiètent le patronat, Le Monde, 5 Janeiro de 2011.

 

publicado por Carlos Loures às 20:00

editado por Luis Moreira em 20/01/2011 às 17:34
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Sábado, 15 de Janeiro de 2011

A Itália é o laboratório do totalitarismo moderno - Prof Stefano Rodotà

Luis Moreira

 

 

 

Crescem a xenofobia e o racismo e a debilidade cultural da Itália se expande pelo continente europeu. Trono e altar se aliaram de novo, agora de maneira distinta. Hoje assistimos a uma fusão entre mercado, fé e política, que tratam de organizar nossas vidas, manipulando o direito. Na Itália, a corrupção não só não é perseguida, como está protegida pela lei. Aboliram a transparência e os controles ordinários para poder roubar melhor. Hoje o que manda é o uso personalista e autoritário das instituições. A sociedade se decompôs, o país está se desfazendo. A política faz uso ostensivo da força, e o direito se esfarela. A análise é de Stefano Rodotà, professor de Direito Civil na Universidade de La Sapienza, Roma.

 

Siga o link para ler a importante entrevista ao Prof Stefano Rodotà.

publicado por Luis Moreira às 13:00
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Quarta-feira, 12 de Janeiro de 2011

MANUEL ALEGRE ENTREVISTADO PARA A REVISTA POESIA, DE MILÃO - por Sílvio Castro

 

 

 

 

Em abril passado Manuel Alegre se encontrava na Itália, em Pádua, no histórico salão nobre do Palazzo del Bò, convidado para a cerimônia de inauguração da “Cátedra Manuel Alegre“ a ele dedicada, instituída na Faculdade  de Letras e Filosofia, junto à cátedra de Lingua e letteratura portoghese e brasiliana do Dipartimento di Romanistica, em colaboração com o Instituto Camões de Lisboa. Diante do reitor da Universidade de Pádua, prof. Giuseppe Zaccaria, do embaixador de Portugal em Roma, Fernando de Oliveira Neves, de professores de português de diversas universidades italianas, de docentes de outras disciplinas  e de um grande público no qual sobressaia uma numerosa representação de jovens estudantes, em seguida à apresentação do atual docente de Lingua e letteratura portoghese, prof.a Sandra Bagno, responsabile igualmente da nova cátedra patavina, Manuel Alegre pronunciou uma lectio magistralis

 

Então, a cátedra por mim criada no ano-acadêmico 1962-63 e mantida por mim até 2005, quando me aposentei e deixei a mesma para a minha ex-aluna e sucessora, prof.a Sandra Bagno, passava a alargar-se com a nova Cátedra Manuel Alegre.

 

Na oportunidade da festiva solenidade, Manuel Alegre foi entrevistado para a revista Poesia, de Milão (publicação que prossegue a tradição da histórica revista milanesa Poesia, de Marinetti) pela escritora e jornalista italiana Maurizia Rossela. Trata-se de uma ampla entrevista que indaga principalmente das relações entre poesia e política na obra do escriitor português. Aberta com uma esclarecedora página com notícias bio-bibliográficas sobre o autor, principalmente sobre o poeta Manuel Alegre, a entrevista de Maurízia Rossela se desenvolve em numerosas perguntas e se completa com uma pequena antologia de poemas da obra de Alegre, com traduções também de Giulia Lanciani e Giampaolo Tonini.

 

Ao começar a entrevista, Manuel Alegre comenta: “(...) muitos podem ser eleitos presidentes da República, mas não conheço nenhum entre eles que possa dizer de ter uma cátedra intitulada ao seu nome na Universidade de Pádua. Para mim isto significa mais do que um cargo público.”

 

Entre as muitas perguntas da entrevistadora, contam-se as seguintes, realçadas aqui por simples motivo de limitação de espaço:

publicado por Carlos Loures às 17:00

editado por Luis Moreira às 12:58
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Domingo, 28 de Novembro de 2010

O filme : O Americano

Luís Moreira

Um actor que arrasta gente, umas povoações de sonho na itália, uma música adequada e umas belas mulheres, e temos um filme.

O dinheiro vem do próprio Clooney que é também o produtor do filme, a história é tipo "chico esperto" vai-nos mostrando o suficiente para nos empurrar para uma certa lógica e, a seguir, dá a volta, muito mal dada, benza-os deus.

Um padre pecador, um assassino profissional que do principio ao fim não muda de expressão, umas mulheres lindas perdidas pelo "durão", "estranho" que paga a prostitutas, mais nada se sabe dele, mata sem pestanejar...





No meio (de Itália e do filme) aparecem uns Suecos que querem matar o nosso herói ninguem percebe porquê, há um senhor grisalho que recebe uns telefonemas e dá ordens e todos obedecem, também não se sabe porquê, morrem todos no fim, quando o amor começava a florir...
publicado por Luis Moreira às 22:30
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Sábado, 15 de Maio de 2010

Italo Calvino nos 25 anos da morte



Sílvio Castro

A figura de Calvino no quadro literário italiano do Novecentos se apresenta como referência essencial e como marco de criatividade poética. Através de uma obra marcada por evidente modernidade, em consonância com os pontos que definem as experiências revolucionárias que transformaram não só a literatura, mas praticamente todas as expressões culturais do século XX, ele se coloca possivelmente como o escritor italiano mais universal de seu tempo.

Até mesmo as suas origens como que preanunciam a sua futura personalidade universal. Nascido em Cuba, em Santiago de Las Vegas, nas vizinhanças de Havana, aos 15 de outubro de 1923, filho de um pai da Ligúria, agrônomo de profissão, e de uma mãe sarda, doutora em ciências sociais, Calvino certamente absorveu da infância as influências de um ambiente familiar embebido de preocupações e atividades científicas. Seu pai chega a Cuba, onde permanece por três anos, depois de vinte no México. Sua mãe, pesquisadora científica num tempo em que as italianas ainda não gozavam dos plenos direitos civis e políticos, viveu sempre dedicada à sua formação científica e deu aos filhos, em particular a Calvino, o exemplo de uma personalidade forte e rigorosa. O futuro escritor, homem de empenho político e social, parte dessas características familiares, bem como de sua fortuita, mas marcante experiência pessoal de um nascimento na América Latina. Calvino se sentirá sempre muito preso à cultura latino-americana, não só àquela de língua espanhola, mas igualmente à brasileira. Conhecida era a sua particular admiração por Jorge Amado.

Retornado com a família em Itália em 1925, com ela se instala naquela Ligúria do pai, precisamente em São Remo. A paisagem do mar lígure, das grandes colinas e da longa costa de sua terra de formação, estará presente em muitos de seus livros. Sua mocidade ele a passa nos tempos difíceis do fascismo, nunca inteiramente aceito pela maioria dos lígures, e se prepara para participar das lutas pela extinção do regime. Apenas terminado o curso universitário em Letras, em comunhão com os ideais que a partir de 8 de setembro de 1943 lutam pela redemocratização da Itália, o jovem Calvino adere à Resistência e terminada a guerra se inscreve no Partido Comunista Italiano do qual se demitirá em 1956, depois da invasão soviética da Hungria. Em 1º de agosto de 1957, numa carta aberta a L’Unità, jornal do PCI e no qual desde há muito colaborava, dirigindo a página cultural, ele concluia a exposição dos motivos de seu ato e de sua vontade de não dever partecipar de uma discussão estatutária prevista para casos semelhantes:

“Desejo que, dado o espírito ponderado dessas minhas demissões, que me fossem evitados os colóquios previstos pelo Estatuto, que não fariam senão inclinar a serenidade dessa minha despedida. Peço-vos de publicar esta carta em L’Unità para que assim o meu comportamento apareça claro aos meus companheiros, aos amigos, aos adversários. Desejo enviar uma saudação àqueles companheiros que nos seus setores de trabalho lutam para afirmar justos princípios, e também àqueles mais distantes de minhas posições aos quais respeito como combatentes anciãos e valorosos, e ao qual respeito dou o máximo valor, apesar das nossas opiniões divergentes; e a todos companheiros trabalhadores, à parte melhor do povo italiano, dos quais continuarei a considerar-me o companheiro.”

O espírito de militante independente foi sempre uma característica do homem Calvino no percurso de seus sessenta e dois anos de vida.

De sua obra vão recordados os momentos culminantes, começando com a trilogia plena de fantasia criativa de “I nostri antenati”, com os excepcionais Il visconte dimezzato (1952), Il barone rampante (’57), Il cavaliere inesistente (’59). Em 1963, Marcovaldo ovvero Le stagioni in città, que trata justamente um dos temas, aquele urbano, mais caros à modernidade de Calvino. A respeito da relação entre o homem e o universo urbano, ele teve a dizer: “De uma cidade não gozes as sete ou setenta maravilhas, mas a resposta que dá a uma tua pergunta.” Do ano 1964 são as Cosmicomiche; de 1972 as fantásticas Le città invisibili e do ano seguinte, Il castello dei destini incrociati; de 1979, Se una notte d’inverno un viaggiatore, para chegar até a experiência da ficção científica com Palomare, de 1983.

Alguns anos atrás um editor brasileiro me convidou a fazer a tradução da “Obra Completa”, de Calvino, que ele estava por publicar. Não pude aceitar o convite em face de meus empenhos de pesquisa e didatica na Universidade italiana, pelos meus muitos trabalhos em via de conclusão ou em projetos, bem como porque não me reconhecia como um tradutor profissional. Para compensar uma frustração que jamais superei completamente em razão daquela resposta negativa, hoje proponho junto a este artigo, antecipador dos vinte e cinco anos da morte de Calvino – 19 de setembro de 1985 – a tradução de um dos seus contos presentes no volume Racconti, de 1958, justamente aquele de título “L’avventura di due sposi”, que nos mostra um Calvino politicamente militante, mas independente e principalmente um grande criador literário.

Desejo concluir este meu testemunho em homenagem aos vinte e cinco anos da morte de Italo Calvino reafirmando o quanto ele tivesse em consideração as literaturas de língua portuguesa, em modo especial aquela brasileira. Como clara demonstração de uma tal atenção reproduzo no original, com a correspondente minha tradução, uma carta que diz da troca de idéias que tive oportunidade de manter com ele sobre a produção literária de nossos autores. Desde os primeiros anos de minha experiência italiana, sempre em curso, procurei falar constantemene com os mais representativos operadores editoriais da Itália, como testemunho no meu volume de 1993, Trenta anni di portoghese a Padova e a Venezia. Calvino colaborou intensamente com a editora Einaudi, ali introduzido por Cesare Pavese, um dos responsáveis editoriais da Editora, e nela foi por muito tempo programador da política editorial. A carta abaixo que aqui publico pela primeira vez está assinada por Paolo Fossati, diretor editorial:

Torino, 4 marzo 1969

Professor
Silvio Castro
Fondamenta de Ca’ Bernardo 2196
S. Polo
V e n e z i a


Gentile Professore,
La ringrazio anche a nome di Calvino, che mi ha passato la Sua lettera, per le proposte che fà alla nostra casa editrice.
In particolare per ciò che concerne i due poeti brasiliani, di cui però vorremo farci un’idea più precisa. Lei potrebbe, in via preliminare a una nostra decisione, farci avere una cartella crítica di presentazione dei due e qualche traduzione Sua dei medesimi? Con questo materiale in mano potremo decidere.
Circa il Pavese: noi non ci interessiamo di sollecitare o collocare edizioni dei nostri escritori presso altri editori, e non ho quindi possibilità di proporre il Suo lavoro.
Lei può seguire la via inversa rivolgendosi alle case editrici interessate. Mi sembra l’unica soluzione pratica.
Gradisca un cordiale saluto

(Paolo Fossati)


(Muito gentil Professor,

Agradeço-lhe também em nome de Calvino, que me passou a sua carta, pelas propostas que nela faz à nossa casa editora.
Em particular pelo que se refere aos dois poetas brasileiros, dos quais porém que queremos ter uma idéia mais precisa. Poderia o senhor, em via preliminar a uma nossa decisão, fornece-nos uma página crítica de apresentação dos dois e algumas traduções suas dos mesmos? Com este material em mãos poderemos decidir.
Quanto a Pavese: nós não nos interessamos de solicitar ou colocar edições de nossos escritores junto a outros editores, e de consequência, portanto, não tenho possibilidade de propor o seu trabalho.
O senhor pode seguir a via inversa, contactando as editoras interessadas. Parece-me que seja esta a única solução prática.
Queira aceitar uma cordial saudação

(Paolo Fossati)

Tudo o que foi pedido por Fossati foi feito. Os dois poetas em questão eram Manuel Bandeira e Carlos Drummond de Andrade. Quanto a questão Pavese, certamente houve uma possível confusão por parte do responsável editorial de Einaudi em relação aos meus termos na carta que enviei a Calvino. Em verdade eu indagava, começando a trabalhar na tradução das “Poesias Completas” de Cesare Pavese, como estava a questão da venda de direitos da mesma para a área da língua portuguesa. Isso em face do problema ainda vigente hoje de direitos vendidos a editoras portuguesas para toda a nossa área linguística, com evidente dificuldades para os editores brasileiros. Logicamente eu, no momento em que considerasse concluído o trabalho da minha tradução, trataria diretamente com os editores brasileiros interessados. Mas a tradução entrou pelos anos. Agora está pronta, com uma longa apresentação crítica. Dentro em pouco farei propostas aos editores que fossem interessados à poesia de Pavese. Assim, essa será a minha segunda tradução de poetas italianos contemporâneos, depois da primeira, dos “Poemas Escolhidos de Quasímodo”, publicada pela editora Globo de Porto Alegre. A edição da minha tradução da poesia de Pavese será também, da minha parte, mais uma homenagem a Calvino, tendo em vista a grande amizade que o unia ao poeta de Lavorare stanca.
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publicado por Carlos Loures às 21:00
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