Sexta-feira, 8 de Julho de 2011

"A liderança sionista colaborou com os piores perseguidores dos judeus durante o século XIX e o século XX, incluindo os nazis" - por Stylianos Tsirakis*

 

(Publicado na Revista Teoria & Debate)

 

 

Ralph Schoenman foi director-executivo da Fundação pela Paz Bertrand Russel, papel através do qual conduziu negociações com inúmeros chefes de Estado. Foi também fundador e director da Campanha de Solidariedade ao Vietname e director do Comité "Quem Matou Kennedy?". Tem sido co-director do Movimento de Solidariedade de Trabalhadores e Artistas Americanos. ?

 

T&D - No seu livro The Hidden History of Zionism (A História Oculta do Sionismo),  descreve quatro mitos sobre a história do sionismo. Gostaríamos que explicasse um pouco seu livro.

 

Schoenman - O meu trabalho na Fundação Bertrand Russel foi importante por me dar a chance de documentar fatos da formação do Estado sionista de Israel. Em cursos e palestras que proferi em mais de uma centena de universidades americanas e europeias, pude constatar que as pessoas não sabiam, não tinham conhecimento da história do movimento sionista, dos seus objectivos e de vários factos. Nessas ocasiões deparei com concepções equivocadas sobre a natureza do Estado de Israel e foi isso que impulsionou o meu trabalho de escrever o livro, The Hidden History of Zionism, no qual abordo o que chamo "os quatro mitos" que têm moldado a consciência nos Estados Unidos e na Europa sobre o sionismo e o Estado de Israel.

 

T & D - Quais são esses quatro mitos?

 

Schoenman - O primeiro mito é o da "terra sem povo para um povo sem terra". Os primeiros teóricos sionistas, como Theodor Herzl e outros, apresentaram para o mundo a Palestina como uma terra vazia, visitada ocasionalmente por beduínos nómadas; simplesmente, uma terra vazia, esperando para ser tomada, ocupada. E os judeus eram um povo sem terra, que se originaram historicamente na Palestina; portanto, os judeus deveriam ocupar essa terra. Desde o começo, os primeiros núcleos de colonos, promovidos pelo movimento sionista, foram caracterizados pela remoção, pela expulsão armada da população palestina nativa do local onde essa população vivia e onde essa população trabalhava.

 

T & D - Quais os outros três mitos?

 

Schoenman - O segundo mito que o livro pretende discutir é o mito da democracia israelita. A propaganda sionista, desde o início da formação do Estado de Israel, tem insistido em caracterizar Israel como um Estado democrático no estilo ocidental, cercado por países árabes feudais, atrasados e autoritários. Apresentam então Israel como um bastião dos direitos democráticos no Oriente Médio. Nada poderia estar mais longe da verdade. Entre a divisão da Palestina e a formação do Estado de Israel, num período de seis meses, brigadas armadas israelitas ocuparam 75% da terra palestiniana e expulsaram mais de 800 mil palestinianos, de um total de 950 mil. Eles os expulsaram através de sucessivos massacres. Várias cidades foram arrasadas, forçando assim a população palestina a refugiar-se nos países vizinhos, em campos de concentração e de refugiados. Naquele tempo, no período da formação do Estado de Israel, havia 475 cidades e vilas palestinas, que caíram sob o controlo israelita. Dessas 475 cidades e vilas, 385 foram simplesmente arrasadas, deixadas em escombros, no chão, apagadas do mapa. Nas 90 cidades e vilas remanescentes, os judeus confiscaram toda a terra, sem nenhuma indenização. Hoje, o Estado de Israel e seus organismos governamentais, tais como o da Organização da Terra, controlam cerca de 95% da terra palestina. Pela legislação existente em Israel, é necessário provar, por critérios religiosos ortodoxos judeus, a ascendência judaica por linhagem materna até a quarta geração, para poder possuir terra, trabalhar na terra ou mesmo sublocar terra. Como eu digo sempre, nas palestras em que apresento meus pontos de vista, em qualquer país do mundo (seja Brasil, EUA, onde for), se fosse necessário preencher requisitos parecidos com esses, ninguém duvidaria do carácter racista de tal Estado; seria notória a existência de um regime fascista. A Suprema Corte em Israel tem ratificado que Israel é o Estado do povo judeu e que, para participar da vida política israelita, organizar um partido político, por exemplo, ou ter uma organização política, ou mesmo um clube público, é necessário afirmar que se aceita o caráter exclusivamente judeu do Estado de Israel. É um Estado colonial racista, no qual os direitos são limitados à população colonizadora, na base de critérios raciais. O terceiro mito do qual falo em meu livro é aquele criado para justificativa da política de Israel, que se diz baseada em critérios de segurança nacional. A verdade é que Israel é a quarta potência militar do mundo. Desde 1948, os EUA deram a Israel US$ 92 bilhões em ajuda direta. A magnitude dessa soma pode ser avaliada quando observamos que a população israelense variou entre 2 a 3 milhões nesse período. Se o governo americano dá algum dinheiro para países como Taiwan, Brasil, Argentina, e a aplicação desse dinheiro tiver alguma relação com fins militares, a condição é que as compras desse material têm que ser feitas dos EUA. Mas há uma excepção: as compras de material bélico podem ser feitas também de Israel. Israel é tratado pelos EUA como parte de seu território, em todos os assuntos comerciais. O que motivaria uma potência imperialista a subsidiar tanto um Estado colonial? A verdade é que Israel não pode mesmo existir sem a ajuda americana, sem os US$ 10 bilhões anuais. Israel é, portanto, a extensão do imperialismo na região do Oriente médio. Israel é o instrumento através do qual a revolução árabe é mantida sob controle. É, portanto, o instrumento através do qual as ricas reservas do Oriente Médio são mantidas sob o controle do imperialismo americano. É também um meio através do qual os regimes sanguinários dos países árabes são mantidos no governo, graças ao clima de tensão gerado por uma possível invasão israelita. O quarto mito a que me refiro no livro, que tem influenciado a opinião pública mundial, refere-se à origem do sionismo, à origem do Estado de Israel. O sionismo tem sido apresentado como o legado moral do holocausto, das vítimas do holocausto. O movimento sionista tem como que se "alimentado" da mortandade coletiva dos 6 milhões de vítimas da exterminação nazi na Europa. Esta é uma terrível e selvagem ironia. A verdade é bem o oposto disso. A liderança sionista colaborou com os piores perseguidores dos judeus durante o século XIX e o século XX, incluindo os nazis. Quando alguém tenta explicar isso para as pessoas, elas geralmente ficam chocadas, e perguntam: o que poderia motivar tal colaboração? Os judeus foram perseguidos e oprimidos por séculos na Europa e, como todo povo oprimido, foram empurrados, impelidos a desafiar oestablishment, o statu quo. Os judeus eram críticos, eram dissidentes. Eles foram impelidos a questionar a ordem que os perseguia. Então, o melhor das mentes da inteligência judia foi impelido para movimentos que lutavam por mudanças sociais, ameaçando os governos estabelecidos. Os sionistas exploraram esse fato a ponto de dizer para vários governos reacionários, como o dos mares na Rússia, que o movimento sionista iria ajudá-los a remover esses judeus de seus países. O movimento sionista fez o mesmo apelo ao kaiser na Alemanha, obtendo dele dinheiro e armas. Eles se reivindicavam como a melhor garantia dos interesses imperialistas no  Médio Oriente, inclusive para os fascistas e os nazis.

 

T & D - Como se deu essa colaboração dos sionistas com os nazis?

 

Schoenman - Em 1941, o partido político de Itzhak Shamir (conhecido hoje como Likud) concluiu um pacto militar com o 3º Reich alemão. O acordo consistia em lutar ao lado dos nazis e fundar um Estado autoritário colonial, sob a direção do 3º Reich. Outro aspecto da colaboração entre os sionistas e governos e Estados perseguidores dos judeus é o facto de que o movimento sionista lutou ativamente para mudar as leis de imigração nos EUA, na Inglaterra e em outros países, tornando mais difícil a emigração de judeus perseguidos na Europa para esses países. Os sionistas sabiam que, podendo, os judeus perseguidos na Europa tentariam emigrar para os EUA, para a Grã- Bretanha, para o Canadá. Eles não eram sionistas, não tinham interesse em emigrar para uma terra remota como a Palestina. Em 1944, o movimento sionista refez um novo acordo com Adolf Eichmann. David Ben Gurion, do movimento sionista, mandou um enviado, de nome Rudolph Kastner, para se encontrar com Eichmann na Hungria e concluir um acordo pelo qual os sionistas concordaram em manter silêncio sobre os planos de exterminação de 800 mil judeus húngaros e mesmo evitar resistências, em troca de ter 600 líderes sionistas libertados do controle nazi e enviados para a Palestina. Portanto, o mito de que o sionismo e o Estado de Israel são o legado moral do holocausto tem um particular aspecto irónico, porque o que o movimento sionista fez quando os judeus na Europa tinham a sua existência ameaçada foi fazer acordos, e colaborar com os nazis.

 

*Stylianos Tsirakis é arquitecto. Revista Teoria&Debate nº 5 - POSTADO POR GEORGES BOURDOUKAN http://blogdobourdoukan.blogspot.com/

 

 

 

 
publicado por Carlos Loures às 17:00

editado por João Machado às 02:08
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Sábado, 25 de Junho de 2011

Quando Google Earth esconde Israel – por Octopus

 


Google Earth. Como este programito podemos ver o mundo, todo o mundo.


É só mexer no rato, com zoom e setas é possível visitar lugares que ficam do   outro lado do planeta, passear pelas ruas de New York, admirar os palácios de   Roma ou as ramblas de Barcelona.

  

 

Sempre ficando sentados na nossa cadeira, claro.

Mas há uma coisa que Google não mostra. E não adianta fazer zoom ou pegar na    lupa: Israel não aparece e ponto final.

 

Que dizer: há Israel   no mapa, óbvio, não há um buraco negro no lugar dele. Só que não há imagens
  pormenorizadas.



   Um caso? Não, uma lei. O National Defense   Authorization Act, ratificado pelo congresso dos Estados Unidos em 1997,  contempla uma secção cujo nome é "Proibição de recolha e difusão de   imagens pormenorizadas do satélite relativas à Israel".

 


  Esperem um segundo: uma lei dos Estados Unidos proíbe a recolha e a difusão   de imagens de Israel?

Sim, exacto. E existe   uma agencia federal, a NOAA's Commercial Remote Sensing Regulatory Affairs,
  encarregada de vigiar acerca da correcta aplicação da lei.

 


  National Defense Authorization Act, defesa nacional.

 

  Curiosos: Washington

 

E aqui a coisa começa  a tornar-se esquisita, não é? Porque se com muita boa vontade é possível   justificar o facto de Washington não mostrar instalações militares   israelitas, qual o problema com Gaza?

 

Em Gaza, supostamente,   não há instalações militares secretas de Tel Avive. Evidentemente, há outras
coisas que nem os EUA nem Israel querem mostrar ao mundo ao falar de Gaza.



Mas que diz Google de toda a situação?

 

"As imagens de   Google Earth provêm dum elevado número de fontes comerciais e públicas.

 Tradução: é assim e ponto final.

Todavia as coisas   podem mudar.O satélite turco GokTurk, por exemplo, captará imagens de alta   resolução de Israel em 2013 e as autoridades já anunciaram a divulgação desta   últimas.

 

  Israel não está muito satisfeito com isso.

 

Mas não parece simples   convencer um Turco de que as imagens da Terra de David são uma questão de
  Defesa Nacional para Ankara.

 


  Eis uma comparação:

  
Na primeira imagem podemos ver Praça He Be'lyar, em Tel Avive, a capital   administrativa de Israel:

 

 Na segunda imagem a localidade de Rimal, em Gaza:

 

   

 

 Na terceira imagem, os Paços do Concelho de Almada:

 

 

 


  Na última imagem, sempre como comparação, Praça Italia, em São Paulo, Brasil: 
  

 


  
As quatro imagens   foram retiradas do meu ecrã uma vez escolhido o zoom máximo e sucessivamentreduzidas na mesma percentagem (50%).Obviamente nenhuma outra modificação foi   operada.



  Fonte: http://informacaoincorrecta.blogspot.com/

Fontes: Uruknet, The
  Jerusalem Fund

 

 

publicado por Carlos Loures às 12:00

editado por João Machado em 24/06/2011 às 20:58
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Sexta-feira, 6 de Maio de 2011

Finalmente um país para a Palestina? por Luis Moreira

 

 

A Fatah e o Hamas apertaram as mãos e entenderam-se para constituirem governo, condição essencial para apresentarem nas Nações Unidas o reconhecimento oficial do Estado Palestiniano.

 

 

O governo de Israel não gosta apelida o Hamas de movimento terrorista e apela à Fatah que escolha o "caminho da Paz", leia-se das negociações a dois .Acontece que as negociações de Washinton se goraram porque a extrema direita israelita exigiu que os colonatos avançassem após ter terminado o período "não construção".

 

Não é possíveL haver conversações a sério quando, ao mesmo tempo, um dos lados está a ocupar o território à outra parte, construindo mais colonatos. A resposta da Fatah foi juntar-se ao Hamas e avançarem para um governo nacional, juntando os dois territórios, a Faixa de Gaza e a Cisjordânea.

 

Mas o Hamas tem que renunciar à guerrilha e reconhecer o Estado de Israel para que o reconhecimento internacional do Estado Palestiniano tenha hipóteses. Pelo lado da Fatah a grande exigência é que o acordo de reconhecimento mútuo se faça na base das fronteiras territoriais de 1967 .

 

Entre a população de Israel e da Palestina há uma maioria cada vez mais visivel e activa que exigem a paz e a boa vizinhança dos dois estados "

Uma multidão dava vivas na rua, no exterior do edifício onde Mahmoud Abbas, o presidente da Autoridade Palestiniana, com sede em Belém, selava com um aperto de mão a Khaled Meshaal, o líder do movimento islamista Hamas, que controla a Faixa de Gaza, o acordo mediado pelo novo Governo egípcio."

 

Claro que o que está a acontecer na zona, especialmente com o novo governo Egípcio as condições estão, finalmente, a reunirem-se para a existência de dois territórios e dois países com Jerusalém como capital comum.

 

Oxalá as "biologicamente puras ideologias" dos "bem intencionados" activistas não ponham umas pedras no caminho da paz!

publicado por Luis Moreira às 13:00
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Quarta-feira, 27 de Abril de 2011

Israel e Palestina - dois povos dois estados

 Com o devido agradecimento ao Esquerdanet

 

Dezenas de intelectuais, artistas e personalidades públicas israelitas participaram de uma manifestação, quinta-feira, em Tel Aviv, em defesa da criação de um Estado Palestiniano de acordo com as fronteiras de antes da guerra de 1967. Artigo de Ilan Lior, Haaretz.
As personalidades que participaram no protesto de quinta-feira fazem um apelo “a todos os que buscam a paz e a liberdade para todos os povos para que apoiem a declaração de um Estado palestiniano e actuem para estimular os cidadãos dos dois Estados a manter relações pacíficas com base nas fronteiras de 1967”.

 

Dezenas de intelectuais e personalidades públicas israelitas realizaram um protesto, quinta-feira à tarde, em frente à Sala da Independência de Tel Aviv, no boulevard Rotshschild, onde David Ben-Gurión pronunciou a declaração do Estado de Israel em Maio de 1948. Os participantes do acto, entre eles 17 ganhadores do Prémio Israel - o maior galardão israelita no campo das artes, ciências e letras -, expressaram o seu apoio à criação de um Estado palestiniano de acordo com as fronteiras de antes da guerra de 1967.  


Os manifestantes também planeiam assinar a sua própria declaração por escrito para expressar o seu apoio e convidaram o público em geral a unir-se a eles na assinatura do documento. “O povo judeu surgiu na terra de Israel, onde forjou o seu carácter. O povo palestiniano está a crescer na Palestina, onde se forjou seu carácter”, afirma o documento.

 

“Fazemos um apelo a todos os que buscam a paz e a liberdade para todos os povos para que apoiem a declaração de um Estado palestiniano e actuem para estimular os cidadãos dos dois Estados a manter relações pacíficas com base nas fronteiras de 1967 (...) O fim total da ocupação é um requisito fundamental para a libertação dos dois povos”, prossegue a declaração.

 

Os promotores da manifestação insistem que ela não é um protesto simbólico, mas faz parte de um processo mais amplo que conduza a uma legítima alternativa à política actual de Israel. “A nossa iniciativa não é uma demonstração de ingenuidade”, disse Sefi Rachlevsky, um dos organizadores do acto e colunista do jornal Haaretz. “Em lugar de ser o primeiro a estender a sua mão e apoiar a independência palestiniana, Israel está a trabalhar contra ela. Isso não é apenas um desastre moral, como também pode provocar uma catástrofe na qual se Israel se isolará e se transformará em uma espécie de África do Sul”.  

 

O ponto de vista sionista

 

“Israel age desta maneira com a falsa ilusão de que pode continuar com o seu comportamento colonialista, que se baseia no racismo antidemocrático que contradiz a própria declaração de independência”, acrescentou Rachlevsky.

Estou a falar desde um ponto de vista sionista”, explicou o professor Yehuda Bauer. “O sionismo propõe-se como objectivo a preservação de um lar nacional judeu com uma maioria judia sólida. Este era o sonho da esquerda, da direita e do centro do sionismo clássico. Mas a continuidade da ocupação garante a anulação do sionismo, ou seja, descarta a possibilidade que o povo judeu possa viver na sua terra com uma maioria forte e o reconhecimento internacional. Em minha opinião, isso torna claramente anti-sionista o actual governo de Israel”.

 

Bauer considera a criação de um Estado palestiniano nos moldes das fronteiras de 1967 como “a realização do nacionalismo judeu genuíno que existirá em paz na região e dentro da comunidade internacional”.

 

Tradução de Katarina Peixoto

publicado por Luis Moreira às 13:00
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Segunda-feira, 11 de Abril de 2011

Israel/Palestina - um estado e um pesadelo para Israel

 

 

 As autoridades Palestinianas estão cada vez mais a deixar cair a solução que sempre defenderam - duas nações, dois estados,- e a                        perceberem que a solução "um só Estado, dois povos" é a mais poderosa ameaça ao estado de Israel! 

 

Perante uma solução "África do Sul" - uma pessoa ,um voto - que todos defenderão - e a democracia no seu melhor , as posições que há anos os dois povos andam a defender e que não levaram a paz, podem dar uma volta de 360º graus.

 

"Round after round of failed peace talks and a simultaneous increase in illegal Jewish settlements have left the Palestinians desperate for an alternative solution. The one-state approach has therefore evolved from a mere threat to a serious option for many Palestinians."

 

A ideologia é cega como mais uma vez se comprova, o que era inaceitável para ambos os lados por razões diferentes é agora uma boa solução para quem a ostracizava e passou a ser um perigo para quem a defendia! Um estado para os dois povos assente na democracia - uma pessoa, um voto.

 

Despite both peoples’ majority preference for separation - an Israeli state, and a contiguous Palestinian state in the West Bank and Gaza - support for the one-state option is seen to be on the rise.

 

A poll released in April 2010 by the Jerusalem Media and Communication Centre, for example, found 34 per cent support for a bi-national state, up from 21 per cent in June 2009. An October 2010 poll from the Palestine Center for Policy and Survey Research found 27 per cent support for a one-state option, up from 23 per cent in May 2009.

 

In 2003, Muammar Qadafi wasone of the first Arab leaders to publicly endorse a one-state solution, which he named 'Isratine' [a combination of the words 'Israel' and 'Palestine']. Qadafi argued that a two-state option would create unacceptable security hazards for Israel on the one hand, and would do little to address the issue of the Palestinian refugees on the other.

 

The 'Isratine' proposal may have seemed far-fetched at the time; however, with the recent Israeli announcements of yet more illegal settlement construction in the West Bank, and given the current status of the so-called peace process, Qadafi's vision of a single state for Palestinians and Israelis seems ever the more imminent.

 

Enquanto que os que sentem na pele os horrores da guerra lutam por uma solução, os "bem intencionados" do costume - bem comidos e melhor bebidos - atiçam os espíritos colocando-se numa postura de irredutibilidade que não leva a lado nenhum.

 

Exterminar um dos dois povos ! No radicalismo só muda a posição relativa, como dois irmãos siameses ligados pelas costas, a visão que tem é sempre no sentido contrario à do outro. Depois de separados chegam a uma visão de conjunto.

 

Acresce que demograficamente esta solução é muito favorável à Palestina, pois a geração palestina é muito mais jovem e por isso mais rapidamente cresce em número.

 

 

 

 

 

 

 

publicado por Luis Moreira às 13:00
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Sábado, 19 de Fevereiro de 2011

Israel e a Palestina

 

 

 

 

 

 

 

continuação...

 

David Gurion foi o primeiro presidente, do estado de Israel que foi abandonado por terra, ar e mar pelos britânicos, enquanto um exército árabe atravessava a fronteira da Transjordânia, e do sul avançaram soldados egípcios. Era esperado que logo que os cinco países árabes circundantes se juntassem e organizassem o seu apoio conjunto aos Palestinianos, Israel seria varrida do mapa.

 

As Nações Unidas enviaram um "pacificador", o conde Folk Bernadotte, sueco, que conseguiu um cessar fogo de um mês,mas que  foi assassinado for judeus terroristas pertencentes ao grupo Irgun. Enquanto a indignação corria mundo israel, montado em armamento Checolováquio e de outras nações comunistas, derrotava os egípcios e outras nações árabes. Avançou Ralph Bunche, um oficial sénior das Nações Unidas, afro-americano a comandar uma equipa de brancos. Conseguiu a paz e um Prémio Nobel mas não serviu de muito.

 

No espaço de poucos meses Israel conseguira expandir-se para além do território que lhe fora atribuído pelas Nações Unidas e não tinha qualquer intenção de retirar as suas tropas. Os países árabes pensavam que face à diferença de forças um dia a derrota Israelita seria certa. Mas as armas vinham em força da União Soviética. 726 000 palestinianos fugiram e viviam em campos de refugiados e que foram rapidamente substituídos por mais judeus vindos de todo o mundo. A Palestina árabe tinha sido convertida numa maioria judaica num ápice!

 

Pensava-se que uma "mistura" de origens e de ideologias de tal monta, traria problemas insolúveis, mas a verdade é que o território ocupado desenvolveu-se de uma foma acelerada, com os partidos trabalhista e socialista tendo a maioria no parlamento. Muitos pensaram que o novo estado seria ultra-religioso, mas existiam todas as cambiantes políticas da opinião pública judaica no parlamento.

 

Mesmo que a nação de Israel não tivesse lá sido implantada, o médio oriente teria, da mesma forma, enfrentado uma tensão crescente. Era, ao tempo, o maior produtor de petróleo e constituia um cenário de rivalidade cada vez mais furiosa entre os dois colossos mundiais. Os US tinham acolhido mais Judeus que qualquer outra nação o que levou a que depois de 1948 se tornasse o maior financiador de Israel, enquanto os árabes aceitaram a União Soviética como sua protectora.

 

Quando, uma geração antes, o Plano Balfour fora aprovado, a Palestina era o local ideal para a criação do estado judaico, porque muito do seu território era formado por deserto e leitos  de rios secos. Agora é uma torrente que ninguém segura!

 

PS: com Geoffrey Blainey "Uma breve história do século xx"

publicado por Luis Moreira às 11:41
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Sexta-feira, 18 de Fevereiro de 2011

Israel - o ínicio

 

Luis Moreira

 

 

 

Em 1896 um jornalista veniense, Theodoro Herzl, promoveu pela primeira vez o movimento sionista e a esperança de uma nação distintamente Judaica. A questão era: que nação iria avançar e oferecer-lhes um espaço?

 

Arthur James Balfour, um conservador político britânico, adivinhando o ocaso da sua vida política, anunciou o muito aguardado plano de uma nação para todos os Judeus do mundo - a Declaração de Balfour . O plano teria como objectivo, acenar aos Judeus Russos com um território na Palestina, ao jeito de uma medalha, se conseguissem persuadir as autoridades russas a não interferir na Primeira Guerra Mundial. Os Franceses logo apoiaram a ideia. Ainda o Reino Unido não tinha a posse de qualquer território na Palestina e já Balfour, como ministro dos negócios estrangeiros oferecia a Lord Rothschild, um financiador de projectos naquele território "uma nação para o povo Judaico". Não ter nenhum território na Palestina era um pequeno problema porque o Império Otomano estava perante uma derrota eminente após o que a Palestina ficaria na posse da França ou do Reino Unido.

 

A Palestina tinha feito parte da Síria, era um território muito pouco desenvolvido (havia um único carro em toda a região). Com o Reino Unido a governar e com a chegada de mais Judeus provenientes da Rússia, a Palestina floresceu. Montou-se um sistema hidroeléctrico e linhas telefónicas, foi construído o porto de Haifa, a nova cidade de Telavive foi fundada em cima das dunas e a Universidade Judaica foi inaugurada pelo próprio Balfour. Mas, no conjunto, o território continuava a ser árabe e não judaico. Telavive, pela primeira vez, dava aos judeus uma calma de vida de quem faz parte da maioria. Golda Meir, judia que nascera na Rússia e que em criança fugira com seus pais para os Estados Unidos, social-democrata que viria a ser primeira ministra, admitia que era "sem piedade" que via os bairros judeus crescerem. Mesmo assim, havia uma proporção de um judeu para três muçulmanos, na Palestina britânica.

 

Mas o plano de Balfour tinha uma falha e não era pequena. A sua declaração afirmara que os islamitas e os outros povos da região "já tinham direitos religiosos e civis" que deveriam ser respeitados, mas o direito que os muçulmanos queriam ver respeitado era o de serem dominantes na terra a que chamavam sua e moldar a sua vida diária segundo os ensinamentos de Alá. Outro direito que reclamavam era o controlo de Jerusalém e dos lugares sagrados para o Islão, Judaísmo, e Cristianismo.

 

Balfour não se deu conta que o seu plano teria implicações muito graves. A chegada de judeus era um fluxo muito superior à chegada de árabes e, as nações árabes á volta, não viam com bons olhos a nova situação apesar das enormes ajudas financeiras e de tecnologia que os países ocidentais lhes asseguravam. Tentou-se que o fluxo de judeus não tomasse aquelas proporções, mas, depois de 1945 a Organização Sionista Mundial exigiu que um milhão de judeus espalhados pela Europa  e por outros territórios, fossem admitidos na Palestina.

 

Depois de conhecidos os detalhes do Holocausto, milhões de pessoas em todo o mundo apoiavam a criação de uma pátria judaica na Palestina! Entretanto, muitos judeus, perante a incapacidade das Nações Unidas de resolverem o problema , desceram à clandestinidade e passaram a uma fase de luta armada com atentados contra as autoridades britânicas que ainda controlavam o território.

 

Cerca de noventa mil soldados britânicos controlavam o território, um esforço tremendo para um país devastado pela guerra e que estava a retirar-se da Índia um território há muito a viver na órbita britânica. Porque haveriam de continuar na Palestina onde os seus interesses eram muito menores? Como pano de fundo crescia a guerra fria entre os US e a Rússia que, nesses tempos, anexava os territórios circundantes que viriam a constituir a ex-União Soviética. O petróleo aguçava os apetites dos dois gigantes. O medo que o comunismo tomasse conta do médio oriente não foi suficiente para manter os britânicos no território.

 

Nas Nações Unidas por 35 países a favor ( entre os quais estavam a Rússia e os US) e 32 contra, aprovou-se a constituição de dois estados, com Jerusalém como zona neutra, bem como Belém, local do nascimento de Cristo. Mas os árabes não aprovaram este plano.

 

Um mês depois nascia o Estado de Israel!

 

(continua)

 

( com Geoffrey Blainey - uma breve história do século XX )

publicado por Luis Moreira às 13:00
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Terça-feira, 28 de Setembro de 2010

Um barco para encalhar em Gaza e em Washington

Luis Moreira

As negociações entre a Autoridade Palestiniana e o Estado de Israel defrontam-se com o primeiro grande problema, como aliás, já se sabia. A moratória que impede a construção de mais colonatos termina hoje. Este assunto é, tanto para os Israelitas como para os Palestinianos, absolutamente fundamental para que se encontre um caminho para a existência de dois estados. A moratória vai ser renovada?

Então de que se iriam lembrar os corajosos "amantes da paz" para ajudar as negociações? Enviar um barco para Gaza com a finalidade confessa de romper o bloqueio que os Israelitas fazem naquela região. Se passa, no caso dos Israelitas acharem que não vale a pena prejudicar as negociações, os extremistas vão cantar vitória, o que terá uma reacção muito negativa na opinião pública israelita; se não passa, aqui d'el rei que há um bloqueio ilegal a pessoas que só querem ajudar; e afastemos a possibilidade de haver mortos e feridos como bem há pouco tempo aconteceu.

Perante este cenário alguém tem dúvidas que há muita gente que com palavras mansas mais não quer que a injustiça se mantenha e os mortos e feridos se amontoem? Que a situação interessa a muita gente, que há muita gente que só tem poder nesta situação e não querem que mude? Que tudo farão ainda e sempre para que a guerra continue ? Da direita já sabemos que quer uma vitória unilateral Israelita, não há que estranhar.

Não se arranja um barco assim sem mais, custa muito dinheiro, quem paga? Há bem pouco tempo foram os Turcos, às voltas com a liderança na região. Perguntaram ao povo mártir da Palestina se está interessado em trocar uns quantos pacotes de arroz pela possivel paz que se negoceia em washinton?

Perante um assunto tão sério e onde tanta gente sofre, os observadores exteriores ao conflito deviam, se estão de boa fé, deixarem as ideologias de lado e manterem uma atitude reservada, tendente a contribuir para o que realmente interessa. A PAZ!
Tudo o resto são atitudes negativas para parceiro ver, entre um bem regado jantar e um último charuto.

PS: Já depois deste texto estar escrito, soube-se que o barco transporta Judeus de diversas nacionalidades e que a moratória não foi prolongada, embora com o pedido que as 2 000 casas autorizadas não sejam construídas. Há coincidências curiosas.
publicado por Luis Moreira às 13:30
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Sábado, 5 de Junho de 2010

5 de Junho – um dia como os outros

Carlos Loures


Um dia como os outros? Sem dúvida. Como já disse aqui, todos os dias se assinalam efemérides. O dia de hoje não escapa à regra. Houve nascimentos de pessoas famosas - Adam Smith em 1723, por exemplo, o falecimento de outras, como em 1443 , o irmão de D.Duarte, D. Fernando de Portugal, o Infante Santo, no cativeiro em Fez. Houve acontecimentos relevantes como, faz hoje quatro anos, o Parlamento da Sérvia ter proclamado a independência, dissolvendo a federação que mantinha com o Montenegro. Mas resolvi fixar-me em dois acontecimentos e de os vir lembrar aqui. dois entre muitos possíveis. Como todos os dias acontece.

No dia 5 de Junho de 1967, teve início a Guerra dos Seis Dias entre Israel e os estados árabes do Egipto, Síria e Jordânia. Vejamos algumas imagens.



Em 1989, Na China, um jovem desarmado, armado com a sua enorme coragem, desafiou o poderio chinês barrando a passagem de vários tanques de guerra durante os protesto na Praça da Paz Celestial ou de Tiananmen.



Dois acontecimentos significativos e com ressonâncias no futuro. Na Palestina a paz continua ausente. A prepotência israelita continua a causar vítimas, 43 anos depois. Os palestinianos continuam a pagar a dívida que os israelitas entendem que a Humanidade contraiu para com eles. O Holocausto, a Shoah, de que foram vítimas, justifica aos olhos da mioria dos hebraicos o cometimento de todas as ignomínias. E os senhores do mundo apoiam-nos (sem o que a cobrança desta «dívida», pelos vistos eterna, não seria possível).

Na China, uma violência política e social, um regime brutal, que em todos os seus contornos se aproxima mais do totalitarismo fascista do que do centralismo leninista, um regime que é a antítese de tudo aquilo em que o socialismo nos fez sonhar (uma terra sem amos), continua o seu tortuoso, mas célere, caminho para um capitalismo selvagem, agitando bandeiras vermelhas.  Um homem, um jovem, meteu-se à frente de uma coluna blindada e fê-la, por momentos, parar. Não se sabe o que lhe aconteceu, que preço pagou pela ousadia de enfrentar o exército da China Popular.

Dia 5 de Junho, um dia como todos os outros.
publicado por Carlos Loures às 12:00
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Quinta-feira, 3 de Junho de 2010

Palestina, pasto de ódios!


Luís Moreira

A questão da Palestina não será resolvida pelas actuais gerações no poder, cresceram com o ódio, não há família que não chore um morto ou um estropiado. É uma questão de orgulho pessoal, já pouco contam os verdadeiros interesses da paz e dos povos. Antes morrer que recuar ou ser visto como perdedor, mesmo que ganhem todos.

As gerações mais novas, libertas desses constrangimentos, já conseguiram estabelecer pontos de entendimento, o que abre caminhos para a negociação e para a vivência em comum. Se querem ter uma vida fraterna, próspera e em paz vão ter que conviver uns com os outros, uma parte importante da população de Israel é de proveniência Palestina, têm a sua vida repartida pelas universidades Israelitas e a sua família trabalha em empresas do Estado de Israel. Não há volta a dar, a não ser o entendimento!

Mas se para quem vive no local é dificil, incompreensível se torna que pessoas longe do conflito, sem sofrer as sequelas da guerra, lance lenha para a fogueira meramente por razões ideológicas. Não dão um passo no sentido da paz, da compreensão do problema. Tudo se resume a quem está do nosso lado e a quem não está. Quem está ,ideologicamente, perto ou longe dos USA assim reage, sem cuidar de saber se tal posição ajuda ou aprofunda o problema.

Sempre contra Israel, sempre a favor dos palestinianos! Sempre contra os Palestinianos, sempre a favor de Israel.
publicado por Luis Moreira às 09:00
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Sexta-feira, 14 de Maio de 2010

Israel – 14 de Maio de 1948

Carlos Loures



No dia 14 de Maio de 1948, faz hoje 62 anos, era criado o Estado de Israel. O projecto sionista cumpria o sonho hebraico e desencadeava o pesadelo palestiniano. Gesta heróica para uns, cavalgada criminosa para outros. Gostemos ou não, Israel existe. Hoje, o Estado de Israel é um país da Ásia Ocidental situado na margem oriental do Mediterrâneo, com uma área de 20 770 / 22 072 km². As suas fronteiras não fixadas oficialmente, situa o Líbano a Norte, a Síria e a Jordânia a Leste e o Egipto a Sudoeste. A Cisjordânia e a Faixa de Gaza, confinam também com Israel. Tem uma população de 7,5 milhões de habitantes, dos quais 5,62 milhões são judeus. Dentro do segmento árabe, predominam os muçulmanos, havendo ainda cristãos, drusos, samaritanos e outros.

O problema judaico tem origens remotas, pré-bíblicas, mas quero só lembrar como surgiu a questão no seu formato contemporâneo. O sionismo (palavra com origem em Sion, uma colina da antiga Jerusalém), eclodiu na Europa em meados do século XIX como reacção ao anti-judaísmo que nunca deixou de se verificar. Elitistas, usurários, concentrando grandes fortunas nas suas famílias mais poderosas, os judeus, com os pobres pagando por tabela os pecados dos ricos, sempre provocaram ódios e rejeições. É preciso dizer-se que o anti-judaísmo, condenável como o são todos os sentimentos xenofóbicos, tem na xenofobia judaica uma das suas raízes. Não só, mas também.

São desta época os pogromes na Rússia. As comunidades hebraicas, segregadas, perseguidas, sonhavam com uma pátria judaica. O sionismo, eivado de religiosidade, propugnava o regresso dos hebreus a Israel. Sonhar com Israel confortava os perseguidos e segregados judeus. Quando da expulsão dos reinos da Península, a maioria emigrou para a Europa, mas alguns foram para a antiga Judeia. Desde o século XV, a cidade de Safed tornar-se-ia um importante centro de estudo da Cabala. Foi no século XIX que a afluência de colonos judeus à Palestina foi mais significativo. Em 1844, estando o território integrado no Império Otomano, a maioria da população da cidade de Jerusalém, era já hebraica. Conviviam sem problemas com muçulmanos, cristãos, gregos, arménios. Na segunda metade do século, a migração judaica continuou, agora proveniente sobretudo da Europa Central.

Um facto extremou posições, consolidando o anti-semitismo, catalisando o ideal sionista – o caso Dreyfus. Em 1895, em França, um oficial de origem judaica, Alfred Dreyfus, foi acusado de fornecer informações secretas aos alemães. Foi julgado, condenado, degradado publicamente, após um julgamento que se tornou célebre e mobilizou a opinião pública mundial. Era evidente que a fragilidade das provas remetia a condenação para o foro do preconceito anti-judaico que atravessava transversalmente toda a sociedade francesa. Émile Zola, o grande escritor, bateu-se com todas as suas energias na defesa de Dreyfus, publicando a propósito o ser famoso libelo «J’accuse!».

Theodor Herzl, jornalista húngaro, também de origem judaica, estava em Paris seguindo o Caso Dreyfuss. Fazendo a cobertura do processo, entendeu que as seculares perseguições contra judeus só teriam fim quando estes alcançassem autonomia nacional e publicou em Viena o livro "O Estado Judeu". A ideia de uma «pátria judaica» seduziu os judeus espalhados pelo mundo. Os mais aventureiros começaram a chegar à Palestina. O conceito de kibbutz (granja colectiva) consolidou-se depois de criado o primeiro, que se chamou Mikveh Israel (Esperança de Israel), fundado em 1870. Os sionistas, impregnados de fervor religioso e patriótico, defendiam a ideia de um estado hebraico que ocupasse o território definido no Antigo Testamento, o que implicaria a absorção da Jordânia. Foram propostas alternativas na Patagónia, em Chipre, no Uganda e até em Angola. Na realidade, em 1912, o deputado Manuel Bravo apresentou no Parlamento português uma proposta para ser criado em Angola, no planalto de Benguela, um colonato judaico com cerca de 45 000 Km2 (sensivelmente o dobro da área do Estado de Israel). A proposta foi aprovada e no, ano seguinte. Ratificada pelo Senado. Porém, a Jewish Territorial Organisation, que fez uma visita ao território, recusou o projecto.

Terminada a I Guerra, com a queda do Império Turco, a Palestina passou para administração britânica. E este pormenor fez toda a diferença. Em 2 de Novembro de 1917, pela Declaração de Balfour, a Grã-Bretanha assumia perante a comunidade hebraica o compromisso solene de edificar na Palestina o ambicionado «lar judaico». O documento, enviado ao Lord Rothschild, presidente na British Zionist Federation, foi assim chamado por ser assinado pelo então secretario britânico dos Assuntos Estrangeiros, Arthur James Balfour. Dizia:

"Caro Lord Rothschild, "Tenho o grande prazer de endereçar a V.Exª., em nome do governo de Sua Majestade, a seguinte declaração de simpatia quanto às aspirações sionistas, declaração submetida ao gabinete e por ele aprovada:
O Governo de Sua Majestade encara favoravelmente o estabelecimento na Palestina de um Lar Nacional para o Povo Judeu, e empregará todos os esforços no sentido de facilitar a realização desse objectivo, entendendo-se claramente que nada será feito que possa atentar contra os direitos civis e religiosos das colectividades não-judaicas da Palestina, nem contra os direitos e o estatuto político de que gozam os judeus em qualquer outro país.
"Desde já, me declaro extremamente grato a V.Exª. pela gentileza de fazer chegar esta declaração ao conhecimento da Federação Sionista. ("Arthur James Balfour."
)

Só pela reacção violenta dos árabes, depois de 1920, a Grã-Bretanha percebeu que para resolver um problema, criara outro. Tentou emendar a mão e voltar atrás com a promessa ou, pelo menos, reduzir-lhe o alcance, pondo alguns entraves à migração de judeus para o território. Depois, a II Guerra e o Holocausto reforçaram a ideia de que uma pátria judaica era essencial.

Na Palestina, os árabes reagiam com violência à ideia. Mohammad Amin al-Husayni, Grão-Mufti de Jerusalém aderiu ao nazismo e incentivou a realização de pogromes. Hebron, Jafa e Haifa foram palco de incidentes graves. Em 1921, depois do massacre de numerosos anciãos judeus em Hebron, foi fundada a Haganá, com o objectivo de proteger as comunidades judaicas na Palestina. Da Haganá saiu o Irgun, em 1931. O Irgun especializou-se no ataque a alvos militares britânicos. Os grupos militantes judaicos procuravam infiltrar clandestinamente o maior número possível de refugiados judeus na Palestina, enquanto retomavam os ataques contra alvos britânicos e repeliam acções violentas dos nacionalistas árabes. Sob esta pressão, a Grã-Bretanha decidiu transferir a administração da Palestina para a ONU.

O aumento dos conflitos entre judeus, ingleses e árabes forçou a reunião da Assembleia Geral da ONU, em 29 de Novembro de 1947, que decidiu pela divisão da Palestina Britânica em dois estados, um judeu e outro árabe, que deveriam formar uma união económica e aduaneira. David Ben-Gurion discursa na Declaração do Estado de Israel em 14 de Maio de 1948. A decisão foi bem recebida pela maioria das lideranças sionistas, embora tenha recebido críticas de outras organizações, por não permitir o estabelecimento do estado judeu em toda a Palestina.

Mas a Liga Árabe não aceitou o plano de partilha. Deflagrou, então, uma guerra entre judeus e árabes. Na sexta-feira, 14 de Maio de 1948, algumas horas antes do término do mandato britânico sobre a Palestina (o horário do termo do mandato foi determinado pela ONU para as 12:00 do dia 15 de Maio) - David Ben Gurion assinou a Declaração de Independência do Estado de Israel.

Em Janeiro de 1949, Israel realiza suas primeiras eleições parlamentares e aprovou leis para garantir o controlo educacional, além do direito de retorno ao país para todos os judeus. A economia floresceu com o apoio estrangeiro e remessas. No período entre a Declaração de Independência e a Guerra de Independência, Israel recebeu cerca de 850 mil imigrantes, em especial sobreviventes de guerra e judeus oriundos dos países árabes (sefarditas e Mizrahim). Foi executada a Operação Tapete Mágico, para resgatar os judeus do Iémen.

A população muçulmana, com a ajuda da polícia deu início às perseguições. Em 1947 82 judeus foram mortos e centenas de residências e casas comerciais destruídas. Em 1948, o boato de que duas meninas haviam sido mortas por judeus numa cerimónia religiosa, provocou nova onda de violência. A situação dos judeus do Iémen deteriorou-se e a American Joint Distribution Committee resolveu transportar toda a comunidade daquele país para Israel. Entre Junho de 1949 e Setembro de 1950 cerca de 50 mil judeus iemenitas foram retirados em voos secretos. Sabotagens e ataques da aviação egípcia tornavam as viagens arriscadas, mas nenhum dos 380 voos da Operação Tapete Mágico foi mal sucedido.

Até o fim de 1951 desembarcaram em Israel 37 mil judeus da Bulgária, 30 mil da Líbia e 118 940 da Roménia. 121 512 judeus iraquianos foram também resgatados. No total, o número de judeus que afluíram a Israel nos primeiros anos, foi de 684 201, mais do que toda a população judaica de Israel em 1948. Entre 1952 e 1954, o número total de imigrantes foi de 51 463. Em 1955, iniciou-se nova onda de imigração. Até 1957 chegariam ao país 162 308, em maioria vindos de Marrocos, da Tunísia e da Polónia.

Os movimentos nacionalistas dos países do Norte da África empurraram os judeus para a emigração. Entre 1955 e 1957 mais 55 mil judeus marroquinos e 15 mil tunisinos deixaram os países de origem. A revolução na Hungria, em 1956 e a repressão na Polónia geraram mais ondas migratórias: 8 682 judeus húngaros e outros milhares de polacos chegaram a Israel até 1960. Após a Guerra dos Seis Dias (1967), os judeus do Egipto foram expulsos. 14 562 destes imigrariam para Israel. As cidades de Dimona e Ashdod e as regiões de Lachish e Taanach foram por eles povoadas. Este conflito gerou uma onda de antijudaísmo nos países de Leste. Na Polónia, mais cinco mil judeus imigraram. Até 1973, ano da Guerra do Yom Kippur, 260 mil judeus desembarcaram em Israel, na sua maioria vindos de países socialistas.

Em suma. Israel, passou das páginas do Antigo Testamento e da Torah para a realidade. Hoje o Estado de Israel é uma realidade, empolgante para uns e dramática para outros. Fazendo o papel de Deus, com a Declaração de Balfour, os ingleses criaram o problema que conhece. E deram início a um problema que sabendo-se como começou, ninguém sabe como irá acabar.
publicado por Carlos Loures às 12:00
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