Quarta-feira, 27 de Abril de 2011

Declaraçao da A25A lida no Rossio pelo Coronel Vasco Lourenço

 

 

 

 

 

 

 

Cara(o)s amiga(o)s

 

Mais uma vez dizemos presente, na evocação do “dia inicial inteiro e limpo”, como afirmou Sophia de Mello Breyner.

 

Mais uma vez dizemos presente, para reafirmar a nossa alegria, pelas “portas que Abril abriu”, como disse Ary dos Santos.

 

Estamos aqui, para reafirmar a nossa convicção de que valeu a pena! Para reafirmar, se ainda é necessário, que não estamos arrependidos!

 

Sim, não nos confundamos! Não permitamos que nos confundam!

 

Como é possível haver quem diga que hoje estamos pior que antes do 25 de Abril? Apesar das enormes dificuldades que atravessamos, apesar de Portugal se afastar cada vez mais do que sonhámos em 1974, o país que hoje temos é incomparavelmente melhor do que o que tínhamos há 37 anos.

 

A responsabilidade do actual estado de coisas, da situação de crise que Portugal atravessa não é do 25 de Abril!

 

Não é no acto fundador da democracia – onde a Liberdade e a Paz deram as mãos para terminar com a repressão e a guerra, para abrir as portas ao desenvolvimento e à independência de novos países – que estão as causas dos males de hoje!

 

Não é devido ao 25 de Abril que nos confrontamos com uma lógica de facilitismo e de benefício do interesse privado, em detrimento do interesse público.

 

Não foi o 25 de Abril que promoveu o individualismo e a especulação, que não combateu eficazmente a corrupção e a evasão fiscal, permitindo a transferência de activos do sistema público para o sistema privado.

 

Não foi o 25 de Abril que permitiu que o poder económico capturasse a maioria dos dirigentes políticos, permitindo a promiscuidade entre o público e o privado, sempre em detrimento do que era público.

 

Não foi o 25 de Abril que permitiu ao poder económico a aquisição e o controlo da comunicação social.

 

Não foi o 25 de Abril que permitiu a captura da democracia política e a estagnação da crítica, o que só favorece o crescente fosso social, entre os que mais têm e os que são cada vez mais pobres e desfavorecidos.

 

Não foi o 25 de Abril que provocou a colonização do estado e das empresas públicas pelos aparelhos partidários do chamado arco do poder.

 

Não está no 25 de Abril a origem do falhanço estrondoso da nossa classe dirigente e dos principais políticos, que continuam a dar um triste espectáculo de guerrilhas internas e ataques mútuos, incapazes de equacionar os reais problemas do país e de mobilizar os cidadãos para uma resposta adequada.

 

Não, não podemos culpabilizar o 25 de Abril pela contínua atitude dos responsáveis políticos que, com a sua acção desbarataram a nossa confiança, destruíram esse bem precioso e vêm demonstrando não estar à altura das funções para que foram escolhidos.

 

O que nos coloca numa situação verdadeiramente dramática: a perda de confiança dos cidadãos nos seus dirigentes é bem mais perniciosa do que a dívida pública!

 

Que, como primeira consequência provoca o alheamento dos cidadãos da vida pública.

 

A responsabilidade dessa situação não pode ser atribuída ao 25 de Abril.

 

Essa responsabilidade cabe-nos a todos, pois temos sido nós que, pela acção ou pela abstenção, temos escolhido os responsáveis políticos que nos trouxeram a este estado de coisas.

 

Por isso, para ultrapassarmos a actual crise, temos de ser capazes de alterar as nossas atitudes. Todos, e cada um de nós, somos responsáveis, cabendo-nos participar no encontrar de soluções!

 

Se aos dirigentes é exigível que sejam exemplo de competência e de dedicação à causa pública, homens e mulheres respeitados e de mãos e passados limpos – sem autoridade moral não é possível a mobilização de vontades – a cada um de nós é exigível o nosso não alheamento.

 

A nossa História, de quase mil anos, diz-nos que em tempos de crise somos capazes de encontrar soluções. Confio que, mais uma vez, vamos conseguir!

 

Há 37 anos, se fosse hoje, poderíamos dizer que estávamos à rasca: enfrentávamos a ditadura, a guerra sem solução à vista, o atraso atávico.

 

 

 

publicado por Luis Moreira às 15:00
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Sábado, 19 de Março de 2011

Intervenção internacional na Líbia - Luis Moreira

A esperada intervenção militar na Líbia, eufemísticamente chamada de " proteção da zona aérea" já começou. Leia os principais jornais internacionais.

 

La Vanguardia - Espanha envia seis aviões de combate.

 

Le Monde - Sarkozy : os nossos aviões impedem os ataques aéreos de kadhafi

 

El País - escudos humanos

 

Estrolábio - os principais jornais e a televisão Aljazeera

 

 

 

 

 

 

publicado por Luis Moreira às 21:29
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Segunda-feira, 7 de Março de 2011

Líbia. Impasse na guerra civil. Iminente intervenção militar estrangeira? por Carlos Mesquita

 

Por Carlos Mesquita

 

A pressão mediática de demonização do regime líbio é poderosa mas tem influência limitada sobre Kadhafi, nem será essa a intenção, pois o ocidente sabe que ele viveu muitos anos como pária. A campanha destina-se a alinhavar a tentação da invasão militar.

 

No artigo aqui publicado de Miguel Urbano Rodrigues, ele dizia ser militarmente desnecessária uma intervenção militar da NATO porque o regime líbio aparentemente agoniza, o busílis é o aparentemente. Pelas notícias trabalhadas que bombardeiam o ocidente aparenta isso um dia, para a realidade parecer no dia seguinte o inverso como é próprio das guerras civis. Vender a pele antes de matar o urso é uma tentação, como a da intervenção militar externa.

 

Ao contrário do sucedido na Tunísia e no Egipto onde revoltas populares derrubaram os símbolos do poder (por enquanto só isso), na Líbia não bastou a revolta nem as deserções com armas e o armamento de civis, para afastar as figuras do regime, não resultou. As forças revoltosas não têm capacidade militar operacional para derrotar Kadhafi de imediato, a anunciada ofensiva sobre Tripoli parou para pensar pois há um poder bélico intacto e poderoso a opor-se-lhes, e que ainda não actuou em força.

 

A intervenção militar estrangeira na Líbia é uma opção em estudo no Pentágono e na NATO, e se não podem invadir já o país como gostariam, devido às repercussões no mundo árabe e não só, podem rearmar e treinar os rebeldes com o apoio dos conselheiros militares habituais. Mas há quem queira iniciar a intervenção militar com a imposição de uma zona de exclusão aérea.

 

A guerra civil está num impasse, se era incerto um período pós-Kadhafi devido às tensões entre os grupos rivais da oposição, é certo, que não é para já o fim do regime na totalidade do território.

O leste líbio, cujas contradições étnico politicas, propicia um espaço de actuação dos serviços secretos ocidentais, e a instalação da Al-Qaeda, está a servir para desestabilizar o oeste líbio sob o domínio governamental.

 

Hordas de civis armados sem qualquer enquadramento ou experiência militar são lançados a partir de Benghasi. Têm sido úteis à oposição para manter a guerra civil num grau de relativa baixa intensidade. O poder militar governamental, sob uma campanha mediática internacional de estar a matar o povo, tudo fará para poupar os civis voluntariosos que foram convencidos de que derrubar Kadhafi era fácil e rápido.

Notícias de conquistas e reconquistas de posições e cidades, falsas ou verdadeiras vão ser o dia a dia enquanto o tempo passa e o impasse perdura – falta saber a que parte convém essa indefinição.

 

Pode ser que Kadhafi tenha meios para intensificar a guerra, projectando-a com a força aérea ao longo da estrada que vai até Benghasi e liga toda a zona costeira de maior interesse estratégico. Mas para além das tácticas militares, devido à cobertura mediática no terreno, a estratégia política mandará ter contenção. Uma situação sem solução a curto/médio prazo pode abrir condições para negociações, o que ainda é cedo para começar a desenhar-se.

 

Para as forças rebeldes, a instabilidade política de Kadhafi, isolado internacionalmente, sob a ameaça de uma intervenção estrangeira, devia ser tempo de se organizarem, armarem, e quando preparados ir à conquista da Tripolitânia, mas partem quase do zero. Nestas condições, uma ofensiva contra as tropas governamentais, o mais certo é ser um desastre.

 

Uns e outros, no breve prazo apenas procuram consolidar posições a oeste e a este da Líbia, numa divisão que para ser alterada causará um número enorme de vitimas.

Por outro lado, armar os grupos opositores a Kadhafi é tarefa fácil mas com resultados arriscados, a exemplo do Afeganistão. As armas ficam longe de qualquer controle, entregues a conjuntos com interesses distintos, incluindo forças islâmicas para quem o ocidente é o maior inimigo, como a Al-Qaeda.

 

Para a comunidade internacional, (leia-se; aquela que quer o derrube de Kadhafi a qualquer custo) a situação não é mais favorável. Sabem que as sanções no curto prazo são pouco mais que inúteis, que as ameaças não demovem o regime, e que não dispõem de um mandato legal da ONU para intervirem directamente no conflito. Após a guerra do Golfo isso não obstou a que Blair e Busch com o apoio francês tenham imposto duas zonas de exclusão aérea no Iraque.

 

Dos membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, a Rússia já disse não a qualquer intervenção militar ou criação de zonas de exclusão aérea, que é a mesma coisa. Dos membros da NATO, a Turquia fez o mesmo.

 

Enquanto Obama mandou preparar “todo o leque de opções” o ministro francês da Defesa Alain Juppé e o britânico dos Negócios Estrangeiros William Hague (o tal que “viu” Kadhafi a caminho da Venezuela) defendem a intervenção militar. São a mesma coligação que sem aprovação da ONU impôs as zonas de exclusão aérea no Iraque, antes da invasão em 2003.

 

Será que a história se vai repetir?

publicado por Luis Moreira às 13:00
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Sexta-feira, 25 de Fevereiro de 2011

É preciso intervir militarmente na Líbia?

 

 

 

Les blogs du Diplo - Nouvelles d'Orient

Faut-il intervenir militairement en Libye ?

 

par Alain Gresh

Depuis la chute du régime Ben Ali en Tunisie, une vague de soulèvements submerge le monde arabe, portée par les images de la chaîne Al-Jazira, qui permet à l'opinion de suivre en direct les événements. Du Maroc à Bahreïn, de l'Algérie à l'Irak, les citoyens, le plus souvent désarmés, descendent dans la rue pour demander des réformes politiques et une plus grande justice sociale. Dans la plupart des cas, les autorités hésitent à faire un emploi indiscriminé de la force. En Libye, en revanche, les manifestants se sont heurtés à la répression la plus terrible (Le Monde diplomatique publie dans son prochain numéro, en kiosques le 2 mars, un dossier de huit pages sur « le réveil arabe »).

Les informations provenant de Libye sont contradictoires, l´artielles, quelquefois non confirmées. La brutalité du régime ne fait aucun doute, et le nombre de morts est important : des centaines selon les organisations non gouvernementales, probablement plus compte tenu de la violence utilisée par les milices du régime. Si l'est du pays, avec les villes de Benghazi et de Tobrouk, est tombé aux mains des insurgés, ce qui a permis l'entrée dans le pays de journalistes étrangers, la partie ouest, et notamment Tripoli, restent inaccessibles. Kadhafi a apparemment repris en main la situation dans la capitale, et il semble avoir gardé la confiance des tribus de la région (« Gaddafi tightens grip on Libyan capital as rebels swiftly advance west », par Leila Fadel et Sudarsan Raghavan, The Washington Post, 24 février). Il vient d'annoncer que Tripoli serait ouverte dès demain à tous les journalistes. Par ailleurs, il s'appuie sur des mercenaires de pays d'Afrique subsaharienne, ce qui risque de développer le racisme anti-Noirs dans le pays.

Le caractère erratique et dictatorial du colonel Mouammar Kadhafi a été confirmé par son discours illuminé prononcé le 22 février 2011 (lire une traduction en anglais ici). Le leader libyen y a rappelé les conquêtes de son règne - en particulier l'obtention du retrait des bases britannique et américaine et la nationalisation du pétrole - qui lui avaient acquis, au début, une popularité incontestable et une condamnation occidentale aussi massive. Mais il a aussi, dans son discours, multiplié les propos menaçants et incohérents, affirmant qu'il ne pouvait pas démissionner car il n'occupait aucun poste officiel, qu'il se battrait jusqu'à la dernière goutte de sang, que le pays allait vers la guerre civile, etc.

Les indignations justifiées contrastent avec le silence qui prévalait quand le régime, au début des années 2000, alors que s'esquissait la réconciliation avec l'Occident, écrasait sans pitié les islamistes. La détention et la torture de militants islamistes en Libye (comme en Egypte ou en Tunisie) n'indignaient pas les bonnes âmes.

Quoi qu'il en soit, les appels à des interventions militaires se multiplient.

Marc Lynch, sur son blog de Foreign Policy, est très clair, comme l'indique le titre de son envoi : « Intervening in the Libyan tragedy » (21 février 2011) :

« La comparaison doit se faire avec la Bosnie ou le Kosovo, ou encore avec le Rwanda : un massacre se déroule en direct à la télévision et le monde est incité à agir. Il est temps pour les Etats-Unis, l'OTAN, l'Organisation des Nations unies et la Ligue arabe d'agir avec force pour essayer d'empêcher la situation déjà sanglante de dégénérer en quelque chose de bien pire. »

On a un peu de mal à comprendre ces comparaisons. Au Rwanda, on avait affaire à un génocide qui a fait des centaines de milliers de morts. Quant au Kosovo, il est douteux que l'intervention militaire ait été un succès (...)

  
publicado por Luis Moreira às 17:00
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