Domingo, 12 de Junho de 2011

Ana Gomes, explica-se. Homofóbica.? - por Luis Moreira

"Homofobia? 

 

Há aí quem esteja malevolamente a espalhar  a leitura de que serei homofóbica.

 

E evidente  que não expus, e muito menos condeno, a homossexualidade de quem quer que seja.

 

Tenho grandes amigos homossexuais e respeito as suas opções de assumirem ou não.

 

Não sendo gay, apoiei e apoio publicamente  o casamento homossexual e a adopção de crianças por pessoas e casais homossexuais (tendo até criticado o meu Partido por não ter sido consequente nesta matéria). Em Portugal não vi, nem vejo, muitos representantes partidários a fazer o mesmo.

 

No PE tenho um percurso consistente de apoio às iniciativas para defender os direitos humanos das pessoas da comunidade LGBT e para protestar contra a violação dos seus direitos (recentemente trabalhei numa resolução condenatória do assassinato do destemido activista gay ugandês David Kato ).

 

Uma pessoa gay, para mim, é como todas as outras pessoas: merecedora de consideração em função dos seus actos e palavras e não da sua orientação sexual. Jamais me inibirei de censurar um gay, se acho que o merece, só porque é gay. Mas detesto, isso sim, a hipocrisia cobarde e sem escrúpulos de quem na vida pública prega a moralidade convencional, em contradição com práticas próprias."

 

Então o que queria dizer Ana Gomes quando comparou Portas a Dominique SK ? Testerona aos saltos? Ora, ora...

 

Quando, no meio de enormes problemas bem reais do país, o governo PS puxou para a agenda a defesa dos gays - casamento, adopção - como se tratasse de assunto a exigire prioridade, não se perdeu tempo a considerar as medidas de largo alcance social e humanístico. Mas bastou um adversário tirar-lhes o poder para que a mascara caísse, sem perdão, Ana Gomes não deixou de insinuar, que Portas é o "titular da cabeleira". Apressa-se, agora, a gritar aos quatro ventos que não é homofóbica, apresentando como prova a  sua amizade com gays.

 

O problema é que nenhum deles, ao contrario de Portas, lhe roubou o poder!

 

publicado por Luis Moreira às 16:00
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Quinta-feira, 23 de Setembro de 2010

Sobre a «homofobia»

Carlos Loures

Este texto, ao qual fiz pequenas adaptações, foi publicado noutro blogue e causou polémica, sobretudo pela minha não aceitação da adopção de crianças por casais de homossexuais. Espero que, tendo atenuado a veemência com que afirmava a minha convicção a esse respeito, o texto seja hoje recebido de forma mais pacífica.

Hoje em dia, uma das preocupações de quem quer estar politicamente correcto (e de bem com a «democracia» que temos) é a de não ser considerado «homofóbico». O termo é relativamente recente, datando de 1971 e terá sido inventado pelo psiquiatra norte-americano George Weinberg, aparecendo pela primeira vez na sua obra Society and the Helthy Homosexual (1972). O raciocínio para a construção do neologismo foi linear = homo+fobia, homo de homossexual e fobia, do grego phobos (aversão, receio, nevrose obsessiva contra algo). Porém trata-se de uma construção apressada, feita com uma impaciência tipicamente ianque. Senão vejamos.

A palavra homo tem duas acepções principais: pode ser um prefixo e um elemento de composição de palavras científicas, indicando semelhança, igualdade, identidade, como por exemplo, no campo da botânica, se diz que um capítulo é homogâmico. O adjectivo significa que as flores que constituem o capítulo são hermafroditas e semelhantes. Numa acepção mais corrente, homo é um substantivo masculino da área da Antropologia e significa o género da família Hominidae, género representado pelo homem actual, ou seja, a espécie humana. Portanto, à letra, teríamos homofobia = aversão à espécie humana. Não era, por certo, esta a ideia de Weinberg. O que se quer dizer com homofóbico é que se trata de alguém que tem aversão a gays e lésbicas. Disseram-me que o termo correcto seria um complicado palavrão: homofilofóbico, ou seja, aversão ao que gosta do igual – Homofóbico é um disparate, embora eu tema que, tal como outros que por aí circulam, tenha vindo para ficar. Mas não é um erro muito importante, desde que saibamos do que estamos a falar. Porque mais do que analisar a etimologia do termo, importa abordar o seu conteúdo conceptual - ser ou não ser contra os homossexuais, eis a questão – isso, sim, é importante.

Além disso, se quisermos aprofundar a questão etimológica, até a designação “Homossexual” é discutível, pois numa acepção imediata todos os seres humanos são em princípio “homossexuais” – ou seja todos tendem a ter actividade sexual. Para não complicar vamos aceitar as designações vulgares. Certas ou erradas, são as que circulam como moeda corrente.

Não sou contra (nem a favor) dos homossexuais enquanto tal. Desde cedo me habituei a não perguntar aos amigos ou às amigas qual a sua orientação sexual. Sempre me interessou o que as pessoas pensam, como pensam, como utilizam a sua inteligência e nunca a sua sexualidade serviu de base à avaliação que delas faço, isto embora tenha sido educado no pressuposto de que a homossexualidade é uma aberração, uma doença, uma perversão. Numa época em que os homossexuais viviam na clandestinidade, bati-me contra preconceitos estúpidos, nunca esperando viver até a um tempo em que, contra a muralha de betão erguida pelas convenções sociais, se erguesse uma outra, talvez feita de flores criptogâmicas, mas igualmente imbecil – aquela que os lobies da comunidade gay laboriosamente constroem, pretendendo criar novos preconceitos e instaurar uma nova ordem sexual dentro da qual é crime, ou pelo menos é censurável e démodé, ser hetero. Com a idade, deixei de ter paciência para fundamentalismos, venham eles de onde vierem. E, sobretudo, deixei de ter paciência para fingir que respeito convenções imbecis

Há mais vida para além do sexo, embora haja quem não aceite essa realidade – a orientação sexual não define totalmente a pessoa, sendo apenas uma pequena parcela do todo que ela constitui. Diz-se que Leonardo da Vinci era homossexual. Sandro Botticelli não o seria. Se eram uma coisa ou outra, o que tem mais importância, as suas opções sexuais ou a sua genialidade como artistas? O que nos ficou destes dois mestres florentinos do Quattrocento não foi o rasto da sua sexualidade, fosse ela homo ou hetero, mas sim as suas obras. Quando nos extasiamos ante A Virgem dos Rochedos, do Leonardo, ou perante A Primavera, do Sandro, o que nos interessa a sua orientação sexual?

Na realidade, existiu e ainda existe discriminação. É impossível negá-lo, sendo repugnante a boçalidade com que os homossexuais são muitas vezes tratados e igualmente odiosa a parafernália de termos, de anedotas, de ditos pretensamente espirituosos que lhes são dirigidos. Porém, alguns dos activistas e militantes dos movimentos de gays e lésbicas têm a sua quota de responsabilidade na discriminação de que são alvo ao construírem o negativo do molde em que tais boçalidades se vazam e forjam. Por exemplo, a «marcha de orgulho gay» é um espectáculo feito para incomodar e chocar o inimigo, a maioria hetero. O resultado., ao ser um espectáculo tão boçal e repugnante como as invectivas tradicionais, é justificar a continuação da injustificável discriminação. A mim incomoda-me não porque me choque, mas porque é, na minha opinião, uma exibição deprimente, um puro acto de provocação, vazio de conteúdo. Orgulho em quê? Ninguém deve ter orgulho em ser hetero ou homossexual – uma coisa ou outra são circunstâncias biológicas ou educacionais, não são privilégios ou estigmas e, muito menos, coisas com que as pessoas se devam orgulhar ou envergonhar. Movimentos de homossexuais? São tão necessários quanto movimentos de apreciadores de vinho tinto (e pensando bem, são ainda menos necessários).

Nem só os activistas gay são responsáveis - a má consciência de quem herdou uma cultura de discriminação violenta (a «democrática preocupação do politicamente correcto») levou gente honesta e sabedora a bater-se por causas sem sentido como a do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Curiosamente, as mesmas pessoas que, em épocas passadas, desvalorizavam o casamento. O casamento é uma instituição que, fora os aspectos jurídicos, meramente contratuais, está em crise. Nunca houve tantos divórcios. Mas os homossexuais querem ter direito a casar e há quem gaste tempo e argumentação a discutir o tema: reputados intelectuais, inclusive. O casamento tem como objectivo primeiro a procriação. Essa é a fundamentação original, embora depois possam ter surgido outras razões, nomeadamente as de carácter afectivo.

Numa luta pela extinção do casamento alinho já, mas perder tempo a defender que um casal gay possa unir-se sob a bênção de um clérigo ou numa conservatória do registo civil, é coisa que nunca farei. Se querem que as fotografias da boda venham nas «revistas do coração», destinadas a débeis mentais (heteros e não), não precisam de nenhuma lei específica – o direito à idiotice está aí para ser «democraticamente» usufruído. O romantismo de uma união amorosa não pode ser reduzido a meia dúzia de clichés de gosto duvidoso, grinaldas, marchas nupciais, arroz… – ou é algo que vive nos corações de quem compartilha esse sentimento ou é mera e pirosa exibição. Para mim, isto é válido tanto para «heteros» como para «homos».

Sobretudo não concordo que casais de homossexuais tenham o direito de adoptar crianças. As crianças (cujos direitos devem estar acima de tudo), elas sim, têm direito a ter um pai e uma mãe, não dois pais ou duas mães ou, o que é mais grave e mais provável, duas pessoas que não são, em duplicado, nem uma coisa nem outra. As crianças devem ser protegidas e pô-las a viver sob a tutela de duas pessoas que, pese embora a pureza dos seus sentimentos e a bondade das suas intenções, têm uma orientação sexual que não é a que a Natureza impõe, é, perante seres que absorvem tudo o que apreendem do ambiente em seu redor, uma boa maneira de fazer proselitismo da homossexualidade, mesmo que não seja essa a intenção. Considero a questão do casamento entre gays de somenos importância, discordo, mas nada me incomodou que tal lei tenha sido aprovada, no que diz respeito à adopção de crianças, penso que estes governos (PS ou PSD) podem aprovar o que entenderem. Não têm é o direito de jogar com a vida das crianças, por mais votos que isso lhes traga.

Em suma, não nos devemos nunca esquecer que gays e lésbicas, tal como as testemunhas de Jeová ou os democratas-cristãos, pertencendo a grupos minoritários, não são seres perversos ou malignos e, por isso, não devem ser discriminados, muito menos perseguidos. O direito à diferença (em matéria de crença religiosa, de opção política ou de orientação sexual) é inalienável. Porém, não queiram impor às maiorias os interesses de uma minoria. Devemos respeitar sempre as minorias. A menos que essas minorias, considerando-se detentoras de verdades absolutas, se queiram transformar em líderes e condutoras das maiorias. E isso está errado e não pode aceitar-se, quer se esteja a falar de elites fascistas, de seitas fundamentalistas ou de lobies de gays. A democracia deve imperar sempre, em todas as circunstâncias, protegendo as minorias de maiorias despóticas e as maiorias de minorias iluminadas. A democracia, na versão em que a conhecemos, vem tolerando tudo, aceitando tudo, mesmo o que sendo anti-democrático constitui um perigo para a essência do sistema. Mais do que benevolência e tolerância, parece-me que se deve falar de laxismo.

A homossexualidade, não é um problema, mas apenas uma maneira de viver o sexo que deve ser democraticamente respeitada. Gastar tempo e energia a discuti-la, parece-me ocioso, tanto mais que há problemas autênticos - a miséria, as doenças, o ensino deficiente que temos, as políticas de saúde e de cultura que não temos. É lamentável que haja movimentos políticos de esquerda que dediquem tanto dos seus pequenos caudais de energia a causas tão fúteis – será para obterem votos? Desiludam-se, na altura de votar, tirando os tais activistas, os homossexuais (como, aliás, é perfeitamente natural) dispersam-se, como os outros cidadãos, pelo leque eleitoral, votando maioritariamente nos partidos do chamado «bloco central». Porque insisto, e aqui, quanto a mim, reside o cerne da questão, os homossexuais são cidadãos de pleno direito, com os mesmos deveres e privilégios dos outros cidadãos – não faz sentido a criação de leis específicas para questões de orientação sexual, tal como não faria que as criassem para cada confissão religiosa (como algumas seitas reclamam). Orientações confessionais ou sexuais pertencem ao foro íntimo, não devendo ser alegadas para que um cidadão se exima de obrigações ou usufrua de um tratamento diferenciado. A beleza da Democracia reside precisamente na igualdade de todos perante a Lei, a par de um profundo respeito pelas diferenças de cada um.

O que aqui fica dito não pretende ser uma abordagem profunda do tema – que já está abundantemente feita por clínicos, antropólogos, juristas, teólogos, sociólogos… – é um desabafo de um cidadão que se preza de nunca ter feito discriminações, fossem elas de género, étnicas, religiosas ou atinentes à sexualidade de cada um. Não sou, portanto, homofilofóbico. Recomendo aos activistas dos movimentos de gays e lésbicas que, por sua vez, não sejam homofóbicos – por favor, integrai-vos democraticamente na grande família do homo sapiens!
publicado por Carlos Loures às 12:00
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