Segunda-feira, 4 de Abril de 2011

Acabemos Com os Idiotas do Nosso País

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ESTOU A FICAR COM UNS TIQUES ESQUISITOS, ASSIM A MODOS QUE DE DITADOR!

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Isto, para os meus lados, anda a ficar esquisito.
Nunca gostei muito de partilhar decisões, mas sempre partilhei o poder que tive. Em toda a minha vida deleguei poderes responsabilizando as pessoas pelas suas decisões. Sempre entendi que entre todos se pode chegar a decisões que sejam boas para toda a gente, e que não há nem pode haver os que ganham com a perda dos outros.
Vem isto a propósito das greves que têm grassado por todo o País, em especial as que, debaixo da capa da defesa intransigente dos seus (deles) direitos, para além de visarem o prejuízo das entidades patronais e do País, se reflectem com toda a força no vulgar cidadão, tanto no momento imediato como nos momentos futuros, que em nada deveria ser chamado à liça.
Não posso pôr em causa as razões que assistem aos trabalhadores da Carris, do Metro, da CP, dos STCP, da TAP e de outros, de lutarem pelos seus direitos, mesmo que, como é o caso, queiram ser mais e melhores que o resto da população, uma vez que, desta vez e nos casos dos dias de hoje, estarão em causa os vencimentos que o governo deste nosso País, mandou reduzir a todos os que são funcionários públicos.
O direito que lhes assiste para essa luta, está consagrada na Lei.
publicado por atributosestrolabio às 18:00
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Quarta-feira, 24 de Novembro de 2010

A burguesia chilena e a sua greve contra Allende, por Raúl Iturra

O Dr. Salvador Allende investido como Presidente do Chile em 1970, 4 de Novembro, após eleição por sufrágio universal.


 Entendo que o direito a greve é dos trabalhadores. Não há código do trabalho nos tempos que correm, que não permita ao operariado a interrupção voluntária e colectiva de actividades ou funções, por parte de trabalhadores ou estudantes, como forma de protesto ou de reivindicação.

Aliás, a lei Nº 65, de 1977, de 26 de Agosto da República de Portugal, diz: A Assembleia da República decreta, nos termos dos artigos 167º, alínea c), e 169º, nº 2, da Constituição, o seguinte:

Artigo 1º

Direito à greve

1 – A greve constitui, nos termos da Constituição, um direito dos trabalhadores.

2 – Compete aos trabalhadores definir o âmbito de interesses a defender através da greve.

3 – O direito à greve é irrenunciável.

No entanto, como é bem conhecido, a burguesia apoderou-se desse direito quando Sua Excelência – forma de tratar no Chile os Presidentes da República – o Dr. Salvador Allende, médico e político, foi eleito para a mais alta magistratura da Nação. Bem sabemos que a eleição foi renhida e teve que ser referendada pelo Congresso Nacional em pleno se o candidato não atinge a maioria absoluta.  Sua Excelência ganhou o primeiro lugar, apesar de não ter maioria absoluta, conquistou o primeiro lugar com 36,2% dos votos, contra 34.9% de Jorge Alessandri, o candidato da direita, e 27.8% do terceiro candidato, Radomiro Tomic, cuja plataforma era similar à de Allende. Como a Constituição chilena previa a necessidade de "maioria dupla" (no voto popular e no Congresso), difíceis negociações foram entabuladas para a aprovação do nome de Allende no Parlamento. Após o brutal assassinato do Comandante-em-Chefe das Forças Armadas chilenas, o general constitucionalista René Schneider, perpetrado por elementos ligados à Pátria y Libertad, Allende teve, finalmente, seu nome confirmado pelo Congresso chileno.

Como tenho comentado noutros ensaios meus neste sítio de debate Estrolabio, o Presidente sabia que tinha pouco tempo para governar como devia ser e começou de imediato com o seu programa de governo. Esse programa baseava-se na repartição da riqueza para todos serem iguais, ideia retirada da doutrina científica de Karl Marx, doutrina que orientava as suas ideias legislativas. A sua primeira actividade foi nacionalizar os Bancos, normalmente geridos com dinheiro estrangeiro e com gestores de outros países, ou dos Estados Unidos de América, ou pelos britânicos ou chilenos que transaccionavam com moeda estrangeira. Nomeara uma economista para observar a nacionalização, como Presidente do Banco Central, que geria as actividades de todos os outros, Noémia Kafka, a minha colega de ensino na Universidade de Cambridge. Ironias da vida: os Kafka , judeus, tinham procurado asilo no Chile para fugir da perseguição fascista da Europa. A sua filha teve que fazer o contrário…A seguir, nacionalizou as empresas geridas por ingleses, suíços, alemães e, naturalmente, pelos cidadãos norte-americanos.

O ponto mais pesado foi a reforma da propriedade da terra. O seu lema era que a terra é para quem a trabalha. Os proprietários de Haciendas e fundos, entregavam a gestão a um capataz ou administrador e exerciam as suas profissões na cidade de Santiago ou outros grandes centros de comércio, como Valparaíso e Concepción.

A burguesia começou de imediato com os seus protestos e desfilavam em frente do palácio de Governo, La Moneda, batendo tachos vazios com colheres de pau, aço ou prata. Acções concertadas pela ideologia de ultra fascista Pablo Grez, ideólogo do Movimento Pátria e Liberdade, sindicato burguês que geria a ideologia dos seguidores dos Partidos Conservador e Liberal, grupos antigos que governavam a República desde a sua fundação en 1810 até a eleição do primeiro Presidente burguês, Arturo Alessandri Palma, pai do candidato derrotado, que tinha sido Presidente do Chile nos anos 50 do século passado.

Este facto deu aço para um lema: em momentos de perigo, o país acode aos seus grandes velhos. Alessandri Rodríguez tinha já 80 anos quando foi, contra a sua vontade, candidato da direita chilena. Campanha que lhe custara a sua paz e a vida, faleceu pouco tempo depois da eleição de Salvador Allende.
Pátria e Liberdade via avançar as reformas e temiam ficar sem dinheiro, ao que estavam habituados. Mais do 60% de população era pobre e um baixo número, entre médio rico, a denominada classe média e um 10% de imensas poses no país e fora dele. A burguesia, alarmada, teve duas ideias: a primeira, comprar dólares, vender os seus bens, como no Portugal do 25 de Abril de 1974, e fugir, como grande parte da nossa família. A segunda, foi a ideia de Grez, quem morrera assassinado pelos seus jovens amantes, de bater na porta da CIA.

O Presidente reinante nos Estados Unidos, Richard Nixon, instruiu de imediato ao seu Prémio Nobel da Paz, o judeu Henry Kissinger, para activar à força de espionagem e começar a campanha de levantar as Forças Armadas, contra o seu comandante, o Presidente da República. Com sucesso. A burguesia tinha formado o seu sindicato, aberto contas bancárias fora do Chile, e iam sistematicamente a Escola Militar, Naval e de Aviação, para atirar milho e trigo, comida de aves, por considerar que os militares eram galinhas, termo usado para os cobardes no chileno castiço. Um militar desprezava às pessoas galinhas e sentiam-se ofendidos e humilhados por esta forma de agir, especialmente de mulheres, contra eles. Muitas dessas mulheres eram casadas com membros das Forças Armadas, o que incrementava a sua menos valia.
E o dia da justiça para os militares chegou, com o apoio da burguesia e da pouca aristocracia que ainda existia no país. Pelo que, para minha vergonha como chilenos e familiar de um membro sublevado, o Almirante Merino, e de um torturador cujo nome vou omitir por respeito a família e porque acaba de falecer. O Palácio de Gobierno foi atacado por aviões Hawker –Haunters da marinha dos Estados unidos, que com toda precisão bombardearam ao nosso Presidente. Presidente que teve a valentia de morrer no alto cargo para o qual tinha sido eleito, pela sua própria mão.

A greve da burguesia não teve maior sucesso. Pensavam que seriam chamados a governar, mas o ditador foi como o nosso libertador Bernardo O´Higgins, foi-se desfazendo dos seus camaradas de golpe, relevou do seu cargo ao traidor auto nomeado General dos Carabineros – a PSP de Portugal – mandou assassinar a Gustavo Leigh, sem sucesso, ganhando mais um inimigo com poder nas Forças Armadas, indigitou Generais do Exercito como Ministros, auto proclamou-se Director Supremo, mas 19 anos depois de tanto crime cometido, a própria burguesia reconheceu o seu erro, até derrubar ao ditador e tornar o país uma democracia, como sempre tinha sido.

A burguesia marchou duas vezes: uma, por engano, contra o Presidente da República livremente eleito, e outra, contra um senhor Picunche que nem sabia falar, mas sim cometer crimes dentro e fora do país. Ditador que faleceu réu da justiça, só e abandonado até pela sua antiga apoiante burguesia, que fez greve para o ter no sítio principal, reconheceu o seu erro, e A Sua Excelência o Presidente Allende teve um funeral de Estado, 20 anos depois…Os enganos da burguesia são de alto perigo, nem os seus sindicatos funcionam. Acabam de perder o mando por não se saber unir para a eleição do novo Presidente Piñera, Ministro de Economia e professor em investimentos do velho ditador. A greve burguesa acabou outra vez com um fascista no governo.

Chile tem uma curta memória…
publicado por Carlos Loures às 22:30
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Sábado, 6 de Novembro de 2010

Boaventura de Sousa Santos no Estrolabio: Classe Média Radical

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Os portugueses estão certamente perplexos ante a onda de greves que se anuncia e a agitação social que a precede por parte de magistrados e funcionários, forças armadas e de segurança, médicos, etc. A perplexidade é dupla. Por um lado, a agitação social não está a ser criada por aqueles que estão a ser mais duramente atingidos pela crise económica, pelos trabalhadores da indústria com emprego cada vez mais precário, pelos desempregados, vítimas da deslocalização de empresas, pelos trabalhadores imigrantes clandestinos obrigados a aceitar um horário duplo de trabalho para ganhar o salário mínimo (e, às vezes, menos que isso), pelos idosos dependentes de um serviço nacional de saúde cada vez menos acessível. Pelo contrário, a agitação social está a ser criada por trabalhadores que compõem a classe média (por vezes, classe média alta), com segurança de emprego, detentora de direitos sociais que não estão ao alcance da grande maioria dos cidadãos e mesmo de privilégios chocantes à luz da situação que o país vive. Por outro lado, é grande a desproporção entre a agressividade da contestação e a relativa moderação das reformas propostas pelo governo, todas elas destinadas a parificar, gradual e selectivamente, os benefícios de alguns “corpos especiais” aos de um corpo social já de si beneficiado em relação aos restantes trabalhadores portugueses, os funcionários públicos.

A resolução deste puzzle é complexa e passa pelas seguintes ideias. Primeiro, a contestação social, sobretudo no campo do trabalho, depende hoje muito da segurança de emprego. Quanto mais precário é o emprego, menor é a capacidade para lutar contra a sua precarização. Segundo, o sindicalismo português está a abandonar a sua tradicional base operária. Esta, embora continue a alimentar a retórica dos dirigentes sindicais, é cada vez mais frágil e incapaz de sustentar acções de reivindicação concretas. Terceiro, a agitação social é protagonizada por uma pequena faixa da população activa, mas com grande poder social e a cumplicidade de uma comunicação social conservadora, interessada na desmoralização do Estado e incapaz de uma pedagogia activa sobre o que está verdadeiramente em causa. Quarto, a sociedade portuguesa é uma das mais injustas da Europa e a mobilidade social que se verificou entre nós nos últimos trinta anos está bloqueada. Ela assentou, por um lado, na escola e nas qualificações e, por outro lado, no Estado enquanto sector de referência, tanto a nível salarial como nas condições de emprego e é nestes domínios que os bloqueios são mais visíveis. Em 1999, a probabilidade de um filho de um operário aceder a uma profissão liberal era sete vezes menor que a de um filho de um profissional liberal. Estes bloqueios agravaram-se depois de 2000 com a crise financeira do Estado, a crise da economia e a desvalorização geral dos diplomas. Quinto, o Estado tem sido um agente “anómalo” de promoção social. Por um lado, devido ao contexto geral do recrutamento inicial, tem permitido a ascensão a cargos de chefia a pessoas com baixas qualificações. Por outro lado, os desequilíbrios na organização dos interesses tornaram possível que certos grupos, com maior poder negocial, obtivessem privilégios injustificados, porque não vinculados directamente à natureza das funções. Constituíram-se sectores e corpos especiais e a sua composição tem sido sempre problemática.

É importante que o governo seja firme nos princípios e flexível na sua aplicação e que os grevistas se centrem nas condições dignas para o exercício das suas importantes funções, de modo tal que a sua contestação não seja vista como uma luta pelos despojos de um Estado cada vez menos disponível para a maioria dos cidadãos.

(Publicado na revista "Visão" em 29 de Setembro de 2005)
publicado por Carlos Loures às 21:00
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