Sexta-feira, 1 de Julho de 2011

“Não é uma crise, é uma fraude” Um texto de Attac

enviado por julio Marques Mota

 

“Não é uma crise, é uma fraude”
Um texto de Attac

“Não é uma crise, é uma fraude”, dizem indigndos  os espanhóis. Esta quarta-feira, o Parlamento grego acaba de adoptar um novo plano de austeridade, símbolo da inverosímel  fraude que se está  actualmente  a realizar na Europa.


Apesar da ineficácia mais que  provada das medidas de austeridade para melhorar a situação das finanças gregas, o Parlamento é obrigado  a aprovar um novo programa de austeridade , com reduções de salários e uma reforma fiscal que vai fortemente atingir  a classes média  e as pessoas de menores rendimentos;


Apesar da injustiça profunda destas medidas que visam fazer com que o povo grego pague  sem estar a pôr em causa as políticas fiscais desastrosas  que foram efectuadas pelos precedentes  governos,  os desequilíbrios inerentes  ao bom funcionamento da zona euro   ou ainda os enormes lucros   realizados pelos bancos e outros especuladores  à conta das finanças  públicas gregas;


Apesar da resistência do povo grego, que se levantou dignamente  e ocupa desde há quase três semanas a  principal praça de  Atenas - onde se  situa  o Parlamento - para contestar, de maneira pacífica e democrática, estas escolhas impostas apesar da sua falta de bom senso ;

Apesar de tudo isto , os deputados gregos escolheram submeterem-se à chantagem da União Europeia e do FMI, que aceitam em troca deste plano de austeridade que se atribua “uma ajuda” de cerca de cem  mil milhões de euros à Grécia - sem a qual o governo  se reencontrar-ia incapaz de financiar o seu funcionamento (incluidos os serviços públicos, hospitais, etc.). Este pretenso plano de  “ salvamento” é feito mais para  os bancos franceses e alemães do que para a Grécia: “O CAC 40 acentua os seus lucros, confiando na Grécia” pode ler sobre o sítio do jornal  Point.fr.

Representa realmente uma vasta operação de socialização das  perdas: um estudo do jornal Les Echos  mostra que “graças” a estes planos, “a parte da dívida grega nas  mãos dos contribuintes estrangeiros passará de 26% para 64% em 2014. Tudo isto significa  que a exposição de cada família  da zona euro vai passar de 535 euros actualmente para   cerca de 1.450 euros”. Ora todos os economistas  estão de acordo em afirmar  que a Grécia não poderá reembolsar a integralidade das suas dívidas.

Opondo-se de forma  selvagem a  qualquer reestruturação, Sarkozy joga uma corrida contra-relógio a favor dos bancos franceses; Quando a Grécia  não for capaz de  pagar  , serão as finanças públicas dos outros países europeus  que estarão na primeira linha… E os povos europeus pagarão a factura através de novas medidas de  austeridade.

“Privatizar os lucros, socializar  as perdas”, esta lógica parece mais do que nunca de uma extrema  actualidade: com a nova governança económica, promovida pelos governos europeus e pela Comissão e votada pelo Parlamento Europeu , as finanças públicas serão postas sob tutela, e à imagem da Grécia, será a austeridade permanente para os povos que garantirá os benefícios dos bancos.

É essencial que os povos europeus se  mobilizem  para levar ao completo malogro esta “estratégia do choque” à escala europeia. À imagem do povo grego, é necessário não somente  se “indignar”, mas mostrar-se “determinado” a pôr um fim  ao diktat dos bancos e dos mercados financeiros, começando por impôr uma auditoria democrática das dívidas públicas. Em  França nomeadamente, as mobilizações devem redobrar de intensidade: o que se decide  na Grécia hoje  é a capacidade dos povos na Europa de sairem  da armadilha na qual  nos coloca  a finança que está  em causa.

Na quinta-feira 30 de Junho, no dia seguinte  ao da mobilização sem precedentes do povo grego, e enquanto que os movimentos sociais e  os sindicatos britânicos organizam uma greve geral contra os cortes maciços nos orçamentos públicos, Attac apela a que as pessoas se reunam  as  18h em  frente da embaixada da Grécia para um apoio às mobilizações que se desenrolam na Europa, na Grécia, no Reino Unido, na Espanha, para afirmar que os seus combates são  mais do que nunca os nossos combates também.

3. Goldman Sachs assume oficialmente a direcção  do BCE

Attac, França,
Paris, 29 de Junho de 2011
Goldman Sachs assume oficialmente a direcção  do BCE


Mario Draghi, antigo Presidente de Goldman Sachs para a Europa, assume  hoje a presidência do Banco Central Europeu. Era Presidente da Goldman Sdachs  na altura  em que o banco de negócios americano , nos anos 2000, ajudava a Grécia a maquilhar  as suas contas públicas. O seu papel vai ser agora o de  preservar os interesses dos bancos na actual crise europeia.

Podiamo-nos  até agora interrogar  sobre as razões que levavam o BCE e Jean-Claude Trichet a opôrem-se de maneira mesmo violenta - incluindo face à chanceler  alemã - a toda e qualquer ideia de reestruturação da dívida grega.


Esta atitude parecia incompreensível dado que todos os analistas, incluindo os economistas dos bancos, estavam de acordo em considerarem que a Grécia não poderá assegurar o serviço da sua dívida nas actuais condições contratuais. Um reescalonamento, ou mesmo uma anulação parcial parece ser inevitável de acordo com a opinião  geral. Querer atrasar  esta solução  faz apenas agravar os estragos económicos e sociais provocados pelos planos de uma austeridade brutal e impopulares  impostos aos Gregos.

A nomeação de  Draghi clarifica por conseguinte as coisas. O BCE defende não o interesse dos cidadãos e de contribuintes europeus, mas sim o interesse dos bancos. Um estudo britânico citado ontem por Les Echos tem o mérito de quantificar claramente o processo em curso. Este estudo indica que graças “aos planos de salvamento” da Grécia e ao “ mecanismo europeu de estabilidade” instaurado pelo BCE, pelo FMI e pela União Europeia, “ a parte de dívida grega nas  mãos dos contribuintes estrangeiros passará de 26% para 64% em 2014. Isto significa  que a exposição de cada lar da zona euro vai passar de 535 euros actualmente para  1.450 euros”.

“O salvamento” da Grécia é pois de facto  uma gigantesca operação de socialização  das perdas do sistema bancário. Trata-se de transferir o essencial da dívida grega - mas também espanhola e irlandesa - das mãos dos banqueiros para a mão dos contribuintes. Será em seguida  possível fazer assumir os custos  da inevitável reestruturação destas dívidas pelos orçamentos públicos europeus.

Como o afirmam os  Indignados  espanhóis, “não é uma crise, é uma fraude! ». O Parlamento Europeu votou  ontem “o pacote da governança” que reforma o pacto de estabilidade, reforçando os constrangimentos sobre os orçamentos nacionais e as sanções contra os países em infracção. O Conselho Europeu reunido hoje e amanhã vai  terminar o seu  trabalho. E não é a próxima nomeação de Christine Lagarde à frente  do FMI que reduzirá a influência dos bancos sobre as instituições financeiras internacionais, bem pelo  contrário.

 

Felizmente as resistências sociais e de cidadãos  vão em  crescendo em toda a Europa. Governar para os povos ou para a finança? A resposta é hoje clara: vai ser necessário que os povos europeus se dêem as mãos para construirem  juntos uma  outra Europa.




publicado por Luis Moreira às 17:00

editado por João Machado às 16:15
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Sábado, 25 de Junho de 2011

“A Alemanha deve 575 mil milhões de euros à Grécia” Jacques Delpla:

 enviado por Julio Marques Mota

 

“A Alemanha deve 575 mil milhões de euros à Grécia”
Jacques Delpla:

 

O economista Jacques Delpla , membro do Conseil d'Analyse Économique, calculou que os Alemães devem aos Gregos pelo  menos 575 mil milhões de euros nos termos da segunda guerra mundial. Considera que a Europa deve absorver o excesso de dívida refinanciando-o com  taxas de juro muito baixas, em troca de reformas estruturais.

 

Entrevista feita por Catherine Chatignoux e Richard Hiault

 

O acordo dos ministros das Finanças, no domingo, a favor  de uma nova ajuda à Grécia e de uma participação do sector privado no financiamento da sua dívida vai acalmar duravelmente os mercados?

 

Os mercados  já não são, na verdade,  o problema da Grécia. Dentro dos  próximos 10 a  20 anos  o financiamento da dívida grega vai ser realizado por dois meios: para uma boa metade , vai ser feito  por financiamentos públicos e para a outra parte, mais pequena, será financiada  pelos bancos e pelas seguradores, via a famosa “Iniciativa de Viena”, ou seja a manutenção da sua exposição. Não haverá  mais passagem pelos mercados.

A Alemanha renunciou à sua proposta de reescalonamento da dívida. É uma boa notícia?

 

Os Alemães não tinham visto que a sua proposta de troca obrigatória de títulos de dívida conduzia directamente à situação de incumprimento da Grécia. Ora se há um incumprimento  sobre a dívida grega, é a falência imediata de todo o   seu sector financeiro que está cheio  de obrigações soberanas. Nenhum banco central pode refinanciar com uma dívida em incumprimento aceite por   colateral: o BCE não o fará. É por conseguinte o ataque cardíaco imediato assegurado para a Grécia com uma interrupção do sistema dos pagamentos internos, até mesmo do pagamento dos salários e do funcionamento dos hospitais. A Grécia reencontrar-se-ia no euro sem poder estar a utilizar o euro. A única solução para ela seria então sair do euro, com uma mega recessão  e com o risco de contágio que se conhece.

Para si, é a solidariedade financeira que deve ser mais importante?

 

Todo o mundo conhece a fábula da cigarra e da formiga. Mas a história tém a sua continuação e nesta  é a formiga que financiou a cigarra no passado e que acarreta  por conseguinte com as suas dívidas; os seus avós, os da formiga, outrora tinham  exterminado os avós  da cigarra e carregam pois com uma  pesada responsabilidade política e financeira. De acordo com os meus cálculos, os Alemães devem aos Gregos pelo menos 575 mil milhões de euros nos termos da segunda guerra mundial. Os Alemães devem muito mais à Grécia que os Gregos devem à Alemanha. E por último, habitam ambos no mesmo edifício, e se deixamos que se faça a implosão do  apartamento da cigarra, como se está no mesmo prédio é certo que serão todos a implodir.. A moral da história é que as duas coisas devem, do meu ponto de vista,  ser respeitadas: o contrato da Grécia com a

 

Europa e o contrato da Alemanha com a Europa.

Comecemos pelo contrato da Alemanha com a Europa

 

A Alemanha pagou a sua reunificação oferecendo a sua moeda e aceitando o euro. Do seu lado, os seus parceiros comprometeram-se a ser sérios. O contrato não foi honrado. E os Alemães pensam a justo título que o espírito do tratado de Maastricht foi violado. Também é necessário reformar a Europa económica. Mas é necessário também que cada um assuma as suas responsabilidades e partilhe o custo dos  erros cometidos e as perdas com eles geradas. É necessário que os Europeus absorvam juntos a dívida excessiva dos três países (Grécia, Portugal e Irlanda) refinanciando-os com taxas de juro extremamente baixas, na ordem  3% a  4%, durante 10 ou 20 anos. Em troca, estes países devem fazer todas as reformas orçamentais e estruturais necessárias, e por muito tempo. É a única solução.

Os Alemães não parecem muito entusiastas com  esta ideia?

Os Alemães esquecem a sua dívida política. É necessário recordar-lhes isso precisamente. Em 1945 os vencedores da guerra perdoaram os custos em termos de  capital humano e físico destruído pelos Nazis. Fizeram-se a CECA e o Tratado de Roma. O passivo político e financeiro da Alemanha nos termos da guerra atinge cerca de  16 vezes o PIB alemão, a que se pode  chamar a dívida implícita da Alemanha. Ninguém lha reclama e em  troca pede-se que faça o jogo da Europa , de um ponto de vista político e financeiro. Hoje, isso significa salvar a Grécia.

Os Gregos poderão reembolsar a sua dívida?

Devem-no! E podem-no! Devem reformar, privatizar, terminar com a corrupção e nepotismo  e passar de um défice de (-15%)  do PIB ao equilíbrio em alguns anos. Com isso reporão  a sua dívida entre 60% e 90% do PIB daqui a  2025 ou  2030. A Grécia tem os meios para poder prosperar: dispõe do mais bonito património arqueológico do mundo, ilhas magníficas onde se tem  bom viver. Penso que a Primavera árabe é uma formidável oportunidade para este país, plataforma da Europa no Mar Mediterrâneo oriental.
Exclui por conseguinte totalmente a hipótese de uma reestruturação?

Não se podem impedir as pessoas de se suicidarem. Os Gregos podem escolher entre toboggan e o salto em pára-quedas… sem pára-quedas. Devem compreender que lhes é  impossível conservar o seu nível de vida de antes da crise, financiado por um défice orçamental alucinante . Ou seja, escolhem toboggan com uma baixa do nível de vida de 10% durante 5 anos. E terão  interesse nisso porque a ajuda europeia é considerável: consiste numa subvenção implícita de taxa de juro que representa de 15 para 20% do PIB grego (12% para os Irlandeses e 10% para os Portugueses). Mas também podem fazer a outra opção, isto é, democraticamente podem  recusar assinalar este desafio. Mas então, a sua economia afundar-se-á; os gregos deixarão de  ter  mais ajuda e deverão sair do euro… sem pára-quedas.

A Alemanha reflectiria no entanto seriamente numa zona euro a duas velocidades?

No inconsciente  alemão, os Gregos não merecem pertencer à zona euro. É o discurso da direita conservadora alemã  que sonha com  uma zona euro constituida com a Áustria, a Eslováquia, a Finlândia, a Holanda - e a França por razões históricas. Mas um  tal sistema, a França não o quer e, sobretudo, viola o contrato europeu básico do após-guerra. Se estamos a recriar  uma zona euro com todos os bons alunos da turma e uma  outra com os países  periféricos, a segunda explodirá rapidamente em hiperinflação.

Concretamente, como é que se vai organizar  a participação do sector privado no financiamento próximo da dívida grega?

O ideal seria que estejamos baseados   na distribuição da exposição à Grécia pelo sector privado europeu antes da crise e que os resgates de títulos sejam repartidos em função. Tudo isto  permitirá uma distribuição da carga, que considero em  cerca de 100 mil milhões de euros para os bancos e seguradoras europeias  não gregas. E assim se evita que os bancos que jogaram o jogo de uma manutenção da exposição não sejam prejudicados.

Os bancos alemães encontram o princípio de “roll over” demasiado restrito. Desejam estímulos para a sua contribuição no processo. O que pensa?

 

Os banqueiros queriam ter sido salvos pelos governos e não reenviarem  o ascensor. Os dirigentes  alemães não foram bastante claros a este respeito com os seus bancos.

 

Como fazer de modo que uma crise desta natureza não se reproduza?

 

A solução que preconizo é alterar radicalmente a estrutura do mercado obrigacionista na Europa. Separar-se-iam  as dívidas dos países da zona euro em duas partes . De um lado, a dívida sénior, a que chamo dívida  azul, até aos  60% do PIB, que seria emitida em comum  a nível da zona euro e que seria  gerida por uma agência europeia da dívida soberana. Representaria 6000 mil milhões de euros e tornar-se-ia a dívida mais segura  do mundo. Seria mesmo menos cara que os títulos  alemães ou franceses   actuais porque este mercado seria muito mais vasto e mais líquido.

 

Teríamos assim  um concorrente ao mercado americano da dívida pública. A  esta dívida azul estaria ligada  uma garantia conjunta e solidária da dívida e, assim, não seria susceptível de qualquer situação de incumprimento  . A prazo, a minha forte convicção é a de  que não há futuro da zona euro sem uma dívida governamental comum, a dívida Azul. Por outro lado, acima destes 60% do PIB, teríamos a dívida vermelha, ou júnior que incorporaria o conjunto do risco soberano. Poderia absorver perdas ou mesmo entrar em situação de incumprimento  sem que isso viesse a provocar  uma catástrofe. A força das dívidas azul  e vermelha é que este sistema dá todos as boas incitações  : as taxas de juro terão muita  dificuldade em subir.

 

Afirmações recolhidas por Catherine Chatignoux e  Richard Hiault

 

Jacques Delpla : « L'Allemagne doit 575 milliards d'euros à la Grèce », Les Echos, 22.06.2011.


Grécia: duas ideias… excluídas (infelizmente)!

 

Dominique  Seux

 

Um Conselho Europeu reúne-se em Bruxelas. Aí discutir-se-á a situação criada pela  Grécia Não o farão, é certo, mas as autoridades internacionais teriam todo o  interesse em  publicar o relatório feito pela Troika para  mostrar à opinião  pública dos vários  países - incluindo o grego - qual é a situação real do país.

 

Evitem dizer que o Conselho Europeu que terá  a duração de dois dias  será decisivo, determinante ou difícil para a Grécia! Estas palavras estão já mais que gastas para significarem alguma coisa . .....

Mas. na verdade, em que situação estamos? O Parlamento grego renovou a sua confiança em George Papandréou e os Europeus e o FMI esperam que o plano de rigor seja, por sua vez,  ratificado em Atenas. Seguidamente, abrirão a sua carteira. Há por conseguinte pequeno intervalo e de um forte suspense  durante alguns dias.

Deste encontro, o que é que se espera, antes de mais nada? Que haja unidade. As pequenas querelas , as hesitações recentes foram desastrosas, a ponto de Washington quase ter falado de criancice. O segundo desafio refere-se à Alemanha. Desde há um ano, que Ângela Merkel dá passos de gigante, e cada vez que assim acontece é puxada  pela manga por Nicolas Sarkozy, aceitando ajudar a Grécia. Corajosamente, enfrenta a sua opinião pública. Mas é necessário efectivamente dizer que mantém também uma certa confusão. É necessário escolher, já se tem dito aqui,  entre ou a falência ou  mais integração - de federalismo se não se tem medo das palavras - em suma,  mais poderes exercidos a serem exercidos  colectivamente  e menos de cada um para só para si.

Como a opinião pública dos países  membros , gregos incluídos, estão muito perturbadas por esta crise, a lógica exigiria, que ao lado desta cimeira, duas iniciativas sejam tomadas - mesmo se eu não acredito que eles o venham a ser .

1. É necessário primeiramente  mostrar à opinião pública,  nomeadamente a francesa, que não sejam só os contribuintes a salvar Atenas. É o debate sobre a implicação dos credores privados (bancos, seguros, fundos de pensões). A questão chave é fazê-los  participar sem que isso  possa ser considerado como “um incumprimento” do Estado grego, incumprimento que seria de efeitos incalculáveis. A verdade é que estes credores estão  prontos para o fazer - o que  é um progresso. Dizem-no em voz “off”. A questão que lhes é posta  é saber se é necessário a declaração “sim”, publicamente. Os bancos pensam que não, que não ainda, para negociar; mas pode-se pensar que sim, que o deveriam, para mostrar a toda a gente  que os esforços serão partilhados.

2 - a segunda iniciativa refere-se opinião pública grega. Sabe-se agora, e é reconhecido nas chancelarias, nomeadamente em  Paris, que os esforços pedidos foram mal calculados: demasiado violentos os impostos  sobre os rendimentos enquanto que as reformas de estruturas não são mesmo suficientes  - não há cadastro, é muito pouco o controlo fiscal, é muita a corrupção. Para que entre dinheiro para os cofres do Estado , as privatizações também deveriam ter  sido   lançadas mais cedo. O problema de fundo não deixa de ser o facto de que o nível de vida dos gregos progrediu muito relativamente ao desenvolvimento da economia. E também que a direita grega, que maquilhou as contas públicas o que  é irresponsável.

Para abrir os olhos dos Gregos, para convencer também certos europeus que a Europa não estrangula a Grécia, só há uma solução: que a Troika  BCE-Comissão Europeia-FMI, que realiza regularmente missões nos locais,   publique  os seus relatórios e bem documentados sobre a situação. Seria como é evidente,  legítimo e democrático.


A Grécia não está  condenada ao pior. O economista Jacques Delpla publicou  uma boa saída , no artigo anterior em Les  Ecos desta manhã. Os Gregos podem escolher entre o salto em toboggan e o salto em pára-quedas mas sem pára-quedas. Ou seja:  escolhem entre o salto em toboggan com uma ligeira baixa do seu nível de vida ou recusam este desafio.  Mas neste último caso a sua economia afundar-se-á e  sairão do euro.
Dominique Seux.

 

Dominique Seux, Grèce : deux idées... exclues (hélas) !Les Echos, 22.06.2011

Jacques Delpla : « L'Allemagne doit 575 milliards d'euros à la Grèce », Les Echos, 22.06.2011.

publicado por Luis Moreira às 13:00
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Segunda-feira, 30 de Maio de 2011

Grécia, atrás já da linha separadora da reestruturação - Charles Wyplosz

Aos  leitores de estrolábio, um texto aqui vos deixo.


Tal como o FMI organizou a queda da Argentina em 2001, está agora a caber a  vez ao país berço da nossa democracia, a Grécia  .  Andam ladrões à solta, andam muitos criados ao serviço destes ladrões pelos bolsos de todos nós a sacar, andam polícias a demitirem-se  das sua funções   de zeladores da coisa pública para se transformarem em guardas públicos  da coisa privada e assim os capitais continuam a fugir da Grécia até esta cair completamente exangue, mas há liberdade de capitais, claro! E até, pasme-se, o Financial Times vem protestar contra o facto de que  "na sua  "grande sabedoria ", a zona euro tenha decidido que as perdas dos credores do sector privado tenham que ser socializadas ... e o fardo final tenha de ser assumido pelos contribuintes dos  países deficitários. " Liberdade de  uns receberem, obrigação de outros pagarem, liberdade de uns se movimentarem, os capitais,  obrigação de outros se fixarem, os contribuintes, é  esta a liberdade da Eurolândia,  são estas as características do seu reino  por um incompetente dirigido que dá pelo nome  de ser português.

 

 

Nada vai bem  na zona euro. A Grécia está na berlinda um ano depois de ter sido salva  pelo programa imaginado pelo FMI e pela Comissão Europeia. A Espanha está  numa corda bamba  e a Itália foi colocada sob vigilância pela Standard and Poor’s . Os deputados do CDU estão em rebelião contra Angela Merkel, que sofre derrota eleitoral após derrota eleitoral. O seu ministro das Finanças, que tinha  agitado os mercados financeiros evocando publicamente um reescalonamento da dívida grega, acaba de mudar de opinião. Jean-Claude Trichet reage agressivamente contra Jean-Claude Juncker que defendia a hipótese  “re-perfilar ” a dívida grega e o BCE ameaça mesmo vir a deixar de  alimentar os bancos gregos. Um responsável deste país indica que, neste caso, seria necessário deixar a zona euro. Eis pois, aproximadamente, o estado das coisas que resultam da notável solidariedade europeia prometida por Angela Merkel e por Nicolas Sarkozy. Há então sérias razões para nos questionarmos.

 

 

Porque é que o défice grego não se reabsorve?

 

A Comissão prevê um défice de 9,5% do PIB em 2011 e de 9,3% em 2012 depois de  10,4% em 2010. Não é por falta de esforços pela  parte do governo. De acordo com a última avaliação dos progressos conduzida  pelo FMI datada de Março  último, lê-se : “ A economia evoluiu como previsto, com uma baixa de 4,5% do PIB em 2010, uma taxa de inflação que continua a ser fraca, e com  custos unitários do trabalho que começam a descer . Face a  estes  ventos contrários, as autoridades terminaram com um ajustamento orçamental de 5,75% em 2010. ” Explicação destes cálculos em aparência contraditórios: o governo apertou fortemente a tarraxa  ( os 5,75%), mas a recessão  é profunda (os -4,5%)  e sem fim, precisamente, devido a este ajustamento precipitado. De repente,  as receitas orçamentais reduzem-se e… o défice realmente não se reabsorve (- 9,5%).

 

O que fazer agora?

 

Para o FMI e para a Comissão, é necessário fazer mais e ainda melhor . “A Grécia progrediu em direcção dos seus objectivos [os que lhe foram impostos como condição do empréstimo], e as reformas orçamentais e estruturais necessárias são levadas a efeito gradualmente . Contudo, reformas essenciais devem ainda ser preparadas e levadas a prática  para construir a massa crítica necessária à sustentabilidade orçamental e à  retoma económica. ” Por outras palavras, é necessário ainda continuar a apertar a tarraxa ou o cinto, o que é equivalente. Mas se as medidas do ano passado prolongam a recessão  e não permitem de modo nenhum   reduzir o défice, como previsto pela Comissão, o que fará a Grécia num ano? Apertar ainda mais o cinto. Continua-se a aplicar um remédio que enfraquece ainda mais  o doente já de si muito fraco.

 

Porque   é  que os Alemães quebraram o tabu da reestruturação de dívida?

 

Como o défice não se reabsorve e porque o governo grego não pode mais vir a contrair empréstimos nos mercados financeiros internacionais, é necessário que  o FMI e a Europa continuem a conceder  empréstimos. A Alemanha, sendo o primeiro mutuante dos  fundos em questão, daí que uma surda  inquietação  comece  a aparecer além-Reno  (mas não em França onde, aparentemente, a opinião pública não se preocupa com o montante destes empréstimos). Uma reestruturação reduziria o montante dos empréstimos suplementares a realizar, o que aliviaria a pressão sobre Merkel.

 

O que é uma reestruturação?

 

Incumprimento,  reescalonamento, diminuição de dívida, etc. são diversos meios para reduzir uma dívida. Como um país não pode ser colocado na  prisão, pode decidir de maneira unilateral não reembolsar a totalidade da sua dívida pública. É ilegal mas é um  facto de príncipe. Os seus credores têm poucos recursos de oposição  e a sua melhor opção é, em geral, negociar o que irão  perder - “ haircut ” como se diz  deliciosamente  em inglês ou  a tesourada como se diz em bom português. Que isto assuma  a forma de pagamentos diferidos, uma baixa da taxa de juro ou uma redução directa da soma devida, há incumprimento desde que os termos  iniciais sejam  unilateralmente alterados. Certos responsáveis políticos falaram de reescalonamento “ voluntário e bem organizado”. É uma pura ficção. Os credores, e há dezenas dos milhares ou mesmo muito mais, nunca  serão voluntários e alguns  batem-se com energia negociando de forma muito dura  e recorrendo aos tribunais. De repente,  o procedimento é desordenado, longo e complicado.

 

Que pensam os mercados financeiros?

 

A opinião geral, mas não unânime, é a de que a Grécia não escapará a  uma reestruturação. Os mercados são habituados a estes acontecimentos e preparam-se. Uma parte dos bancos e os investidores que detinham a dívida grega desfizeram-se dela , frequentemente a sofrerem   perdas moderadas; agora estão posicionados para ganharem dinheiro  quando isso se produzir. Outros quiseram evitar perdas  a  revender  e estão agora inquietos. Ninguém  duvida que estes mantêm  a angústia dos governos de modo a que o contribuinte  os venha salvar da sua aposta. Ganham-se  hábitos.

 

Porque é que a França  se opõe a  uma reestruturação?

 

Segundo a linguagem oficial afirma a Europa não é a América Latina, a solidariedade não é uma palavra vã e o remédio corre o risco de ser pior que o mal porque existe um risco de contágio. O contágio é possível, com efeito. Resta  uma outra interpretação, perfeitamente hipotética. Os bancos franceses (e alemães) parecem deter uma parte da dívida grega e poderiam  vir a ter grandes prejuízos . Se estes bancos estão menos sólidos do que o que se pensa , poderiam ficar ainda mais seriamente destabilizados  , e ainda mais se houvesse contágio. Mas a informação sobre estas questões não está disponível, pode-se apenas imaginar o pior.

 

Porque é que o BCE  é violentamente contra  uma reestruturação?

 

O BCE está em dificuldades  e por muito tempo, sobre esta questão . Às advertências sucedem as ameaças. Como toda gente, o BCE teme o contágio. Este também avisou que o sistema bancário grego se desmoronaria, o que é possível, mas não seria dramático. Com efeito, se o governo reduz a sua dívida, digamos, de 50% do PIB e que deve então situar-se sobre a linha de água , ou seja (nacionalizar ) o sistema bancário por  um custo de aproximadamente 20% do PIB, o ganho fica então de  30% do PIB, uma bela  operação financeira.

 

As angústias do BCE podem estar  num outro lugar. Desde Maio de 2010, sob uma pressão intensa dos governos, comprou muitos títulos das diferentes dívidas  públicas. Cuidadoso, aplicou um haircut da ordem de 20% mas os incumprimentos em série deixá-lo-iam com perdas muito substanciais. Certamente seria recapitalizado pelos governos, mas  o Banco Central Europeu teme uma perda vertiginosa do seu prestígio, já colocado em maus lençóis pelas suas compras não muito voluntárias de dívidas, e mais geralmente, por um aumento do  cepticismo no que diz respeito à moeda única. As suas advertências soam  como um sinal de pânico, dando a ideia de que terá com o dedo imprudentemente  accionado uma engrenagem que não controla.

 

Quem decide ?

 

A Grécia é um país soberano e é ela que decidirá. Desde o início da crise, os seus parceiros europeus ditam-lhe o  caminho  a seguir e esta aceita estas injunções na esperança evidente de vir a  ser ajudada, ainda que as ajudas não sejam  dons, é necessário recordá-lo, mas sim empréstimos que aumentam a sua dívida. Como todos os outros, o governo grego pesa os prós e os contras das suas opções. Uma declaração de incumprimento dar-lhe- -ia para respirar um momento e permitir-lhe-ia aliviar a pressão sobre a sua população. Mas a decisão poderia tornar-se inevitável se os Gregos acelerassem o movimento, de momento lento, de retirada de fundos dos bancos, informados que estes estão pelo BCE que o sistema bancário pode desmoronar. O voluntarismo político quebra-se frequentemente contra o rochedo da dura realidade

 

 

 

publicado por Augusta Clara às 23:00

editado por Luis Moreira em 31/05/2011 às 11:35
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Domingo, 29 de Maio de 2011

Dívida grega : torçamos os braços aos banqueiros

Júlio Marques Mota

 

Um muito bom texto sobre a entrada de um país em situação de incumprimento. Aos textos de Delpla e de outros similares dei um título e mantenho: “os tecnocratas falam”. A razão  é simples: trata-se de autores sérios que vão ao fundo das questões no quadro da situação actual, mas apenas no quadro das instituições tais  quais estas neste momento se nos apresentam. Neste texto faz-se referência  a um outro do mesmo autor também publicado pelo estrolábio, daí a razão de ser do link considerado. Ficamos com a certeza, ao ler este excepcional artigo que a  política da União Europeia é ou manter os países à beira do abismo e a cumprir, com o medo,  os seus desígnios que parecem ser também os desígnios do capital financeiro internacional ou então levar a que estes colectivamente se suicidem, atirando-se eles mesmos para o abismo. A política do medo, uma invenção dos nossos Durão Barroso, da Troika,  dos países dominantes, a nova forma que assume no plano regional, na UEM, a precariedade absoluta que esta encarrega os Estados membros de manter sob forte pressão nos respectivos espaços.

 

Divida vermelha, dívida azul ou dívida amarela, Delpla é sempre um autor que se deve ler, mesmo que estejamos num outro quadrante, com um outro quadro de referências, como é o nosso caso. A Democracia, é isso mesmo.

 

Coimbra, 2 de Maio de 2011

Júlio Marques Mota

 

Dívida grega : torçamos os braços aos banqueiros

 

Incumprimento ou não da  Grécia ? Depois de durante muito tempo ter pensado que sim, hoje , hoje creio na posição inversa: que a Grécia não declarará formalmente uma situação de incumprimento; a sua dívida será financiada , durante muito tempo, por um misto de créditos públicos  europeus e de créditos  « forçados »   dos bancos e das seguradoras  da Europa. (versão integral publicada em Les Echos)


Em vez disso, a sua dívida será financiada , durante  muito tempo  por um misto de créditos  públicos europeus , de créditos  « forçados » dos bancos e das companhias de seguros  a quem o BCE  e os Tesouros Nacionais  terão torcido os braços  e pela monetarização  parcial  desta dívida pelo BCE . O mesmo raciocínio se aplica à Irlanda ou a Portugal.

 

A situação é fortemente a  favor da declaração de incumprimento: a dívida pública grega ultrapassa os 150% do PIB, os défices públicos actuais são de 10% do PIB, os impostos não entram nos cofres do Estado, os eleitores estão cansados da austeridade; para recuperar  a sua competitividade o país deve reduzir os seus preços e os seus custos de 20%  até  35% (deflação interna), o que aumenta na mesma proporção a dívida pública assim como  a dívida privada grega. Se a isto acrescentamos  que a Grécia é suposta, de acordo com o seu programa acordado com o FMI, ir aos mercados contrair novos  empréstimos em 2012, enquanto que as taxas de juro no mercado sobre a dívida grega são de 20% sobre maturidades de 2 anos e de 14% a  10 anos, a equação parece insolúvel, e daí a conclusão dos mercados e de numerosos  observadores: uma situação de  incumprimento  e tudo recomeçará  para melhor! E como é necessário reduzir a dívida maciçamente, reduzamo-la então a dívida grega por dois ou três, e  imediatamente! Já que se fica com o estigma da situação de incumprimento , então  que  este seja feito à grande! E depois que se  faça o mesmo para a Irlanda  e para  Portugal. É tão simples…

                  
É verdade, mas os argumentos contra a situação de incumprimento são ainda mais fortes Que se passará então depois de declarada a situação de incumprimento sobre a dívida pública grega? Primeiramente,  Primeiro, o conjunto do sector financeiro grego, cheio de títulos da  dívida pública grega, iria imediatamente à  falência. Como o conjunto da dívida pública e da dívida bancárias gregas estariam em situação de incumprimento , deixariam de ser elegíveis para efeitos de  refinanciamento do BCE, o colateral a ser aceite pelo BCE em troca da disponibilidade de liquidez. . Por outras palavras , deixaria de haver liquidez monetária  no sistema económico grego, o país  claramente ficaria paralisado.. Nesse momento, o governo não teria outras escolha que não seja a  de sair da zona euro e criar a sua própria moeda. A ajuda da União Europeia e o FMI ficariam automaticamente bloqueadas ; também não haveria mais nenhum fundo de coesão europeu (2% do PIB grego por ano). A Grécia tornar-se-ia  o pária da Europa durante várias décadas, sem esperança sequer de poder voltar um dia para a zona euro . E, depois, , a onda de choque propagar-se-ia ao resto da zona euro: Chipre, a Irlanda e Portugal seguiriam imediatamente  . Os mercados esperariam evidentemente que a Itália reduzisse também por dois a sua dívida pública de 120% do PIB e impor-lhe-iam  taxas de juro estratosféricas. E então, se a Itália tivesse que entrar em situação de incumprimento sobre a sua dívida, seria aí o fim da zona euro e o desastre financeiro do continente.

Como fazer então? É necessário reconhecer que fizemos colectivamente erros infantis a propósito do euro: deixamos desenvolverem-se em demasia as  dívidas privadas e públicas. E é ao  mesmo tempo a culpa dos  devedores e dos credores, como é culpa também  dos reguladores bancários. Em vez de deixar explodir o euro de maneira irremediável à primeira crise aparecida (com um incumprimento da Grécia), é necessário assumir as nossas perdas e fazer de modo que este tipo  de situação  não se reproduza. Para o futuro, isso significa um bem maior controlo dos défices e das dívidas com sanções e estímulos (para isso  prefiro a nossa ideia de dívida Azul e de dívida Vermelha). Para saldar os nossos erros passados evitando ao mesmo tempo um incumprimento grego, irlandês ou português, é necessário partilhar esta carga colectivamente, saindo a Grécia do mercado obrigacionista e colocando-a sob tutela dos seus credores por muito tempo: nada de  mais cheque em branco (i.e. de mais financiamento obrigacionista) mas sim de empréstimos contra reformas. Aos meus olhos, a solução passa por uma divisão em quatro do fardo.


Primeiramente, cabe aos Gregos  fazerem  um saneamento maciço das suas finanças públicas (nomeadamente privatizando maciçamente) e  fazerem reformas em extensão e profundidade . Esta crise é a ocasião histórica para a Grécia de sair do seu modelo económico em falência feito   de corporativismo, corrupção, nepotismo, privilégios, de rigidezes e de fraude fiscal generalizada e de encontrar um modelo de crescimento duradouro.

 

Os Gregos não podem continuar a pagarem a  crédito um Estado Providência à maneira dos  Dinamarqueses com impostos à  maneira dos  americanos! Devem também compreender o que um  incumprimento  e uma saída da zona euro significariam para eles: nunca mais voltariam à  zona  euro, um estatuto de pária na  Europa, a exclusão dos financiamentos públicos e privados europeus. Além disso, dizer que o Estado grego é insolvente é difícil de definir: o património das famílias e empresas de um país europeu será de aproximadamente 5 a  10 vezes o PIB. Uma boa tributação deste capital permitiria reembolsar facilmente a dívida soberana. Num artigo anterior , sugeri  instaurar uma tributação à  americana de  2% por ano do capital fundiário e imobiliário (primeiro receptáculo da evasão fiscal), que  traria quase 6 a 10% do PIB por ano - com o que à vontade se  tornaria  a dívida grega solvente. Aos Gregos caberia instaurar  rapidamente  um cadastro para fazer subir  este imposto.

 
Em segundo lugar, o FMI e os Estados europeus (através dos  empréstimos directos do MEE-Mecanismo Europeu  de Estabilidade) e o BCE (indirectamente pela sua carteira de obrigações gregas) vão continuar a emprestar ao Estado grego (na qualidade de créditos seniores ) para  metade da sua dívida, com uma taxa fraca para a Grécia (inferior à taxas actual  de 4,7% porque estas dívidas seriam seniores ) durante décadas, por outro lado o país permanecerá sob tutela orçamental qualquer este tempo, por muito que isto desagrade aos políticos gregos. Os credores o conjunto dos países da zona euro, seria suicida para a Grécia faltar sobre os seus principais parceiros comerciais e políticos, tanto quanto imagina-se mal a Grécia lançar-se ao lugar nos braços da Turquia: não se escapa à sua geografia! Em contrapartida, em troca de reformas essenciais e contínuas da Grécia, estes créditos públicos vão ser estendidos gradualmente no tempo até a dívida grega torne-se sustentável.

Em terceiro lugar, os credores privados vão “ser convidados” a renovar, prorrogar os seus créditos sobre a Grécia. Porque o fariam apesar dos riscos de falência? Porque se todos os grandes investidores emprestam em conjunto à Grécia a  taxas moderadas e sob condições drásticas, então deixam de ter o risco de incumprimento. Porque os governos europeus (empurrados pela Alemanha que quer limitar a sua exposição ao risco grego) e pelo BCE (que quer evitar a explosão do euro) estes “pedirão” aos bancos  torcendo-lhes os braços. É o que fez Alan Greenspan em 1998 aquando do desmoronamento do hedge fund LTCM: o FED “convidou” com insistência todos os bancos que tinham emprestado ao hedge fund LTCM  que renovassem os seus empréstimos  anteriores  até à saída da crise,  um ano mais tarde. Todos o fizeram (e não perderam nada) excepto um banco estrangeiro que foi sujeito então a todas as inspecções e a todos os  controlos possíveis do FED e do Tesouro americano e que acabou por sair do mercado americano. Para a Grécia, a Irlanda e Portugal, será similar: os Tesouros e bancos centrais vão torcer os braços a  todos os bancos e companhias de seguro da zona euro para “incitar” fortemente um a um, uma a uma a manterem  os seus créditos (ou a aumentá-los   para quem tenha  reduzido a sua exposição) sobre a Grécia, com uma taxa próxima da dos Estados, em nome de três argumentos (“ salvámo-los em 2008, cabe-vos agora  a vocês de nos reenviarem o elevador ”, “é do vosso  interesse comum  salvarem  a zona euro, devem pois nisso participar”, “nós, tudo faremos para forçar  a Grécia a  honrar a sua dívida e por conseguinte a reduzir o vosso risco”) e a ameaça de sanções diversas de que só os   Tesouros têm o segredo. Os bancos e seguradores vão reagir evidentemente mas as duas outras opções são-lhes bem  piores para todos eles: uma declaração imediata de incumprimento da Grécia e a destruição  da zona euro, ou o resgate somente pelos  Estados, hipótese  que a Alemanha recusa.


Quem serão estes investidores privados? Primeiro os bancos e seguros gregos (respectivamente irlandeses e portugueses), seguidamente os grandes bancos e seguros dos grandes países  (Alemanha, Bélgica, Luxemburgo, França, Itália) na proporção   dos seus  activos  e da sua exposição ao risco sobre a Grécia (Irlanda e Portugal)  até 2008 (1). Na  prática, será pedido a  um Comité de credores privados que representam o conjunto dos bancos e seguros europeus que financie cerca de metade das necessidades da dívida da Grécia enquanto esta estiver sob tutela europeia. Tal facto significará  que investem na Grécia, na Irlanda e em Portugal cerca de 4% das suas colocações em dívida pública da zona euro (2). Como os créditos dos investidores privados serão classificados de juniores, i.e. subordinados em relação aos  empréstimos europeus (MEE) e o FMI, as suas taxas serão superiores às  do MEE e do FMI.

Naturalmente, para o FMI, para os Estados da União Europeia  e para  os credores privados, a prolongação no tempo destes créditos sobre a Grécia equivale a uma redução do seu valor. Com as taxas actuais sobre a dívida grega, um prolongamento  da dívida grega de dez anos em média reduziria o seu valor de um terço ( de  metade com um prolongamento de quinze anos). É a versão suave e sem situação de incumprimento derivada  da participação dos credores privados na reabsorção  da dívida grega; isto deveria agradar aos Alemães, porque não será dito que os credores privados da Grécia sairão sem nenhum custo. Mas a diferença  com uma situação de declaração imediata e brutal de incumprimento em 2012 ou 2013, é que esta reabsorção se fará entre  10 a 20 anos.

Em quarto lugar, e poucas pessoas o vêem , o BCE concede  uma ajuda excepcional aos países periféricos  e  que vai continuar durante anos mas que cessaria no caso da situação de incumprimento . Tomem o caso extremo da Irlanda: hoje, o BCE quase que aceita refinanciar todos os activos dos bancos irlandeses qualquer que seja a sua notação (até 100% do PIB irlandês) a uma taxa muito fraca (1,75%) - sem o BCE o refinanciamento desta dívida far-se-ia a  taxas estratosféricas. A subvenção implícita do BCE ao sector bancário irlandês é de, pelo menos,  5 pontos de PIB por ano (para a Grécia e Portugal os números são significativos mas mais fracos). E naturalmente, uma parte desta subvenção retorna ao Estado irlandês, porque os bancos irlandeses são os primeiros compradores da sua dívida.

 

Com tal estratégia e um excedente orçamental primário na Grécia de 6% do PIB (como a Bélgica entre 1998 e 2003 aquando do seu forte desendividamento ), a dívida soberana grega será colocada em  menos de 70% do PIB em 2030 (ver cálculos no  texto). Nenhuma situação de incumprimento seria portanto possível. ….

 

esquisse dette souveraine grecque

 

 

dette souveraine grecque

 

Os riscos desta estratégia são múltiplos. Primeiramente, poder-se-ia  imaginar que um futuro governo populista  grego decida  uma declaração de incumprimento  unilateral. A contraparte é simples: um tal governo é obrigado sair do euro, envolver-se-ia  de tal forma irremediavelmente  com os grandes países europeus e os seus bancos e tornar-se-ia  o pária da  Europa. Em segundo lugar, os Alemães poderiam recusar  esta estratégia com o motivo que nenhuma solidariedade das dívidas está prevista no Tratado de Maastricht, que os seus eleitores não querem mais ajudar as cigarras: os Gregos que se desembrulhem ! Como se viu  isto seria provavelmente a explosão da zona euro e o caos. Para os alemães a vantagem da  estratégia aqui proposta é que ela não exige  mais empréstimos públicos do que os já aprovados , que estes são protegidos pelo estatuto sénior do MEE  (a partir de 2013) o  que implica que os credores privados comprem  metade da dívida (o que os alemães têm frequentemente pedido). Em terceiro lugar, como evitar que a Espanha e a Itália venham a querer beneficiar das mesmas facilidades? Por um lado, é duvidoso que estes dois grandes países tenham desejo de passar os vinte próximos anos sob a tutela do FMI, da Comissão europeia e de um Comité de credores privados.

 

Por outro lado, deve ser claro para todos os países da zona euro que o que seria tolerável  para os erros passados destes  três pequenos países (que representam 8% da dívida pública europeia) não é aceitável para os outros que são demasiado grandes  para serem  salvos desta maneira. Os outros países devem fundamentalmente contar sobre si-mesmos e imporem-se a si-mesmos uma redução progressiva mas forte dos seus défices públicos a fim de se reencontrarem com  uma dívida pública inferior aos 60% do PIB daqui a  dez ou  quinze anos (nomeadamente via regras orçamentais nacionais vinculativas). Deste ponto de vista, é a situação da  França que é a mais preocupante: a maior parte dos políticos, de esquerda e de direita, nem  sempre tiveram em conta na sua análise e nas suas promessas a necessidade de se voltar  ao equilíbrio orçamental  até daqui a dez anos .

 

(1) Certos investidores não regulados  (hedge funds…) recusarão este jogo, comprarão a dívida depreciada e far-se-ão reembolsar ao par  dado que não haverá incumprimento. É imoral mas inevitável. É importante é que  suficientes investidores privados invistam nolens volens na dívida grega.

 

(2) isto implica que os reguladores dos bancos e das companhias de seguros autorizam estes e estas a investir na dívida muito degradada (a nota da Grécia (hoje BB-) o que se proíbe aos seguradores  de o poderem fazer.

Jacqques Pelpla, Dette grecque : tordons les bras des banquiers, Les Echos, 20/04/201

 

publicado por siuljeronimo às 20:00

editado por Luis Moreira às 20:49
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Sexta-feira, 20 de Maio de 2011

Porque o sonho é possível - A Resistência ao FMI

(ilustração de José Magalhães)

 

 

 

(Pedimos desculpa pela má tradução)

 

 

Grécia, Irlanda e Portugal

Bancarrota ou democracia?

por Nick Dearden [*]

 

 

Mesa da conferência de Atenas. Não chega a ser surpresa que as centenas de pessoas reunidas na conferência de que acabo de retornar concordassem em que o pacote de "salvamento" da Grécia aprovado há 12 meses fracassou em proporcionar uma solução para o problema de dívida do país.

Organizado por um espectro da sociedade civil grega de amplitude sem precedentes, o evento internacional lançou o apelo para que a Grécia (e agora a Irlanda) abra as suas dívidas aos povos daqueles países para uma discussão pública de quão justas e legítimas realmente são elas. Veteranos do Brasil, Peru, Filipinas, Marrocos e Argentina disseram aos activistas gregos para "permanecerem firmes" e não se submeterem a 30 anos de recessão devastadora por imposição de instituições como o Fundo Monetário Internacional.

O florescente movimento europeu de oposição a reembolsos de dívida e à austeridade está a fazer ligações concretas com grupos do Sul global e apresenta uma confiança e uma racionalidade que está a um milhão de quilómetros dos governos da Grécia e da Irlanda, os quais têm seguido políticas punitivas das pessoas comuns a fim de reembolsar banqueiros imprudentes.

Simplesmente não é possível que as políticas infligidas à Grécia, Irlanda e agora Portugal reduzam o fardo da dívida daqueles países – acontecerá exactamente o oposto, como se viu desde a Zâmbia na década de 1980 até a Argentina no princípio da última década. Políticas semelhantes àquelas que estão a ser infligidas sobre a Europa viram o rácio dívida-PIB da Zâmbia duplicar na década de 80 quando a economia se contraiu. A Argentina incumpriu as suas dívidas maciças em 2011, após uma recessão de três provocada pelas políticas do FMI. Tal como à Irlanda hoje, disseram à Argentina que ela havia ido longe demais, apesar de a dívida ter sido incorrida por um desastroso conjunto de privatizações e de um atrelamento da divisa impingido ao país pelo mesmo FMI. Trata-se de uma economia que começou a recuperar-se um mês após o incumprimento.

 



Então, por que é que estas políticas ainda estão a ser prosseguidas? Quase todo comentador soube desde o primeiro dia que os pacotes de "salvamento" não tornariam sustentáveis as dívidas da Grécia ou da Irlanda. Mas delegados na conferência deste fim-de-semana foram claros – que isto não é o problema em causa. O problema em causa é recuperar tanto dinheiro dos investidores quanto possível, por mais responsáveis que aqueles investidores fossem pela crise, e transferir o passivo para a sociedade.

Mesmo que a Grécia e a Irlanda precisem salvamento adicional em dinheiro ou reestruturação através de alguma espécie de títulos – as mesmas medidas impostas à América Latina na década de 1980, as quais criaram montanhas de dívidas tão grandes que aqueles países ainda estão a sofrer as consequências – os investidores privados terão de ser pagos. O argumento entre as populações da Alemanha e da Grécia torna-se quem pagará a maior parte da conta, criando um perigoso nacionalismo já muito evidente.

A PREFERÊNCIA PELO ESCURO

O Comissário Europeu para Assuntos Económicos, Olli Rehh, tem dito continuamente aos governos que estes assuntos são melhor cuidados no escuro – a discussão pública é fortemente desencorajada. Aqueles que realmente pagam o preço da austeridade discordam e activistas na Grécia e na Irlanda dizem que o primeiro passo em qualquer espécie de solução justa deve ser uma auditoria da dívida – modelada sobre aquelas executadas em países em desenvolvimento como o Equador.

Sofia Sokarafa. Uma auditoria da dívida proporcionaria aos povos da Europa conhecimento sobre o qual basear decisões verdadeiramente democráticas. Como afirmou na conferência Sofia Sakorafa – a deputada grega que se recusou a assinar os termos do salvamento e saiu do partido governamental PASOK: "a resposta à tirania, opressão, violência e abuso é conhecimento". Andy Storey do grupo irlandês Afri reflectiu isto, dizendo que a finalidade de uma auditoria é "remover a máscara do sistema financeiro que controla nossa economia".

Os resultados de uma auditoria podem ser rápidos e concretos. Maria Lúcia Fattorelli , do Brasil, é uma veterana de auditorias da dívida e em 2008 ajudou grupos equatorianos a efectuarem uma auditoria endossada pelo presidente Correa. A economista classificou Correa como "incorruptível" quando as despesas públicas ascenderam, após o êxito do incumprimento nos títulos a seguir à auditoria. Entrar em acção agora poderia significar poupar países europeus das três décadas de desenvolvimento retardo experimentadas por países latino-americanos.

Mas os activistas reunidos este fim de semana acreditam que uma auditoria da dívida pode ser o arranque de algo ainda mais fundamental – um novo modo de pesar acerca da economia. Como afirmou Sakorafa, uma auditoria é o começou de uma recuperação de valores e de visão para mostrar "para além dos jogos de especulação no mercado, que há conceitos mais valiosos; há pessoas, há história, há cultura, há decência".

Tal rejuvenescimento da visão política é vital se não se quiser que a crise provoque empobrecimento e estimule hostilidades inter-europeias. No domingo, o economista irlandês Morgan Kelly disse que o seu país estava a caminhar para a bancarrota. Uma reunião secreta de líderes europeus na sexta-feira à noite chegou à mesma conclusão acerca da Grécia – um país que nos dizem estar a perder 1000 empregos por dia e onde a taxa de suicídios duplicou. O pacote de €78 mil milhões do salvamento de Portugal, dependente de um congelamento de salários na função pública e nas pensões, redução de compensações no despedimento de trabalhadores e cortes nos subsídios de desemprego exactamente no momento em que os números do desemprego estão a atingir níveis recorde, terá um impacto semelhante. Por toda a parte emigrantes estão a sair destes países em busca de melhores perspectivas.

Nenhuma quantia de compensação reparará o dano destas políticas que arruinarão a sociedade – como os delegados presentes do mundo em desenvolvimento testemunharam. Não há razão para a Europa esperar 30 anos para aprender esta lição. Um movimento europeu e internacional deve compensar a pobreza de visão dos nossos líderes. Sinto que tal movimento pode ter nascido em Atenas.

 

 

Do mesmo autor:



Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

 

17/Mai/2011

 

 

 

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publicado por Augusta Clara às 19:00
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Segunda-feira, 9 de Maio de 2011

A Grécia considera a saída da eurozona por Christian Reiermann

A Grécia considera a saída  da Eurozona                                     
                                                                     

 

 

– A desastrosa situação grega em consequência da "ajuda" do FMI/BCE/UE
Uma lição para Portugal se seguir tais receitas

por Christian Reiermann

 

A crise da dívida na Grécia ganhou um contorno dramático novo. Fontes informadas acerca das acções do governo informaram SPIEGEL ONLINE que Atenas está a considerar retirar-se da zona euro. Os ministros das Finanças da área da divisa comum e representantes da Comissão Europeia estão a efectuar uma reunião de crise secreta no Luxemburgo na sexta-feira [6 de Maio] à noite.

Os problemas económicos da Grécia são maciços, com protestos contra o governo efectuados quase diariamente. Agora o primeiro-ministro George Papandreu aparentemente sente que não tem outra opção: SPIEGEL ONLINE obteve informação de fontes do governo alemão conhecedoras da situação em Atenas indicando que o governo Papandreu está a considerar o abandono do euro e a reintrodução da sua própria divisa.

Alarmada pelas intenções de Atenas, a Comissão Europeia convocou uma reunião de crise no Luxemburgo na sexta-feira à noite. A reunião está a ter lugar no Château de Senningen, um local utilizado pelo governo do Luxemburgo para reuniões oficiais. Além da possível saída da Grécia da união monetária, uma reestruturação rápida da dívida do país também faz parte da agenda. Um ano após o estalar da crise grega, este desenvolvimento representa um ponto de viragem potencialmente existencial para a união monetária da Europa – pouco importando qual a variante que finalmente será decidida para enfrentar as maciças perturbações da Grécia.

Dada a situação tensa, a reunião no Luxemburgo foi declarada altamente confidencial, sendo permitido o comparecimento apenas de ministros das Finanças da eurozona e membros sénior de assessoria. O ministro das Finanças Wolfgang Schäuble da conservadora União Democrática Cristã (CDU) da chanceler Angela Merkel e Jörg Asmussen, um influente secretário de Estado no Ministério das Finanças, comparecem em nome da Alemanha.

"Desvalorização considerável"

Fontes informaram SPIEGEL ONLINE que Schäuble tenciona procurar impedir a Grécia de abandonar a zona euro se for de algum modo possível. Ele levará consigo para a reunião no Luxemburgo um documento interno preparado pelos peritos do seu Ministério advertindo das possíveis consequências sombrias se Atenas viesse a abandonar o euro.

"Isso levaria a uma desvalorização considerável da nova divisa interna [grega] em relação ao euro", declara o documento. De acordo com estimativas do Ministério das Finanças alemão, a divisa podia perder até 50 por cento do seu valor, levando a um aumento drástico da dívida nacional grega. A equipe de Schäuble calculou que o défice nacional da Grécia elevar-se-ia a 200 por cento do produto interno bruto após uma tal desvalorização. "Uma reestruturação da dívida seria inevitável", advertem seus peritos neste documento. Por outras palavras, a Grécia iria à bancarrota.

Não está claro se seria mesmo legalmente possível para a Grécia despedir-se da eurozona. Peritos legais acreditam que também seria necessário para o país separar-se totalmente da União Europeia a fim de abandonar a divisa comum. Ao mesmo tempo, é questionável se outros membros da união monetária recusariam realmente a aceitar uma saída unilateral da eurozona por parte do governo de Atenas.

O que é certo, de acordo com a avaliação do ministro das Finanças alemão, é que a medida teria um impacto desastroso na economia europeia.

"A conversão da divisa levaria à fuga de capital", escrevem eles. E a Grécia pode se ver forçada a implementar controles sobre as transferências de capital para travar a fuga de fundos para fora do país. "Isto não poderia ser reconciliado com as liberdades fundamentais introduzidas no mercado interno europeu", declara o documento. Além disso, o país também seria eliminado dos mercados de capitais durante os anos seguintes.

Por outro lado, a retirada de um país da união da divisa comum "prejudicaria seriamente a fé no funcionamento da zona euro", continua o documento. Investidores internacionais seriam forçados a considerar a possibilidade de que novos membros da eurozona pudessem retirar-se no futuro. "Isso levaria ao contágio na eurozona", continua o documento.

Bancos em risco

Além disso, se Atenas voltasse as costas à divisa comum da zona, haveria sérias implicações para o já cambaleante sector bancário, particularmente na própria Grécia. A mudança na divisa "consumiria toda base de capital do sistema bancário e os bancos do país abruptamente ficariam insolventes". Bancos fora da Grécia também sofreriam. "Instituições de crédito na Alemanha e alhures seriam confrontadas com perdas consideráveis nas suas dívidas pendentes", lê-se no documento.

O Banco Central Europeu (BCE) também sentiria os efeitos. A instituição com sede em Frankfurt seria forçada a "amortizar parcialmente (write down) uma parte significativa dos seus direitos como irrecuperáveis". Além da sua exposição aos bancos, o BCE também possui grandes montantes de títulos do estado grego, os quais tem comprado nos últimos meses. Responsáveis no Ministério das Finanças estimam que o tal pode valer pelo menos €40 mil milhões (US$58 mil milhões). "Dada a sua fatia de 27 por cento no capital do BCE, a Alemanha arcaria com a maior parte das perdas", lê-se no documento.

Em suma, uma retirada grega da zona euro e um decorrente incumprimento (default) nacional seria caro para países da eurozona e seus contribuintes. Juntamente com o Fundo Monetário Internacional, os estados membros da UE já comprometeram €110 mil milhões (US$159,5 mil milhões) em ajuda a Atenas – metade da qual já foi paga.

"Se o país se tornasse insolvente", lê-se no documento, "países na eurozona teriam de renunciar a uma parte dos seus direitos".

05/Junho/2011

 

 

 

NR: Como era de esperar, autoridades da UE desmentiram a Der Spiegel e mandaram o vice-ministro grego da Finanças desmentir também. É fácil de entender que face ao acordo conseguido por Portugal a Grécia e a Irlanda queiram melhorar os seus acordos e que lancem avisos nesse sentido. Mas a saída do euro traria dificuldades inultrapassáveis, basta perceber que se é verdade que com moeda própria poderiam a curto prazo desvalorizar a moeda e melhorar a competitividade e exportar mais, a médio e longo prazo todos os seus empréstimos são em euros e pagos em euros.  Bancos e Fundos Gregos iriam à falência e haveria uma fuga generalizada de capitais.

publicado por Luis Moreira às 13:00
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Terça-feira, 1 de Março de 2011

Wall Street ajudou a disfarçar o défice que alimenta a crise na Europa

Enviado por Júlio Marques Mota


Por LOUISE STORY, LANDON THOMAS Jr. e NELSON D. SCHWARTZ


As tácticas de Wall Street são da mesma natureza das que geraram a crise do “subprime” na América, que levaram ao aprofundamento da crise financeira que abala a Grécia, pondo em causa o euro, ao ajudar os governos europeus a esconder os seus crescentes défices.

No momento em que as preocupações sobre a Grécia ressoam nos mercados mundiais, há registos e entrevistas que mostram que, com a ajuda de Wall Street, a Grécia se dedicou, ao longo de uma década, a tornear os limites europeus do défice. Um esquema criado pelo banco Goldman Sachs ajudou a esconder da supervisão orçamental de Bruxelas milhares de milhões de euros do défice.

Mesmo quando a crise se aproximava já do ponto crítico, os bancos ainda procuravam ajudar a Grécia a protelar o dia final do acerto de contas. Em Novembro - três meses antes de Atenas se ter tornado no epicentro do nervosismo financeiro global - uma equipa do banco Goldman Sachs chegou àquela velha cidade com uma proposta anunciada como muito moderna para governos em grandes dificuldades de pagar as suas dívidas, tal como relatado por duas das pessoas que participaram na reunião.

A equipa do banco, liderada pelo próprio Presidente do Goldman Sachs, Gary D. Cohn, apresentaram um esquema financeiro que permitiria remeter para um futuro longínquo o défice do sistema de saúde da Grécia, um esquema muito parecido com o que consistiu em levar os proprietários de casas a fazer uma segunda hipoteca para pagar dívidas correntes feitas com os cartões de crédito.

Este esquema já tinha funcionado antes. Em 2001, logo após a Grécia ter entrado para a União Monetária Europeia, o banco Goldman Sachs ajudou o governo grego a obter discretamente empréstimos de milhares de milhões de dólares, disseram pessoas ligadas a esta transacção. Este negócio, sem visibilidade pública porque foi tratado como transacção de divisas e não como empréstimo, ajudou a Grécia a cumprir as regras europeias relativas ao défice, ao mesmo tempo que continuava a gastar para além das suas posses.

Atenas não deu sequência a esta última proposta do banco Goldman Sachs, mas agora, vendo-se a Grécia a sufocar sob o peso da dívida e dado que os seus vizinhos mais ricos manifestam vontade em socorrê-la, as operações financeiras feitas na última década estão a levantar algumas questões sobre o papel que Wall Street desempenhou neste mais recente drama financeiro mundial.

o da Grécia, disse: “Este “swap” será sempre não rentável para o governo grego.”

publicado por Luis Moreira às 20:00
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Quinta-feira, 17 de Fevereiro de 2011

Neoliberalismo ou Democracia: O Debate Está Aberto - por Júlio Marques Mota -11

(Conclusão)

7. Enquanto o povo grego votou socialista os mercados decidiram…

A febre da curva da crise da dívida na Grécia

Por Markus Frühauf

20 de Fevereiro de 2010

Negociar sobre o risco da insolvência da Grécia nos últimos cinco meses permitiu ganhos fantásticos. Isso fica bem claro pelo desenvolvimento do preço para os seguros de incumprimento em que financeiramente a Eurolândia é fraca. A 16 de Outubro de 2009, os Credit Default Swap (CDS), que os investidores usam para se precaverem contra a insolvência de Atenas, ainda custavam 123 pontos base (1,23 ponto percentual). Isso significou um prémio anual de € 12.300, a fim de garantir um crédito de 1 milhão de euros. Em 4 de Fevereiro, um segurado teve que pagar 42.820 € por um seguro sobre o mesmo valor, uma taxa três vezes maior. O prémio de risco sobre a Grécia - no linguagem calão dos mercados financeiros e dos spreads dos CDS - é a febre da curva da crise da dívida.

O crescimento dos custos do seguro de incumprimento reflecte a reduzida credibilidade do país. A especulação no mercado de CDS começou depois de 4 de Outubro de 2009, quando os socialistas gregos comemoravam a sua vitória eleitoral. Duas semanas depois, o governo recém-eleito informou os seus parceiros da zona euro que as estimativas apontavam para o défice de 2009 atingir 12,7 por cento de rendimento económico (PIB).

Timidamente, mas constante

Isso foi um choque, uma vez que o anterior governo conservador tinha prognosticado precisamente metade. A nova estimativa para o défice orçamental chamou à arena dos mercados os hedge funds em primeiro lugar, relata um especialista em CDS da City de Londres que trabalha para um grande banco americano. Tendo em conta a história anterior da Grécia de aldrabar os dados para entrar para a União Monetária, para a zona euro, com estatísticas sobre o orçamento falsas, a este nível a aposta de que a Grécia ia ter problemas de pagamentos foi promissora. Esta aposta, entretanto, tornou-se óbvia.


O aumento do prémio de risco sobre a dívida da Grécia primeiramente evoluiu de forma tímida, mas constante. Pode-se dizer que os hedge funds foram os primeiros a reconhecer a situação orçamental de Atenas que estava completamente exausta, e por isso apostaram no mercado de CDS e numa queda no valor da dívida grega com pouco envolvimento de capital. Mas o compromisso do novo governo grego em assumir a transparência como prática política desencadeou essa especulação. Os novos aumentos no spread dos CDS foram acompanhadas por factores fundamentais também. A 8 de Dezembro de 2009, a agência de rating Fitch baixou a classificação do crédito à Grécia classificação esta que passou de "A-" para "BBB +". A zona do euro, a Eurolândia encontrava-se na mesma categoria como a Estónia ou a África do Sul, na sua capacidade de crédito. Uma semana depois, a Standard & Poor's fez a mesma coisa. Aqui, também, os gregos saltaram da "classe A", que expressa uma solvência particularmente boa. Neste período, o preço dos CDS ultrapassou a marca de 200 pontos-base, pela primeira vez.. Com estas reduções nas classificações do valor do crédito o medo de uma possível insolvência grega cresceu a passos largos nos mercados financeiros e entre os seus países parceiros europeus.

Juros invulgarmente elevados

publicado por Carlos Loures às 21:00

editado por Luis Moreira em 16/02/2011 às 22:45
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Quarta-feira, 9 de Fevereiro de 2011

Neoliberalismo ou Democracia: O Debate Está Aberto - por Júlio Marques Mota - 2

(Continuação)

  1. 1. Os mercados e a manipulação

Michel Delobel, 7 Março de 2010 7

07

IIGS: Prétexte ou réel danger pour les marchés ?

 

PIIGS: pretexto ou perigo real para os mercados ?

Há algumas semanas, aquando da contracção dos mercados logo a seguir ao discurso de Obama, evocámos a hipótese de um meio de pressão contra o governo americano pela parte dos bancos de negócios, opostos às medidas tomadas.

Seguiu-se uma nova vaga de desconfiança nos mercados com a questão da dívida da Grécia, rapidamente alargada ao que se chamou os PIIGS, Portugal, a Irlanda, a Itália, a Grécia e a Espanha.

 

A dívida dos estados europeus no centro da actualidade

Para além da significado pelo menos duvidoso desta denominação que é e pode ser muito reveladora do objectivo procurado (Pigs = Porcos), gostaria de me apoiar sobre o artigo de Gilles Caye de 11 de Fevereiro passado, e nomeadamente sobre a sua chamada de atenção muito importante para os princípios fundadores da zona euro e do pacto de estabilidade, nomeadamente um défice orçamental inferior à 3% do PIB anual, e uma dívida limitada à 60% deste mesmo PIB.

Se estes critérios voarem claramente em estilhaços com a crise, é nomeadamente sobre a dívida recorde da Grécia, que atinge actualmente 125% do PIB para um défice orçamental de aproximadamente 13% do PIB que se focalizaram, de repente, o mercado! Números que levaram certos analistas a anunciar que a Grécia estava à beira da falência.

Para além de números certamente inquietantes, e de uma situação que não poderá durar eternamente assim e que necessitará de medidas draconianas, estamos no direito de nos interrogar-mos porque é que estas apreensões chegam agora à mesa, e qual pode ser, de resto, o seu impacto real a prazo sobre e nos mercados financeiros.

 

E porquê um efeito nos mercados agora mesmo, enquanto a alerta já deu a 9 de Dezembro passado, alguns dias apenas depois do episódio Dubaï, com uma degradação da nota da Grécia pela agência de notação Fitch, seguida alguns dias depois por Standard and Poors e seguidamente Moody's, o que não impediu os mercados de fecharem o ano com uma força avassaladora.

A dívida exagerada da Grécia não terá, com efeito, ter sido criada de modo repentino, não atingiu estas proporções de forma imediata. Assim, em 2007, esta atingia já 97% do PIB, e ninguém na época parecia realmente incomodar-se com este nível.

 

Mas como se isto não fosse suficiente, e não tivesse feito baixar significativamente os mercados, eis que os analistas se puseram a evocar o caso dos famosos PIIGS, os maus alunos da zona euro. Se a Irlanda e a Itália também estão eles numa situação tão claramente delicada de um ponto da vista dívida (mas também já não é novo), o caso da Espanha é ligeiramente mais suspeito.

 

A dívida da Espanha é certo que quase duplicou desde 2007, mas deveria atingir apenas cerca de 66% do PIB no fim do ano, ou seja um nível muito inferior à média europeia, e muito distante do nível da dívida Grega em 2007 por exemplo, que não na altura não pareceu levantar problemas a ninguém.

Em 2008 de resto, a dívida da França, julgada por muitos como mais séria e mais segura que a Espanha, atingia já quase 70% do PIB, e deveria atingir quase 80% do PIB fim 2009, enquanto a da Alemanha é apenas ligeiramente inferior.

Esta “crise da dívida”, que fez mergulhar o euro e os mercados europeus de acções tem, por conseguinte, faz-nos levantar algumas interrogações.

publicado por Carlos Loures às 21:00

editado por Luis Moreira às 21:02
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Sexta-feira, 24 de Dezembro de 2010

...





FARPA

Luís Moreira




Eça de Queirós, em 1872, escreveu nas Farpas:



"Nós estamos num estado comparável sómente à Grécia: mesma pobreza, mesma indignidade política, mesma trapalhada económica, mesmo abaixamento de caracteres, mesma decadência de espírito. Nos livros estrangeiros, nas revistas quando se fala num país caótico e que pela sua decadência progressiva, poderá ...vir a ser riscado do mapa da Europa, citam-se a par , a Grécia e Portugal".

Parece que era bruxo!
publicado por João Machado às 16:00
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Quarta-feira, 14 de Julho de 2010

Krugman, o Nobel da economia, insiste!



Luís Moreira

A Grécia poderá estar de saída da Zona Euro e, por arrastamento, Portugal!

Cavaco Silva já veio dizer que não está de acordo, conhece muito bem Krugman e que só o facto de ele "estar fora" do Euro é que o leva a dizer uma coisa que não acontecerá. A Grécia ficaria a flutuar e a afundar-se, mas a UE não ficaria melhor. Desde logo por ter à porta um país cheio de pobremas que, inevitavelmente, lhos meteria cá dentro.Depois porque Portugal e outros países estariam numa posição muito incómoda, aberta que fosse a tampa da caixa.

O que me parece é que os americanos gostariam que o Euro não existisse, é a única moeda que combate o dóllar, rei e senhor absoluto e que tem funcionado como reserva global, com evidentes e enormes vantagens para as suas finanças.

Eu, por mim, tambem não acredito, seria colocar em causa a UE e, apesar de todos os problemas, não parece que se possa voltar para trás. Não interessa a ninguem, pelo contrário, esta crise mostrou que há que aprofundar a UE e não ter dúvidas.

Mais e melhor UE, é o que todos precisamos!
publicado por Luis Moreira às 13:30
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Terça-feira, 18 de Maio de 2010

A crise e a integração europeia


Luís Moreira

Muitas conclusões se tirarão do que se está a passar nestes tempos na UE, mas a mais importante de todas, é que, ou se aprofunda a integração europeia ou o euro e a seguir a UE vão pelo esgoto!

Um dos pressupostos que os políticos Alemães tiveram que oferecer ao povo Alemão em troca do "sim europeu" é que os países teriam que tratar da sua própria casa e não seriam ajudados (leia-se, receber dinheiro) sempre que fizessem asneiras. Isto explica as hesitações da senhora Merkel para além das eleições internas que perdeu .

Ora, esta crise, veio mostrar que estão todos no mesmo barco, o rombo é no barco que escolheram para se juntar, não é possível, sem enormes perigos para as economias dos países mais fortes deixar a Grécia, ou Portugal, ou a Espanha sozinhos, quando a dívida destes países seja atacada por especuladores com a consequente desvalorização do euro, tornando mais dificil o aumento das suas exportações e tornando mais caras as importações.


A primeira medida estratégica, é a constituição do Fundo de Garantia de 600 Mil Milhões de euros que estará imediatamente disponível caso volte a acontecer uma crise semelhante. Outra medida, será o reforço das instituições de controlo europeias. Os orçamentos nacionais vão ter a análise prévia de Bruxelas e limites ao endividamento público do estado e das empresas públicas vai ser norma !

Sempre tive para mim, europeísta convicto, que o melhor de tudo o que a UE nos poderia trazer era tirar das mãos destes incompetentes que nos governam, grande parte do poder. É o que está a acontecer!

Não há almoços grátis!
publicado por Carlos Loures às 10:00
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Quinta-feira, 13 de Maio de 2010

Eça de Queiroz - Era mesmo bruxo!



Eça de Queirós, em 1872, escreveu nas Farpas:



"Nós estamos num estado comparável sómente à Grécia: mesma pobreza, mesma indignidade política, mesma trapalhada económica, mesmo abaixamento de caracteres, mesma decadência de espírito. Nos livros estrangeiros, nas revistas quando se fala num país caótico e que pela sua decadência progressiva, poderá ...vir a ser riscado do mapa da Europa, citam-se a par , a Grécia e Portugal". prefix = o />


Parece que era bruxo!

publicado por Luis Moreira às 11:00
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