Terça-feira, 31 de Agosto de 2010

O crescimento das crianças

Raúl Iturra



B-Pilar



Também entre os galegos, as crianças som acarinhadas. Ainda bebés, com mimos. Ao crescerem, com disciplina. Uma disciplina ligada às horas de trabalho do adulto. Uma disciplina que não pune, mas ensina como optar. A opção, essa lógica de procurar o que é melhor para quem obedece e para quem diz mandar. A opção que Pilar aprendeu e que a levou a Compostela. Em uma Galiza dos anos sessenta, ainda sob a mão firme do Governo Central espanhol, essa ditadura de cinquenta anos de um general que não permitia outra língua que a oficial castelhana. Mas Pilar, como a sua mãe e o seu pai e irmãos, ião falando a língua herdada do lusitano. Aprendiam o que era oficial e de interacção, em Galego também, esse lusitano antes definido neste texto.

Um lusitano misturado de castelhano, lusitano castellanisado. A conversa do lar era dividida entre o galego persistente da mãe, e o castelhano bem falado pelo pai. E o galego castelhano que os filhos, os irmãos de Pilar, ião combinando entre essa obrigação, ditada por lei, de aprender a vida social, na escola, em língua oficial; e o galego da vida denominada rural pelos professores que eles tinham. Professores ou maestros, como aí são denominados, de origem também rural, mas forçados a saber o saber na língua oficial, que não era o galego. O mundo estava dividido não apenas em hierarquias, bem como cada hierarquia tinha uma língua diferente. A classe mais pobre, era galego, a classe com mais recursos, era castelhano. A classe intelectual, um galego antigo feito para bater o castelhano. Esse castelhano que Pilar me falava todos os dias, para evitar o português que eu usava em casa e que ela não entendia. Era a diferença das línguas lusas, especialmente esse português de mil anos e o galego banido por dezenas de anos… Uma Pilar que, em pequena, olhava para o chão quando eu falava para ela, faz 26 anos, e que hoje olhava de olhos nos olhos, mediadas as conversas, com música de Haydn (1797) que ouvia-mos na rádio do carro, ou as sonatas de flauta do Teleman (1772-1773) enquanto corríamos de casa em casa e de Bispado em Bispado.

Uma Pilar que das cabras e o clarinete, tinha passado a ser mãe e a aprender comigo a ler textos escritos com a letra a escrita do século XVII em frente, que com rapidez aprendeu. A cortesia da adulta Pilar, era convincente, pela sua gentileza, palavras amáveis e directas, explicações do que procurávamos nos arquivos, e paciência na espera, entre café e café. Essa paciência que era difícil manter em casa, quando era preciso arrumar panelas, loiça, comidas, cuidado do filho. Filho do qual o pai tratava entre as horas de trabalho. Pode-se afirmar que Pilar tinha ficado saturada de tomar conta de irmãos, adultos e pequenos, dentro do lar paterno. Pesquisar comigo, era uma aprendizagem que a distraía dos afazeres domésticos e maternais, junto com dar a ela uma tarefa que nunca pensou ia ter que aprender… para aprender sobre a sua a sua família: a investigação era sobre os Medela, para provar como o se pai Hermínio era descendente dos Condes de Lemos e dos Duques de Alba.

Pilar tinha estudado na escola antiga, auto-denominada pelo seu fundador, Barrié de La Maza, o rico bonapartista, que tinha oferecido o dinheiro para o pequeno edifício. Uma sala para diferentes anos, a aprenderem diferentes matérias na mesma aula, com só uma professora. Diferente do edifício feito nos finais dos anos sessenta, uma enorme concentração escolar que trazia crianças de diferentes sítios das varias paróquias vizinhas. Pilar teve que aprender a ser rapaz e rapariga, para se defender das brincadeiras que os pequenos gostavam de fazer as pequenas. Brincadeiras que não eram levadas á casa, mas eram resolvidas entre eles. Os rapazes, sempre a brincarem juntos e a deixarem as raparigas entre as suas conversas. Pilar gostava, habituada como estava a brincar com irmãos, jogar aos berlindes e ao peão, jogo aprendido do pai e dos colegas da escola. Uma Pilar que aprende a ler no livro de leitura Nuevo Cantón (1958), universal para as escolas públicas do Estado Espanhol. Do monopólio do distribuidor de livros para escolas de todo o país. Disciplinada e atenta, é rápida na leitura e na escrita, habilidade útil para o seu entendimento posterior das situações da vida. Pilar é uma colaboradora do ensino da paróquia, essa aliada legal do estado espanhol, pela concordata entre ambas instituições, feita no Vaticano dos anos cinquenta, e pela legalidade imposta pelo Chefe do Estado Espanhol, um outro General, como o de Victoria. Pilar, como toda outra, criança, tem vários níveis de interacção, entre os quais a sua vida privada e pessoal da escola e das brincadeiras feitas na rua, nem sempre contadas em casa, aconteciam. Uma casa à qual o pai tinha voltado depois de gastar tempo na Venezuela, para ganhar, poupar e a construir. Retornado, passa a sua vida ocupado a investir, como foi referido no capítulo 3. Com a colaboração da mãe. A escola de Pilar, é assunto seu, com a colaboração do Cura de Paróquia. A mãe não sabia, o pai trabalhava. Só havia o esforço de ela, normal entre pessoas que orientam o seu corpo aos trabalhos materiais e não as letras. Colegas de ela, serão depois estudantes do ensino superior. Esse que Pilar decide, com a sua assistência ao conservatório, que nunca mais acaba, por ter pensado quais seriam as bases do lar que queria. O lar que tinha aprendido na escola de que era uma integridade entre a mãe, dedicada ao bebé, muito directamente, onde o bebé era sumiço, bom, que ama, mima e beija a sua mãe e é amado, mimado e beijado por ela. Assunto que em um lar de trabalho, de esforço, de investimentos, de separação entre adultos e crianças, não acontece, como esse que usava quando estudava música em Compostela. Fica uma contradição entre o que lhe é dito na sua vida pública e o que vive na privada. Assunto comum para as casas do lugar. Os seus colegas de classe, ião a casa, fugiam ao mato próximo a brincar e lutar, enquanto ela tinha que ir direito ao seu, para tomar conta do seu trabalho. Do seu trabalho de colaboração produtiva, e do seu trabalho de escola, que conseguia fazer à noite, no mesmo quarto que partilhava com o irmão mais novo, entregue à sua responsabilidade. A pequena, conta hoje, adormecia de cansaço por cima das folhas do caderno e do livro, só com um pai que, as tantas, dava uma mão para colaborar no estudo. A disciplina de Pilar, leva a acabar a sua escola primária de seis anos, para concorrer ao secundário do Liceu de Lalin, em autocarro e no meio dos colegas de estudo. Lalin, que servia para muitos para não assistir as aulas e andar pelas ruas e cafés a se divertirem. Acabou o seu secundário, quase até o fim no Liceu, para passar ao conservatório local. Pilar estava destinada a ser uma mulher de casa, com filhos e marido a colaborarem nos trabalhos doméstico. Não aconteceu, por en quanto: a sua fuga a Compostela foi decidida nesse intermédio. O panorama de Pilar era largo: entre ser camponesa a colaborar com mãe e pai no trabalho rural, essa força de trabalho que Hermínio tinha já pensado ao planificar uma família com sempre mais um ser novo em casa, que, ao crescer, ia a ajudara: Hermínio organizava a sua própria força de trabalho Mas, a abertura que a nível de Estado Espanhol acontece nos anos setenta e o crescimento industrial que o país experimenta com a inserção de sítios como Vilatuxe no mercado internacional do leite, começa a permitir uma escolha em estudos e habilitações, financiada pelo próprio Estado. Outra alternativa, é a de ser mulher casada a morar fora do lar paterno, como as suas irmãs, emigrantes em Venezuela e em Burgos. Mas, as opções fecham-se, quando a casa vai ficando vazia e as tarefas, as mesmas. E a sua opção final, é clarinete, matrimónio, maternidade, especialmente a causa da abertura de Espanha á então CEE, hoje União Europeia. Essa abertura orienta e torna a orienta varias vezes, o uso das terras. A família de Pilar, já na posse da herança familiar de José António Medela, um ano planta árvores por orientação do sindicato de agricultores. Essa instituição oficial para proprietários que considera como tais, aos capazes de mostrar conhecimento, iniciativa, capacidade empresarial e reprodutiva. A lei do estado espanhol hierarquiza as pessoas entre os que sabem gerir as terras e têm ainda idade suficientes para serem treinados e investir saber na produção. E pelos anos 94, após o Convénio de Maastricht, define Galiza como o sitio da produção de ervas ou relva para as vacas, acaba com a internacional Nestlé que tinha sido o objectivo e o salário do trabalho da aldeia (Iturra 1979, 1981,1988): o objectivo de a empresa é vender. Muda a criança de vacas, funda a cooperativas de proprietários. Cooperativa que têm auxilio de veterinários e técnicos agrícolas, que ensinam a genética das vacas, da créditos para a construção de estábulos, muito diferentes das quadras medievais, que serviam para animais e aquecimento das casas. Quadras que desaparecem, como o trabalho manual, que passa a ser feito com tractores. O problema passa a ser que a maquinaria não pode ser parte do uso de uma população habituada ao trabalho em grupo, em carro de bois, em carro de mão, com tempo largo para fazer, com tempo curto para cumprir. Tempo curto também. Lapso cronológico em que é impossível, para criar uma nova filharada a aprender o uso industrial da agricultura. Diz Pepe de Taboada, o parente de Pilar e o meu amigo por anos, de que é preciso aposentar cedo, para dar lugar aos mais novos ao entendimento do que é agora produzir e fazer as contas. Acrescenta que era mais claro saber a genealogia de uma vaca, do que a da própria família. Por isso é que para Pilar e família, é uma novidade procurar a historia dos seus antepassados. Como é para Pepe de Taboada, já nada habituado a gastar tempo em falar da mamã, do papa, dos tios e primos. Estudo que tinha feito na escola quando o professor mandou inquirir a genealogia dos estudantes. Agora, era a genealogia da vaca, para saber raças, cuidados, possíveis doenças, litros que podem dar por dia e qual a época do ano em que esses litros podem ser produzidos. Todo feito, dentro da industria que a cooperativa privada por eles instalada e tributaria da internacional Feiraco de Pontedeume, faz as contas para eles, com estrita cronologia do que deve ser produzido a futuro, mais uma vez, em curto espaço de tempo. O industrial leiteiro nasce já com dívidas a serem pagas pela produção que deve obter dentro de poucos meses de trabalho. Produção que pode ser assegurada se o dito proprietário sabe organizar uma reprodução humana que fique com a herdade. Pelo qual a lei (1994 e 1995) dispõem que em cada casa fique proprietária da industria, a pessoa mais nova, que garanta a continuidade humana sabia no trabalho do leite. E Pepe declara invalidez, transfere o seguro da propriedade a sua mulher Josefa Cela, e começa a treinar ao seu filho de doze anos, no saber industrial da produção, bem como a pensar casar a sua filha de oito anos com uma pessoa de fora, ou fazer de ela, uma profissional. Como todos os filhos mais novos das casas, excepto o mais velho, têm passado a ser. Porque, conforme a lei, as terras devem ter um mínimo de três hectares, quatro vacas e terras contíguas com proprietários que as quiserem juntar para a indústria ter crédito para existir, e receber subvenções. Pelo qual o matrimónio endogénico de proprietárias de nacos de poucos ferrados, a medida usada em Galiza desde que era Galeitia, ou meia ou um quarto de hectare por casa, para quem tenha o interesse de juntar, como em Pencahue, as sua pequenas propriedades e as converter em pequenas haciendas. A família é limitada à um Grupo Doméstico de dois ou três filhos apenas, porque só um pode ser o gestor e proprietário. Lei que manda oferecer uma subvenção de um milhão e meio de pesetas seja destinada a crédito, para retirar de casa aos irmãos que não ficaram a trabalhar essa indústria em que o lar se tem convertido.

Vilatuxe está cheio de profissionais, feitos a partir de 1984, quando se previa que uma mudança curta e rápida podia acontecer. Só que se pensava que seria para os próprios agricultores. Mas, como diz o Presidente do Sindicato de Jovens Agricultores, cunhado de Pilar, o Gestor Emílo Batán (entretanto, falecido), Galiza tem que mudar séculos de trabalho, em quatro ou cinco anos. E Pepe de Taboada acrescenta de que o mais difícil, são os agricultores velhos, habituados a um investimento de emigração para instalar tecnologia para a venda de leite a Nestlé. Esses velhos, como ele diz, nada facilitam e não querem trocar terras para concentrar, dificultando assim, o desenvolvimento da indústria. As famílias de hoje em dia, são convénios económicos também, onde a emotividade é cultivada pela conveniência de terem terras contíguas, como é o caso de Pepe de Taboada e da sua vizinha Carmen Cela, que de duas filhas, destina uma a Pepe e a outra, fica em casa para casar com um rapaz de fora que sabe agricultura. Essa Carmen Cela que, no grupo de trabalho de faz 26 anos antes, brincava com os seus amigos e comigo, quando apanhávamos folhas secas das árvores, no Outono. E que agora destina o seu tempo a gerir a família para formar indústrias para a produção de leite. Muito agricultor desesperado suicidam – se durante o meu segundo trabalho de campo prolongado en Vilatuxe, durante os finais dos anos 90. Observei que os filhos, a espera de poder aprender este tipo de produção, matam-se também por falta de orientação. Muitos pais expulsam os filhos inúteis para o trabalho e casam as filhas com potenciais agricultores, como o caso relatado de Carlitos Fernández, cuja irmã Olga e a proprietária da indústria, mas que não sabem, nem ela nem ele, trabalha-la. O meu amigo Eduardo Fernández Ramos, da raça dos Ferradas do José Ferradas alçado contra a monarquia em 1870 como foi relatado, é obrigado a trabalhar com tractor, e aos seus setenta anos começa a guiar. Como tinha feito a sua cunhada Neves, mulher do seu recentemente defunto irmão Ramón Ramos, nos anos sessenta, quando Vilatuxe era produto da emigração. As contas feitas com Pepe de Taboada, resultam em 40 tractores para os duzentos lares da Paróquia. Pilar sabe todo isto, o vive e vai largando a agricultura junto com a família. Para ficarem com uma agricultura de brincadeira com cavalos; e à antiga, com arado, charrua e grade, como presenciei não apenas nos anos 90, bem como este de Julho de 2010. Assim também o diálogo mudara: o diálogo entre iguais de faz 26 anos, acaba por ser desigual, por causa das diferentes formas de trabalho a prática do trabalho, diferenciado entre as formas antigas da agricultura e a dinamização da nova indústria de leite. E só para três vizinhos e parentes, futuros agricultores industriais apoiados estatalmente: Pepe de Taboada, que tem terras e sabe de raças de vacas e é novo de 49 anos – aposentado por doença combinada; a casa de González ou Canda, de Gondoriz Grande, os parentes de Hermínio, e Neves Arca, a cunhada de esse Eduardo que tenta desenfreadamente de salvar o seu investimento de quinze anos de emigração, que casa a sua filha Olga, com um possível agricultor. Sabido e conhecido o facto por Pilar e todos os outros, o hábito faz ao monge e a agricultura de subsistência que eu presenciei faz 37 anos, subsiste também para salvar a vida em objectivos e alimentos, a pesar de todos receber uma pensão estatal. As trocas matrimoniais, são trocas de conveniência, projectadas ao desenvolvimento industrial de uma Galiza que deve ser uma Holanda dentro de dez anos. Como diz o Presidente dos agricultores, esse sindicato do Partido Popular, para proprietários novos. Os sindicatos de antes, já não têm razão de ser. Pelo qual a opção de Pilar, é a livre empresa que faz com o marido técnico em electricidade, e ela própria, em musica.

A União Europeia tem formalmente mudado Vilatuxe em poucos anos. Embora fiquem ainda os rituais, os parentescos, mas não o tempo livre para as trocas de amizade e conversa. Pilar vê que há uma Vilatuxe antiga e outra que começa a emergir, e fica pelo meio de transição enquanto os seus pais forem vivos e activos. Pilar pensa, cabe a ela tomar conta dos pais, a causa dos irmãos serem comerciantes a andarem de um sítio para outro. E os amigos, como a seu antigo colega de Escola, Carlos Varela, que é Técnico em Engenheira nos seus 29 anos, enquanto o seu irmão Jorge é Arquitecto em Barcelona e a sua irmã Blanca Maestra ou professora primaria, filhos do pedreiro e construtor Amalio Varela e de Rita Ramos filha de Celestino Ramos Ferradas, e Luís Ramos, esse filho de Guilherme Arca morto aos 45 aos, que é o apoio da sua mãe solteira Rosa Ramos, Mecânico, e Berta e Pedro Tomé, os sobrinhos de o Xastre Novo, Pepe Fernández e Aurora Santomé, filho e nora dos meus amigos alfaiates e lavradores Pedro Fernández O Xastre Velho e Esperanza Bernárdez já defuntos, Maestra e Desenhador em Compostela, e Carmen Montoto Pichel a sua prima filha de António o Ferreirinho sobrinho de Hermínio, Modista, e Mariquinha Fernández, neta do Pedro do Cabo que aos seus trinta anos é medico, e Maria Ferreiroa López, advogado aos seus trinta e um anos, e Florentino Rodríguez, que aos seus vinte e nove é Construtor Civil em Compostela, esse filho segundo dos meus amigos Florentino e Avelina, enquanto o filho mais velho Eladio, é Agricultor, e Fina, filha dos meus antigos vizinhos e amigos Ismael e Saladina Ferreiroa, proprietária e enfermeira, e Luís o filho do meu vizinho contíguo Pepe Gil o Ferreiro , mecânico de profissão e trabalho, e o seu primo José Gregório, esse irmão de Carmen a Modista, que soube casar com Beatriz Ramos, a sobrinha dos irmãos proprietários sem filhos José e Celso Ramos, cuja herança ela aprendeu a gerir e possuir. Em essa casa grande, elegante, antiga, restaurada à cor dos pergaminhos da família Ramos, que eu estudara 26 anos antes, esse José Gregório comerciante em máquinas de computação para jogos. E tantos, que só posso detalhar em anexo para arrumar o meu pensamento e a leitura do leitor. Esses todos que vão e vêm.

Esses todos, não são agricultores, ni a moda antiga ni como indústria moderna. Esses todos que são a velha e a antiga Vilatuxe. Uma Vilatuxe que avança para a agricultura industrial e de fim-de-semana, como faz o Engenheiro de Aguas Luís, filho de Luís Iglesias e de Luz Taboada Medela, a descendente de Ramón Taboada e Maria Medela, comerciantes de ultramarinos y netos de Manuel Medela, o irmão de José António, pai do Hermínio, avô de Pilar.

Uma voragem de dados e mudanças em curtos anos, uma voragem de lembranças e de passagem do tempo, de idades que avançam e fazem pensar em objectivos diferentes para organizar o convívio, de classes sociais removidas e alteradas, de crianças que cresceram não apenas no tempo, bem como em sabedoria. Donde, a sua epistemologia retirada da de seus pais permite-lhes serem fruto do experimento, enquanto os seus valores são fruto da experiência. A ciência entrou a causa das opções feitas por bisavôs, avôs, pais e eles, num crescendo Haydiniano de Strum und drung (1790-1792). Como Benson (1981) estuda para um bairro de Londres e Gough (1981), para a Índia. Aí onde eu pensava que só Pierre Bourdieu revelava no seu Homo Academicus (1984) e Godelier no seu Meurtre du père. Sacrifice de la paternitè (1994), a sua origem rural e operária. Como fez Richard Hoggart em 33 Newport Street (1988), a sua proletária, como a de Anthony Giddens, ao longo da sua obra. Essa análise que Ricardo Vieira faz entre trânsfugas e oblatas (1997). É o que são os intelectuais como seres humanos, a combinarem a cultura de experiência, com a cultura da experimentação, como os meus novos da antiga Vilatuxe, que fazem de ela um sítio em transformação.

É o que Pilar é. É o que Pilar percebe. É o que Pilar sabe dos ciclos, a traves do tempo por ela vivido e, agora, estudado. O que Victoria é, como já debateram em dados, e o que deve ser Anabela. A qual de novo visitamos, para fechar o entendimento de como a experiência quotidiana não retira a aceitação da Ciência experimental, do entendimento.

Em síntese final, para não transferir todo este livro ao leitor, este verão de 2010 tenho observado que há três Vilatuxe: o da agricultura antiga, subvencionados pelo Estado com uma pensão para mal viver; ou dos seus filhos e netos, hoje em dia profissionais e comerciantes; e a nova, a da indústria de leite, da Empresa Feiraco.
Apenas uma conclusão: se alguém da primeira Paróquia falece, passa a ser insubstituível: os descendentes no sabem de agricultura; são profissionais, os de esta segunda Vilatuxe; e a terceira, o que espera a União Europeia: uma Holanda de trezentos anos, em curto espaço de tempo, indústria que nem família tem: são Grupos Domésticos organizados pelo interesse do capital e o lucro, quer de Vilatuxe, quer do Estado Autónomo de Galiza, quer ainda, do Estado Espanhol.

Um novo trabalho de campo é necessário ai e nos países da União Europeia que baseavam a sua economia em uma actividade rural que feneceu.

E o texto que entrego, acaba neste ponto final.
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publicado por Carlos Loures às 15:00
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Sexta-feira, 27 de Agosto de 2010

O crescimento das crianças

Raúl Iturra

B - Pilar




      Hermínio, Julho de 2010

Hermínio corria a cavalo. Como já o tinha dito. Corria. Corria rápido. Corria rápido para fazer barulho. Barulho nas pedras da rua. Da rua do lugar de Vilatuxe, em Vilatuxe. De Vilatuxe a Gondoriz Pequeno, a casa do lar familiar. Corria no seu cavalo por cima dos seus vinte anos. Para Esperanza poder ouvir. Poder palpitar. Poder pisar a raiva do seu peito. Peito do Hermínio, que desde os três anos de idade, corria a cavalo. Corria o seu pai. O José António, o senhor da metade de Vilatuxe, porque a outra metade era do seu irmão José (Genealogia 6). De Vilatuxe Paroquia, de Vilatuxe lugar, de Gondoriz Pequeno, de Gondoriz Grande. Dos Carvalhinhos. De outros sítios. José António era um monárquico, no tempo dos debates entre república e Monarquia, a seguir a primeira República do Estado Espanhol, em 1870. Hermínio gostava de ouvir esse pai. Pai que gostava dos cavalos e que pouco ou nada fazia que não fosse tomar conta deles. Cavalo entre os quais Hermínio cresceu e foi criado. Os cavalos que o seu pai usou até a idade da morte. E que o meu amigo, usa na juventude dos seus 70 anos, enquanto ensina um neto, Isaías, a ser senhor dos cavalos. A forte ideia de Hermínio foi sempre a de dominar a natureza, de semear, de reproduzir cabras e ovelhas e cavalos. Em pequeno, foi levado a casa da avó materna, Manuela Canda. Uma outra proprietária de Gondoriz, mas de Gondoriz Grande, com terras ao sul da Paroquia, quanto que as dos Medela ficavam ao norte, disseminadas por vários sítios.




O lembrado minifúndio galego, do qual tantos temos falado (Beiras 1968, Iturra 1979 e 1998, Vilares, 1982ª, Cardesín 1992) e que tanto deu para falar. Muita terra, mas pouco dinheiro das vendas de cereais, batatas, milho, leite. Os senhores recebiam pagos em produtos, de outras casas as quais eles alugavam as terras em enfiteuses ou contrato pela vida de três gerações. Ou alugavam por tempo certo. Hermínio ficou habituado a ser filho de senhores, mas de senhores que não tinham o dinheiro suficiente para poder entrar no mercado que a Europa estava a abrir. Com uma agricultura como a Holandesa, ou da França, ou mesmo da Castela, que ganhava em exportações a uma Galiza que estava fechada e que circulava bens em praças e feiras. Hermínio, entre o seu nascimento e o de a sua irmã Marcelina, teve a experiência de ter ao pai José António na emigração, em procura de dinheiro. E, a partir do seu nascimento, estiveram oito anos em casa da referida avó materna, Manuela Canda, agora senhora de Carrefeito, Paroquia de Lebozán, onde casara. Hermínio foi criado pela avó e pelo filho de ela, o Padre Balbino, um frade muito rígido e disciplinado. Enquanto os seus pais andava pelos Estados Unidos, e a mãe pelo Uruguai, Montevideu, a fazerem dinheiro em trabalhos comerciais. E é aí onde aprende de cavalos e de tomar conta deles, até regressar a casa, a volta dos pais. O próprio Hermínio vai a Escola de lugar de Carvalhinhos, sem saber uma letra antes: de agricultura, muito, de letras, nada. Ainda que em casa, houvesse um letrado, ainda que em casa as pessoas todas fossem letradas e descendentes de letrados. O próprio Hermínio trabalha a terra e não é letrado como os seus pais, avos e tios, porque a época não era propícia. Lentamente, o seu sistema social estava a declinar. Teve que confrontar, a seguir o seu nascimento, a abolição dos direitos de foro ou enfiteuses, e perder as terras pelas quais os seus pais foram demandados. A crise do ano de 1929 que afecta ao Estado Espanhol, como a todo o mundo ocidental, acaba com os direitos senhoriais, a Monarquia, estabelece a II República, e suporta a guerra civil, que em Vilatuxe é vivida calmamente. Hermínio nem tinha que ocultar as suas simpatias pessoais pela causa republicana. Havia, como ele diz, um acordo entre o Pároco desse tempo e o chefe dos republicanos, que salvou a muita pessoa de desaparecer o ser levada á tropo ou á cadeia. Ele próprio, menino, lembra e observa, e essa observação é transferida aos seus filhos, que acabam por ser pessoas de democracia, de bom contacto com os vizinhos, fosse o que for a cor dos seus pensamentos. Caracteriza a Hermínio a sua tolerância e simpatia com as pessoas. Defende as causas justas, dá liberdade as pessoas para agirem, não julga, aceita e opina em privado as pessoas o que ele pensa que deve ser feito. È verdade que corre a cavalo entre as moças, porque o sente seu dever de cavaleiro e cavalheiro, o seu desejo natural. Esse que não tem porque deixar de satisfazer como achar melhor. E não publicita o que pensa ser o seu direito privado. É o que Pilar vê e aprende. Como vê e aprende a famosa frase do pai: é a vida e é preciso aceitar. E é o que diz aos seus irmãos e sobrinhos, que têm por ele um carinho especial e tenro. Ocupado nos seus assuntos, não é por isso que larga a sua família, a que atende todos os dias. Infatigável trabalhador, cria esse espírito nos seus filhos, incute a justiça e a calma. Diz Hermínio que um dia o seu filho José de 23 anos, vem falar com ele e diz que a sua namorada está grávida. E diz que diz a Pepe, o José da língua Galega e Castelhana, que é melhor casar para evitar problemas a rapariga. Casar, se estão namorados. E Pepe diz está-lo. Hermínio oferece a casa dele para eles viverem e trazer aí ao neto. E decide alargar a casa com o próprio José, esse Pepe, um bom albañil, pedreiro em português. Que sabe que constrói para ele, para a sua mulher e para o seu descendente, que acaba por ser uma filha, Mónica. È o que Goody tem persistido em dizer (1958,1973,1976), um Grupo Doméstico. Como é em todo Vilatuxe. Que acolhe aos seus, desde que os seus façam como o patrão da casa, diz. Porque o próprio Hermínio tem que construir a sua casa, como referi no capítulo 1, porque decidir celebrar o seu matrimónio com uma camponesa. A mamã Esperanza, mãe da sua filha mais velha e grávida do próximo, que acontece ser José. Hermínio é capaz de juntar aos parentes em uma permanente entreajuda, em uma permanente tornajeira de trabalho, que tenho relatado incansavelmente a traves dos anos e em várias línguas (1977, 1979,1980, 1988, 1990,1991,1998). Uma tornajeira que divide o trabalho por especialidade e por necessidade: o cavalo dele, o de David seu vizinho e amigo, o tractor do seu sobrinho filho de irmã, António O Ferreiriño, a força de trabalho do seu cunhado Amado, irmão de Esperanza, e outros, da denominada cooperativa, com a qual tanto trabalhara eu ao longo de anos, já 26. Grupo que hoje em dia está incrementado pelos filhos casados que colaboram com os seus velhos, porque sabem agricultura, apoiam as forças decadentes, embora nenhum trabalhe, ainda que saiba, de agricultura. Pilar vê colaboração, vê reciprocidade, vê não crítica, vê carinho, vê calma com os caprichos, vê justiça no mal comportamento. Vê castigo quando corresponde. Vê uma crença que não se exibe, e uma fidelidade e respeito á família. Tem todos os dados para entender as opções. Tanto, que é até difícil viver com uma pessoa que todo sabe, que todo resolve, que é capaz de construir o contexto do problema, para resolve-lo. A pessoa ideal para procurar para os trabalhos. Como vê o papel da sua mãe, Esperanza Dobarro (Genealogia 7), filha e neta de jornaleiros sem terra, imigrados desde Ourense, outra Província Galega, a de Pontevedra, em Vilatuxe. A mãe tem que trabalhar a terra desde muito nova e tomar conta dos pais, como filha mais nova que ela é. Conforme com todo, não teve ambição especial desde nova. Diz-me um dia, enquanto falávamos, que o seu primeiro bebé estava a nascer, como fiz referência no capítulo 1, que sujeitou ao bebé até acabar o trabalho. Foi logo a casa, teve o bebé, e no dia seguinte estava outra vez a trabalhar, como sempre, com a família toda. Famílias sem terra, pedreiros, jornaleiros, sapateiros, até comprarem a pouco e pouco a terra, que hoje a eles pertence. Não tinham a facilidade de Hermínio, proprietário que perde a terra pela nova lei dos anos vinte deste século, mas que, com a sua longa permanência de cinco anos de emigrante em Venezuela. A trabalhar em indústria primeiro, em cavalos depois, poupa para investir nas tecnologias precisas na altura. A mamã Esperanza é silenciosa, fala o que o marido diz e aceita sem comentários os seus deveres domésticos. Habituada a trabalhar toda a vida, faz medo a Pilar. Medo de ver uma mulher, a sua mãe, que vive com um padrão difícil de medir, o marido dela, o seu próprio pai. Um pai que sempre quis mimar aos seus filhos, mas sem meios para o fazer. É por isso que emigra durante esses seis ou sete anos. Tempo que Esperanza e os filhos nascidos, ficam a viver com a avô paterna. Avô de muito mau humor, que diz aos pequenos que o pai o não os queria, por isso tinha emigrado. E os filhos mais velhos, Carmen, José e Olga, crescem com essa ideia na cabeça.

Pilar é que nada de isso sabe e ouve, e recebe o carinho do pai na construção da nova casa que os acolhe. O pai é uma medida pela qual ela é capaz de encontrar a o homem com o qual casa e que ocupa-se do filho, como Hermínio dos seus. Pilar é a reprodução do que o pai faz na vida. Da forma em que o pai foi feito, com pais sempre ausentes e zangados, ela não é assim criada e até pode ter o luxo de estudar música. Pilar, a filha preferida de Hermínio, que passou pela memória de todos os ciclos da Historia de Espanha, já relatados. Pilar, habituada a crianças, capaz de criar a sua, mas menos capaz do que o marido, como a sua mãe, que pouco tempo tem para os seus filhos, por se dedicar mais ao trabalho do marido e a acompanha-lo. É Esperanza quem diz um dia na cozinha, eu faço na intimidade, o que o meu marido diz e quando quer, e quando não quer, nada. É o modelo de Pilar, como diria um Freud (1920), uma Klein (1932), uma Alice Miller já citada. Especialmente Miller, capaz de analisar a vida de Hitler, Mussolini e Picasso, a partir do estudo dos seus pais, especialmente da sua mãe.


O Guernica (1937) de Picasso, seria o resultado da guerra que ele viu bem antes da guerra civil de Espanha, a com a mãe a dar a luz no meio da fugida a França. Os gritos, a casa desfeita, os animais bombardeados, são as memórias de dias tristes, que ele exprime no desenho. Como Pilar exprime o seu carinho pelos seus, na música. E na capacidade de ensinar doutrina aos outros meninos. Uma catequista de Vilatuxe, que guarda a ideia de ser livre, com todo. Sem viver oprimida ao bem e o mal, sem pensar no pecado, só agir. Agir no bem dos outros. Com as críticas necessárias as pessoas da família que não tratam dos filhos, como ela sente que foi tratada, ela e Miguel, esse irmão filho que tão cedo, para ela, chegou. Uma capacidade de construir o real e de se habituar as mudanças, retiradas do exemplo do pai e da distanciada mãe. Com um acolhimento aos outros, que sempre serei capaz de agradecer, devido a sua companhia e aprendizagem do estudo de arquivos, nos anos em que investigávamos juntos a sua genealogia e todo Galiza. A mãe e o pai foram feitos de forma diferente. A mãe, no acolhimento de um lar que tinha que trabalhar unido para poder reproduzir a vida, no esforço de todos para pagar em bens. O pai, em um lar muito dividido e pouco amados os indivíduos, dispersos pelas casas familiares. Uma mãe sem bens, que sabe optimizar a falta de eles. Um pai, de uma classe social que está a cair e desaparecer. Um comportamento de dois, diferenciado pelo contexto interactivo. Donde, o comportamento de Esperanza ganha ao de Hermínio. É Esperanza a que, em silêncio, cria a solidariedade que Hermínio anda a praticar. Mas, uma solidariedade doméstica que começa pela subordinação ao homem e o pedido as filhas a fazerem o mesmo, bem como a medida as noras de serem calmas com os maridos, os seus filhos. Pilar aprende de Esperança, a reprodução afectiva e económica da casa. E do pai, o entendimento do comportamento e a ironia. Uma herança dupla, como a de Victoria, de uma correlação emotiva de dois seres feitos por conjunturas históricas diferentes e contraditórias. A de Hermínio, classe senhorial, a mandar. A de Esperanza, classe de serviço, a obedecer. A se dar aos outros, enquanto Hermínio espera dos outros. É mais uma contradição sintética na herança de Pilar. Seja qual for a sua classe, é homem, e na Galiza, patriarcal, são eles os mandam. Esperanza é mulher, que na Galiza, serve. Mais outra ainda, a de uma Lusitanidade introduzida por Afonso Henriques de Portugal, no século XII do presente milénio que acabou para passar ao segundo. Uma Galiza, reino autónomo e com ideias e cultura celta, sueva e visigótica, animista, como a de Victoria e os seus Picunche. Que vêem reforçados os elementos cristãos suevos, como o catolicismo castelhano de Afonso Henriques, primeiro rei de Portugal, e primeiro rei português da Galiza. Factos da historia, que aparecem na herança de Pilar, entre a autonomia galaica da mulher e a sua igualdade com o homem, e a subordinação católica franco - castelhana dos lusitanos que os invadem com comportamentos, até o dia de hoje. Comportamento luso galaico reforçado na luta contra Castela, mais importante que a luta já morta, contra o condado Portucalense do dito Afonso Henriques. É por isso que Pilar e os seus pares, lêem Castelão e Rosália de Castro. E falam uma combinatória de duas línguas, feita hoje só uma, o luso-galego que me parece, por causa de vida real, se mais bem um luso-castelhano, a formosa língua galega. É a herança de Pilar, dos seus irmãos, dos seus pares, mais ainda, do que nunca foi dos seus pais e ascendentes. Lutavam pela terra: para a ganhar, para a não perder, conforme. Com as novas leis da União Europeia que retira do direito à propriedade, a todos os reprodutores não capazes de reproduzir. As preocupações têm-se diversificado e só um mínimo deles, ficam interessados na terra, enquanto uma grande maioria, fica preocupado das habilitações, do saber e dos lucros. É assim que era Pilar quando não era. Na Historia. Na memória social. Só um projecto reprodutivo. É assim que foi feita, assim que existe, assim a sua herança, contraditória como a de Victoria, sintetizada por ela no seu saber ao longo do tempo. Como fazem os seus irmãos e pares do seu tempo. É assim Pilar. Como eram os seus ancestrais que a fizeram. Como os seus pais, como ela própria, como os seus ancestrais. Do que vamos falar depois. Porque agora interessa entender que a existência da criançada crescida, é a coordenação de informação transferida em curto espaço de tempo, para situações diferentes. É só entre os começos do Século XVIII e do dia de hoje, que a Galiza está a se reformular sistematicamente, entre Monarquias absolutas, constitucionais, duas repúblicas, duas guerras, uma ditadura, uma democracia, uma construção de uma sociedade mais igual. Como Victoria, que vive o que os seus pais não viveram e toca aos filhos e netos fazer. Mas, insisto, do qual vamos falar depois, para ver como é Anabela e os seus que a fizeram. Como Victoria e Pilar, esse dois dos três elos que me ligam a etnografia e etnologia de meu trabalho de campo dos últimos três anos.
publicado por Carlos Loures às 15:00
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