Segunda-feira, 2 de Maio de 2011

Muy graciosa es la doncella, de Gil Vicente

 

 

 

 

 

 

Este poema de Gil Vicente faz parte do Auto da Sibila Cassandra. Decorre em três espaços, o mar, a terra e o ar. Foi considerado como um dos mais belos da língua castelhana (ver Las cien mejores poesías de la lengua castellana, de Luis Alberto de Cuenca).

 

 

Muy graciosa es la doncella,

¡cómo es bella y hermosa!

 

Digas tú, el marinero

que en las naves vivías

si la nave o la vela o la estrella

es tan bella.

 

Digas tú, el caballero

que las armas vestías,

si el caballo o las armas o la guerra

es tan bella.

 

Digas tú, el pastorcico

que el ganadico guardas,

si el ganado o los valles o la sierra

es tan bella.

 

publicado por João Machado às 15:00
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Sábado, 22 de Janeiro de 2011

ANTÓNIO BOTTO NO BRASIL - 6 – por António Sales

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


 

 

 

 

 

 

 

 

(Continuação)

 

 

 

 

 

 

 

 

A vida brasileira de António Botto é pouco conhecida. Melhor dizendo, era praticamente desconhecida até à colocação do seu espólio à consulta pública na Biblioteca Nacional de Lisboa, no final dos anos noventa. A partir de São Paulo perdia-se bastante o rasto tanto pessoal como intelectual. Sabia-se, e confirma-se, que não foi fácil e algumas vezes recorreu a amigos para a sua subsistência. A Beatriz Costa, o doutor Neves Fontoura, o advogado Paulo da Cunha Rabello e outros auxiliaram com empréstimos que Botto nem sempre pagava porque entendia ser uma distinção. No dizer de Beatriz Costa, «Botto era um homem estranho. Achava que o que ele pedia era dar-nos uma honra, não nos ficava a dever nada». Este espírito de príncipe associado a uma postura com tanto de generosa como mexeriqueira, permitiu que se afirmasse sobre o seu carácter e temperamento as maiores barbaridades criando a imagem de um indivíduo incapaz de um relacionamento saudável com os outros, estigma que perdura sobre a vida brasileira do poeta mesmo desconhecendo-se os pormenores. Hoje, felizmente, podemos reconstituir muitos dos seus amargos passos a partir de São Paulo.

 

No seu regresso ao Rio de Janeiro, em 1951, onde em Julho vamos encontrá-lo com Carminda hospedados no Hotel Atalaia, na Avenida de Copacabana, nº 256, ocupando o quarto 45 e depois o 54, procura refazer a vida retomando contactos e colaborações jornalísticas, lançando mão de diversos trabalhos de desenho para construções a coberto da sua auto designada condição de engenheiro-arquitecto que lhe confere a autoria de uma moradia do tipo “casa popular”, para “madame” Lucy Teixeira da Silva Schopke, conforme escreve aquele que deduzi ser o empreiteiro da obra, Isaías João Costa, quando assina um vale de 4.000 cruzeiros «por conta do encontro nos lucros de 50%».

 

Efectivamente, o desenho foi uma das faculdades que desenvolveu permitindo-lhe a realização de exposições e a realização de projectos de moradias e outros. Vendo bem, acabou por ser o desenho que esteve na origem de uma mudança profunda na sua vida. Será aquela profissão “desencartada” (engenheiro-arquitecto), e não a de poeta “encartado”, a determinar uma viragem inesperada ao ser contratado, com documento assinado e reconhecido no tabelião, para trabalhar em Niterói como supervisor de construções da Companhia Territorial Itaipu. No final de 1951, ou logo no início de 1952, assenta residência naquela cidade que lhe reservava um período agitado, ou seja, o verdadeiro começo infeliz da experiência brasileira.

 

O novo estatuto profissional não impede a actividade literária. Logo que chega a Niteroi trata de se apresentar nos jornais da cidade, em visitas de cumprimentos, acompanhado por dois influentes amigos e pela sua fidelíssima mulher que o segue para todo o lado sem que isso o incomode. Assim, passa a garantir colaboração efectiva e remunerada na imprensa a par das récitas, sessões de autógrafos e conferências sobre escritores, ou a organização de um festival de poesia no Teatro Municipal João Caetano.

 

 

 

 

Hoje, vamos ouvir Carlos Mendes cantar "Não me Peças", poema de António Botto musicado pelo cantor:

 

 

 

publicado por João Machado às 23:55

editado por Luis Moreira às 22:10
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Domingo, 9 de Maio de 2010

O que é um estrolabio


Estrolabio é a forma arcaica, em português e em castelhano, de astrolábio. Aparece assim grafada em numerosos textos do século XVI. Na obra de Hieronymus Münzer, editada em 1508 logo no extenso título aparece a palavra: Regimento do estrolabio e do quadrante pera saber ha declinaçom e ho logar do soll em cada huñm dia e asy pera saber ha estrella do norte; (13r): Tractado da Spera do mundo tyrada de latim em liguoagem com ha carta que huu~gramde doutor aleman mandou ao rey de purtugall dom Joham el segu~do.

Na famosa carta de João Faras a D. João II, a grafia é também a mesma: Fecha en uera crus a primero de maio de 500. pera la mar mejor es regyrse por el altura del sol que non por ninguna estrella e mejor con estrolabio que non ...

Podíamos referir muitos exemplos, mas apenas vamos recorrer a mais um, ao que nos levou a dar este nome ao nosso blogue: diz Gil Vicente, na Copilaçam, fl. 258 vs. ed. De 1562.: O ano de mil & quinhentos & dezanove veo a esta corte de Portugal hum Felipe Guilhem, Castelhano, que se disse que fora boticayro nel Porto de Sancta Maria; o qual era grande lógico & muyto eloquente de muyto boa prática, que antre muytos sabedores o folgavam d'ouvir: tinha algua cousa de mathemático; disse a el-Rey que lhe queria dar a arte de Leste a Oeste, que tinha achada. Pera dar mostra desta arte fez muytos estromentos, entre os quaes foi hum estrolabio de tomar o sol a toda a hora: praticou a arte perante Francisco de Melo, que entam era o milhor mathemático que havia no reyno, & outros muytos que pera isso se ajuntaram per mandado de Sua A.."

Esta frase vem integrada no prólogo de umas trovas que o pai do teatro português fez a um Castelhano. Não transcrevo todo o prólogo porque a segunda parte é negativa para o Castelhano, visto que acabou por ser preso em Aldeia Galega como charlatão. E as trovas de Gil Vicente são uma sátira contra o tal castelhano. Mas, então, o que é um estrolabio ou um astrolábio?

Trata-se de um instrumento naval antigo, usado para medir a altura dos astros acima do horizonte. A sua invenção é geralmente atribuída a Hiparco de Niceia, astrónomo grego do século II a.C., cujos trabalhos são conhecidos graças a Ptolomeu. Mas talvez seja mais correcto imputar a sua criação às teorias matemáticas desenvolvidas por Euclides, Ptolomeu, Hiparco e Hipátia de Alexandria. A sua utilização por navegadores europeus e árabes durante a Idade Média, permitiu aperfeiçoá-lo. Foi por muito tempo utilizado como instrumento para a navegação maritima com base na determinação da posição das estrelas no céu, nomeadamente permitindo medir a altura do Sol.

Na sua obra Curso de História Náutuca, Luís de Albuquerque, referindo-se aos primórdios da navegação astronómica, diz que «a náutica renovada com fundamento na astronomia exigiu a medição de alturas, em geral meridianas, do Sol e de outras estrelas. Os primeiros instrumentos usados para medir essa coordenada dos astros foram os que já tinham longo curso na Idade Média: quadrante e astrolábio plano».

No seu Dicionário de História dos Descobrimentos Portugueses, o mesmo autor diz-nos que «…o astrolábio foi um instrumento de uso muito corrente em astronomia e astrologia durante toda a Idade Média. Composto essencialmente de um disco de latão graduado na periferia, de um anel de suspensão e de uma mediclina com as suas pínulas suspensas no centro, podiam com ele medir-se alturas dos astros, mas para outras operações astrológicas ou de agrimensura, o disco tinha traçadas no rosto e no dorso uma série de linhas além do zodíaco e da fixação de algumas estrelas, que possibilitavam essas operações». Portanto, o astrolábio náutico media a altura dos astros para ajudar na localização em alto mar. O astrolábio moderno de metal foi aperfeiçoado por Abraão Zacuto, um cientista hebraico, que viveu em Portugal.

publicado por Carlos Loures às 21:16
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