Terça-feira, 27 de Julho de 2010

Autores fundadores da Antropologia, de Raúl Iturra

Sigmund Freud (Příbor, 6 de Maio de 1856 — Londres, 23 de Setembro de 1939) foi um médico neurologista judeu-austríaco, fundador da psicanálise. Nasceu em Freiberg, Morávia (hoje Příbor), quando esta pertencia ao Império Austríaco. Em 833 era parte da Magna Morávia, que incluía ao povo Magyar ou Hungria. Freud era Magyar de origem histórica, de origem civil austro – húngaro pelas políticas europeias de anexar territórios de nações fracas ou empobrecidas aos Estados mais fortes.

O método básico da Psicanálise é a interpretação da transferência e da resistência com a análise da livre associação. O analisado, numa postura relaxada, é solicitado a dizer tudo o que lhe vem à mente. Sonhos, esperanças, desejos e fantasias são de interesse, como também as experiências vividas nos primeiros anos de vida em família. Geralmente, o analista simplesmente escuta, comentando apenas quando no seu julgamento profissional visualiza uma crescente oportunidade para que o analisando torne consciente os conteúdos reprimidos do seu Id, que são criados supostos, a partir de suas associações. Escutando o analisado, o analista tenta manter uma atitude empática de neutralidade. Uma postura de não – julgamento para criar um ambiente seguro. A descoberta da orientação do comportamento pela mente humana pelo eu, o super eu e o igual a si ou Id teve começo em 1890. Época na qual ainda pensava-se que havia dois tipos de seres humanos: os civilizados, povos que eram resultado dos progressos da humanidade na sua evolução social e intelectual: agiam com a razão que dominava ou orientava os seus sentimentos e as suas emoções, como explica em uma dezena de livros escritos na base da sua pratica psicanalítica.

Essa prática foi incrementada e também dissociada pelo próprio Freud e os seus discípulos, na base das suas descobertas. Cada novo texto, trazia uma novidade. Tempos em que se pensava também sobre povos não civilizados, pensados como pessoas que não tinham razão, apenas emoções: não pensavam, agiam. O seu comportamento era conjuntural. No meu ver, como explico em outro livro meu: O saber das crianças e a psicanálise da sua sexualidade, editado Repositório ISCTE-IUL, parece-me bem ao contrário: Se os seres humanos não civilizados orientam o seu comportamento individual e social pelas emoções sem nenhuma racionalidade, as formas de vida para estruturar relações sociais, o sistema de parentesco, as formas matrimoniais, o cuidado com o saber genealógico, os monumentos totémicos e especialmente o agir ritual, religiosos e económico, não teriam essa delicadeza que obriga aos analistas estudar com cuidado as formas e processos da vida social. Para comprovar este acerto, o meu antigo amigo e colega, Georges Devereux, no Collège de France, ensinou-me a arte de entender a psicanálise que pratica a etnia Mohave que habita ao Sul dos EUA. No Sudoeste dos Estados Unidos e Noroeste do México, quatro desertos ligam-se entre si. O Deserto da Grande Bacia é o que fica mais a Norte. É um deserto frio: tem chuva em abundância e neve no Inverno. O arbusto é a vegetação dominante. Ocupa a quase totalidade do Estado do Nevada e estende-se para norte a Idaho, Oregon e Wyoming, para leste ao Utah e Colorado, e para sul ao Arizona. Ocupa uma área de 305 mil quilómetros quadrados (mais do triplo de Portugal, que tem 92 mil quilómetros quadrados). Os outros três desertos são o Mohave, o Sonora e o Chihuahua. São desertos quentes, com altas temperaturas durante o longo Verão e com vegetação típica das planícies áridas.

O deserto de Mohave começa no Sul do Estado de Nevada e desce para a Califórnia. Ocupa 40 mil quilómetros quadrados. Alberga o Vale da Morte, que é a região mais funda da América. Está 85 metros abaixo do nível do mar. Vários leitos de lagos de outrora são depósitos de sal. Joshua é a árvore deste deserto.

O deserto de Sonora cobre 193 mil quilómetros quadrados no Sul dos Estados norte-americanos da Califórnia e do Arizona, e no Norte dos Estados de Sonora, Baixa Califórnia e Sinaloa, na República do México. Inclui as regiões áridas do Colorado e de Yuma. O Colorado tem o Grand Canyon, um desfiladeiro que o rio Colorado cavou durante milhares de anos.

Por fim, o Chihuahua ocupa cerca de 322 mil quilómetros quadrados. Uma parte fica nos Estados norte-americanos do Novo México e do Texas. Mas mais de 80 por cento situa-se no México, nos Estados de Chihuahua, Coahuila, Durango, Zacatecas e San Luís Potosí. É cortado pelo rio Grande que faz de fronteira entre o Estado norte-americano do Texas e o mexicano de Chihuahua. As palmeiras yucas e os agraves caracterizam a paisagem. Só tem 8000 anos. A desertificação acentuou-se nos últimos 150 anos. Georges Devereux foi morar com eles ao longo de vários anos e em 1961 escreveu o seu livro Mohave Ethnopsychiatry The Psychic Disturbances of an Indian Tribe, Smithonianan Institute, reeditado em 1972 e traduzido ao francês em 1996. Se os Mohave foram o povo escolhido, era por causa de ter uma teoria da mente semelhante a nossa, o que facilitava a compreensão para um austro-húngaro. A interpretação da vida dos Mohave é a partir dos sonos. A diferença entre a análise Mohave e a nossa, é pelo tipo de tecnologia e ecologia empregue e trabalhada. A vida de luta contra uma natureza não domesticada, é diferente a nossa. Entre nós, é a divisão de classe social e o império do capital como forma de produção, que marca essa diferencia. Esreve Devereux que ente os Mohave há alegria e divertimento, bondade e entretenimento. Os comportamentos considerados abomináveis entre nós, são entendidos pelos Mohave como uma iluminação xamanista, donde, não da sua responsabilidade individual. Fonte: Deverux, Georges, (1961) 1996 Ethno-psychiatie dês indiens Mohaves Synthébalo Group, Paris. Sobre o autor: George Devereux (nascido Dobó György em 13 September 1908 — 28 May 1985) foi um American – French ethnologist e psychoanalyst, nascido no seio de uma família Jewish de Banat, Roménia. Foi um dos pioneiros da ciência da ethnopsychoanalysis e ethnopsychiatry. A sua biografia e obra podem ser lidas em: http://en.wikipedia.org/wiki/George_Devereux . A sua vida entre os Mohave foi tão feliz e as suas crenças de vida após falecimento tão sedutoras, que solicitou ser enterrado com os rituais Mohave e no seu campo profundo ou vale dos mortos.

Referia o texto de Freud, Totem e Tabu. Freud nunca fez trabalho de campo, como Devereux. Retirou os dados dos estudos dos Aranda ou Arunta da Austrália, analisados por Durkheim, sem nunca citar ao pai da Sociologia. Até dá a impressão de ter retirado os seus dados de James Frazer, MacLennan e William Hass Rivers Rivers.

Os livros de Devereux não estão em linha, mas há umas introdução de Tobie Natham no livro sobre a Etnopsiquiatria dos Mohave, que pode ser lida em:http://www.ethnopsychiatrie.net/GDengl.htm Biografia e livros escritos por ele, em: http://en.wikipedia.org/wiki/George_Devereux.

Op. Cit. nota 6. A obra citada na nota 6, refere a obra de Émile Durkheim de 1912: Les structures élémentaires da vie religieuse, Félix Alkan, Paris. Texto comigo, editado pelas Press Universitaires de France. O livro é um debate entre até, para se centrar nas formas da vida religiosa da etnia Arunta – também denominada Aranda – de Austrália. Durkheim e Max Müller sobre o animismo e as formas de religiosidade. No entanto, Durkheim ultrapassa o devia Central e como as crianças são ensinadas a saber domesticar a natureza, a dominar e a reproduzir. Apesar de ser um cientista muito conhecido, penso que a sua biografia e ideias chaves dêem ser lembradas brevemente.
Sigmund Freud, 119:Totem and Taboo. Resemblances between the Psychic lives of savages and neurotics, Routledge & Sons Ltd: Londres, 1919. É um livro de Sigmund Freud publicado em German O original en língua Austro-húngara, [não alemão, engano da fonte que me informa] é de 1913: Totem und Tabu: Einige Übereinstimmungen im Seelenleben der Wilden und der Neurotiker. Traduzido ao francês em 1458, pode ser acedido em: http://classiques.uqac.ca/classiques/freud_sigmund/totem_tabou/totem_et_tabou.doc


Antes de continuar, parece-me necessário definir o conceito de neuroses, central na problemática da análise de Freud por ser parte da cultura do comportamento ocidental: O termo neurose foi criado pelo médico escocês William Cullen em 1769 para indicar "desordens de sentidos e movimento" causadas por "efeitos gerais do sistema nervoso". Na psicologia moderna, é sinónimo de psico neurose ou distúrbio neurótico e se refere a qualquer desordem mental que, embora cause tensão, não interfere com o pensamento racional ou com a capacidade funcional da pessoa. Essa é uma diferença importante em relação à psicose, desordem mais severa.

A palavra deriva de duas palavras gregas: neuron (nervo) e osis (condição doente ou anormal).

A neurose, na teoria psicanalítica, é uma estratégia ineficaz para lidar com sucesso com algo.
publicado por Carlos Loures às 15:00
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Sábado, 15 de Maio de 2010

Um debate sobre etnopsicologia da infância

Raúl Iturra

Raramente as pessoas utilizam o telefone para falar. Especialmente por causa do incremento sem aviso do imposto sobre cada telefonema. O executivo usou o dia 13 de Maio para aumentar preços e taxas, estava cá Ratzinger, Papa Bento XVI dos Católicos, andavam todos a correr para receber uma bênção ou procurar um milagre, desses típicos de Fátima, uma fantasia que mantém ao povo calmo e reservado. Especialmente porque uma hierarquia desse tamanho, como bem sabemos, é a agência dos pecados, obediências e desobediências dos seres humanos que o ouvem. Há a célebre frase de Georg Friedrcih Hegel no seu texto citado páginas antes neste sítio de debate: Filosofia do Direito, 1920, Triers, Prússia, que o seu discípulo Kart Marx não se cansava de rebater, quer mo seu livro de 1843: Crítica a Filosofia do Direito de Hegel, e analisa com minúcia e profundidade no seu panfleto intitulado Manifesto Comunista, redigido como sabemos pela sua mulher, a Baronesa socialista Johanna von Westphalen, ou Jenny Marx, ou como os seus biógrafos a designam, Jenny la Rouge, como se intitula a biografia de Heins Friederick Peters, 1986, Allen & Winnin Londres. Acrescenta, como a biografia do pai escrita por Eleanor Marx-Avelling, que sem Jenny nunca teria existido Marx.

É o que falamos os adultos e o que nós usamos para estudar crianças, como fez Marx, usando o método dialéctico nos seus livros sobre a Teoria da Mais - valia de 1862, 1º volume, e 1863, o segundo.

Sobre crianças, Kart e Jenny pensam, debatem, amam imenso e as estudam, como mais tarde faria George Devereux na etnia Mohave dos USA. E nó, em Portugal, como está referido ao pé de cada ensaio.

São ensaios escritos após trabalho de campo com crianças e ensinados na minha universidade. Esquecemos, com Carlos Loures, esse 26% dos telefonemas, e acabou em, por enquanto, estes quatro textos de etnopsicologia, que com prazer entrego ao público. *

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*Estrolábio iniciará amanhã a publicação desta série de textos do Professor Raúl Iturra
publicado por Carlos Loures às 15:00
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