Sábado, 2 de Julho de 2011

Assumirá Largarde a direcção do FMI? A propósito de Lagarde, dois pontos de vista, o de Krugman e o da Attac. Opiniões coligidas por Júlio Marques Mota

 

  1. O ponto de vista de Krugman

 

O Mistério de Lagarde


OK, então é Christine Lagarde que vai para o FMI. Desejo-lhe boa sorte. E gostava  que tivéssemos alguma ideia quanto à qualidade do  trabalho que ela vai fazer, quanto à linha de orientação que ao FMI vai dar.

Não é que ela ela seja particularmente  enigmática: além  de ser  inteligente, é  séria, responsável e criteriosa, sob todos os pontos de vista. Mas, é  claro,  isso  é  exactamente o que me preocupa.

Porque   estamos hoje a viver numa época  em que, por enquanto, aquilo a  que dantes chamávamos  convencionalmente   loucura chama-se agora prudência e ao que  dantes chamávamos prudência chama-se  agora loucura. As coisas que as Pessoas Muito Sérias, as de hoje,  querem    fazer – reduzir imediatamente os défices, "normalizar" as taxas de juros,  preocuparem-se  com a inflação -- são exatamente o tipo de coisas que poderão transformar a crise de 2008 - até (? ) em décadas de estagnação.

Com a orientação de  Strauss-Kahn, o FMI estava a caminhar  para uma posição  menos dogmática, com uma mentalidade mais aberta do que as principais organizações Internacionais. Isso também não quer dizer  muito, mas foi muito melhor do que fizeram os loucos economistas que  assumiram como  o poder  na OCDE ou no Banco Internacional de Pagamentos. .

Portanto, a questão é: será que o FMI vai tornar-se mais sensível sob a direcção de Lagarde? Para  bem da economia mundial, não acreditamos que tal venha a acontecer.

 

 


As pessoas  mudam mas não  o FMI

 

           2. Um texto de Attac


Christine Lagarde acaba de ser eleita  directora-geral  do Fundo Monetário Internacional (FMI) em substituição de Dominique  Strauss-Kahn. No momento  em que o Parlamento grego vota um novo plano de austeridade injusto e inútil sob a pressão da União Europeia e do FMI, esta decisão leva a que se evite todo e qualquer debate  sobre uma reorientação radical do Fundo. Mas a actualidade judicial francesa (processo Tapie) ou o agravamento previsível da crise financeira poderão  muito bem voltar a colocar este debate na ordem  do dia e dentro dos próximos meses.  É por esta razão  que Attac mantém a candidatura da sua  co-presidente Aurélie  Trouvé para  a  direcção do FMI e compromete-se desde já a desencadear  diligências para que venha a aparecer  uma candidatura altermundista  que venha  do Sul do planeta..

 

É a quinta vez que este posto, tradicionalmente reservado a um Estado europeu, cabe à França, e não tem nenhuma razão para com isso se congratular  conveniente infelizmente congratular-se. Desde os anos 80, a política do FMI continua a ser a  mesma, qualquer que tenha sido  o seu  Director-Geral. Assim, é sob a direcção de Jacques de Larosière (1978-1987), depois sob a direcção de  Michel Camdessus (1987-2000) que foram elaborados os planos de ajustamento estrutural que têm conduzido à ruína tantos  países da América Latina, da África ou da Ásia,  e de tal modo foi assim que  a maior parte dos países emergentes ou em desenvolvimento recusaram  recorrer ao  FMI ou ao Banco Mundial (foi  de resto o que acabou  de fazer muito recentemente o Egipto).

 

As coisas iriam  mudar  com DSK? Era necessário ser bem ingénuo  para acreditar nisso. Com excepção de uma ligeira maquilhagem , o funcionamento da instituição continuou a ser o mesmo: continua a ser “um dólar = uma voz”, de modo que os Estados Unidos, com mais de 17% das votos , dispõem de um direito de veto que lhes permite controlar o FMI, onde os grandes países da União Europeia desempenham também um papel essencial. Há contudo  uma coisa que mudou : com a crise financeira, que o FMI foi de resto incapaz de ser capaz de prever , são agora os países europeus que são obrigados a aplicar  planos de austeridade tão  draconianos como os precedentes impostos aos países em desenvolvimento. A Hungria, Ucrânia, a Letónia, a Irlanda, a Grécia, Portugal são as mais recentes vítimas de programas de uma rara violência social. Com Christine Lagarde, pelo menos, não haverá mais  a mínima ambiguidade: esta advogada de negócios é ultraliberal  e não o esconde. Mas não vamos também acreditar que o seu concorrente ao lugar de Director-Geral, o Mexicano Agustín Carstens, teria sido uma melhor escolha. Este  que se quer  assumir como  o representante dos países emergentes é sobretudo um economista procedente da escola de Chicago, tão neoliberal  como Christine Lagarde. É por isso que uma candidatura alternativa é necessária para defender  a ideia de que uma reforma radical do FMI, que deve deixar de  privilegiar a defesa dos credores e dos bancos e deve  existir  e virar-se para  a ONU e tendo , com regra essencial “um país = uma voto”. E é com esta  condição que o FMI poderá talvez encontrar a credibilidade que hoje não tem aos olhos  dos povos.

 

Attac France, Les têtes changent, le FMI ne change pas,
Paris, 29 de Junho de 2011

 

 

publicado por João Machado às 17:00
link | favorito

Dominique Straus Kahn e o ouro falso - por Octopus

 

Na manhã de 14 Maio, o   dia em que foi preso, Dominique Strauss-Kahn (DSK) tinha sido aconselhado   pelos serviços secretos franceses (DGSE) a abandonar os EUA e regressar   rapidamente à Europa, descartando-se do telemóvel para evitar que pudesse ser   localizado. A delicadeza da informação secreta que lhe tinha sido entregue   por agentes "d...elatores" da CIA justificava tal precaução.

   

Strauss-Kahn tinha   viajado para os Estados Unidos para clarificar as razões que levavam os   norte-americanos a protelar continuamente o pagamento devido ao FMI de quase   200 toneladas de ouro. A dívida, com  pagamento acordado há vários anos, advém   de ajustes no sistema monetário - "Special Drawing Rights" (SDR's).


 

As preocupações do FMI   sobre o pagamento norte-americano ter-se-iam avolumado recentemente. Nesta viagem Strauss-Kahn estaria na posse de informação relevante que indiciava   que o ouro em questão já não existem nos cofres fortes de Fort Knox nem no NY   Federal Reserve Bank.

 

Mas Strauss-Kahn terá   cometido um erro fatal: ligou para o hotel, já da plataforma de embarque, pedindo que o telefone lhe fosse enviado para Paris, o que permitiu aos   serviços secretos americanos agir nos últimos minutos. O resto dos factos são   do conhecimento público.

 

Já em prisão   domiciliária, em Nova Iorque, DSK terá pedido ajuda ao seu amigo Mahmoud   Abdel Salam Omar, um influente banqueiro egípcio. Era muito importante, para   fundamento da defesa, que o egípcio lhe conseguisse obter a informação   privilegiada sobre a "mentira" do ouro, que DSK tinha deixado   "voar" em NY, para justificar a teoria da perseguição.

 

No entanto a   intervenção voluntariosa do banqueiro egípcio saiu gorada. Dias depois Salam   Omar foi igualmente preso nos Estados Unidos, também ele acusado de   assédio sexual a uma empregada de hotel. Relatórios de diferentes serviços   secretos internacionais convergem na conclusão: os factos que motivaram a prisão do egípcio são altamente improváveis, Salam Omar é um muçulmano   convicto e um homem com 74 anos de idade.

 

A inversão de sentido   na história da suite do Sofitel de NY começava aqui a ganhar consistência e   outros factos viriam ajudar.

 

Em Outubro de 2009,   Pequim terá recebido dos EUA cerca de 60 toneladas de ouro, num pagamento   devido pelos americanos aos chineses, como acerto de contas no balanço de   comércio externo. Com a entrega, Pequim testou a genuinidade do ouro recebido   tendo concluído que se tratava de "ouro falso". Eram barras de tungsténio revestido a cobertura de ouro. As 5.700 barras falsas estavam   devidamente identificadas com chancela e número de série indicando a origem -   Fort Knox, USA.

 

 

O congressista Ron   Paul, candidato às eleições presidenciais de 2012, solicitou no final do ano   passado uma auditoria à veracidade das reservas do ouro federal que foi   rejeitada pela administração Obama. Numa entrevista recente, questionado   sobre a possiblidade de ter desaparecido o ouro federal de fort Knox, o congressista Ron Paul gelou os interlocutores respondendo liminarmente:   "É bem provável!"

 

À "boca   fechada" têm vindo, aqui e ali, a escapar informações, a avolumar-se   incertezas sobre as reservas de ouro norte-americanas. Mas as notícias   referentes aos fortes indícios que de o ouro seja apenas virtual têm colhido   uma tímida atenção na comunicação social americana.

 

A "verdadeira   história" por detrás da prisão de DSK, agora pública, consta de um   relatório secreto preparado pelos serviços de segurança russos (FSB) para o   primeiro-ministro Vladimir Putin. Talvez por isso Putin tenha sido o primeiro   lider mundial a assumir publicamente a ideia de que DSK terá sido   "vítima de uma enorme conspiração americana".

 

Estes factos, a   confirmarem-se, em nada ilibam DSK na suspeição que sobre si recai do   eventual crime de assédio sexual a  uma empregada do hotel mas, quem   sabe, essa possa revelar-se como a pequena e ingénua ponta de um grande   iceberg. A ser verdade, os serviços secretos norte-americanos, seguramente   bem informados, terão sabido tirar partido das fraquezas do inimigo-alvo,   aniquilando-o com eficácia cirúrgica - um pequeno crime de costumes, tão ao   gosto do imaginário popular, pode bem ter contribuído para abafar crimes de   contornos bem mais sérios, por eliminação de testemunha ou de prova.

 

Entretanto DSK prepara   activamente a defesa em tribunal arregimentando já um verdadeiro "crack   team" de ex-espiões da CIA, investigadores, detectives e media   advisors. 

 

 
(Texto enviado por um leitor bem informado que prefere guardar o   anonimato.)

  

 

The Times:

 

http://www.timesonline.co.uk/tol/news/world/us_and_americas/article5989271.ece

 

CNN:

http://money.cnn.com/2011/06/24/news/economy/ron_paul_gold_audit/index.htm

 

Fox News:

 

http://www.foxnews.com/politics/2010/08/31/rep-paul-calls-fort-knox-audit-suggests-gold-gone/

 

The Daily Bail:

 

http://dailybail.com/home/is-gold-in-fort-knox-real-ron-paul-demands-official-audit.html

 

View Zone:

 

http://viewzone2.com/fakegoldx.html 

 

American Free Press:

 

http://www.americanfreepress.net/html/fort_knox_conundrum__208.html

 

  

  

 

 

publicado por Carlos Loures às 12:00

editado por João Machado às 11:40
link | favorito
Segunda-feira, 20 de Junho de 2011

Grécia: Eles estão em vias de despedaçar o sector público e de servir em bocados os direitos políticos e sociais da população - Jean-Jacques Chavigné

"Eles", são os oligarcas da União Europeia (os comissários europeus, os membros do Conselho de governadores do Banco Central Europeu, os chefes de Estado e de governos dos Estados membros da União), os dirigentes do FMI e o governo do primeiro-ministro socialista grego, George Papandreu.

Para alcançarem seus fins, os "homens de negro" da UE e do FMI não foram mesquinhos. Começaram por recusar o desbloqueamento de uma fatia de 12 mil milhões correspondentes a uma parte dos 110 mil milhões de crédito concedido à Grécia em Maio de 2010 . Em seguida acenaram com a promessa de um novo empréstimo, reembolsável em três anos, de um montante de 30 mil milhões de euros (20 mil milhões pela UE e 10 mil milhões pelo FMI). Em contrapartida, exigiram que a Grécia acelerasse a privatização dos seus serviços públicos e pusesse em acção um novo "plano de austeridade" a acrescentar-se aos quatro anteriores. O governo grego tendo aceite os seus diktats, eles (por enquanto pelo menos) decidiram desbloquear a fatia de 12 mil milhões do empréstimo já acordado em 2010 e conceder à Grécia um novo empréstimo de 30 mil milhões de euros em 2012.

O drama que hoje se desenrola na Grécia já começou a desenrolar-se na Islândia, na Irlanda, em Portugal, na Espanha e arrisca-se muito, se se deixarem livres as mãos dos dirigentes da UE e do FMI, a desenrolar-se amanhã na Itália, Bélgica, França...

Este drama tem como pano de fundo uma tripla negação.

Uma negação humana, em primeiro lugar

– Privatizar

Sem a menor preocupação com as dezenas de milhares de despedimentos que resultarão, sem a menor preocupação por calcar aos pés os direitos de acesso igualitário a estes serviços para milhões de gregos, os serviços públicos gregos são vendidos em leilão. É preciso fazer isso rapidamente tranquilizando a UE e do FMI, ou seja, para "tranquilizar os mercados financeiros", na realidade para oferecer o sector público grego às multinacionais americanas e europeias a preços de saldo. Estão em jogo somas enormes. Cinquenta mil milhões daqui até 2015: isso equivale (na proporção dos PIB respectivos) a 450 mil milhões de euros em França!

Trinta empresas nas quais o Estado detém a totalidade ou uma parte do capital deverão ser entregues ao sector privado: OTE (número um das Telecoms); Trainose (a companhia nacional dos caminhos de ferro); os portos do Pireu (Atenas) e de Salónica; o grupo gasista DEPA; as licenças de telefonia móvel; a sociedade das águas de Atenas e de Salónica; o aeroporto internacional de Atenas; a sociedade de auto-estradas Egnatia Odos; o Correio helénico; os portos regionais; DEI Electricidade da Grécia; os aeroportos regionais, as participações do Estado nos bancos gregos; o Banco postal; o Banco agrícola ATE; a Caixa de Depósitos e Consignações...

Ao abandonar estas empresas, o Estado grego abandona igualmente aquilo que, a cada ano, elas proporcionavam às finanças públicas. É uma política de vista curta que contribuirá rapidamente para afundar seu orçamento ao diminuir as suas receitas.

Já em 2010, a recusa em diminuir as despesas com armamento no orçamento da defesa grega (o 2º orçamento do mundo em proporção do PIB) para não prejudicar os mercadores de canhões, de aviões de guerra, de mísseis, de helicópteros, de submarinos... havia mostrado que "o imperativo da diminuição do défice" grego devia inclinar-se diante dos interesses superiores, os das multinacionais do armamento, sobretudo americanas, francesas, britânicas e alemãs.

Hoje, a indecente liquidação do sector público grego põe à plena luz o objectivo real da Troika (UE, BCE, FMI): satisfazer a voracidade das multinacionais americanas e europeias entregando-lhes as empresas do sector público grego. O governo grego acaba de anunciar a cessão de 10% da OTE à alemã Deutsche Telekom. Ele havia, anteriormente, anunciou o prolongamento do prazo de concessão do aeroporto de Atenas ao grupo alemão Hotchief. Uma primeira "carteira" de terrenos e propriedades será proposta, a partir deste mês, aos investidores internacionais para concessões a longo prazo, privando assim a Grécia das receitas ligadas ao turismo.

A venda e o produto da venda de todos estes activos públicos deveriam ser colocadas sob a responsabilidade de um fundo de privatização gerido por "peritos" estranhos à Grécia a fim de dar aos detentores da dívida pública todas as garantias possíveis. Para o FMI e a UE, a Grécia não é mais um Estado soberano. Os cidadãos estão privados dos seus direitos políticos.

– Um 5º plano de austeridade

O governo grego tenta igualmente, sob a pressão da Troika, impor um 5º plano de austeridade ao povo grego. Pouco importa, mais uma vez, o custo humano deste plano.

publicado por Augusta Clara às 16:00
link | favorito
Sábado, 18 de Junho de 2011

Christine Lagarde no FMI: a grande aposta americana - por Octopus

 

 

Ainda há poucos anos   Christine Lagarde era uma desconhecida para os franceses até ser nomeada   ministro do Comercio Exterior no governo de Dominique de Villepin e mais   tarde ministro da Economia. 

 

Agora, e depois de   Dominique Strauss Kahn ter sido "eliminado" por ser demasiado   "mole" e não apoiar devidamente os interesses dos grandes grupos   financeiros, Lagarde, pertencendo ao restrito clube de Bilderberg, vai ser   nomeada para a direcção do FMI. 

 

Como vamos ver,   compreende-se porquê...




  Quem é Christine Lagarde?

 

 

Christine Lagarde é   uma advogada de sucesso, especializada em direito social, em 1981 ingressa no   prestigiado gabinete Baker & McKenzie em Chicago. Progride rapidamente na   carreira até se tornar membro do comité executivo desse gabinete com 4400   colaboradores em 35 países do mundo. Em 2004 torna-se presidente do seu   comité estratégico e no ano seguinte membro do conselho de vigilância de um   dos maiores grupos financeiros mundiais, a holandesa ING Groep.

 

Chistine Lagarde,   torna-se assim uma mulher muito influente, esta na 5ª posição na   classificação das mulheres de negócios europeias segundo o Wall Street   Journal e 76ª posição nas mulheres mais poderosas do mundo segunda a revista   Forbes.

 

Nos bastidores dos negócios.

Uma das facetas menos   conhecida do grande público é o facto de Lagarde pertencer ao Center for   Strategic & International Studies (CSIS) americano. Este é um "think   tank" sobre a influência e estratégia americana no mundo do ponto de   vista político, económico, tecnológico e em matéria de segurança. Nele   encontramos no conselho administrativo, Henry Kissinger, mas também Zbigniew   Brzezinski com o qual Lagarde partilhava a comissão de Acção USA/EU/Polónia,   mais precisamente o grupo de trabalho das indústrias de defesa USA-Polónia.

 

Foi durante as   comissões presididas por Christine Lagarde que Bruce Jackson conseguiu o   contrato do século para a americana Lockheed com a venda de 48 caças F-16 à   Polónia no valor de 3,5 mil milhões de dólares. Esta encomenda foi paga pelo   governo polaco com os fundos da União Europeia destinados À preservação do   sistema agrícola da Polónia.


 Uma americana em Paris.

  Em 2007 o jornal   satírico francês "Le Canard Enchaîné" revela para grande espanto de   todos que o ministro da economia Christine Lagarde escreve e obriga os seus   colaboradores a escrever em língua inglesa. No dia 16 de outubro de 2010, o   deputado Brard faz uma pergunta a Lagarde, na Assembleia Nacional, em inglês! O presidente da   Assembleia Nacional Francesa atrapalhado decidiu que essa intervenção deveria   ser retirada do relatório da sessão por a única língua oficial da república   ser o francês.

  Estes episódios   caricatos revelam que a actual ministra francesa da economia e futura   responsável do FMI trabalha e faz trabalhar os seus próximos em língua   inglesa para facilitar as suas relações políticas e económicas com o seu   grande aliado, os Estados Unidos. Os americanos não poderiam sonhar ter um   melhor defensor dos seus interesses no FMI.

 

Dos grandes amigos de   Christine Lagarde constam: Brzezinski, fondador da comissão Trilateral em   1973 juntamente com David Rockfeller, ou então Dick Cheney que dispensa   qualquer apresentação, é o vice-presidente que desencadeia guerras para   entregar a reconstrução dos países bombardeados à sua empresa, a Halliburton.



 http://www.francophonie-avenir.com/Index_AK_Lagarde,_l%27anglolatre.htm

 
  http://www.voltairenet.org/Avec-Christine-Lagarde-l-industrie

  http://www.voltairenet.org/La-colonisation-US-du-ministere

 

 

  

tags:
publicado por Carlos Loures às 13:00

editado por Augusta Clara em 16/06/2011 às 18:09
link | favorito
Segunda-feira, 30 de Maio de 2011

Grécia, atrás já da linha separadora da reestruturação - Charles Wyplosz

Aos  leitores de estrolábio, um texto aqui vos deixo.


Tal como o FMI organizou a queda da Argentina em 2001, está agora a caber a  vez ao país berço da nossa democracia, a Grécia  .  Andam ladrões à solta, andam muitos criados ao serviço destes ladrões pelos bolsos de todos nós a sacar, andam polícias a demitirem-se  das sua funções   de zeladores da coisa pública para se transformarem em guardas públicos  da coisa privada e assim os capitais continuam a fugir da Grécia até esta cair completamente exangue, mas há liberdade de capitais, claro! E até, pasme-se, o Financial Times vem protestar contra o facto de que  "na sua  "grande sabedoria ", a zona euro tenha decidido que as perdas dos credores do sector privado tenham que ser socializadas ... e o fardo final tenha de ser assumido pelos contribuintes dos  países deficitários. " Liberdade de  uns receberem, obrigação de outros pagarem, liberdade de uns se movimentarem, os capitais,  obrigação de outros se fixarem, os contribuintes, é  esta a liberdade da Eurolândia,  são estas as características do seu reino  por um incompetente dirigido que dá pelo nome  de ser português.

 

 

Nada vai bem  na zona euro. A Grécia está na berlinda um ano depois de ter sido salva  pelo programa imaginado pelo FMI e pela Comissão Europeia. A Espanha está  numa corda bamba  e a Itália foi colocada sob vigilância pela Standard and Poor’s . Os deputados do CDU estão em rebelião contra Angela Merkel, que sofre derrota eleitoral após derrota eleitoral. O seu ministro das Finanças, que tinha  agitado os mercados financeiros evocando publicamente um reescalonamento da dívida grega, acaba de mudar de opinião. Jean-Claude Trichet reage agressivamente contra Jean-Claude Juncker que defendia a hipótese  “re-perfilar ” a dívida grega e o BCE ameaça mesmo vir a deixar de  alimentar os bancos gregos. Um responsável deste país indica que, neste caso, seria necessário deixar a zona euro. Eis pois, aproximadamente, o estado das coisas que resultam da notável solidariedade europeia prometida por Angela Merkel e por Nicolas Sarkozy. Há então sérias razões para nos questionarmos.

 

 

Porque é que o défice grego não se reabsorve?

 

A Comissão prevê um défice de 9,5% do PIB em 2011 e de 9,3% em 2012 depois de  10,4% em 2010. Não é por falta de esforços pela  parte do governo. De acordo com a última avaliação dos progressos conduzida  pelo FMI datada de Março  último, lê-se : “ A economia evoluiu como previsto, com uma baixa de 4,5% do PIB em 2010, uma taxa de inflação que continua a ser fraca, e com  custos unitários do trabalho que começam a descer . Face a  estes  ventos contrários, as autoridades terminaram com um ajustamento orçamental de 5,75% em 2010. ” Explicação destes cálculos em aparência contraditórios: o governo apertou fortemente a tarraxa  ( os 5,75%), mas a recessão  é profunda (os -4,5%)  e sem fim, precisamente, devido a este ajustamento precipitado. De repente,  as receitas orçamentais reduzem-se e… o défice realmente não se reabsorve (- 9,5%).

 

O que fazer agora?

 

Para o FMI e para a Comissão, é necessário fazer mais e ainda melhor . “A Grécia progrediu em direcção dos seus objectivos [os que lhe foram impostos como condição do empréstimo], e as reformas orçamentais e estruturais necessárias são levadas a efeito gradualmente . Contudo, reformas essenciais devem ainda ser preparadas e levadas a prática  para construir a massa crítica necessária à sustentabilidade orçamental e à  retoma económica. ” Por outras palavras, é necessário ainda continuar a apertar a tarraxa ou o cinto, o que é equivalente. Mas se as medidas do ano passado prolongam a recessão  e não permitem de modo nenhum   reduzir o défice, como previsto pela Comissão, o que fará a Grécia num ano? Apertar ainda mais o cinto. Continua-se a aplicar um remédio que enfraquece ainda mais  o doente já de si muito fraco.

 

Porque   é  que os Alemães quebraram o tabu da reestruturação de dívida?

 

Como o défice não se reabsorve e porque o governo grego não pode mais vir a contrair empréstimos nos mercados financeiros internacionais, é necessário que  o FMI e a Europa continuem a conceder  empréstimos. A Alemanha, sendo o primeiro mutuante dos  fundos em questão, daí que uma surda  inquietação  comece  a aparecer além-Reno  (mas não em França onde, aparentemente, a opinião pública não se preocupa com o montante destes empréstimos). Uma reestruturação reduziria o montante dos empréstimos suplementares a realizar, o que aliviaria a pressão sobre Merkel.

 

O que é uma reestruturação?

 

Incumprimento,  reescalonamento, diminuição de dívida, etc. são diversos meios para reduzir uma dívida. Como um país não pode ser colocado na  prisão, pode decidir de maneira unilateral não reembolsar a totalidade da sua dívida pública. É ilegal mas é um  facto de príncipe. Os seus credores têm poucos recursos de oposição  e a sua melhor opção é, em geral, negociar o que irão  perder - “ haircut ” como se diz  deliciosamente  em inglês ou  a tesourada como se diz em bom português. Que isto assuma  a forma de pagamentos diferidos, uma baixa da taxa de juro ou uma redução directa da soma devida, há incumprimento desde que os termos  iniciais sejam  unilateralmente alterados. Certos responsáveis políticos falaram de reescalonamento “ voluntário e bem organizado”. É uma pura ficção. Os credores, e há dezenas dos milhares ou mesmo muito mais, nunca  serão voluntários e alguns  batem-se com energia negociando de forma muito dura  e recorrendo aos tribunais. De repente,  o procedimento é desordenado, longo e complicado.

 

Que pensam os mercados financeiros?

 

A opinião geral, mas não unânime, é a de que a Grécia não escapará a  uma reestruturação. Os mercados são habituados a estes acontecimentos e preparam-se. Uma parte dos bancos e os investidores que detinham a dívida grega desfizeram-se dela , frequentemente a sofrerem   perdas moderadas; agora estão posicionados para ganharem dinheiro  quando isso se produzir. Outros quiseram evitar perdas  a  revender  e estão agora inquietos. Ninguém  duvida que estes mantêm  a angústia dos governos de modo a que o contribuinte  os venha salvar da sua aposta. Ganham-se  hábitos.

 

Porque é que a França  se opõe a  uma reestruturação?

 

Segundo a linguagem oficial afirma a Europa não é a América Latina, a solidariedade não é uma palavra vã e o remédio corre o risco de ser pior que o mal porque existe um risco de contágio. O contágio é possível, com efeito. Resta  uma outra interpretação, perfeitamente hipotética. Os bancos franceses (e alemães) parecem deter uma parte da dívida grega e poderiam  vir a ter grandes prejuízos . Se estes bancos estão menos sólidos do que o que se pensa , poderiam ficar ainda mais seriamente destabilizados  , e ainda mais se houvesse contágio. Mas a informação sobre estas questões não está disponível, pode-se apenas imaginar o pior.

 

Porque é que o BCE  é violentamente contra  uma reestruturação?

 

O BCE está em dificuldades  e por muito tempo, sobre esta questão . Às advertências sucedem as ameaças. Como toda gente, o BCE teme o contágio. Este também avisou que o sistema bancário grego se desmoronaria, o que é possível, mas não seria dramático. Com efeito, se o governo reduz a sua dívida, digamos, de 50% do PIB e que deve então situar-se sobre a linha de água , ou seja (nacionalizar ) o sistema bancário por  um custo de aproximadamente 20% do PIB, o ganho fica então de  30% do PIB, uma bela  operação financeira.

 

As angústias do BCE podem estar  num outro lugar. Desde Maio de 2010, sob uma pressão intensa dos governos, comprou muitos títulos das diferentes dívidas  públicas. Cuidadoso, aplicou um haircut da ordem de 20% mas os incumprimentos em série deixá-lo-iam com perdas muito substanciais. Certamente seria recapitalizado pelos governos, mas  o Banco Central Europeu teme uma perda vertiginosa do seu prestígio, já colocado em maus lençóis pelas suas compras não muito voluntárias de dívidas, e mais geralmente, por um aumento do  cepticismo no que diz respeito à moeda única. As suas advertências soam  como um sinal de pânico, dando a ideia de que terá com o dedo imprudentemente  accionado uma engrenagem que não controla.

 

Quem decide ?

 

A Grécia é um país soberano e é ela que decidirá. Desde o início da crise, os seus parceiros europeus ditam-lhe o  caminho  a seguir e esta aceita estas injunções na esperança evidente de vir a  ser ajudada, ainda que as ajudas não sejam  dons, é necessário recordá-lo, mas sim empréstimos que aumentam a sua dívida. Como todos os outros, o governo grego pesa os prós e os contras das suas opções. Uma declaração de incumprimento dar-lhe- -ia para respirar um momento e permitir-lhe-ia aliviar a pressão sobre a sua população. Mas a decisão poderia tornar-se inevitável se os Gregos acelerassem o movimento, de momento lento, de retirada de fundos dos bancos, informados que estes estão pelo BCE que o sistema bancário pode desmoronar. O voluntarismo político quebra-se frequentemente contra o rochedo da dura realidade

 

 

 

publicado por Augusta Clara às 23:00

editado por Luis Moreira em 31/05/2011 às 11:35
link | favorito
Sexta-feira, 20 de Maio de 2011

Porque o sonho é possível - A Resistência ao FMI

(ilustração de José Magalhães)

 

 

 

(Pedimos desculpa pela má tradução)

 

 

Grécia, Irlanda e Portugal

Bancarrota ou democracia?

por Nick Dearden [*]

 

 

Mesa da conferência de Atenas. Não chega a ser surpresa que as centenas de pessoas reunidas na conferência de que acabo de retornar concordassem em que o pacote de "salvamento" da Grécia aprovado há 12 meses fracassou em proporcionar uma solução para o problema de dívida do país.

Organizado por um espectro da sociedade civil grega de amplitude sem precedentes, o evento internacional lançou o apelo para que a Grécia (e agora a Irlanda) abra as suas dívidas aos povos daqueles países para uma discussão pública de quão justas e legítimas realmente são elas. Veteranos do Brasil, Peru, Filipinas, Marrocos e Argentina disseram aos activistas gregos para "permanecerem firmes" e não se submeterem a 30 anos de recessão devastadora por imposição de instituições como o Fundo Monetário Internacional.

O florescente movimento europeu de oposição a reembolsos de dívida e à austeridade está a fazer ligações concretas com grupos do Sul global e apresenta uma confiança e uma racionalidade que está a um milhão de quilómetros dos governos da Grécia e da Irlanda, os quais têm seguido políticas punitivas das pessoas comuns a fim de reembolsar banqueiros imprudentes.

Simplesmente não é possível que as políticas infligidas à Grécia, Irlanda e agora Portugal reduzam o fardo da dívida daqueles países – acontecerá exactamente o oposto, como se viu desde a Zâmbia na década de 1980 até a Argentina no princípio da última década. Políticas semelhantes àquelas que estão a ser infligidas sobre a Europa viram o rácio dívida-PIB da Zâmbia duplicar na década de 80 quando a economia se contraiu. A Argentina incumpriu as suas dívidas maciças em 2011, após uma recessão de três provocada pelas políticas do FMI. Tal como à Irlanda hoje, disseram à Argentina que ela havia ido longe demais, apesar de a dívida ter sido incorrida por um desastroso conjunto de privatizações e de um atrelamento da divisa impingido ao país pelo mesmo FMI. Trata-se de uma economia que começou a recuperar-se um mês após o incumprimento.

 



Então, por que é que estas políticas ainda estão a ser prosseguidas? Quase todo comentador soube desde o primeiro dia que os pacotes de "salvamento" não tornariam sustentáveis as dívidas da Grécia ou da Irlanda. Mas delegados na conferência deste fim-de-semana foram claros – que isto não é o problema em causa. O problema em causa é recuperar tanto dinheiro dos investidores quanto possível, por mais responsáveis que aqueles investidores fossem pela crise, e transferir o passivo para a sociedade.

Mesmo que a Grécia e a Irlanda precisem salvamento adicional em dinheiro ou reestruturação através de alguma espécie de títulos – as mesmas medidas impostas à América Latina na década de 1980, as quais criaram montanhas de dívidas tão grandes que aqueles países ainda estão a sofrer as consequências – os investidores privados terão de ser pagos. O argumento entre as populações da Alemanha e da Grécia torna-se quem pagará a maior parte da conta, criando um perigoso nacionalismo já muito evidente.

A PREFERÊNCIA PELO ESCURO

O Comissário Europeu para Assuntos Económicos, Olli Rehh, tem dito continuamente aos governos que estes assuntos são melhor cuidados no escuro – a discussão pública é fortemente desencorajada. Aqueles que realmente pagam o preço da austeridade discordam e activistas na Grécia e na Irlanda dizem que o primeiro passo em qualquer espécie de solução justa deve ser uma auditoria da dívida – modelada sobre aquelas executadas em países em desenvolvimento como o Equador.

Sofia Sokarafa. Uma auditoria da dívida proporcionaria aos povos da Europa conhecimento sobre o qual basear decisões verdadeiramente democráticas. Como afirmou na conferência Sofia Sakorafa – a deputada grega que se recusou a assinar os termos do salvamento e saiu do partido governamental PASOK: "a resposta à tirania, opressão, violência e abuso é conhecimento". Andy Storey do grupo irlandês Afri reflectiu isto, dizendo que a finalidade de uma auditoria é "remover a máscara do sistema financeiro que controla nossa economia".

Os resultados de uma auditoria podem ser rápidos e concretos. Maria Lúcia Fattorelli , do Brasil, é uma veterana de auditorias da dívida e em 2008 ajudou grupos equatorianos a efectuarem uma auditoria endossada pelo presidente Correa. A economista classificou Correa como "incorruptível" quando as despesas públicas ascenderam, após o êxito do incumprimento nos títulos a seguir à auditoria. Entrar em acção agora poderia significar poupar países europeus das três décadas de desenvolvimento retardo experimentadas por países latino-americanos.

Mas os activistas reunidos este fim de semana acreditam que uma auditoria da dívida pode ser o arranque de algo ainda mais fundamental – um novo modo de pesar acerca da economia. Como afirmou Sakorafa, uma auditoria é o começou de uma recuperação de valores e de visão para mostrar "para além dos jogos de especulação no mercado, que há conceitos mais valiosos; há pessoas, há história, há cultura, há decência".

Tal rejuvenescimento da visão política é vital se não se quiser que a crise provoque empobrecimento e estimule hostilidades inter-europeias. No domingo, o economista irlandês Morgan Kelly disse que o seu país estava a caminhar para a bancarrota. Uma reunião secreta de líderes europeus na sexta-feira à noite chegou à mesma conclusão acerca da Grécia – um país que nos dizem estar a perder 1000 empregos por dia e onde a taxa de suicídios duplicou. O pacote de €78 mil milhões do salvamento de Portugal, dependente de um congelamento de salários na função pública e nas pensões, redução de compensações no despedimento de trabalhadores e cortes nos subsídios de desemprego exactamente no momento em que os números do desemprego estão a atingir níveis recorde, terá um impacto semelhante. Por toda a parte emigrantes estão a sair destes países em busca de melhores perspectivas.

Nenhuma quantia de compensação reparará o dano destas políticas que arruinarão a sociedade – como os delegados presentes do mundo em desenvolvimento testemunharam. Não há razão para a Europa esperar 30 anos para aprender esta lição. Um movimento europeu e internacional deve compensar a pobreza de visão dos nossos líderes. Sinto que tal movimento pode ter nascido em Atenas.

 

 

Do mesmo autor:



Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

 

17/Mai/2011

 

 

 

.

publicado por Augusta Clara às 19:00
link | favorito
Segunda-feira, 9 de Maio de 2011

Para sair da crise - por Boaventura de Sousa Santos

Começo por descrever os próximos passos do aprofundamento da crise para de

seguida propor uma estratégia de saída. O que neste momento se está a definir como solução para a crise que o país atravessa não fará mais que aprofundá-la. Eis o itinerário. A intervenção do FMI começará com declarações solenes de que a situação do país é muito mais grave do que se tem dito (o ventríloquo pode ser o líder do PSD se ganhar as eleições).                                                                                                                

 

As medidas impostas serão a privatização do que resta do sector empresarial e financeiro do Estado, a máxima precarização do trabalho, o corte nos serviços e subsídios públicos, o que pode levar, por exemplo, a que o preço dos transportes ou do pão suba de um dia para o outro para o triplo, despedimentos na função pública, cortes nas pensões e nos salários (a começar pelos subsídios de férias e de Natal, um “privilégio” que os jovens do FMI não entendem) e a transformação do SNS num serviço residual.                                                                                                      

 

Tudo se fará para obter o seal of approval do FMI que restabelece a confiança dos credores no país. O objectivo não é que pague as dívidas (sabe-se que nunca as pagará) mas antes que vá pagando os juros e se mantenha refém do colete de forças para mostrar ao mundo que o modelo funciona.

 

Este itinerário não é difícil de prever porque tem sido esta a prática do FMI em todos os países onde tem intervindo. Rege-se pela ideia de que one size fits all, ou seja, que as receitas são sempre as mesmas uma vez que as diferentes realidades sociais, culturais e políticas são irrelevantes ante a objectividade dos mercados financeiros. Feita a intervenção de emergência—que os portugueses serão induzidos a ver como uma necessidade e não como um certificado de óbito às suas justas aspirações de progresso e de dignidade – entra o Banco Mundial para fornecer o crédito de longa duração que permitirá “reconstruir” o país, ou seja, para assegurar que serão os mercados e as agências de rating a ditar ao país o que pode e não pode ser feito.                                                                                                                                                                                  

 

Serão ocultadas as seguintes irracionalidades: que o modelo imposto ao mundo está falido na sua sede, os EUA; que o FMI faz tudo para servir os interesses financeiros norte-americanos até para se defender do movimento que houve no Congresso para o extinguir; que o maior credor dos EUA, a China, e segunda maior economia do mundo tem o mesmo poder de voto no FMI que a Bélgica; que as agências de rating manipulam a realidade financeira para proporcionar aos seus clientes “rendas financeiras excessivas”. Claro que pode haver complicadores. Os portugueses podem revoltar-se. O FMI pode admitir que fez um juízo errado e reverter o curso, como aconteceu na crise da Ásia Oriental em que as políticas do FMI produziram o efeito contraproducente, como reconhece Jagdish Bhagwati, um respeitado economista e free trader convicto, em In Defense of Globalization. Se tal acontecer, não é sequer imaginável que o FMI indemnize o país pelo erro cometido.

 

Perante este agravamento concertado da crise como buscar uma saída que restitua aos portugueses a dignidade de existir? Não discuto aqui quem serão os agentes políticos democráticos que tomarão as medidas necessárias nem o modo como os portugueses se organizarão para os pressionar nesse sentido. As medidas são as seguintes.                                                                                                                                           

 

Realizar uma auditoria da dívida externa que permita reduzi-la à sua proporção real, por exemplo, descontando todos os efeitos de rating por contágio de que fomos vítimas nos últimos meses. Resolver as necessidades financeiras de curto prazo contraindo empréstimos, sem as condicionalidades do FMI, junto de países dispostos a acreditar na capacidade de recuperação do país, tais como a China, o Brasil e Angola. Tomar a iniciativa de promover um diálogo Sul-Sul depois alargado a toda a Europa no sentido de refundar o projecto europeu já que o actual está morto.

 

Promover a criação de um mercado de integração regional transcontinental, tendo como base a CPLP e como carros-chefes Brasil, Angola e Portugal.

 

Usar como recurso estratégico nessa integração a requalificação da nossa especialização industrial em função do extraordinário avanço do país nos últimos anos nos domínios da formação avançada e da investigação científica.



Boaventura de Sousa Santos  Público de 8 de Abril de 2011




 

 

 

 

 

publicado por Carlos Loures às 23:00

editado por Luis Moreira às 22:24
link | favorito
Sexta-feira, 6 de Maio de 2011

Resumo do memorando FMI/BCE/CE - estas existem mesmo - por Luis Moreira

 

  • Despedimento individual por justa causa ajustado

No final deste ano, vai ser apresentada uma proposta com “ajustamentos” nos despedimentos individuais por justa causa. O documento também prevê, para Setembro, a redução das indemnizações por despedimento, nos mesmos moldes que já tinham sido acordados entre parceiros sociais. Assim, as indemnizações vão descer de 30 para 20 dias - sendo 10 financiados pelo fundo de despedimentos a criar. A medida deverá só se aplicará a novos contratos mas o memorando de entendimento avisa que no final de 2011será apresentada uma proposta de revisão da legislação, por forma a abranger todos os trabalhadores mas sem reduzir direitos adquiridos. Em Março de 2012 haverá nova revisão com vista a alinhar o regime de indemnizações com as práticas de outros países europeus e permitindo, simultaneamente, a portabilidade de direitos que os trabalhadores "acumularam" no fundo para despedimentos.

  • Taxas moderadoras vão aumentar e atingem mais pessoas

Aumento das taxas moderadoras até Setembro deste ano indexadas à taxa de inflação. Nesta matéria, as isenções ao pagamento de taxas moderadoras também serão reduzidas. Cerca de 50% da população está isenta do pagamento de taxas moderadoras: doentes crónicos, dadores de sangue, grávidas, crianças até 12 anos, pensionistas que recebam pensão não superior ao salário mínimo nacional, desempregados e seus cônjuges e filhos menores, beneficiários do rendimento social de inserção.

  • Redução da Taxa Social Única para as empresas

As empresas vão passar a descontar menos para a Segurança Social. O programa prevê a redução da taxa social única, mas apenas da parte que é da responsabilidade dos empregadores, como uma das medidas mais importantes para aumentar a competitividade da economia. Para compensar o Estado pela perda desta receita e para não colocar em risco o sistema de pensões nacional, serão tomadas medidas que deverão passar por alterações na estrutura e nas taxas de IVA; cortes permanentes adicionais na despesa; e aumento de outros impostos que não tenham um efeito adverso na competitividade.

  • Mercado imobiliário: aumenta o IMI, baixa o IMT e reduzem também os benefícios fiscais da amortização de emprestimos para compra de casa

Além da retirada gradual da dedução das despesas com a casa no IRS, o IMI vai subir. A isenção de IMI - que varia actualmente entre os quatro e oito anos - será "consideravelmente reduzida até ao final de 2011". Prevê-se uma redução do IMT - imposto pago aquando da compra da casa

  • Sistema bancário: 12 mil milhões para injectar nos bancos e rácios de core tier 1 com novas regras

O empréstimo de 78 mil milhões de euros inclui um pacote de 12 mil milhões de euros para ajudar os bancos portugueses a reforçarem os seus rácios 'core tier I' para 10% até ao final do próximo ano (9% já em 2011).

  • CGD: Não é privatizada, mas deve melhorar posição de capital com recursos próprios

O documento prevê o aumento de capital da CGD e a simplificação da estrutura do grupo através da venda de subsidiárias não core. A concretização deste objectivos vai exigir um programa "mais ambicioso" para além da privatização da Caixa Seguros- braço do grupo CGD para o sector dos seguros- prevista também no memorando. De acordo com o documento, o programa deverá incluir "a venda gradual de todas as subsidiárias não ‘core e, se necessário, uma redução das actividades no exterior". A CGD, que ainda não divulgou os resultados consolidados do primeiro trimestre deste ano, tinha, no final de Dezembro de 2010, um rácio ‘core tier 1' de 8,8% (o rácio ‘tier 1' era de 8,9% e o de solvabilidade de 12,3%).

  • BPN vendido até Julho e sem preço mínimo

O BPN terá de ser vendido, o mais tardar, até final de Julho deste ano e sem preço mínimo. O documento prevê ainda que o Estado venha a assumir os créditos concedidos pela Caixa e os veículos que agregam os activos tóxicos

  • Programa de privatizações para avançar já este ano e inclui REN, Galp, Correios, EDP, Caixa Seguros, TAP, ANA

"The Government will accelerate its privatisation programme. The existing plan, elaborated through 2013, covers transport (Aeroportos de Portugal, TAP, and freight branch of CP), energy (GALP, EDP, and REN), communications (Correios de Portugal), and insurance (Caixa Seguros), as well as a number of smaller firms. The plan targets front-loaded proceeds of about €[5.5] billion through the end of the program, with only partial divestment envisaged for all large firms. The Government commits to go even further, by pursuing a rapid full divestment of public sector shares in EDP and REN, and is hopeful that market conditions will permit sale of these two companies, as well as of TAP, by the end of the 2011"

  • Corte nas pensões acima dos 1.500 euros por mês

Seguindo o mesmo molde dos salários da função pública com cortes entre 3,5% e 10%

  • Empresas do SEE obrigadas a cortar 15% nos custos operacionais
  • Corte de 500 milhões de euros na Administração Central através de eliminação de redundâncias

A ‘troika' vai espera que as autoridades portuguesas apresentem planos de "redução, eliminação e aumento de eficiência dos serviços que não façam um uso eficiente do dinheiro público". Esses planos serão depois avaliados até ao primeiro trimestre de 2012, sendo que os impactos orçamentais desta medida, que consta do memorando de entendimento da ‘troika', se vão estender até 2014.

  • Novo Aeroporto sem fundos públicos, TGV e PPPs suspensos

"Iremos suspender a concretização de todas as novas PPP e grandes projectos de infra-estruturas até que uma avaliação detalhada da respectiva exequibilidade esteja concluída", garante o memorando de entendimento entre o Governo português e a ‘troika' da União Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional (FMI).

  • Golden shares' do Estado são para eliminar até Julho

Entra nesta lista o caso da Portugal Telecom (PT), onde o Estado tem 500 acções de categoria A, que lhe conferem o estatuto de ‘golden share' e, inclusive, poder de veto em assembleia geral. O fim destas regalias estava já em marcha, na sequência da decisão do Tribunal Europeu de sancionar o Estado português. Na mesma linha está a EDP, na qual o accionista estatal tem um conjunto de direitos especiais que o privilegiam face aos restantes accionistas. Tal como na PT, Bruxelas já tinha dado fortes sinais de que esta situação teria de ser eliminada.
Por clarificar fica a situação da Galp. Aqui não é o Estado, mas sim a Caixa Geral de Depósitos, controlada pelo accionista público, que tem um conjunto de direitos especiais, vinculados por um acordo parassocial. O documento fixa como meta o mês de Julho de 2011

  • Menos 8 mil funcionários públicos por ano

Não estão previstos despedimentos na administração pública mas a redução de trabalhadores no Estado é para continuar até 2013. No memorando de entendimento entre o Governo e a ‘troika' que será discutido com a oposição, está prevista a redução de, pelo menos, 1% ao ano dos trabalhadores da administração central e de 2% na administração local e regional. Na prática significa que, por ano, o Executivo terá de garantir que saem do Estado pelo menos cerca de oito mil funcionários

  • Tabaco e automóveis com mais impostos

Deverão igualmente ser revistas todo o tipo de excepções actualmente existentes ao nível dos automóveis, tais como taxas reduzidas que o Imposto sobre Veículos (ISV) permite. Aumentos ficam indexados à inflação. O agravamento destes impostos específicos sobre o consumo (IEC) garantirá ao Estado, em 2012, mais 250 milhões de euros

  • Redução do pagamento por horas extraordinárias

As horas extraordinárias vão render menos aos trabalhadores. A ideia é reduzir o pagamento para um máximo de 50%, quando actualmente este é o valor mínimo. Hoje, as horas extraordinárias são pagas em 50% na primeira hora, 75% nas seguintes e rendem o dobro quando se trata de um feriado

 

 

 

publicado por Luis Moreira às 16:00
link | favorito
Quinta-feira, 5 de Maio de 2011

Já se esqueceram que têm que pagar os 78 Mil Milhões de euros por Luis Moreira

Parece que a última que corre por aí, vem da área comunista e é mais ou menos assim: um amigo tem que dizer a outro amigo que o pai  dele morreu . Incapaz de dizer isto assim, inventa uma estratégia, pede a um tipo que não é amigo para ir dizer ao amigo que lhe morreu a família toda. Quando o pobre do amigo está a carpir as mágoas de tal tragédia, aparece ele com a boa nova, éh, pá, não estejas assim afinal foi só o teu pai que morreu!

 

Assim estão os nossos "maiores" (mentirosos, gaiteiros, incompetentes, sem vergonha) afinal o acordo ( o tal que seria o pior para o país) não contém nem baixas de salários nem cortes nas pensões, nada disso, há só que reduzir meia dúzia de coisas e a coisa vai sem dor e sem dificuldade.

 

Então não vamos ter que receber 78 mil milhõs de euros e não vamos ter que os pagar com "taxa de palmo"? E, onde se vai buscar o dinheiro para pagar aos credores se não há corte de salários, nem de pensões, nem aumentos de IRS, nem racionalização das estruturas do estado? Se não há dor nem mais pobreza?

 

Aí está a "Quadratura do Círculo", mais um feito destes fogosos e inquebrantáveis políticos, que digo eu, estadistas!

 

O dinheiro ainda cá não chegou e já eles se esqueceram que é preciso devolvê-lo acrescido de juros!

 

Meus caros Troika ( que raio de nome) não os controlem não,se eles puderem e mal habituados como estão, gastam a massa e daqui a dois anos estão cá novamente. Eu, se emprestasse dinheiro a estes tipos não saía de cá! O sol é maravilhoso, o peixe o melhor do mundo e o tinto um néctar dos deuses.

 

Fiquem por cá!

publicado por Luis Moreira às 12:52
link | favorito

.Páginas

Página inicial
Editorial

.Carta aberta de Júlio Marques Mota aos líderes parlamentares

Carta aberta

.Dia de Lisboa - 24 horas inteiramente dedicadas à cidade de Lisboa

Dia de Lisboa

.Contacte-nos

estrolabio(at)gmail.com

.últ. comentários

Transcrevi este artigo n'A Viagem dos Argonautas, ...
Sou natural duma aldeia muito perto de sta Maria d...
tudo treta...nem cristovao,nem europeu nenhum desc...
Boa tarde Marcos CruzQuantos números foram editado...
Conheci hackers profissionais além da imaginação h...
Conheci hackers profissionais além da imaginação h...
Esses grupos de CYBER GURUS ajudaram minha família...
Esses grupos de CYBER GURUS ajudaram minha família...
Eles são um conjunto sofisticado e irrestrito de h...
Esse grupo de gurus cibernéticos ajudou minha famí...

.Livros


sugestão: revista arqa #84/85

.arquivos

. Setembro 2011

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

.links