Quinta-feira, 20 de Janeiro de 2011

Malangatana - O Homem e a Obra por Manuel Augusto Araújo

 

Com a devida vénia ao "Avante", vamos publicar em dois dias seguidos um texto sobre a vida e obra do excepcional artista Moçambicano.
Um artista único
Um homem com três metros de altura
Foi um dia de prodígios. Malangatana, apanha bolas no Clube de Ténis de Lourenço Marques, pede a um dos praticantes desse desporto exclusivo dos colonos um par de sapatilhas velhas. Pediu-as a Augusto Cabral, biólogo e pintor, que o manda ir a sua casa, buscá-las. Malangatana vai e encontra Augusto Cabral a pintar. Fica fascinado. Ao pedido das sapatilhas junta o de tinta e pincéis. Quer pintar, não sabe o quê. Só sabe que quer sentir a sensualidade dos pincéis a afagarem uma superfície, a espalhar cores, definir formas, fazer aparecer coisas. Dão-lhe as sapatilhas velhas, pincéis, tintas, umas chapas de contraplacado.
«Vou pintar o quê? O que está dentro da tua cabeça?»

 

O que Malangatana tinha dentro cabeça era um mundo. Florestas de árvores. Florestas de pessoas. Florestas de medos. Florestas de sons. Florestas de mágicas. Florestas de coragens. Florestas fantásticas que naquele dia começaram a correr a ousadia de uma vida interminável.
O miúdo que começara a trabalhar aos 13 anos como pastor, que se iniciara nas práticas das medicinas tradicionais, tinha um tio curandeiro, que viera do campo para a cidade para ser empregado doméstico e andava a apanhar bolas das partidas de ténis entre membros da elite colonial tem, de repente, nas suas mãos as ferramentas de fazer com que o seu tempo passado e o seu tempo presente fossem tempo futuro, como teria dito Álvaro de Campos.
A sua vida cinde-se em duas. De dia é empregado de mesa e apanhador de bolas num clube da elite branca. Fechadas as horas de trabalho vai para a garagem do arquitecto Pancho Guedes, que lhe tinha cedido um espaço, e pinta, pinta as imagens fantásticas que lhe habitam a cabeça. Pancho Guedes apoia-o comprando, todos os meses, quadros a um preço então inflacionado, hoje irrisório. É também em casa de Pancho Guedes que tem um encontro que será decisivo na sua vida. Encontra-se com Eduardo Mondlane, na altura professor na universidade norte-americana de Siracusa e técnico da ONU, que se tinha deslocado a Moçambique a convite do Governo português, por interposta Missão Suíça, com o objectivo de o atrair para colaborar com a administração portuguesa. Mondlane faz-lhe «ver aspectos sobre os quais eu ainda não tinha pensado» (Malangatana, semanário Savana, 2010). Fala-lhe da relevância da cultura do povo moçambicano e da importância do seu trabalho de pintor nesse contexto. Da importância desse trabalho no futuro de Moçambique como país um dia independente. Até lá, na luta pela independência.


publicado por Luis Moreira às 13:00
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Quarta-feira, 18 de Agosto de 2010

Valor económico poupa Pinhal Interior


Luís Moreira


Olhe-se com atenção para o mapa aí em cima, e fácil será constactar que os médios e grandes fogos se concentram no Norte e junto ao mar,(Noroeste) poupando quase inteiramente o interior, as Beiras, O Alentejo, o Algarve. Deve-se a quê esta concentração de fogos?

Ouçamos os especialistas: tal se deve ao maior reconhecimento do potencial económico pelas populações que dependem da floresta.Paulo Fernandes,investigador do departamento de Ciências Florestais e Arquitectura Paisagista da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, descarta que o Pinhal Interior esteja a ser beneficiado por uma meteorologia mais clemente. O Pinhal Interior teve muito menos ignições do que no Noroeste.Castelo Branco e Santarém tiveram duas ignições enquanto Aveiro teve dezasseis.O Porto registou dezanove ignições. Este estudo foi feito a partir de Julho por cada dez Kms quadrados.

Helena Freitas, directora do Jardim Botânico da Universidade de Coimbra, tambem lembrou que em 2003 e 2006, último período chocante e desastroso para a região Centro."Ao contrário do que acontece no Noroeste, o Pinhal Interior tem hoje uma percepção do valor económico da floresta que os levou à criação de mecanismos de prevenção".A Região Centro tornou-se mais apetecível para a biomassa, ao passo que no Norte o estado de abandono é gravíssimo. Por exemplo a Lousã e Oliveira do Hospital têm uma zona de intervenção florestal "bem instalada e activa".

A população do interior olha para a floresta como origem de provimentos para a sua vida, vivem da floresta e isso muda tudo. Para Joaquim Sande da Silva, investigador em fogos florestais, a diferença está no trabalho de prevenção e "não que já tudo tenha ardido e daí não arder mais" e," a vegetação recupera depressa, de tal forma que o que ardeu em 2003 já hoje está pronto para arder".

Não há dúvida que só uma fileira económica da floresta, interessando proprietários, indústria, autarquias e estado poderá contribuir decisivamente para acabar com os fogos!
publicado por Luis Moreira às 13:30
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Sexta-feira, 13 de Agosto de 2010

Reacendimentos...


Fogos de média e alta intensidade.


Diz o João Miranda do Blasfémias que os fogos acontecem porque se juntam as seguintes condições:

a) Ambiente quente e seco b) grandes quantidades de biomassa c) incendiários (naturais ou humanos)

Em a) nada podemos fazer; em b) é preciso transformar a floresta num negócio de outra maneira ninguem limpa nada, só os fogos limpam.Como 80% da floresta é pública, nunca o estado irá conseguir montar o negócio : resta-nos o c) e aí talvez alguem possa explicar porque arde Portugal e não arde a Espanha. Até andam aí os aviões espanhóis, lá não precisam deles.

A seguir aos fogos planta-se novamente, as mesmas espécies e com a mesma densidade arbórea e dificeis acessibilidades, isto é, as zonas ardidas que poderiam servir de "zonas tampão" passam rapidamente a produzir mais biomassa. O mesmo estado que planta, não cuida, não trata, mas mais cedo que tarde vai apagar.Mas pode comprar os meios e equipamentos que quizer, um dia vão faltar, não chegam, e a floresta arde e os bombeiros morrem, a maioria de acidentes de viação, pois andam a cair de cansaço.

E vamos continuar a ter um ministro a dizer que estamos muito bem preparados para o ataque aos fogos, que já apanhamos o idiota lá da aldeia por ter pegado fogo...

Se não se envolverem os agentes económicos locais e autarquias na exploração da floresta, bem pode o ministro dizer que vai tudo bem, com as labaredas em pano de fundo, na televisão mais próxima.
publicado por Luis Moreira às 00:57
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Terça-feira, 27 de Julho de 2010

A floresta das celuloses não arde!


Luís Moreira

Porque será? É eucalipto e pinho, matéria prima para a pasta de papel, mas não arde, ano após ano, arde a floresta do estado e a dos pequenos proprietários.

As celuloses, desde o plantio, passando pelos acessos generosos, a limpeza e a vigia permanente,trata a floresta como uma actividade económica, faz parte de um cluster de actividades, por isso é tratada de forma profissional. Tem a sua própria equipa de gestão florestal e de bombeiros, tudo é feito para que a floresta não arda,bem ao contrário da restante floresta que é vista como um peso, uma potencial desgraça que só trás prejuízo.

Enquanto não houver uma política florestal que transforme a actividade florestal numa actividade económica vai ser sempre assim, por mais aviões, hélios, bombeiros e viaturas que se comprem. Bem sei que o combate aos fogos melhorou como da noite para o dia, mas temos que entrar na faze da prevenção e, isso, só se faz transformando a floresta num negócio lucrativo.

O estado não faz nem deixa fazer, acorre a tudo, é dono de tudo, mas faz tudo mal, e ninguem o chama à responsabilidade. Deixa arder!

Tanta gente no desemprego, nas prisões, que poderiam fazer a limpeza das matas, abrir acessos,tudo seria mais barato e mais decente do que ver, todos os anos, o país pasto de chamas!

Só convertendo a floresta numa actividade lucrativa se acaba com os fogos! É assim tão dificil de perceber?
publicado por Luis Moreira às 22:30
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