Quinta-feira, 31 de Março de 2011

Lançamento do livro "O Princípio Ético" em Évora

 

 

 

 

 

publicado por João Machado às 09:00
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Terça-feira, 25 de Janeiro de 2011

Colóquio Internacional Poincaré. Problems and Perspectives

Colóquio Internacional Poincaré. Problems and Perspectives

 

Caros Colegas e Amigos,

 

 

Vimos lembrá-los que na próxima Quarta-feira terá início o Colóquio Internacional Poincaré. Problems and Perspectives.

 

Esta actividade é organizada pelo Centro de Filosofia das Ciências da Universidade de Lisboa (CFCUL) e pelo Projecto Poincaré (Projecto FCT, PTDC/FIL/64748/2006).

 

O Colóquio decorrerá nos dias 26 e 27 Janeiro 2011, no Anfiteatro da Fundação da Faculdade de Ciências da UL (Edifício C1, Piso 3).

Dentre os oradores, teremos:

Gerhard Heinzman - Université Nancy 2, Archives Henri Poincaré

Shahid Rahman - Université Lille 3

Reinhard Kahle - Universidade Nova de Lisboa/Universität Tübingen

Michel Paty - Université Paris 7, Denis Diderot

António Augusto Passos Videira - Universidade do Estado do Rio de Janeiro

Augusto José Franco de Oliveira - Centro de Filosofia das Ciências da UL

Olga Pombo - Centro de Filosofia das Ciências da UL

Henrique Guimarães - Centro de Filosofia das Ciências da UL

Isabel Serra - Centro de Filosofia das Ciências da UL

Rosário Laureano - Centro de Filosofia das Ciências da UL, ISCTE-IUL

João Paulo Príncipe - Universidade de Évora

Hassan Tahiri - Centro de Filosofia das Ciências da UL

María de Paz - Centro de Filosofia das Ciências da UL, Univ. Complutense Madrid

Carlos Ramos - Universidade de Évora

Laurent Rollet - Université Henri Poincaré (Nancy 1), Archives Henri Poincaré

Scott Walter - Université Nancy 2, Archives Henri Poincaré

 

 

Em anexo, poderá encontrar o CARTAZ, o PROGRAMA e o LIVRO DE ABSTRACTS do Colóquio.

Maiores detalhes, favor aceder à: PÁGINA DO COLÓQUIO

(será passado um certificado de presença a quem o desejar)

 

 

Contamos com a vossa presença.

Com os melhores cumprimentos,

 

CFCUL

3 anexos — Fazer a transferência de todos os anexos (zipado para
Inglês (Latim Multilingue 1)
)
CARTAZ.pdf
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ABSTRACTS.pdf
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Programa Poincaré - web.pdf
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publicado por Luis Moreira às 18:23
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As Imagens Com Que A Ciência Se Faz - Olga Pombo e Silvia Di Marco (orgs.)

coordenação de Augusta Clara de Matos

 

 

Hoje Falamos de...Ciência

O Centro de Filosofia das Ciências da Universidade de Lisboa informou-nos:

 

 

 

A Fim de Século – Edições e o Centro de Filosofia das Ciências da Universidade de Lisboa (CFCUL)

apresentam a sua mais recente publicação

 

AS IMAGENS COM QUE A CIÊNCIA SE FAZ

Olga Pombo e Silvia Di Marco (orgs.)

 

António Bracinha Vieira, Guida Casella, Artur Ramos,

Ana de Barros e Bruno Silva Santos, Marina do Vale,

Raquel Gonçalves Maia, Dinis Pestana,

Paulo Almeida, David Luz, Fátima M. Sousa,

Ricardo Santos, Carlos Marques da Silva,

Maria Estela Jardim, Marília Peres e Fernanda Madalena Costa,

Maria Beatriz Carmo e Ana Paula Cláudio, Teresa Chambel

 

(autores)

 

 

 

Disponível dia 19 de Janeiro de 2011

PVP (c/ IVA): € 25,00

ISBN: 978-972-754-279-6

288 páginas

 

 

Sobre o livro, diz Olga Pombo:

 

"As ciências sempre fizeram imagens. Desde a geometria grega que o destino da ciência se cruza, não apenas com a palavra escrita, mas também com o delinear da figura, com o desenho da forma, com a configuração do espaço. Também hoje, porventura mais do que nunca, as ciências continuam a fazer-se de e com imagens que elas mesmas produzem. Imagens cada vez mais sofisticadas, que envolvem processos de produção sempre novos que a ciência mesma vai tornando possíveis.

 

Imagens que, ontem como hoje, estiveram sempre lá, não apenas para comunicar a outros um saber já constituído, não apenas para tornar fácil o que é difícil, para dar a ver o que já se sabe, mas – suspeitamos nós – para contribuir, de forma decisiva, para a constituição desse saber, para compreender o que sem elas não se compreenderia.

 

Todos olhámos, mas nunca vimos, as imagens com que a ciência sempre se fez. Como se elas não estivessem lá. Como se elas não tivessem que ter estado lá. Pretendemos contrariar este alheamento, esta espécie de desatenção face ao lugar das imagens em ciência. Que funções lhes são atribuídas? Que papel desempenham? Que tarefas lhes estão cometidas? Este livro nasce dessa vontade. Ir ver com que imagens a ciência se faz. Claro está que não nos foi possível obter uma visão panorâmica ou exaustiva. Como seria possível? Contentámo-nos com alguns exemplos.

 

Ainda assim – incompleta e precária –, pensamos que esta amostra, e os quinze estudos que a compõem, é merecedora da vossa atenção"

 

 

O CFCUL comunicou-nos ainda:

 

Vimos lembrá-los que na próxima Quarta-feira terá início o Colóquio Internacional Poincaré. Problems and Perspectives.

 

Esta actividade é organizada pelo Centro de Filosofia das Ciências da Universidade de Lisboa (CFCUL) e pelo Projecto Poincaré (Projecto FCT, PTDC/FIL/64748/2006).

 

O Colóquio decorrerá nos dias 26 e 27 Janeiro 2011, no Anfiteatro da Fundação da Faculdade de Ciências da UL (Edifício C1, Piso 3).

Dentre os oradores, teremos:

Gerhard Heinzman - Université Nancy 2, Archives Henri Poincaré

Shahid Rahman - Université Lille 3

Reinhard Kahle - Universidade Nova de Lisboa/Universität Tübingen

Michel Paty - Université Paris 7, Denis Diderot

António Augusto Passos Videira - Universidade do Estado do Rio de Janeiro

Augusto José Franco de Oliveira - Centro de Filosofia das Ciências da UL

Olga Pombo - Centro de Filosofia das Ciências da UL

Henrique Guimarães - Centro de Filosofia das Ciências da UL

Isabel Serra - Centro de Filosofia das Ciências da UL

Rosário Laureano - Centro de Filosofia das Ciências da UL, ISCTE-IUL

João Paulo Príncipe - Universidade de Évora

Hassan Tahiri - Centro de Filosofia das Ciências da UL

María de Paz - Centro de Filosofia das Ciências da UL, Univ. Complutense Madrid

Carlos Ramos - Universidade de Évora

Laurent Rollet - Université Henri Poincaré (Nancy 1), Archives Henri Poincaré

Scott Walter - Université Nancy 2, Archives Henri Poincaré

Maiores detalhes, favor aceder à: PÁGINA DO COLÓQUIO

http://cfcul.fc.ul.pt/coloquios/coloquio_poincare/coloquiopoincare.htm

 

 

 

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publicado por Augusta Clara às 14:00

editado por Luis Moreira às 18:47
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Segunda-feira, 10 de Janeiro de 2011

Coordenação de Augusta Clara de Matos


Hoje falamos de...

 

 

A minha amiga da onça

 

 

Adão Cruz

 

 


 

 

A conversa que deveria ser com a minha amiga da onça não o é. Desta vez não quero nada, directamente, com ela. Não é que esteja zangado, mas um tanto irritado. Não quero falar com ela mas quero falar dela, ainda que me digam que é má-língua. Ouçam-me, meus caros amigos. Ouçam-me com atenção, pois a vossa compreensão é fundamental para o nosso mútuo entendimento. É com os verdadeiros amigos, independentemente do prazer e da emoção, que a nossa dialógica tarefa se pode aproximar da psicologia cognitivista contemporânea.

 

Eu sei que nunca pensara apaixonar-me desta forma! Lá erótica é ela! Lança as feromonas no ar, hoje e através dos séculos, e depois nada promete, nada garante e tudo atraiçoa. Tantas foram as emboscadas com que me saiu ao caminho que eu, ainda hoje, vivo aterrorizado com a hipótese de ter sido, e de ser ainda, um monte de contradições. Uma análise mais profunda e uma autocrítica mais racional parecem, finalmente, começar a libertar-me desse pesadelo. Para isso muito contribuiram os meus encontros com filósofos como Jean Pierre Changeux, Umberto Eco, Wassily Kandinsky, Alain Prochiantz, Dino Formagio, Ernst Kris, Otto Kurz, Omar Calabrese, Ortega y Gasset, Vicente Jarque e Arthur Danto, entre outros, que me ajudaram a fugir dos campos de concentração do espírito e dos gigantescos congeladores de ideias.

 

De uma forma ou de outra, sempre estivemos convencidos de que amanhã vamos todos acordar com uma pérola no cu. As mais sãs virtudes, as mais finas e puras partículas da nossa substância, consagradas ao fim dos anos numa pequenina preciosidade imortal! Se a ostra o consegue, por que não há-de consegui-lo o Homem, com biliões de neurónios, sessenta biliões de células, noventa e seis mil quilómetros de vasos sanguíneos e seiscentos milhões de conexões por milímetro cúbico de cérebro? Mas foi ela, valendo-se da sua atractiva figura e das suas múltiplas e polifacetadas relações, quem sempre foi criando este espírito, escondendo a própria vulnerabilidade e a fragilidade do seu equilíbrio na caminhada para novos limiares de consciência, reflectidos na pintura como descontinuidades, como roturas insidiosas, ou como profundas alterações na representação do mundo em resposta às forças da história e da vida.

 

No campo tremendamente complexo da sensibilidade do presente e nos domínios da estética e da filosofia da arte contemporânea, há que ter muito cuidado com as manigâncias dessa bela e maquiavélica senhora. A estética, força interpretativa do belo, o belo, sensação e não ideia, a arte, sensibilidade pura cuja essência não é possível captar racionalmente, a arte-estatuto de linguagem são questões histórico-fenomenológicas que sempre lhe coloquei, sem que, alguma vez, tivesse tido a gentileza de me responder de forma convincente e não irónica.

 

 

publicado por Luis Moreira às 14:00
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Domingo, 9 de Janeiro de 2011

Cidade Maravilhosa – 6– por Sílvio Castro

(Continuação)

 

 

Retrato ¾ de um jovem bacharel em direito na “Cidade Maravilhosa”

Em 1953, depois de um exame vestibular muito concorrido e por isso mesmo mais difícil, entrei para a Faculdade Nacional de Direito da Universidade do Brasil. Esta escolha de estudos ocorre em razão dos resultados dos exames vestibulares que no ano anterior eu prestara para Filosofia e Medicina. Desde sempre eu pragramara estudos que unissem minha formação filosófica com aquela médica. Em particular, para uma sonhada união de estudos de Psicologia, do curso de Filosofia, e uma especialização em Psiquiatria, na Medicina. Mas quase tudo se perdeu quando não consegui superar os incríveis exames do vestibular para a Faculdade médica. Começando, entretanto, meu curso de Filosofia, a dupla direção de carreiras agora eu a transferia para os estudos jurídicos, com o novo propósito de apoiar-me nos estudos filosóficos, que terminariam dois anos antes daqueles de Direito, para uma melhor especialização em Direito Penal. E assim foi, até certo ponto...

A vida de estudante da Faculdade Nacional de Direito era muito diferente daquele tranquilo percurso dos estudos na Faculdade da Universidade do Distrito Federal. Na sede histórica da rua Moncorvo Filho, o fervilhar de ações e comoções era quotidiano. Começava pela plena tradição de liderança da vida universitária, não só do Rio de Janeiro, que a Nacional conquistara com as suas atividades várias. A representação dos estudantes se aglutinava no Centro Acadêmico Cândido Mendes (CACO), Centro de muitas histórias, não só no âmbito interno da Faculdade, mas igualmente nas ações políticas sustentadas externamente e sempre em defesa dos mais fracos. No meu período de estudos, a movimentação do CACO para as externações exteriores teve provavelmente seu ápice em 1955, quando a cidade se rebelou ao aumento dos preços dos bondes. Nós, estudantes, tomamos a frente das manifestações em defesa dos trabalhadores que viam suas economias, já pequenas, sofrer um impacto injusto. Como acontece sempre nas manifestações desse tipo, mesmo sendo naturalmente pacíficas, apresentaram-se então episódios de violência e destruição de muitos bondes. Os choques com a polícia militar eram quotidianos, chegando ao máximo de uma tentativa dos policiais de entrar na sede inviolável da Rua Moncorvo Filho. Na oportunidade resistimos ao ataque abusado, dentro da Faculdade de portas cerradas e mandando pelas janelas dos andares superiores do prédio cadeiras, mesas, móveis vários contra os invasores. Foi então que assistimos ao grande episódio do nosso Diretor, o Prof. Pedro Calmom, grande orador e fino retórico, que abria a porta central da Faculdade e se confrontava sozinho com a força policial, dispersando-a definitivamente. Resistimos a toda e qualquer repressão, alcançando finalmente as metas almejadas.

 

 

(Continua)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

publicado por Carlos Loures às 20:00

editado por Luis Moreira às 22:14
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Sexta-feira, 7 de Janeiro de 2011

Cidade Maravilhosa – 4– por Sílvio Castro

(Continuação)

A “Cidade Maravilhosa”, além do seu natural e quotidiano ritmo de vida expressiva, agora convive igualmente com esse acentuado clima de contestação política. A contestação é tão forte que então ninguém conseguia ver claramente o que poderia acontecer com a eleição presidencial de 1955.

Para mim, que devo iniciar minha carreira de ensino, o começo de 1955 se apresenta difícil; difícil encontrar um lugar amplo de trabalho; difícil estabelecer-me com alguma certeza em um determinado posto. Foi então que, de repente, surgiu o primeiro desses postos. Mas, para confirmar as muitas situações de excepção em que me encontrava no início de uma carreira ainda desconhecida, recebo o convite para ensinar Filosofia para as turmas de 2º. e 3º. Anos do 2º. Grau do Colégio Feminino La-Fayette.

publicado por Carlos Loures às 20:00

editado por Luis Moreira às 12:01
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Quinta-feira, 6 de Janeiro de 2011

Cidade Maravilhosa – 3 – Sílvio Castro

(Continuação)

 

 

Retrato  ¾  de  um  jovem  professor  de  filosofia  na  “Cidade Maravilhosa”

Tudo começa concretamente antes do início verdadeiro. E começa em ritmo de valsa, no  grande baile de gala no Clube Municipal pela turma de bachareis da Faculdade de   Filosofia, Ciências e Letras da Universidade do Distrito Federal, do ano 1954. Impecável, mas quase tonto no meu magnífico smoking, danço em viravoltas com Nadyr, muito bela no seu vestido longo. Tenho grande receio de pisar na grande roda do vestido de gala de Nadyr, o que fatalmente acontece depois da meia-noite e de tantos rodopios.

 

Aquela era a festa pelo fim de uma atividade formativa, desejada desde sempre por mim, e que me ocupara quase completamente nos últimos quatro anos. Meu curso de Filosofia foi um decorrer de fortes descobertas. Principalmente nos três anos do bacharelado, quando me confrontei com o desconhecido desejado, guiado por professores de alta professionalidade e cultura. Entre eles, destaco o professor de História da Filosofia, Tarcísio Padilha, pouco mais velho do que o seu aluno, mas que já demonstrava a profundidade de saber e de interesses que o iriam acompanhar nos anos; o professor de Lógica, Júlio Barata, espírito universal, de grande versatilidade cultural, que me desvendava os mistérios de um setor do conhecimento filosófico a que eu dava particular atenção, e que muito me ajudou nos meus estudos jurídicos, começados um ano depois do início daquele de Filosofia. Júlio Barata ocupava igualmente o ensino de Literatura Latina na nossa Faculdade. Quase sempre eu seguia também as suas aulas de literatura, assim como o fazia para com aquelas de Afrânio Coutinho, de Teoria Literária. Uma vez, escutando eu uma das lições sempre brilhantes do Prof. Júlio Barata, e tendo eu interropido o docente para lhe fazer uma pergunta, diante da amplidão, segundo ele, da mesma pergunta, o Professor Barata me disse diante de toda a turma: “Sílvio, porque é que você segue o curso de Filosofia e não o de Literatura?“ Respondi-lhe, talvez com a presunção de todo o jovem de 22 anos: “Porque literatura eu já sei.” A aparente irresponsabilidade da resposta podia ser amenizada porque eu queria dizer, em verdade, que da literatura eu já me sentia de posse do significado mais amplo, enquanto que tudo me faltava da filosofia.

publicado por Carlos Loures às 20:00

editado por Luis Moreira às 20:32
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Sábado, 20 de Novembro de 2010

Deus como problema (3)



Adão Cruz

Por que razão o Papa apelou aos muçulmanos “para que recusem rancores, intolerância e violência como via para suster a propagação do terrorismo e frenar a vaga de fanatismo cruel que põe em causa o progresso e a paz”, e não apelou aos cristãos do lado de cá para pararem as agressões, os assassínios, os assaltos e as invasões? A evidência é demasiado evidente para ser contornada e camuflada.

Quando Saramago fala “nos motivos de natureza política, económica, social, psicológica, estratégica e até moral em que se presume terem ganho raízes os movimentos islamistas agressivos, motivos que levaram à colocação de bombas transportadas às costas em mochilas, e que foram suficientes para que os alicerces da nossa tão luminosa civilização estremecessem e abrissem fendas, criando o mais extremo terror”, só mostra que os pés desta civilização não só são, realmente, de barro, como perderam a mais sólida base de apoio, a mais segura das seguranças, o sentido do Direito, da Moral e da Justiça. Por isso eu não concordo muito com José Saramago quando dá a entender que o problema do Deus de lá e o problema do Deus de cá, o deles e o ocidental são idênticos. Penso que o não são, sobretudo nos tempos que correm. Aquilo que o Deus de cá permite é muito mais terrível, cruel, injusto e sanguinário. Já não falo em Hiroshima e nos muitos Vietnams, ou no quase milhão de vítimas do Iraque, mas lembro apenas, como exemplo, o que se passou no tenebroso massacre de Faluja e no selvagem, bárbaro, irracional e desumano esmagamento de Gaza, que nem os próprios algozes conseguem calar.



“Ainda não consegui que alguém que não acredita no prolongamento da vida para além da morte me desse um argumento válido para ser bom para o meu semelhante”. Isto diz o tal meu amigo, que insiste no prémio, no prémio à dimensão da imaginação humana, porque não pode ser outra, um prémio que consiste na ausência de dor, de sofrimento, de fome, de frio, eventualmente com música celestial, um novo género de música infalivelmente feita de notas iguais às de cá, porque não concebemos outras, por enquanto, possivelmente com asas para dar umas voltas pelos céus do céu, e para os mais cultos que exigem um toque transcendental, a felicidade eterna de estar, finalmente, na magnífica presença de Deus, sorridente e afável, nunca mais temido nem ameaçador, porque, entrados no céu é trigo limpo, nunca mais de lá saímos. O prémio que é indispensável receber além da morte para que seja paga e justificada a procura do equilíbrio da justiça e da verdade da vida!

Apesar das diferenças entre o Deus de cá e o Deus de lá, e dos diferentes prémios celestiais post-mortem, parece que nem dum lado nem doutro o facto de se acreditar no céu consegue argumentos válidos para se ser bom para o seu semelhante. A vida e a história mostram-no frontalmente. Julgo que nesta civilização do petróleo a que Saramago alude, com poços cheios para uns, e para outros apenas a gotícula para o isqueiro, o amigo a que atrás me refiro já está desfasado.

O prolongamento da vida para além da morte, em que acreditam ou fingem que acreditam os únicos que, a seu ver, lhe podem dar um argumento para se ser bom para o semelhante, pouco os incomoda. É certo que a maior parte dos que acreditam não têm poços de petróleo. Mas os que têm poços de petróleo não deixam de louvar e agradecer a Deus e de fingir que acreditam no prémio celestial. Os que não acreditam, os que, a seu ver, não têm argumentos para se ser bom e solidário, são os que mais proclamam que a lastimável situação deste mundo não engana a mais singela das evidências e sempre lutaram e deram a vida para que se saiba que essa mesma situação decorre, exactamente, não da bondade mas da crueldade dos que, em nome de Deus, fazem a guerra e sempre mataram em nome da paz.

(Continua).


(ilustração de Javier de Juan-Creix)


publicado por Carlos Loures às 19:30
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