Sexta-feira, 21 de Janeiro de 2011

E prometeram-nos a modernização das leis do trabalho… por Júlio Marques Mota

 

Sob a direcção de Durão Barroso, assiste-se em Itália à tentativa de destruição de mais um pedaço do Modelo Social Europeu. A acompanhar no Estrolabio, até 28 de Janeiro.

 

  1. Em Itália, os novos acordos sociais assinados na Fiat preocupam o patronato
  2. 

Emma Marcegaglia, a presidente do Medef italiano, teme ver o seu principal membro contribuinte  sair da associação. Um ramo automóvel poderia ser criado especificamente para o construtor

 

O  Director Geral do grupo automóvel Fiat, Sergio Marchionne, reservou a sua primeira deslocação do ano 2011 à Piazza Affari, a Bolsa de Milão. Uma viagem excepcionalmente curta para um homem habituado a passar de Turim, sede  histórica da sociedade, para  Detroit (Michigan) onde a Fiat detém 20%  da Chrysler, mas é duplamente simbólica.

 

Porque Marchionne apenas  assistiu, na segunda-feira 3 de Janeiro, aos primeiros passos no mercado da sociedade da Fiat Industrial (camiões, veículos agrícolas, motores) nascida da cisão anunciada em Abril de 2010 do construtor em dois grupos distintos (a Fiat Industrial e a Fiat Auto), e dirigiu igualmente um sinal aos investidores quanto à  sua determinação de  prosseguir a transformação da empresa para  atingir no futuro uma produção de 6 milhões de veículos por ano.

 

Esta passa antes de mais nada por uma reactivação da produtividade dos sítios italianos do grupo, menos eficientes: quando um trabalhador transalpino produz 29,4 veículos por ano, o seu homólogo brasileiro monta 76, o Polaco, 100. A Fiat por conseguinte imaginou pois uma espécie de troca, o  toma lá dá cá,  draconiana.

 

A empresa compromete-se a manter o emprego investindo 20 mil milhões de euros durante cinco anos na Península, em troca de que os sindicatos são convidados a aprovar um novo contrato de trabalho: a caça ao absentismo, a redução das pausas no trabalho, o aumento das horas suplementares, a aberturas das fábricas ao sábado, o enquadramento  rigoroso do direito de greve…

Depois de  um primeiro acordo obtido em  Pomigliano d’Arco (Campania) onde, no mês de Junho, 63% dos as

salariados aprovaram por referendo a adopção destas novas regras, a Fiat acaba de obter  um novo sucesso no sítio  Mirafiori (Piemonte) onde os sindicatos rubricaram um acordo do mesmo tipo. Aqui também os assalariados foram chamados a pronunciarem-se por voto neste mês de Janeiro.

Só o FIOM ( a federação da metalurgia filiada na  Confederação Geral italiana do Trabalho, CGIL) o denuncia como  “uma chantagem” e interroga-se sobre o conteúdo do plano de reactivação  e não assinou este acordo.

 

Estas novas medidas revogam o direito nacional do trabalho em vigor na metalurgia assinado pela Confindustria, o patronato italiano, e as organizações sindicais. Para contornar esta dificuldade, a Fiat prevê criar novas sociedades sobre os sítios existentes. Tomarão o nome de Fabbrica Itália Pomigliano d’Arc Campanie ou Fabbrica Itália Mirafiori no Piemonte, uma maneira de manter a filiação com “a fábrica italiana de automóveis de Turim” de que  Fiat é o acrónimo.

 

Consequência: estes “newco” (o seu nome italiano) não podem, de facto, aderir à associação patronal. Um momento histórico decisivo tanto a empresa como  a instituição patronal têm estado ligadas. No passado Luca Cordero di Montezemolo, Director Geral da Fiat e actual presidente da Ferrari, foi o presidente do Confindustria. John Elkann, o chefe de fila de Agnelli, que controla 30% da Fiat está na direcção das  instâncias patronais enquanto que o número dois do patronato italiano , Alberto Bombassei, é administrador da Fiat Industrial.

 

Marchionne e Emma Marcegaglia, a presidente do Confindustria, encontraram-se  várias vezes durante este último mês de  Dezembro de 2010, nos Estados Unidos e na Itália, para negociar “a saída da Fiat”, principal contribuinte da associação. A proprietária dos proprietários teria preferido uma ofensiva conjunta  dos  patrões  contra o direito do trabalho e esta enerva-se com a situação de cavaleiro solitário de  Marchionne. Tanto   mais quanto a sua  estratégia, apoiada pelo governo de Silvio Berlusconi e aplaudida pelo centro esquerda, poderia fazer mancha de óleo. “Sair de Confindustria é uma possibilidade mas não uma probabilidade”, declarou segunda-feira  Marchionne de maneira sibilina.

 

Um acordo poderia ser encontrado em torno do conceito “de ruptura provisória” de um ou dois anos. O tempo para o construtor que continua a transformação da empresa sítio por sítio e para a Confindustria  criarem  um ramo automóvel de modo  a  validar os contratos específicos “made in  Fiat”. Depois do que, a empresa voltaria ao  regaço patronal ainda mais tranquilizada quanto ela deveria ser praticamente a única aderente deste novo ramo.

 

Seja como for, a presença de  Marchionne no edifício do Piazza Affari estrimulou as possibilidades de comercialização de Fiat Industrial. O título Fiat terminou a  9 euros enquanto que  Fiat Auto valia  7 euros no final do dia . Em conjunto, os dois valores estão em alta de cerca de  4 % relativamente à última cotação de fecho  de Fiat (15,43 euros).

 

Philippe Ridet,  En Italie, les nouveaux accords sociaux signés chez Fiat inquiètent le patronat, Le Monde, 5 Janeiro de 2011.

 

publicado por Carlos Loures às 20:00

editado por Luis Moreira em 20/01/2011 às 17:34
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