Sexta-feira, 15 de Julho de 2011

Mais uma Ode, de Ricardo Reis

 

 

 

 

 

 

 

Só esta liberdade nos concedem

Os deuses: submetermo-nos

Ao seu domínio por vontade nossa.

Mais vale assim fazermos

Porque só na ilusão da liberdade

A liberdade existe.

 

Nem outro jeito os deuses, sobre quem

O eterno fado pesa,

Usam para seu calmo e possuído

Convencimento antigo

De que é divina e livre a sua vida.

 

Nós, imitando os deuses,

Tão pouco livres como eles no Olimpo,

Como quem pela areia

Ergue castelos para encher os olhos,

Ergamos nossa vida

E os deuses saberão agradecer-nos

O sermos tão como eles.

publicado por João Machado às 07:00
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Terça-feira, 5 de Julho de 2011

5 - Terreiro da Lusofonia - por Carlos Loures

 

 Vamos hoje ouvir Álvaro de Campos na voz de João Villaret

 

 

 

Álvaro de Campos

 

«Nasceu em 15 de Outubro de 1889,

em Tavira, teve uma educação vulgar de Liceu; depois

foi mandado para a Escócia estudar engenharia, primeiro

mecânica e  depois naval. Numas férias fez a viagem ao

Oriente de onde resultou o Opiário. Agora está aqui

em Lisboa em inactividade.»

 

Foi assim, com estas

breves, simples, mas esclarecedoras palavras, que o

criador descreveu a criatura a quem devemos poemas

 como

 

Tabacaria, que vamos escutar na voz única de João Villaret

 

 

 

publicado por Carlos Loures às 11:00

editado por João Machado em 04/07/2011 às 21:05
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Quarta-feira, 29 de Junho de 2011

São Pedro - Fernando Pessoa

 

Fernando Pessoa  São Pedro

 

(ilustrações de Almada Negreiros)

 

 

 


 

Tu, que Diabo?, és velho.

És o único dos trez que traz velhice

Ás festas. Tuas barbas brancas

Têm contudo um ar terno

A que o teu duro olhar não dá razão.

Parece que com essas barbas brancas

Por um phenomeno de imitação

Pretendes ter um ar de Padre Eterno.

 

Carcereiro do céu, isso é o que és.

Basta ver o tamanho d'essas chaves —

As que Roma cruzou no seu brasão.

Segundo aquelle passo do Evangelho

Do "Tu és Pedro" etcetera (tu sabes),

Que é, afinal uma fraude

Meu velho, uma interpolação.

 

Carcereiro do céu, que chaves essas!

Nem dão vontade de ser bom na terra,

Se, segundo evangélicas promessas

Vamos parar, ao fim, a um céu claustral.

Isso — fecharem-me — não quero eu,

Nem com Deus e o que é seu

Que o estar fechado faz-me mal

Até na beatitude do teu céu,

Entre os santos do paraíso,

(A liberdade — Deus dá a Deus —

Um Deus que não sei se é o teu),

O estar fechado, aqui ou alli, dizia eu

Faz-me terríveis cócegas no juizo.

 

Enfim, que direi eu de ti, amigo,

Que não seja uma coisa morta,

Anti-popular, gongorica,

Por fruste deselegante,

Como de quem. sem saber nada. exhausto,

Começo por duvidar bastante,

Desculpa-me chaveiro antigo,

De que tivesses existência histórica.

 

Mas isso, é claro, não importa

Se nos trazes

A alegria da singeleza

Ou a bondade que não sabe ter tristeza.

O peor é que nada d'isso fazes.

O teu semblante é duro e cru

E as barbas que roubaste ao Deus que tens

Só arrancam aos dandies teus loquazes

Ditos de dandies cinicos desdens.

Que diabo, és uma série de ninguens.

O Santo são as chaves, e não tu.


Para uns és S. Pedro, o grão porteiro,

Para outros as barbas já citadas,

Para uns o tal fatidico chaveiro

Que fecha à chave as almas sublimadas.

Para uns tu fundaste a Roma do Papado

(Andavas bêbado ou enganado

Ou esqueceste

O teu posto quando o fizeste)

E para outros enfim, como é o povo

E segundo as ideas que elle faz,

És quem lhe não vem dar nada de novo —

Umas barbas com S. Pedro lá por traz.

 

É difficil tratar-te em verso ou prosa,

Tudo em ti, salvo as barbas, é incerto,

Tudo teu, salvo as chaves, não tem ser

E a alma mais humilde é clamorosa

De qualquer coisa que se possa ver,

Em sonho até, qual se estivesse perto.

 

Olha, eu confesso

Que nunca escreveria

Este vago poema, em que me apresso

Só para me ver livre do teu nada,

Se não fosse para dar um cunho

A este livro da triologia

(Santo António, S. João, S. Pedro —

De popular, que bem que soa!)

 

Mas porque diabo de intuição errada

E que vieste parar a Junho

E a Lisboa?

 

Isto aqui ainda tem

Um sorriso que lhe fica bem,

Que até, até

No teu dia,

(O estupor velho

Como um chavelho,)

 

Nas ruas

O povo anda com alegria,

É fé,

Não em ti nem nas barbas tuas

Mas no que a alegria é.

 

Olha, acabei.

Que mais dizer-te, não sei.

Espera lá, olha

Roma, fingindo que viceja,

Lentamente se desfolha.

Teu ultimo gesto seja

Um gesto volvente e mudo.

Se tens poder milagroso,

Se essas chaves abrem tudo,

Deixa esse céu lastimoso.

Deixa de vez esse céu,

Desce até à humanidade

E abre-lhe, enfim no mudo gesto teu,

As portas do Inferno, e da Verdade.

 

(in  Fernando Pessoa, Os Santos Populares, Edições Salamandra e Casa Fernando Pessoa)

 

(tão desconcertante em relação a São Pedro, como o poema de Fernando Pessoa, é este fado cantado por Amália)


 


 


 

publicado por Augusta Clara às 19:00
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Sexta-feira, 24 de Junho de 2011

São João - Fernando Pessoa

 

Fernando Pessoa  São João

 

(ilustrações de Almada Negreiros)

 

 

 

 

 

 

Ó Precursor, fizestel-a bonita!

Não que teu Christo, incarnação do Bem —

Não seja quem seja o teu Divino Anunciado.

O mal são os que após, sem mystica divina

Nem ternura christã, ou só humana,

Metteram a Jesus na cella da doutrina

Com as algemas do ódio manietado

Para depois manchar de falsa fé

O pobre homem que todo homem é

 

A cruel multidão negramente infinita

Que tem sido o algoz ou o ladrão

Da ingénua humanidade afflicta —

Esses que, aqui mesmo, pelos modos,

Dão ao inferno realisação...

 

Ah, não podiam ser peores, nem

Que a mulher do Diabo, se elle a tem,

Os tivesse parido a todos.

 

Eu bem sei que houve muito santo e crente,

Muito puro, bondoso e inocente.

Bem sei, bem sei:

Sei-o eu e sabe-o toda a gente.

 

Mas esses, cuja alma está em Christo

São só isto —

Qualquer remédio que se dissolvesse

No chá que para isso ha,

E cujo gosto nelle se perdesse;

O chá fica sabendo só a chá.

Se o remédio faz bem,

Não o sabe ninguém.

Que o chá não presta, não duvida alguém.

 

Sabemos isso, e sabel-o hia antes

De todos nós teu Mestre que viria,

Propheta, Deus e guia dos errantes,

Quão dolorosamente o saberia?

Sei que houve astros no céu da fé vazia.

 

Sei, mas repara que falso isso soa!

Por mais astros que a noite use brilhantes,

Que Diabo!, a noite não se chama dia.

 

Ó Precursor! Fizeste-a boa!

 

Dahi, para nós, és de Lisboa,

Não és o precursor de nada.

Es um rapaz ainda menino

Que tem por missão boa,

Por missão sorridente e socegada

Ter ao collo um cordeiro pequenino.

 

Lá o que esse cordeiro significa

Não tem cheiro

Para o povo, que tem a alma rica

Da emoção que não conhece.

Para elle o cordeiro é um cordeiro,

E o menino sorri e a vida esquece.

 

O resto são fogueiras

E os saltos dados a gritar

Com um medo exaggerado

Feito tudo de maneira

A mostrar

O riso, as pernas e o agrado.

E quente e anonyma a aragem,

Tudo é juventude e viço

Num arraial multicolor e vasto.

Bonito serviço

Como homenagem

A quem, ainda com cabeça, foi um casto!

 

Mas é assim que és

E é assim que serás,

Até que pisem esta terra os pés

Do ultimo fado que o Destino traz.

 

Então, esperamos, eu e todos,

Ver-te "surgir no céu", como quem vence

Tudo que é realidade ou illusão

Por o menino ser que lhe pertence,

E os seus bons e santos modos

"Com o cordeirinho na mão",

Como te viu Catullo Cearense.

 

Mas, desçamos à terra,

Que, por enquanto, o céu aterra,

Porque antes d'isso mette a morte.

Ha muita coisa desconhecida

Na tua vida.

Tens muita sorte

Em ninguém saber da partida

Que em mil setecentos e dezassete

Tu fizeste à Egreja constituída

Estás, eu bem sei, cansado

Com o que a Egreja se intromette

Com tua vida e o teu divino fado.

 

(E) foi então que, para te vingar

E à maneira de santo, os arreliar

Desceste mansamente à terra

Perfeitamente disfarçado

E fizeste entre os homens da razão

Um milagre assignado,

Mas cuja assignatura se erra

Quando em teu dia, S. João do Verão,

Fundaste a Grande Loja de Inglaterra.

Isto agora é que é bom,

Se bem que vagamente rocambolico

 

Eu a julgar-te até catholico,

E tu sahes-me maçon.

Bem, ahi é que ha espaço para tudo,

Para o bem temporal do mundo vario.

Que o teu sorriso doure quanto estudo

E o teu Cordeiro

Me faça sempre justo e verdadeiro,

Prompto a fazer fallar o coração

Alto e bom som

Contra todas as fórmulas do mal,

Contra tudo que torna o homem precário.

Se és maçon,

Sou mais do que maçon — eu sou templário.

 

Esqueço-te santo

Deslembro o teu indefinido encanto.

 

Meu Irmão, dou-te o abraço fraternal.

 

(in Fernando Pessoa, Os Santos Populares, Edições Salamandra e Casa Fernando Pessoa)

 

 

Nota: Se não fosse a Carla, não haveria cantiga para o São João porque eu desconhecia esta interpretação da Amália. Vamos ver se alguém descobre uma para o São Pedro.

 

 

 

 

 

 

.

publicado por Augusta Clara às 19:00
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Quinta-feira, 16 de Junho de 2011

Olivença a cidade das oliveiras - por António Marques

 

 

 

António Marques, ex-presidente do Grupo dos Amigos de Olivença, enviou-nos a seguinte reflexão: «20 de Maio de 1801, "Guerra das Laranjas", ocupação de Olivença. Vão passados 210 anos de sequestro da Terra das Oliveiras. E hoje e sempre, o que de Olivença se vê e alcança são Terras de Portugal. Neste 20 de Maio de 2010, guardemos Olivença e os oliventinos.

 

Horizonte

 

O sonho é ver as formas invisíveis 

Da distância imprecisa e, com sensíveis   

Movimentos da es'prança e da vontade,   

Buscar na linha fria do horizonte   

A árvore, a praia, a flor, a ave, a fonte -   

Os beijos merecidos da Verdade.

 

[Mensagem, Fernando Pessoa]

publicado por Carlos Loures às 21:00

editado por João Machado em 15/06/2011 às 18:21
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Segunda-feira, 13 de Junho de 2011

Santo António - Fernando Pessoa

 

(ilustrações de Almada Negreiros)

 

 

S. ANTÓNIO

S. JOÃO

 S. PEDRO

 

 

Ainda que escriptos sobre o thema popular dos três santos lisboetas de Junho,

estes poemas não são, nem pretendi que fossem, populares. Baseados no obscuro

sentido pagão do nosso povo, pretendeu-se que o passassem para outro nível; que,

sendo fieis à emoção simples do povo lisboeta, interpretassem sem obscuridade

desnecessária, com as complexidades naturaes da intelligência.

 Foram escriptos, todos os três, no dia 9 de Junho de 1935. Chronologicamente,

pois, não há nelles erro, salvo se houver qualquer coisa de erro em toda antecipação.

 

9/6/1935

 

Fernando Pessoa

 

 

 

 

 

SANTO ANTÓNIO

 

 

Nasci exactamente no teu dia —

Treze de Junho, quente de alegria,

Citadino, bucólico e humano,

Onde até esses cravos de papel

Que têm uma bandeira em pé quebrado

Sabem rir...

Santo dia profano

Cuja luz sabe a mel

Sobre o chão de bom vinho derramado!

 

Santo António, és portanto

O meu santo,

Se bem que nunca me pegasses

Teu franciscano sentir,

Catholico, apostólico e romano.

 

(Reflecti.

Os cravos de papel creio que são

mais propriamente, aqui,

Do dia de S. João...

Mas não vou escangalhar o que escrevi.

Que tem um poeta com a precisão?)

 

Adeante ... Ia eu dizendo, Santo António,

Que tu és o meu santo sem o ser.

Por isso o és a valer,

Que é essa a santidade boa,

A que fugiu deveras ao demónio.

És o santo das raparigas,

És o santo de Lisboa,

És o santo do povo.

Tens uma aureola de cantigas,

E então

Quanto ao teu coração —

Está sempre aberto lá o vinho novo.

 

Dizem que foste um pregador insigne,

Um austero, mas de alma ardente e anciosa,

Etcetera...

Mas qual de nós vae tomar isso à lettra?

Que de hoje em deante quem o diz se digne

Dexar de dizer isso ou qualquer outra cousa.

 

Qual santo! Olham a árvore a olho nu

E não a vêem, de olhar só os ramos.

Chama-se a isto ser doutor

Ou investigador.

 

Qual Santo António! Tu és tu.

Tu és tu como nós te figuramos.

 

Valem mais que os sermões que deveras pregaste

As bilhas que talvez não concertaste.

Mais que a tua longínqua santidade

Que até já o Diabo perdoou,

Mais que o que houvesse, se houve, de verdade

No que — aos peixes ou não — a tua voz pregou,

Vale este sol das gerações antigas

Que acorda em nós ainda as semelhanças

Com quando a vida era só vida e instincto,

As cantigas,

Os rapazes e as raparigas,

As danças

E o vinho tinto.

 

Nós somos todos quem nos faz a história.

Nós somos todos quem nos quer o povo.

O verdadeiro titulo de gloria,

Que nada em nossa vida dá ou traz

É haver sido taes quando aqui andámos,

Bons, justos, naturaes em singeleza,

Que os descendentes dos que nós amámos

Nos promovem a outros, como faz

Com a imaginação que ha na certeza,

O amante a quem ama,

E o faz um velho amante sempre novo.

 

Assim o povo fez contigo

Nunca foi teu devoto: é teu amigo,

Ó eterno rapaz.

 

(Qual santo nem santeza!

Deita-te noutra cama!)

Santos, bem santos, nunca têm belleza.

Deus fez de ti um santo ou foi o Papa? ...

Tira lá essa capa!

Deus fez-te santo! O Diabo, que é mais rico

Em fantasia, promoveu-te a mangerico.

 

És o que és para nós. O que tu foste

Em tua vida real, por mal ou bem,

Que coisas, ou não coisas se te devem

Com isso a estéril multidão arraste

Na nora de uns burros que puxam, quando escrevem,

Essa prolixa nullidade, a que se chama historia,

Que foste tu, ou foi alguém,

Só Deus o sabe, e mais ninguém.

 

 

És pois quem nós queremos, és tal qual

O teu retraio, como está aqui,

Neste bilhete postal.

E parece-me até que já te vi.

 

És este, e este és tu, e o povo é teu —

O povo que não sabe onde é o céu,

E nesta hora em que vae alta a lua

Num plácido e legitimo recorte,

Atira risos naturaes à morte,

E cheio de um prazer que mal é seu,

Em canteiros que andam enche a rua.

 

Sê sempre assim, nosso pagão encanto,

Sê sempre assim!

Deixa lá Roma entregue à intriga e ao latim,

Esquece a doutrina e os sermões.

De mal, nem tu nem nós merecíamos tanto.

Foste Fernando de Bulhões,

Foste Frei António—

Isso sim.

Porque demónio

É que foram pregar contigo em santo?

 

 

(in Fernando Pessoa, Os Santos Populares, Edições Salamandra e Casa Fernando Pessoa)

 

publicado por Augusta Clara às 19:00
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Ode, de Ricardo Reis

 

 

 

 

 

 

 

Sábio é o que se contenta com o espectáculo do mundo,

E ao beber nem recorda

Que já bebeu na vida,

Para quem tudo é novo

E imarcescível sempre.

 

Coroem-no pâmpanos, ou heras, ou rosas volúveis,

Ele sabe que a vida

Passa por ele e tanto

Corta à flor como a ele

De Àtropos a tesoura.

 

Mas ele sabe fazer que a cor do vinho esconda isto,

Que o seu sabor orgíaco

Apague o gosto às horas,

Como a uma voz chorando

O passar das bacantes.

 

E ele espera, contente quase e bebedor tranquilo,

E apenas desejando

Num desejo mal tido

Que a abominável onda

O não molhe tão cedo.

publicado por João Machado às 10:00
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Segunda-feira, 4 de Abril de 2011

Dobrada à Moda do Porto - Álvaro de Campos

(ilustração de Adão Cruz)

 

 

Álvaro de Campos  Dobrada à Moda do Porto

 

 

Um dia, num restaurante, fora do espaço e do tempo,

Serviram-me o amor como dobrada fria.

Disse delicadamente ao missionário da cozinha

Que a preferia quente,

Que a dobrada (e era à moda do Porto) nunca se come fria.

 

Impacientaram-se comigo.

Nunca se pode ter razão, nem num restaurante.

Não comi, não pedi outra coisa, paguei a conta,

E vim passear para toda a rua.

 

Quem sabe o que isto quer dizer?

Eu não sei, e foi comigo...

 

(Sei muito bem que na infância de toda a gente houve um jardim,

Particular ou público, ou do vizinho.

Sei muito bem que brincarmos era o dono dele.

E que a tristeza é de hoje).

 

Sei isso muitas vezes,

Mas, se eu pedi amor, porque é que me trouxeram

Dobrada à moda do Porto fria?

Não é prato que se possa comer frio,

Mas trouxeram-me frio.

Não me queixei, mas estava frio,

Nunca se pode comer frio, mas veio frio.

 

(in Álvaro de Campos, Poesia, Assírio & Alvim)

 

Ana Moura e Patxi Andion cantam Fernando Pessoa

 

e mais um fado de Ana Moura lembrando Pessoa

 

publicado por Augusta Clara às 19:00
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Segunda-feira, 21 de Março de 2011

DIA MUNDIAL DA POESIA 7 - Autopsicografia - Bernardo Soares (heterónimo de Fernando Pessoa)

Dia Mundial da Poesia

 

(ilustração de Adão Cruz)

 

 

 

 

Bernardo Soares (heterónimo de Fernando Pessoa)  Autopsicografia

 

 

O poeta é um fingidor
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.


E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.


E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração

 

 

publicado por Augusta Clara às 22:00
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Sexta-feira, 18 de Março de 2011

A Republica nos livros de ontem nos livros de hoje, XXIV e XXV, por José Brandão

Da República

(1910-1935)

 

 

 

Fernando Pessoa

 

Ática, 1979

 

O título deste livro é da nossa inteira responsabilidade; nele se reuniram todos os textos conhecidos respeitantes à temática e problemática políticas do período histórico de 1910 a 1935.

 

A divisão em capítulos, que adoptámos, é, também, evidentemente, de nossa inteira responsabilidade, embora se tenham respeitado sempre os títulos da autoria de Fernando Pessoa.

 

Se fosse possível datar os textos reunidos (e pouquíssimas vezes isso acontece), a seriação cronológica seria um bom critério. Porém., na impossibilidade de o implementar, organizámos os textos, em cada capítulo, de acordo com a coerência interna que nos foi possível imaginar, o que se tornou particularmente difícil com os textos reunidos no capítulo 1 «Da Ditadura à República».

 

JOEL SERRÃO

 

_________________________________________________________

 

 

 

De Capa e Batina

 

D. Thomaz de Noronha

 

Lisboa, 1928

 

Eu pertenço àquela geração última que mais bizarras coisas realizou em Coimbra. Connosco, quer dizer, com a nossa abalada das margens do Mondego, faleceu o espírito boémio que caracterizara a vida académica da cidade dos lentes.

 

Depois de nós o estudante passou a ser um peregrino universitário que percorre os cinco anos da sua formatura com o único fito de se apanhar formado. Nada mais o preocupa; nada mais o interessa.

 

Os rapazes agora, como já então os havia, não reparam no que lhe vai em roda e, nem por actos nem por dizeres, procuram dar qualquer feição à época, em que são chamados a animar esse burgo.

 

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publicado por João Machado às 17:00
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