Quinta-feira, 24 de Fevereiro de 2011

LULA e um discurso memorável

Luis Moreira

 

Lula da Silva foi, a todos os títulos, um Presidente excepcional. Os resultados conseguidos em que se deve realçar os 40 milhões de pessoas que saíram da pobreza (com a criação de postos de trabalho); os apoios sociais do estado, os milhões de jovens com acesso à educação. O desenvolvimento de uma poderosa economia, com a cereja no alto do bolo das extensas manchas de petróleo encontradas no off shore que representam uma riqueza incalculável; a luta sem treguas à corrupção e à bandidagem; a reputação do Brasil que é hoje considerado um país do futuro integrando os BRIC.

 

Julgo que ninguém duvida desse trabalho e desses resultados, mas também é verdade que muito foi feito pelo Presidente Henrique Cardoso, que foi um Presidente que lançou as bases de um Estado de Direito, que se manteve acima dos partidos e, que, partiu muita "pedra" no caminho seguro de um país mais justo e mais rico. Há cerca de um ano e meio que estive no Brasil e tive curiosidade de falar sobre este assunto com gente que encontrava, mas que não conhecia, nos hoteis e nos restaurantes nas sortidas nocturnas. Há um grande consenso quanto ao carinho que nutrem por Lula, mas muitas dessas pessoas não deixaram de me chamar a atenção para o trabalho de "sapa" de Fernando Henrique Cardoso.

 

Há também um grande orgulho pela reputação que Lula grangeou em todo o mundo, e por sua vez procuravam saber qual era a nossa opinião enquanto europeus. Disse-lhes que era também com grande orgulho que reconhecíamos um político de nível mundial, a falar a mesma língua.

 

No entanto, encontrei uma Iraniana, brasileira de segunda geração, com as maçãs do rosto salientes de mulher do Oriente e olhos verdes da miscigenação com alemães que nem queria ouvir falar de Lula. Pessoa que falava diversas línguas e que tinha uma Agência de Viagens, que se apressou a dizer-me que trabalhava como guia (segundo emprego) para manter a filha única num dos melhores colégios do Rio. Para ela, a classe "média-alta" a que ela pertencia, não deviam nada a Lula.

 

É, preciso algum distanciamento, mas os resultados, com um país mais rico, mais equitativo não enganam, Lula é mesmo um grande político e foi um grande Presidente. Não se obtêm os resultados que conseguiu por pura sorte ou porque se acredita na Senhora da Caravagio. Só com muito trabalho e muito saber se obtêm resultados!

 

Veja aqui este vídeo com um discurso memorável de Lula.

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publicado por Luis Moreira às 13:00
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Segunda-feira, 20 de Setembro de 2010

Boaventura de Sousa Santos no Estrolabio - A Esquerda é Burra?


A frase “a esquerda é burra” é de autoria de Fernando Henrique Cardoso (FHC), sociólogo de renome internacional e Presidente do Brasil entre 1995 e 2003. Ficou famosa pelo simplismo com que desqualificava os adversários das políticas neoliberais do seu governo. Curiosamente tais políticas desqualificavam tudo o que ele antes tinha escrito enquanto sociólogo, o que o levou a pronunciar outra frase que ficou igualmente famosa: “esqueçam tudo o que eu escrevi”.

Tive ocasião de discutir com ele o significado da frase sobre a esquerda. Discordava do seu sentido mais óbvio e intrigava-me a sua arrogância. Para FHC a frase tinha vários significados: a esquerda ainda não entendera que o neoliberalismo era a única solução para a economia mundial e a melhor garantia contra as propaladas crises do capitalismo; o principal líder da esquerda, Inácio Lula da Silva, era um operário ignorante e sem preparação para governar o país; a esquerda estava minada pelo fraccionismo e nunca se uniria (ao contrário da direita) para assumir o poder. Tragicamente para FHC e seus aliados a frase mostrou-se errada em todos os seus significados desde a eleição de Lula até à crise do agora defunto (ressuscitará?) neoliberalismo.

Mas, apesar disso, a frase ficou como um fantasma da esquerda brasileira, como se a esquerda tivesse de demonstrar a cada momento que não era burra e como se o mesmo ónus não impendesse, por outras razões mas com a mesma justificação, sobre a direita, ela sim, afinal perdedora. É sabido que os fantasmas, tal como os espíritos, atravessam tempos e fronteiras. Tal como discordei da caracterização simplista da esquerda brasileira, discordaria dela se aplicada à esquerda portuguesa. Apesar disso, ante os actos eleitorais que se aproximam, pergunto-me se, a título preventivo e como dúvida metódica, não fará sentido pôr a questão: será a esquerda portuguesa burra? Ou melhor: nos próximos actos eleitorais quem se revelará menos burra, a esquerda ou a direita? Ao contrário dos confusionistas do costume, dou de barato que há esquerda e direita. Tanto uma como outra são plurais, estão divididas em vários partidos e em várias tendências dentro de cada partido. Se tomarmos como referência as últimas eleições para o parlamento europeu e talvez a maioria dos actos eleitorais desde o 25 de Abril de 1974, os portugueses votam maioritariamente à esquerda. De algum modo, a ideia de solidariedade social tem-se sobreposto à de darwinismo social, a ideia de um Estado protector à ideia de um Estado predador, a ideia do bem público à ideia do interesse privado. E se é verdade que a esquerda governante tem frustrado consistentemente as expectativas que decorrem destas ideias, não é menos verdade que os portugueses têm teimado em crer que tal não é uma fatalidade e que a direita não oferece uma alternativa excepto em desespero de causa. Daí que as frustrações com a esquerda governante se tenham traduzido, menos no crescimento da direita, do que no crescimento de opções pela esquerda até agora não governante, um fenómeno inédito na Europa de hoje. Em face disto, e a menos que os portugueses se sintam numa situação de desespero de causa, podemos concluir que, se nos próximos actos eleitorais a direita ganhar, a esquerda é mais burra que a direita.

Nas condições portuguesas, a esquerda corre o risco de ser mais burra que a direita por duas razões principais: confundir-se com a direita; dividir-se ao ponto de não poder unir-se no principal: impedir a eleição de um governo de direita. Pelo que disse acima, quando a direita se tenta confundir com a esquerda (o que tem acontecido frequentemente) corre sempre menos riscos que a esquerda quando esta se confunde com a direita. Por outro lado, a direita tem uma história unitária muito mais consistente que a esquerda. Para que estes riscos se não concretizem, as esquerdas têm de mostrar aos portugueses que o coração da esperança continua a bater mais fortemente que o coração do desespero. Não é tarefa fácil mas não é impossível. E isto que é válido para as eleições legislativas é igualmente válido para as eleições autárquicas. No que respeita a estas últimas, o caso de Lisboa será paradigmático. Parece óbvio que só por desespero se pode votar no candidato da direita. Por sua vez, o candidato principal da esquerda é um dos mais brilhantes políticos da nova geração de líderes de esquerda, só comparável ao líder da esquerda mais inovadora da última década. Se ele sair derrotado nas próximas eleições, obviamente a esquerda é burra. Espero vivamente que tal não seja o caso.

 (Publicado na revista "Visão" em 30-07-2009)
publicado por Carlos Loures às 21:00
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