Terça-feira, 12 de Outubro de 2010

O saber das crianças e a psicanálise da sua sexualidade –5: por Raúl Iturra.


O texto de Freud sobre A organização genital infantil, quer pela sua importância quer, ainda, por estar em português, introduzo-o no miolo do presente trabalho, para melhor entendermos esta temática:

Fase Fálica

Terceiro estágio do desenvolvimento psico-sexual. Pela primeira vez, na obra citada, datada de 1923, Freud define a fase fálica (3-5 anos de idade), subsequente às fases oral e anal, que são organizações pré-genitais.

Essa fase corresponde à unificação das pulsões parciais sob a primazia dos órgãos genitais, sendo uma organização da sexualidade muito próxima à do adulto (fase genital).

Nos Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade (1905), Freud compara as fases fálicas e genitais: "Essa fase, que merece já o nome de genital, onde se encontra um objecto sexual e uma certa convergência das tendências sexuais sobre esse objecto, mas que se diferencia num ponto essencial da organização definitiva por ocasião da maturidade sexual: com efeito, ela apenas conhece uma única espécie de órgão genital, o órgão masculino... Segundo Abraham [1924], seu protótipo biológico é a disposição genital indiferenciada do embrião, idêntica para ambos os sexos." [SE, VII, CDROM]

Assim, Freud postula que meninos e meninas, na fase fálica, estão preocupados com as polaridades fálicas e castrado e acredita que as crianças não têm nenhum conhecimento da vagina nesse período.

A descoberta das diferenças anatómicas entre os sexos (presença ou ausência de pénis) motiva a inveja do pénis nas meninas e a ansiedade de castração nos meninos, pois o complexo de castração centraliza-se na fantasia de que o pénis da menina foi cortado.

A principal zona erótica das meninas localiza-se no clítoris que, do ponto de vista de Freud, é homólogo à glande (zona genital masculina). Para expandir estas ideias veja-se Anexo 4.

Klein, Horney e Jones consideram que a menina tem um conhecimento intuitivo da cavidade vaginal e os conflitos da fase fálica apenas desempenham uma função defensiva em relação às suas ansiedades relacionadas com a feminilidade.

Durante a fase fálica, o culminar do Complexo de Édipo (que conota a posição da criança numa relação triangular), segue diferentes caminhos para ambos os sexos, no processo de sua dissolução: ameaça de castração (meninos) e o desejo de um bebé como um equivalente simbólico do pénis (meninas).

Ao pensarmos nas palavras de Freud, podemos ver que o caso das bolachas era um desafio perante a castração que o pai faz com a infância. O pai tenciona mandar e ser obedecido e subsume ao descendente a sua ideia de falo. A criança, sem saber, defende-se até com fantasia. Lembro o dia das Festas da Primavera, quando o menino de quem falo – eu –, já com quatro anos, participa pela primeira vez, com um fato de cowboy como deve ser: chapéu, calças, revolver que dispara tipo fogo-de-artifício e que diz à sua namorada, bem mais velha do que ele: “como vou participar, parece que este ano vamos cantar em inglês”, atitude fantasiosa porque no Chile da criança, só se fala castelhano tipo andaluz, sendo, então, uma exibição fálica como Freud teria dito, para desafiar o pai e a família toda. É verdade que em casa, uma quinta isolada, falava-se em inglês, imensas vezes, especialmente com os associados do Senhor Engenheiro Pai. Atitude de resiliência desnecessária. Ou talvez importante para as touradas subconscientes do Pai da casa, defesa do menino, pré-consciente que começa a observar e faz dele um pequeno garanhão que o Pai não admite por causa do seu dever fálico do seu consciente cultural de castrar a família toda e assim mandar. Nem com todos foi capaz de impingir esse terror esperado dos pais como comportamento cultural, ainda menos com a criança que se considerava especial, capaz de inventar jogos, escrever poemas e encarapuçar-se dentro da quinta até ao dia em que reparou que nem todos eram iguais, que ele não era o melhor. A castração final do pai verificou-se quando o rapaz conseguiu sublevar os trabalhadores contra o patrão, quer na indústria, quer nas terras de latifúndio, bem ao sul da quinta ao pé do Pacífico. Começando a praticar a igualdade a Babeuf....

O conceito segunda via, faz parte da gíria . Entre os membros de um sistema administrativo, é um falar de forma burocrática, é uma linguagem que faz parte da burocracia de qualquer Estado, País ou Nação, apesar de ter sido criada pela administração do Estado Francês. Essa segunda via é solicitar cópia de um papel perdido, necessário para requisitar um valor ou um serviço. Uma segunda via é a passagem para mais um texto do qual se tinha solicitado uma cópia padrão primeiro, essa denominada, no jargão da burocracia, uma primeira via .
 
Notas:
 
Texto a ler em: http://www.geocities.com/mhrowell/fase_falica.html



O Dicionário de língua portuguesa em linha que me apoia diz: s. m., linguagem usada em situações informais e que se desvia da norma; linguagem peculiar de certas artes, ofícios, actividades; gíria, em:


http://www.priberam.pt/dlpo/definir_resultados.aspx

Do Francês, bureaucraties. F., modo de administração em que os assuntos são resolvidos por um conjunto de funcionários sujeitos a uma hierarquia e regulamento rígidos, desempenhando tarefas administrativas e organizativas caracterizadas por extrema racionalização e impessoalidade, e também pela tendência rotineira e pela centralização do poder decisivo; classe dos funcionários públicos, especialmente os funcionários do Estado.

O dicionário que me ajuda a definir, diz: fig., meio, modo de obter ou conseguir qualquer coisa; desígnio; método; sistema, em: http://www.priberam.pt/dlpo/definir_resultados.aspx

(Continua)
publicado por Carlos Loures às 15:00
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