Domingo, 6 de Março de 2011

Uma entrevista com Fèlix Cucurull – por Carlos Loures

Uma entrevista com Fèlix Cucurull – por Carlos Loures

 

 

Num suplemento de O Templário, um jornal de Tomar, suplemento criado por um grupo de jovens entre os quais além de mim, se contava o nosso Manuel Simões, e a que chamámos significativamente Labareda, publiquei uma série de entrevistas – uma delas com o maestro Fernando Lopes Graça, natural de Tomar, a qual foi transcrita em numerosos jornais e revistas. Antes dessa, uma outra que também teve bastante repercussão foi a que fiz a Fèlix Cucurull em Dezembro de 1963. Como já aqui tenho dito, na primeira metade dos anos 60, travei amizade com o escritor catalão Fèlix Cucurull que estava em Portugal com uma bolsa da Gulbenkian para fazer um estudo sobre o "homem português e o trabalho".

 

Não vou reproduzir aqui a entrevista e apenas referirei um aspecto – aquele em que Fèlix Cucurull analisava o estado da Cultura e do Ensino nos dois países -  Portugal e Catalunha. E dizia:

 

«Nota-se, antes de mais nada, que a língua catalã, veículo normal de expressão entre os catalães, actualmente não está autorizada nas escolas. Isto, pedagogicamente, causa graves dificuldades. No resto, acho que tanto no meu país como em Portugal, o sistema de Ensino é bastante defeituoso; mas, pelo que estou a observar enquanto percorro as terras portuguesas, aqui o Ensino oficial conta actualmente com maior número de instalações. E se o nível médio de cultura das massas populares é, neste momento, ligeiramente mais alto na Catalunha, deve-se ao esforço individual – um esforço que custa muitos sacrifícios – e de entidades não oficiais. Contudo, noto uma inquietude entre a juventude portuguesa que, muito cedo, pode levar a um total nivelamento entre as massas dos dois países.»

 

Cucurull referia-se a um fenómeno que aqui relatei num texto a que chamei «serões da província» - as reuniões sociais dos oposicionistas, onde se ouvia música, se bebia, e trocava impressões sobre os livros que saíam e, muitas vezes, eram proibidos. Sobre os movimentos estudantis, sobre as prisões, sobre a Guerra Colonial… Nestas reuniões circulavam muitos boatos, mas era a forma que tínhamos de contrapor à omnipresente propaganda do Estado, a nossa propaganda.

 

Com Cucurull, tinha feito uma espécie de digressão por todo o País, apresentando-o a amigos nesses tais serões. E o Fèlix dizia-me da surpresa que lhe causava este fenómeno, esta forma de resistência. Há um livro do nosso Hélder Costa que salienta, com humor e argúcia, o quanto nos divertíamos nessa época - «O Saudoso Tempo do Fascismo» - aliás, cedeu ao Estrolabio os direitos de reprodução, pelo que não adiantarei mais nada sobre esta obra que em breve todos os que ainda a não conhecem poderão ler aqui.

 

 

Panfletos eram trocados, dava-se dinheiro para diversas causas. Era uma forma de resistir e de contrariar a «informação» que nos era imposta. Informação de que os múltiplos suplementos literários que existiam por todo o país (uma espécie de blogues) veiculavam  na medida do possível, tentando - e conseguindo, por vezes - ludibriar a Censura.Nesta entrevista, Fèlix Cucurull, aludia a esse fenómeno - «os suplementos literários portugueses, acho que em geral, superam as secções literárias da minha terra, no facto de dar uma mais completa informação e as suas secções de crítica costumam estar a cargo de penas muito solventes».

 

 

 

publicado por Carlos Loures às 12:00
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