Domingo, 19 de Junho de 2011

O José Magalhães convida-nos para uma nova exposição

e diz-nos:

 

No próximo dia 2 de Julho vamos, o Grupo F4, inaugurar um espaço denominado PORTA 22. O Porta 22 fica situado na rua do Ferraz, no Porto, com o número de polícia que o seu nome indica.

A par dessa inauguração vamos, este mesmo grupo F4, apresentar uma Mostra Colectiva de Fotografia.

Em anexo, envio-vos o convite para a inauguração e o panfleto da exposição.

Terei um enorme prazer em poder ver-vos por lá, na data indicada, a partir das 16h.

 

 

Não esqueçamos que na próxima segunda-feira, dia 20 de Junho, entre as 21 e as 24 horas, se realiza aqui no Estrolabio uma exposição de fotos de José Magalhães acompanhados de poemas de diversos poetas.

publicado por Carlos Loures às 16:00

editado por Augusta Clara às 01:37
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Domingo, 12 de Junho de 2011

Momentos - mostra de fotografia de José Magalhães, em Matosinhos

 

José Magalhães  Momentos (mostra de fotografia)

 

"A Cup of Tea", Matosinhos

 

11/6 a 9/7/2011 

publicado por Augusta Clara às 11:00
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Sábado, 11 de Junho de 2011

O Fardo das Imagens - Adelino Lyon de Castro

A pedido do Rui de Oliveira publicamos uma adenda à Agenda Cultural desta semana contendo uma correcção à data de encerramento da exposição de Adelino Lyon de Castro presentemente no Museu do Chiado (textos retirados do site do museu:  http://www.museudochiado-ipmuseus.pt/pt/node/971 )

 

 

Adelino Lyon de Castro  O Fardo das Imagens (1945-1953)

Curadoria de Emília Tavares

07.04.2011 - 19.06.2011

 

 

                                                                     Piso 2

 

Adelino Lyon de Castro
O Fardo das Imagens (1945-1953)
Vista da exposição

Sala dos Fornos - Piso 2
Foto Luís Piorro 

 

 

Em 2009, O Museu Nacional de Arte Contemporânea – Museu do Chiado recebeu a generosa e importante doação, por parte de Tito Lyon de Castro, do espólio fotográfico de Adelino Lyon de Castro. Muito embora tenha sido uma figura de destaque do meio editorial e das letras, tendo fundado com o seu irmão, Francisco Lyon de Castro, as Publicações Europa-América (1945), a sua actividade como fotógrafo é praticamente desconhecida. Foi, sobretudo, um fotógrafo amador, muito embora tenha realizado algumas reportagens, sem dúvida, a mais relevante sobre os Jogos Olímpicos de Helsínquia em 1952. Apesar da sua breve actividade fotográfica, que podemos estabelecer entre meados da década de 1940 e 1953, ano da sua morte, Lyon de Castro produziu um conjunto de imagens cuja temática se apresenta coesa e consistente com as suas ideias políticas de oposição ao Estado Novo, assim como ao ideário de um socialismo humanista. O MNAC- Museu do Chiado apresenta, assim, um conjunto inédito de 70 imagens que nos dão a conhecer a face não oficial, e reprimida, da sociedade portuguesa durante o Estado Novo. Nas imagens de Adelino Lyon de Castro é privilegiado o olhar sobre as mais duras condições de vida dos trabalhadores ou dos excluídos da sociedade, sob a inspiração do ideário do “romantismo revolucionário”(Henri Lefebvre) tão influente para alguns neo-realistas, O fotógrafo legou-nos um extraordinário e inesperado diário visual do labor, da pobreza e da exclusão enquanto estados de degradação social, e do papel que a fotografia pode ter enquanto meio de denúncia e ensinamento sobre a realidade. Oportunidade também para reflectir sobre os contornos sempre híbridos e insuficientes de representação da realidade através, da leitura e apresentação comparada com as imagens de Lyon de Castro, dos retratos de mendigos do século XIX de Carlos Relvas, dos inventários visuais populares do Estado Novo, de imagens da imprensa panfletária da época e ainda de algumas obras de pintura modernista da colecção MNAC-Museu do Chiado.

 

Emília Tavares

 

Comissária

 

 

“Ao não instruído é tão difícil ler uma imagem como qualquer hieróglifo”, afirmava Ruth Berlau, colaboradora próxima de Bertolt Brecht, em nota no álbum ilustrado daquele autor, ABC da Guerra (1955). Ensinar a ler as imagens fazia parte de todo um programa de transformação social em que a cultura era essencial, em que a consciência do poder manipulatório e enganador das imagens podia ser convertido numa alfabetização sobre todo o complexo de exploração e dominação do sistema social e político. Este aspecto é fulcral para a análise e leitura da obra fotográfica de Adelino Lyon de Castro, sobretudo, quando o cruzamos com as históricas discussões que o movimento neo-realista teve para elaborar uma estética que fosse acessível ao povo ignorante. Colocar os trabalhadores e os excluídos como tema principal em todas as formas de expressão artística não fazia por si só a revolução, era necessário operar todo um processo de consciência da desigualdade social que só assim podia tornar verdadeiras e legíveis as “penas e fadigas do labor”. É por isso significativo que nas imagens de Lyon de Castro exista esse permanente foco nos corpos que cedem perante o “oscilar sob uma carga”, no sentido desse estado de pobreza que se torna abjecta porque “coloca os homens sob o absoluto ditado dos seus corpos, isto é, sob o absoluto ditado da necessidade”(Hannah Arendt). O movimento neo-realista português assimilou de forma esparsa, superficial e insuficiente a capacidade de representação do real da fotografia. Dedicou-lhe alguma atenção pelo pensamento de Mário Dionísio que viu nela uma forma de actuação, interpretação e transformação da realidade, podendo assim defender até a sua feição mais naturalista, na esteira de Henri Lefebvre e do seu “romantismo revolucionário”. As fotografias de Lyon de Castro realizam, assim, esse incessante e híbrido destino de representação da realidade, ao mesmo tempo que reafirmam: “não existe realismo crítico sem crítica prévia ao realismo”. (Georges Didi-Huberman).

 

Emília Tavares


 

A obra fotográfica de Adelino Lyon de Castro, pelo seu carácter de representação social e realista da sociedade, invoca também uma reflexão essencial sobre o papel da fotografia e da sua repercussão na representação do real e da sua relação com a verdade. A fotografia estabeleceu com a representação da realidade novos compromissos, dada a sua natureza ontológica de reprodução mimética da mesma, logo, detentora de valores e índices de “verdade”, impossíveis a qualquer outra forma de expressão artística. Assim, nesta sintética e prolixa apresentação de obras equacionam-se alguns dos limites, possibilidades e paradoxos de representação do real e das contingências estéticas, mas também ideológicas, a que a arte e a fotografia, em particular, têm tido de corresponder. Por um lado, a inclusão dos anónimos e desfavorecidos nos temas da arte, desde o século XIX, corresponde a um primado do realismo a que os ecos das revoluções sociais vieram dar corpo ideológico, mas que se esvaziariam na voracidade do consumo burguês pelo exótico. Por seu turno, a politização de alguns dos principais movimentos artísticos, como o Neo-Realismo, trouxe novas problemáticas, como a forma estética mais eficaz de representar a realidade, mas também de divulgar e formar consciência social através da arte. Entre os mendigos encenados de Carlos Relvas e a tipificação pitoresca dos camponeses por parte do Estado Novo, estabelece-se uma forma de representação que retira ao indivíduo a sua espessura para o enquadrar em arquétipos sociais, adequadamente generalistas que o reduzem a uma imagem global, tal como uma marca. O Modernismo português viveu também sempre em resolução, entre a realidade nada harmoniosa de Mário Eloy ou a realidade composta de Abel Salazar, hibridismo que a fotografia chamou a si, quando a resolveu sob o vasto olhar entre um realismo poético e um naturalismo revolucionário. Em qualquer dos casos, a fotografia portuguesa soube, no seu contexto “fronteiriço”, ir dando expressão ao “fardo” ideológico da imagem. Ainda que prevaleça a questão, sendo “a realidade dita social dupla, múltipla e plural. De que maneira assegura ela uma realidade?” (Henri Lefebvre), a que a imagem possa conferir representação.

 

Emília Tavares

 

 

publicado por Augusta Clara às 09:00
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Sexta-feira, 3 de Junho de 2011

A Exposição e a Resposta do Adão Cruz ao António Gomes Marques

 

 

 

O Vídeo da Inauguração da Exposição

 

 

 

O Jardim apresenta hoje uma reportagem da inauguração da exposição de pintura de Adão Cruz na Galeria Zeller, em Espinho no passado dia 14 de Maio. 


 

Adão Cruz  Pequeno comentário ao texto de António Gomes Marques

 

 

Não quero perder tempo a ajuizar se mereço ou não este belo texto do António.

 

Sinto que as suas palavras são de uma tão diáfana espontaneidade e de uma tão notória sinceridade que criam em mim um sentimento de transparência que há muito não tinha, e que me permite ver com mais nitidez que a arte é uma relação de vida, uma profunda e poderosa relação de vida que se estabelece através da poesia, a mais nobre e sublime expressão do entendimento da realidade.

 

As palavras do António conseguem iluminar, como se fosse dia, as ruas da nossa cidade interior, por vezes ensombradas pelo difícil caminho através do qual aprendemos a viver a vida da arte para tentarmos criar a arte da vida. São palavras que nos lembram as amargas trevas que por vezes nos invadem por sermos homens, já que o Homem é um ser atravancado de mitos. E lembram-nos que a arte e a poesia, caminhando de mãos dadas com a razão e a matéria pura, são a força e a energia indispensáveis no espinhoso percurso que vai da prisão à liberdade.

 

As palavras do António são palavras que inesperadamente me conduzem a um local de encontro comigo mesmo, desses muitos encontros que se foram perdendo ao longo da vida. Por isso elas entraram em mim de forma tão agradável.

 

Com esta honestidade de pensamento e com esta suavidade e delicadeza de sentimentos, o texto do António conseguiu tocar o cerne da minha relação com o mundo e criar em mim a magnífica sensação de que essa relação tem vida e é inegavelmente o sangue da nossa existência.

 

Muito obrigado António.

 
publicado por Augusta Clara às 19:00
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Quinta-feira, 2 de Junho de 2011

«rente ao cair da folha», uma exposição de Adão Cruz - António Gomes Marques

 

António Gomes Marques  «rente ao cair da folha», uma exposição de Adão Cruz

 

No regresso de uma viagem em serviço ao Porto, fiz um pequeno desvio para ver a exposição de pintura do Adão Cruz, na Galeria Zeller, em Espinho, desvio que me deu oportunidade de, por fim, ver ao vivo alguns quadros do pintor, dado que apenas conhecia reproduções em livros que têm vindo a ser editados, para além das fotografias divulgadas no «estrolabio».

 

Não poderia ter ocupado melhor aquele tempo. Gostei muito do que vi.

 

Quando vejo uma exposição de pintura, vou sempre a pensar qual dos quadros gostaria de ver pendurado nas paredes da minha casa. Nesta exposição senti que escolheria vários.

 

Há quem diga que a pintura é para uma elite cultural, dado que o comum dos mortais não tem capacidade para apreciar arte tão maravilhosa, do que discordo profundamente. Criem condições para que as pessoas tenham acesso a estas manifestações, levem os estudantes a visitas periódicas a museus e a exposições, tornem-nas mesmo obrigatórias no ensino secundário, ou seja, criem-se hábitos e depois veremos o resultado.

 

Ao ver esta exposição de Adão Cruz fui pensando em tudo isto, mas o que me faltava compreender era a razão desta pintura.

 

Na impossibilidade de adquirir pelo menos um dos quadros, e eleger um não me seria fácil, - a crise também não facilita e esperemos que não venha a haver alguém, um dia, a dizer que, afinal, o Medina Carreira era um optimista! - resolvi então comprar um dos livros, «Um gesto de silêncio», que reproduz muitos dos quadros expostos que tinha acabado de ver. Folheando o

livro, cheguei ao texto que o finaliza, de Eva Cruz, irmã do pintor, ficando a saber que, para além de nascer e crescer «na pequena aldeia das Figueiras do Concelho de Vale de Cambra», foi nesta vila (cidade desde Maio de 1993) que começou a exercer medicina. Escreve a sua irmã: «No fim do estágio, um grupo de amigos montou-lhe o seu primeiro consultório pessoal, a partir do qual se dedicou de alma e coração ao sofrimento de todo o povo de Vale de Cambra e concelhos limítrofes, numa altura em que a Medicina dava um salto científico e qualitativo entre o empirismo do passado e a medicina moderna.» Era isto que me faltava saber e julgo não me enganar nas conclusões a que cheguei.

 

Na pintura de Adão Cruz sinto as vivências do médico, testemunha privilegiada do sofrimento daquele povo, mas também do poeta que ama a natureza, cheia da beleza colorida que rodeava as gentes da zona. Adão Cruz foi testemunha do sofrimento do seu povo e, na sua pintura, sinto que sofreu em profunda solidariedade com os seus conterrâneos.

 

Lembro os tempos das grandes polémicas à volta dos conceitos de naturalismo, realismo, abstraccionismo, objectivismo, subjectivismo e vários outros ismos, que em vez de nos esclarecerem mais nos perturbavam a espontânea apreciação do que aos nossos olhos os artistas apresentavam para que pudéssemos, livremente, sem preconceitos, fruir da arte que produziam. Pessoalmente, valeu-me o convívio e a leitura de autores como Fernando Lopes Graça e Mário Dionísio, de Costa Ferreira, Rogério Paulo e Luís Francisco Rebello, para apenas citar os que, na minha juventude, mais me terão ensinado a ver e a usufruir da arte que ia sendo produzida no Portugal fascista de então. E valeu-me também uma outra grande corrente – o Movimento do Neo-Realismo. Claro que depois o curso de Filosofia ajudou a arrumar tudo isto. Será que arrumei?

 

Dou claramente preferência a uma arte que me ajude a ter uma visão dialéctica da realidade que me rodeia, que me faça acreditar que essa realidade pode ser transformada pela acção do homem, que me leve a continuar a ter esperança que tal transformação possa contribuir para a construção de uma sociedade mais justa, para uma sociedade onde seja possível a igualdade de oportunidades para todos, uma sociedade solidária. A pintura de Adão Cruz está pois dentro da arte da minha preferência. Mas não confundamos a Arte com a imagem da realidade, para ter essa imagem não necessito da Arte. Da Arte necessito para me ajudar a compreender essa realidade que a Natureza me dá, para me ajudar a ver o que estará por detrás dessa imagem, para me ajudar a construir um diálogo dialéctico com o Mundo em que vivo, que me ajude a compreender o caminhar do Homem ao longo dos séculos.

 

Relembremos Mário Dionísio: «Não há nova arte possível fora do “desenvolvimento natural” das aquisições que a humanidade alcançou nos últimos séculos, incluindo os anos mais recentes. Tal desenvolvimento não se processa por mero acaso ou pela simpática deliberação dos artistas isoladamente considerados. Não é função de um decreto nem de um acto de fé. Pode-se interferir no seu processo, mas não é possível levá-lo pela mão. Ele nutre-se do diálogo ininterrupto – mesmo quando arredio e caprichoso – amorosamente travado entre a paleta e o mundo. Depende das relações interactuantes que permanentemente se estabelecem entre os fenómenos da sociedade e a capacidade de resposta e transfiguração dos artistas, entre a vontade dos grupos humanos e a atitude de concordância ou de rebeldia dos artistas que lhe dão voz ou a combatem, da riqueza da criação dos artistas e do comportamento dos homens perante essa riqueza. É função do que é mais geral na sociedade e do que é mais particular no indivíduo. Todas as partes estão em jogo.» (in «a paleta e o mundo», vol. 1, Publ. Europa-América, 2.ª edição, Novembro de 1973).

 

Esta frutuosa inquietação que esta exposição criou em mim fez-me revisitar não só a obra de Mário Dionísio, mas também a obra do meu querido e saudoso amigo Manuel da Fonseca (e deste não foi por eu estar envolvido nas comemorações do centenário do seu nascimento); fez-me também ir à procura da poesia de Adão Cruz, que não consigo encontrar nas principais livrarias de Lisboa, fez-me comprar um outro dos seus álbuns: «Hora a hora rente ao tempo», uma edição da Campo das Letras de Setembro de 2007. No texto que Adão Cruz escreve a abrir esta edição, pode ler-se, a determinado momento: «A Arte é um produto de ideias mas também um veículo de ideias. Quando deixa de ser transparente como veículo de ideias, quando não é mais do que configurações, cores e sons, transforma-se numa técnica de

entretenimento superficial dos sentidos. Quando se diz apenas produto de ideias, menosprezando o poder de relação, confina-se ao processo neuronal que a gerou e que pode ser relativamente pobre. A Arte é aquilo que vive atrás da aparência das coisas. Para que a obra adquira grandeza, os processos formais devem ser ofuscados pelo seu próprio efeito.» E, mais à frente, continua: «A Arte é sempre uma prática de meditação, uma tomada de consciência, a livre expansão de nós mesmos, inteligência viva, diálogo e libertação das forças vitais dentro de uma disciplina ética. Dito de outra maneira, a Arte é sempre impacto, desconcerto de espírito e agente de transcendência das formas físicas e de mudança das formas de ver e pensar.»

 

As transcrições foram longas, mas foram-me necessárias.

 

Obrigado Adão Cruz pela ajuda que me deste!

 

Portela (de Sacavém), 2011-06-01

 

publicado por Augusta Clara às 19:00
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Quinta-feira, 12 de Maio de 2011

Emerenciano Rodrigues responde a Adão Cruz

Emerenciano Rodrigues responde a Adão Cruz

 

Esta é a resposta ao texto que o Adão aqui publicou no dia 30 de Abril

 

http://estrolabio.blogs.sapo.pt/1351373.html

 

 

 
 
Caro Adão


Penso que a minha exposição agradou a bastantes visitantes, e não me admira que também lhe tenha agradado, afinal o Adão não está dissociado das artes plásticas, e também escreve. A sua opinião é por isso fundamentada, tem merecimento, no entanto o entendimento que manifesta associado apenas ao sentimento é apenas uma parte de um problema. O que se entende por Arte hoje, e tanto se escreveu e escreve, exige uma conversa, não pode resumir-se em poucas. Não existe uma definição simples, portanto.
 
Pessoalmente não rejeito o que se pode fundamentar, com poesia ou sem poesia, embora seja exigente quanto aos pressupostos criativos da novidade e autenticidade. A pureza das manifestações é posta em causa muitas vezes, existem contaminações  da pintura por palavras, tanto quanto estas se fazem acompanhar da música e da dança, e as possibilidades criativas em aberto multiplicam-se para lá das convenções e dos princípios tradicionais. Fazem-se experiências com materiais e o significado ontológico aceita as palavras para que as realizações sejam consideradas, não tanto como explicação de uma obra, mas para ser a consequência ou parte fundamental da obra. E nesta perspectiva de uma conceptualizada realização, a arte, a não arte ou a anti-arte, coexistem, e nem sempre se distingue o que é bem feito do mal feito, porque tudo se assume. E eu próprio tenho dificuldade em dizer que gosto ou não gosto, afasto o gosto pelo desejo da conversa, desejo que ela se instale antes de tomar uma posição incontroversa de rejeição disto ou daquilo. Conversando posso entender as obras de arte e a perspectiva de enquadramento, assim como as mudanças qualitativas podem surgir. Arrasto para aqui a leitura de determinados livros, porque eles fazem parte do meu ser, ensinam-me a viver, permitem-me que seja o artista que sou, tentando perceber também o que outros artistas fazem, e há tanta coisa que rejeito, lamentando não poder falar com esses artistas. Talvez os convencesse a mudar ou a desistir, porque de facto existem coisas que não fazem sentido, ou fazem se fossem explicadas na perspectiva da mudança. Claro que estou a pensar no domínio específico das artes visuais, já que em relação à poesia das letras, também rejeito tanta coisa que se publica, que nada tem a ver com a dimensão labiríntica que entendo, e considero no sentido metafórico. Independente da aura que a minha pintura pode trazer e ser factor de encanto, ela é pensada, é uma pintura de pensamento, posso falar dela como consequência do labirinto que convoco para o (meu) entendimento do mundo. E porque depois da aproximação à escrita vieram as palavras dos outros e as minhas, devo referir-me à obra situando-me a montante e os outros a jusante. Não é a obra que está a jusante, mas os outros. A obra medeia, estabelece a aproximação, é interventiva, interpela e se transforma pela consequência positiva de participações de dentro e de fora. Há com certeza um sentimento poético presente no acto criativo, e a relação ontológica muito presente vem dimensionar o caminho das procuras, trazer a filosofia a assumir-se, obrigando-me a ter atenções a um conhecimento que me liberta dos aspectos especificamente artesanais. Estes podem ser cuidados, afinal a aprendizagem existiu, mas devo considerar a dimensão suplementar da pintura, dimensionar a pintura pela percepção da intenção de escrita através da escrita, e referir uma consciência possível sobre a realidade que me envolve. Naturalmente que o homem que sou acompanha o artista que também sou, e o sentimento poético vai ter uma dimensão, que não pode deixar de se perceber associado a algo que nada devo ao entretenimento. Sob este ponto de vista considero-me um artista não entretido, mas comprometido e de esquerda, embora não realize uma obra panfletária. É evidente que não imponho o modo de viver o que faço, respeito as realizações diferentes, sobretudo aquelas que se assumem pela qualidade, mesmo se essa qualidade não se resume ao lado físico e considera as ideias, que pressupõe o trabalho das ideias. Desta forma a arte pode ser útil, menos a inutilidade útil que reportamos à pintura, assumindo-se relacional pelo pensamento, e abre-se ao estudo hermenêutico. E o Adão responde positivamente a esta questão, não sem se contradizer, referindo as investigações académicas. E porque não um titulo ? É que certas obras se dimensionam também a partir de um simples título. Existem intenções com a realização das obras de arte que devem ser respeitadas, porque correspondem a modos próprios de sentir e de entender. Afinal as obras de arte são como que propriedades imperfeitas na abertura, sem excluírem a pluralidade dos significados, e o respeito pelos direitos de propriedade só pode exigir deveres. Por último: Haver ou não títulos, embora tenha dificuldade em perceber os títulos das pinturas, é uma questão pessoal. Eu prefiro dar títulos às exposições, sempre acompanhadas de documentos, catálogos ou simples folhetos, que ficam depois das exposições, e vão ter um valor documental.

Um abraço grande do

Emerenciano

 
 

publicado por Augusta Clara às 19:00
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Quarta-feira, 11 de Maio de 2011

Rente ao Cair da Folha - Exposição de pintura de Adão Cruz em Espinho

Adão Cruz  Rente ao Caír da Folha

Galeria Zeller, Rua 14, Nº. 750 - r/c, Espinho

Inauguração no dia 14 de Maio, às 18h

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A vossa presença é não só desejável mas imprescindível 

publicado por Augusta Clara às 19:00
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Sexta-feira, 29 de Abril de 2011

ADÃO CRUZ EXPÕE NA GALERIA ZELLER, EM ESPINHO

publicado por Carlos Loures às 16:00

editado por Augusta Clara às 11:29
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Quinta-feira, 14 de Abril de 2011

Utilizar outras capacidades - Clara Castilho

 

 

 

Exposição "OLHA POR MIM"

Desde o dia 15 de Março, no Edifício dos Serviços Sociais da Câmara Municipal de Lisboa, pode ser vista, durante um mês, a Exposição de pintura multissensorial "Olha por mim", que visa tornar a arte e cultura acessível a diversos públicos.

Com este objectivo, na sua organização e montagem, foram consideradas as necessidades das pessoas com alterações nas funções da visão e audição, eliminadas barreiras e desenvolvidas soluções como a disponibilização de audiodescrição e de um percurso táctil. Pretendeu a autora que todos possam ter acesso à exposição ainda que as experiências de cada pessoa possam ser realizadas através de sentidos sensoriais diferentes.

A exposição permitirá a acessibilidade a pessoas cegas, amblíopes e surdas, proporcionando-lhes experiências acústicas e tácteis, como formas, de ver e ouvir a arte e a cultura que se deseja para todos.

A personagem central da exposição é Mirtilo Gomes, heterónimo interventivo de Tânia Bailão Lopes. Lisboeta, solitário, através das cores intensas e da força dos contrastes, ironiza, pretendendo elucidar-nos para a corrosão de valores a que o mundo se rende e acomoda. Na sua pintura nascem personagens frágeis, desprotegidas e discriminadas que nos comunicam através de gestos e olhares o seu desespero e angústia.

 

 

 

Na inauguração da exposição foi proferida uma palestra "Comunicar a arte trocando os sentidos: acessibilidade e inclusão", por Josélia Neves e Walter Marcos, especialistas na área. Josélia Neves fez doutoramento na Universidade de Surrey Roehampkkton de Londres, estudando uma espécie de gramática de legendagem para surdos. Daí surgiu um livro - "Vozes que se vêem”, editado pela Universidade de Aveiro.

Sobre a pintora, pode consultar  www.bailaolopes.com.

 

 

 

A este propósito lembro o pedagogo e psicanalista João dos Santos, que fundou com Henrique Moutinho em 1956 o Centro Hellen Keller, destinado à prevenção, tratamento e reeducação de crianças deficientes visuais (e que foi o primeiro centro no mundo que integrou na mesma escola crianças cegas, amblíopes e de visão normal), assim como participou na fundação da Associação Portuguesa de Surdos. E diz ele: “ … há processos de compensar ou de ultrapassar deficiências ou falhas que dificultam a aprendizagem, sendo da máxima importância que os técnicos que intervêm para ajudar essa compensação ou ultrapassagem tenham consciência de que nenhum ser humano utiliza todas as capacidades potenciais existentes em si”.

Saibamos fazê-lo, saibamos incentivá-lo.

publicado por atributosestrolabio às 18:00
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Quinta-feira, 17 de Fevereiro de 2011

Exposição Primeiro Passo

Amigos,
Aqui vai uma última lembrança:
A exposição da Primeiro Passo vai ser já no sábado, às 18h, no Centro Cultural das Mercês, junto ao Príncipe Real!
Estamos a precisar de fundos para desenvolver novos projectos! Apareçam para os conhecerem melhor ou ajudem a divulgar! Não é preciso muito para se dar o Primeiro Passo.

 

Beijo grande para todos!
Clara
--
www.assoc-primeiropasso.pt

publicado por Luis Moreira às 10:45
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Quinta-feira, 4 de Novembro de 2010

Exposição de Dorindo de Carvalho em Mérida

publicado por Carlos Loures às 11:41

editado por João Machado em 09/06/2011 às 03:56
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Quarta-feira, 29 de Setembro de 2010

Convite - um fotógrafo na oposição

Da A25A recebemos o seguinte convite:
No próximo dia 30 de Setembro (quinta-feira), às 18.30 horas, no auditório da FNAC Chiado, vai realizar-se uma sessão de apresentação do livro “Sérgio Valente – Um Fotógrafo na Oposição”, da Editora Afrontamento. Trata-se de um livro que é não apenas o testemunho de vida de um amigo pessoal de muitos anos, comprometido com o combate contra a ditadura e pela democracia, como contém largas centenas de fotos que constituem um rico património e um testemunho visual de uma parte relevante da actividade oposicionista no Porto nos anos 60 e 70 do século passado, de que ele foi, não apenas activo militante, mas também o fotógrafo constante. O livro contém ainda um excelente texto de Manuel Loff de enquadramento historiográfico da actividade oposicionista e da realidade de Portugal sob o fascismo naqueles anos e um outro trabalho de Hélder Marques sobre o percurso de vida e de luta de Sérgio Valente.

Esta sessão contará com a participação e intervenção, além do próprio Sérgio Valente, de Manuel Carvalho da Silva (secretário-geral da CGTP e sociólogo) e de Manuel Loff (historiador), e constituirá certamente uma oportunidade valiosa para uma abordagem testemunhal e historiográfica de uma realidade (a intensa actividade oposicionista e a luta antifascista na segunda cidade do País) normalmente menos conhecida e referenciada, mas que foi um enorme contributo para engrossar o caudal de resistência e de lutas (políticas, operárias, sindicais, da juventude trabalhadora e estudantil) que desaguou na revolução libertadora do 25 de Abril.
Junto por isso o convite para esta iniciativa, agradecendo igualmente a sua divulgação, pelo interesse intrínseco da sessão e também porque muitos dos factos de que o livro dá testemunho fazem igualmente parte da minha vida e de muitos outros amigos e companheiros que viveram essas jornadas no Porto e nelas forjaram a sua consciência cívica e política.
Saudações cordiais.
Henrique Sousa

Cordiais saudações
A Direcção

publicado por Luis Moreira às 02:50
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