Quinta-feira, 11 de Novembro de 2010

Did you hear about it?





Dear friends

I’ve only just now finally found a minute to share with you one of the most important things I’ve ever witnessed in the Jewish movement for justice. Many of us feel in our bones that it was a historic turning point, and that we can never go back.

You might have read about it in the Washington Post, or the front page of Huffington Post, in your hometown newspaper or seen it on TV. If you live In Israel, you have seen or heard about it everywhere - the whole country is talking about it. Much of the institutional Jewish world is talking about it too.

Two days ago at 11:30 in the morning in New Orleans, more than 12 young, proud Jews with Jewish Voice for Peace gave voice to the disillusionment of a generation. They loudly named the unnameable in the Jewish community-Israel’s immoral violations of human rights of Palestinians and much of the Jewish institutional world’s active support of those violations.

And they did it in front of 3,000 Jewish leaders from across America -- and Israeli Prime Minister Bibi Netanyahu himself.

If there was ever a moment where courage and moral strength was required, this was it, each person carrying in him or herself the inspiration of Palestinian friends who risk much worse to make their claim to peace and justice.

Here's what the young Jews, many of them Israeli-American, said:

We care deeply about our history, our families, our spiritual lives and the lessons we learned from our elders about the Jewish values of justice and healing. And we refuse to remain silent about the Israeli settlements, the Occupation, the silencing of dissent, the loyalty oath, the siege of Gaza. Israel's actions and institutional Jewish support for them are making Israel a pariah and turning us away from the Jewish world we seek to claim and embrace.

My friends,

I ask you to do two things:

1: Please join them at www.YoungJewishProud.org. They deserve your support.

2: If you are moved by what you see, please share their remarkable story and statement with your friends.

This group of young activists, all with JVP's Young Leadership Institute, meticulously planned and bravely executed a daring protest in a darkened lecture hall - but not only that.

They wrote an extraordinary statement – a declaration of the political and personal space young Jews are claiming today. Here is an excerpt:

We exist. We are everywhere. We speak and love and dream in every language. We pray three times a day or only during the high holidays or when we feel like we really need to or not at all. We are punks and students and parents and janitors and Rabbis and freedom fighters. We are your children, your nieces and nephews, your grandchildren. We embrace diaspora, even when it causes us a great deal of pain. We are the rubble of tangled fear, the deliverance of values. We are human. We are born perfect. We assimilate, or we do not. We are not apathetic. We know and name persecution when we see it. Occupation has constricted our throats and fattened our tongues. We are feeding each other new words. We have family, we build family, we are family. We re-negotiate. We atone. We re-draw the map every single day. We travel between worlds. This is not our birthright, it is our necessity.

My inspiring 28-year-old colleague Stefanie Fox, who almost miraculously created the space in which each and every participant took on a leading role, texted them moments before Netanyahu went on stage to say that the world was with them.

We now need you to be with them.

Go to http://www.youngjewishproud.org/


Read the declaration. Watch the video they filmed of what exactly happened at Netanyahu’s speech. I warn you, it is very difficult to watch. Sign the declaration. Tell your friends.

Help us build a movement of young, Jewish and proud voices around the world ready to call truth to power and reclaim a vision of Jewishness based on inclusivity, justice and love. And let us take from their powerful vision the inspiration to build a broader inclusive world with young and old, every race and religion, and every nationality, that embraces the principles of equality, mutual respect and love.

Inspired and breathless,

Cecilie Surasky

Deputy Director

Jewish Voice for Peace


publicado por Carlos Loures às 09:00
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Terça-feira, 2 de Novembro de 2010

Israel - Memória e responsabilidade histórica

Rui de Oliveira

Na habitual crónica de Esther Mucznik (E.M.) num Público de Agosto passado há uma curiosa reflexão sobre a memória do holocausto e o facto de a maioria dos grandes memoriais (museus e projectos educativos) na Alemanha só ter surgido nos últimos vinte anos, o que a leva a concluir que foi preciso o desaparecimento da geração da guerra para haver comemorações (interrogação acessória seria indagarmos se também entre nós o bloqueio da rememoração antifascista sofre do mesmo mal ?...). Daí E.M. afirmar a certeza de que “a memória só se torna colectiva e consensual quando politicamente inócua … ou seja quando se transforma em memória cultural”.

Contudo o mais curioso da crónica é a “confissão” recolhida da directora do campo de Dachau durante os últimos 30 anos a quem perguntaram : “serve todo este trabalho de memória de lição para o futuro ?” “Não sei”, respondeu, “éramos ingénuos quando clamávamos ‘nunca mais!’… mas não temos alternativa…”. Esta dúvida sincera quando associada ao dado de que 45 por cento dos visitantes do museu judaico de Berlim respondeu afirmativamente à pergunta “Crês que no teu círculo de amigos há pessoas com preconceitos contra os judeus?” pode levar alguns menos “rousseaunianos” a concluir simplisticamente que a espécie humana é má e que não há volta a dar-lhe – tente-se educá-la mas sem grandes esperanças. No entanto uma outra leitura é possível numa perspectiva histórica e essa deve confrontar não só os dirigentes de Israel, como a generalidade dos judeus.

Há certamente uma responsabilidade recente do comportamento das chefias israelitas face aos povos do Médio Oriente e em particular aos palestinianos, para justificar uma falta de simpatia ampla que engloba, porventura injustamente, a generalidade dos chamados “filhos de David”. Aquele comportamento deve ser denunciado e combatido (e está a sê-lo) sem qualquer dúvida. Mas justificar-se-ia também que a comunidade judia se interrogasse se a sua conduta de povo alegadamente “eleito” (embrião detestável do fanatismo religioso), o seu fechamento como comunidade (ilusão perigosa duma “pureza” étnica), a sua atitude de protecção excessiva dos seus membros (na sociedade americana isso é chocante, com todos os vícios das “seitas” ocultas) não contribuiu e continua a contribuir para uma difícil, senão impossível, pacificação com a restante sociedade. E aqui fica a homenagem a todos, como o recém-desaparecido Tony Judt, que souberam, apesar de judeus, distanciar-se, criticando, da deriva sionista.

Não quereria encerrar esta reflexão motivada pela crónica daquela intelectual judia tão cheia de constatações e perplexidades que cremos sinceras sem lembrar que também noutros campos, nomeadamente o islâmico (e o papel “nocivo” da religião volta aqui a preponderar), se verificam idêntico sectarismo e semelhante afirmação de falsa supremacia – só que aos olhos “ocidentais” o preconceito e o ódio, neste caso, aparecem como mais naturais …
publicado por Carlos Loures às 21:00
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Quinta-feira, 30 de Setembro de 2010

Israel – a recorrência da Shoah no discurso político

Carlos Loures

Circularam e circulam pela net e em e-mails fotografias de uma manifestação realizada em Londres pela comunidade muçulmana. Vêem-se manifestantes exibindo cartazes onde se diz entre outras coisas: «Matai aqueles que insultam o Islão», «Europa. Pagarás, a tua demolição está em marcha»; «O Islão dominará o mundo»; «Europa, pagarás. O teu 11 de Setembro vem a caminho»; «Prepara-te para o verdadeiro holocausto». Segundo se diz também nessas mensagens, tratava-se de uma manifestação pacífica. Habituei-me a acolher com cepticismo e cuidado estas informações que, muitas vezes mais não são do que desinformações. Lá estão as fotografias, com os cartazes escritos em inglês, mas todos sabemos como é fácil manipular fotografias. Verdade ou mentira, não há dúvida que entre os muçulmanos passa uma corrente de intolerância e ódio que nada contribui para que, quem não compartilha a sua crença, possa ao menos ser solidário com a sua legítima revolta.

Existem, mas são poucas, as vozes que nos defendam a causa palestiniana, por exemplo, com serenidade e isenção. Compreendo que seja difícil ser isento quando estamos a ser chacinados, vemos as nossas casas bombardeadas, as nossas crianças assassinadas, a nossa terra ocupada. É difícil, mas aos muçulmanos pede-se esse supremo acto de heroísmo. Do lado judaico existem , sempre existiram, essas vozes. Bem sei, que os judeus, embora em permanente perigo de extermínio à mínima distracção, estão numa situação diferente. Mas não se julgue que a posição dos israelitas é fácil. Entendo que a criação do Estado de Israel foi um erro da diplomacia britânica. No entanto, hoje a nação judaica é um facto consumado. Milhões de pessoas a povoam. A sua destruição, como propugnam os fundamentalistas islâmicos, seria um crime.

O crime que foi o dar o território dos palestinianos aos judeus, não se apaga com o crime de exterminar os israelitas. Entendo que a criação do Estado de Israel foi um erro da diplomacia britânica. No entanto, hoje a nação judaica é um facto consumado. Milhões de pessoas a povoam. A sua destruição, como propugnam os fundamentalistas islâmicos, seria um erro. Não se deve desistir da utopia de um estado em que judeus, muçulmanos, cristãos, ateus, convivam pacificamente. É uma utopia própria de quem vê o problema do exterior. Não agrada nem a judeus nem a palestinianos. Mas é a única solução digna de seres humanos.

Vem tudo isto propósito de duas das tais vozes vindas do lado hebraico, de dois livros, um que a professora israelita Idith Zertal (1944), professora de História e Filosofia Política na Universidade de Basileia, nascida antes da fundação do Estado num kibutz de Ein Shemer, ficou entusiasmada por finalmente ver traduzido em hebraico - a obra de Hannah Arendt (1906-1975) «Origens do Totalitarismo» - que li precisamente na sua edição espanhola, outro, um ensaio da própria professora Idith Zertal - «A Nação e a Morte», Falemos primeiro de Hannah Arendt.

Tendo nascido numa família hebraica de Linden (Hanôver), estudou Filosofia e Teologia em Königsberg (actual Kalinigrado) e trabalhou com Martin Heidegger na Universidade de Marburgo (uma relação que não foi apenas intelectual). Foi depois para Heidelberga, doutorando-se na respectiva universidade, em 1929, com uma tese, acompanhada por Karl Jaspers - «A experiência do amor na obra de Santo Agostinho».

Em 1933, com a chegada de Hitler ao poder, dada a sua condição de judia, foi proibida de publicar as suas obras e de ensinar. Por outro lado, o seu envolvimento com os movimentos sionistas, obrigaram-na a fugir das garras da Gestapo. Com seu marido, Heinrich Blütcher, foi presa em França. Fugindo e escondendo-se por diversos países da Europa, chegaria em 1941 aos Estados Unidos onde ensinou e escreveu.

Em 1951 publicou «Origens do Totalitarismo» que, quase seis décadas depois, surge, finalmente, traduzido em hebraico. De uma forma que à época era extremamente polémica, Arendt compara o estalinismo com o nazismo, considerando que o totalitarismo se instala explorando a «solidão organizada» das massas.

Publicaria em 1963 «Eichmann em Jerusalém» onde, contrariando as teses oficiais de que Eichmann era um monstro, Arendt demonstra que ele era um ser normalíssimo, um burocrata que foi cumprindo ordens com um grande zelo. As organizações judaicas considera-la-iam traidora, tanto mais que no seu livro aludia a cumplicidade de alguns judeus na prática dos crimes de extermínio. Arendt afinal apenas alertava para a necessidade de manter uma permanente vigilância para garantir a defesa da liberdade.

Hannah regressaria à Alemanha, onde contactaria o antigo professor Martin Heidegger, que, devido às suas concessões ao regime nazi, se encontrava afastado do ensino. Envolveu-se na reabilitação de Heidegger, o que contribuiu para que as associações judaicas a atacassem de novo. Da correspondência de Arendt com Heidegger saiu um notável livro de correspondência entre os dois – “Lettres et autres documents(1925-1975)”, Editions Gallimard, Paris.

Em tradução para o castelhano surgiu o livro de Idith Zertal com o título «La nación y la muerte. La Shoah en el discurso y la política de Israel», obra em que a autora fala de «um país de excessos e de paradoxos». Shoah é palavra hebraica para Holocausto. Não hesita em qualificar como maligna a ocupação dos territórios palestinianos, dizendo. «Governar outro povo de uma maneira tão brutal é devastador também para nós». E condena a omnipresença do Holocausto como explicação e justificação para tudo, inclusive para o facto, de usarem sobre outros uma violência brutal, assumindo apesar disso o papel de eternas vítimas.

«O vínculo entre a constituição do Estado e a Shoah e os seus milhões de mortos continua a ser indissolúvel… Desde 1948 e até à crise de 2000 não houve guerra que não tenha sido entendida, definida e conceptualizada na sociedade israelita de uma perspectiva relacionada com o genocídio», e utiliza como exemplo, por vezes obsceno, da matança sistemática perpetrada pelo regime nazi.

Usar e abusar da memória para, de forma descontextualizada, praticar actos condenáveis é a melhor forma de dar razão aos que querem ver destruído o Estado de Israel. Zertal traça no seu ensaio um minucioso percurso através das diferentes funções que o discurso político atribuiu ao intento de exterminar os judeus nos campos de concentração, começando em Israel com as intervenções de Bem Gurion no momento da fundação do Estado.

Essas funções contribuíram, por um lado, para interpretar a história dos judeus como uma sucessão de episódios que, desde os tempos mais remotos, prefiguravam a formulação da utopia sionista de finais do século XIX e a sua concretização em 1948. Mas, por outro lado, contribuíram também para aquilo que Shlomo Ben Ami define no prefácio como «a base ideológica de uma sociedade de vítimas com imunidade moral na sua confrontação com o mundo árabe e com o mundo em geral».

É aqui que Zertal conflui com Arendt, no conceito, por esta aplicado a Eichmann, da banalização do mal que leva homens normais a aceitar assassínios em massa. Por alguma coisa Israel tem um arsenal nuclear. Será para responder às pedras da Intifada?
publicado por Carlos Loures às 12:00
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Sábado, 18 de Setembro de 2010

Turismo de guerra em Israel

Luis Moreira

Cidadãos europeus, americanos e asiáticos deslocam-se em turismo a Israel para poderem ver as lutas diárias entre jovens Palestinianos, com as suas fundas, e o exército israelita com as balas de borracha e as granadas de gaz lacrimogénio.

Por acaso , antes do 25 de Abril, levei algumas vezes com aquele gaz, o que não tem piada nenhuma, pois é muito incomodativo e faz mesmo chorar a ponto de não se aguentar e ser necessário, limpar e lavar para se conseguir um bocado de sossego. Fiquei a pensar que é o mínimo que se poderia fazer aos atrasados de curiosidade mórbida, aos turistas que pagam para ver as lutas entre David e Golias, e ter prazer com o sofrimento dos outros que estão, coitados deles, mergulhados numa tragédia diária.

E, lá estão, entre os fotógrafos e jornalistas, muito contentes pois até conseguiram ver que os soldados Israelitas só têm vinte anos, um pouco mais que os jovens Palestinianos que têm dezasseis ou menos, envolvidos numa guerra sem quartel, querem as suas terras de volta, há que lhes morder as canelas todos os dias.

Já tinha visto os turistas irem para terras distantes perigosas, onde eram assaltados e às vezes mortos, mas pronto aí ainda havia alguma nobreza, corriam perigo, iam à aventura, o apelo ao "stress" era mais forte, mas turistas "voyeurs" de guerras e mortes nunca me tinha lembrado. Também é verdade que eu não gosto de ver ninguem correr perigo e viver no meio da violência.

Não era na antiga Roma que as populações eram entretidas com combates no circo entre homens e feras?

Entretanto, as negociações de paz entre Palestinianos e Israelitas continuam, com o problema dos colonatos a apresentar-se como o grande primeiro problema, a moratória termina dia 26 deste mês e Israel ainda não deu a certeza se prolonga ou não a moratória, não prolongando as negociações não têm futuro.
publicado por Luis Moreira às 13:30
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Quinta-feira, 26 de Agosto de 2010

Boaventura de Sousa Santos no Estrolabio - Ser real em Al Walajeh

Segundo um dos grandes teólogos da libertação, o jesuíta Jon Sobrino – que escapou por sorte aos assassinos de Don Óscar Romero em El Salvador – o mundo em que vivemos hoje exige que sejamos reais. Ser real significa viver de tal maneira que não tenhamos de nos envergonhar por vivermos neste mundo. É uma exigência radical quando são tantos os motivos para nos envergonharmos e quando, para vencer a vergonha, seriam necessárias intervenções e mudanças de tal magnitude que a acção individual parece irrelevante, se não ridícula. Mas a exigência de sermos reais é ainda mais radical se tivermos em mente que muitos dos motivos de vergonha nos escapam, porque não sabemos deles, porque as vítimas deles são invisíveis, estão em silêncio ou silenciadas.

Entre tantos outros motivos, estou envergonhado por viver num mundo onde existe Al Walajeh. Estamos no Natal. A 4 quilómetros da cidade onde nasceu Jesus Cristo está a pequena aldeia palestiniana de Al Walajeh. Não nos é fácil chegar lá e é ainda mais difícil aos seus habitantes saírem de lá: porque não querem sair de lá definitivamente e porque não podem sair de lá sempre que precisam de ir tratar de um assunto fora da aldeia. Antes de 1948, quando foi criado o Estado de Israel, Al Walajeh era uma próspera e bela comunidade agrícola bordejada por suaves colinas revestidas com a floresta nativa da região. Desde então, perdeu 75% da sua área, muitas das suas casas foram demolidas por ordem do município de Jerusalém, sob o pretexto de não terem licença de construção, e grande parte da sua floresta foi arrasada para criar as áreas onde foram sendo construídos os colonatos judeus em redor. O pouco que restava acaba de ser destruído para construir mais uns quilómetros do novo Muro da Vergonha que, quando completado, terá cerca de 703 quilómetros. Al Walajeh é hoje um campo de concentração e os nomes desta cerca infame são, além do muro, os colonatos de Gilo, Har-Gilo e Giv’at Yael. As demolições continuam e algumas casas já foram demolidas várias vezes. O objectivo desta política de sistemática humilhação e destruição é levar os 1700 habitantes a abandonarem a aldeia. Mas eles recusam-se a fazê-lo porque foi aqui que nasceram tal como os seus antepassados.

Al Walajeh é o símbolo do sistema de apartheid e de limpeza étnica que o Estado de Israel tem vindo a consolidar na Palestina com total impunidade. É esta impunidade que me envergonha. E envergonha-me tanto mais quanto ela, apesar de monstruosa, ser apenas uma pequena peça de um sistema muito mais vasto de impunidades que está a pôr a ferro e fogo todo o Médio Oriente e, amanhã, talvez o mundo inteiro. No centro desse sistema está Israel com o apoio incondicional dos EUA, a cumplicidade cobarde da União Europeia e a corrupção dos líderes dos Estados árabes da região. Este sistema está à beira de um teste fundamental, o Irão. É sabido que os três últimos conflitos militares da região – Afeganistão (2001), Iraque (2003) e Líbano (2006) – fortaleceram muito mais o Irão que Israel. Por razões parcialmente diferentes – controle do petróleo da Eurásia ou a segurança militar – nem aos EUA nem a Israel convém um Irão forte e independente. Mas as estratégias para o conter podem, de momento, divergir devido sobretudo a condições internas. Os serviços secretos dos EUA – os mesmos que embarcaram nas falsidades de G. W. Bush para impor a invasão do Iraque a todo o custo – decidiram desta vez que seria demasiado perigoso arriscar uma Terceira Guerra Mundial, antecipada por Bush, com base em mais uma falsidade: a de que o Irão está à beira de ter uma bomba nuclear. A reacção violenta das autoridades israelitas mostra até que ponto pode ser destrutiva a sua paranóia securitária, a mesma que impedirá sempre a constituição de dois verdadeiros Estados na Palestina e muito mais um verdadeiro Estado pluricultural (a única solução justa). Como antes no Iraque e na Síria, Israel pode actuar "sozinho" mas as consequências são agora mais imprevisíveis. E não esqueçamos que a relativa diminuição da violência no Iraque se deve à intervenção directa do Irão.

Para que eu seja real, denuncio o que se passa em Al Walajeh e apelo ao boicote a Israel e deixo aos habitantes desta pequena aldeia dois sinais de esperança. Num relatório da ONU, de Fevereiro passado, afirma-se pela primeira vez que as políticas de Israel "se assemelham às do apartheid". Por outro lado, já por três vezes no últimos anos, altos dirigentes israelitas desistiram de desembarcar num aeroporto europeu com medo de serem presos por acusações de crimes de guerra.


(Publicado na revista"Visão" em  20 de  Dezembro de 2007)
publicado por Carlos Loures às 21:00
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Sábado, 21 de Agosto de 2010

Israel / Palestina - cara a cara !


Luís Moreira



Benjamin Netanyahu e Mahmoud Abbas vão encontrar-se cara a cara no ínicio de Setembro em Washington. Negociar sem condições prévias . Como é isso possível se ambas as partes sabem há muito tempo as condições de que não podem largar mão?

Os colonatos, acredito que deixem de expandir-se, mas vão recuar? A moratória que acaba agora após dez meses em vigor, sem construção de colonatos na Cisjordânia, será prorrogada? E que preço paga Obama junto do lobby Judeu americano?

Israel aceitou sem reservas o diálogo mas o Hamas já veio recusar liminarmente. Exige um total congelamento da colonização (Jerusalém Oriental incluída) e um " Estado palestiniano independente, democrático e viável". Esta moratória termina em 27 de Setembro, se prorrogada, as conversações terão ínicio, no caso contrário, morrem logo ali.

Para que tudo seja mais dificil, há eleições intercalares nos US para o senado, o que obriga o Presidente Obama a redobrar de cuidados para não irritar o lobby judaico muito influente na opinião pública americana.

Desta vez, após anos de negociações nos bastidores e de muitas mortes e muita dor, Estados Unidos, União Europeia, Rússia e ONU juntam-se com o objectivo supremo de transformar o território governado pela Autoridade Palestiniana em Estado Soberano até Junho de 2011.
publicado por Luis Moreira às 19:00
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Sábado, 3 de Julho de 2010

Os semitas deserdados e as «pátrias ancestrais»


Carlos Loures

Já aqui falei algumas vezes do Estado de Israel e daquilo que penso sobre a legitimidade das pretensões judaicas sobre o território da Palestina. Mas, já agora, volto a dizer – acho que foi uma ignomínia. Com base no que diz um livro e por mais que digam, o Antigo Testamento (ou a Torah), não passa de um livro, os palestinianos foram desapossados das terras, enxotados, como se de um rebanho se tratasse, para campos de refugiados, obrigados a viver como pedintes em terra alheia.

Uma vergonha, uma prepotência da diplomacia britânica que, até ao primeiro quarto do século XX, entendia poder intervir em qualquer parte do mundo, sob qualquer pretexto ou mesmo sem pretexto. Apenas porque sim, porque lhe convinha. Papel hoje competentemente desempenhado pelos Estados Unidos. Naturalmente que os judeus construíram o seu estado, hoje habitado por quase oito milhões de seres humanos e seria outra ignomínia «riscá-lo do mapa», como pretendem os extremistas da causa islâmica. Um erro não se emenda com outro erro. E seria o caso.


Mas, parece ser pecha dos semitas este pendor para o exagero fanático. Porque, etnicamente, os árabes também são semitas e falar-se de anti-semitismo, na acepção de anti-judaísmo ou anti-sionismo, é um erro triplo, humanístico, biológico e linguístico. Fundamentalistas islâmicos reclamam o Al-Andalus como sua pátria ancestral - falamos de uma extensa região da Península Ibérica que cobre o Algarve, a Extremadura, a Andaluzia…


Como podemos ver pelos mapas acima, depende de que época da História estes senhores estão a falar, porque a evolução da Reconquista Cristã foi reduzindo o espaço do Al-Andalus até o transformar no Reino de Granada que, em 1492, os Reis Católicos invadiram e dissolveram. A ideia desta pátria islâmica tem vindo a ganhar força. Embora ainda faça menos sentido, na minha opinião, do que a ideia bizarra do «lar judaico» na Palestina.

Os árabes vieram da Península Arábica – essa é que é a sua pátria ancestral. Povo essencialmente nómada, os territórios que se conquistaram pelas armas, continuam a pertencer aos vencidos. Quando em 27 de Abril de 711 (cumprem-se 1300 anos no próximo ano), Táriq Iba Ziyad, lugar-tenente do governador de Tânger, à frente de nove mil homens desembarcou em Gibraltar não demoraram muito tempo para levar os desorganizados visigodos de vencida.

Em poucos anos atingiram as regiões mais setentrionais, encontrando a resistência de vascões e dos reinos astures. Penetraram em território franco, sendo derrotados em 732 na batalha de Poitiers, ficando detidos do lado ocidental dos Pirenéus. Porém, essa vitória militar não lhes dá o direito de reivindicar o Al Andalus. Os territórios são de quem os habita agora – ou os islâmicos têm um critério para a Palestina e outro para o Al-Andalus?

Como disse, os fundamentalistas islâmicos reclamam como sua pátria ancestral a distante civilização do Al Andalus. Têm-no feito muitas vezes. Um exemplo: quando há três anos, em 11 de Abril de 2007, três islamistas se suicidaram guindo três carros bomba em Argel e matando 30 pessoas, o dirigente salafista Abu Musad Abdel Wadoud disse: “Que entreis com os vossos pés lavados no nosso Al-Andalus despojado, depressa se Alá o quiser”. E comentou logo a seguir: “Que os nossos pés limpos pisem o nosso Al-Andalus raptado e a Quds Jerusalém) violada”.

Voltar ao Al-Andalus, recuperar o seu antigo esplendor. Do que estão falando, de facto, os fundamentalistas actuais, que imagens associam àquela civilização que, durante quase oito séculos, prosperou em grande parte da Península Ibérica? De notar que aquela sociedade seria condenada pelos actuais islamistas, pois era demasiado tolerante e permissiva.

Estudiosos do Islão, perante estas declarações, deram a opinião de que apenas se trata de reivindicar um elemento do imaginário muçulmano coincidente com o momento de hegemonia e pujança da religião. O Al-Andalus foi conquistado apenas oito décadas depois da morte do profeta e o facto de no extremo mais ocidental do mundo muçulmano se tenha criado uma sociedade plenamente integrada nesse mundo, sempre foi visto como sinal da força política religiosa e cultural que o Islão primitivo albergava. No século X, a língua árabe era maioritária entre a população. O latim deixou praticamente de ser usado.

Depois veio a decadência. Os cristãos foram ganhando terreno e o Al-Andalus acabou por não ser mais do que uma nebulosa metáfora que cada qual interpretava a seu gosto. A Al Qaeda olha aquele esplendor para compensar o declive humilhante no qual desde então o Islão se precipitou, declive a que a organização procura pôr um ponto final regressando a uma ideologia de combate e de guerra santa que não está disposta a admitir compromissos.

No seu livro «Os Deserdados», Henry Kamen fala daquela época, salientando como, no século X o território do Al- Andalus – uma quarta parte da Península – era um país totalmente controlado por muçulmanos, sendo o mais poderoso e refinado da Europa ocidental. Era uma civilização marcadamente urbana, onde se destacavam grandes cidades como Córdova ou Granada, com uma avançada organização política e social. Nada tinha a ver com os reinos cristãos do norte, cujas economias assentavam na pecuária e na agricultura. Era uma civilização muito evoluída para a época, mas não podemos reduzir a realidade de oito séculos a uma única imagem. Nem tudo correu bem. Seja como for, durante séculos, umas vezes melhor outras pior, muçulmanos, cristãos e judeus, conviveram pacificamente no Al-Andalus.

O que terá contribuído para a decadência muçulmana? Talvez mais do que em causas religiosas, a explicação se encontre na maneira de exercer o poder, na diferente relação entre governantes e súbditos. Enquanto a sociedade cristã se regia pelo direito civil, a muçulmana era orientada pelo direito religioso. Nos reinos cristãos entre o poder real e o povo existiam espaços que permitiram que se consolidassem as classes emergentes, mercadores, artífices, burgueses.

Entre os muçulmanos, os governantes consideravam-se descendentes do Profeta e no vértice do poder, os ulemas lidavam com os mandatários, o que não permitia fissuras. Era uma estrutura acabada, enquanto que a estrutura social cristã permitia uma permanente autocorrecção.

Por outro lado, entre os muçulmanos, a poligamia produzia numerosos descendentes com aspirações a governar. O mundo muçulmano era governado através da chária, não havendo qualquer diferença entre o poder civil e o religioso. As tensões do mundo cristão com classes a lutar pelos seus interesses e a contestar o poder real, não existiram no mundo muçulmano. O que evitou revoltas mas criou uma certa estagnação e incapacidade de renovação. Não existiu nunca uma classe burguesa que exercesse a sua influência, impondo o seu pragmatismo laico, sobrepondo o espírito de iniciativa e de lucro ao da vontade divina e ao do monarca. Esta terá sido uma das causas da decadência das sociedades islâmicas.


Esta visão, de um Islão desenvolvido, civilizado, tolerante, que é a que nos transmite a leitura de livros como “Os Deserdados, de Henry Kamen ou “As Sandálias do Mestre”, de Adalberto Alves, é frontalmente contrariada pela outra imagem que os fanáticos nos dão, ameaçando, julgando segundo uma religião a que só eles estão submetidos, pessoas de outras confissões ou ateus. Compreende-se que, após o esplendor de há mil anos atrás e a pujança do império Otomano que se lhe seguiu, veio um período de inauditas humilhações, infligidas pelas grandes potências – a Grã Bretanha primeiro e depois os Estados Unidos, e os países ocidentais em geral, que deram força aos judeus e os instalaram numa região de maioria muçulmana.

O terrorismo é a bomba atómica dos pobres e os islamistas usam-no como expressão do seu ódio a um mundo que os escorraçou e humilhou. Mas, se um dia tiverem uma verdadeira bomba nuclear, talvez não hesitem em a lançar sobre Israel. E por isso compreende-se a posição israelita (o que não quer dizer que com ela se concorde). À mínima distracção, ao menor abrandamento da vigilância, poderão ser aniquilados.

A solução seria, em vez de proporcionar um arsenal nuclear a uma das partes, quem tem força – Estados Unidos/Nações Unidas - usá-la para impor a convivência pacífica na Palestina entre muçulmanos, judeus e cristãos. Apreendendo por todo o armamento ofensivo na região e contendo os países árabes vizinhos.

Seguindo o exemplo do nosso Al-Andalus.
publicado por Carlos Loures às 12:00
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Sábado, 5 de Junho de 2010

O ataque mortal de Israel à frota de barcos humanitários que iam em direção a Gaza chocou o mundo.

Israel, como qualquer outro Estado, tem o direito de se defender, mas isso foi um uso abusivo de força letal para defender o bloqueio vergonhoso de Israel a Gaza, onde dois terços das famílias não sabem onde encontrarão sua próxima refeição.

As Nações Unidas, a União Européia e quase todos os outros governos e organizações multilaterais têm pedido a Israel para acabar com o bloqueio, e agora a ONU convocou uma investigação sobre o ataque à frota. Mas sem pressão maciça dos seus cidadãos, os líderes mundiais vão limitar sua resposta a meras palavras – como eles já fizeram tantas vezes.

Vamos gerar um clamor global tão alto, que não possa ser ignorado. Assine a petição para exigir uma investigação independente sobre o ataque, a responsabilização dos culpados e o fim imediato do bloqueio à Gaza – clique para assinar a petição, e depois repasse essa mensagem a todos os que você conhece:

http://www.avaaz.org/po/gaza_flotilla_8/?vl

Esta petição alcançou 200.000 nomes em menos de 24 horas e já teve a sua primeira entrega para a ONU e líderes globais. Para ganhar ainda mais atenção, queremos alcançar 500.000 e entregá-la publicamente outra vez. Somente assim mostraremos aos nossos governantes que discursos e notas para a imprensa não são o suficiente -- cidadãos estão prestando atenção e demandando ações concretas, o momento é agora.

Enquanto a União Européia decide se irá expandir suas relações comerciais com Israel, e o Obama e o Congresso Americano definem o orçamento para ajuda militar a Israel para o ano que vem, e vizinhos como a Turquia e o Egito decidem seus próximos passos diplomáticos – vamos fazer com que a voz do mundo não seja ignorada: é tempo de verdade e de responsabilizar os culpados pelos ataques aos navios, e é tempo de Israel respeitar o direito internacional e acabar com o bloqueio a Gaza. Assine agora e passe essa mensagem adiante:

http://www.avaaz.org/po/gaza_flotilla_8/?vl

A maior parte das pessoas em qualquer lugar ainda compartilha o mesmo sonho: que haja dois Estados livres e viáveis, Israel e Palestina, que possam viver em paz lado a lado. Mas o bloqueio e a violência usada para defendê-lo, envenenam este sonho. Como um colunista israelense escreveu para os seus compatriotas no jornal Ha’aretz hoje, “Nós não estamos mais defendendo Israel. Nós estamos agora defendendo o bloqueio (a Gaza). O bloqueio por si só está se tornando o Vietnam de Israel.”

Milhares de ativistas pela paz em Israel protestaram hoje contra o ataque e o bloqueio, em passeatas desde Haifa até Tel Aviv e Jerusalém – se unindo a protestos ao redor do mundo. Independente de que lado atacou primeiro ou deu o primeiro tiro (o exército Israelense insiste em dizer que não foram eles que iniciaram a violência), os líderes de Israel mandaram helicópteros armados de tropas pesadas para atacar uma frota de navios em águas internacionais, que levava remédios e ajuda humanitária para Gaza, gerando mortes desnecessárias como conseqüência.

Não podemos trazê-los de volta. Mas talvez, juntos, nós possamos fazer deste momento trágico, um ponto de virada – se nós nos unirmos em um chamado de justiça inabalável e um sonho de paz inviolável.

Com esperança,

Ricken, Alice, Raluca, Rewan, Paul, Iain, Graziela e toda a equipe Avaaz

Saiba mais:

Entenda como funciona o bloqueio à Faixa de Gaza:

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2010/05/100531_entendabloqueiogaza_ji.shtml

Israel ataca barcos que tentavam furar bloqueio de Gaza e mata ativistas:

http://oglobo.globo.com/mundo/mat/2010/05/31/israel-ataca-barcos-que-tentavam-furar-bloqueio-faixa-de-gaza-mata-ativistas-916736797.asp

Israel admite erros em abordagem militar em ataque a frota humanitária:

http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,israel-admite-erros-em-abordagem-militar-em-ataque-a-frota-humanitaria,559979,0.htm

Comunidade internacional condena ataque de Israel à frota humanitária:

http://www1.folha.uol.com.br/mundo/743257-comunidade-internacional-condena-ataque-de-israel-a-frota-humanitaria.shtml


Conselho de Segurança da ONU condena ataque de Israel a frota humanitária:

http://oglobo.globo.com/mundo/mat/2010/06/01/conselho-de-seguranca-da-onu-condena-ataque-de-israel-frota-humanitaria-916750622.asp

_______________________________________

A Avaaz é uma rede de campanhas globais de 4,9 milhões de pessoas que se mobiliza para garantir que os valores e visões da sociedade civil global influenciem questões políticas internacionais. ("Avaaz" significa "voz" e "canção" em várias línguas). Membros da Avaaz vivem em todos os países do planeta e a nossa equipe está espalhada em 13 países de 4 continentes, operando em 14 línguas. Saiba mais sobre as nossas campanhas aqui, nos siga no Facebook ou Twitter.

Para entrar em contato com a Avaaz não responda este email, escreva para nós no link www.avaaz.org/po/contact.
publicado por Carlos Loures às 23:30
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