Domingo, 27 de Fevereiro de 2011

Universidades - fusões, rankings e orçamentos

Luis Moreira

 

As organizações vão mudando conforme os objectivos pretendidos, os meios de que dispõem, a concorrência das suas congéneres.Uns aceitam estas mudanças como inevitáveis outros , resistem à mudança. Sempre foi assim e sempre será.

 

A propósito da re-eleição do reitor prof Ramôa Ribeiro na UTL, este começa por lamentar que em Portgal não existam rankings que comparem universidades e que considera este assunto tão importante que vai nomear um pró-reitor só para o efeito. Isto, num país onde toda uma corporação de interesses instalada  nos quer fazer crer que não há condições objectivas para  avaliar escolas e que os rankings que nos últimos dez anos vieram a público não têm qualquer interesse.

 

Preservar a autonomia de gestão, ganhar dimensão, poupar nas superestruturas, complementar cursos e curriculos, ter maior envolvimento nos ambientes científico e empresarial são outras ideias que o re-eleito Reitor quer tornar realidades. Em portugal não há rankings de universidades ao contrário de Inglaterra onde, todos os anos a universidade que esteja classificada em primeiro lugar pode passar para o quarto lugar, sem que disso resulte qualquer drama.Só ficam com a vontade de voltar ao primeiro lugar.

 

A A3ES, com o prof Alberto Amaral a líder tem acesso a todas as informações necessárias sobre a investigação, os cursos e as licenciaturas e é uma instituição a quem todos dão crédito para fazer esse trabalho. Até porque se as universidades não forem classificadas ficarão afastadas dos grandes projectos de investigação europeus.

 

Há rankings internacionais que irão determinar se as nossas universidades serão ou não competentes e capazes de acompanharem os grandes projectos científicos. Não há volta a dar.

 

Não vale a pena pois, continuar a perder tempo, lutando contra a avaliação das escolas e dos professores...

publicado por Luis Moreira às 13:00
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Terça-feira, 15 de Fevereiro de 2011

Escola : e, no entanto, ela move-se

 

 

 

 

 

Luis Moreira

 

Numa reunião de dirigentes de escolas onde estiveram 250 dirigentes, foram discutidas importantes questões e que são avanços significativos para se encontrar o caminho certo para a "autonomia das escolas". Uma das questões é que "esta" avaliação é,  segundo eles, demasiado burocrática e morosa, pugnando por uma avaliação mais consensual e mais prática. Já não se discute se é ou não possível avaliar os professores, isso é questão aceite.

 

"Os professores querem ser avaliados mas estamos todos a chegar à conclusão, ao fim de uns meses a experimentar este modelo, de que é impraticável. Gastam-se imensas horas em funções burocráticas em prejuízo do ensino e da escola".

 

E, outras conclusões notáveis: " A força espontânea e autónoma dos professores que contestaram o modelo anterior foi utilizada pelos sindicatos"

 

"Os professores foram traídos pelos sindicatos numa noite de negociação com certeza muito animada"

 

" O modelo é lesivo para a qualidade da escola, prejudicial para contribuir para um ambiente tranquilo e cria profundas divergências entre professores".

 

Outro dos motivos de crítica é a utilização da "central de compras" que deixa de lado o comércio local e a possibilidade da escola poder comprar livremente, melhor e mais barato . Sempre o centralismo! As compras de grandes quantidades de artigos que abarquem várias escolas a nível regional ou nacional, justificam a utilização da "central de compras" mas não as compras para o dia a dia que exigem proximidade.

 

Outra questão são "os agrupamentos de escolas" que só deverão avançar desde que a comunidade escolar e a autarquia estejam de acordo e não à revelia destas.

 

o "centralismo" chega ao ponto de ter um caderno de encargos para os produtos do "buffet" que não autoriza a compra por "marcas" ( é muito complexo, porque não se pode referir marcas).

 

Outra preocupação é o previsto despedimento de contratados no próximo ano "os mais jovens vão ser prejudicados com a reforma curricular" e que não fazendo parte dos quadros, são os que se mostram mais disponíveis e os maiores dinamizadores no envolvimento das actividades que mais motivam os alunos (onde é que eu já li isto antes...). calcula-se que ficarão no desemprego 25 a 30% dos jovens professores contratados.

 

Enfim, como todas as organizações as escolas são organismos vivos que se adaptam, que se desenvolvem, que melhoram processos .

 

Afinal, sempre se move!

 

 

PS: (a partir de uma notícia no DN de 13/2)

publicado por Luis Moreira às 13:00
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Quinta-feira, 13 de Janeiro de 2011

A OCDE e os seus números - por Rui de Oliveira

Este tema tem estado a ser debatido com o pluralismo de opiniões que é norma neste blogue. Algumas das teses expendidas reflectem, naturalmente, as tendências ideológicas dos seus autores o que, numa perspectiva mais ampla, fere a objectividade das conclusões. Este texto de Rui de Oliveira, publicado em Dezembro passado, repõe essa objectividade, fugindo à manipulação que usualmente se faz dos números. Parece-nos útil repetir a publicação de A OCDE e os seus números.

Dados factuais vindos a público nos últimos tempos merecem certamente a reflexão dos leitores do Estrolabio, nuns casos desfazendo algumas inverdades , noutros tentando colocar numa perspectiva mais justa a crítica às políticas educativas governamentais.

1. Surpreendeu-me, da parte de alguns que tinham há cerca de 2 anos criticado como demasiado “favoráveis” ao Governo as estimativas da OCDE, afirmar-se agora, na defesa do ensino privado, que “…um aluno do ensino não-estatal contratualizado (ENEC) custa-nos a todos 4.200 euros por ano, um aluno do ensino estatal custa-nos 5.200 euros por ano (OCDE)” (in Joaquim Azevedo, Público 26-11-2010).

Não será exacto. Não só o esclarecimento “oficial” em artigo do Secretário de Estado da Educação (vide Torcato da Mata, in http://www.aventar.eu/2010/12/04/hoje-nasceram-galinhas-com-dentes/) contraria aqueles valores, como um acérrimo contraditor da política educativa do Governo, Santiago Carrilho, em artigo no Público (8-12-2010) explica “… como os números usados pela OCDE se referem ao ano de 2007, há que ir ao respectivo Orçamento do Estado para os colher sem a tal ponderação. Vemos, assim, que foram despendidos 4.971,7 milhões de euros com 1.313.523 alunos. O que dá um custo médio de 3.785 euros. Bem longe dos 5.200 euros invocados por Joaquim Azevedo. E se os 4.200 que aponta como custo do privado estão certos, então a conclusão inverte o ónus da mentira: o custo do ensino privado é superior ao custo do ensino público.” E, sobre o fundo da questão, a revisão das condições de financiamento das escolas privadas, clarifica, com o que estou em acordo absoluto, “…


O sistema de ensino português tem dois subsistemas: um público, outro privado. Querer tornar os dois indiferenciáveis é uma subtileza para fazer implodir o princípio da responsabilidade pública no que toca ao ensino.” E essa está fixada constitucionalmente e é a obrigação de criar “uma rede de estabelecimentos públicos de ensino que cubra as necessidades de toda a população”.

2. Outro leque de dados é o divulgado pelo PISA (Programme for International Student Assessment) recentemente. A sua leitura confirma uma incontestável melhoria, não tanto no lugar dos estudantes portugueses (ainda modesto) na tabela do universo escolar dos países testados, mas sobretudo na boa taxa de progressão na literacia da leitura e das ciências, menos boa na literacia matemática. Parece indiscutível que medidas estruturais favoreceram esta progressão, o Plano Nacional de Leitura, o Plano de Acção para a Matemática, a modernização do parque escolar e a melhoria das suas bibliotecas, entre outras.

Como também, no plano curricular, um reforço de avaliação através de exames formais, mesmo as aulas de substituição, devem ter pesado para um clima de maior responsabilidade que se reflecte a prazo nos resultados obtidos. E, como os testes do PISA, isentos (segundo os observadores) de influência governamental, são aleatórios e (quase) iguais para todos os 470 mil alunos dos 33 países avaliados, cairá bastante por terra o mito do facilitismo intencional dos nossos exames, sendo mais provável o carácter errático da sua preparação a nível ministerial.

Por último e segundo especialistas, o volume de dados fornecidos pela OCDE (ainda não totalmente) é de dimensão suficiente para um estudo científico aprofundado durante algum tempo, no sentido de avaliar com exactidão aspectos parcelares como o investimento em computadores portáteis, o acesso à banda larga, o aumento do apoio social escolar, a formação dos docentes, a criação de novas ofertas em cursos profissionais, etc, etc. Dispensar-se-ia, pois, tanto uma euforia governamental excessiva, quanto uma reacção sindical e corporativa dos professores que não saem mal deste retrato internacional – desde que aceitem de boa fé uma sua avaliação rigorosa.

publicado por Carlos Loures às 11:00

editado por Luis Moreira em 30/01/2011 às 23:46
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Sexta-feira, 7 de Janeiro de 2011

Educação – Desperdícios em tempos de crise - por Alexandra Pinheiro

A leitura do título poderá sugerir um artigo acerca dos custos associados à manutenção das escolas ou à estrutura do Ministério da Educação, mas o desperdício que quero focar é um outro, oculto mas bem mais corrosivo.

Durante anos, e mesmo na actualidade, os sucessivos governos patrocinaram a construção de escolas estatais mesmo onde já existia oferta pública, garantida por escolas privadas que tinham um contrato de associação com o Ministério da Educação. Estas escolas públicas, gratuitas e abertas a todos os alunos, fazem parte do parque escolar do país e desempenham uma função social insubstituível, com resultados de qualidade quer pela sua experiência quer pela sua ligação à comunidade que servem.

Agora, em nome de uma poupança (por comprovar) e em resultado de uma oferta estatal excedentária, o governo tomou um conjunto de medidas que resultará, a curto prazo, no encerramento destas 93 escolas.

A irracionalidade social destas medidas manifesta-se no desemprego a que estão condenados milhares de professores e no agravamento da desigualdade social, pelo efeito da eliminação de um instrumento que permite às famílias mais desfavorecidas frequentar estas escolas.

Já a irracionalidade económica resulta de o governo poder estar a encerrar a escola que apresenta um custo por aluno inferior (apesar de instado a fazê-lo repetidamente, o ministério recua-se a apresentar o custo real por aluno numa escola estatal).

publicado por Carlos Loures às 17:00

editado por Luis Moreira em 06/01/2011 às 21:02
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Segunda-feira, 8 de Novembro de 2010

Professores - Free schools

Luis Moreira

O profblog anuncia que as "free schools" avançam no Reino Unido!

Escolas autonomas, entregues a professores e a grupos de pais, sem interferência estatal, livres das guerras entre burocratas do ministério e dos sindicatos, Responsáveis pelos resultados que directamente interferem com a carreira de uns e com o futuro dos filhos de outros, a "Free school" tem tudo para andar.

Adeus à regulamentação aos montes, adeus às paletes de papéis,adeus às pirâmides de informação que ninguém lê, bem-vindos ao tempo suficiente para as aulas, para a sua preparação atempada, para as aulas de auxílio a quem precise...

Como tenho, repetidamente, aqui escrito, ninguém ouve uma palavra sobre a autonomia das escolas a sindicatos e ao ministério. Pudera, sem escolas escravas, não há matéria para manter milhares de burocratas entretidos com experiências pedagógicas, com reinvindicações permanentes, com guerras diárias...

Muitos professores,como tenho mostrado com textos que apanho na comunicação social, lutam pela autonomia das escolas, mas não são ouvidos, a verdade oficial é passada pelas guerras entre sindicatos e ministério, precisam uns dos outros para terem poder.

Para além da maior proximidade, o corte de custos nas estruturas, nacionais, distritais e locais é muito significativo.
publicado por Luis Moreira às 13:30
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Segunda-feira, 16 de Agosto de 2010

Justiça - 97% de mérito ?


Luís Moreira

A mesma Justiça que se afunda em escândalos, com zero de credibilidade, com 1,2 milhões de processos atrasados, avalia-se a si mesma com 97% de "muito bons" e "bons"!

97% dos agentes judiciários recebem uma nota que não condiz com o estado da Justiça, são todos "muito bons" mas a Justiça não presta, a causa deve ser os advogados porque defendem os seus constituintes, os arguidos porque não assinam as confissões de culpa, e os tribunais porque perdem tempo a fazer julgamentos. Se não se perdesse tempo com papéis, leis, direitos, tudo corria à maravilha, e a Justiça estaria ao nível destes iluminados.

É assim em toda a Administração Pública, a avaliação é um "faz de conta", ninguem é avaliado, não se mede o mérito, nem a obtençaõ de objectivos, o que é preciso é que o tempo passe para chegarem todos ao topo da carreira.É esta a guerra que se trava tambem no Ministério da Educação, não são os alunos que são a preocupação,nem a escola, nem os resultados, o que interessa mesmo é a carreirinha...

Como é possível que esta Justiça que nos envergonha a todos, se avalie a si própria como "muita boa"? Ou é possível que a soma dos 97% de "bons" e "muito bons" seja igual a péssimo? Como é possível isto acontecer sem ninguem se indignar?

Já falta pouco para a censura voltar a ser azul, os tribunais serem " a bem da nação" e as escolas serem de todos menos dos alunos. O mais duro corporativismo tomou conta do Estado e das nossas contribuições!

Não somos todos muito bons?
publicado por Luis Moreira às 13:30
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