Segunda-feira, 29 de Novembro de 2010

Semana da Economia - Exportações a crescer - a única forma de pagar a dívida

Luis Moreira

São coordenadores Luis Valadares Tavares, Abel Mateus e Francisco Saarsfiel Cabral, economistas que reunem num livro(Reformar Portugal - Estratégias de Mudança) o muito que já se sabe que é preciso fazer mas que os vários governos não realizam. Porquê? Porque o Estado está há séculos amordaçado pelas corporações poderosas que não deixam mexer nada. Mas leiam:

"Passaram séculos e é hoje chocante a verificação do pouco que portugal mudou durante este período, com os mesmos erros serem repetidos vezes sem conta e em que o Poder do Estado é usado para impedir a sociedade, nomeadamente os agentes económicos, de se organizarem de forma sustentada e aproveitarem as novas oportunidades, que os diferentes tempos foram propiciando.

Que melhor exemplo do que o condicionamento industrial de António Salazar? Ou a política nacional de saber ler,escrever e contar, durante o mesmo período? Ou as nacionalizações após o 25 de Abril? Ou as dificuldades criadas à indústria exportadora nacional, pela política de valorização do escudo de Cavaco Silva? Ou o fim de uma longa tradição de artes e ofícios, com a morte do ensino profissional?

Em portugal a existência de um estado central poderoso , por vezes déspota, quase sempre ignorante e indisciplinado, mas suficientemente hábil para se servir a si próprio e para permitir, ao mesmo tempo, a satisfação dos interesses dos grupos sociais mais poderosos, sempre impediu, ao longo dos séculos, a diversificação da economia, da mesma forma que evitou crises necessárias e mudanças renovadoras, no momento em que estas teriam sido úteis. A descolonização feita tarde e a más horas é outro exemplo recente."

E quanto aos nossos empresários, à sua qualidade, à sua renúncia ao risco, sem conhecimentos de gestão, cujas empresas fogem dos impostos e caminham sem estratégia? A verdade é que em Portugal existiam em 1999, 259 641 empresas,logo muitos arriscam, a não ser assim não existiriam aquelas empresas, cheias de problemas burocráticos levantados pelo estado, muitas delas concorrem nos mercados internacionais com sucesso.

A verdade é que representam 60% do PIB, 70% das exportações e 80% do emprego! Já algum de nós deu conta que são uma prioridade para o governo seja ele qual for? E porque é que os portugueses têm sucesso lá fora? E porque é que as empresas estrangeiras passam a vida a queixar-se dos constrangimentos impostos pelo estado, embora tendo capacidades muito diferentes para os tornear porque são empresas multicionais?

Trata-se de criar riqueza, é esse a mãe de todos os problemas! E quem cria riqueza é a iniciativa privada, os cidadãos com coragem para arriscar e prosseguir objectivos, bens e serviços que se vendem na exportação e substituem importações. E, como se vê, pelos últimos dados, é a exportação das PMEs que está a puxar pela economia, com grande júbilo do governo que até há dois meses atrás apostava nas grandes obras públicas.

Enquanto o estado for esta pessoa de "má - fé", incompetente, anafado e gastador o país não sairá da miséria. Um Estado que tem como objectivo encher o país de funcionários!

Não resisto a contar-vos uma história passada comigo em Manchester, no Reino Unido. Numa reunião com empresários Ingleses interessados em vir para Portugal para aproveitar a modernização do nosso parque hospitalar, então em grande força, um dos empresários, pediu a palavra para dizer. Meus senhores, eu já investi em Portugal.Tive um problema empresarial que me obrigou a recorrer aos Tribunais. Meti a acção há cinco anos e, desde então, que estou à espera de uma comunicação do tribunal. Nunca recebi resposta nenhuma.É assim que se trabalha em Portugal. Boa tarde e muito obrigado! Saíu pela porta fora.

As poderosas corporações que mandam no estado, que não reportam a ninguém, que não são avaliadas, em que ganham todos o mesmo sem que se aprecie o mérito, são os inimigos da modernização do nosso país.

O igualitarismo empurra os estados para a mediocridade, nunca se nivela por cima, nivela-se por baixo, chegamos todos ao topo da carreira, como se o trabalho fosse igual e os resultados os mesmos. Não são! E, depois, aparecem uns senhores que ganham mais que o Governador do Banco Central dos Estados Unidos! No meio da bagunça "uns são mais iguais que outros"!

E a questão, quanto à dívida, é a capacidade de a pagar,países que crescem, sistematicamente, a 4% não têm o mesmo problema de outros que, como o nosso, cresce abaixo dos 1% e, nos últimos cinco anos, a taxa de crescimento acumulada foi mesmo negativa..

Pagamos a dívida, empobrecendo.
publicado por Luis Moreira às 13:30
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Segunda-feira, 27 de Setembro de 2010

Um país de funcionários

Luís Moreira

Andamos sempre a acusarmo-nos mutuamente de sermos preconceituosos, é o preconceito em relação aos gays, em relação aos imigrantes, aos pretos e assim por diante. Mas o preconceito mais prejudicial muito raramente é referido e debatido. É o preconceito que todos temos, uns mais outros menos em relação à iniciativa privada, aos empresários, ao empreendorismo.

Há gerações atrás todos queríamos ser funcionários dos bancos, era o emprego para toda a vida; depois veio o emprego no funcionalismo público, emprego para toda a vida, aumento do vencimentos todos os anos e certinho, progressão na carreira, ninguem é avaliado, não há mérito é só aparecer de vez em quando; há uns tempos a esta parte refinou com os milionários vencimentos nas empresas públicas e autárquicas que nascem como cogumelos.

No centro da Europa há famílias que são, por gerações, agricultores e não querem ser outra coisa, deslocam-se para África e para outros continentes para terem acesso à terra, incluindo o Alentejo, têm orgulho no que fazem, têm prestígio social, são bem pagos e tratam-se pelo nome embora a maioria tenha cursos superiores ligados à agricultura.

Aqui nesta medíocridade somos todos doutores e engenheiros, a maioria desempregada e a viver da Segurança Social, mas não há coragem para iniciarem a sua própria empresa, terem uma ideia e avançarem. Não vale a pena, o Estado estrangula essas iniciativas com impostos e com burocracia, a reputação social não é nenhuma, e é muito mais fácil ser funcionário. Vencimento certinho, sindicatos a "exigirem" numa atitude irresponsável.

No outro dia conversava com um jovem que veio cá a casa tratar dos canos da cozinha, contei-lhe dos milhares de jovens da idade dele que não têm trabalho, ao que ele me respondeu que na actividade dele "não tem para onde se virar" trabalho não lhe falta.Mas claro, nunca deixará de ser "o canalisador" ainda por cima não é "polaco".

Este preconceito em relação às pessoas que se dedicam a actividades que temos por menos nobres, é um factor essencial que explica a pobreza deste país, ninguem pergunta a ninguem o que é que sabe fazer, pergunta qual é o curso. Ainda tive a esperança de que com o aumento das universidades e com os milhares de cursos "à lá minute" se acabasse de vez com as doutorices e engenheirices, mas quando até o primeiro ministro e altas figuras da finança acham que mais vale ter um curso tirado ao domingo do que ter resultados do seu trabalho e mérito, o futuro do país não é nenhum.

Temos que passar a ter orgulho nos empresários que não vivem do estado, que produzem bens e serviços transaccionáveis, que exportam e que criam postos de trabalho, reconhecer capacidade e prestígio a todas as profissões, sem elas não vivemos. Todos ou quase todos são funcionários, um país cheio de gente sem ambição, mesmo os jovens têm como objectivo entrar para "o quadro", depois, a partir dessa posição, transformam-se em "reinvindicadores" profissionais exigem isto e mais aquilo como se não vivessem num país onde tanta gente vive desempregada e mal.

Um país de funcionários, sem alma, sem ambição, odiando quem é capaz de produzir riqueza e criar postos de trabalho, quem investe o seu dinheiro sem compadrios estatais, quem luta em mercados exigentes , na agricultura, nas pescas, nas pequenas e médias empresas de tecnologia avançada, os empresários em nome individual da pequena oficina, da fábrica, do escritório de serviços...são actividades indispensáveis que devem ter o nosso respeito e o prestígio de quem ganha a sua vida da forma mais dificil.

Confundir o empreendorismo com as grandes empresas do regime que são monopolistas, que "sacam" sem cessar, que praticam os preços mais elevados da Europa, é pura cegueira ideológica e de uma tacanhez preconceituosa que envergonha.
publicado por Luis Moreira às 13:30
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