Segunda-feira, 27 de Setembro de 2010

Um país de funcionários

Luís Moreira

Andamos sempre a acusarmo-nos mutuamente de sermos preconceituosos, é o preconceito em relação aos gays, em relação aos imigrantes, aos pretos e assim por diante. Mas o preconceito mais prejudicial muito raramente é referido e debatido. É o preconceito que todos temos, uns mais outros menos em relação à iniciativa privada, aos empresários, ao empreendorismo.

Há gerações atrás todos queríamos ser funcionários dos bancos, era o emprego para toda a vida; depois veio o emprego no funcionalismo público, emprego para toda a vida, aumento do vencimentos todos os anos e certinho, progressão na carreira, ninguem é avaliado, não há mérito é só aparecer de vez em quando; há uns tempos a esta parte refinou com os milionários vencimentos nas empresas públicas e autárquicas que nascem como cogumelos.

No centro da Europa há famílias que são, por gerações, agricultores e não querem ser outra coisa, deslocam-se para África e para outros continentes para terem acesso à terra, incluindo o Alentejo, têm orgulho no que fazem, têm prestígio social, são bem pagos e tratam-se pelo nome embora a maioria tenha cursos superiores ligados à agricultura.

Aqui nesta medíocridade somos todos doutores e engenheiros, a maioria desempregada e a viver da Segurança Social, mas não há coragem para iniciarem a sua própria empresa, terem uma ideia e avançarem. Não vale a pena, o Estado estrangula essas iniciativas com impostos e com burocracia, a reputação social não é nenhuma, e é muito mais fácil ser funcionário. Vencimento certinho, sindicatos a "exigirem" numa atitude irresponsável.

No outro dia conversava com um jovem que veio cá a casa tratar dos canos da cozinha, contei-lhe dos milhares de jovens da idade dele que não têm trabalho, ao que ele me respondeu que na actividade dele "não tem para onde se virar" trabalho não lhe falta.Mas claro, nunca deixará de ser "o canalisador" ainda por cima não é "polaco".

Este preconceito em relação às pessoas que se dedicam a actividades que temos por menos nobres, é um factor essencial que explica a pobreza deste país, ninguem pergunta a ninguem o que é que sabe fazer, pergunta qual é o curso. Ainda tive a esperança de que com o aumento das universidades e com os milhares de cursos "à lá minute" se acabasse de vez com as doutorices e engenheirices, mas quando até o primeiro ministro e altas figuras da finança acham que mais vale ter um curso tirado ao domingo do que ter resultados do seu trabalho e mérito, o futuro do país não é nenhum.

Temos que passar a ter orgulho nos empresários que não vivem do estado, que produzem bens e serviços transaccionáveis, que exportam e que criam postos de trabalho, reconhecer capacidade e prestígio a todas as profissões, sem elas não vivemos. Todos ou quase todos são funcionários, um país cheio de gente sem ambição, mesmo os jovens têm como objectivo entrar para "o quadro", depois, a partir dessa posição, transformam-se em "reinvindicadores" profissionais exigem isto e mais aquilo como se não vivessem num país onde tanta gente vive desempregada e mal.

Um país de funcionários, sem alma, sem ambição, odiando quem é capaz de produzir riqueza e criar postos de trabalho, quem investe o seu dinheiro sem compadrios estatais, quem luta em mercados exigentes , na agricultura, nas pescas, nas pequenas e médias empresas de tecnologia avançada, os empresários em nome individual da pequena oficina, da fábrica, do escritório de serviços...são actividades indispensáveis que devem ter o nosso respeito e o prestígio de quem ganha a sua vida da forma mais dificil.

Confundir o empreendorismo com as grandes empresas do regime que são monopolistas, que "sacam" sem cessar, que praticam os preços mais elevados da Europa, é pura cegueira ideológica e de uma tacanhez preconceituosa que envergonha.
publicado por Luis Moreira às 13:30
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